
O primeiro álbum dos Pink Floyd, "The Piper at the Gates of Dawn" (1967), é o único da banda a contar com a colaboração de Syd Barrett. É talvez o melhor álbum de sempre da chamada música moderna. Se a qualidade e criatividade dos três acompanhantes de Barrett (Waters, Wright e Mason, aos quais se juntaria Gilmour após o abandono de Barrett) é já evidente, é o génio de Syd que marca o opus 1 dos Floyd.
Mesclando explorações sonoras inovadoras, ambientes surreais, sugestões de viagens interplanetárias, com melodias relativamente simples e evocações do imaginário infantil, "Piper" tem, paralelamente à revolução sonora que corporiza, uma candura e ternura que o rock raramente voltaria a ter, mergulhado no mundo cínico da indústria discográfica ou, quando dele mais ou menos afastado, imerso no espírito decadente e deprimente da era moderna.
Assim, Barrett canta sobre gnomos, espantalhos, gatos, contos de reis ou a sua bela bicicleta nova... A influência dos alucinogéneos, evidente em largas partes da obra, mostra-nos bem as contradições dos anos 60, onde "tudo" parecia possível e tudo era permitido. As marcas dessa pseudo-libertação na vida (arruinada) de Syd simbolizam na perfeição as ilusões das utopias e a tragédia da liberdade sem limites propugnada na nossa era.
Resta-nos a arte do genial criador, nos sons e no imaginário:
There was a king who ruled the land
His majesty was in command
With silver eyes the scarlet eagle
Showered silver on the people
Oh Mother tell me more
Why'd you have to leave me there
Hanging in my infant air, waiting
You only have to read the lines of
Scribbly black and everything shines