quarta-feira, agosto 30, 2006

Robert Le Vigan

"Le Quai des Brumes", de 1938, é umas das obras primas do grande realizador Marcel Carné e uma das suas muitas colaborações com o argumentista Jacques Prévert. Visualmente fascinante, conta uma história triste de amor, com os superlativos Jean Gabin, Michèle Morgan (divina!) e Michel Simon. É uma das obras típicas do chamado "realismo poético", um tempo em que o cinema francês estava ao nível do que de melhor se fazia em todo o mundo.
Uma das curiosidades deste filme é a participação do actor Robert Le Vigan, no papel do pintor depressivo ("pour moi un nageur c'est dejà un noyé"). Os célinianos conhecem bem esta figura. Actor em dezenas de filmes, de 1931 a 1944, Le Vigan era um dos melhores amigos de Louis-Ferdinand Céline e como ele ferozmente anti-semita. Militou no PPF de Jacques Doriot (antigo militante comunista que fundou este partido nacionalista e populista e que atraíu personalidades como Drieu La Rochelle).
A sua "falha capital" foi ter participado aos microfones da Radio Paris (pró alemã) durante a Ocupação, ridicularizando Estaline, Churchill e os judeus. Acompanhou Céline no exílio de Sigmaringen. Vem a ser condenado a dez anos de trabalhos forçados, dos quais cumpre menos de quatro. Não se livra da "indignidade nacional" e vai viver para Espanha. Aí representa em duas películas mas acaba por ir para a Argentina, onde vem a falecer em 1972.
Christian de la Mazière, em "Le Rêveur Blessé" (ler aqui um comentário ao livro), conta como ajudou o seu amigo Le Vigan a passar para Espanha. São páginas que transbordam de amizade e afecto por um indivíduo extravagante, excessivo, que representou papéis de grande densidade dramática e psicológica, como o citado pintor de "Le Quai des Brumes", o que pintava "as coisas que se escondem por detrás das coisas".

Fina-se "O Independente"

Na próxima sexta-feira estará nas bancas, pela última vez, o jornal "O Independente". As vendas do semanário já não chegam aos 10.000 exemplares, um décimo do que vendia o jornal nos seus tempos áureos.
O Independente, sob a direcção de Paulo Portas, foi um órgão incómodo para o poder de então, mergulhados que estávamos em pleno Cavaquistão. Tornou-se o porta estandarte da luta contra a corrupção que grassava (e grassa com não menor pujança hoje em dia) na nossa sociedade. A classe política tremia sempre que se aproximava a sexta-feira fatídica, em que mais um escândalo faria a primeira página do jornal. Pode-se dizer com propriedade que este foi corroendo o governo do PSD, ajudando à ascenção do guterrismo (as más línguas até podem insinuar que o mesmo Paulo Portas que, enquanto director do jornal, desgastou Cavaco, veio, enquanto deputado e líder do PP, a aprovar um orçamento do PS, perdendo toda a credibilidade como força de direita. Anos depois defendeu a candidatura do mesmo Cavaco à presidência da república...).
Paralelamente, O Independente corporizou uma lufada de ar fresco no que à liberdade de expressão diz respeito, abrindo portas que o "Expresso" sempre zelosamente fechou. Podemos dar como exemplos as entrevistas no suplemento a cores com Léon Degrelle (ler aqui) ou António José de Brito (por mim aqui reproduzida em Dezembro de 2004). Algo impensável hoje em dia, mesmo descontando a triste figura dos ignorantes entrevistadores.
A decadência do jornal acompanha a decadência dos índices de leitura de jornais em Portugal e, não menos preocupante, a crescente apatia da população perante o que a rodeia que não seja efémero ou fútil. A tentativa de acompanhar esta triste tendência aumentou a descredibilização do projecto.
Como tantos outros jornais, O Independente sai de cena perante a indiferença geral.

Atendedor de chamadas

A mensagem seguinte é neste momento muito popular entre os utilizadores de telemóvel de Bagdad:
"Neste momento não é possível atender a sua chamada porque fui vítima de um atentado ou fui raptado."

segunda-feira, agosto 28, 2006

Israel utilizou fósforo branco no Líbano?

Eis aqui, a confirmar-se a veracidade da notícia, mais um argumento a favor da tese que defende que, entre outros, um dos objectivos da guerra no Líbano era de experimentar armamento. Coisas de democracias impolutas, já se vê.

domingo, agosto 27, 2006

Premonição de poeta

(...) E no entanto o país, meu Senhor,
É uma beleza! uma beleza! encantador!
Trinta portos ideais, um céu azul marinho,
A melhor fruta, a melhor caça, o melhor vinho,
Balsâmicos vergéis, serranias frondosas,
Clima primaveril de mandriões e rosas,
Uma beleza! Que lhe falta? Unicamente
Oiro, vida, alegria, outro povo, outra gente.
Raça estúpida e má, que por fortuna agora
torna habitável este encanto... indo-se embora!
Deixe morrer, deixe emigrar, deixe estoirar:
Dois bogueirões de esgoto, — o cemitério e o mar.
Que precisamos nós? Libras! libras, dinheiro!
Libras d'oiro a luzir! Onde as há? No estrangeiro?
Muito bem; o remédio é claríssimo, é visto:
Obrigar o estrangeiro a tomar conta disto.
lmpérios d'além-mar, alquilam‑se, ou então
Sorteados — em rifa ou à praça — em leilão.
E o continente é dá‑lo a um banqueiro judeu,
Para um casino monstro e um bordel europeu.
Fazer desta cloaca, onde a miséria habita,
Um paraíso por acções, — cosmopolita,
Dar jogo ao mundo, ao globo! uma banca tremenda!
Calculo eu daí uns mil milhões de renda.

Guerra Junqueiro

sábado, agosto 26, 2006

Retrato do usurário

Brilhante descrição do usurário, a que se segue. Nenhuma palavra está ao acaso, num retrato notável.
«Era um homenzinho magro e sumido, de raros pêlos ruços, olhar azul de uma mobilidade desconfiada e cobiçosa, nariz adunco, e a espinha curvada da assiduidade à carteira. Havia um misto de covardia e inveja na sua face cadavérica, onde a fisionomia oscilava entre a expressão do medo e da perfídia - esse aspecto clássico dos avarentos, de feições secas e amarelentas, como as efígies cunhadas no ouro das suas moedas. Agitava-lhe o peito uma tosse áspera, que se confundia às vezes com o seu riso entrecortado, sem expressão de alegria; e as mãos, duma magreza esquelética, tinham nos dedos uma curva de garra, uma crispação rapace - como a de um milhafre que descobre a presa. (...) Uns temiam-no, outros odiavam-no. E ele com a sua cobiça de usurário e o seu prazer de tiranizar e ter na mão a vida alheia, insinuava-se, oferecia os seus serviços para os negócios que surpreendia ou adivinhava, e, uma vez cravada a garra nos bens das suas vítimas, martirizava-as com todas as pequenas opressões mesquinhas da agiotagem - os vexames das hipotecas, penhoras, citações, protestos de letras - rejeitando com inflexível dureza rogos, súplicas ou propostas de acomodação. Engolira assim os primeiros lucros de empresas nascentes, muito negócio em prosperidade, muita pequena fortuna acumulada nas lutas de um comécio honesto. Era riquíssimo, mas chorava-se sempre; e o seu negócio das chitas, rotineiro e medíocre, era a máscara humilde com que disfarçava a sua alta condição monetária na aventura desse latrocínio legal da usura.»
Este retrato é o de um personagem que aparece no início de "O Brasileiro Soares", excelente romance de Luís de Magalhães escrito em 1885. A obra tem um prefácio notável de um amigo do autor: Eça de Queirós. Há uma edição da Lello & Irmão relativamente fácil de encontrar à venda.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Mercenários, precisa-se

Informa-nos a "Time" na sua edição de 14 de Agosto que 2% dos efectivos do exército dos EUA são de nacionalidade estrangeira. Já em 2002, Bush eliminou o período de três anos que era obrigatório decorrer até um soldado poder solicitar a nacionalidade americana. Desde então, ele pode fazê-lo no dia seguinte à sua admissão no exército.
Há três semanas atrás Bush afirmou que "se alguém se dispõe a arriscar a vida pelo nosso país ele deve participar da vida deste com plenos direitos".
Fala-se agora em recrutar (sic) potenciais nacionais nos respectivos países. Um general reformado sugeriu a abertura na Índia de uma estação de recrutamento (re-sic): "em vez de estarmos à espera que as pessoas apareçam, podemos nós ir à procura delas e encontrar as que necessitamos". O director de recursos humanos do exército, Sean Byrne, acha que esta é uma boa ideia.
Também seria uma boa ideia explicarem-nos em que é que esta situação difere do recrutamento de mercenários. Com a agravante de pôr a nacionalidade literalmente à venda, no mercado.

Sugestões de leitura

O amigo Thoth fala-nos de "Hipocrisia Histórica" no seu blogue "Democracia" (reparei que é um blogue com poucos links em blogues nacionais, o que é injusto), dando exemplos de "façanhas" do clandestino PCP.
O Dragão, em grande forma, fala-nos d'"aqueles democratas reciclados da beatocracia moderna - que estão sempre de fornicoques prontos para vituperar e menoscabar todos e qualquer tipo de nacionalismo, sobretudo caso respeite ao próprio país onde nasceram, quando é Israel a desfilar na passerelle, ei-los que, tomados de súbita amnésia selectiva, desatam a vislumbrar apenas virtudes, maravilhas e enlevos pródigos?... " É uma leitura a não perder, como de resto todas as lavaredas emitidas pelo insigne blogueiro.

terça-feira, agosto 22, 2006

O verdadeiro motivo para a guerra no Líbano

O artigo de Seymour Hersh na “The New Yorker” que revela que a guerra no Líbano foi planeada muito antes do rapto de dois soldados israelitas não surpreende. Este último facto foi o pretexto para aquela agressão, que obteve o beneplácito antecipado de Washington.
Com efeito, vários membros do executivo israelita viajaram até Washington para explicar ao serviçal governo americano o seu plano de invasão do País dos Cedros e obter o seu acordo. “Israel começou com o vice-presidente Dick Cheney. Queriam ter a certeza de que tinham o seu apoio bem como o do Conselho de Segurança Nacional”, segundo fonte da Administração. Garantido o apoio de Cheney “persuadir o presidente [Bush] nunca foi problema (sic) e a secretária de Estado Condoleeza Rice também embarcou” (re-sic).
A invasão foi encarada como um teste a um possível ataque americano ao Irão e a esperada (mas não concretizada) destruição da capacidade militar do Hezbollah protegeria Israel de retaliações do Partido de Deus em consequência daquele ataque. “Os israelitas disseram-nos que era uma guerra barata com muitos benefícios. Porquê opormo-nos (sic)? Seríamos capazes de bombardear mísseis, túneis e bunkers. Era uma demonstração para o Irão”, afirma um consultor da Administração Bush com fortes ligações a Israel.
O artigo de Hersh foi, claro está, vigorosamente zurzido pelo Pentágono, pela Casa Branca e pelo governo israelita.
Na mesma linha de interpretação sugere-se a leitura deste esclarecedor artigo. Entre inúmeras citações que confirmam a visão de Hersh sobre o que está por detrás do ataque ao Líbano, refira-se esta de Edward Luttwak, membro do Center for Strategic and International Studies, de Washington: “o risco para Israel de uma ofensiva aérea contra o Irão seria o lançamento de mísseis por parte do Hezbollah sobre território israelita”. A forma de prevenir esse risco seria, assim, um ataque de antecipação ("striking preemptively"). Significativas também as palavras de Olmert após a sua reunião com Bush em Washington em 25 de Maio: “estou muito, muito, muito, satisfeito”. Este comentário não apareceu na imprensa americana.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Perdoai-lhes, Senhor...


Nas traseiras da igreja maronita de S. José, em Qaouzah, no Líbano, apareceu esta imagem quebrada de Nossa Senhora. Fora retirada do interior daquela igreja pela tropa israelita, que nela se instalou durante 16 dias.

Casamento entre as ruínas

A noiva Hadiya, de 31 anos, fez questão de que a marcha para o copo de água do seu casamento com Hussain Dhaher começasse junto às ruínas de sua casa, destruída pela força aérea israelita.

A censura socrática

Sabia que "o gabinete do primeiro-ministro deu instruções directas à RTP para se fazer censura à cobertura dos incêndios: são ordens directas do gabinete de Sócrates"? E que deste último não veio qualquer desmentido a esta afirmação de Eduardo Cintra Torres?
A ler estes dois textos de Jorge Ferreira.

domingo, agosto 20, 2006

De Kofi Annan e outros criminosos

A história é conhecida: em 1994, 800.000 pessoas foram massacradas no Ruanda, a maior parte da minoria tutsi mas também todos os hutus que se opuseram à matança foram chacinados. O realizador britânico Roger Spottiswoode está neste momento a rodar in loco um filme sobre estes trágicos acontecimentos, baseado nas memórias no general canadiano Romeo Dallaire, à época comandante da força de manutenção da paz da ONU no Ruanda.
Ainda hoje Dallaire não se conforma com o papel passivo que foi obrigado a manter enquanto testemunhava os massacres. Até porque avisara os seus superiores do que se estava a preparar, tendo até identificado vários locais onde estavam armazenadas armas que viriam a ser utilizadas pelos assassinos; propôs então a Kofi Annan (que era o responsável máximo da ONU para as missões de manutenção da paz) que se apreendessem as mesmas, tendo o actual secretário-geral da ONU vetado a operação.
Já com o genocídio a decorrer, Dallaire implorou por um reforço do número de capacetes azuis, tendo em contrapartida ocorrido uma diminuição, de 2500 para 450... Os EUA proposeram a disponibilização de 50 carros armados, mas com a condição de que se pagasse 9 milhões de dólares adiantadamente; a Grã-Bretanha disponibilizaria 50 veículos obsoletos, também a pagar antecipadamente... A França, esse grande país de altos princípios morais, fornecera armas, que enchiam por completo um avião, ao regime assassino, pouco antes de começar a matança.
A martirizada nação africana vai fazendo a sua catarse do genocídio. Muitos dos que participam no filme de Spottiswoode foram testemunhas dos factos e da equipa de produção faz parte um psiquiatra. Muitos figurões deste mundo, sem vergonha na cara, vão passando bem sem a ajuda de psiquiatras.
(Baseado num artigo da edição em papel do "Daily Telegraph" de 11/08/2006.)

sábado, agosto 19, 2006

Obra prima

Maltratados pelos meios pomposamente ditos de comunicação social, escravos das maiorias e reféns do efémero, "Os Belenenses" apresentaram-se aos sócios e logo os premiaram com esta obra prima, a ver e rever.

O "Último Reduto" faz anos

Cumpre hoje três anos de vida um dos três mosqueteiros da blogosfera nacional: o "Último Reduto" (os outros são, naturalmente, "Nova Frente" e "O Sexo dos Anjos", também eles da colheita de 2003. Já de 2004, e qual D'Artagnan, temos "O Pasquim da Reacção"). Estes os blogues que mais me influenciaram, que me levaram, em Outubro de 2004, a criar o "Santos da Casa", e que têm demonstrado uma constância invejável no seu percurso de intransigente defesa de Portugal e da cultura ocidental.
Neste âmbito, o papel do Pedro, que além do mais é meu companheiro de sofrimento azul, foi fundamental: pela qualidade da sua escrita, pela pertinência das suas análises, pelo humor inteligente, pela cultura que detém mas não exibe. É um exemplo para os mais novos e um alento para todos os que vão sofrendo com o rumo da Pátria Portuguesa.
Parabéns ao "Último Reduto"!

De regresso

Regresso de três semanas de férias no norte do país. Do meu périplo quero apenas deixar uma pequena nota sobre uma região fantástica e não muito explorada, onde passei cinco dias: a Ria de Aveiro.
Estanciei na Torreira, do lado oposto a Aveiro. O espectáculo da ria é deslumbrante, seja pelo enquadramento natural, seja pelos moliceiros (em cada vez menor número) que dão cor ao cenário, seja pelos cambiantes de luz ao longo do dia (e com o tempo instável que tivemos na semana que ora finda mais isso se notou). A praia da Torreira, de bandeira azul, é óptima: areia fina, campos de futebol e parque infantil para a pequenada, água de temperatura surpreendentemente agradável (só a bandeira vermelha, frequente por estas bandas, destoa do quadro).
A meia dúzia de quilómetros a sul, defronte da praia da Barra (muito concorrida pelas gentes de Aveiro) mas só alcançável de barco ou, de carro, dando-se a volta a toda a ria, o que muito ajuda à sua preservação natural, temos S. Jacinto, cuja praia de extenso areal e belíssimo mar (um pouco menos tempestuoso que o da Torreira) é sem dúvida uma das mais encantadoras do país.
Em termos de turismo encontram-se alguns espanhóis mas são sobretudo os portugueses, nomeadamente do própio distrito de Aveiro, que demandam este lado da ria. O ambiente é essencialmente popular - definitivamente não é uma zona in, o que só contribui para uma maior genuinidade. Os restaurantes com muito bom peixe não faltam.

segunda-feira, julho 31, 2006

Férias no horizonte

Começo hoje três semanas de férias, nas quais é pouco provável que actualize o blogue. Àqueles que me visitam e que insistem em pensar pela própria cabeça em lugar de se submeterem aos ditames do politicamente correcto os meus parabéns, pois é para eles que o "Horizonte" existe. Aos outros, que lhes saiba muito bem o açaime que se auto-infligem.
Lugar ainda para os parabéns a dois blogues de referência e que comemoram o terceiro aniversário: "O Velho da Montanha" e "O Sexo dos Anjos". Bem hajam pelo notável contributo que têm dado à blogosfera nacional.
Reencontramo-nos, em princípio, a 20 e Agosto. Até lá.

sexta-feira, julho 28, 2006

Os psicanalistas de Tsahal

É matemático: sempre que o estado sionista mostra a sua verdadeira face e desata a matar tudo o que são sub-homens à luz da sua extremista concepção de sociedade, e que chovem críticas a essa barbárie, surgem os beneméritos do estado hebreu, prontos a dissecar a "besta".
A besta, claro está, é o anti-semitismo, esse mal absoluto. "Eles" podem matar a eito, deslocar populações, arrasar campos de cultivo, fazer atentados terroristas sob a chancela de Estado (de direito!), praticar tortura em larga escala, destruir infraestruturas, condenar povos inteiros à servidão, à miséria - e todos bem compartimentadinhos em "bantustões", rodeados pelo inefável "muro de segurança". Eles podem fazer isso tudo. Mas quem os critica sofre do "mal", o anti-semitismo. Nunca na história da humanidade se utilizou de modo tão desonesto, tão descarado, tão enxovalhante, os sentimentos humanos de repúdio pelos maus tratos sofridos por um povo para desculpar tudo o que esse mesmo povo, quando na mó de cima, não se coíbe de fazer a outros. E esse modus operandi do terrorismo ideológico é a expressão mágica "anti-semitismo". Quem tiver o azar de levar com esse rótulo põe-se de golpe às margens do mundo civilizado.
Também ficamos a saber por esses comissários de divã que há dois tipos de anti-semitismo: o de extrema-direita (o "clássico") e o de extrema-esquerda (mais "sonso"). Querem-nos ocultar o facto de que muito boa gente, apolítica ou mesmo de "centro" (ou seja, sem verdadeiras convicções ideológicas), é fortemente crítica da actuação do estado hebreu e mesmo dos "judeus". Mas lembrar isso é estar a desfazer a caricatura, que serve precisamente para enganar os tolos e estigmatizar quem ainda se dá ao trabalho de pensar pela sua cabeça e recusar os açaimes.
Por fim há quem sonhe com o dia em que a "besta" morra, essa alvorada gloriosa, esse arrebol da madrugada de um mundo novo! Será o dia em que todos amaremos o Grande Irmão. Com umas descargas eléctricas a coisa vai.

Acontecimentos

Grande acontecimento para quem preza o abrir de brechas no monopólio da informação: o nascimento de "Alameda Digital", uma revista online servida por um excelente naipe de colaboradores. Destaco desde já o soberbo artigo de Luís Atapalha "Zhakar Israel?". É um projecto que merece todo o nosso apoio.
Acontecimento também o terceiro aniversário do "Nova Frente", blogue que, com o "Último Reduto" e "O Sexo dos Anjos" forma o trio de mosqueteiros da direita internética que não se envergonha de o ser. Acresce que o Bruno é, a par do Dragão, a melhor pena da blogosfera. E, como hoje o "Nova Frente" é menino pequenino aqui fica uma prenda (envenenada?): como é que um blogue deste calibre se permite não abordar o tema da barbárica investida sionista em curso?

terça-feira, julho 25, 2006

A guarda avançada de Tsahal

À laia de complemento actual ao postal anterior, trago-vos mais dois exemplos esclarecedores.
O maire de Montpellier, Georges Frêche, afirmou na gala de abertura do Festival de Dança daquela cidade meridional que Montpellier constitui «um posto avançado de Tsahal [exército israelita]». A inauguração do festival esteve a cargo da companhia israelita Batsheva.
Já Nicolas Sarkozy, que dispensa apresentações (basta pensar no seu maior admirador português), nomeou Arno Klarsfeld mediador nacional para o procedimento de regularização extraordinária de famílias de alunos indocumentados (entenda-se, imigrantes ilegais). Quem é este Arno Klarsfeld?
Trata-se do filho do famoso casal Serge-Beate, que fizeram as vezes de Simon Wiesenthal franceses (a sra. Beate é de origem alemã), conseguindo levar Klaus Barbie, René Bousquet, Maurice Papon e Paul Touvier a tribunal. São também os principais responsáveis pelo vergonhoso discurso de Jacques Chirac, em 1985, "reconhecendo" a responsabilidade de Vichy na deportação de judeus (ignorando o papel de Pétain e sobretudo Pierre Laval em limitar aquela deportação praticamente aos judeus residentes em França de origem não francesa; qual teria sido o destino dos judeus franceses sem a existência de um governo que, no meio de enormes dificuldades, foi razoavelmente eficaz a limitar as draconianas medidas alemãs? Imagine-se se a autoridade no terreno fosse exercida directamente por um Gauleiter).
Já o rebento, advogado de profissão, deu nas vistas quando se naturalizou cidadão israelita, em 2002. Fez o serviço militar em Israel, na guarda-fronteiriça. Como refere o semanário "Rivarol" na sua edição de 7 de Julho passado, o jovem parece bastante menos sensível em preservar as fronteiras francesas que as de Israel.