quarta-feira, novembro 29, 2006

Bento XVI apoia entrada da Turquia na UE

"O Vaticano não faz política, mas olhamos de forma favorável o caminho para a integração turca na UE". Esta declaração do porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, corrobora o que já anunciara o primeiro ministro turco Recep Erdogan, durante a visita do Papa Bento XVI à Turquia.
Como é que podemos interpretar aquilo que a imprensa em geral está a caracterizar como uma reviravolta das posições anteriormente expressas pelo ex-Cardeal Ratzinger? Uma forma de arrependimento pela prelecção feita em Setembro passado e que enfureceu o mundo muçulmano? Uma ponte aberta para um maior diálogo entre religiões, essa fórmula mágica do catolicismo pós-Vaticano II? Um jogo de equilíbrio (instável) entre as suas posições mais conservadoras e a necessidade de não romper com o modernismo abraçado há quarenta anos pelo Vaticano?
Sejam quais forem os motivos, esta atitude dá razão a quantos encaram hoje a Igreja Católica como um dos factores de desagregação do mundo ocidental; ela que está sempre na linha da frente do combate imigracionista (e raramente menciona a impossibilidade de a Europa continuar a acolher estrangeiros sem limite); ela que vem abandonando tantos preceitos que enformavam a vida tradicional da Europa; ela que se preocupa cada vez mais com assuntos terrenos e menos com aspectos espirituais; ela que, impregnada de espírito maçónico, se tornou uma das frentes do combate esquerdista.
Não sendo pan-europeu e execrando a União Europeia, na qual vejo um factor de dissolução das nacionalidades europeias em benefício de um ideário mundialista, não deixo de lamentar que as fronteiras daquela tendam a juntar-se à do Iraque, num conceito de Europa (não só geográfico) mais que discutível. Sem dúvida que os EUA não lamentarão uma Europa cada vez menos homogénea - cada vez menos Europa - e quem sabe se não caminhamos para a implosão da UE, o que não seria mau.
É tempo de os povos europeus criarem verdadeiros laços que assegurem a manutenção da paz no continente e o defendam da morte lenta a que parece estar condenado. Mas também é tempo de verem que com o federalismo nunca o conseguirão.

segunda-feira, novembro 27, 2006

As mentiras oficiais israelitas

Governo e exército israelitas bem tentam atirar poeira para os olhos da opinião pública mas cada vez menos convencem os próprios israelitas que, dos jornais às organizações independentes, denunciam as barbaridades cometidas sobre civis palestinos, sempre desmentidas - mas os factos "dizem" o contrário.
Uma análise a ler, aqui.

Desert Peace

Para gáudio (mas temporário - acalma-te, rapaz!) do Buiça, este blogue tem desde há uns dias um link para um blogue sediado em... Israel! Trata-se de Desert Peace, onde se analisa dia-a-dia o conflito na Palestina, por alguém que se afirma "activista pela paz, desejando uma paz duradoura e justa entre Israel e a Palestina".
É mais um exemplo do extraordinário dinamismo da blogosfera no Médio Oriente, como podem constatar se explorarem as ligações inclusas no Desert Peace.

Free find

Tendo este blogue já nove meses de existência, justificava-se a inclusão de uma funcionalidade de pesquisa dos arquivos, algo que foi agora colmatado. Na coluna da esquerda, por baixo do arquivo mensal, encontram uma caixa da Free Find, que lhes permitirá pesquisar o que entenderem nos arquivos.

sábado, novembro 25, 2006

Le Pen em foco, mais uma vez

Na passada quinta-feira o Paris-Saint Germain, em partida da fase de grupos da Taça UEFA, foi humilhado em pleno Parc des Princes pelo Hapoel Tel-Aviv (2-4). Um sector dos adeptos do PSG (o "kop de Boulogne"), conhecido por se envolver habitualmente em cenas pouco edificantes e por atitudes racistas frequentes, tentou agredir um adepto francês (!) do clube israelita. Este procurou protecção junto de um polícia, logo por azar negro, o que aumentou a ira dos adeptos, que gritaram "Morte aos negros", "Morte aos Judeus", tentando agredir ambos, o que só não sucedeu porque estes se refugiaram num fast food, chegando pouco depois os CRS (polícia de choque).
Segundo o procurador de Paris, os adeptos do PSG terão feito igualmente a "saudação nazi" (*) e gritado "Le Pen président", o que encheu de cólera o septuagenário candidato à presidência, indignado com o que considera uma tentativa de amálgama da sua pessoa a atitudes reprováveis.
Nada a que não esteja habituado. Numa altura em que as sondagens o creditam com 17% das intenções de voto, a palavra de ordem do sistema é tentar descredibilizar Le Pen que, diga-se em abono da verdade, nem sempre teve o cuidado que hoje tem em evitar declarações equívocas.
Para concluir a triste história, refira-se que o polícia citado, sentindo-se ameaçado, disparou alegadamente em legítima defesa, matando um dos adeptos, de 25 anos.
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(*) Sintomático que nunca se refira a "saudação romana" ou mesmo a "saudação fascista", escolhendo-se sempre a imagem mais desfavorável e marcante junto da opinião pública.

Dia Wagner na Antena 2

Hoje é dia grande para os wagnerianos (como este confrade): a Antena 2 transmite na íntegra "O Anel dos Nibelungos"! Às 10 horas começou "O Ouro do Reno", pelas 13.00 teremos "A Valquíria", às 17.00 "Siegfried" e, finalmente, pelas 21.15 "O Crepúsculo dos Deuses"!
A gravação é do Festival de Bayreuth deste ano, com a direcção do jovem e já consagrado maestro Christian Tielemann.
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(Mais pormenores aqui.)

sexta-feira, novembro 24, 2006

O KGB, vivo e "em forma"

Por enquanto só há suspeitas, mas mais uma vez o FSB (ex-KGB) parece estar envolvido na morte de um activista anti-Putin, no caso Alexander Litvinenko.
O presidente russo, "formado" (ou formatado) no KGB, tem mostrado sempre a maior frieza na hora de lidar com oposicionistas: seja prendendo-os sob acusações mais ou menos forjadas, seja liquidando-os, como parece ter sido o caso da jornalista Anna Politkovskaia (já por mim evocado) e do infeliz Litvinenko. Em qualquer dos casos, os métodos são tipicamente soviéticos, tratando-se muito simplesmente de cortar pela raíz qualquer hipótese de verdadeira oposição.
A Rússia é hoje um país que concilia uma economia de mercado distorcida (máfias, privatizações fraudulentas, controlo e apropriação por parte do Estado de sectores estratégicos) com um controlo férreo de quantos ponham em causa a autoridade do presidente. A comunidade internacional, com a UE à cabeça, é feroz crítica do presidente bielorrusso Alexander Lukashenko mas Putin em pouco difere do seu vizinho ocidental. É, digamos, um autoritário refinado, cobrindo-se de uma capa democrática e não tendo (até aqui) que falsificar resultados eleitorais, tendo o povo na mão em grande medida pelo pavor do terrorismo, que tem alimentado em proveito próprio (como tenho defendido).
Hoje já não se trata de defender um regime comunista, trata-se apenas, à boa maneira africana, de sustentar um poder pessoal, assente na repressão e no favorecimento de uma clique de apoiantes e fiéis.
Podendo por ora respirar na frente económica graças sobretudo ao elevado preço do petróleo, que tem enchido os cofres do Estado, Putin vai governando como quer. A Rússia, pese o glamour dos reclames de neon, dos centros comerciais vistosos, da juventude "liberta" e entregue às modas ocidentais, continua um país cinzento e opressivo, como nos tempos da ex-URSS.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Se o ridículo matasse...

Já ouviu falar em defesa da identidade nacional de uma forma... cosmopolita? É a posição de um ministro do governo deste país (fonte).

"Informazione non conforme"

Para minha grande surpresa, este blogue viu ser-lhe atribuído um link num blogue italiano, Informazione non conforme. Este, como o nome sugere, tem a preocupação de analisar a actualidade numa óptica não conformista.
Para além do valor do blogue em si, ele funciona também como um portal de blogues nacionalistas europeus, muitos deles portugueses, como o "Horizonte". Merece uma visita vossa.
Auguri!

terça-feira, novembro 21, 2006

Ocupação, usurpação, sionismo em acção

Admiro os grupos israelitas que advogam a paz com o povo palestino. Não me interessa saber se são de esquerda ou não, sei que defendem uma das causas mais justas dos nossos tempos: a criação de um estado palestiniano num ambiente regional de paz. Admiro-os quando se põem defronte de bulldozers que se preparam para arrasar casas ou campos de cultivo. Sinto que a sua luta deve ser inglória e que devem enfrentar muita incompreensão e mesmo hostilidade do lado israelita. Tal como admiro o judeu Daniel Baremboïm, o grande pianista e maestro que criou uma orquestra de jovens palestinos e judeus, que tocam juntos as grandes obras do repertório clássico. E já nem falo dos familiares de vítimas de atentados terroristas que conseguem conversar com terroristas arrependidos.
Um daqueles grupos pacifistas teve acesso a documentos governamentais que mostram que 39% das terras ocupadas por colonatos judaicos na Cisjordânia são legalmente posse de palestinos, assim desprovidos do que é seu. Nada que nos surpreenda face ao que se conhece de quase sessenta anos de ocupação progressiva da Palestina por parte dos judeus.
Claro que a impotência que sentem os donos legais das terras é grande, perante algo que nada mais é que uma limpeza étnica, pois a substituição de populações é uma realidade.
Uma das áreas ilegalmente tomadas por colonos judeus é hoje a povoação de Migron. Um responsável do município, Avi Teksler, põe tudo às claras: "Migron teve sempre o apoio de todos os governos israelitas. O governo foi sempre um parceiro (sic) em todas as nossa acções." E termina, inequivocamente: "Foi assim que foi criado o estado de Israel".
É preciso acrescentar alguma coisa?

segunda-feira, novembro 20, 2006

Mais um 20 de Novembro

O meu amigo Pedro Guedes dedicou alguns postais a mais um 20 de Novembro, data em que, com quase quarenta anos de diferença, nos deixaram José António Primo de Rivera e Francisco Franco, dois vultos maiores da história de Espanha do século XX.
Há um ano trouxe-vos interessantes dados de uma sondagem sobre Franco, bem como o testamento político de José António e uma ode que Azinhal Abelho lhe dedicou.
Muitas vezes um poema é, de facto, a melhor forma de homenagem, se o talento do vate o permite. Creio ser pouco conhecido entre nós "La Canción del Ausente", bela invocação de José António e cantada de forma sentida por De Raymond (single editado há precisamente 30 anos e que o amigo Nonas transcreveu para CD e gentilmente me ofertou).

LA CANCIÓN DEL AUSENTE

Mira como lloran los siete mares
añorando a sus capitanes
que viajaban rezando en español.
Mira cómo corren en las ciudades
desnudando las catedrales
de Teresa y de Ignacio
sin compasión.

Con qué furia este siglo se ensaña
contra toda la gloria de España
es por eso que hoy grito «PRESENTE»
y le canto mi amor al ausente.

Dime no es verdad que desde tu estrella
te hace daño mirar la tierra
donde tanto cobarde alza la voz.
Dime si tu sangre no centellea
cuando gritan que no hay bandera
ni familia, ni patria... en español.

Nuestro sitio está al aire libre
bajo la noche clara, arma al brazo,
y en lo alto las estrellas.
Echa tu amargura al vino
y tristeza a la guitarra, compañero,
nos mataran al mejor hombre de España.
No me pongan en la sombra
a morir como un traidor.
Soy bueno, y como bueno
Moriré de «Cara al Sol».

Con qué furia este siglo se ensaña
contra toda la gloria de España
es por eso que hoy grito «PRESENTE»
y le canto mi amor al ausente.

sábado, novembro 18, 2006

De novo em Bilbau

Pela terceira vez no espaço de 12 meses desloquei-me a Bilbau, em trabalho. As outras duas visitas foram evocadas (aqui e aqui) na devida altura.
Mesmo necessariamente curtas, as minhas idas a Bilbau têm-me permitido formar uma ideia mais ou menos sólida da cidade. Acabo por me familiarizar com as ruas, com alguns locais, saber onde comer, onde comprar livros e discos, onde apreciar arte.
Arte. Na visita anterior contei-vos como me impressionou favoravelmente o Museo de Bellas Artes, na verdade de visita indispensável para quem passa pela cidade. Até aqui tinha-me limitado a apreciar o Guggenheim por fora. A arquitectura é arrojada mas atraente. Desta feita aventurei-me pelo interior. E que aventura nada prazenteira! Da colecção permanente à exposição actual, as obras expostas são, a meu ver, de uma indigência, de um mau gosto, de uma falta de sentido estético, de uma atitude engagé insuportável. Ao contrário da música do século XX, de que sou apreciador e da qual tenho dezenas de discos, a pintura do século passado nunca foi da minha predilecção (eufemismo). Não foi o Guggenheim que me fez mudar, pelo contrário. Não vou entrar em detalhes pois os interessados podem procurá-los no site oficial. Digo-vos apenas que as quase duas horas que lá passei foram uma das piores experiências culturais da minha vida.
Pude finalmente visitar o Casco Viejo, logo por azar no único dia (a passada quinta-feira) do mês de Novembro em que a normalmente pluviosa Bilbau viu chover! Comecei pelo Teatro Arriaga - cujo nome homenageia o talentoso e infortunado Juan Crisóstomo de Arriaga (o "Mozart basco": 1806-1824), prodígio musical falecido pouco antes de completar 18 anos (a sua sinfonia e os seus três quartetos de cordas são indispensáveis) - bem junto à Ria. Embrenhei-me de seguida nas ruelas que levam à Catedral de Santiago, bela construção gótica. De permeio, a Plaza Nueva, menos bela que as praças fechadas de Salamanca ou Madrid. O centro histórico de Bilbau deveria estar melhor preservado, sucedendo-se edifícios mal conservados e outros totalmente renovados.
A Gran Via Don Diego López de Haro é o centro nevrálgico da cidade, com o magnífico edifício da Diputación Foral e alguns prédios a lembrar os boulevards parisienses. Tem largos passeios e percorre-se com agrado. Numa transversal está a belíssima Igreja do Sagrado Corazón, barroca.
Falando de livros, comprei apenas um: "Franco e Mussolini", de Javier Tusell e Genoveva Queipo de Llano, que aborda a política espanhola durante a II Guerra Mundial, em especial a relação entre os dois ditadores, diferentes em muita coisa (origens, ideário) mas aliados, desde a Guerra Civil. Demonstra que o Duce teve um papel fundamental no evitar da entrada da Espanha no conflito mundial. (Editora Península, 22€)
A Guerra Civil é tema inesgotável das edições. Também reparei num "Antí-Moa", que me pareceu uma reacção patética dos defensores da versão politicamente correcta do conflito.
Uma palavra ainda para o excelente jornal El Correo, com enorme cobertura do problema do terrorismo etarra, com uma abordagem inequivocamente condenatória da banda terrorista. Pontificava nas páginas do velho jornal (já passou o nº 30.000) uma entrevista pungente com uma viúva, a quem os terroristas mataram o marido (polícia) há já 28 anos. A dor permanece imensa, o perdão não existe e a convicção de que não se dialoga com assassinos declarada.
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Bilbau é uma cidade que não deixamos com saudade infinda mas à qual se volta sempre com agrado.

Cinco manias

Três confrades desafiaram-me a listar cinco manias que tenha. Trata-se de um exercício a que em tempos respondi e, como cinco manias não é pouco, vou aqui reproduzir a resposta dada em Fevereiro passado.

1 – Quando pretendo ouvir música clássica tento assegurar as máximas condições de silêncio possíveis. Caso essas condições não existam, prefiro não ouvir nada.
2 – Quando vou ver um jogo do meu Belenenses escolho sempre roupa azul.
3 – Quando edito um postal no meu blogue releio-o umas duas ou três vezes até ter a certeza de que ao teclar não deixei um erro ortográfico que seja.
4 – A arrumação de discos e livros em minha casa obedece às seguintes regras:
4.1 Discos: por ordem rigorosamente alfabética de autor. Assim, é-me mais fácil localizar o que pretendo ouvir.
4.2 Livros: de literatura, por ordem de país de origem e, dentro desta, por ordem alfabética do autor; de história, por época histórica (o que às vezes origina que obras de um mesmo autor estejam espalhadas por várias épocas).
5 – Antiquado ou não, é-me impossível passar por uma porta à frente de um representante do sexo feminino.

terça-feira, novembro 14, 2006

Londres, cidade cosmopolita por excelência

Dados estatísticos recentes revelam que um terço da população de Londres não nasceu nas Ilhas Britânicas. Trata-se de dois milhões dos sete milhões de habitantes da capital, tendo ocorrido um aumento de quase 700.000 imigrantes nos últimos nove anos.
Embora exaltando, comme il faut, o carácter multicultural da capital, não deixa de ser curioso que o Independent refira o facto de cada vez mais londrinos (presume-se que na sua grande maioria de origem britânica) abandonem a capital com destino sobretudo ao sudoeste de Inglaterra, «em busca de uma vida melhor». Seria interessante que fosse desenvolvida esta temática da "vida melhor". Haverá alguma correlação com o fenómeno demográfico em análise?
Também revelador é o facto de o ministro Jim Fitzpatrick, não deixando de passar uma imagem favorável à tolerância e à boa receptividade face aos estrangeiros, recear uma diluição da britanidade ao ponto de esta poder desaparecer. Que sugere o ministro para o evitar? Que os imigrantes aprendam a língua inglesa, estudem a cultura e a história da Ilha e valorizem a riqueza de Londres. Ou seja, no limite, mesmo sem britânicos, Londres poderia manter as suas peculiares características britânicas!

Prémio

Esta casa entendeu por bem que Horizonte é um dos seis "melhores blogues individuais masculinos", uma das categorias escolhidas por João Ferreira Dias para os seus prémios.
Agradeço sinceramente a distinção outorgada por este licenciado em Comunicação Social e Cultural.

segunda-feira, novembro 13, 2006

A resolução

A ler, este texto no Tomarpartido. Revelador do conceito democrático da ex-fanática apoiante de Sá Carneiro.

domingo, novembro 12, 2006

"Não há outro mais leal"

Em 1991 a editora Átrio publicou, com o título supra, um opúsculo de António Manuel Couto Viana, composto por dois poemas, que a seguir se reproduzem.
A mágoa do poeta, a nostalgia pela glória passada da Pátria, recorrentes na obra do autor, assumem aqui um tom quiçá mais agressivo, «a raiva do meu brado», segundo o poeta.
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O NAUFRÁGIO DE MACAU

Para a Teresa Bernardino

A derradeira nau,
Partindo o leme e o velame roto,
Naufragou em Macau,
Por traição do piloto.

E fora a mais leal:
Em quatro séculos hasteara à ré
O pavilhão de Portugal,
Para glória do Império e defensão da Fé.

E era santo dos santos o seu nome,
Mas erguia na gávea o demo de vigia
Que sem um renegar que o vença e dome
A faz varar na vaza desta maré vazia.

Tripulou-a Camões
Que ali lembrou, previu: — Dos Portugueses,
Com seus profanos corações,
Houve traidores algumas vezes.

Tripulou-a Pessanha,
Murmurando entre névoas de ópio e olvido,
Como quem num queixume e presente desdenha:
“Eu vi a luz em um país perdido.”

Da última da Armada
Que em novos mares buscou cada porto ignorado;
Da jamais apresada,
Tendo ao pirata vil o fuzil apontado,
Hoje como não resta nada
Mais do que o pranto da História e a raiva do meu brado:

— Quem impede o traidor de morrer enforcado?


António Manuel Couto Viana
10-05-1985
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AQUELA MORTE NAQUELE DIA

Para o Beckert d'Assumpção, descendente do Barão d'Assumpção, que mandou edificar o Farol da Guia, o primeiro das costas da China.

Os castelos e as quinas começam a sangrar.
Macau, em lágrimas, comove.
Vai engoli-la o céu? Vai naufragá-la o mar?
A névoa esconde a cor das bandeiras no ar.
Chove.

Paira o fantasma de uma igreja. Um sino
Põe-se, lento, a dobrar, moribundo e pesado.
Nenhum Natal acode. A estrela do destino
Não anuncia o Nascimento do Menino,
Mas o Nome de Deus crucificado.

Só cemitérios, cinzas, sombras vagas…
“Não suspireis. Não respireis.” (Alguém murmura?)
Escorrem solidão as faces e as chagas.
A nau-espectro afunda-se nas vagas.
Apagou-se o farol. É noite escura.

O poeta rasgou o alvor da epopeia.
Dela, aqui, não restará lembrança…
O heróico ritmar de uma túmida veia
Extinguiu-se na vaza da pátria agora alheia:
Já não pode rimar futuro com esperança.

Cinco séculos quase a existir Portugal,
Macau, em sangue e lágrimas, desfalece e comove.
Mão assassina assina, na pedra sepulcral,
Um nome ateu, traidor, sobre a data final:
Aos 20 de Dezembro. Ano 99!

António Manuel Couto Viana
19.04.1987

sexta-feira, novembro 10, 2006

O crime americano

É um balanço impressionante (atendo-nos apenas à vítimas já contabilizadas) aquele que três anos de ocupação do Iraque por parte dos EUA e seus aliados de ocasião provocaram. A manipulação de massas que constituiu a patranha das armas de destruição maciça transformou-se em "cruzada pela democracia", com os lindos resultados que estão à vista: um país completamente desagregado, em estado de guerra civil de facto, os conflitos de religião exacerbados histericamente, infraestruturas destruídas, o pânico diário reminiscente daquele que viviam os habitantes de Sarajevo durante o reino dos snipers sérvios - o quadro assemelha-se notavelmente ao de uma Somália ou qualquer outra república africana assolada e fragmentada por conflitos internos, tantas vezes instigados de fora com objectivos inconfessáveis.
É realmente extraordinário o alcance da suposta "superioridade moral" das democracias. O mesmo acto praticado por uma ditadura e por uma democracia tem uma interpretação oficial diferente. Há pouco menos de uma década o governo de Paris, na altura chefiado pelo democratíssimo Lionel Jospin, com a cobertura do presidente Chirac, promoveu um golpe de estado no Congo-Brazzaville, cujo governo teve a "insensatez" de quebrar o acordo petrolífero que tinha com a gaulesa Total. Resultado: guerra civil, chacinas - mas os "bons" triunfaram.
Desde 1991 que os americanos e seus aliados decidiram que Saddam = Hitler = perigo para a humanidade (muito em particular para um certo país vizinho). Enquanto não o destronaram não descansaram. Tudo em nome da democracia, julgada a panaceia para os males do Médio Oriente. O ex-homem forte de Bagdad é agora condenado à morte. Os seus crimes são, efectivamente, imensos. Para além da guerra com o Irão, a população civil do Iraque foi vítima em larga escala da barbárie de Saddam: curdos, xiitas, oposicionistas reais ou imaginários. Não serei eu a lamentar o destino que coube em sorte a Saddam.
Mas também é legítimo interrogarmo-nos sobre os mandantes - escudados na tal "superioridade moral" - da invasão do Iraque, para a qual não havia pretextos válidos e para a qual o planeamento foi grotescamente inexistente. Só a título de exemplo, a decisão de dissolver o exército lançou na rua milhares de pessoas armadas e dispostas a combater o invasor ou, mais prosaicamente, a dedicar-se ao banditismo. Não ocorreu a Rumsfeld, Wolfowitz e outros amiguinhos neo-cons que a capacidade de adaptação da tropa a um novo senhor é enorme e que se hoje se jura por um chefe amanhã poder-se-á jurar por outro, inimigo daquele.
Se Saddam se calhar merece bem a corda com que vai ser enforcado, muitos "guys from Washington" deveriam ter o mesmo destino pelos crimes que cometeram e cujas consequências trágicas estão longe de ter fim.

Luz verde da UMP para Le Pen

O processo de candidatura às eleições presidenciais em França obriga a que cada candidato recolha 500 assinaturas de eleitos locais. No caso de candidatos anti-sistema, como é o caso de Jean-Marie Le Pen, o processo pode tornar-se dramático, dado o opróbrio a que está votado pela classe política e mediática.
É por isso que esta declaração do chefe da bancada parlamentar da UMP, dando liberdade aos presidentes de câmara do seu partido para apadrinharem a candidatura do líder da direita nacional, surpreende positivamente. Parabéns ao sr. Accoyer pela sua independência e aparente indiferença pelas críticas que vai ouvir em consequência da sua atitude de homem livre.
O sistema, de qualquer modo, está blindado em termos parlamentares pois a ascensão do Front National levou a classe política a alterar a lei eleitoral, eliminando o sistema proporcional, que permitiria que os 15-17% de votos que a FN normalmente recolhe se traduzissem em uma percentagem similar de deputados em relação ao total - em vez dos 0% que efectivamente "tem".

quarta-feira, novembro 08, 2006

Psicanálise do Judaísmo

A entrevista que se segue, tudo menos consensual, foi publicada pelo semanário Rivarol na sua edição de 13 de Outubro. Fala Hervé Ryssen, autor de "Les Espérances planétariennes", de 2005, e de "Psychanalyse du judaïsme", de 2006, que faz uma análise da psique do judaísmo e nos dá exemplos elucidativos da sua prática quotidiana, que a todos afecta.
Indispensável.


Hervé Ryssen, psychanalyste du judaïsme

RIVAROL: Après avoir fait paraître l’année dernière Les Espérances planétariennes (1), livre très documenté sur le rôle des intellectuels juifs dans le monde contemporain, vous publiez Psychanalyse du judaïsme (2). Que voulez-vous démontrer avec cette nouvelle étude?

Hervé RYSSEN: Après la rédaction des Espérances, il me semblait que l’analyse du phénomène "planétarien" n’était pas complète. Je constatais en effet, sans pouvoir l’expliquer, ce qui me semblait relever d’une "anormalité". Je pense notamment à ces ahurissantes dénégations des intellectuels juifs au sujet du rôle de leurs coreligionnaires dans le régime bolchevique. La vérité est que de très nombreux doctrinaires, fonctionnaires et tortionnaires juifs ont joué un rôle absolument accablant dans cette tragédie qui reste, avec ses trente millions de morts, le crime le plus effroyable de l’histoire de l’humanité, le maoïsme excepté. Pourtant, il faut constater avec Soljénitsyne que la quasi-totalité des intellectuels juifs refusent d’endosser leurs responsabilités, de faire leur mea culpa et de présenter des excuses aux familles des victimes. On peut retrouver ces curieuses dispositions à nier les évidences, à inverser les rôles et finalement à retourner l’accusation dans quelques autres cas, anciens ou récents: le rôle de gros négociants sépharades (dont la famille Mendès France) dans la traite des Noirs, celui de certains juifs influents (Perle, Wolfovitz, Kristol, Ledeen, etc.) dans le déclenchement de la guerre contre l’Irak, par exemple. Que dire encore de cette "mafia russe", de ces "oligarques" dont on nous a tant rebattu les oreilles, et qui n’ont de russe que le nom?

R.: Pouvez-vous donner quelques exemples de cette "anormalité"?

H. R.: A côté de ces sujets délicats, systématiquement occultés, balayés sous le tapis, les media grossissent démesurément le moindre incident qui paraît relever de l’antisémitisme. Le 30 septembre, France Info menait grand tapage sur une nouvelle "affaire": le journal L’Est républicain aurait refusé de publier une annonce nécrologique qui comprenait les termes idéologiques: "victime de la barbarie nazie". Immédiatement, cette information ridicule fut relayée dans les grands media, provoquant une fois de plus "l’émoi dans la communauté". Ce sont des réactions qui ne me paraissent pas "normales". Il y a dans cette communauté une émotivité de nature pathologique, une fragilité émotionnelle, un besoin de dramatiser qui prend parfois l’aspect d’une paranoïa pure et simple. Comme l’a écrit justement Shmuel Trigano, la communauté juive semble se complaire dans un "lamento victimaire". A côté de cela, on note aussi une grande nervosité dès lors que "la communauté" est critiquée pour une chose ou une autre. On se souvient qu’en 2000, les propos anodins et parfaitement justifiés de l’écrivain Renaud Camus sur la "surreprésentation" des juifs à France-Culture avaient provoqué un tollé totalement disproportionné. Le diagnostic médical insiste sur cette "grande intolérance à la frustration".

R.: Et quel serait, selon vous, le rapport avec la "Psychanalyse"?

H. R.: Il se trouve que de nombreux intellectuels juifs ont exprimé leur angoisse identitaire: Jean Daniel, Albert Cohen, André Glucksmann, Serge Moati ou le romancier américain Philip Roth, par exemple. Le journaliste Alexandre Adler relève effectivement que la judéité peut être parfois une "névrose obsessionnelle". Naturellement, Freud avait réfléchi à la question en son temps, à partir de son cas personnel, mais en projetant ses découvertes sur le plan universel. En vérité, la "projection pathologique" est un concept freudien, pour ne pas dire typiquement judaïque. Cette tendance de fond à systématiquement inverser les rôles et à accuser les autres explique pourquoi les intellectuels juifs, dans leur ensemble, accusent les antisémites d’être des "malades mentaux". Voyez ce qu’a déclaré tout récemment Abraham Foxman, le président de la ligue antiraciste américaine, au sujet de Mel Gibson, le réalisateur de La Passion du Christ, qui s’était un peu laissé aller, sous l’emprise de l’alcool, à quelques propos jugés "antisémites", avant de s’excuser auprès de la communauté juive sous l’effet d’on ne sait quelle pression: "Qu’il soigne son alcoolisme est une bonne chose, déclara Foxman en substance, mais il faudrait aussi qu’il soigne son antisémitisme." L’antisémitisme est pour eux une "maladie". Les propos à ce sujet sont innombrables. Et l’on comprend mieux à leur lecture pourquoi les opposants étaient enfermés dans des asiles psychiatriques en URSS et dans les pays staliniens.

R.: Que vous a appris la lecture attentive de Sigmund Freud?

H. R.: Freud a projeté sa propre pathologie sur le plan universel. Ce n’est pas pour rien qu’il a commencé sa carrière en travaillant sur le phénomène hystérique. On trouve dans l’hystérie tous les symptômes qui se calquent parfaitement avec ceux que j’ai pu déceler dans le comportement et le discours des intellectuels cosmopolites. Les similitudes sont vraiment étonnantes: la dépression, l’introspection, l’angoisse, la paranoïa, l’hyperémotivité, l’amnésie sélective, la fabulation, la sensibilité à l’opinion des autres, l’égocentrisme, la tendance à se donner en spectacle, l’incapacité à s’observer, l’intolérance à la frustration, le délire mégalomaniaque, etc. Tout y est, et jusque dans les origines de la pathologie que Freud avait mises en évidence. Quand j’écrivais Les Espérances planétariennes, je constatais sans comprendre que la question de l’inceste revenait de manière lancinante et mystérieuse sous la plume de certains intellectuels juifs (Jacques Attali, Jurgen Habermas, Stéphane Zagdanski…), comme s’il y avait des choses à cacher. J’ai poursuivi évidemment mes recherches de ce côté, et ce que j’ai pu découvrir sur ce point est vraiment très éclairant…
Propos recueillis par
Victor GRAND.
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(1) (2) Les Espérances planétariennes, 2005, 432 pages, 26 e. Psychanalyse du judaïsme, 2006, 400 pages, 26 e. Commandes à: Éditions Baskerville, SDE Domiciliations, 14 rue Brossolette, 92300 Levallois. Chèque à l’ordre de Hervé François. Ajouter 2 e de frais de port.