terça-feira, novembro 14, 2006

Prémio

Esta casa entendeu por bem que Horizonte é um dos seis "melhores blogues individuais masculinos", uma das categorias escolhidas por João Ferreira Dias para os seus prémios.
Agradeço sinceramente a distinção outorgada por este licenciado em Comunicação Social e Cultural.

segunda-feira, novembro 13, 2006

A resolução

A ler, este texto no Tomarpartido. Revelador do conceito democrático da ex-fanática apoiante de Sá Carneiro.

domingo, novembro 12, 2006

"Não há outro mais leal"

Em 1991 a editora Átrio publicou, com o título supra, um opúsculo de António Manuel Couto Viana, composto por dois poemas, que a seguir se reproduzem.
A mágoa do poeta, a nostalgia pela glória passada da Pátria, recorrentes na obra do autor, assumem aqui um tom quiçá mais agressivo, «a raiva do meu brado», segundo o poeta.
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O NAUFRÁGIO DE MACAU

Para a Teresa Bernardino

A derradeira nau,
Partindo o leme e o velame roto,
Naufragou em Macau,
Por traição do piloto.

E fora a mais leal:
Em quatro séculos hasteara à ré
O pavilhão de Portugal,
Para glória do Império e defensão da Fé.

E era santo dos santos o seu nome,
Mas erguia na gávea o demo de vigia
Que sem um renegar que o vença e dome
A faz varar na vaza desta maré vazia.

Tripulou-a Camões
Que ali lembrou, previu: — Dos Portugueses,
Com seus profanos corações,
Houve traidores algumas vezes.

Tripulou-a Pessanha,
Murmurando entre névoas de ópio e olvido,
Como quem num queixume e presente desdenha:
“Eu vi a luz em um país perdido.”

Da última da Armada
Que em novos mares buscou cada porto ignorado;
Da jamais apresada,
Tendo ao pirata vil o fuzil apontado,
Hoje como não resta nada
Mais do que o pranto da História e a raiva do meu brado:

— Quem impede o traidor de morrer enforcado?


António Manuel Couto Viana
10-05-1985
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AQUELA MORTE NAQUELE DIA

Para o Beckert d'Assumpção, descendente do Barão d'Assumpção, que mandou edificar o Farol da Guia, o primeiro das costas da China.

Os castelos e as quinas começam a sangrar.
Macau, em lágrimas, comove.
Vai engoli-la o céu? Vai naufragá-la o mar?
A névoa esconde a cor das bandeiras no ar.
Chove.

Paira o fantasma de uma igreja. Um sino
Põe-se, lento, a dobrar, moribundo e pesado.
Nenhum Natal acode. A estrela do destino
Não anuncia o Nascimento do Menino,
Mas o Nome de Deus crucificado.

Só cemitérios, cinzas, sombras vagas…
“Não suspireis. Não respireis.” (Alguém murmura?)
Escorrem solidão as faces e as chagas.
A nau-espectro afunda-se nas vagas.
Apagou-se o farol. É noite escura.

O poeta rasgou o alvor da epopeia.
Dela, aqui, não restará lembrança…
O heróico ritmar de uma túmida veia
Extinguiu-se na vaza da pátria agora alheia:
Já não pode rimar futuro com esperança.

Cinco séculos quase a existir Portugal,
Macau, em sangue e lágrimas, desfalece e comove.
Mão assassina assina, na pedra sepulcral,
Um nome ateu, traidor, sobre a data final:
Aos 20 de Dezembro. Ano 99!

António Manuel Couto Viana
19.04.1987

sexta-feira, novembro 10, 2006

O crime americano

É um balanço impressionante (atendo-nos apenas à vítimas já contabilizadas) aquele que três anos de ocupação do Iraque por parte dos EUA e seus aliados de ocasião provocaram. A manipulação de massas que constituiu a patranha das armas de destruição maciça transformou-se em "cruzada pela democracia", com os lindos resultados que estão à vista: um país completamente desagregado, em estado de guerra civil de facto, os conflitos de religião exacerbados histericamente, infraestruturas destruídas, o pânico diário reminiscente daquele que viviam os habitantes de Sarajevo durante o reino dos snipers sérvios - o quadro assemelha-se notavelmente ao de uma Somália ou qualquer outra república africana assolada e fragmentada por conflitos internos, tantas vezes instigados de fora com objectivos inconfessáveis.
É realmente extraordinário o alcance da suposta "superioridade moral" das democracias. O mesmo acto praticado por uma ditadura e por uma democracia tem uma interpretação oficial diferente. Há pouco menos de uma década o governo de Paris, na altura chefiado pelo democratíssimo Lionel Jospin, com a cobertura do presidente Chirac, promoveu um golpe de estado no Congo-Brazzaville, cujo governo teve a "insensatez" de quebrar o acordo petrolífero que tinha com a gaulesa Total. Resultado: guerra civil, chacinas - mas os "bons" triunfaram.
Desde 1991 que os americanos e seus aliados decidiram que Saddam = Hitler = perigo para a humanidade (muito em particular para um certo país vizinho). Enquanto não o destronaram não descansaram. Tudo em nome da democracia, julgada a panaceia para os males do Médio Oriente. O ex-homem forte de Bagdad é agora condenado à morte. Os seus crimes são, efectivamente, imensos. Para além da guerra com o Irão, a população civil do Iraque foi vítima em larga escala da barbárie de Saddam: curdos, xiitas, oposicionistas reais ou imaginários. Não serei eu a lamentar o destino que coube em sorte a Saddam.
Mas também é legítimo interrogarmo-nos sobre os mandantes - escudados na tal "superioridade moral" - da invasão do Iraque, para a qual não havia pretextos válidos e para a qual o planeamento foi grotescamente inexistente. Só a título de exemplo, a decisão de dissolver o exército lançou na rua milhares de pessoas armadas e dispostas a combater o invasor ou, mais prosaicamente, a dedicar-se ao banditismo. Não ocorreu a Rumsfeld, Wolfowitz e outros amiguinhos neo-cons que a capacidade de adaptação da tropa a um novo senhor é enorme e que se hoje se jura por um chefe amanhã poder-se-á jurar por outro, inimigo daquele.
Se Saddam se calhar merece bem a corda com que vai ser enforcado, muitos "guys from Washington" deveriam ter o mesmo destino pelos crimes que cometeram e cujas consequências trágicas estão longe de ter fim.

Luz verde da UMP para Le Pen

O processo de candidatura às eleições presidenciais em França obriga a que cada candidato recolha 500 assinaturas de eleitos locais. No caso de candidatos anti-sistema, como é o caso de Jean-Marie Le Pen, o processo pode tornar-se dramático, dado o opróbrio a que está votado pela classe política e mediática.
É por isso que esta declaração do chefe da bancada parlamentar da UMP, dando liberdade aos presidentes de câmara do seu partido para apadrinharem a candidatura do líder da direita nacional, surpreende positivamente. Parabéns ao sr. Accoyer pela sua independência e aparente indiferença pelas críticas que vai ouvir em consequência da sua atitude de homem livre.
O sistema, de qualquer modo, está blindado em termos parlamentares pois a ascensão do Front National levou a classe política a alterar a lei eleitoral, eliminando o sistema proporcional, que permitiria que os 15-17% de votos que a FN normalmente recolhe se traduzissem em uma percentagem similar de deputados em relação ao total - em vez dos 0% que efectivamente "tem".

quarta-feira, novembro 08, 2006

Psicanálise do Judaísmo

A entrevista que se segue, tudo menos consensual, foi publicada pelo semanário Rivarol na sua edição de 13 de Outubro. Fala Hervé Ryssen, autor de "Les Espérances planétariennes", de 2005, e de "Psychanalyse du judaïsme", de 2006, que faz uma análise da psique do judaísmo e nos dá exemplos elucidativos da sua prática quotidiana, que a todos afecta.
Indispensável.


Hervé Ryssen, psychanalyste du judaïsme

RIVAROL: Après avoir fait paraître l’année dernière Les Espérances planétariennes (1), livre très documenté sur le rôle des intellectuels juifs dans le monde contemporain, vous publiez Psychanalyse du judaïsme (2). Que voulez-vous démontrer avec cette nouvelle étude?

Hervé RYSSEN: Après la rédaction des Espérances, il me semblait que l’analyse du phénomène "planétarien" n’était pas complète. Je constatais en effet, sans pouvoir l’expliquer, ce qui me semblait relever d’une "anormalité". Je pense notamment à ces ahurissantes dénégations des intellectuels juifs au sujet du rôle de leurs coreligionnaires dans le régime bolchevique. La vérité est que de très nombreux doctrinaires, fonctionnaires et tortionnaires juifs ont joué un rôle absolument accablant dans cette tragédie qui reste, avec ses trente millions de morts, le crime le plus effroyable de l’histoire de l’humanité, le maoïsme excepté. Pourtant, il faut constater avec Soljénitsyne que la quasi-totalité des intellectuels juifs refusent d’endosser leurs responsabilités, de faire leur mea culpa et de présenter des excuses aux familles des victimes. On peut retrouver ces curieuses dispositions à nier les évidences, à inverser les rôles et finalement à retourner l’accusation dans quelques autres cas, anciens ou récents: le rôle de gros négociants sépharades (dont la famille Mendès France) dans la traite des Noirs, celui de certains juifs influents (Perle, Wolfovitz, Kristol, Ledeen, etc.) dans le déclenchement de la guerre contre l’Irak, par exemple. Que dire encore de cette "mafia russe", de ces "oligarques" dont on nous a tant rebattu les oreilles, et qui n’ont de russe que le nom?

R.: Pouvez-vous donner quelques exemples de cette "anormalité"?

H. R.: A côté de ces sujets délicats, systématiquement occultés, balayés sous le tapis, les media grossissent démesurément le moindre incident qui paraît relever de l’antisémitisme. Le 30 septembre, France Info menait grand tapage sur une nouvelle "affaire": le journal L’Est républicain aurait refusé de publier une annonce nécrologique qui comprenait les termes idéologiques: "victime de la barbarie nazie". Immédiatement, cette information ridicule fut relayée dans les grands media, provoquant une fois de plus "l’émoi dans la communauté". Ce sont des réactions qui ne me paraissent pas "normales". Il y a dans cette communauté une émotivité de nature pathologique, une fragilité émotionnelle, un besoin de dramatiser qui prend parfois l’aspect d’une paranoïa pure et simple. Comme l’a écrit justement Shmuel Trigano, la communauté juive semble se complaire dans un "lamento victimaire". A côté de cela, on note aussi une grande nervosité dès lors que "la communauté" est critiquée pour une chose ou une autre. On se souvient qu’en 2000, les propos anodins et parfaitement justifiés de l’écrivain Renaud Camus sur la "surreprésentation" des juifs à France-Culture avaient provoqué un tollé totalement disproportionné. Le diagnostic médical insiste sur cette "grande intolérance à la frustration".

R.: Et quel serait, selon vous, le rapport avec la "Psychanalyse"?

H. R.: Il se trouve que de nombreux intellectuels juifs ont exprimé leur angoisse identitaire: Jean Daniel, Albert Cohen, André Glucksmann, Serge Moati ou le romancier américain Philip Roth, par exemple. Le journaliste Alexandre Adler relève effectivement que la judéité peut être parfois une "névrose obsessionnelle". Naturellement, Freud avait réfléchi à la question en son temps, à partir de son cas personnel, mais en projetant ses découvertes sur le plan universel. En vérité, la "projection pathologique" est un concept freudien, pour ne pas dire typiquement judaïque. Cette tendance de fond à systématiquement inverser les rôles et à accuser les autres explique pourquoi les intellectuels juifs, dans leur ensemble, accusent les antisémites d’être des "malades mentaux". Voyez ce qu’a déclaré tout récemment Abraham Foxman, le président de la ligue antiraciste américaine, au sujet de Mel Gibson, le réalisateur de La Passion du Christ, qui s’était un peu laissé aller, sous l’emprise de l’alcool, à quelques propos jugés "antisémites", avant de s’excuser auprès de la communauté juive sous l’effet d’on ne sait quelle pression: "Qu’il soigne son alcoolisme est une bonne chose, déclara Foxman en substance, mais il faudrait aussi qu’il soigne son antisémitisme." L’antisémitisme est pour eux une "maladie". Les propos à ce sujet sont innombrables. Et l’on comprend mieux à leur lecture pourquoi les opposants étaient enfermés dans des asiles psychiatriques en URSS et dans les pays staliniens.

R.: Que vous a appris la lecture attentive de Sigmund Freud?

H. R.: Freud a projeté sa propre pathologie sur le plan universel. Ce n’est pas pour rien qu’il a commencé sa carrière en travaillant sur le phénomène hystérique. On trouve dans l’hystérie tous les symptômes qui se calquent parfaitement avec ceux que j’ai pu déceler dans le comportement et le discours des intellectuels cosmopolites. Les similitudes sont vraiment étonnantes: la dépression, l’introspection, l’angoisse, la paranoïa, l’hyperémotivité, l’amnésie sélective, la fabulation, la sensibilité à l’opinion des autres, l’égocentrisme, la tendance à se donner en spectacle, l’incapacité à s’observer, l’intolérance à la frustration, le délire mégalomaniaque, etc. Tout y est, et jusque dans les origines de la pathologie que Freud avait mises en évidence. Quand j’écrivais Les Espérances planétariennes, je constatais sans comprendre que la question de l’inceste revenait de manière lancinante et mystérieuse sous la plume de certains intellectuels juifs (Jacques Attali, Jurgen Habermas, Stéphane Zagdanski…), comme s’il y avait des choses à cacher. J’ai poursuivi évidemment mes recherches de ce côté, et ce que j’ai pu découvrir sur ce point est vraiment très éclairant…
Propos recueillis par
Victor GRAND.
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(1) (2) Les Espérances planétariennes, 2005, 432 pages, 26 e. Psychanalyse du judaïsme, 2006, 400 pages, 26 e. Commandes à: Éditions Baskerville, SDE Domiciliations, 14 rue Brossolette, 92300 Levallois. Chèque à l’ordre de Hervé François. Ajouter 2 e de frais de port.

Sem tempo

Dramaticamente carente de tempo para comentar a trepidante actualidade, desde os continuados massacres perpetrados por Israel (e de seguida hipocritamente lamentados pelos próprios responsáveis) contra o povo palestiniano, às eleições legislativas norte-americanas, passando pela condenação à morte de Saddam Hussein, deixo-vos uma entrevista muito interessante dedicada à "psicanálise do judaísmo". Lamento aos não letrados na língua de Molière mas não tenho possibilidade de a traduzir.
Boa leitura.

domingo, novembro 05, 2006

Nacionalismo, mitos e preconceitos

Encerro hoje uma colaboração de dez semanas n' A Taberna dos Inconformados, versando o texto final, como não poderia deixar de ser, sobre Nacionalismo.

17º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora

Só hoje, dia 5, pude finalmente visitar o 17º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, sito este ano no nóvel Fórum Luís de Camões, na Brandoa.
A exemplo de anos anteriores, o festival prima pela excelente utilização dos espaços e imaginativa exposição dos trabalhos.
O tema da edição deste ano é "17 Graus Periféricos e o Resto do Mundo", sendo o prato forte a banda desenhada de paragens menos divulgadas: América Latina, África Subsahariana, Maghreb e Europa de Leste.
Da América Latina destacam-se os desenhadores argentinos, de que sobressaem os clássicos José Luís Salinas (que veio a trabalhar nos EUA - é o autor de Cisko Kid) e Arturo del Castillo (que teve boa divulgação entre nósno "Mundo de Aventuras"). A BD mexicana e cubana exposta era, sem surpresa, claramente ideológica (escusado dizer em que sentido).
O mais notável na mostra deste ano, que também inclui trabalhos de autores portugueses contemporâneos, é a BD do Maghreb: Argélia, Marrocos e Tunísia. Graficamente atraente, traço muito aperfeiçoado, sentido dramático - os autores expostos impressionaram-me deveras.
Um trabalho argelino mostra o terror quotidiano ao tempo da guerra civil dos anos 90; um indivíduo que receia sair de casa por ver duas pessoas com ar suspeito à porta:
« - Serão polícias ou terroristas?
- Não sei, têm todos o mesmo aspecto.»
Ou esta reflexão: «cada dia que passa é um dia ganho sobre a morte».
Apesar de a localização parecer extravagante para muitos e vós, a exposição está num local de fácil acesso para quem vem de Benfica ou da Amadora e o Fórum tem um vasto parque de estacionamento. Até às 23 horas de hoje ainda vão a tempo.

sábado, novembro 04, 2006

Israel sempre igual a si mesmo

A n-ésima ofensiva sionista contra o povo palestiniano vai fazendo vítimas, dia a dia. Crianças apanhadas desprevenidas, mulheres tentando fugir da ofensiva - ninguém escapa à barbárie israelita. Mostrando a maior frieza e desprezo pela vida dos não-judeus, o democratíssimo estado de Israel vai continuando a contribuir para a miséria deste mundo, dos que mais a sentem na vida de todos os dias aos ocidentais, que não deixarão de levar por tabela com atentados perpetrados por fanáticos islamistas, cujo ódio é ciosamente alimentado por Israel. Para a sua maior glória.

(Funeral de um jovem de 14 anos.)

(Destruição, destruição, destruição.)

sexta-feira, novembro 03, 2006

Incentivo à adopção por homossexuais

Sempre na vanguarda, a Europa dá mais um exemplo de incentivo à "familia" moderna.

Halloween!

Para quem não tem medo de Halloween (uma moda importada e que já pegou entre a nossa juventude) aqui está uma visão realmente aterradora:


(Imagem pilhada a este excelente blogue.)

Progresso Primitivo

Está já disponível online o número 2 da revista Alameda Digital, cujo tema central é "Liberdade de Expressão".
"Liberdade de demolição" poderia ser o título do meu artigo de estreia: Progresso Primitivo.
Leiam, divulguem, comentem, incentivem. A bem da... liberdade de expressão.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Genocídio ucraniano

Depois dos arménios, os ucranianos. A exemplo do que votou o parlamento francês, também a Ucrânia se prepara para criminalizar - ou pelo menos multar - quem negue publicamente a ocorrência do genocídio perpetrado por Estaline aquando da colectivização forçada a que foi submetida aquela ex-república soviética.
Pelo menos quatro milhões de pessoas morreram de fome devido à apreensão forçada das colheitas por parte do poder soviético.
O nosso amigo Sarto em tempos recomendou esta obra, que retrata o drama vivido pelos ucranianos às mãos das arbitrariedades e selvajaria estalinista.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Do anonimato na blogosfera

Por vezes sinto-me como que desligado do dia-a-dia da política portuguesa. Não vejo noticiários, não assisto a debates parlamentares nem a debates televisivos, não perco tempo com as crónicas de certos experts, os mesmos de há duas décadas (pelo menos) a esta parte (numa manifestação clara de pluralismo e diversificação de opiniões...) - em suma: uma reacção instintiva de repúdio.
Como conciliar esta atitude (que vem já da minha adolescência acrata...) de desconfiança da classe política e dos temas que ela decide trazer para a sociedade com a óbvia necessidade de estar informado e não ser ultrapassado pelos acontecimentos? Recorrendo moderadamente aos jornais e, o mais possível, à blogosfera, esse espaço de liberdade que tantos dentes faz ranger aos políticos e a muitos profissionais da comunicação social.
Está agora na moda criticar-se o anonimato da grande maioria dos blogueiros, insinuando-se que o mesmo lhes permite tomar atitudes irresponsáveis e criticar descabeladamente certas individualidades sem receio de ter de prestar contas. Os senhores jornalistas e políticos que veiculam esta ideia deviam ter vergonha: pelo monopólio das ideias que detêm e que impõem, pelo terrorismo ideológico que alimentam e pela estigmatização daqueles que ainda vão tendo forças para criticar o estado em que se pôs o nosso País, são eles os responsáveis pelo recurso ao anonimato dos heterodoxos blogueiros da nossa praça. Foram eles que (n)os atiraram para as margens do debate político, de ideias e cultura, são eles que zelam pela inviolabilidade do seu dogma societário e ideológico, são eles que odeiam a liberdade de expressão e que, escudados na hipócrita defesa da mesma, funcionam como comissários políticos à cata dos "proscritos". A quem depois criticam o seu anonimato.

Contra o aborto

Chamo a vossa atenção para este excelente texto da Causa Identitária, em que se desmontam os argumentos dos pró-abortistas e se toma uma posição inequívoca em favor da Vida.
Excertos:
«Um feto é um ser humano e não um tumor que possa ser removido livremente. A Vida inocente é para nós um valor fundamental que não pode ser colocado em causa apenas por questões de conveniência ou caprichos pessoais.
«(...) hipocrisia da argumentação pseudo-humanista do discurso oficial, que, na realidade, se limita a tentar ocultar uma cultura de desresponsabilização, e uma ideologia hedonista, individualista, crassamente materialista e por isso mesmo anti-comunitária.
«A Causa Identitária, relembrando que a actual lei já contempla os casos extremos (violação, perigo de vida para a mãe, malformação grave), e considerando que o primeiro dever de qualquer Estado é assegurar a perenidade da Nação e da sua identidade, que a maternidade e a família formam a espinha dorsal de qualquer comunidade saudável e que a Vida inocente é um valor fundamental, só pode assumir um Não rotundo no referendo.»

domingo, outubro 29, 2006

Dos distúrbios dos "jovens" e seus instigadores

Hoje, na Taberna, falo dos incidentes com "jovens" e dos seus instigadores reais.

Assassinato racista?

David Lees, de 23 anos, morreu ontem num hospital de Manchester, no que aparenta ter sio um atropelamento deliberado e motivado racialmente. Não é estranho que esta notícia não esteja a ter grande repercussão na imprensa? Nem por isso, se pensarmos que David era branco.
O cúmulo da hipocrisia veio pela voz de um elemento da polícia: "estamos a tratar do assunto como um incidente racial mas o assassinato não teve motivações raciais". É o que se chama concluir o inquérito mal foi encetado.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Portugueses, fora de Portugal!

«Portugal está moda – não há africano, ucraniano ou sul-americano que não nos procure, e com eles, vem o necessário investimento em segurança, saúde, habitação, mais subsídios, mais etc. e etc.
É o que podemos chamar uma imigração de incentivos – que nos obriga a gastar, sem destino ou fim à vista! E como os portugueses não conseguem viver com os salários que pagam a estes imigrantes de luxo, lá teremos que continuar a emigrar para países mais desenvolvidos que o nosso!
É uma verdadeira transfusão populacional, último grito em modernidade e bem-estar, o milagre do pleno emprego, os imigrantes para cá e os portugueses para lá!»
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quinta-feira, outubro 26, 2006

A cultura, a memória e o camartelo

Graças ao HNO soube que a ministra da Kultura e ex-membro do PC"P" se prepara para desmantelar o Museu de Arte Popular, uma das poucas coisas que ainda nos sobra(va) da Exposição do Mundo Português (a adaptação a museu ocorreu em 1948).
Se lermos a descrição do espaço que nos traz o site do Instituto Português de Museus percebemos em parte qual a preocupação da ministra: «O espaço organiza-se de acordo com uma divisão do país em províncias administrativas, e a própria apresentação das colecções está nitidamente marcada pelas concepções e pela estética do Estado Novo.»
Destrua-se, pois. Para quando o ataque ao Portugal dos Pequenitos?
***
(Está em linha uma petição contra o projecto "cultural".)

quarta-feira, outubro 25, 2006

Homossexuais no futebol italiano

O sr. Franco Grillini, deputado pela Democrazia della Sinistra (sucessor social-democrata do PCI) e presidente di Arcigay, preocupa-se com a situação dos jogadores homossexuais no futebol italiano. Em número de vinte na Serie A (I Divisão) - avaliação obtida pelo "radar gay" (!?!) -, seriam vítimas da homofobia do meio futebolístico, em particular dos adeptos, o que os impede de assumir a sua particularidade e obrigando-os a uma "vida de inferno".
Acho o sr. deputado muito cândido. Então se o problema são os impropérios dos adeptos porque é que não avança desde já com um projecto de lei contra a homofobia nos estádios, em linha com o que a FIFA já determinou em relação aos comportamentos alegadamente racistas, que podem acarretar perda de pontos e jogos à porta fechada aos clubes com adeptos prevaricadores?
Ainda há pessoas que não perceberam o potencial revolucionário-totalitário das nossas sociedades democráticas!

"Pela vida", em conjunto ou individualmente?

Há dias escrevi, a propósito dos blogues colectivos, que um dos riscos a eles associados era o de «concentrar os ataques dos anti-nacionais de serviço; a existência de um "blogue dos fachos", dos "reaças", dos "racistas" ou dos "nazis" (conforme a "inspiração" dos reducionistas de serviço) excita a veia insultuosa dos seus inimigos, concentrando comentários grosseiros e obrigando ao accionamento da moderação de comentários, que inibe o dinamismo dos debates».
A curta experiência do Pela Vida, aliás um meritório projecto, tem-no confirmado: os histéricos de serviço já o tomaram de assalto e estão sempre de teclado em riste preparados para o ruído e a destruição de qualquer possibilidade de troca de ideias.
Põe-se efectivamente a questão de saber se será um blogue colectivo a melhor forma de a blogosfera promover a defesa da vida ou se os contributos individuais de cada um no seu blogue não o fará melhor. Não tenho resposta definitiva mas aponto para a segunda hipótese. Sinceramente duvido que a afluência de leitores ao Pela Vida seja maior que ao blogue individual mais visitado de entre os colaboradores do projecto.
Um mérito deve no entanto realçar-se ao Pela Vida: o de concentrar argumentos contra o aborto, numa lógica não necessariamente concordante pois agrega opiniões baseadas em diferentes premissas. Mas todas convergentes na defesa do bem mais precioso: a vida.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Morrer devagar

Não há dúvida que o estatuto de independente (formalmente) dá uma outra visibilidade a um território. Uma das formas como isso se manifesta é aquando de uma agressão externa. Viu-se a comoção mundial que gerou o bombardeamento israelita no Líbano, que visou sobretudo arruinar as infraestruturas do martirizado país.
Já a continuada guerra na Faixa de Gaza pouco eco encontra fora do mundo árabe. Ali se vão semeando as raízes de um ódio que vai passando de geração em geração e que, deliberadamente, impedirão a construção de uma alternativa de paz.
Lamentavelmente, hoje em dia parece que o estatuto de democrático dá aos países agressores o beneplácito do combate pela segurança. Entretanto, gerações de palestinos vão vivendo como exilados (dentro ou fora da Palestina), ruminando ódios sem fim face ao invasor.
Reféns das contradições e conflitos internos, sabiamente aproveitados pelo cínico agressor, os palestinos vêem o futuro mais negro do que nunca.

Obrigado

***

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domingo, outubro 22, 2006

O Mundo da Infância

Os meus caros amigos são hoje convidados a mergulhar no fascinante mundo da infância, no local habitual dos domingos.

Legião Vertical

Está finalmente em linha o blogue da Legião Vertical, associação tradicionalista inspirada nos princípios de Julius Evola e animada, entre outros, pelos nossos amigos Legionário e Thoth.
Diria que subscrevo grande parte do que propõem (a supranacionalidade é uma excepção) e saliento que este projecto é bastante original, pois decorre à margem dos partidos e «pretende formar seres humanos no Caminho da Tradição (...) [e] unir (e não misturar) povos sob um Ideal de Honra e Justiça.»
Merece bem a vossa visita, os vossos comentários e o vosso apoio.

sábado, outubro 21, 2006

Experimentação social

O tão trompeteado projecto de "repovoar" o concelho de Vila de Rei através da importação de brasileiros foi suspenso. Expectativas exageradas para os imigrantes estiveram na origem do colapso do projecto. Pelos vistos a autarca visionária não fez um planeamento consequente e avançou atrabiliariamente, enganando virtualmente os brasileiros e desbaratando fundos públicos.
Este caso é bem exemplificativo do logro que constitui o encarar-se a imigração como panaceia para os problemas nacionais (e europeus), sejam eles a queda da natalidade, a falta de mão de obra menos qualificada, a queda do consumo - e a desertificação do interior. Em vez de se apostar em soluções nacionais (que passam pela promoção da natalidade, pelo apoio a cursos técnicos, por incentivos fiscais e económicos à implantação de empresas em zonas economicamente deprimidas e despovoadas, pela prioridade à construção de infraestruturas na província, pela repressão das empresas que contratem trabalhadores ilegais, etc.) opta-se pelo recurso à movimentação de populações, elas próprias tornadas vítimas das experimentações sociais e utopias mundialistas, autêntica carne para canhão das ideologias nefastas das esquerdas e dos insaciáveis buscadores de mão de obra barata.

Virilidade elogiada

"Que homem! Violou 10 mulheres! Nunca esperei isso dele, todos fomos surpreendidos. Invejamo-lo."
Não, caro leitor, estas palavras não foram proferidas por um fora da lei, pelo menos em sentido formal. Saíram da boca do presidente russo, durante a recepção ao seu homólogo israelita.
*
(Ler aqui.)

quinta-feira, outubro 19, 2006

Sacrifícios

quarta-feira, outubro 18, 2006

Sobre o genocídio arménio e a liberdade de expressão

A notícia de que o parlamento francês se prepara para criminalizar a negação do genocídio arménio tem sido bastante debatida.
Sabe-se que a Turquia ainda hoje nega oficialmente que tenha ocorrido a matança de arménios em 1915. Provavelmente mais de um milhão de arménios, incluindo mulheres, crianças e velhos, terão perecido durante a deportação a que a população de origem arménia do Império Otomano foi forçada. A documentação é abundante, as fontes históricas abundam.
Há poucos anos, após décadas de pressão por parte da diáspora residente em França, o parlamento francês reconheceu a existência do genocídio. Hoje quer considerar um crime negá-lo, tal como já o fez relativamente ao holocausto.
A minha posição sobre o assunto é simples: não cabe aos legisladores imiscuir-se na História. Esta é o resultado dos trabalhos de investigadores, uns mais escrupulosos que outros. Quando se chega ao ponto de definir em lei o que é permitido dizer-se sobre um determinado acontecimento a própria noção de liberdade de expressão torna-se anedótica.
A nossa era pós-moderna, politicamente correcta, é de uma hipocrisia extrema. Propagandeiam-se "grandes valores ", de resto os únicos aceitáveis e reprime-se ferozmente visões alternativas da história, da sociedade, da forma de organização política. Nem sempre isso é feito às claras, funcionando a conspiração do silêncio muitas vezes na perfeição: o controlo dos media permite não divulgar as heterodoxias, que ficam à margem, literalmente marginalizadas e estigmatizadas.
A legislação repressiva vai avançando menos lentamente do que à primeira vista parece: criminalização dos negacionismos citados, repressão do "racismo" (noção vaga que virtualmente permite condenar qualquer tomada de posição sobre o interesse nacional e a defesa dos valores pátrios), repressão até da "homofobia" (o que já sucede em - adivinharam - França, onde, como dizia com humor um jornalista, já não se pode chamar ao maire de Paris "Notre Dame de Paris"...). Nunca Estaline terá pensado que pudesse ser tão fácil reprimir em democracia.
Há outro ponto importante nesta questão do genocídio arménio: até aqui os judeus tinham um "estatuto" especial no normativo legal francês: "eles" tinham sido as vítimas do holocausto, "eles" são os protegidos do regime, "neles" ninguém toca. Com a criminalização do negacionismo do genocídio arménio desaparece esse carácter de excepção. Será isso, aos olhos da comunidade judaica, uma banalização do sofrimento do povo judeu? Estou em crer que não: na verdade, esta situação como que solidifica mais a figura mítica do holocausto. A repressão da sua negação não sendo já um caso isolado ajuda a calar os que criticavam aquela excepção, que lhes parece(ia) suspeita.
A única coisa boa em toda esta polémica é que largos milhares de pessoas que nunca tinham ouvido falar dos trágicos acontecimentos de 1915 passaram a ter conhecimento dos mesmos. É o mínimo que o povo arménio merece. Antes tivesse sido de outra forma.
***
Sugestões de leitura:
- o site Armenian Genocide constitui uma boa introdução à questão;
- o livro "1915, le Génocide des Arméniens", de Gérard Chaliand e Yves Ternon (Editions Complexe), já na quarta edição (2002), é bastante recomendável (e fácil de adquirir); em pouco mais de 200 páginas se descreve a tragédia com sobriedade e rigor. Inclui 8 páginas de fotografias. (Numa delas se vê um oficial turco com um pedaço de comida na mão, agitando-o sobre a cabeça de arménios esfomeados e de braços estendidos, como quem goza com um cão; há violências que impressionam mesmo quando não envolvem sangue.)

segunda-feira, outubro 16, 2006

Admirável Mundo Novo

Sob os auspícios de Huxley, Orwell e Zamiatine surge-nos o novo avatar blogosférico de Flávio Gonçalves: Admirável Mundo Novo. Ele não o diz mas um dos seus motes continua a ser «Contra os poderes ocultos, blogar, blogar». Passem por lá.

domingo, outubro 15, 2006

Shostakovitch e a liberdade criativa

Neste domingo convido os meus leitores a acompanharem-me numa reflexão sobre "Shostakovitch e a liberdade criativa": aqui.

sábado, outubro 14, 2006

Os criminosos

Alguém terá dúvidas sobre o envolvimento de Vladimir Putin e da sua clique de ex-KGBs na morte da corajosa jornalista Anna Politkovskaia? Quem ousou denunciar os crimes russos na Chechénia com inusitado vigor sabia que se prestava a um jogo perigoso, que teve o seu culminar sangrento no passado dia 7.
Parece não haver igualmente muitas dúvidas sobre o facto de os atentados nos subúrbios de Moscovo, rapidamente atribuídos a terroristas chechenos por um obscuro primeiro-ministro no final do consulado de Ieltsin, terão na verdade sido obra do FSB, sucessor do KGB, onde Putin trabalhou tantos anos. Este, com a sua "denúncia", granjeou popularidade tal que veio a ser eleito presidente por um povo assustado pelo espectro do terrorismo. O paralelo com as tácticas concebidas por Karl Rove e pelos neo-cons é irresistível e explica a amizade entre os presidentes da Rússia e dos EUA e a triste popularidade de que gozam por quem neles ingénua ou hipocritamente vê baluartes na luta contra o fundamentalismo islâmico.
Tal como o mostrou a URSS no Afeganistão, tal como o mostrou Putin na Chechénia, tal como o mostrou Bush no Iraque, o terrorismo islâmico não surge de geração espontânea e tem servido de sustentáculo no poder a quem o diz combater com unhas e dentes, quando na verdade precisa dele como de pão para a boca.
(Ler igualmente: Os verdadeiros terroristas rejubilam, texto por mim escrito há ano e meio.)

Nacionais e multinacionais

Indispensável a leitura deste texto do Rodrigo, em que se desmonta com uma clareza de mestre a hipocrisia dos mundialistas e vende-pátrias, no caso na Bélgica.

O milagre da Vida

Não deixem de visitar esta comovente galeria de fotografias retratando a formação do feto.

(Via Letras com Garfos.)

quinta-feira, outubro 12, 2006

Blogues colectivos, sim ou não?

Embora o postal anterior tenha material de leitura em grande quantidade não é por isso que não tenho actualizado o blogue mas sim por manifesta falta de tempo, problema que parece afectar muitos blogueiros da área nacional. De aí a propor-se à consideração a criação de um blogue colectivo vai um pequeno passo.
A ideia não é nova. E até já existe um blogue com essas características, o Jantar das Quartas. Terá vingado? Será um caso de sucesso? Independentemente da qualidade e da pertinência das análises que por lá se vai fazendo (e são ambas, felizmente, acima da média), o facto de o projecto ser animado basicamente por dois dos nove (!) tertuliantes diz alguma coisa.
Tenho-me pronunciado sempre desfavoravelmente sobre a existência de um blogue nacional. Por várias ordens de razões:
- é muito difícil assegurar a coordenação entre os participantes no sentido de evitar repetição de temas e, ao mesmo tempo, assegurar um nivelamento do número de postais diários; aquela toma bastante tempo, problema cuja ultrapassagem está na génese da ideia;
- um blogue colectivo permite concentrar os ataques dos anti-nacionais de serviço; a existência de um "blogue dos fachos", dos "reaças", dos "racistas" ou dos "nazis" (conforme a "inspiração" dos reducionistas de serviço) excita a veia insultuosa dos seus inimigos, concentrando comentários grosseiros e obrigando ao accionamento da moderação de comentários, que inibe o dinamismo dos debates;
- todos sabem que, segundo a velha máxima, juntando dois nacionalistas tem-se logo uma cisão... Como conciliar visões diferentes sem se cair nas polémicas internas, com postais e contra-postais entre colaboradores do projecto, num circuito cada vez mais fechado, quando o propósito deve ser difundir a ideia nacional a um número cada vez maior de pessoas, muitas das quais poderão estar propensas a aceitá-la mas que, por desconhecimento ou preconceito induzido pela propaganda, dela se costumam afastar?
- para fugir a esta última situação pode haver igualmente a tentação de criar blogues colectivos ma non troppo, em que todos os participantes comungam da mesma visão de nacionalismo, criando-se capelinhas de ortodoxia.
Posso parecer pessimista ao alinhavar estas reflexões e se calhar não há nada melhor do que fazer uma experiência e ver o resultado. Oxalá esteja enganado.

domingo, outubro 08, 2006

Dois anos convosco

Faz hoje dia 8 precisamente dois anos que nasceu o meu primeiro blogue, o Santos da Casa. Como disse o meu estimado amigo BOS, «farto (digo eu) de andar por aí a comentar pour rien, passou para o lado de cá da blogosfera. Há-de ver como elas doem». E vi mesmo.
Das centenas de horas dedicadas a pensar em postais e a editá-los, das crises existenciais, das transformações (e os meus blogues, em dois anos, já conheceram quatro figurinos: este, este, este e agora este) e, o mais importante, do apoio recebido por leitores e amigos, do seu incentivo, se foi fazendo esta caminhada.
O meu primeiro objectivo, esse, não sofreu alterações: promover o amor a Portugal, preservar a nossa memória histórica, promover a nossa cultura, alertar para os corruptores da Pátria. Sabendo que é uma tarefa difícil, ingrata e incompreendida por muitos. Mas continuando sempre, por amor ao torrão natal.
Existindo para os leitores e graças a eles, os meus blogues têm já um arquivo que soma, sem este, precisamente 1000 postais! É desse arquivo que seleccionei textos que seguidamente dedico a todos aqueles que contribuíram para que aqui chegasse. São textos sobretudo dos primeiros nove meses de actividade, aqueles em que dispunha de mais tempo livre; a selecção exclui excertos deste Horizonte, ainda um jovem de 7 meses. Quem quiser e puder tirará, creio, proveito da leitura de todos. Pode, em alternativa, cingir-se àquele que lhe é dedicado e, se aceitar a sugestão, ao último, que a todos é dedicado. A sequência de postais é cronológica, do mais antigo para o mais recente.
Bem hajam e boa leitura.

- Para o Clark: Fragas, solidão, luta pelos conques, morte
- Para o Corcunda: Poema dedicado ao Corcunda
- Para o Dragão: Lucette Destouches, a mulher de Céline (1, 2 e 3)
- Para o Paulo Porto: Nobreza Humana e A lírica de Garrett
- Para o Velho da Montanha e o Euro-Ultramarino: Viabilidade da Pátria
- Para o Restaurador: Juventude
- Para o JSM: Profissão de Fé
- Para o Duarte: Uma equipa de (do) futuro?
- Para o Manuel Azinhal: Onde se fala de conjurados, do traidor Morais Sarmento, da perfídia castelhana...
- Para o Jorge Ferreira: Uma Campanha Alegre
- Para o Vanguardista: Que se ponham a andar daqui para fora!
- Para o Legionário: António José de Brito em entrevista
- Para o Camisanegra: Soares e Salazar
- Para o F. Múrias: Entrevista de Manuel Maria Múrias
- Para o Luís Bonifácio: A ameaça permanente
- Para o ACJA: Getúlio Vargas e o "Estado Novo"
- Para o Nonas: Requiem e Mais uma vergonha europeia
- Para o Thoth: Da comicidade dos políticos à política dos cómicos
- Para o BOS: Jantar de homenagem a Rodrigo Emílio e Camilo (este sobretudo pelo comentário do próprio BOS)
- Para o AA: Morte de um patife
- Para o A.: Quem escreveu isto?
- Para o Pedro Guedes: Drieu e Testamento Político de José António Primo de Rivera
- Para o JLL: Os combates da Direita
- Para o Vítor Ramalho: O Pagode
- Para o Rafael: António Sardinha
- Para o HNO: Israel exige, a Alemanha...
- Para o Rodrigo: Adam Smith (1 e 2)
- Para o Nelson: Quem era o Deep Throat?
- Para o Engenheiro: Destruição da vida
- Para o Eurico de Barros: Povo português e cultura
- Para o Mário Martins: Mundo de Aventuras
- Para o JSarto: Na morte de João Paulo II
- Para o NC: Proudhon, a liberdade e o liberalismo
- Para o Simão Agostinho: Monarquia e Tradição
- Para o HVA: Chorado pelo Vento
- Para o Menestrel: O 28 de Maio, 79 anos depois
- Para a malta dos blogues Canto Azul ao Sul, Belenenses e CF Belenenses: Belém
- Para o Orlando: A subversão
- E, finalmente, para TODOS: Reflexão sobre a blogosfera portuguesa

Sobre a Monarquia, ontem e hoje

Hoje, na Taberna dos Inconformados, falo de "Monarquia passiva ou monarquia... autêntica".

sexta-feira, outubro 06, 2006

Os comentários na blogosfera

Não vou aqui abordar o jaez dos comentários que encontramos na blogosfera nacional. Como em tudo na vida, há-os maus, soezes, grosseiros, insultuosos; como os há de qualidade, informados, complementando por vezes o postal; um bom exemplo disso é o que nos mostra o comentador Carlos Portugal em comentário a um telegráfico texto por mim inserido ontem.
O que quero hoje abordar é o sistema de comentários por que os blogueiros optam.
Confesso que embirro com os blogues sem caixa de comentários; ou o autor não está preocupado com o que os seus leitores pensam do que ele escreve, ou tenta evitar ser insultado ou apenas não ler opiniões com que discorda. Em qualquer dos casos o blogue fica mais pobre. São raros os blogues sem comentários que leio; até passei a visitar pouco o Dragoscópio quando o seu autor levou a eremitocracia ao ponto de fechar os comentários lá na gruta.
No grau seguinte da embirração está a famigerada "word verification". Já é raro o blogue que a não tem, supostamente para evitar "spam". Eu, que nunca a activei, nunca tive problemas de modo que acho que os meus amigos deviam reconsiderar. Muitas vezes não há paciência para digitar "sdfhsli" após se escrever um comentário.
Agora muito na moda está a "comment moderation". O desgraçado do comentador dá o seu palpite, que fica oculto até o autor o ler e aprovar (se for o caso). Perde-se aquela dinâmica de ping-pong de comentários que tanto anima debates entusiasmantes e passa-se para uma situação de quase "correio dos leitores" de qualquer jornal diário, com pouca interacção. Passado um dia já poucos são os debates que se aguentam, a malta já "está noutra".
Pensem nisto que vos disse. Creio que se deve evitar que os blogues, cuja actualização ao minuto é característica que lhes deve ser inerente, se transformem em diários (com a acepção temporal da palavra), repositórios de textos cada vez menos debatidos e, provavelmente, cada vez menos lidos.
Fujamos ao cinzentismo dos jornais!

quinta-feira, outubro 05, 2006

Alameda Digital

Com um mais que merecido "destaque" na coluna da esquerda, a Alameda Digital lança o seu nº1, que vem confirmar a qualidade do número de lançamento. O tema central desta edição é "Portugal e os Portugueses no Mundo". Num país dominado quase totalmente pela informação conformista e indigente, esta alameda abre horizontes alternativos à modorra reinante. Passem por lá, leiam, reflictam - e divulguem.

O 5 de Outubro de grata memória



5 de Outubro de 1143: assinatura do Tratado de Zamora, em que D. Afonso Henriques estabelece a paz com o seu primo Afonso VII. Primeiro passo para a independência nacional.

O 5 de Outubro funesto

Há um ano publiquei dois postais que creio merecem a pena ser relidos:
- A República, filha do terrorismo;
- Ao Serviço d'El-Rei.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Rodrigo de Mello, Filho

No domingo passado, de visita à Feira de Antiguidades de Belém (que se realiza no primeiro domingo de cada mês), tive a felicidade de adquirir "As Lágrimas Ancoradas à Sombra do Amor", de Rodrigo Emílio, que ainda assinava Rodrigo de Mello, Filho. Este "ciclo lírico" recebeu o Prémio de Poesia de 1963 do Concurso de manuscritos do SNI.
O que é mais notável na edição que adquiri, em muito bom estado, é conter uma dedicatória do autor à recentemente falecida Natércia Freire. Reza assim a mesma:
«A Natércia Freire, um dos maiores nomes vivos da Poesia Portuguesa, ofereço este pequeno testemunho de uma grande amizade admiradora.
Sublinhando que se trata de um [ilegível] de versos escritos entre os 12 e os 17 anos, requere indulgência, o
Rodrigo de Mello, Filho.»
Sem indulgência e com saudade admiradora, aqui deixamos "Doem-me os lábios":
Doem-me os lábios
De não te poder dizer
Como os meus olhos me doem
De não te ver

Tão doridos (de te pedir)
Como os meus ouvidos
O estão
De não
Te ouvir...

Sem medo... da verdade

Vai custando assistir à decrepitude da III República, por entre escândalos, corrupção, desvio de fundos, pouca ou nenhuma preocupação pelo destino da Nação - e falsificação histórica. Repugnante a forma como se fabricam heróis a preceito. Humberto Delgado é um exemplo. Aqui o vemos, em musculada exibição de fé fascista, numa fotografia com que o Engenheiro deu o pontapé de saída do seu blogue, há coisa de ano e meio. Também publicou um excerto de um artigo de Jesus Suevos, onde este relatava as impressões que lhe tinha causado o seu encontro com o então capitão Humberto Delgado: «Expressava-se com grande veemência e pareceu-me pouco prudente, pois sem encomendar-se a Deus nem ao diabo começou a dizer-me que achava o regime português “pouco fascista”. Confessou-me que admirava Mussolini e que lhe parecia necessário “endurecer” a Legião portuguesa e, sobretudo, a Mocidade. O agora chefe da oposição “democrática” ao Estado Novo edificado por Salazar cria que ainda havia demasiadas reminiscências liberais nas junturas das instituições e fórmulas do novo regime, e advogava “maior força e severidade”.»

domingo, outubro 01, 2006

Abismo

A minha contribuição de hoje para A Taberna dos Inconformados vem sob o signo do abismo.

sábado, setembro 30, 2006

De visita ao Padrão dos Descobrimentos

Estive hoje com os meus pequenotes no Padrão dos Descobrimentos, em Belém. É uma visita sempre apetecível, mormente pela estupenda vista que se alcança do seu alto. É também uma boa oportunidade para os ir imbuíndo do espírito e orgulho nacionais pelos feitos de antanho.
Na cave, palco habitual de exposições temporárias, pode-se ver uma evocação fotográfica da Exposição do Mundo Português de 1940. Nela se pode constatar a profunda transformação de que toda a freguesia de Santa Maria de Belém beneficiou. Apesar do carácter temporário da maioria das edificações erigidas para o evento, a renovação da área foi manifesta. Custa a crer o estado em que se encontrava a zona envolvente aos Jerónimos!
O próprio Padrão foi pensado para ter um carácter provisório, construído que foi com materiais algo precários. Só em 1960 tomou a forma que mantém hoje, tendo sido reforçado com betão e pedra de lioz.
O arquitecto foi, como todos sabem, Cottinelli Telmo, em colaboração com Leopoldo de Almeida. Aquele, curiosamente foi o realizador do primeiro filme sonoro português: "A Canção de Lisboa".
Voltando à exposição que agora se pode visitar na cave do Padrão, de referir que é bastante interessante e a maior parte das legendas tenta ser mais objectiva que propagandística. Destoa apenas uma pequena cronologia dos anos 1940 a 1960, com obsessiva referência aos mais pequenos factos ligados à oposição ao regime.

Museus para Salazar

O Portugal dos Pequeninos afirma que Salazar «Não merece um museu. Merece dez.». Vão até lá saber porquê.

(Via Tomar Partido.)

Tabús

Um juiz de Estugarda condenou ao pagamento de uma multa um vendedor de t-shirts anti-nazis. Espera aí! Anti-nazis, terei lido bem? É verdade: as ditas camisolas representam a proibida suástica - com um risco vermelho por cima. É um artigo muito procurado pelos esquerdistas de além-Reno que agora vão ter que puxar pela imaginação para poder largas aos seus sentimentos.
O mais curioso da história é a declaração do juiz, Wolfgang Kuellmer, segundo o qual «este negócio massificado põe em causa o estatuto de tabú associado à suástica».
E ficou tudo dito. Sessenta e um anos após a queda do III Reich a Alemanha continua a alimentar tabús e a mostrar-se incapaz de um verdadeiro e aberto debate sobre aquele período de treze anos da sua história. A "mão invisível" continua a amordaçar os germânicos e estes dão muito má imagem de si, ao condescenderem perante a chantagem.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Os "outros" voluntários

A ler, este artigo sobre os voluntários britânicos que combateram por Franco na Guerra Civil Espanhola. Contém algumas imprecisões e omissões (não se fala nos nossos Viriatos, por exemplo) mas é um raro momento de informação oficial sobre o "outro lado".


(Eoin O'Duffy, líder dos Camisas Azuis irlandeses e voluntário na Guerra Civil Espanhola.)

Mais um terrorista morto

Prosseguindo a sua acção humanitária na Faixa de Gaza, a força aérea israelita conseguiu, num raide aéreo, eliminar a terrorista Azza Hammad, de 14 anos (na foto, chorada pelos familiares).

quarta-feira, setembro 27, 2006

Verdadeira e falsa liberdade

«Os costumes locais, que obstinadamente se mantêm, são ainda a melhor prova da perdida liberdade municipal. Na antiga monarquia cada município era regido por sua lei própria. A diversidade dessas leis correspondia à diversidade das liberdades, dos foros, das isenções. Quando Mouzinho da Silveira despedaçou os quadros tradicionais da nação, não foram arrasados apenas os privilégios da nobreza, mas também ficaram aniquilados os dos pequenos lares, os das oficinas humildes, os dos municípios orgulhosos das figuras heráldicas do seu brasão. Destruídos eles, destruídas ficaram as suas liberdades e foram impiedosamente entregues a um Estado sem coração e sem alma, que os iria esmagar sob o duro jugo igualitário e em nome da Liberdade escravizá-los. A uma pretensa liberdade, que não passa de pura abstracção, palavra vazia e estonteadora, sacrificaram-se as liberdades reais e úteis. O desejo de perfeita harmonia jurídica levou à uniformidade, que é (...) um dos perigos mais graves que podem ameaçar a vida social, porque implica fatalmente a própria desagregação da sociedade.»
(Luís de Almeida Braga, "Posição de António Sardinha", 1943, Edições Gama.)

Sobre o desânimo blogosférico

Reina algum desânimo na blogosfera nacional. Autores de relevo confessam-se cansados, outros pensam encerrar o blogue, outros ainda são cada vez mais parcimoniosos na sua produção.
Eu não escapo à regra, ou melhor não escapei, acabando com o Santos da Casa em Março passado. Encorajado por dezenas de leitores e amigos acabei por me manter "no activo", mas criando este "Horizonte", cuja fórmula acaba por se adequar às limitações impostas pela vida de todos os dias: menor acompanhamento da actualidade, mais reflexão e, claro, edição de postais menos frequente.
O que é importante é que cada um encontre um equilíbrio entre a sua vontade de comunicar e o tempo de que dispõe. Uma coisa é certa: na barricada dos que tentam lutar contra o sistema vigente, que desagrega as nações e favorece um poder apátrida sorrateiro, cada desistência é um ponto a favor dos a-nacionais. Por muito que achemos que o nosso contributo é mínimo, a possibilidade de expor ideias censuradas (mesmo que pelo silêncio de quem publica e quem edita), a exaltação dos valores nacionais, a batalha cultural contra a dissolução da independência e dos valores civilizacionais, justificam claramente o contributo de cada um.
Peguemos no exemplo d' A Torre de Ramires. O autor, o nosso amigo Mendo, sempre se destacou pelos comentários encorajadores aos blogues nacionais. A sua cultura e impecável sentido pátrio conduziram muitos a encorajá-lo a criar o seu próprio blogue. Este, quando viu a luz do dia, foi saudado e tem mantido um e-leitorado constante e fiel. A "Torre" é um projecto sui generis: o Mendo, em vez de comentar notícias catrapiscadas em jornais online, prefere conduzir a batalha para o campo cultural e, não menos importante, para a relevação dos grandes pensadores e grandes patriotas que forjaram ou ajudaram a forjar um pensamento nacional e ocidental, que por isso mesmo contribuíram para criar em nós próprios esse sentimento e a vontade subjacente de lutar por algo que parece perdido nas brumas da traição e do abandono. De pé entre as ruínas? Que o estejamos todos e que ninguém falte à chamada.
A bem da Nação.

domingo, setembro 24, 2006

Céline e a divulgação cultural

Continuando a falar de Céline, permitam-me reconduzir-vos a um local que o grande escritor na realidade abominava: a taberna...

sábado, setembro 23, 2006

Céline em português













No dia em que o Dragão publica em português a última entrevista concedida pelo genial escritor Louis-Ferdinand Céline, parece-me oportuno divulgar quais as suas obras existentes em português. É um acervo assaz incompleto face à produção de Céline mas para quem não domina o francês é melhor que nada.
Destaco as excelentes traduções de Aníbal Fernandes da "Viagem ao Fim da Noite" e de Luiza Neto Jorge de "Morte a Crédito" (a poetisa faleceu em 1989, três anos após concluir este notável trabalho).

"Os Belenenses" de parabéns

Faz hoje 87 anos que um grupo de rapazes (os "rapazes da praia") decidiu fundar uma nova agremiação: o Clube de Futebol "Os Belenenses". 37 anos depois, ou seja, há precisamente 50 anos, era inaugurado o Estádio do Restelo. Como se disse nesse dia: «É, sem dúvida, um dos recintos desportivos mais bonitos do Mundo, com a particularidade de juntar uma arquitectura clássica a uma deslumbrante vista sobre o rio Tejo, uma Taça de Pedra onde espumará a formidável alma popular».
O palmarés do "Belém", com destaque para o futebol (um campeonato nacional, três campeonatos de Portugal, três taças de Portugal e ainda um campeonato nacional da antiga II Divisão), fala por si. O ecletismo, por vezes criticado, permite a centenas de jovens praticar desporto em condíções ímpares no nosso país.
Com muito suor e muitas lágrimas se foi construindo a história do "4º grande" de Portugal. Diz-se que ser belenense é estar condenado a sofrer (e não foi fácil suplantar o trauma da morte de Pepe - o maior jogador português do seu tempo -, a perda do campeonato nacional de 1953/54 a dois minutos do fim do último jogo ou a retirada forçada do Estádio das Salésias - primeiro recinto relvado de Portugal e primeiro estádio com bancadas cobertas no nosso país). Mas o sentir da Cruz de Cristo e as alegrias que ainda vão surgindo ocasionalmente (como recentemente no andebol, com a conquista da Taça da Liga) mantêm a chama acesa. Ser minoria nunca foi fácil, respeitar valores ancestrais também não. Muita da mística belenense aí reside.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Toca a pagar os estragos israelitas

Balanço dos estragos materiais da operação israelita no Líbano, denominada "Punição Adequada" (o nome diz tudo sobre a moralidade do mandante): 130.00o edifícios reduzidos a escombros, 77 pontes destruídas, além de terminais e centrais diversos. As poucas semanas que durou a "punição" causaram mais estragos que a interminável guerra civil que vigorou no País dos Cedros desde meados dos anos 70 até 1989.
O custo estimado da agressão, segundo a ONU, é 11 biliões de euros. Isto sem falar no custo de desactivação das bombas de fragmentação e das minas disseminadas pelos campos e que já custaram a vida a 14 agricultores.
A ajuda da UE à data é de 100 milhões de euros, a Arábia Saudita avançou com 500 milhões e o Koweit com 300 milhões. O secretário geral adjunto da ONU, Mark Malloch Brown, alerta para a inutilidade desta ajuda sem o fim do bloqueio marítimo e aéreo imposto por Israel. Como exemplo das consequências deste, não foi até agora possível fazer chegar ao martirizado país os materiais necessários para encetar o processo de reconstrução.

Condenação da capacidade nuclear de Israel

Demorou mas desta vez é para valer: a Liga Árabe vai propor à ONU que emita uma resolução condenando as actividades nucleares de Israel, conhecidas de todos mas denunciadas por quase ninguém. Numa altura em que a impropriamente chamada comunidade internacional condena as actividades nucleares de Teerão (e não tendo ainda sido provado que o estado teocrático pretenda fazer uso militar dessas actividades - embora isso seja provável), é de toda a coerência denunciar um estado que possui 200 bombas nucleares.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Os documentários de António Lopes Ribeiro

A edição em DVD da comédia de António Lopes Ribeiro "A Vizinha do Lado" (baseada em uma comédia de André Brun) reserva uma agradável surpresa: a inclusão como extra do documentário "Lisboa de Hoje e de Amanhã" (1948), também de António Lopes Ribeiro.
Trata-se de um excelente filme que retrata a profunda transformação urbanística de Lisboa ocorrida nos anos anteriores e também em curso à época: avenidas novas, limpeza e arborização de Monsanto (meio milhão de árvores plantadas!) bairros sociais (Encarnação, Caselas, Campolide), etc.
Toda essa requalificação (como hoje se diz) urbanística obedecia a um plano metódico e faseado, de que se destaca:
- a concepção de cinco (!) circulares rodoviárias, uma delas subterrânea, que envolveria em parábola a baixa;
- a construção regra geral em baixa altura (os prédios de seis andares das avenidas novas são já considerados altos!);
- os bairros sociais, que constituíam um aglomerado de vivendas, cada uma com um quintal, permitindo a cada família ter o seu espaço próprio integrado num todo harmonioso (não podemos deixar de nos lembrar da aversão que Salazar tinha aos prédios de apartamentos, a que chamava "colmeias"). Transplantava-se, assim, um pouco do espírito de vida aldeã para a grande cidade;
- aumento do número de parques infantis e de equipamentos desportivos;
- demolição de casas degradadas em zonas insalubres e renovação de arruamentos (paradigmática a demolição do Arco do Conde de Alegrete, perto do Martim Moniz);
- arruamentos largos, alguns dos quais sem qualquer construção adjacente;
- para lá da circular mais exterior não haveria praticamente construção, evitando-se os grandes aglomerados suburbanos e consequente congestionamento da cidade.
Tratava-se de todo um plano integrado, coerente, ambicioso e com uma perspectiva de qualidade de vida (como então se não dizia) sinónimo de espaços livres, trânsito moderado, construção pouco volumétrica. Escusado falar da subversão de toda esta lógica urbana na nossa era de exploração urbanística e construção desenfreada.
De salientar, igualmente, outro "extra" precioso no DVD de "A Menina da Rádio", a comédia de Arthur Duarte: um documentário, também de António Lopes Ribeiro, sobre a inauguração do Estádio Nacional. O realizador, com notável gosto, cuidado nos enquadramentos, captação das coreografias do espectáculo, aproveita para nos trazer um momento extraordinário de exaltação nacionalista.
É realmente de louvar que se traga ao público estes documentos históricos enquadrados por comentários que de modo algum caem nas graças do regime que nos desgoverna. Para quando a edição em DVD de "A Revolução de Maio", do mesmo António Lopes Ribeiro?

domingo, setembro 17, 2006

Revisionismo e Manipulação

"Revisionismo e Manipulação" é o título da minha crónica de hoje publicada n' A Taberna dos Inconformados.

sexta-feira, setembro 15, 2006

A estratégia de Tel-Aviv para dissolver os países árabes

No Verão de 1982, o corajoso Israel Shahak, ao comentar o "Plano Sionista para o Médio Oriente", lembrava, perante a comissão de inquérito da ONU, que no dia 9 de Julho de 1947 Rabbi Fischmann, delegado da Agência Judaica para a Palestina, fixara descaradamente as fronteiras do futuro Estado de Israel: "A terra prometida estende-se do Nilo ao Eufrates e inclui partes da Síria e do Líbano". Shahak citou igualmente o especialista em assuntos militares do jornal Ha'aretz, Ze’ev Schiff, que escrevera o seguinte em 6 de Fevereiro de 1982: "A dissolução do Iraque em um Estado xiita e um Estado sunita após a separação da parte curda é sem dúvida o que melhor poderia acontecer a Israel".
Igualmente citado era Oded Yinon, alto dirigente da Organização Sionista Mundial que, no mesmo mês de Fevereiro de 1982, publicava na revista mensal "Kivunim" (Direcções) um longo ensaio, onde definia as condições de sobrevivência e de prosperidade do Estado judaico. Para Yinon, o mundo árabe, apesar da sua superioridade numérico e do seu petróleo, não era o "principal obstáculo estratégico [para Israel] pois, com as suas minorias étnicas e religiosas e as suas facções, esse mundo é incrivelmente autodestrutivo, como se pode ver pelo exemplo libanês. (...) A dissolução da Síria, do Iraque e do Líbano segundo linhas étnicas ou religiosas deve ser o principal objectivo de Israel no longo prazo, sendo o seu objectivo a curto prazo a dissolução da potência militar desses países. A dissolução total do Líbano em cinco províncias serve de precedente para todas as acções a desenvolver e, nesta perspectiva, o rico Iraque, com os seus recursos petrolíferos, é mais importante que a Síria. Uma guerra Irão-Iraque fará implodir este último país. Qualquer confronto inter-árabe é-nos vantajoso. Acrescente-se que é vital para o nosso futuro que asseguremos o domínio das zonas montanhosas, com os seus recursos hídricos. Para que este plano tenha sucesso a nossa potência militar deve ser ainda maior que aquilo que é actualmente, pois todo e qualquer movimento de revolta deve ser punido seja por humilhações em massa - como em Gaza e na Cisjordânia - seja por meio de bombardeamentos e aniquilação de cidades - como no Líbano -, ou por uma conjunção de ambos."
Israel Shahak (1933-2001) foi professor de química orgânica na Universidade Hebraica de Jerusalém. Foi também um presidente assaz incómodo da Liga Israelita para os Direitos Humanos e Cívicos, sendo cada um dos seus livros receado pelo poder. Os "Shahak Papers", disponíveis neste site, são fascinantes - e arrepiantes. A quase vinte e cinco anos de distância, a guerra Irão-Iraque - que deixou ambos os países exangues -, as duas guerras do Golfo (1991 e 2003) e a recente ofensiva no Líbano mostram a que ponto de minúcia e sobretudo cinismo foi conduzido o "Plano Sionista para o Médio Oriente".
(Tradução de um artigo saído no semanário Rivarol de 28/07/2006.)

De pé, hipócritas da Terra

Absolutamente indispensável a leitura deste texto de Jorge Ferreira sobre a hipocrisia do PC"P" e das classes política e jornalística.
Excertos:
«[O PCP] adoptou a máscara da necessidade, para sobreviver. Mas não mudou a essência. Cá para dentro faz voz mansa. Lá para fora, faz aquilo que sempre foi: um partido com uma concepção totalitária do poder, que anda rodeado das piores companhias.»
«Imaginem que um partido de extrema-direita português convidava um jornal ou uma organização nazi europeia para vir a uma festa em Portugal. Nem quero imaginar. O Bloco desfilaria. O SOS Racismo espernearia, os jornais escreveriam editoriais, as televisões fariam debates sobre o avanço do extremismo na Europa, alguém no Parlamento chamaria António Costa e José Sócrates a dar explicações.»

quinta-feira, setembro 14, 2006

Um dragão recomendável

Sabem qual é o grande tabú da nossa era? Estão a par das últimas interpretações críticas sobre os acontecimentos de 11 de Setembro de 2001? Já ouviram falar em "neoconas"? Sabem que Céline era um génio literário e um arguto observador da sua época? Sabem que isto e muito mais está ao alcance de um clique, nesta caverna? Que esperam para medir o alcance das lavaredas que o seu habitante emite?

terça-feira, setembro 12, 2006

O meu 12 de Setembro

Não, caro leitor, não me enganei na data no título deste postal. No dia 12 de Setembro de 2001 tive que apanhar um avião para Manchester por motivos profissionais. Para além do pânico que a ideia provocou em alguns familiares não imaginam o caos que se viveu nos aeroportos nesse dia.
Logo à chegada à Portela dois polícias de “canhota” em punho davam o mote. Os passageiros tiveram que fazer o check in com duas horas de antecedência, tendo que aguentar uma “seca” descomunal até embarcarem. Houve tempo para ler os jornais, já então com títulos pacóvios como “O dia em que tudo mudou” ou “O mundo não vai voltar a ser como antes”.
Bush, milagrosamente, inverteu a queda nos índices de popularidade, agregando o sentimento comum de união na nação ultrajada. (O mesmo sucedeu com Olmert após a invasão do Líbano. No caso de ambos os líderes amigos o recuo na popularidade foi coisa de um momento, assentada a poeira das guerras que ambos moveram.)
O vôo decorreu sem incidentes mas após a aterragem em Manchester os passageiros tiveram que permanecer mais de meia hora dentro do avião, supõe-se que por motivos de segurança. Mas nada lhes foi comunicado. “This is disgôsting”, clamava uma velhota com irresistível pronúncia nortenha.
O regresso, a 13, não foi menos turbulento. Com os corredores do aeroporto pejados de gente, mal consegui encontrar uma cadeira para ler os relatos das desgraças individuais que o "Daily Telegraph" sobriamente narrava. Nunca vi sinais de pânico ou medo nos passageiros, antes o enfado pelos transtornos causados.
O tempo passou, Bush envolveu os EUA em duas guerras, qual delas a decorrer da pior forma e sem fim à vista. Os objectivos pomposamente proclamados de guerra ao terror estão mais longe de serem alcançados do que há cinco anos. No Afeganistão os taliban estão tão activos como em 1994, quando o apoio tácito dos EUA e activo do Paquistão os alcandorou ao poder. O Iraque do sanguinário Saddam, que mesmo assim permitia liberdade de culto às religiões minoritárias (incluindo cristãos e judeus), enquanto efectivamente reprimia os xiitas e os marginalizava, tornou-se um gigantesco teatro de operações da jihad.
A questão que se deve colocar não é se o mundo está hoje mais ou menos seguro que antes do 11 de Setembro de 2001 mas sim se o mundo está hoje mais ou menos seguro que antes da chegada de Bush e da sua trupe ao poder.
Ao mesmo tempo que se constatava o fracasso da “guerra ao terrorismo” começavam a aparecer as primeiras contestações à versão oficial sobre os atentados. Algumas delirantes, outras demagógicas, muitas credíveis. O Dragão lista algumas delas, cuja leitura se recomenda.
Os povos normalmente não aprendem com os erros e estão sempre prontos a cair na ratoeira da retórica de algum demagogo ambicioso. Nos nossos tempos o medo tornou-se a arma destes demagogos; sejam eles Bush ou Putin, o objectivo é arregimentar as consciências, coarctar as liberdades, manipular as opiniões. E, acima de tudo, cimentar o seu poder. Como radicalismo alimenta radicalismo, nunca a jihad esteve tão pujante. O terrorismo islâmico tem dias radiosos pela frente.

domingo, setembro 10, 2006

"Uma Ideia de Portugal"

É este o título do meu segundo contributo dominical para "A Taberna dos Inconformados", onde se discute e chora a Pátria, à mesa com um bom tinto e o rádio a debitar um fado plangente.

sexta-feira, setembro 08, 2006

O conflito na Palestina

A recente guerra no Líbano (mais as exacções cometidas pelo exército israelita em Gaza) foi e continua a ser fonte de equívocos. Da forma mais infantil possível, parece que o Ocidente olha para o conflito israelo-palestiniano sem objectividade, apenas sectarismo: uns seriam pró-israelitas, outros pró-palestinos.
Como não corro o risco de ser englobado na primeira categoria, vou tentar explicar de que forma é que posso eventualmente caber na segunda.
O Estado de Israel nasce de uma votação na Assembleia Geral da ONU. Após décadas de difusão da ideologia sionista, após influências múltiplas junto do ocupante britânico, após a publicitação dos crimes nazis (reais ou imaginários), "o mundo" achou que os judeus tinham direito a um Estado. Para azar dos árabes, a localização do mesmo foi a Palestina. Quem nada teve a ver com as perseguições aos judeus no século XX (da Rússia à Alemanha, passando pela Roménia, Hungria, França, etc.) é que foi obrigado a conviver com eles.
Os sionistas não abriram mão de nenhuma táctica, incluindo o terrorismo: atentado no Hotel Rei David, assassinato do Conde Bernadotte (enviado especial da ONU à região), massacres vários, como o de Deir Yassin. Aquilo que os israelitas hoje chamam terrorismo foi por eles praticado em larga escala na década de 1940.
É fácil acusar os árabes de não terem aceite a criação do Estado de Israel. E porque é que o deveriam fazer? Não era fácil ver, perante os exemplos citados e muitos outros, que a partir daquele momento não poderia haver convivência pacífica entre árabes e judeus?
De humilhação em humilhação, de derrota militar em derrota militar, os palestinos tornaram-se um povo estrangeiro: estrangeiro na sua própria terra, obrigados a viver em campos de refugiados, sujeitos a controlos e maus tratos infindos; estrangeiro por via da emigração, em busca de uma vida menos má que sob a bota do brutal ocupante.
O terrorismo, recurso cobarde e bárbaro, nunca poderia resolver o conflito, antes o radicalizando por via da reacção do ocupante. O apoio descarado dos EUA a Israel, a inércia da Europa, viraram os árabes contra o mundo ocidental. Extinto o pan-arabismo nasseriano, os islamistas foram pacientemente tomando as rédeas da resistência. A globalização do conflito nasce do crescente peso dos "verdes", já não apenas árabes mas também de todo o mundo, da Indonésia ao Irão. (É curioso que o islamismo tem, sem o afirmar claramente, uma componente socialista muito forte e os seus líderes são frequentemente pessoas humildes, nada ostentatórias, que se confundem com o povo. Neste particular há um ponto comum com o nasserismo. Mas o que era o sonho de uma grande nação árabe foi substituído pelo sonho de um mundo islâmico.)
No entanto, muitos palestinos aderem ao islamismo não por sonhos de expansão territorial desta religião mas por reconhecerem que ele é a sua única esperança para o fim das humilhações (para além da forte componente assistencial de movimentos como o Hamas ou o Hezbollah, que gerem escolas, hospitais e fornecem comida aos mais necessitados).
O conflito não tem fim à vista não só porque os campos estão radicalizados mas também porque a injustiça fundamental e, pode-se dizer, fundadora do referido conflito - a forma como nasceu Israel e a sua expansão, tanto militar como a nível de colonatos-, bloqueia toda a compreensão mútua. E já se sabe que quem está em posição de força, ainda para mais apoiado pela maior potência do planeta, não tem qualquer estímulo em dar o primeiro passo.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Nazismo verde?

O artigo aqui referenciado pretende ridicularizar os movimentos ecologistas coevos por meio de uma comparação "assassina", isto é, com a preocupação dos nazis com a ecologia e com a promoção de um modo de vida saudável. Apesar disso, é de ler pois refere muitos exemplos práticos de como se concretizava aquela preocupação.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Impunidade

Ontem soube-se que foi arquivado um processo contra Pinto da Costa no âmbito do caso Apito Dourado. Hoje, que também foi arquivado um processo contra Fátima Felgueiras. Entretanto, vêm a público confirmações daquilo que sempre se soube: que Valentim Loureiro manipula a arbitragem a seu bel-prazer. Pelos dados divulgados temos matéria para um luso "calciocaos". Alguém acredita que os prevaricadores venham a ser julgados pelos seus crimes?
O povo, como no tempo de Rafael Bordalo Pinheiro, critica, lamenta e, como se sente impotente para mudar o estado de coisas, nada mais faz que um manguito a esta corja.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Claro como água

Para os esquecidos que dizem que são pró-Republicanos:
"Defendo os tradicionais valores Republicanos. Sempre fomos o partido da responsabilidade orçamental. Da conservação. Sempre avisámos contra o envolvimento em questões externas e opusemo-nos a que os governos se imiscuíssem na vida privada dos cidadãos." (Steve Laffey, candidato ao Senado dos EUA pelo Estado de Rhode Island)
Em poucas palavras se caracteriza a traição bushista aos valores Republicanos. Ao menos que os bushistas-neocons-ex-trotskistas-lobistas-pró-Israel criassem um partido novo, tipo União Americana de Defesa do Estado de Israel e Subordinada aos Especiais Interesses do Big Business. Não enganava ninguém.

domingo, setembro 03, 2006

Nova colaboração

Fui convidado, reflecti - e aceitei. Podem contar a partir de hoje com uma dominical crónica minha no blogue A Taberna dos Inconformados. Desde já disponível o (c)opus 1.
Vão até lá, degustem e comentem.

sexta-feira, setembro 01, 2006

A imigração é a chave do sucesso económico?

O combate da ideologia pró-imigracionista tem assumido duas vertentes básicas:
- a esquerda, sempre a transbordar de ódio pela civilização ocidental, vê na imigração a chave (essa sim bem real) para erguer as bases de um "mundo novo", desculturalizado, desenraízado, formatado pelas suas nefandas ideias;
- a "direita", as mais das vezes câmara de eco do mundo dos negócios, vê no fenómeno um maná de mão-de-obra barata, pouco exigente, que vai permitir àquele aumentar o lucro das suas actividades.
Vai daí, unem-se as comadres no mesmo combate favorável à imigração. Não surpreende assim que nos parlamentos europeus o unanimismo quanto a esta questão seja a regra. Quem é que se arrisca a passar por xenófobo", "racista" ou mesmo "fascista"?
A esquerda assenta a sua luta nos meios de comunicação dita social: os jornais, as revistas, as cadeias de televisão, por muito variados que aparentem ser, defendem quase todos sem excepção as mesmas ideias em relação a este tema. Uma vez por outra lá dão algum espaço a alguma voz discordante, que não se coíbe de esclarecer logo à partida que não é movida por ideias xenófobas, racistas e etc. Outro combate assenta no controlo do ensino: já não só nas universidades, como nos anos 60, mas também e talvez sobretudo desde os primeiros anos de aprendizagem. É a formatação ideológica em todo o seu explendor.
O mundo dos negócios, com vista aos lucros referidos, e para receber uma caução de "humanitarismo", financia organizações de defesa dos imigrantes, patrocina eventos, faz publicidade defendendo os "bons valores".
Chega? Se calhar, não. Seja porque os "preconceitos" da populaça são arreigados, seja porque esta tem mais em que pensar que nas virtudes do humanitarismo histérico e bem pensante.
Passo seguinte: apelar às vantagens económicas. No nosso mundo, em que os valores monetários são o que mais conta, a melhor forma de pôr as gentes a pensar bem da imigração é realçar as supostas vantagens desta para a economia dos países receptores de mão de obra. E surgem notícias como esta, a transbordar demagogia em cada linha. A demonstração das alegadas vantagens é pobre, mas que interessa? As pessoas de qualquer forma olham para a economia como algo dificilmente apreendível e então basta acenar com alguns números, com taxas de crescimento de alguns indicadores, para as conquistar.
O nosso caro Rodrigo já demonstrou com clareza a falácia da imigração como factor potenciador da economia, num texto que merece (re)leitura. Pela nossa parte esperamos que ainda haja quem se dê ao trabalho de pensar pela sua cabeça, que não desista de ir contra a corrente. Esta pode ser avassaladora mas, se se fizer como fez a esquerda desde os anos 20 do século passado, se trabalharmos metódica e pacientemente para denunciar a vaga anti-ocidental que nos assola há décadas, se nos mover o amor à verdade e aos verdadeiros valores sob os quais se ergueu a nossa civilização, ainda nada estará perdido. Mas o tempo urge.