domingo, outubro 29, 2006
Assassinato racista?
David Lees, de 23 anos, morreu ontem num hospital de Manchester, no que aparenta ter sio um atropelamento deliberado e motivado racialmente. Não é estranho que esta notícia não esteja a ter grande repercussão na imprensa? Nem por isso, se pensarmos que David era branco.
O cúmulo da hipocrisia veio pela voz de um elemento da polícia: "estamos a tratar do assunto como um incidente racial mas o assassinato não teve motivações raciais". É o que se chama concluir o inquérito mal foi encetado.
sexta-feira, outubro 27, 2006
Portugueses, fora de Portugal!
«Portugal está moda – não há africano, ucraniano ou sul-americano que não nos procure, e com eles, vem o necessário investimento em segurança, saúde, habitação, mais subsídios, mais etc. e etc.
É o que podemos chamar uma imigração de incentivos – que nos obriga a gastar, sem destino ou fim à vista! E como os portugueses não conseguem viver com os salários que pagam a estes imigrantes de luxo, lá teremos que continuar a emigrar para países mais desenvolvidos que o nosso!
É uma verdadeira transfusão populacional, último grito em modernidade e bem-estar, o milagre do pleno emprego, os imigrantes para cá e os portugueses para lá!»
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quinta-feira, outubro 26, 2006
A cultura, a memória e o camartelo
Graças ao HNO soube que a ministra da Kultura e ex-membro do PC"P" se prepara para desmantelar o Museu de Arte Popular, uma das poucas coisas que ainda nos sobra(va) da Exposição do Mundo Português (a adaptação a museu ocorreu em 1948).
Se lermos a descrição do espaço que nos traz o site do Instituto Português de Museus percebemos em parte qual a preocupação da ministra: «O espaço organiza-se de acordo com uma divisão do país em províncias administrativas, e a própria apresentação das colecções está nitidamente marcada pelas concepções e pela estética do Estado Novo.»
Destrua-se, pois. Para quando o ataque ao Portugal dos Pequenitos?
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(Está em linha uma petição contra o projecto "cultural".)
quarta-feira, outubro 25, 2006
Homossexuais no futebol italiano
O sr. Franco Grillini, deputado pela Democrazia della Sinistra (sucessor social-democrata do PCI) e presidente di Arcigay, preocupa-se com a situação dos jogadores homossexuais no futebol italiano. Em número de vinte na Serie A (I Divisão) - avaliação obtida pelo "radar gay" (!?!) -, seriam vítimas da homofobia do meio futebolístico, em particular dos adeptos, o que os impede de assumir a sua particularidade e obrigando-os a uma "vida de inferno".
Acho o sr. deputado muito cândido. Então se o problema são os impropérios dos adeptos porque é que não avança desde já com um projecto de lei contra a homofobia nos estádios, em linha com o que a FIFA já determinou em relação aos comportamentos alegadamente racistas, que podem acarretar perda de pontos e jogos à porta fechada aos clubes com adeptos prevaricadores?
Ainda há pessoas que não perceberam o potencial revolucionário-totalitário das nossas sociedades democráticas!
"Pela vida", em conjunto ou individualmente?
Há dias escrevi, a propósito dos blogues colectivos, que um dos riscos a eles associados era o de «concentrar os ataques dos anti-nacionais de serviço; a existência de um "blogue dos fachos", dos "reaças", dos "racistas" ou dos "nazis" (conforme a "inspiração" dos reducionistas de serviço) excita a veia insultuosa dos seus inimigos, concentrando comentários grosseiros e obrigando ao accionamento da moderação de comentários, que inibe o dinamismo dos debates».
A curta experiência do Pela Vida, aliás um meritório projecto, tem-no confirmado: os histéricos de serviço já o tomaram de assalto e estão sempre de teclado em riste preparados para o ruído e a destruição de qualquer possibilidade de troca de ideias.
Põe-se efectivamente a questão de saber se será um blogue colectivo a melhor forma de a blogosfera promover a defesa da vida ou se os contributos individuais de cada um no seu blogue não o fará melhor. Não tenho resposta definitiva mas aponto para a segunda hipótese. Sinceramente duvido que a afluência de leitores ao Pela Vida seja maior que ao blogue individual mais visitado de entre os colaboradores do projecto.
Um mérito deve no entanto realçar-se ao Pela Vida: o de concentrar argumentos contra o aborto, numa lógica não necessariamente concordante pois agrega opiniões baseadas em diferentes premissas. Mas todas convergentes na defesa do bem mais precioso: a vida.
segunda-feira, outubro 23, 2006
Morrer devagar
Não há dúvida que o estatuto de independente (formalmente) dá uma outra visibilidade a um território. Uma das formas como isso se manifesta é aquando de uma agressão externa. Viu-se a comoção mundial que gerou o bombardeamento israelita no Líbano, que visou sobretudo arruinar as infraestruturas do martirizado país.Já a continuada guerra na Faixa de Gaza pouco eco encontra fora do mundo árabe. Ali se vão semeando as raízes de um ódio que vai passando de geração em geração e que, deliberadamente, impedirão a construção de uma alternativa de paz.
Lamentavelmente, hoje em dia parece que o estatuto de democrático dá aos países agressores o beneplácito do combate pela segurança. Entretanto, gerações de palestinos vão vivendo como exilados (dentro ou fora da Palestina), ruminando ódios sem fim face ao invasor.
Reféns das contradições e conflitos internos, sabiamente aproveitados pelo cínico agressor, os palestinos vêem o futuro mais negro do que nunca.
domingo, outubro 22, 2006
O Mundo da Infância
Os meus caros amigos são hoje convidados a mergulhar no fascinante mundo da infância, no local habitual dos domingos.
Legião Vertical
Está finalmente em linha o blogue da Legião Vertical, associação tradicionalista inspirada nos princípios de Julius Evola e animada, entre outros, pelos nossos amigos Legionário e Thoth.
Diria que subscrevo grande parte do que propõem (a supranacionalidade é uma excepção) e saliento que este projecto é bastante original, pois decorre à margem dos partidos e «pretende formar seres humanos no Caminho da Tradição (...) [e] unir (e não misturar) povos sob um Ideal de Honra e Justiça.»
Merece bem a vossa visita, os vossos comentários e o vosso apoio.
sábado, outubro 21, 2006
Experimentação social
O tão trompeteado projecto de "repovoar" o concelho de Vila de Rei através da importação de brasileiros foi suspenso. Expectativas exageradas para os imigrantes estiveram na origem do colapso do projecto. Pelos vistos a autarca visionária não fez um planeamento consequente e avançou atrabiliariamente, enganando virtualmente os brasileiros e desbaratando fundos públicos.
Este caso é bem exemplificativo do logro que constitui o encarar-se a imigração como panaceia para os problemas nacionais (e europeus), sejam eles a queda da natalidade, a falta de mão de obra menos qualificada, a queda do consumo - e a desertificação do interior. Em vez de se apostar em soluções nacionais (que passam pela promoção da natalidade, pelo apoio a cursos técnicos, por incentivos fiscais e económicos à implantação de empresas em zonas economicamente deprimidas e despovoadas, pela prioridade à construção de infraestruturas na província, pela repressão das empresas que contratem trabalhadores ilegais, etc.) opta-se pelo recurso à movimentação de populações, elas próprias tornadas vítimas das experimentações sociais e utopias mundialistas, autêntica carne para canhão das ideologias nefastas das esquerdas e dos insaciáveis buscadores de mão de obra barata.
Este caso é bem exemplificativo do logro que constitui o encarar-se a imigração como panaceia para os problemas nacionais (e europeus), sejam eles a queda da natalidade, a falta de mão de obra menos qualificada, a queda do consumo - e a desertificação do interior. Em vez de se apostar em soluções nacionais (que passam pela promoção da natalidade, pelo apoio a cursos técnicos, por incentivos fiscais e económicos à implantação de empresas em zonas economicamente deprimidas e despovoadas, pela prioridade à construção de infraestruturas na província, pela repressão das empresas que contratem trabalhadores ilegais, etc.) opta-se pelo recurso à movimentação de populações, elas próprias tornadas vítimas das experimentações sociais e utopias mundialistas, autêntica carne para canhão das ideologias nefastas das esquerdas e dos insaciáveis buscadores de mão de obra barata.
Virilidade elogiada
"Que homem! Violou 10 mulheres! Nunca esperei isso dele, todos fomos surpreendidos. Invejamo-lo."
Não, caro leitor, estas palavras não foram proferidas por um fora da lei, pelo menos em sentido formal. Saíram da boca do presidente russo, durante a recepção ao seu homólogo israelita.
*
(Ler aqui.)
quinta-feira, outubro 19, 2006
quarta-feira, outubro 18, 2006
Sobre o genocídio arménio e a liberdade de expressão
A notícia de que o parlamento francês se prepara para criminalizar a negação do genocídio arménio tem sido bastante debatida.
Sabe-se que a Turquia ainda hoje nega oficialmente que tenha ocorrido a matança de arménios em 1915. Provavelmente mais de um milhão de arménios, incluindo mulheres, crianças e velhos, terão perecido durante a deportação a que a população de origem arménia do Império Otomano foi forçada. A documentação é abundante, as fontes históricas abundam.
Há poucos anos, após décadas de pressão por parte da diáspora residente em França, o parlamento francês reconheceu a existência do genocídio. Hoje quer considerar um crime negá-lo, tal como já o fez relativamente ao holocausto.
A minha posição sobre o assunto é simples: não cabe aos legisladores imiscuir-se na História. Esta é o resultado dos trabalhos de investigadores, uns mais escrupulosos que outros. Quando se chega ao ponto de definir em lei o que é permitido dizer-se sobre um determinado acontecimento a própria noção de liberdade de expressão torna-se anedótica.
A nossa era pós-moderna, politicamente correcta, é de uma hipocrisia extrema. Propagandeiam-se "grandes valores ", de resto os únicos aceitáveis e reprime-se ferozmente visões alternativas da história, da sociedade, da forma de organização política. Nem sempre isso é feito às claras, funcionando a conspiração do silêncio muitas vezes na perfeição: o controlo dos media permite não divulgar as heterodoxias, que ficam à margem, literalmente marginalizadas e estigmatizadas.
A legislação repressiva vai avançando menos lentamente do que à primeira vista parece: criminalização dos negacionismos citados, repressão do "racismo" (noção vaga que virtualmente permite condenar qualquer tomada de posição sobre o interesse nacional e a defesa dos valores pátrios), repressão até da "homofobia" (o que já sucede em - adivinharam - França, onde, como dizia com humor um jornalista, já não se pode chamar ao maire de Paris "Notre Dame de Paris"...). Nunca Estaline terá pensado que pudesse ser tão fácil reprimir em democracia.
Há outro ponto importante nesta questão do genocídio arménio: até aqui os judeus tinham um "estatuto" especial no normativo legal francês: "eles" tinham sido as vítimas do holocausto, "eles" são os protegidos do regime, "neles" ninguém toca. Com a criminalização do negacionismo do genocídio arménio desaparece esse carácter de excepção. Será isso, aos olhos da comunidade judaica, uma banalização do sofrimento do povo judeu? Estou em crer que não: na verdade, esta situação como que solidifica mais a figura mítica do holocausto. A repressão da sua negação não sendo já um caso isolado ajuda a calar os que criticavam aquela excepção, que lhes parece(ia) suspeita.
A única coisa boa em toda esta polémica é que largos milhares de pessoas que nunca tinham ouvido falar dos trágicos acontecimentos de 1915 passaram a ter conhecimento dos mesmos. É o mínimo que o povo arménio merece. Antes tivesse sido de outra forma.
***
Sugestões de leitura:
- o site Armenian Genocide constitui uma boa introdução à questão;
- o livro "1915, le Génocide des Arméniens", de Gérard Chaliand e Yves Ternon (Editions Complexe), já na quarta edição (2002), é bastante recomendável (e fácil de adquirir); em pouco mais de 200 páginas se descreve a tragédia com sobriedade e rigor. Inclui 8 páginas de fotografias. (Numa delas se vê um oficial turco com um pedaço de comida na mão, agitando-o sobre a cabeça de arménios esfomeados e de braços estendidos, como quem goza com um cão; há violências que impressionam mesmo quando não envolvem sangue.)
segunda-feira, outubro 16, 2006
Admirável Mundo Novo
Sob os auspícios de Huxley, Orwell e Zamiatine surge-nos o novo avatar blogosférico de Flávio Gonçalves: Admirável Mundo Novo. Ele não o diz mas um dos seus motes continua a ser «Contra os poderes ocultos, blogar, blogar». Passem por lá.
domingo, outubro 15, 2006
Shostakovitch e a liberdade criativa
Neste domingo convido os meus leitores a acompanharem-me numa reflexão sobre "Shostakovitch e a liberdade criativa": aqui.
sábado, outubro 14, 2006
Os criminosos
Alguém terá dúvidas sobre o envolvimento de Vladimir Putin e da sua clique de ex-KGBs na morte da corajosa jornalista Anna Politkovskaia? Quem ousou denunciar os crimes russos na Chechénia com inusitado vigor sabia que se prestava a um jogo perigoso, que teve o seu culminar sangrento no passado dia 7.Parece não haver igualmente muitas dúvidas sobre o facto de os atentados nos subúrbios de Moscovo, rapidamente atribuídos a terroristas chechenos por um obscuro primeiro-ministro no final do consulado de Ieltsin, terão na verdade sido obra do FSB, sucessor do KGB, onde Putin trabalhou tantos anos. Este, com a sua "denúncia", granjeou popularidade tal que veio a ser eleito presidente por um povo assustado pelo espectro do terrorismo. O paralelo com as tácticas concebidas por Karl Rove e pelos neo-cons é irresistível e explica a amizade entre os presidentes da Rússia e dos EUA e a triste popularidade de que gozam por quem neles ingénua ou hipocritamente vê baluartes na luta contra o fundamentalismo islâmico.
Tal como o mostrou a URSS no Afeganistão, tal como o mostrou Putin na Chechénia, tal como o mostrou Bush no Iraque, o terrorismo islâmico não surge de geração espontânea e tem servido de sustentáculo no poder a quem o diz combater com unhas e dentes, quando na verdade precisa dele como de pão para a boca.
(Ler igualmente: Os verdadeiros terroristas rejubilam, texto por mim escrito há ano e meio.)
Nacionais e multinacionais
Indispensável a leitura deste texto do Rodrigo, em que se desmonta com uma clareza de mestre a hipocrisia dos mundialistas e vende-pátrias, no caso na Bélgica.
O milagre da Vida
Não deixem de visitar esta comovente galeria de fotografias retratando a formação do feto.
(Via Letras com Garfos.)
(Via Letras com Garfos.)
quinta-feira, outubro 12, 2006
Blogues colectivos, sim ou não?
Embora o postal anterior tenha material de leitura em grande quantidade não é por isso que não tenho actualizado o blogue mas sim por manifesta falta de tempo, problema que parece afectar muitos blogueiros da área nacional. De aí a propor-se à consideração a criação de um blogue colectivo vai um pequeno passo.
A ideia não é nova. E até já existe um blogue com essas características, o Jantar das Quartas. Terá vingado? Será um caso de sucesso? Independentemente da qualidade e da pertinência das análises que por lá se vai fazendo (e são ambas, felizmente, acima da média), o facto de o projecto ser animado basicamente por dois dos nove (!) tertuliantes diz alguma coisa.
A ideia não é nova. E até já existe um blogue com essas características, o Jantar das Quartas. Terá vingado? Será um caso de sucesso? Independentemente da qualidade e da pertinência das análises que por lá se vai fazendo (e são ambas, felizmente, acima da média), o facto de o projecto ser animado basicamente por dois dos nove (!) tertuliantes diz alguma coisa.
Tenho-me pronunciado sempre desfavoravelmente sobre a existência de um blogue nacional. Por várias ordens de razões:
- é muito difícil assegurar a coordenação entre os participantes no sentido de evitar repetição de temas e, ao mesmo tempo, assegurar um nivelamento do número de postais diários; aquela toma bastante tempo, problema cuja ultrapassagem está na génese da ideia;
- um blogue colectivo permite concentrar os ataques dos anti-nacionais de serviço; a existência de um "blogue dos fachos", dos "reaças", dos "racistas" ou dos "nazis" (conforme a "inspiração" dos reducionistas de serviço) excita a veia insultuosa dos seus inimigos, concentrando comentários grosseiros e obrigando ao accionamento da moderação de comentários, que inibe o dinamismo dos debates;
- todos sabem que, segundo a velha máxima, juntando dois nacionalistas tem-se logo uma cisão... Como conciliar visões diferentes sem se cair nas polémicas internas, com postais e contra-postais entre colaboradores do projecto, num circuito cada vez mais fechado, quando o propósito deve ser difundir a ideia nacional a um número cada vez maior de pessoas, muitas das quais poderão estar propensas a aceitá-la mas que, por desconhecimento ou preconceito induzido pela propaganda, dela se costumam afastar?
- para fugir a esta última situação pode haver igualmente a tentação de criar blogues colectivos ma non troppo, em que todos os participantes comungam da mesma visão de nacionalismo, criando-se capelinhas de ortodoxia.
Posso parecer pessimista ao alinhavar estas reflexões e se calhar não há nada melhor do que fazer uma experiência e ver o resultado. Oxalá esteja enganado.
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