segunda-feira, julho 31, 2006

Férias no horizonte

Começo hoje três semanas de férias, nas quais é pouco provável que actualize o blogue. Àqueles que me visitam e que insistem em pensar pela própria cabeça em lugar de se submeterem aos ditames do politicamente correcto os meus parabéns, pois é para eles que o "Horizonte" existe. Aos outros, que lhes saiba muito bem o açaime que se auto-infligem.
Lugar ainda para os parabéns a dois blogues de referência e que comemoram o terceiro aniversário: "O Velho da Montanha" e "O Sexo dos Anjos". Bem hajam pelo notável contributo que têm dado à blogosfera nacional.
Reencontramo-nos, em princípio, a 20 e Agosto. Até lá.

sexta-feira, julho 28, 2006

Os psicanalistas de Tsahal

É matemático: sempre que o estado sionista mostra a sua verdadeira face e desata a matar tudo o que são sub-homens à luz da sua extremista concepção de sociedade, e que chovem críticas a essa barbárie, surgem os beneméritos do estado hebreu, prontos a dissecar a "besta".
A besta, claro está, é o anti-semitismo, esse mal absoluto. "Eles" podem matar a eito, deslocar populações, arrasar campos de cultivo, fazer atentados terroristas sob a chancela de Estado (de direito!), praticar tortura em larga escala, destruir infraestruturas, condenar povos inteiros à servidão, à miséria - e todos bem compartimentadinhos em "bantustões", rodeados pelo inefável "muro de segurança". Eles podem fazer isso tudo. Mas quem os critica sofre do "mal", o anti-semitismo. Nunca na história da humanidade se utilizou de modo tão desonesto, tão descarado, tão enxovalhante, os sentimentos humanos de repúdio pelos maus tratos sofridos por um povo para desculpar tudo o que esse mesmo povo, quando na mó de cima, não se coíbe de fazer a outros. E esse modus operandi do terrorismo ideológico é a expressão mágica "anti-semitismo". Quem tiver o azar de levar com esse rótulo põe-se de golpe às margens do mundo civilizado.
Também ficamos a saber por esses comissários de divã que há dois tipos de anti-semitismo: o de extrema-direita (o "clássico") e o de extrema-esquerda (mais "sonso"). Querem-nos ocultar o facto de que muito boa gente, apolítica ou mesmo de "centro" (ou seja, sem verdadeiras convicções ideológicas), é fortemente crítica da actuação do estado hebreu e mesmo dos "judeus". Mas lembrar isso é estar a desfazer a caricatura, que serve precisamente para enganar os tolos e estigmatizar quem ainda se dá ao trabalho de pensar pela sua cabeça e recusar os açaimes.
Por fim há quem sonhe com o dia em que a "besta" morra, essa alvorada gloriosa, esse arrebol da madrugada de um mundo novo! Será o dia em que todos amaremos o Grande Irmão. Com umas descargas eléctricas a coisa vai.

Acontecimentos

Grande acontecimento para quem preza o abrir de brechas no monopólio da informação: o nascimento de "Alameda Digital", uma revista online servida por um excelente naipe de colaboradores. Destaco desde já o soberbo artigo de Luís Atapalha "Zhakar Israel?". É um projecto que merece todo o nosso apoio.
Acontecimento também o terceiro aniversário do "Nova Frente", blogue que, com o "Último Reduto" e "O Sexo dos Anjos" forma o trio de mosqueteiros da direita internética que não se envergonha de o ser. Acresce que o Bruno é, a par do Dragão, a melhor pena da blogosfera. E, como hoje o "Nova Frente" é menino pequenino aqui fica uma prenda (envenenada?): como é que um blogue deste calibre se permite não abordar o tema da barbárica investida sionista em curso?

terça-feira, julho 25, 2006

A guarda avançada de Tsahal

À laia de complemento actual ao postal anterior, trago-vos mais dois exemplos esclarecedores.
O maire de Montpellier, Georges Frêche, afirmou na gala de abertura do Festival de Dança daquela cidade meridional que Montpellier constitui «um posto avançado de Tsahal [exército israelita]». A inauguração do festival esteve a cargo da companhia israelita Batsheva.
Já Nicolas Sarkozy, que dispensa apresentações (basta pensar no seu maior admirador português), nomeou Arno Klarsfeld mediador nacional para o procedimento de regularização extraordinária de famílias de alunos indocumentados (entenda-se, imigrantes ilegais). Quem é este Arno Klarsfeld?
Trata-se do filho do famoso casal Serge-Beate, que fizeram as vezes de Simon Wiesenthal franceses (a sra. Beate é de origem alemã), conseguindo levar Klaus Barbie, René Bousquet, Maurice Papon e Paul Touvier a tribunal. São também os principais responsáveis pelo vergonhoso discurso de Jacques Chirac, em 1985, "reconhecendo" a responsabilidade de Vichy na deportação de judeus (ignorando o papel de Pétain e sobretudo Pierre Laval em limitar aquela deportação praticamente aos judeus residentes em França de origem não francesa; qual teria sido o destino dos judeus franceses sem a existência de um governo que, no meio de enormes dificuldades, foi razoavelmente eficaz a limitar as draconianas medidas alemãs? Imagine-se se a autoridade no terreno fosse exercida directamente por um Gauleiter).
Já o rebento, advogado de profissão, deu nas vistas quando se naturalizou cidadão israelita, em 2002. Fez o serviço militar em Israel, na guarda-fronteiriça. Como refere o semanário "Rivarol" na sua edição de 7 de Julho passado, o jovem parece bastante menos sensível em preservar as fronteiras francesas que as de Israel.

segunda-feira, julho 24, 2006

Os semeadores

Durante muito tempo, nos anos 80 e 90 nomeadamente, especulou-se nos meios nacionalistas de França o porquê de a elite judaica daquele país constituir um dos grupos mais favoráveis à imigração para aquele território. Sabendo-se que a maior parte dos imigrantes acolhidos era de origem magrebina, parecia não haver lógica na atitude daquela comunidade.
Dizia-se que iam aumentar as tensões entre muçulmanos e judeus em França (o que se confirmou e agravou a partir da 2ª Intifada) e que estes últimos nada teriam a ganhar com o aumento da população árabe. No entanto, os políticos e os jornalistas de origem judaica continuavam a falar da França como "terra de acolhimento", do papel positivo que a imigração traria àquele país, louvava-se a mestiçagem (menos a que pudesse afectar a comunidade judaica, claro). Os atentados de 1992 em Paris, cometidos por fundamentalistas islâmicos, não alteraram esta atitude.
Pode-se especular à vontade sobre os motivos deste empenho à partida tão contra-natura; pode-se igualmente conceber teorias conspirativas. Mas factos são factos e uma coisa se pode dizer com absoluta certeza: o aumento da imigração magrebina para a Europa, com todas as tensões sociais, económicas e religiosas que gerou, tem contribuído para alterar a forma como os europeus olham para Israel, no sentido de uma maior simpatia ou pelo menos compreensão para com a forma como o estado sionista lida com os palestinos e os estados vizinhos; e quando vemos muitos nacionalistas de diversos países partilhar essa simpatia percebemos com clareza que aqueles políticos e jornalistas sabiam o que faziam.
Muita dominação se consegue erigir sobre um barril de pólvora.

domingo, julho 23, 2006

Petróleo e sionismo

Primeiro, Saddam Hussein concebeu o projecto de passar a transaccionar o petróleo iraquiano em euros e não em dólares. Sabe-se o que é que aconteceu.
Em Fevereiro ocorrem dois acontecimentos-chave:
- nasce a Bolsa de petróleo de Teerão, com o ouro negro a ser transaccionado em euros; e
- a Síria "mudou a sua moeda-padrão nas relações comerciais com o estrangeiro do dólar para o euro".
Sabe-se, também, como adianta o blogue "Saber a Verdade", que a "Síria e o Irão têm um pacto de aliança de defesa mútua em caso de agressão. Será que veremos o ataque ao Irão para envolver a Síria ou o ataque à Siria para envolver o Irão?"
A pressão norte americana e israelita sobre estes dois países não é obviamente inocente, conjugando-se os interesses petrolíferos de Washington com as preocupações militares israelitas, numa pérfida colusão.
Seria cómica não fosse trágica a presunção de muito boa gente de que são os EUA e Israel o baluarte de defesa do Ocidente contra o expansionismo islamista. O que é certo é que a esses dois países só interessam os seus interesses particulares, prosseguindo-os nem que tenham que deixar o planeta a ferro e fogo. Para a maior glória do dólar e do "povo eleito".

sábado, julho 22, 2006

Despachem-se

Extraordinária a capacidade de resposta americana às solicitações israelitas de ajuda material para poder continuar a matança: "US speeds up bomb deliveries to Israel".

sexta-feira, julho 21, 2006

A ponte Beauvoir vacila!

A nova ponte sobre o Sena em Paris mostra problemas estruturais e vacila sob o peso de uma multidão. De nome Simone Beauvoir, a ponte parece hesitante em ligar a margem esquerda à margem direita. Sem piada, aqui.

«O sionismo é apenas uma parte do problema»

«In fact, Zionism per se is only a part of the problem. It has been clearer than ever this week that if the fighting is done by Israel, not merely the weapons but the entire battle plan is made in Washington. This trail of blood leads to the White House.
Israel attacks Arab states because that is what the US has armed and financed it, beyond any other ally in the world, to do. If the US government did not will it, Israel would not now be able to be killing Lebanese civilians at a rate of 50 a day or so.»

Andrew Murray (texto completo aqui).

Exodus



Chechénia?

Não, sul de Beirute.



quinta-feira, julho 20, 2006

As atrocidades "boas" e más

O blogue que melhor tem analisado o que se vai passando no Líbano é sem dúvida "O Pasquim da Reacção". Com uma serenidade que tem faltado aos outros (inclusive a este), que têm sido levados pelas emoções (o que não exclui necessariamente a razão, mas radicaliza as posições), o Corcunda tem tido um equilíbrio notável nas suas crónicas.
E o que estas têm de notável é reduzirem toda a complexidade presente ao essencial: os fins justificam os meios empregues? Que critérios presidem à escolha dos meios? Fácil lhe é concluir que a tão propagada desproporcionalidade da reacção israelita é-o de facto.
E, acrescentamos nós, demonstra bem a forma como aquele país, que se gaba de ser "democrático", tem em muito baixa conta os outros povos, na linha de muita doutrina emanada do "povo eleito".
Já escrevo na blogosfera vai para dois anos e quem me conhece sabe bem que condeno tudo aquilo que são atrocidades contra os povos: sejam os arménios à mão dos turcos, os judeus às mãos dos nazis, os tutsis às mãos dos hutus, os cristãos do Sudão às mãos dos muçulmanos, os portugueses (brancos e negros) às mãos dos terroristas angolanos, os ucranianos vitimados pela colectivização estalinista, etc., etc. (Um exemplo desta postura está aqui bem espelhado.) Por isso, sinto-me à vontade para criticar com particular acuidade as acções bárbaras de um país que, em quase 60 anos, demonstrou todo o desprezo pelos seus vizinhos. Um país que é generosamente apoiado financeiramente pela superpotência americana; que se permite ignorar as resoluções de um organismo, a ONU, que, pese todas as críticas legítimas que se lhe possam assacar, foi quem lhe deu origem, na famosa votação de 1948. E um país que, por via da influência dos muitos simpatizantes que conta por todo o mundo, mantém uma chantagem moral, intelectual e mesmo mental inaceitável sobre o mundo ocidental, agitando as suas vítimas de há 60 anos para "minorar" a imagem de todo o mal que vai infligindo na região.

quarta-feira, julho 19, 2006

Um adeus libanês

O pai da pequena Samar despede-se da filha, uma das muitas vítimas do terror aéreo israelita. Ba'albek, Líbano, 18 de Julho de 2006.

terça-feira, julho 18, 2006

A Guerra Civil de Espanha em banda desenhada

O número 13 do BDjornal, de Junho deste ano, mostra-nos algumas incursões da banda desenhada na terrível Guerra Civil de Espanha. Na mais inesperada temos uma tradução criativa de "Os Charutos do Faraó", de Hergé, em que Tintim conhece o famoso comerciante português Oliveira da Figueira. Na versão da revista Papagaio (dirigida por Adolfo Simões Muller, o futuro director do "Cavaleiro Andante" e editor de referência no universo das publicações infanto-juvenis de inspiração católica do século passado) o engenhoso vendedor chama-se Olivero, é de Málaga e fugido aos horrores da guerra civil no seu país... O fiel Milu exclama, satisfeito: «É espanhol e nacionalista! Sempre quero saber como vão as coisas agora...»
Outro exemplo reproduzido pelo BDjornal é o de uma história do grande Stuart Carvalhais, em que o herói Manecas vai oferecer os seus préstimos ao general Franco... O seu cão, disfarçado de tigre, faz os comunistas fugir apavorados. Vem a ser condecorado pelo homem de Ferrol, que aceita de bom grado a sua sugestão de tratar com clemência todos os que não cometeram crimes comuns...

18 de Julho

«No dia 15 de Abril tomaram a cidade costeira de Vinaroz, estabelecendo um corredor que separava a frente da Catalunha do resto da Espanha republicana. Era Sexta-Feira Santa e os requetés carlistas irromperam pelo Mediterrâneo como se se tratasse do rio Jordão. Todos os jornais nacionalistas descreveram o modo como o seu comandante, o General Alonso Vega, se ajoelhou na praia, enterrou os dedos na areia do mar e benzeu-se. Aperceberam-se então que o fim da sua cruzada estava agora à mão.»(Anthony Beevor, "A Guerra Civil de Espanha", Livros do Brasil, Lisboa.)
Esta imagem é para mim das imagens mais vivas da terrível Guerra Civil de Espanha. Faz precisamente hoje 69 anos que ocorreu o "Alzamiento", que, após três anos de uma guerra fratricida, libertou a Espanha da ameaça comunista.Os republicanos cedo cederam à tentação do apoio bolchevista, enviando milhões em ouro directamente para a URSS, em troca de apoio militar (meios e homens). Em breve eram os soviéticos quem decidia as manobras militares a efectuar, as tácticas, etc. Os fuzilamentos no campo republicano foram aos milhares, pois muitos voluntários se recusavam a entrar em batalhas que sabiam perdidas de início.A Espanha "profunda", católica e conservadora, acolheu de bom grado o levantamento, tendo a Igreja suspirado de alívio após anos de perseguições, violências diversas, destruição de igrejas, assassinatos.Do lado nacionalista a Falange representava a solução popular anti-bolchevista, isto é, tendo a Espanha um grave probema social, com um campesinato miserável, o movimento de Primo de Rivera representava a vanguarda revolucionária. Após a vitória das tropas de Franco, viu-se que a ala conservadora do "Movimiento" impunha uma solução social e agrária não conflituosa com os interesses dos grandes proprietários.Os carlistas representavam a visão do regresso a uma Idade do Ouro, um mundo rural tradicional organizado em torno da Igreja e do respeito pela Tradição.Do lado republicano a aliança não era menos heteróclita, abarcando comunistas, socialistas, anarquistas e os trotsquistas do POUM. Os comunistas, assim que puderam, arrasaram as cooperativas que os anarquistas tinham instituído em zona republicana, mantendo-se estes, no entanto, na coligação. No final da guerra, nas ruas de Barcelona, ficou bem patente o ódio mútuo, com confrontos que facilitaram a vida aos nacionalistas.As atrocidades da guerra são uma história interminável, tendo ambos os lados responsabilidades gravíssimas no descambar de todo o tipo de violência gratuita.Em última análise a Guerra de Espanha foi um triunfo fantástico sobre o comunismo que, a ocorrer, não teria poupado Portugal, nem ambos os países teriam saído incólumes da II Guerra Mundial. Valeu ainda a perspicácia de Salazar que convenceu Franco, em 1940, a não aceitar que os alemães atravessassem território espanhol para aceder ao Mediterrâneo («Preferia arrancar os dentes todos a ter que falar com Franco novamente», terá dito Hitler após a sua última e frustrada tentativa de convencer o Generalíssimo.) Franco mostrava assim firmeza, apesar de dever estar reconhecido a alemães (e italianos) pelo apoio dispensado durante o conflito.A Guerra Civil mostrou ainda como um conjunto tão variado de tendências agrupadas no seio nacionalista conseguiu deixar de lado as suas divergências (algumas delas bem grandes) em favor da luta contra um inimigo comum que ameaçava mergulhar a Península nas trevas marxistas. Uma lição.
(Publicado no meu antigo blogue há um ano atrás.)

segunda-feira, julho 17, 2006

O prémio

Fonte bem informada fez chegar à nossa redacção a notícia de que a Embaixada de Israel em Portugal, deveras comovida e impressionada com a defesa intransigente da sua acção defensiva em curso na Faixa de Gaza e no Líbano por parte de muitos blogues portugueses, conta instituir um prémio para o melhor blogue pró-israelita. O galardão, que se intitulará Prémio Esther Muncznik, será atribuído anualmente ao blogue português que mais se distinga na defesa intransigente do estado de Israel e do seu inalienável direito de destruir à sua volta tudo o que necessário for para assegurar a preeminência do estado sionista na região.
Segundo a mesma fonte, a dificuldade em atribuir o prémio está na enorme variedade de blogues "ao serviço" de Israel, nas palavras textuais da mesma.
Ao vencedor será entregue uma estrela de David em prata, assente numa base onde se poderão ler as imortais palavras de dois sionistas intransigentes:
- de Achad Haam: «Todos sabem, como axioma natural, que, na escala da criação, há diversos graus: os minerais, as plantas, os animais, os homens e, em cima, os judeus.»
- de Isaac-Adolphe Crémieux: «A nossa causa é grande e santa, o seu sucesso é certo. Aproxima-se o dia em que Jerusalém será o lar de orações para os povos unidos e onde a bandeira do monoteísmo judeu adejará sobre as cidades mais longínquas. Utilizemos tudo! A nossa força é grande, empreguemo-la! Que devemos recear? Não está longe o dia em que todas as riquezas do mundo pertencerão exclusivamente aos judeus. Um novo reino messiânico, uma nova Jerusalém deve substituir os reinos dos imperadores e dos papas!»

sexta-feira, julho 14, 2006

Cavaco, o coerente

A actuação de Cavaco Silva como presidente não me tem surpreendido minimamente. Plasmado "candidato da direita" pela esquerda, rapidamente mesmo os mais incautos se aperceberam do logro do epíteto.
A aprovação das leis da nacionalidade e da procriação medicamente assistida aí está para confirmar o perfil claro de centrista do homem de Boliqueime: alguém com défice de convicções e superavit de adaptabilidade. Ou pragmatismo. A coerência de Cavaco deriva da sua efectiva ausência de convicções ideológicas, alguém para quem está tudo bem "se o mercado funciona". É o tipo de político que não é de esquerda que a esta convém: rapidamente dá de barato que há certos "princípios" (os da esquerda) que não se discutem, pois fazem parte dos "valores das sociedades democráticas". E depois de vez em quando dão uma piscadela de olho à direita (como diria o camarada Carvalhasss), mostrando aquilo que... não são.
A outra faceta da coerência de Cavaco como PR está naquilo que ele não tem feito e que criticara a Mário Soares: ser uma força de bloqueio. Cavaco está a comportar-se como previu um confrade, sendo de facto o presidente que melhor convém a Sócrates. E ao sistema instalado.

quinta-feira, julho 13, 2006

"Podem fazer as malas"

"No que me diz respeito, os habitantes de Beit Hanun e Beit Lahya podem começar a fazer as malas", declarou, com hebraica amabilidade, Zeev Boim, membro do Gabinete de Segurança Israelita, no passado dia 3.


(Uma criança palestina de Beit Hanun, fotografada no mesmo dia.)

Em Dweir, no Líbano, uma família inteira foi vítima de um ataque aéreo israelita. Morreram todos os seus membros, entre os quais oito crianças:

As Portas da Madrugada

O primeiro álbum dos Pink Floyd, "The Piper at the Gates of Dawn" (1967), é o único da banda a contar com a colaboração de Syd Barrett. É talvez o melhor álbum de sempre da chamada música moderna. Se a qualidade e criatividade dos três acompanhantes de Barrett (Waters, Wright e Mason, aos quais se juntaria Gilmour após o abandono de Barrett) é já evidente, é o génio de Syd que marca o opus 1 dos Floyd.
Mesclando explorações sonoras inovadoras, ambientes surreais, sugestões de viagens interplanetárias, com melodias relativamente simples e evocações do imaginário infantil, "Piper" tem, paralelamente à revolução sonora que corporiza, uma candura e ternura que o rock raramente voltaria a ter, mergulhado no mundo cínico da indústria discográfica ou, quando dele mais ou menos afastado, imerso no espírito decadente e deprimente da era moderna.
Assim, Barrett canta sobre gnomos, espantalhos, gatos, contos de reis ou a sua bela bicicleta nova... A influência dos alucinogéneos, evidente em largas partes da obra, mostra-nos bem as contradições dos anos 60, onde "tudo" parecia possível e tudo era permitido. As marcas dessa pseudo-libertação na vida (arruinada) de Syd simbolizam na perfeição as ilusões das utopias e a tragédia da liberdade sem limites propugnada na nossa era.
Resta-nos a arte do genial criador, nos sons e no imaginário:
There was a king who ruled the land
His majesty was in command
With silver eyes the scarlet eagle
Showered silver on the people
Oh Mother tell me more
Why'd you have to leave me there
Hanging in my infant air, waiting
You only have to read the lines of
Scribbly black and everything shines

Syd Barrett (1946-2006)

(Uma das raras notícias sobre Syd Barrett antes da sua morte - ocorrida há quatro dias - publicada há cerca de um ano.)