sexta-feira, novembro 03, 2006
Incentivo à adopção por homossexuais
Sempre na vanguarda, a Europa dá mais um exemplo de incentivo à "familia" moderna.
Halloween!
Para quem não tem medo de Halloween (uma moda importada e que já pegou entre a nossa juventude) aqui está uma visão realmente aterradora:

(Imagem pilhada a este excelente blogue.)

(Imagem pilhada a este excelente blogue.)
Progresso Primitivo
Está já disponível online o número 2 da revista Alameda Digital, cujo tema central é "Liberdade de Expressão".
"Liberdade de demolição" poderia ser o título do meu artigo de estreia: Progresso Primitivo.
Leiam, divulguem, comentem, incentivem. A bem da... liberdade de expressão.
quinta-feira, novembro 02, 2006
Genocídio ucraniano
Depois dos arménios, os ucranianos. A exemplo do que votou o parlamento francês, também a Ucrânia se prepara para criminalizar - ou pelo menos multar - quem negue publicamente a ocorrência do genocídio perpetrado por Estaline aquando da colectivização forçada a que foi submetida aquela ex-república soviética.
Pelo menos quatro milhões de pessoas morreram de fome devido à apreensão forçada das colheitas por parte do poder soviético.
quarta-feira, novembro 01, 2006
Do anonimato na blogosfera
Por vezes sinto-me como que desligado do dia-a-dia da política portuguesa. Não vejo noticiários, não assisto a debates parlamentares nem a debates televisivos, não perco tempo com as crónicas de certos experts, os mesmos de há duas décadas (pelo menos) a esta parte (numa manifestação clara de pluralismo e diversificação de opiniões...) - em suma: uma reacção instintiva de repúdio.
Como conciliar esta atitude (que vem já da minha adolescência acrata...) de desconfiança da classe política e dos temas que ela decide trazer para a sociedade com a óbvia necessidade de estar informado e não ser ultrapassado pelos acontecimentos? Recorrendo moderadamente aos jornais e, o mais possível, à blogosfera, esse espaço de liberdade que tantos dentes faz ranger aos políticos e a muitos profissionais da comunicação social.
Está agora na moda criticar-se o anonimato da grande maioria dos blogueiros, insinuando-se que o mesmo lhes permite tomar atitudes irresponsáveis e criticar descabeladamente certas individualidades sem receio de ter de prestar contas. Os senhores jornalistas e políticos que veiculam esta ideia deviam ter vergonha: pelo monopólio das ideias que detêm e que impõem, pelo terrorismo ideológico que alimentam e pela estigmatização daqueles que ainda vão tendo forças para criticar o estado em que se pôs o nosso País, são eles os responsáveis pelo recurso ao anonimato dos heterodoxos blogueiros da nossa praça. Foram eles que (n)os atiraram para as margens do debate político, de ideias e cultura, são eles que zelam pela inviolabilidade do seu dogma societário e ideológico, são eles que odeiam a liberdade de expressão e que, escudados na hipócrita defesa da mesma, funcionam como comissários políticos à cata dos "proscritos". A quem depois criticam o seu anonimato.
Como conciliar esta atitude (que vem já da minha adolescência acrata...) de desconfiança da classe política e dos temas que ela decide trazer para a sociedade com a óbvia necessidade de estar informado e não ser ultrapassado pelos acontecimentos? Recorrendo moderadamente aos jornais e, o mais possível, à blogosfera, esse espaço de liberdade que tantos dentes faz ranger aos políticos e a muitos profissionais da comunicação social.
Está agora na moda criticar-se o anonimato da grande maioria dos blogueiros, insinuando-se que o mesmo lhes permite tomar atitudes irresponsáveis e criticar descabeladamente certas individualidades sem receio de ter de prestar contas. Os senhores jornalistas e políticos que veiculam esta ideia deviam ter vergonha: pelo monopólio das ideias que detêm e que impõem, pelo terrorismo ideológico que alimentam e pela estigmatização daqueles que ainda vão tendo forças para criticar o estado em que se pôs o nosso País, são eles os responsáveis pelo recurso ao anonimato dos heterodoxos blogueiros da nossa praça. Foram eles que (n)os atiraram para as margens do debate político, de ideias e cultura, são eles que zelam pela inviolabilidade do seu dogma societário e ideológico, são eles que odeiam a liberdade de expressão e que, escudados na hipócrita defesa da mesma, funcionam como comissários políticos à cata dos "proscritos". A quem depois criticam o seu anonimato.
Contra o aborto
Chamo a vossa atenção para este excelente texto da Causa Identitária, em que se desmontam os argumentos dos pró-abortistas e se toma uma posição inequívoca em favor da Vida.
Excertos:
«Um feto é um ser humano e não um tumor que possa ser removido livremente. A Vida inocente é para nós um valor fundamental que não pode ser colocado em causa apenas por questões de conveniência ou caprichos pessoais.
«(...) hipocrisia da argumentação pseudo-humanista do discurso oficial, que, na realidade, se limita a tentar ocultar uma cultura de desresponsabilização, e uma ideologia hedonista, individualista, crassamente materialista e por isso mesmo anti-comunitária.
«A Causa Identitária, relembrando que a actual lei já contempla os casos extremos (violação, perigo de vida para a mãe, malformação grave), e considerando que o primeiro dever de qualquer Estado é assegurar a perenidade da Nação e da sua identidade, que a maternidade e a família formam a espinha dorsal de qualquer comunidade saudável e que a Vida inocente é um valor fundamental, só pode assumir um Não rotundo no referendo.»
domingo, outubro 29, 2006
Assassinato racista?
David Lees, de 23 anos, morreu ontem num hospital de Manchester, no que aparenta ter sio um atropelamento deliberado e motivado racialmente. Não é estranho que esta notícia não esteja a ter grande repercussão na imprensa? Nem por isso, se pensarmos que David era branco.
O cúmulo da hipocrisia veio pela voz de um elemento da polícia: "estamos a tratar do assunto como um incidente racial mas o assassinato não teve motivações raciais". É o que se chama concluir o inquérito mal foi encetado.
sexta-feira, outubro 27, 2006
Portugueses, fora de Portugal!
«Portugal está moda – não há africano, ucraniano ou sul-americano que não nos procure, e com eles, vem o necessário investimento em segurança, saúde, habitação, mais subsídios, mais etc. e etc.
É o que podemos chamar uma imigração de incentivos – que nos obriga a gastar, sem destino ou fim à vista! E como os portugueses não conseguem viver com os salários que pagam a estes imigrantes de luxo, lá teremos que continuar a emigrar para países mais desenvolvidos que o nosso!
É uma verdadeira transfusão populacional, último grito em modernidade e bem-estar, o milagre do pleno emprego, os imigrantes para cá e os portugueses para lá!»
***
quinta-feira, outubro 26, 2006
A cultura, a memória e o camartelo
Graças ao HNO soube que a ministra da Kultura e ex-membro do PC"P" se prepara para desmantelar o Museu de Arte Popular, uma das poucas coisas que ainda nos sobra(va) da Exposição do Mundo Português (a adaptação a museu ocorreu em 1948).
Se lermos a descrição do espaço que nos traz o site do Instituto Português de Museus percebemos em parte qual a preocupação da ministra: «O espaço organiza-se de acordo com uma divisão do país em províncias administrativas, e a própria apresentação das colecções está nitidamente marcada pelas concepções e pela estética do Estado Novo.»
Destrua-se, pois. Para quando o ataque ao Portugal dos Pequenitos?
***
(Está em linha uma petição contra o projecto "cultural".)
quarta-feira, outubro 25, 2006
Homossexuais no futebol italiano
O sr. Franco Grillini, deputado pela Democrazia della Sinistra (sucessor social-democrata do PCI) e presidente di Arcigay, preocupa-se com a situação dos jogadores homossexuais no futebol italiano. Em número de vinte na Serie A (I Divisão) - avaliação obtida pelo "radar gay" (!?!) -, seriam vítimas da homofobia do meio futebolístico, em particular dos adeptos, o que os impede de assumir a sua particularidade e obrigando-os a uma "vida de inferno".
Acho o sr. deputado muito cândido. Então se o problema são os impropérios dos adeptos porque é que não avança desde já com um projecto de lei contra a homofobia nos estádios, em linha com o que a FIFA já determinou em relação aos comportamentos alegadamente racistas, que podem acarretar perda de pontos e jogos à porta fechada aos clubes com adeptos prevaricadores?
Ainda há pessoas que não perceberam o potencial revolucionário-totalitário das nossas sociedades democráticas!
"Pela vida", em conjunto ou individualmente?
Há dias escrevi, a propósito dos blogues colectivos, que um dos riscos a eles associados era o de «concentrar os ataques dos anti-nacionais de serviço; a existência de um "blogue dos fachos", dos "reaças", dos "racistas" ou dos "nazis" (conforme a "inspiração" dos reducionistas de serviço) excita a veia insultuosa dos seus inimigos, concentrando comentários grosseiros e obrigando ao accionamento da moderação de comentários, que inibe o dinamismo dos debates».
A curta experiência do Pela Vida, aliás um meritório projecto, tem-no confirmado: os histéricos de serviço já o tomaram de assalto e estão sempre de teclado em riste preparados para o ruído e a destruição de qualquer possibilidade de troca de ideias.
Põe-se efectivamente a questão de saber se será um blogue colectivo a melhor forma de a blogosfera promover a defesa da vida ou se os contributos individuais de cada um no seu blogue não o fará melhor. Não tenho resposta definitiva mas aponto para a segunda hipótese. Sinceramente duvido que a afluência de leitores ao Pela Vida seja maior que ao blogue individual mais visitado de entre os colaboradores do projecto.
Um mérito deve no entanto realçar-se ao Pela Vida: o de concentrar argumentos contra o aborto, numa lógica não necessariamente concordante pois agrega opiniões baseadas em diferentes premissas. Mas todas convergentes na defesa do bem mais precioso: a vida.
segunda-feira, outubro 23, 2006
Morrer devagar
Não há dúvida que o estatuto de independente (formalmente) dá uma outra visibilidade a um território. Uma das formas como isso se manifesta é aquando de uma agressão externa. Viu-se a comoção mundial que gerou o bombardeamento israelita no Líbano, que visou sobretudo arruinar as infraestruturas do martirizado país.Já a continuada guerra na Faixa de Gaza pouco eco encontra fora do mundo árabe. Ali se vão semeando as raízes de um ódio que vai passando de geração em geração e que, deliberadamente, impedirão a construção de uma alternativa de paz.
Lamentavelmente, hoje em dia parece que o estatuto de democrático dá aos países agressores o beneplácito do combate pela segurança. Entretanto, gerações de palestinos vão vivendo como exilados (dentro ou fora da Palestina), ruminando ódios sem fim face ao invasor.
Reféns das contradições e conflitos internos, sabiamente aproveitados pelo cínico agressor, os palestinos vêem o futuro mais negro do que nunca.
domingo, outubro 22, 2006
O Mundo da Infância
Os meus caros amigos são hoje convidados a mergulhar no fascinante mundo da infância, no local habitual dos domingos.
Legião Vertical
Está finalmente em linha o blogue da Legião Vertical, associação tradicionalista inspirada nos princípios de Julius Evola e animada, entre outros, pelos nossos amigos Legionário e Thoth.
Diria que subscrevo grande parte do que propõem (a supranacionalidade é uma excepção) e saliento que este projecto é bastante original, pois decorre à margem dos partidos e «pretende formar seres humanos no Caminho da Tradição (...) [e] unir (e não misturar) povos sob um Ideal de Honra e Justiça.»
Merece bem a vossa visita, os vossos comentários e o vosso apoio.
sábado, outubro 21, 2006
Experimentação social
O tão trompeteado projecto de "repovoar" o concelho de Vila de Rei através da importação de brasileiros foi suspenso. Expectativas exageradas para os imigrantes estiveram na origem do colapso do projecto. Pelos vistos a autarca visionária não fez um planeamento consequente e avançou atrabiliariamente, enganando virtualmente os brasileiros e desbaratando fundos públicos.
Este caso é bem exemplificativo do logro que constitui o encarar-se a imigração como panaceia para os problemas nacionais (e europeus), sejam eles a queda da natalidade, a falta de mão de obra menos qualificada, a queda do consumo - e a desertificação do interior. Em vez de se apostar em soluções nacionais (que passam pela promoção da natalidade, pelo apoio a cursos técnicos, por incentivos fiscais e económicos à implantação de empresas em zonas economicamente deprimidas e despovoadas, pela prioridade à construção de infraestruturas na província, pela repressão das empresas que contratem trabalhadores ilegais, etc.) opta-se pelo recurso à movimentação de populações, elas próprias tornadas vítimas das experimentações sociais e utopias mundialistas, autêntica carne para canhão das ideologias nefastas das esquerdas e dos insaciáveis buscadores de mão de obra barata.
Este caso é bem exemplificativo do logro que constitui o encarar-se a imigração como panaceia para os problemas nacionais (e europeus), sejam eles a queda da natalidade, a falta de mão de obra menos qualificada, a queda do consumo - e a desertificação do interior. Em vez de se apostar em soluções nacionais (que passam pela promoção da natalidade, pelo apoio a cursos técnicos, por incentivos fiscais e económicos à implantação de empresas em zonas economicamente deprimidas e despovoadas, pela prioridade à construção de infraestruturas na província, pela repressão das empresas que contratem trabalhadores ilegais, etc.) opta-se pelo recurso à movimentação de populações, elas próprias tornadas vítimas das experimentações sociais e utopias mundialistas, autêntica carne para canhão das ideologias nefastas das esquerdas e dos insaciáveis buscadores de mão de obra barata.
Virilidade elogiada
"Que homem! Violou 10 mulheres! Nunca esperei isso dele, todos fomos surpreendidos. Invejamo-lo."
Não, caro leitor, estas palavras não foram proferidas por um fora da lei, pelo menos em sentido formal. Saíram da boca do presidente russo, durante a recepção ao seu homólogo israelita.
*
(Ler aqui.)
quinta-feira, outubro 19, 2006
quarta-feira, outubro 18, 2006
Sobre o genocídio arménio e a liberdade de expressão
A notícia de que o parlamento francês se prepara para criminalizar a negação do genocídio arménio tem sido bastante debatida.
Sabe-se que a Turquia ainda hoje nega oficialmente que tenha ocorrido a matança de arménios em 1915. Provavelmente mais de um milhão de arménios, incluindo mulheres, crianças e velhos, terão perecido durante a deportação a que a população de origem arménia do Império Otomano foi forçada. A documentação é abundante, as fontes históricas abundam.
Há poucos anos, após décadas de pressão por parte da diáspora residente em França, o parlamento francês reconheceu a existência do genocídio. Hoje quer considerar um crime negá-lo, tal como já o fez relativamente ao holocausto.
A minha posição sobre o assunto é simples: não cabe aos legisladores imiscuir-se na História. Esta é o resultado dos trabalhos de investigadores, uns mais escrupulosos que outros. Quando se chega ao ponto de definir em lei o que é permitido dizer-se sobre um determinado acontecimento a própria noção de liberdade de expressão torna-se anedótica.
A nossa era pós-moderna, politicamente correcta, é de uma hipocrisia extrema. Propagandeiam-se "grandes valores ", de resto os únicos aceitáveis e reprime-se ferozmente visões alternativas da história, da sociedade, da forma de organização política. Nem sempre isso é feito às claras, funcionando a conspiração do silêncio muitas vezes na perfeição: o controlo dos media permite não divulgar as heterodoxias, que ficam à margem, literalmente marginalizadas e estigmatizadas.
A legislação repressiva vai avançando menos lentamente do que à primeira vista parece: criminalização dos negacionismos citados, repressão do "racismo" (noção vaga que virtualmente permite condenar qualquer tomada de posição sobre o interesse nacional e a defesa dos valores pátrios), repressão até da "homofobia" (o que já sucede em - adivinharam - França, onde, como dizia com humor um jornalista, já não se pode chamar ao maire de Paris "Notre Dame de Paris"...). Nunca Estaline terá pensado que pudesse ser tão fácil reprimir em democracia.
Há outro ponto importante nesta questão do genocídio arménio: até aqui os judeus tinham um "estatuto" especial no normativo legal francês: "eles" tinham sido as vítimas do holocausto, "eles" são os protegidos do regime, "neles" ninguém toca. Com a criminalização do negacionismo do genocídio arménio desaparece esse carácter de excepção. Será isso, aos olhos da comunidade judaica, uma banalização do sofrimento do povo judeu? Estou em crer que não: na verdade, esta situação como que solidifica mais a figura mítica do holocausto. A repressão da sua negação não sendo já um caso isolado ajuda a calar os que criticavam aquela excepção, que lhes parece(ia) suspeita.
A única coisa boa em toda esta polémica é que largos milhares de pessoas que nunca tinham ouvido falar dos trágicos acontecimentos de 1915 passaram a ter conhecimento dos mesmos. É o mínimo que o povo arménio merece. Antes tivesse sido de outra forma.
***
Sugestões de leitura:
- o site Armenian Genocide constitui uma boa introdução à questão;
- o livro "1915, le Génocide des Arméniens", de Gérard Chaliand e Yves Ternon (Editions Complexe), já na quarta edição (2002), é bastante recomendável (e fácil de adquirir); em pouco mais de 200 páginas se descreve a tragédia com sobriedade e rigor. Inclui 8 páginas de fotografias. (Numa delas se vê um oficial turco com um pedaço de comida na mão, agitando-o sobre a cabeça de arménios esfomeados e de braços estendidos, como quem goza com um cão; há violências que impressionam mesmo quando não envolvem sangue.)
segunda-feira, outubro 16, 2006
Admirável Mundo Novo
Sob os auspícios de Huxley, Orwell e Zamiatine surge-nos o novo avatar blogosférico de Flávio Gonçalves: Admirável Mundo Novo. Ele não o diz mas um dos seus motes continua a ser «Contra os poderes ocultos, blogar, blogar». Passem por lá.
domingo, outubro 15, 2006
Shostakovitch e a liberdade criativa
Neste domingo convido os meus leitores a acompanharem-me numa reflexão sobre "Shostakovitch e a liberdade criativa": aqui.
sábado, outubro 14, 2006
Os criminosos
Alguém terá dúvidas sobre o envolvimento de Vladimir Putin e da sua clique de ex-KGBs na morte da corajosa jornalista Anna Politkovskaia? Quem ousou denunciar os crimes russos na Chechénia com inusitado vigor sabia que se prestava a um jogo perigoso, que teve o seu culminar sangrento no passado dia 7.Parece não haver igualmente muitas dúvidas sobre o facto de os atentados nos subúrbios de Moscovo, rapidamente atribuídos a terroristas chechenos por um obscuro primeiro-ministro no final do consulado de Ieltsin, terão na verdade sido obra do FSB, sucessor do KGB, onde Putin trabalhou tantos anos. Este, com a sua "denúncia", granjeou popularidade tal que veio a ser eleito presidente por um povo assustado pelo espectro do terrorismo. O paralelo com as tácticas concebidas por Karl Rove e pelos neo-cons é irresistível e explica a amizade entre os presidentes da Rússia e dos EUA e a triste popularidade de que gozam por quem neles ingénua ou hipocritamente vê baluartes na luta contra o fundamentalismo islâmico.
Tal como o mostrou a URSS no Afeganistão, tal como o mostrou Putin na Chechénia, tal como o mostrou Bush no Iraque, o terrorismo islâmico não surge de geração espontânea e tem servido de sustentáculo no poder a quem o diz combater com unhas e dentes, quando na verdade precisa dele como de pão para a boca.
(Ler igualmente: Os verdadeiros terroristas rejubilam, texto por mim escrito há ano e meio.)
Nacionais e multinacionais
Indispensável a leitura deste texto do Rodrigo, em que se desmonta com uma clareza de mestre a hipocrisia dos mundialistas e vende-pátrias, no caso na Bélgica.
O milagre da Vida
Não deixem de visitar esta comovente galeria de fotografias retratando a formação do feto.
(Via Letras com Garfos.)
(Via Letras com Garfos.)
quinta-feira, outubro 12, 2006
Blogues colectivos, sim ou não?
Embora o postal anterior tenha material de leitura em grande quantidade não é por isso que não tenho actualizado o blogue mas sim por manifesta falta de tempo, problema que parece afectar muitos blogueiros da área nacional. De aí a propor-se à consideração a criação de um blogue colectivo vai um pequeno passo.
A ideia não é nova. E até já existe um blogue com essas características, o Jantar das Quartas. Terá vingado? Será um caso de sucesso? Independentemente da qualidade e da pertinência das análises que por lá se vai fazendo (e são ambas, felizmente, acima da média), o facto de o projecto ser animado basicamente por dois dos nove (!) tertuliantes diz alguma coisa.
A ideia não é nova. E até já existe um blogue com essas características, o Jantar das Quartas. Terá vingado? Será um caso de sucesso? Independentemente da qualidade e da pertinência das análises que por lá se vai fazendo (e são ambas, felizmente, acima da média), o facto de o projecto ser animado basicamente por dois dos nove (!) tertuliantes diz alguma coisa.
Tenho-me pronunciado sempre desfavoravelmente sobre a existência de um blogue nacional. Por várias ordens de razões:
- é muito difícil assegurar a coordenação entre os participantes no sentido de evitar repetição de temas e, ao mesmo tempo, assegurar um nivelamento do número de postais diários; aquela toma bastante tempo, problema cuja ultrapassagem está na génese da ideia;
- um blogue colectivo permite concentrar os ataques dos anti-nacionais de serviço; a existência de um "blogue dos fachos", dos "reaças", dos "racistas" ou dos "nazis" (conforme a "inspiração" dos reducionistas de serviço) excita a veia insultuosa dos seus inimigos, concentrando comentários grosseiros e obrigando ao accionamento da moderação de comentários, que inibe o dinamismo dos debates;
- todos sabem que, segundo a velha máxima, juntando dois nacionalistas tem-se logo uma cisão... Como conciliar visões diferentes sem se cair nas polémicas internas, com postais e contra-postais entre colaboradores do projecto, num circuito cada vez mais fechado, quando o propósito deve ser difundir a ideia nacional a um número cada vez maior de pessoas, muitas das quais poderão estar propensas a aceitá-la mas que, por desconhecimento ou preconceito induzido pela propaganda, dela se costumam afastar?
- para fugir a esta última situação pode haver igualmente a tentação de criar blogues colectivos ma non troppo, em que todos os participantes comungam da mesma visão de nacionalismo, criando-se capelinhas de ortodoxia.
Posso parecer pessimista ao alinhavar estas reflexões e se calhar não há nada melhor do que fazer uma experiência e ver o resultado. Oxalá esteja enganado.
domingo, outubro 08, 2006
Dois anos convosco
Faz hoje dia 8 precisamente dois anos que nasceu o meu primeiro blogue, o Santos da Casa. Como disse o meu estimado amigo BOS, «farto (digo eu) de andar por aí a comentar pour rien, passou para o lado de cá da blogosfera. Há-de ver como elas doem». E vi mesmo.
Das centenas de horas dedicadas a pensar em postais e a editá-los, das crises existenciais, das transformações (e os meus blogues, em dois anos, já conheceram quatro figurinos: este, este, este e agora este) e, o mais importante, do apoio recebido por leitores e amigos, do seu incentivo, se foi fazendo esta caminhada.
O meu primeiro objectivo, esse, não sofreu alterações: promover o amor a Portugal, preservar a nossa memória histórica, promover a nossa cultura, alertar para os corruptores da Pátria. Sabendo que é uma tarefa difícil, ingrata e incompreendida por muitos. Mas continuando sempre, por amor ao torrão natal.
Existindo para os leitores e graças a eles, os meus blogues têm já um arquivo que soma, sem este, precisamente 1000 postais! É desse arquivo que seleccionei textos que seguidamente dedico a todos aqueles que contribuíram para que aqui chegasse. São textos sobretudo dos primeiros nove meses de actividade, aqueles em que dispunha de mais tempo livre; a selecção exclui excertos deste Horizonte, ainda um jovem de 7 meses. Quem quiser e puder tirará, creio, proveito da leitura de todos. Pode, em alternativa, cingir-se àquele que lhe é dedicado e, se aceitar a sugestão, ao último, que a todos é dedicado. A sequência de postais é cronológica, do mais antigo para o mais recente.
Bem hajam e boa leitura.
- Para o Clark: Fragas, solidão, luta pelos conques, morte
- Para o Corcunda: Poema dedicado ao Corcunda
- Para o Dragão: Lucette Destouches, a mulher de Céline (1, 2 e 3)
- Para o Paulo Porto: Nobreza Humana e A lírica de Garrett
- Para o Velho da Montanha e o Euro-Ultramarino: Viabilidade da Pátria
- Para o Restaurador: Juventude
- Para o JSM: Profissão de Fé
- Para o Duarte: Uma equipa de (do) futuro?
- Para o Manuel Azinhal: Onde se fala de conjurados, do traidor Morais Sarmento, da perfídia castelhana...
- Para o Jorge Ferreira: Uma Campanha Alegre
- Para o Vanguardista: Que se ponham a andar daqui para fora!
- Para o Legionário: António José de Brito em entrevista
- Para o Camisanegra: Soares e Salazar
- Para o F. Múrias: Entrevista de Manuel Maria Múrias
- Para o Luís Bonifácio: A ameaça permanente
- Para o ACJA: Getúlio Vargas e o "Estado Novo"
- Para o Nonas: Requiem e Mais uma vergonha europeia
- Para o Thoth: Da comicidade dos políticos à política dos cómicos
- Para o BOS: Jantar de homenagem a Rodrigo Emílio e Camilo (este sobretudo pelo comentário do próprio BOS)
- Para o AA: Morte de um patife
- Para o A.: Quem escreveu isto?
- Para o Pedro Guedes: Drieu e Testamento Político de José António Primo de Rivera
- Para o JLL: Os combates da Direita
- Para o Vítor Ramalho: O Pagode
- Para o Rafael: António Sardinha
- Para o HNO: Israel exige, a Alemanha...
- Para o Rodrigo: Adam Smith (1 e 2)
- Para o Nelson: Quem era o Deep Throat?
- Para o Engenheiro: Destruição da vida
- Para o Eurico de Barros: Povo português e cultura
- Para o Mário Martins: Mundo de Aventuras
- Para o JSarto: Na morte de João Paulo II
- Para o NC: Proudhon, a liberdade e o liberalismo
- Para o Simão Agostinho: Monarquia e Tradição
- Para o HVA: Chorado pelo Vento
- Para o Menestrel: O 28 de Maio, 79 anos depois
- Para a malta dos blogues Canto Azul ao Sul, Belenenses e CF Belenenses: Belém
Das centenas de horas dedicadas a pensar em postais e a editá-los, das crises existenciais, das transformações (e os meus blogues, em dois anos, já conheceram quatro figurinos: este, este, este e agora este) e, o mais importante, do apoio recebido por leitores e amigos, do seu incentivo, se foi fazendo esta caminhada.
O meu primeiro objectivo, esse, não sofreu alterações: promover o amor a Portugal, preservar a nossa memória histórica, promover a nossa cultura, alertar para os corruptores da Pátria. Sabendo que é uma tarefa difícil, ingrata e incompreendida por muitos. Mas continuando sempre, por amor ao torrão natal.
Existindo para os leitores e graças a eles, os meus blogues têm já um arquivo que soma, sem este, precisamente 1000 postais! É desse arquivo que seleccionei textos que seguidamente dedico a todos aqueles que contribuíram para que aqui chegasse. São textos sobretudo dos primeiros nove meses de actividade, aqueles em que dispunha de mais tempo livre; a selecção exclui excertos deste Horizonte, ainda um jovem de 7 meses. Quem quiser e puder tirará, creio, proveito da leitura de todos. Pode, em alternativa, cingir-se àquele que lhe é dedicado e, se aceitar a sugestão, ao último, que a todos é dedicado. A sequência de postais é cronológica, do mais antigo para o mais recente.
Bem hajam e boa leitura.
- Para o Clark: Fragas, solidão, luta pelos conques, morte
- Para o Corcunda: Poema dedicado ao Corcunda
- Para o Dragão: Lucette Destouches, a mulher de Céline (1, 2 e 3)
- Para o Paulo Porto: Nobreza Humana e A lírica de Garrett
- Para o Velho da Montanha e o Euro-Ultramarino: Viabilidade da Pátria
- Para o Restaurador: Juventude
- Para o JSM: Profissão de Fé
- Para o Duarte: Uma equipa de (do) futuro?
- Para o Manuel Azinhal: Onde se fala de conjurados, do traidor Morais Sarmento, da perfídia castelhana...
- Para o Jorge Ferreira: Uma Campanha Alegre
- Para o Vanguardista: Que se ponham a andar daqui para fora!
- Para o Legionário: António José de Brito em entrevista
- Para o Camisanegra: Soares e Salazar
- Para o F. Múrias: Entrevista de Manuel Maria Múrias
- Para o Luís Bonifácio: A ameaça permanente
- Para o ACJA: Getúlio Vargas e o "Estado Novo"
- Para o Nonas: Requiem e Mais uma vergonha europeia
- Para o Thoth: Da comicidade dos políticos à política dos cómicos
- Para o BOS: Jantar de homenagem a Rodrigo Emílio e Camilo (este sobretudo pelo comentário do próprio BOS)
- Para o AA: Morte de um patife
- Para o A.: Quem escreveu isto?
- Para o Pedro Guedes: Drieu e Testamento Político de José António Primo de Rivera
- Para o JLL: Os combates da Direita
- Para o Vítor Ramalho: O Pagode
- Para o Rafael: António Sardinha
- Para o HNO: Israel exige, a Alemanha...
- Para o Rodrigo: Adam Smith (1 e 2)
- Para o Nelson: Quem era o Deep Throat?
- Para o Engenheiro: Destruição da vida
- Para o Eurico de Barros: Povo português e cultura
- Para o Mário Martins: Mundo de Aventuras
- Para o JSarto: Na morte de João Paulo II
- Para o NC: Proudhon, a liberdade e o liberalismo
- Para o Simão Agostinho: Monarquia e Tradição
- Para o HVA: Chorado pelo Vento
- Para o Menestrel: O 28 de Maio, 79 anos depois
- Para a malta dos blogues Canto Azul ao Sul, Belenenses e CF Belenenses: Belém
sexta-feira, outubro 06, 2006
Os comentários na blogosfera
Não vou aqui abordar o jaez dos comentários que encontramos na blogosfera nacional. Como em tudo na vida, há-os maus, soezes, grosseiros, insultuosos; como os há de qualidade, informados, complementando por vezes o postal; um bom exemplo disso é o que nos mostra o comentador Carlos Portugal em comentário a um telegráfico texto por mim inserido ontem.
O que quero hoje abordar é o sistema de comentários por que os blogueiros optam.
Confesso que embirro com os blogues sem caixa de comentários; ou o autor não está preocupado com o que os seus leitores pensam do que ele escreve, ou tenta evitar ser insultado ou apenas não ler opiniões com que discorda. Em qualquer dos casos o blogue fica mais pobre. São raros os blogues sem comentários que leio; até passei a visitar pouco o Dragoscópio quando o seu autor levou a eremitocracia ao ponto de fechar os comentários lá na gruta.
No grau seguinte da embirração está a famigerada "word verification". Já é raro o blogue que a não tem, supostamente para evitar "spam". Eu, que nunca a activei, nunca tive problemas de modo que acho que os meus amigos deviam reconsiderar. Muitas vezes não há paciência para digitar "sdfhsli" após se escrever um comentário.
Agora muito na moda está a "comment moderation". O desgraçado do comentador dá o seu palpite, que fica oculto até o autor o ler e aprovar (se for o caso). Perde-se aquela dinâmica de ping-pong de comentários que tanto anima debates entusiasmantes e passa-se para uma situação de quase "correio dos leitores" de qualquer jornal diário, com pouca interacção. Passado um dia já poucos são os debates que se aguentam, a malta já "está noutra".
Pensem nisto que vos disse. Creio que se deve evitar que os blogues, cuja actualização ao minuto é característica que lhes deve ser inerente, se transformem em diários (com a acepção temporal da palavra), repositórios de textos cada vez menos debatidos e, provavelmente, cada vez menos lidos.
Fujamos ao cinzentismo dos jornais!
quinta-feira, outubro 05, 2006
Alameda Digital
Com um mais que merecido "destaque" na coluna da esquerda, a Alameda Digital lança o seu nº1, que vem confirmar a qualidade do número de lançamento. O tema central desta edição é "Portugal e os Portugueses no Mundo". Num país dominado quase totalmente pela informação conformista e indigente, esta alameda abre horizontes alternativos à modorra reinante. Passem por lá, leiam, reflictam - e divulguem.
O 5 de Outubro de grata memória
O 5 de Outubro funesto
Há um ano publiquei dois postais que creio merecem a pena ser relidos:
- A República, filha do terrorismo;
- Ao Serviço d'El-Rei.
- A República, filha do terrorismo;
- Ao Serviço d'El-Rei.
quarta-feira, outubro 04, 2006
Rodrigo de Mello, Filho
No domingo passado, de visita à Feira de Antiguidades de Belém (que se realiza no primeiro domingo de cada mês), tive a felicidade de adquirir "As Lágrimas Ancoradas à Sombra do Amor", de Rodrigo Emílio, que ainda assinava Rodrigo de Mello, Filho. Este "ciclo lírico" recebeu o Prémio de Poesia de 1963 do Concurso de manuscritos do SNI.
O que é mais notável na edição que adquiri, em muito bom estado, é conter uma dedicatória do autor à recentemente falecida Natércia Freire. Reza assim a mesma:
«A Natércia Freire, um dos maiores nomes vivos da Poesia Portuguesa, ofereço este pequeno testemunho de uma grande amizade admiradora.
Sublinhando que se trata de um [ilegível] de versos escritos entre os 12 e os 17 anos, requere indulgência, o
Rodrigo de Mello, Filho.»
Sem indulgência e com saudade admiradora, aqui deixamos "Doem-me os lábios":
Doem-me os lábios
De não te poder dizer
Como os meus olhos me doem
De não te ver
De não te poder dizer
Como os meus olhos me doem
De não te ver
Tão doridos (de te pedir)
Como os meus ouvidos
O estão
De não
Te ouvir...
Sem medo... da verdade
Vai custando assistir à decrepitude da III República, por entre escândalos, corrupção, desvio de fundos, pouca ou nenhuma preocupação pelo destino da Nação - e falsificação histórica. Repugnante a forma como se fabricam heróis a preceito. Humberto Delgado é um exemplo. Aqui o vemos, em musculada exibição de fé fascista, numa fotografia com que o Engenheiro deu o pontapé de saída do seu blogue, há coisa de ano e meio. Também publicou um excerto de um artigo de Jesus Suevos, onde este relatava as impressões que lhe tinha causado o seu encontro com o então capitão Humberto Delgado: «Expressava-se com grande veemência e pareceu-me pouco prudente, pois sem encomendar-se a Deus nem ao diabo começou a dizer-me que achava o regime português “pouco fascista”. Confessou-me que admirava Mussolini e que lhe parecia necessário “endurecer” a Legião portuguesa e, sobretudo, a Mocidade. O agora chefe da oposição “democrática” ao Estado Novo edificado por Salazar cria que ainda havia demasiadas reminiscências liberais nas junturas das instituições e fórmulas do novo regime, e advogava “maior força e severidade”.»domingo, outubro 01, 2006
sábado, setembro 30, 2006
De visita ao Padrão dos Descobrimentos
Estive hoje com os meus pequenotes no Padrão dos Descobrimentos, em Belém. É uma visita sempre apetecível, mormente pela estupenda vista que se alcança do seu alto. É também uma boa oportunidade para os ir imbuíndo do espírito e orgulho nacionais pelos feitos de antanho.Na cave, palco habitual de exposições temporárias, pode-se ver uma evocação fotográfica da Exposição do Mundo Português de 1940. Nela se pode constatar a profunda transformação de que toda a freguesia de Santa Maria de Belém beneficiou. Apesar do carácter temporário da maioria das edificações erigidas para o evento, a renovação da área foi manifesta. Custa a crer o estado em que se encontrava a zona envolvente aos Jerónimos!
O próprio Padrão foi pensado para ter um carácter provisório, construído que foi com materiais algo precários. Só em 1960 tomou a forma que mantém hoje, tendo sido reforçado com betão e pedra de lioz.
O arquitecto foi, como todos sabem, Cottinelli Telmo, em colaboração com Leopoldo de Almeida. Aquele, curiosamente foi o realizador do primeiro filme sonoro português: "A Canção de Lisboa".
Voltando à exposição que agora se pode visitar na cave do Padrão, de referir que é bastante interessante e a maior parte das legendas tenta ser mais objectiva que propagandística. Destoa apenas uma pequena cronologia dos anos 1940 a 1960, com obsessiva referência aos mais pequenos factos ligados à oposição ao regime.
Museus para Salazar
O Portugal dos Pequeninos afirma que Salazar «Não merece um museu. Merece dez.». Vão até lá saber porquê.
(Via Tomar Partido.)
(Via Tomar Partido.)
Tabús
Um juiz de Estugarda condenou ao pagamento de uma multa um vendedor de t-shirts anti-nazis. Espera aí! Anti-nazis, terei lido bem? É verdade: as ditas camisolas representam a proibida suástica - com um risco vermelho por cima. É um artigo muito procurado pelos esquerdistas de além-Reno que agora vão ter que puxar pela imaginação para poder largas aos seus sentimentos.
O mais curioso da história é a declaração do juiz, Wolfgang Kuellmer, segundo o qual «este negócio massificado põe em causa o estatuto de tabú associado à suástica».
E ficou tudo dito. Sessenta e um anos após a queda do III Reich a Alemanha continua a alimentar tabús e a mostrar-se incapaz de um verdadeiro e aberto debate sobre aquele período de treze anos da sua história. A "mão invisível" continua a amordaçar os germânicos e estes dão muito má imagem de si, ao condescenderem perante a chantagem.
sexta-feira, setembro 29, 2006
Os "outros" voluntários
A ler, este artigo sobre os voluntários britânicos que combateram por Franco na Guerra Civil Espanhola. Contém algumas imprecisões e omissões (não se fala nos nossos Viriatos, por exemplo) mas é um raro momento de informação oficial sobre o "outro lado".

(Eoin O'Duffy, líder dos Camisas Azuis irlandeses e voluntário na Guerra Civil Espanhola.)

(Eoin O'Duffy, líder dos Camisas Azuis irlandeses e voluntário na Guerra Civil Espanhola.)
Mais um terrorista morto
quarta-feira, setembro 27, 2006
Verdadeira e falsa liberdade
«Os costumes locais, que obstinadamente se mantêm, são ainda a melhor prova da perdida liberdade municipal. Na antiga monarquia cada município era regido por sua lei própria. A diversidade dessas leis correspondia à diversidade das liberdades, dos foros, das isenções. Quando Mouzinho da Silveira despedaçou os quadros tradicionais da nação, não foram arrasados apenas os privilégios da nobreza, mas também ficaram aniquilados os dos pequenos lares, os das oficinas humildes, os dos municípios orgulhosos das figuras heráldicas do seu brasão. Destruídos eles, destruídas ficaram as suas liberdades e foram impiedosamente entregues a um Estado sem coração e sem alma, que os iria esmagar sob o duro jugo igualitário e em nome da Liberdade escravizá-los. A uma pretensa liberdade, que não passa de pura abstracção, palavra vazia e estonteadora, sacrificaram-se as liberdades reais e úteis. O desejo de perfeita harmonia jurídica levou à uniformidade, que é (...) um dos perigos mais graves que podem ameaçar a vida social, porque implica fatalmente a própria desagregação da sociedade.»
(Luís de Almeida Braga, "Posição de António Sardinha", 1943, Edições Gama.)
Sobre o desânimo blogosférico
Reina algum desânimo na blogosfera nacional. Autores de relevo confessam-se cansados, outros pensam encerrar o blogue, outros ainda são cada vez mais parcimoniosos na sua produção.
Eu não escapo à regra, ou melhor não escapei, acabando com o Santos da Casa em Março passado. Encorajado por dezenas de leitores e amigos acabei por me manter "no activo", mas criando este "Horizonte", cuja fórmula acaba por se adequar às limitações impostas pela vida de todos os dias: menor acompanhamento da actualidade, mais reflexão e, claro, edição de postais menos frequente.
O que é importante é que cada um encontre um equilíbrio entre a sua vontade de comunicar e o tempo de que dispõe. Uma coisa é certa: na barricada dos que tentam lutar contra o sistema vigente, que desagrega as nações e favorece um poder apátrida sorrateiro, cada desistência é um ponto a favor dos a-nacionais. Por muito que achemos que o nosso contributo é mínimo, a possibilidade de expor ideias censuradas (mesmo que pelo silêncio de quem publica e quem edita), a exaltação dos valores nacionais, a batalha cultural contra a dissolução da independência e dos valores civilizacionais, justificam claramente o contributo de cada um.
Peguemos no exemplo d' A Torre de Ramires. O autor, o nosso amigo Mendo, sempre se destacou pelos comentários encorajadores aos blogues nacionais. A sua cultura e impecável sentido pátrio conduziram muitos a encorajá-lo a criar o seu próprio blogue. Este, quando viu a luz do dia, foi saudado e tem mantido um e-leitorado constante e fiel. A "Torre" é um projecto sui generis: o Mendo, em vez de comentar notícias catrapiscadas em jornais online, prefere conduzir a batalha para o campo cultural e, não menos importante, para a relevação dos grandes pensadores e grandes patriotas que forjaram ou ajudaram a forjar um pensamento nacional e ocidental, que por isso mesmo contribuíram para criar em nós próprios esse sentimento e a vontade subjacente de lutar por algo que parece perdido nas brumas da traição e do abandono. De pé entre as ruínas? Que o estejamos todos e que ninguém falte à chamada.
A bem da Nação.
domingo, setembro 24, 2006
Céline e a divulgação cultural
Continuando a falar de Céline, permitam-me reconduzir-vos a um local que o grande escritor na realidade abominava: a taberna...
sábado, setembro 23, 2006
Céline em português







No dia em que o Dragão publica em português a última entrevista concedida pelo genial escritor Louis-Ferdinand Céline, parece-me oportuno divulgar quais as suas obras existentes em português. É um acervo assaz incompleto face à produção de Céline mas para quem não domina o francês é melhor que nada.
Destaco as excelentes traduções de Aníbal Fernandes da "Viagem ao Fim da Noite" e de Luiza Neto Jorge de "Morte a Crédito" (a poetisa faleceu em 1989, três anos após concluir este notável trabalho).
"Os Belenenses" de parabéns
Faz hoje 87 anos que um grupo de rapazes (os "rapazes da praia") decidiu fundar uma nova agremiação: o Clube de Futebol "Os Belenenses". 37 anos depois, ou seja, há precisamente 50 anos, era inaugurado o Estádio do Restelo. Como se disse nesse dia: «É, sem dúvida, um dos recintos desportivos mais bonitos do Mundo, com a particularidade de juntar uma arquitectura clássica a uma deslumbrante vista sobre o rio Tejo, uma Taça de Pedra onde espumará a formidável alma popular». O palmarés do "Belém", com destaque para o futebol (um campeonato nacional, três campeonatos de Portugal, três taças de Portugal e ainda um campeonato nacional da antiga II Divisão), fala por si. O ecletismo, por vezes criticado, permite a centenas de jovens praticar desporto em condíções ímpares no nosso país.
Com muito suor e muitas lágrimas se foi construindo a história do "4º grande" de Portugal. Diz-se que ser belenense é estar condenado a sofrer (e não foi fácil suplantar o trauma da morte de Pepe - o maior jogador português do seu tempo -, a perda do campeonato nacional de 1953/54 a dois minutos do fim do último jogo ou a retirada forçada do Estádio das Salésias - primeiro recinto relvado de Portugal e primeiro estádio com bancadas cobertas no nosso país). Mas o sentir da Cruz de Cristo e as alegrias que ainda vão surgindo ocasionalmente (como recentemente no andebol, com a conquista da Taça da Liga) mantêm a chama acesa. Ser minoria nunca foi fácil, respeitar valores ancestrais também não. Muita da mística belenense aí reside.
sexta-feira, setembro 22, 2006
Toca a pagar os estragos israelitas
Balanço dos estragos materiais da operação israelita no Líbano, denominada "Punição Adequada" (o nome diz tudo sobre a moralidade do mandante): 130.00o edifícios reduzidos a escombros, 77 pontes destruídas, além de terminais e centrais diversos. As poucas semanas que durou a "punição" causaram mais estragos que a interminável guerra civil que vigorou no País dos Cedros desde meados dos anos 70 até 1989.
O custo estimado da agressão, segundo a ONU, é 11 biliões de euros. Isto sem falar no custo de desactivação das bombas de fragmentação e das minas disseminadas pelos campos e que já custaram a vida a 14 agricultores.
A ajuda da UE à data é de 100 milhões de euros, a Arábia Saudita avançou com 500 milhões e o Koweit com 300 milhões. O secretário geral adjunto da ONU, Mark Malloch Brown, alerta para a inutilidade desta ajuda sem o fim do bloqueio marítimo e aéreo imposto por Israel. Como exemplo das consequências deste, não foi até agora possível fazer chegar ao martirizado país os materiais necessários para encetar o processo de reconstrução.
Condenação da capacidade nuclear de Israel
Demorou mas desta vez é para valer: a Liga Árabe vai propor à ONU que emita uma resolução condenando as actividades nucleares de Israel, conhecidas de todos mas denunciadas por quase ninguém. Numa altura em que a impropriamente chamada comunidade internacional condena as actividades nucleares de Teerão (e não tendo ainda sido provado que o estado teocrático pretenda fazer uso militar dessas actividades - embora isso seja provável), é de toda a coerência denunciar um estado que possui 200 bombas nucleares.
Mas estes senhores estão atentos - e manobram.
quinta-feira, setembro 21, 2006
Os documentários de António Lopes Ribeiro
A edição em DVD da comédia de António Lopes Ribeiro "A Vizinha do Lado" (baseada em uma comédia de André Brun) reserva uma agradável surpresa: a inclusão como extra do documentário "Lisboa de Hoje e de Amanhã" (1948), também de António Lopes Ribeiro. Trata-se de um excelente filme que retrata a profunda transformação urbanística de Lisboa ocorrida nos anos anteriores e também em curso à época: avenidas novas, limpeza e arborização de Monsanto (meio milhão de árvores plantadas!) bairros sociais (Encarnação, Caselas, Campolide), etc.
Toda essa requalificação (como hoje se diz) urbanística obedecia a um plano metódico e faseado, de que se destaca:
- a concepção de cinco (!) circulares rodoviárias, uma delas subterrânea, que envolveria em parábola a baixa;
- a construção regra geral em baixa altura (os prédios de seis andares das avenidas novas são já considerados altos!);
- os bairros sociais, que constituíam um aglomerado de vivendas, cada uma com um quintal, permitindo a cada família ter o seu espaço próprio integrado num todo harmonioso (não podemos deixar de nos lembrar da aversão que Salazar tinha aos prédios de apartamentos, a que chamava "colmeias"). Transplantava-se, assim, um pouco do espírito de vida aldeã para a grande cidade;
- aumento do número de parques infantis e de equipamentos desportivos;
- demolição de casas degradadas em zonas insalubres e renovação de arruamentos (paradigmática a demolição do Arco do Conde de Alegrete, perto do Martim Moniz);
- arruamentos largos, alguns dos quais sem qualquer construção adjacente;
- para lá da circular mais exterior não haveria praticamente construção, evitando-se os grandes aglomerados suburbanos e consequente congestionamento da cidade.
Tratava-se de todo um plano integrado, coerente, ambicioso e com uma perspectiva de qualidade de vida (como então se não dizia) sinónimo de espaços livres, trânsito moderado, construção pouco volumétrica. Escusado falar da subversão de toda esta lógica urbana na nossa era de exploração urbanística e construção desenfreada.
De salientar, igualmente, outro "extra" precioso no DVD de "A Menina da Rádio", a comédia de Arthur Duarte: um documentário, também de António Lopes Ribeiro, sobre a inauguração do Estádio Nacional. O realizador, com notável gosto, cuidado nos enquadramentos, captação das coreografias do espectáculo, aproveita para nos trazer um momento extraordinário de exaltação nacionalista.
É realmente de louvar que se traga ao público estes documentos históricos enquadrados por comentários que de modo algum caem nas graças do regime que nos desgoverna. Para quando a edição em DVD de "A Revolução de Maio", do mesmo António Lopes Ribeiro?
domingo, setembro 17, 2006
Revisionismo e Manipulação
"Revisionismo e Manipulação" é o título da minha crónica de hoje publicada n' A Taberna dos Inconformados.
sexta-feira, setembro 15, 2006
A estratégia de Tel-Aviv para dissolver os países árabes
No Verão de 1982, o corajoso Israel Shahak, ao comentar o "Plano Sionista para o Médio Oriente", lembrava, perante a comissão de inquérito da ONU, que no dia 9 de Julho de 1947 Rabbi Fischmann, delegado da Agência Judaica para a Palestina, fixara descaradamente as fronteiras do futuro Estado de Israel: "A terra prometida estende-se do Nilo ao Eufrates e inclui partes da Síria e do Líbano". Shahak citou igualmente o especialista em assuntos militares do jornal Ha'aretz, Ze’ev Schiff, que escrevera o seguinte em 6 de Fevereiro de 1982: "A dissolução do Iraque em um Estado xiita e um Estado sunita após a separação da parte curda é sem dúvida o que melhor poderia acontecer a Israel".
Igualmente citado era Oded Yinon, alto dirigente da Organização Sionista Mundial que, no mesmo mês de Fevereiro de 1982, publicava na revista mensal "Kivunim" (Direcções) um longo ensaio, onde definia as condições de sobrevivência e de prosperidade do Estado judaico. Para Yinon, o mundo árabe, apesar da sua superioridade numérico e do seu petróleo, não era o "principal obstáculo estratégico [para Israel] pois, com as suas minorias étnicas e religiosas e as suas facções, esse mundo é incrivelmente autodestrutivo, como se pode ver pelo exemplo libanês. (...) A dissolução da Síria, do Iraque e do Líbano segundo linhas étnicas ou religiosas deve ser o principal objectivo de Israel no longo prazo, sendo o seu objectivo a curto prazo a dissolução da potência militar desses países. A dissolução total do Líbano em cinco províncias serve de precedente para todas as acções a desenvolver e, nesta perspectiva, o rico Iraque, com os seus recursos petrolíferos, é mais importante que a Síria. Uma guerra Irão-Iraque fará implodir este último país. Qualquer confronto inter-árabe é-nos vantajoso. Acrescente-se que é vital para o nosso futuro que asseguremos o domínio das zonas montanhosas, com os seus recursos hídricos. Para que este plano tenha sucesso a nossa potência militar deve ser ainda maior que aquilo que é actualmente, pois todo e qualquer movimento de revolta deve ser punido seja por humilhações em massa - como em Gaza e na Cisjordânia - seja por meio de bombardeamentos e aniquilação de cidades - como no Líbano -, ou por uma conjunção de ambos."
Israel Shahak (1933-2001) foi professor de química orgânica na Universidade Hebraica de Jerusalém. Foi também um presidente assaz incómodo da Liga Israelita para os Direitos Humanos e Cívicos, sendo cada um dos seus livros receado pelo poder. Os "Shahak Papers", disponíveis neste site, são fascinantes - e arrepiantes. A quase vinte e cinco anos de distância, a guerra Irão-Iraque - que deixou ambos os países exangues -, as duas guerras do Golfo (1991 e 2003) e a recente ofensiva no Líbano mostram a que ponto de minúcia e sobretudo cinismo foi conduzido o "Plano Sionista para o Médio Oriente".
(Tradução de um artigo saído no semanário Rivarol de 28/07/2006.)
De pé, hipócritas da Terra
Absolutamente indispensável a leitura deste texto de Jorge Ferreira sobre a hipocrisia do PC"P" e das classes política e jornalística.
Excertos:
«[O PCP] adoptou a máscara da necessidade, para sobreviver. Mas não mudou a essência. Cá para dentro faz voz mansa. Lá para fora, faz aquilo que sempre foi: um partido com uma concepção totalitária do poder, que anda rodeado das piores companhias.»
«Imaginem que um partido de extrema-direita português convidava um jornal ou uma organização nazi europeia para vir a uma festa em Portugal. Nem quero imaginar. O Bloco desfilaria. O SOS Racismo espernearia, os jornais escreveriam editoriais, as televisões fariam debates sobre o avanço do extremismo na Europa, alguém no Parlamento chamaria António Costa e José Sócrates a dar explicações.»
quinta-feira, setembro 14, 2006
Um dragão recomendável
Sabem qual é o grande tabú da nossa era? Estão a par das últimas interpretações críticas sobre os acontecimentos de 11 de Setembro de 2001? Já ouviram falar em "neoconas"? Sabem que Céline era um génio literário e um arguto observador da sua época? Sabem que isto e muito mais está ao alcance de um clique, nesta caverna? Que esperam para medir o alcance das lavaredas que o seu habitante emite?
terça-feira, setembro 12, 2006
O meu 12 de Setembro
Não, caro leitor, não me enganei na data no título deste postal. No dia 12 de Setembro de 2001 tive que apanhar um avião para Manchester por motivos profissionais. Para além do pânico que a ideia provocou em alguns familiares não imaginam o caos que se viveu nos aeroportos nesse dia.
Logo à chegada à Portela dois polícias de “canhota” em punho davam o mote. Os passageiros tiveram que fazer o check in com duas horas de antecedência, tendo que aguentar uma “seca” descomunal até embarcarem. Houve tempo para ler os jornais, já então com títulos pacóvios como “O dia em que tudo mudou” ou “O mundo não vai voltar a ser como antes”.
Bush, milagrosamente, inverteu a queda nos índices de popularidade, agregando o sentimento comum de união na nação ultrajada. (O mesmo sucedeu com Olmert após a invasão do Líbano. No caso de ambos os líderes amigos o recuo na popularidade foi coisa de um momento, assentada a poeira das guerras que ambos moveram.)
O vôo decorreu sem incidentes mas após a aterragem em Manchester os passageiros tiveram que permanecer mais de meia hora dentro do avião, supõe-se que por motivos de segurança. Mas nada lhes foi comunicado. “This is disgôsting”, clamava uma velhota com irresistível pronúncia nortenha.
O regresso, a 13, não foi menos turbulento. Com os corredores do aeroporto pejados de gente, mal consegui encontrar uma cadeira para ler os relatos das desgraças individuais que o "Daily Telegraph" sobriamente narrava. Nunca vi sinais de pânico ou medo nos passageiros, antes o enfado pelos transtornos causados.
O tempo passou, Bush envolveu os EUA em duas guerras, qual delas a decorrer da pior forma e sem fim à vista. Os objectivos pomposamente proclamados de guerra ao terror estão mais longe de serem alcançados do que há cinco anos. No Afeganistão os taliban estão tão activos como em 1994, quando o apoio tácito dos EUA e activo do Paquistão os alcandorou ao poder. O Iraque do sanguinário Saddam, que mesmo assim permitia liberdade de culto às religiões minoritárias (incluindo cristãos e judeus), enquanto efectivamente reprimia os xiitas e os marginalizava, tornou-se um gigantesco teatro de operações da jihad.
A questão que se deve colocar não é se o mundo está hoje mais ou menos seguro que antes do 11 de Setembro de 2001 mas sim se o mundo está hoje mais ou menos seguro que antes da chegada de Bush e da sua trupe ao poder.
Ao mesmo tempo que se constatava o fracasso da “guerra ao terrorismo” começavam a aparecer as primeiras contestações à versão oficial sobre os atentados. Algumas delirantes, outras demagógicas, muitas credíveis. O Dragão lista algumas delas, cuja leitura se recomenda.
Os povos normalmente não aprendem com os erros e estão sempre prontos a cair na ratoeira da retórica de algum demagogo ambicioso. Nos nossos tempos o medo tornou-se a arma destes demagogos; sejam eles Bush ou Putin, o objectivo é arregimentar as consciências, coarctar as liberdades, manipular as opiniões. E, acima de tudo, cimentar o seu poder. Como radicalismo alimenta radicalismo, nunca a jihad esteve tão pujante. O terrorismo islâmico tem dias radiosos pela frente.
Logo à chegada à Portela dois polícias de “canhota” em punho davam o mote. Os passageiros tiveram que fazer o check in com duas horas de antecedência, tendo que aguentar uma “seca” descomunal até embarcarem. Houve tempo para ler os jornais, já então com títulos pacóvios como “O dia em que tudo mudou” ou “O mundo não vai voltar a ser como antes”.
Bush, milagrosamente, inverteu a queda nos índices de popularidade, agregando o sentimento comum de união na nação ultrajada. (O mesmo sucedeu com Olmert após a invasão do Líbano. No caso de ambos os líderes amigos o recuo na popularidade foi coisa de um momento, assentada a poeira das guerras que ambos moveram.)
O vôo decorreu sem incidentes mas após a aterragem em Manchester os passageiros tiveram que permanecer mais de meia hora dentro do avião, supõe-se que por motivos de segurança. Mas nada lhes foi comunicado. “This is disgôsting”, clamava uma velhota com irresistível pronúncia nortenha.
O regresso, a 13, não foi menos turbulento. Com os corredores do aeroporto pejados de gente, mal consegui encontrar uma cadeira para ler os relatos das desgraças individuais que o "Daily Telegraph" sobriamente narrava. Nunca vi sinais de pânico ou medo nos passageiros, antes o enfado pelos transtornos causados.
O tempo passou, Bush envolveu os EUA em duas guerras, qual delas a decorrer da pior forma e sem fim à vista. Os objectivos pomposamente proclamados de guerra ao terror estão mais longe de serem alcançados do que há cinco anos. No Afeganistão os taliban estão tão activos como em 1994, quando o apoio tácito dos EUA e activo do Paquistão os alcandorou ao poder. O Iraque do sanguinário Saddam, que mesmo assim permitia liberdade de culto às religiões minoritárias (incluindo cristãos e judeus), enquanto efectivamente reprimia os xiitas e os marginalizava, tornou-se um gigantesco teatro de operações da jihad.
A questão que se deve colocar não é se o mundo está hoje mais ou menos seguro que antes do 11 de Setembro de 2001 mas sim se o mundo está hoje mais ou menos seguro que antes da chegada de Bush e da sua trupe ao poder.
Ao mesmo tempo que se constatava o fracasso da “guerra ao terrorismo” começavam a aparecer as primeiras contestações à versão oficial sobre os atentados. Algumas delirantes, outras demagógicas, muitas credíveis. O Dragão lista algumas delas, cuja leitura se recomenda.
Os povos normalmente não aprendem com os erros e estão sempre prontos a cair na ratoeira da retórica de algum demagogo ambicioso. Nos nossos tempos o medo tornou-se a arma destes demagogos; sejam eles Bush ou Putin, o objectivo é arregimentar as consciências, coarctar as liberdades, manipular as opiniões. E, acima de tudo, cimentar o seu poder. Como radicalismo alimenta radicalismo, nunca a jihad esteve tão pujante. O terrorismo islâmico tem dias radiosos pela frente.
domingo, setembro 10, 2006
"Uma Ideia de Portugal"
É este o título do meu segundo contributo dominical para "A Taberna dos Inconformados", onde se discute e chora a Pátria, à mesa com um bom tinto e o rádio a debitar um fado plangente.
sexta-feira, setembro 08, 2006
O conflito na Palestina
A recente guerra no Líbano (mais as exacções cometidas pelo exército israelita em Gaza) foi e continua a ser fonte de equívocos. Da forma mais infantil possível, parece que o Ocidente olha para o conflito israelo-palestiniano sem objectividade, apenas sectarismo: uns seriam pró-israelitas, outros pró-palestinos.
Como não corro o risco de ser englobado na primeira categoria, vou tentar explicar de que forma é que posso eventualmente caber na segunda.
O Estado de Israel nasce de uma votação na Assembleia Geral da ONU. Após décadas de difusão da ideologia sionista, após influências múltiplas junto do ocupante britânico, após a publicitação dos crimes nazis (reais ou imaginários), "o mundo" achou que os judeus tinham direito a um Estado. Para azar dos árabes, a localização do mesmo foi a Palestina. Quem nada teve a ver com as perseguições aos judeus no século XX (da Rússia à Alemanha, passando pela Roménia, Hungria, França, etc.) é que foi obrigado a conviver com eles.
Como não corro o risco de ser englobado na primeira categoria, vou tentar explicar de que forma é que posso eventualmente caber na segunda.
O Estado de Israel nasce de uma votação na Assembleia Geral da ONU. Após décadas de difusão da ideologia sionista, após influências múltiplas junto do ocupante britânico, após a publicitação dos crimes nazis (reais ou imaginários), "o mundo" achou que os judeus tinham direito a um Estado. Para azar dos árabes, a localização do mesmo foi a Palestina. Quem nada teve a ver com as perseguições aos judeus no século XX (da Rússia à Alemanha, passando pela Roménia, Hungria, França, etc.) é que foi obrigado a conviver com eles.
Os sionistas não abriram mão de nenhuma táctica, incluindo o terrorismo: atentado no Hotel Rei David, assassinato do Conde Bernadotte (enviado especial da ONU à região), massacres vários, como o de Deir Yassin. Aquilo que os israelitas hoje chamam terrorismo foi por eles praticado em larga escala na década de 1940.
É fácil acusar os árabes de não terem aceite a criação do Estado de Israel. E porque é que o deveriam fazer? Não era fácil ver, perante os exemplos citados e muitos outros, que a partir daquele momento não poderia haver convivência pacífica entre árabes e judeus?
De humilhação em humilhação, de derrota militar em derrota militar, os palestinos tornaram-se um povo estrangeiro: estrangeiro na sua própria terra, obrigados a viver em campos de refugiados, sujeitos a controlos e maus tratos infindos; estrangeiro por via da emigração, em busca de uma vida menos má que sob a bota do brutal ocupante.
O terrorismo, recurso cobarde e bárbaro, nunca poderia resolver o conflito, antes o radicalizando por via da reacção do ocupante. O apoio descarado dos EUA a Israel, a inércia da Europa, viraram os árabes contra o mundo ocidental. Extinto o pan-arabismo nasseriano, os islamistas foram pacientemente tomando as rédeas da resistência. A globalização do conflito nasce do crescente peso dos "verdes", já não apenas árabes mas também de todo o mundo, da Indonésia ao Irão. (É curioso que o islamismo tem, sem o afirmar claramente, uma componente socialista muito forte e os seus líderes são frequentemente pessoas humildes, nada ostentatórias, que se confundem com o povo. Neste particular há um ponto comum com o nasserismo. Mas o que era o sonho de uma grande nação árabe foi substituído pelo sonho de um mundo islâmico.)
No entanto, muitos palestinos aderem ao islamismo não por sonhos de expansão territorial desta religião mas por reconhecerem que ele é a sua única esperança para o fim das humilhações (para além da forte componente assistencial de movimentos como o Hamas ou o Hezbollah, que gerem escolas, hospitais e fornecem comida aos mais necessitados).
O conflito não tem fim à vista não só porque os campos estão radicalizados mas também porque a injustiça fundamental e, pode-se dizer, fundadora do referido conflito - a forma como nasceu Israel e a sua expansão, tanto militar como a nível de colonatos-, bloqueia toda a compreensão mútua. E já se sabe que quem está em posição de força, ainda para mais apoiado pela maior potência do planeta, não tem qualquer estímulo em dar o primeiro passo.
quinta-feira, setembro 07, 2006
Nazismo verde?
O artigo aqui referenciado pretende ridicularizar os movimentos ecologistas coevos por meio de uma comparação "assassina", isto é, com a preocupação dos nazis com a ecologia e com a promoção de um modo de vida saudável. Apesar disso, é de ler pois refere muitos exemplos práticos de como se concretizava aquela preocupação.
quarta-feira, setembro 06, 2006
Impunidade
Ontem soube-se que foi arquivado um processo contra Pinto da Costa no âmbito do caso Apito Dourado. Hoje, que também foi arquivado um processo contra Fátima Felgueiras. Entretanto, vêm a público confirmações daquilo que sempre se soube: que Valentim Loureiro manipula a arbitragem a seu bel-prazer. Pelos dados divulgados temos matéria para um luso "calciocaos". Alguém acredita que os prevaricadores venham a ser julgados pelos seus crimes? O povo, como no tempo de Rafael Bordalo Pinheiro, critica, lamenta e, como se sente impotente para mudar o estado de coisas, nada mais faz que um manguito a esta corja.
segunda-feira, setembro 04, 2006
Claro como água
Para os esquecidos que dizem que são pró-Republicanos:
"Defendo os tradicionais valores Republicanos. Sempre fomos o partido da responsabilidade orçamental. Da conservação. Sempre avisámos contra o envolvimento em questões externas e opusemo-nos a que os governos se imiscuíssem na vida privada dos cidadãos." (Steve Laffey, candidato ao Senado dos EUA pelo Estado de Rhode Island)
Em poucas palavras se caracteriza a traição bushista aos valores Republicanos. Ao menos que os bushistas-neocons-ex-trotskistas-lobistas-pró-Israel criassem um partido novo, tipo União Americana de Defesa do Estado de Israel e Subordinada aos Especiais Interesses do Big Business. Não enganava ninguém.
domingo, setembro 03, 2006
Nova colaboração
Fui convidado, reflecti - e aceitei. Podem contar a partir de hoje com uma dominical crónica minha no blogue A Taberna dos Inconformados. Desde já disponível o (c)opus 1.
Vão até lá, degustem e comentem.
Vão até lá, degustem e comentem.
sexta-feira, setembro 01, 2006
A imigração é a chave do sucesso económico?
O combate da ideologia pró-imigracionista tem assumido duas vertentes básicas:
- a esquerda, sempre a transbordar de ódio pela civilização ocidental, vê na imigração a chave (essa sim bem real) para erguer as bases de um "mundo novo", desculturalizado, desenraízado, formatado pelas suas nefandas ideias;
- a "direita", as mais das vezes câmara de eco do mundo dos negócios, vê no fenómeno um maná de mão-de-obra barata, pouco exigente, que vai permitir àquele aumentar o lucro das suas actividades.
Vai daí, unem-se as comadres no mesmo combate favorável à imigração. Não surpreende assim que nos parlamentos europeus o unanimismo quanto a esta questão seja a regra. Quem é que se arrisca a passar por xenófobo", "racista" ou mesmo "fascista"?
- a esquerda, sempre a transbordar de ódio pela civilização ocidental, vê na imigração a chave (essa sim bem real) para erguer as bases de um "mundo novo", desculturalizado, desenraízado, formatado pelas suas nefandas ideias;
- a "direita", as mais das vezes câmara de eco do mundo dos negócios, vê no fenómeno um maná de mão-de-obra barata, pouco exigente, que vai permitir àquele aumentar o lucro das suas actividades.
Vai daí, unem-se as comadres no mesmo combate favorável à imigração. Não surpreende assim que nos parlamentos europeus o unanimismo quanto a esta questão seja a regra. Quem é que se arrisca a passar por xenófobo", "racista" ou mesmo "fascista"?
A esquerda assenta a sua luta nos meios de comunicação dita social: os jornais, as revistas, as cadeias de televisão, por muito variados que aparentem ser, defendem quase todos sem excepção as mesmas ideias em relação a este tema. Uma vez por outra lá dão algum espaço a alguma voz discordante, que não se coíbe de esclarecer logo à partida que não é movida por ideias xenófobas, racistas e etc. Outro combate assenta no controlo do ensino: já não só nas universidades, como nos anos 60, mas também e talvez sobretudo desde os primeiros anos de aprendizagem. É a formatação ideológica em todo o seu explendor.
O mundo dos negócios, com vista aos lucros referidos, e para receber uma caução de "humanitarismo", financia organizações de defesa dos imigrantes, patrocina eventos, faz publicidade defendendo os "bons valores".
Chega? Se calhar, não. Seja porque os "preconceitos" da populaça são arreigados, seja porque esta tem mais em que pensar que nas virtudes do humanitarismo histérico e bem pensante.
Passo seguinte: apelar às vantagens económicas. No nosso mundo, em que os valores monetários são o que mais conta, a melhor forma de pôr as gentes a pensar bem da imigração é realçar as supostas vantagens desta para a economia dos países receptores de mão de obra. E surgem notícias como esta, a transbordar demagogia em cada linha. A demonstração das alegadas vantagens é pobre, mas que interessa? As pessoas de qualquer forma olham para a economia como algo dificilmente apreendível e então basta acenar com alguns números, com taxas de crescimento de alguns indicadores, para as conquistar.
O nosso caro Rodrigo já demonstrou com clareza a falácia da imigração como factor potenciador da economia, num texto que merece (re)leitura. Pela nossa parte esperamos que ainda haja quem se dê ao trabalho de pensar pela sua cabeça, que não desista de ir contra a corrente. Esta pode ser avassaladora mas, se se fizer como fez a esquerda desde os anos 20 do século passado, se trabalharmos metódica e pacientemente para denunciar a vaga anti-ocidental que nos assola há décadas, se nos mover o amor à verdade e aos verdadeiros valores sob os quais se ergueu a nossa civilização, ainda nada estará perdido. Mas o tempo urge.
quarta-feira, agosto 30, 2006
Robert Le Vigan

"Le Quai des Brumes", de 1938, é umas das obras primas do grande realizador Marcel Carné e uma das suas muitas colaborações com o argumentista Jacques Prévert. Visualmente fascinante, conta uma história triste de amor, com os superlativos Jean Gabin, Michèle Morgan (divina!) e Michel Simon. É uma das obras típicas do chamado "realismo poético", um tempo em que o cinema francês estava ao nível do que de melhor se fazia em todo o mundo.Uma das curiosidades deste filme é a participação do actor Robert Le Vigan, no papel do pintor depressivo ("pour moi un nageur c'est dejà un noyé"). Os célinianos conhecem bem esta figura. Actor em dezenas de filmes, de 1931 a 1944, Le Vigan era um dos melhores amigos de Louis-Ferdinand Céline e como ele ferozmente anti-semita. Militou no PPF de Jacques Doriot (antigo militante comunista que fundou este partido nacionalista e populista e que atraíu personalidades como Drieu La Rochelle).
A sua "falha capital" foi ter participado aos microfones da Radio Paris (pró alemã) durante a Ocupação, ridicularizando Estaline, Churchill e os judeus. Acompanhou Céline no exílio de Sigmaringen. Vem a ser condenado a dez anos de trabalhos forçados, dos quais cumpre menos de quatro. Não se livra da "indignidade nacional" e vai viver para Espanha. Aí representa em duas películas mas acaba por ir para a Argentina, onde vem a falecer em 1972.
A sua "falha capital" foi ter participado aos microfones da Radio Paris (pró alemã) durante a Ocupação, ridicularizando Estaline, Churchill e os judeus. Acompanhou Céline no exílio de Sigmaringen. Vem a ser condenado a dez anos de trabalhos forçados, dos quais cumpre menos de quatro. Não se livra da "indignidade nacional" e vai viver para Espanha. Aí representa em duas películas mas acaba por ir para a Argentina, onde vem a falecer em 1972.Christian de la Mazière, em "Le Rêveur Blessé" (ler aqui um comentário ao livro), conta como ajudou o seu amigo Le Vigan a passar para Espanha. São páginas que transbordam de amizade e afecto por um indivíduo extravagante, excessivo, que representou papéis de grande densidade dramática e psicológica, como o citado pintor de "Le Quai des Brumes", o que pintava "as coisas que se escondem por detrás das coisas".
Fina-se "O Independente"
Na próxima sexta-feira estará nas bancas, pela última vez, o jornal "O Independente". As vendas do semanário já não chegam aos 10.000 exemplares, um décimo do que vendia o jornal nos seus tempos áureos.
O Independente, sob a direcção de Paulo Portas, foi um órgão incómodo para o poder de então, mergulhados que estávamos em pleno Cavaquistão. Tornou-se o porta estandarte da luta contra a corrupção que grassava (e grassa com não menor pujança hoje em dia) na nossa sociedade. A classe política tremia sempre que se aproximava a sexta-feira fatídica, em que mais um escândalo faria a primeira página do jornal. Pode-se dizer com propriedade que este foi corroendo o governo do PSD, ajudando à ascenção do guterrismo (as más línguas até podem insinuar que o mesmo Paulo Portas que, enquanto director do jornal, desgastou Cavaco, veio, enquanto deputado e líder do PP, a aprovar um orçamento do PS, perdendo toda a credibilidade como força de direita. Anos depois defendeu a candidatura do mesmo Cavaco à presidência da república...).
O Independente, sob a direcção de Paulo Portas, foi um órgão incómodo para o poder de então, mergulhados que estávamos em pleno Cavaquistão. Tornou-se o porta estandarte da luta contra a corrupção que grassava (e grassa com não menor pujança hoje em dia) na nossa sociedade. A classe política tremia sempre que se aproximava a sexta-feira fatídica, em que mais um escândalo faria a primeira página do jornal. Pode-se dizer com propriedade que este foi corroendo o governo do PSD, ajudando à ascenção do guterrismo (as más línguas até podem insinuar que o mesmo Paulo Portas que, enquanto director do jornal, desgastou Cavaco, veio, enquanto deputado e líder do PP, a aprovar um orçamento do PS, perdendo toda a credibilidade como força de direita. Anos depois defendeu a candidatura do mesmo Cavaco à presidência da república...).
Paralelamente, O Independente corporizou uma lufada de ar fresco no que à liberdade de expressão diz respeito, abrindo portas que o "Expresso" sempre zelosamente fechou. Podemos dar como exemplos as entrevistas no suplemento a cores com Léon Degrelle (ler aqui) ou António José de Brito (por mim aqui reproduzida em Dezembro de 2004). Algo impensável hoje em dia, mesmo descontando a triste figura dos ignorantes entrevistadores.
A decadência do jornal acompanha a decadência dos índices de leitura de jornais em Portugal e, não menos preocupante, a crescente apatia da população perante o que a rodeia que não seja efémero ou fútil. A tentativa de acompanhar esta triste tendência aumentou a descredibilização do projecto.
Como tantos outros jornais, O Independente sai de cena perante a indiferença geral.
Atendedor de chamadas
A mensagem seguinte é neste momento muito popular entre os utilizadores de telemóvel de Bagdad:
"Neste momento não é possível atender a sua chamada porque fui vítima de um atentado ou fui raptado."
segunda-feira, agosto 28, 2006
Israel utilizou fósforo branco no Líbano?
Eis aqui, a confirmar-se a veracidade da notícia, mais um argumento a favor da tese que defende que, entre outros, um dos objectivos da guerra no Líbano era de experimentar armamento. Coisas de democracias impolutas, já se vê.
domingo, agosto 27, 2006
Premonição de poeta
(...) E no entanto o país, meu Senhor,
É uma beleza! uma beleza! encantador!
Trinta portos ideais, um céu azul marinho,
A melhor fruta, a melhor caça, o melhor vinho,
Balsâmicos vergéis, serranias frondosas,
Clima primaveril de mandriões e rosas,
Uma beleza! Que lhe falta? Unicamente
Oiro, vida, alegria, outro povo, outra gente.
Raça estúpida e má, que por fortuna agora
torna habitável este encanto... indo-se embora!
Deixe morrer, deixe emigrar, deixe estoirar:
Dois bogueirões de esgoto, — o cemitério e o mar.
Que precisamos nós? Libras! libras, dinheiro!
Libras d'oiro a luzir! Onde as há? No estrangeiro?
Muito bem; o remédio é claríssimo, é visto:
Obrigar o estrangeiro a tomar conta disto.
lmpérios d'além-mar, alquilam‑se, ou então
Sorteados — em rifa ou à praça — em leilão.
E o continente é dá‑lo a um banqueiro judeu,
Para um casino monstro e um bordel europeu.
Fazer desta cloaca, onde a miséria habita,
Um paraíso por acções, — cosmopolita,
Dar jogo ao mundo, ao globo! uma banca tremenda!
Calculo eu daí uns mil milhões de renda.
Guerra Junqueiro
É uma beleza! uma beleza! encantador!
Trinta portos ideais, um céu azul marinho,
A melhor fruta, a melhor caça, o melhor vinho,
Balsâmicos vergéis, serranias frondosas,
Clima primaveril de mandriões e rosas,
Uma beleza! Que lhe falta? Unicamente
Oiro, vida, alegria, outro povo, outra gente.
Raça estúpida e má, que por fortuna agora
torna habitável este encanto... indo-se embora!
Deixe morrer, deixe emigrar, deixe estoirar:
Dois bogueirões de esgoto, — o cemitério e o mar.
Que precisamos nós? Libras! libras, dinheiro!
Libras d'oiro a luzir! Onde as há? No estrangeiro?
Muito bem; o remédio é claríssimo, é visto:
Obrigar o estrangeiro a tomar conta disto.
lmpérios d'além-mar, alquilam‑se, ou então
Sorteados — em rifa ou à praça — em leilão.
E o continente é dá‑lo a um banqueiro judeu,
Para um casino monstro e um bordel europeu.
Fazer desta cloaca, onde a miséria habita,
Um paraíso por acções, — cosmopolita,
Dar jogo ao mundo, ao globo! uma banca tremenda!
Calculo eu daí uns mil milhões de renda.
Guerra Junqueiro
sábado, agosto 26, 2006
Retrato do usurário
Brilhante descrição do usurário, a que se segue. Nenhuma palavra está ao acaso, num retrato notável.
«Era um homenzinho magro e sumido, de raros pêlos ruços, olhar azul de uma mobilidade desconfiada e cobiçosa, nariz adunco, e a espinha curvada da assiduidade à carteira. Havia um misto de covardia e inveja na sua face cadavérica, onde a fisionomia oscilava entre a expressão do medo e da perfídia - esse aspecto clássico dos avarentos, de feições secas e amarelentas, como as efígies cunhadas no ouro das suas moedas. Agitava-lhe o peito uma tosse áspera, que se confundia às vezes com o seu riso entrecortado, sem expressão de alegria; e as mãos, duma magreza esquelética, tinham nos dedos uma curva de garra, uma crispação rapace - como a de um milhafre que descobre a presa. (...) Uns temiam-no, outros odiavam-no. E ele com a sua cobiça de usurário e o seu prazer de tiranizar e ter na mão a vida alheia, insinuava-se, oferecia os seus serviços para os negócios que surpreendia ou adivinhava, e, uma vez cravada a garra nos bens das suas vítimas, martirizava-as com todas as pequenas opressões mesquinhas da agiotagem - os vexames das hipotecas, penhoras, citações, protestos de letras - rejeitando com inflexível dureza rogos, súplicas ou propostas de acomodação. Engolira assim os primeiros lucros de empresas nascentes, muito negócio em prosperidade, muita pequena fortuna acumulada nas lutas de um comécio honesto. Era riquíssimo, mas chorava-se sempre; e o seu negócio das chitas, rotineiro e medíocre, era a máscara humilde com que disfarçava a sua alta condição monetária na aventura desse latrocínio legal da usura.»
Este retrato é o de um personagem que aparece no início de "O Brasileiro Soares", excelente romance de Luís de Magalhães escrito em 1885. A obra tem um prefácio notável de um amigo do autor: Eça de Queirós. Há uma edição da Lello & Irmão relativamente fácil de encontrar à venda.
«Era um homenzinho magro e sumido, de raros pêlos ruços, olhar azul de uma mobilidade desconfiada e cobiçosa, nariz adunco, e a espinha curvada da assiduidade à carteira. Havia um misto de covardia e inveja na sua face cadavérica, onde a fisionomia oscilava entre a expressão do medo e da perfídia - esse aspecto clássico dos avarentos, de feições secas e amarelentas, como as efígies cunhadas no ouro das suas moedas. Agitava-lhe o peito uma tosse áspera, que se confundia às vezes com o seu riso entrecortado, sem expressão de alegria; e as mãos, duma magreza esquelética, tinham nos dedos uma curva de garra, uma crispação rapace - como a de um milhafre que descobre a presa. (...) Uns temiam-no, outros odiavam-no. E ele com a sua cobiça de usurário e o seu prazer de tiranizar e ter na mão a vida alheia, insinuava-se, oferecia os seus serviços para os negócios que surpreendia ou adivinhava, e, uma vez cravada a garra nos bens das suas vítimas, martirizava-as com todas as pequenas opressões mesquinhas da agiotagem - os vexames das hipotecas, penhoras, citações, protestos de letras - rejeitando com inflexível dureza rogos, súplicas ou propostas de acomodação. Engolira assim os primeiros lucros de empresas nascentes, muito negócio em prosperidade, muita pequena fortuna acumulada nas lutas de um comécio honesto. Era riquíssimo, mas chorava-se sempre; e o seu negócio das chitas, rotineiro e medíocre, era a máscara humilde com que disfarçava a sua alta condição monetária na aventura desse latrocínio legal da usura.»
Este retrato é o de um personagem que aparece no início de "O Brasileiro Soares", excelente romance de Luís de Magalhães escrito em 1885. A obra tem um prefácio notável de um amigo do autor: Eça de Queirós. Há uma edição da Lello & Irmão relativamente fácil de encontrar à venda.
quarta-feira, agosto 23, 2006
Mercenários, precisa-se
Informa-nos a "Time" na sua edição de 14 de Agosto que 2% dos efectivos do exército dos EUA são de nacionalidade estrangeira. Já em 2002, Bush eliminou o período de três anos que era obrigatório decorrer até um soldado poder solicitar a nacionalidade americana. Desde então, ele pode fazê-lo no dia seguinte à sua admissão no exército.
Há três semanas atrás Bush afirmou que "se alguém se dispõe a arriscar a vida pelo nosso país ele deve participar da vida deste com plenos direitos".
Fala-se agora em recrutar (sic) potenciais nacionais nos respectivos países. Um general reformado sugeriu a abertura na Índia de uma estação de recrutamento (re-sic): "em vez de estarmos à espera que as pessoas apareçam, podemos nós ir à procura delas e encontrar as que necessitamos". O director de recursos humanos do exército, Sean Byrne, acha que esta é uma boa ideia.
Há três semanas atrás Bush afirmou que "se alguém se dispõe a arriscar a vida pelo nosso país ele deve participar da vida deste com plenos direitos".
Fala-se agora em recrutar (sic) potenciais nacionais nos respectivos países. Um general reformado sugeriu a abertura na Índia de uma estação de recrutamento (re-sic): "em vez de estarmos à espera que as pessoas apareçam, podemos nós ir à procura delas e encontrar as que necessitamos". O director de recursos humanos do exército, Sean Byrne, acha que esta é uma boa ideia.
Também seria uma boa ideia explicarem-nos em que é que esta situação difere do recrutamento de mercenários. Com a agravante de pôr a nacionalidade literalmente à venda, no mercado.
Sugestões de leitura
O amigo Thoth fala-nos de "Hipocrisia Histórica" no seu blogue "Democracia" (reparei que é um blogue com poucos links em blogues nacionais, o que é injusto), dando exemplos de "façanhas" do clandestino PCP.
O Dragão, em grande forma, fala-nos d'"aqueles democratas reciclados da beatocracia moderna - que estão sempre de fornicoques prontos para vituperar e menoscabar todos e qualquer tipo de nacionalismo, sobretudo caso respeite ao próprio país onde nasceram, quando é Israel a desfilar na passerelle, ei-los que, tomados de súbita amnésia selectiva, desatam a vislumbrar apenas virtudes, maravilhas e enlevos pródigos?... " É uma leitura a não perder, como de resto todas as lavaredas emitidas pelo insigne blogueiro.
terça-feira, agosto 22, 2006
O verdadeiro motivo para a guerra no Líbano
O artigo de Seymour Hersh na “The New Yorker” que revela que a guerra no Líbano foi planeada muito antes do rapto de dois soldados israelitas não surpreende. Este último facto foi o pretexto para aquela agressão, que obteve o beneplácito antecipado de Washington.
Com efeito, vários membros do executivo israelita viajaram até Washington para explicar ao serviçal governo americano o seu plano de invasão do País dos Cedros e obter o seu acordo. “Israel começou com o vice-presidente Dick Cheney. Queriam ter a certeza de que tinham o seu apoio bem como o do Conselho de Segurança Nacional”, segundo fonte da Administração. Garantido o apoio de Cheney “persuadir o presidente [Bush] nunca foi problema (sic) e a secretária de Estado Condoleeza Rice também embarcou” (re-sic).
A invasão foi encarada como um teste a um possível ataque americano ao Irão e a esperada (mas não concretizada) destruição da capacidade militar do Hezbollah protegeria Israel de retaliações do Partido de Deus em consequência daquele ataque. “Os israelitas disseram-nos que era uma guerra barata com muitos benefícios. Porquê opormo-nos (sic)? Seríamos capazes de bombardear mísseis, túneis e bunkers. Era uma demonstração para o Irão”, afirma um consultor da Administração Bush com fortes ligações a Israel.
O artigo de Hersh foi, claro está, vigorosamente zurzido pelo Pentágono, pela Casa Branca e pelo governo israelita.
Com efeito, vários membros do executivo israelita viajaram até Washington para explicar ao serviçal governo americano o seu plano de invasão do País dos Cedros e obter o seu acordo. “Israel começou com o vice-presidente Dick Cheney. Queriam ter a certeza de que tinham o seu apoio bem como o do Conselho de Segurança Nacional”, segundo fonte da Administração. Garantido o apoio de Cheney “persuadir o presidente [Bush] nunca foi problema (sic) e a secretária de Estado Condoleeza Rice também embarcou” (re-sic).
A invasão foi encarada como um teste a um possível ataque americano ao Irão e a esperada (mas não concretizada) destruição da capacidade militar do Hezbollah protegeria Israel de retaliações do Partido de Deus em consequência daquele ataque. “Os israelitas disseram-nos que era uma guerra barata com muitos benefícios. Porquê opormo-nos (sic)? Seríamos capazes de bombardear mísseis, túneis e bunkers. Era uma demonstração para o Irão”, afirma um consultor da Administração Bush com fortes ligações a Israel.
O artigo de Hersh foi, claro está, vigorosamente zurzido pelo Pentágono, pela Casa Branca e pelo governo israelita.
Na mesma linha de interpretação sugere-se a leitura deste esclarecedor artigo. Entre inúmeras citações que confirmam a visão de Hersh sobre o que está por detrás do ataque ao Líbano, refira-se esta de Edward Luttwak, membro do Center for Strategic and International Studies, de Washington: “o risco para Israel de uma ofensiva aérea contra o Irão seria o lançamento de mísseis por parte do Hezbollah sobre território israelita”. A forma de prevenir esse risco seria, assim, um ataque de antecipação ("striking preemptively"). Significativas também as palavras de Olmert após a sua reunião com Bush em Washington em 25 de Maio: “estou muito, muito, muito, satisfeito”. Este comentário não apareceu na imprensa americana.
segunda-feira, agosto 21, 2006
A censura socrática
Sabia que "o gabinete do primeiro-ministro deu instruções directas à RTP para se fazer censura à cobertura dos incêndios: são ordens directas do gabinete de Sócrates"? E que deste último não veio qualquer desmentido a esta afirmação de Eduardo Cintra Torres?
A ler estes dois textos de Jorge Ferreira.
A ler estes dois textos de Jorge Ferreira.
domingo, agosto 20, 2006
De Kofi Annan e outros criminosos
A história é conhecida: em 1994, 800.000 pessoas foram massacradas no Ruanda, a maior parte da minoria tutsi mas também todos os hutus que se opuseram à matança foram chacinados. O realizador britânico Roger Spottiswoode está neste momento a rodar in loco um filme sobre estes trágicos acontecimentos, baseado nas memórias no general canadiano Romeo Dallaire, à época comandante da força de manutenção da paz da ONU no Ruanda.
Ainda hoje Dallaire não se conforma com o papel passivo que foi obrigado a manter enquanto testemunhava os massacres. Até porque avisara os seus superiores do que se estava a preparar, tendo até identificado vários locais onde estavam armazenadas armas que viriam a ser utilizadas pelos assassinos; propôs então a Kofi Annan (que era o responsável máximo da ONU para as missões de manutenção da paz) que se apreendessem as mesmas, tendo o actual secretário-geral da ONU vetado a operação.
Já com o genocídio a decorrer, Dallaire implorou por um reforço do número de capacetes azuis, tendo em contrapartida ocorrido uma diminuição, de 2500 para 450... Os EUA proposeram a disponibilização de 50 carros armados, mas com a condição de que se pagasse 9 milhões de dólares adiantadamente; a Grã-Bretanha disponibilizaria 50 veículos obsoletos, também a pagar antecipadamente... A França, esse grande país de altos princípios morais, fornecera armas, que enchiam por completo um avião, ao regime assassino, pouco antes de começar a matança.
A martirizada nação africana vai fazendo a sua catarse do genocídio. Muitos dos que participam no filme de Spottiswoode foram testemunhas dos factos e da equipa de produção faz parte um psiquiatra. Muitos figurões deste mundo, sem vergonha na cara, vão passando bem sem a ajuda de psiquiatras.
(Baseado num artigo da edição em papel do "Daily Telegraph" de 11/08/2006.)
sábado, agosto 19, 2006
Obra prima
Maltratados pelos meios pomposamente ditos de comunicação social, escravos das maiorias e reféns do efémero, "Os Belenenses" apresentaram-se aos sócios e logo os premiaram com esta obra prima, a ver e rever.
O "Último Reduto" faz anos
Cumpre hoje três anos de vida um dos três mosqueteiros da blogosfera nacional: o "Último Reduto" (os outros são, naturalmente, "Nova Frente" e "O Sexo dos Anjos", também eles da colheita de 2003. Já de 2004, e qual D'Artagnan, temos "O Pasquim da Reacção"). Estes os blogues que mais me influenciaram, que me levaram, em Outubro de 2004, a criar o "Santos da Casa", e que têm demonstrado uma constância invejável no seu percurso de intransigente defesa de Portugal e da cultura ocidental.
Neste âmbito, o papel do Pedro, que além do mais é meu companheiro de sofrimento azul, foi fundamental: pela qualidade da sua escrita, pela pertinência das suas análises, pelo humor inteligente, pela cultura que detém mas não exibe. É um exemplo para os mais novos e um alento para todos os que vão sofrendo com o rumo da Pátria Portuguesa.
Parabéns ao "Último Reduto"!
De regresso
Regresso de três semanas de férias no norte do país. Do meu périplo quero apenas deixar uma pequena nota sobre uma região fantástica e não muito explorada, onde passei cinco dias: a Ria de Aveiro.
Estanciei na Torreira, do lado oposto a Aveiro. O espectáculo da ria é deslumbrante, seja pelo enquadramento natural, seja pelos moliceiros (em cada vez menor número) que dão cor ao cenário, seja pelos cambiantes de luz ao longo do dia (e com o tempo instável que tivemos na semana que ora finda mais isso se notou). A praia da Torreira, de bandeira azul, é óptima: areia fina, campos de futebol e parque infantil para a pequenada, água de temperatura surpreendentemente agradável (só a bandeira vermelha, frequente por estas bandas, destoa do quadro).
A meia dúzia de quilómetros a sul, defronte da praia da Barra (muito concorrida pelas gentes de Aveiro) mas só alcançável de barco ou, de carro, dando-se a volta a toda a ria, o que muito ajuda à sua preservação natural, temos S. Jacinto, cuja praia de extenso areal e belíssimo mar (um pouco menos tempestuoso que o da Torreira) é sem dúvida uma das mais encantadoras do país.
Em termos de turismo encontram-se alguns espanhóis mas são sobretudo os portugueses, nomeadamente do própio distrito de Aveiro, que demandam este lado da ria. O ambiente é essencialmente popular - definitivamente não é uma zona in, o que só contribui para uma maior genuinidade. Os restaurantes com muito bom peixe não faltam.
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