sábado, dezembro 16, 2006

Um império de peso

Deve ser o indicador por excelência do progresso hodierno: os EUA têm a população mais gorda do planeta - a que come mais e pior, empanturrando-se de fritos e toda a sorte de gorduras e açúcares, refastelando-se em seguida horas a fio a ver filmes ou a navegar na internet.
São, claro, também os maiores "produtores" de lixo do mundo. E, pior, exportadores, pois o seu imperialismo económico é acompanhado pelo imperialismo cultural. Ditam-se modas, comportamentos. Promovem-se opções de vida, gostos musicais. Enchem-se os olhos de miúdos e graúdos com películas produzidas na América.
Desde a I Guerra que a ofensiva começou mas o impulso decisivo foi o pós-II Guerra. Os exércitos de Alexandre eram acompanhados, nas conquistas do macedónio, por sábios que promoviam a cultura helénica. Os exércitos do Tio Sam trazem consigo latas de Coca-Cola, hamburgers e bobinas de Hollywood. Que melhor sinal do progresso indefinido da civilização ocidental?...
Os últimos tempos de fausto do Império Romano tinham como imagem de marca os seus senadores anafados, já sem forças para se levantar e preparar a resistência às invasões bárbaras. Será que os balofos americanos simbolizam o canto do cisne do domínio da jovem e já decrépita nação?

sexta-feira, dezembro 15, 2006

A religião na música

Mahler, tal como Mendelssohn judeu convertido ao cristianismo, nunca compôs uma missa. Interrogado uma vez sobre se pensava colmatar essa omissão, respondeu o genial compositor: "E o Credo?..."
É claro que não é necessário ser crente para se compor uma obra de inspiração religiosa e um dos melhores exemplos é o fantástico "Requiem Alemão" do agnóstico Johannes Brahms.
Em contrapartida, Joseph Haydn contava como tinha composto "A Criação" com uma enorme alegria devota, algo que transparece quase nota a nota na belíssima... criação do austríaco.
Os nossos tempos são mais dados a dúvidas, inquietações, terrores. O compositor alemão Bernd Aloïs Zimmermann (1918-1970), profundamente católico, suicidou-se cinco dias após compor o impressionante "Ich wandte mich um und sah alles Unrecht das geschah unter der Sonne - Acção Eclesiástica para dois narradores, contrabaixo e orquestra", que tive a rara felicidade de escutar ao vivo no CCB (em 2001) em concerto da Orquestra da Flandres sob a direcção de Luca Pfaff, incansável divulgador de música contemporânea. A obra, além de belíssima, é de uma angústia extrema, terminando com o maestro sentado em atitude de recolhimento, escutando as últimas notas da peça.
Nos nossos tempos cada vez menos a religião consegue aliviar o angst que nos ataca, impiedoso.

Ainda Pinochet

Pouco antes do seu passamento, e de forma telegráfica, falou-se aqui de Pinochet. De entre os muitos textos publicados na blogosfera a propósito da morte do general chileno destaco três:
- Adeus, General Pinochet, em Claudio Telléz (com um excelente enquadramento histórico);
- É morto Pinochet, na Informazione non conforme (num tom mais crítico).

Enfunar a vela

Custa-me ver passar os dias e olhar para o blogue sem actualizações.
Agrada-me ler os comentários de amigos sobre as vantagens de manter um blogue.
Confortam-me os seus incentivos.
Reflicto sobre os seus comentários e reparos sobre os blogues nacionais em geral e este em particular.
Depois...
... depois há dias, como hoje, em que a pena (melhor, os dedos sobre o teclado) desliza ligeirinha.
Tal como com todos os outros desânimos, que as periódicas crises existenciais blogueiras nunca levem os autores a abandonar o barco. Uma vez por outra acostamos, veraneamos por terra, detemo-nos numa ou noutra paragem em solo firme. Depois - é retomar o rumo, com o horizonte que nos é caro na mira.

domingo, dezembro 10, 2006

Racismo no desporto

Mais uma vez é notícia o comportamento alegadamente racista de adeptos portugueses. Desta vez foi no Académica-UTAD, da 2ª divisão A, em futsal. Dois dos jogadores da UTAD foram mimoseados durante o jogo com urros de macacos e um deles acabou por chutar a bola para a bancada, sendo expulso em consequência.
Não serei eu a desculpar este tipo de comportamento grosseiro por parte dos adeptos academistas mas parece-me que se está a criar um clima propício à criminalização do mesmo, a exemplo do que vem sendo seguido e sugerido pela UEFA. Não estará longe o dia em que as pessoas irão a um espectáculo desportivo - onde habitualmente se deslocam para descontrair ou, o que é inevitável, para encontrar um escape - tolhidas de receio por o que possam dizer. Será legítimo, perante uma falta de um jogador de cor, gritar «para a rua» ou «grande besta», ou essas exclamações só poderão ser usados para com os brancos?
A crimideia orwelliana ganha cada vez mais forma num contexto democrático de repressão de pensamento e de atitudes não conformes. E, como é costume, as consequências serão contraproducentes para com o repressor.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Concerto para Violino de Luís de Freitas Branco

Muitos de vós conhecem de ginjeira os Concertos para Violino de Beethoven ou Brahms, alguns até o de Dvorak, todos obras recomendadíssimas. Mas quantos é que conhecem o Concerto para Violino de Luís de Freitas Branco?
Um dos nossos melhores compositores do século XX, Freitas Branco compôs o citado concerto em 1916, ano em que o nosso país entrou na Grande Guerra e um ano depois de o autor ter rompido com o Integralismo Lusitano, após uma atracção inicial por esse movimento de regeneração nacional.
De estrutura clássica e temperamento declaradamente romântico, o concerto parece pertencer já à fase dita neo-clássica do seu percurso criativo, já algo distante das experimentações anteriores de vanguarda, de que o genial "Vathek" (de 1913) é paradigma. É uma obra simplesmente tocante, arrebatadora, terna e com um não sei quê de bem português: uma melancolia, uma simplicidade expressiva...
A escutar, sempre.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

E o vencedor é...

Fugindo um pouco à ironia do meu postal anterior sobre o tema, pensemos um pouco sobre os motivos para a vitória de Oliveira Salazar no concurso "Grandes Portugueses".
Serão os votantes nostálgicos do Estado Novo? Eu arriscaria a dizer que mais de metade não o será mas terá votado no professor:
- por provocação;
- por despeito pela censura inicial da RTP, ao excluir o nome do insigne estadista da lista original;
- e, talvez o mais importante, por muitos portugueses, independentemente da sua ideologia, reconhecerem no antigo Presidente do Conselho um exemplo de abnegação à causa pública, de honestidade, de sentido de Estado, de defesa do interesse nacional. Tudo coisas que não identificam na classe política dos últimos 32 anos.
O resultado do concurso é, assim, uma bofetada sem luva aos que nos vêm desgovernando desde o 25/4, enchendo-nos os ouvidos com as supostas maravilhas da democracia e com os horrores da ditadura. Bofetada também a todos os propagandistas, políticos e jornalistas, que têm passado essa mensagem tão mal captada pelos portugueses.

Prioridades

No mesmo dia em que voltou a ser notícia o aumento do número de portugueses que procuram trabalho em Espanha, Marques Mendes visitou associações de imigrantes e defendeu o alargamento dos seus direitos ao nível da participação política.
aqui mostrámos, com recurso ao humor do amigo JSM, que o nosso país está a ser testemunha de uma substituição de populações: os naturais vão viver para outras paragens, os que ficam têm cada vez menos filhos e levas de imigrantes vêm para cá trabalhar. Marques Mendes mostrou com quem estão as suas preocupações.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Escócia independente?

Intensifica-se nas Ilhas Britânicas o debate em torno da possível independência escocesa, a um ano de se cumprirem os três séculos que já dura a União. Infelizmente, como é típico do debate actual, a análise centra-se sobretudo nos aspectos económicos. A nacionalidade é, assim, antes de mais o resultado de uma análise económica! Considerações de baixa política (redundância?), mormente o apoio dos deputados escoceses ao Labour na Câmara dos Comuns, também têm o seu papel.
A concretizar-se a independência escocesa, haverá algum efeito bola de neve na Irlanda do Norte? As clivagens político-religiosas no território provavelmente impedi-lo-ão. Por lá vinga o "dividir para reinar" tão caro à Velha Albion.

Pinochet

Fez um golpe de Estado patrocinado pela CIA. Procedeu ao assassinato de opositores. Governou em ditadura. É a besta negra da esquerda.
Também acabou com a aventura socialista no Chile, desenvolveu o país e abdicou voluntariamente do poder, de uma forma democrática.
Não foi um exemplo. Mas sê-lo-á Fidel Castro, no poder há meio século? A hipocrisia da esquerda não tem limites.

O grande português

Parece que o Dr. Salazar foi o grande vencedor do cretino concurso da RTP "Grandes Portugueses" (o tal que nos dava a possibilidade de votar no Dr. Sampaio ou em Luís Figo para maior figura da nossa história). A culpa é do 25 de Novembro e de quem procedeu à interrupção voluntária da dinamiz(t)ação cultural.
Volta, Duran Clemente, estás perdoado!

Ditos e contraditos

Primeiro: Maria Cavaco Silva declara-se "de centro-esquerda". Será que só resta ao Dr. Louçã assumir-se "de extrema-esquerda"?
Segundo: Marques Mendes declara-se contra o aborto mas afirma que o PSD não vai dar indicação de voto pois a matéria é do foro íntimo e das convicções de cada um. Não é o que dizem os pró-abortistas sobre a IVG?
Terceiro: o Ministro das Finanças declara que o orçamento de Estado para 2007 é um documento de rigor, sem desorçamentações, pois Bruxelas não deixaria de topar com esses malabarismos. Quer dizer que se Bruxelas não topasse a coisa far-se-ia? Sem complexos?

sábado, dezembro 02, 2006

Sociedade Histórica da Independência de Portugal

O site oficial da Sociedade Histórica da Independência de Portugal tem uma secção de loja virtual, que permite adquirir livros sem sair de casa. Alguns deles dizem precisamente respeito à Restauração, como o que ilustra este postal.
Notável é, igualmente, a secção de banda desenhada histórica, com reprodução de trabalhos de autores portugueses, muitos deles originalmente publicados na excelente revista "Camarada" (uma revista editada pela Mocidade Portuguesa que divulgou autores nacionais, alguns deles de grande talento).
Tudo bons motivos para celebrar a infelizmente cada vez mais virtual independência nacional.

A Restauração vista de Itália

É notável que o blogue Informazione non conforme, o tal que tem links para blogues nacionais, como este "Horizonte", tenha publicado um postal sobre o 1 de Dezembro português, com título na nossa língua e tudo!
Grazie, ragazzi!

sexta-feira, dezembro 01, 2006

D. João IV, o Restaurador

"Juro reger e governar bem e directamente" (D. João IV).
*
«Escolhido para ocupar o trono, chega a Lisboa a 6 de Dezembro de 1640 onde é entusiasticamente recebido pelo clero, nobreza e povo; a 15 do mesmo mês, no Terreiro do Paço, é solenemente aclamado rei. Tomou imediatamente medidas decisivas para garantir a Restauração, batendo-se com bravura para assegurar o seu triunfo. Pune com extrema severidade a conspiração a favor de Madrid encabeçada pelo arcebispo de Braga e que tem como correligionários o Inquisidor-Geral e o marquês de Vila Real. Dotou o país de novas fortalezas e foi grande impulsionador da adaptação das existentes aos novos métodos de guerra, tornando o país capaz de defrontar as forças espanholas (1644) na Batalha do Montijo, em Espanha. Proporcionou verdadeiras embaixadas às cortes europeias de modo a assegurar o apoio das restantes casas reais à causa da Restauração. Nem sempre esta tarefa se revelou fácil, visto que durante a ocupação filipina muitas das nossas colónias tinham sido ocupadas por esses reinos, como foi o caso dos holandeses no Brasil, que, por isso, se mostravam renitentes em reconhecer um novo rei em Portugal.
Em política interna desenvolveu uma larga actividade legislativa, consolidando a Restauração através de um persisitente esforço político, administrativo e militar.
A defesa do Brasil também não foi esquecida e os holandeses são expulsos. (...)
Apesar de a sua época ser já a do absolutismo real, D. João IV prefere consultar várias vezes a nação, reunindo Cortes por cinco vezes entre 1641 e 1653.»
*
Manuel de Sousa, "Reis e Raínhas de Portugal" (2000).

Restauração

"Coroação de D. João IV" (1908), obra de Veloso Salgado (1864-1945).

quarta-feira, novembro 29, 2006

Bento XVI apoia entrada da Turquia na UE

"O Vaticano não faz política, mas olhamos de forma favorável o caminho para a integração turca na UE". Esta declaração do porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, corrobora o que já anunciara o primeiro ministro turco Recep Erdogan, durante a visita do Papa Bento XVI à Turquia.
Como é que podemos interpretar aquilo que a imprensa em geral está a caracterizar como uma reviravolta das posições anteriormente expressas pelo ex-Cardeal Ratzinger? Uma forma de arrependimento pela prelecção feita em Setembro passado e que enfureceu o mundo muçulmano? Uma ponte aberta para um maior diálogo entre religiões, essa fórmula mágica do catolicismo pós-Vaticano II? Um jogo de equilíbrio (instável) entre as suas posições mais conservadoras e a necessidade de não romper com o modernismo abraçado há quarenta anos pelo Vaticano?
Sejam quais forem os motivos, esta atitude dá razão a quantos encaram hoje a Igreja Católica como um dos factores de desagregação do mundo ocidental; ela que está sempre na linha da frente do combate imigracionista (e raramente menciona a impossibilidade de a Europa continuar a acolher estrangeiros sem limite); ela que vem abandonando tantos preceitos que enformavam a vida tradicional da Europa; ela que se preocupa cada vez mais com assuntos terrenos e menos com aspectos espirituais; ela que, impregnada de espírito maçónico, se tornou uma das frentes do combate esquerdista.
Não sendo pan-europeu e execrando a União Europeia, na qual vejo um factor de dissolução das nacionalidades europeias em benefício de um ideário mundialista, não deixo de lamentar que as fronteiras daquela tendam a juntar-se à do Iraque, num conceito de Europa (não só geográfico) mais que discutível. Sem dúvida que os EUA não lamentarão uma Europa cada vez menos homogénea - cada vez menos Europa - e quem sabe se não caminhamos para a implosão da UE, o que não seria mau.
É tempo de os povos europeus criarem verdadeiros laços que assegurem a manutenção da paz no continente e o defendam da morte lenta a que parece estar condenado. Mas também é tempo de verem que com o federalismo nunca o conseguirão.

segunda-feira, novembro 27, 2006

As mentiras oficiais israelitas

Governo e exército israelitas bem tentam atirar poeira para os olhos da opinião pública mas cada vez menos convencem os próprios israelitas que, dos jornais às organizações independentes, denunciam as barbaridades cometidas sobre civis palestinos, sempre desmentidas - mas os factos "dizem" o contrário.
Uma análise a ler, aqui.

Desert Peace

Para gáudio (mas temporário - acalma-te, rapaz!) do Buiça, este blogue tem desde há uns dias um link para um blogue sediado em... Israel! Trata-se de Desert Peace, onde se analisa dia-a-dia o conflito na Palestina, por alguém que se afirma "activista pela paz, desejando uma paz duradoura e justa entre Israel e a Palestina".
É mais um exemplo do extraordinário dinamismo da blogosfera no Médio Oriente, como podem constatar se explorarem as ligações inclusas no Desert Peace.

Free find

Tendo este blogue já nove meses de existência, justificava-se a inclusão de uma funcionalidade de pesquisa dos arquivos, algo que foi agora colmatado. Na coluna da esquerda, por baixo do arquivo mensal, encontram uma caixa da Free Find, que lhes permitirá pesquisar o que entenderem nos arquivos.

sábado, novembro 25, 2006

Le Pen em foco, mais uma vez

Na passada quinta-feira o Paris-Saint Germain, em partida da fase de grupos da Taça UEFA, foi humilhado em pleno Parc des Princes pelo Hapoel Tel-Aviv (2-4). Um sector dos adeptos do PSG (o "kop de Boulogne"), conhecido por se envolver habitualmente em cenas pouco edificantes e por atitudes racistas frequentes, tentou agredir um adepto francês (!) do clube israelita. Este procurou protecção junto de um polícia, logo por azar negro, o que aumentou a ira dos adeptos, que gritaram "Morte aos negros", "Morte aos Judeus", tentando agredir ambos, o que só não sucedeu porque estes se refugiaram num fast food, chegando pouco depois os CRS (polícia de choque).
Segundo o procurador de Paris, os adeptos do PSG terão feito igualmente a "saudação nazi" (*) e gritado "Le Pen président", o que encheu de cólera o septuagenário candidato à presidência, indignado com o que considera uma tentativa de amálgama da sua pessoa a atitudes reprováveis.
Nada a que não esteja habituado. Numa altura em que as sondagens o creditam com 17% das intenções de voto, a palavra de ordem do sistema é tentar descredibilizar Le Pen que, diga-se em abono da verdade, nem sempre teve o cuidado que hoje tem em evitar declarações equívocas.
Para concluir a triste história, refira-se que o polícia citado, sentindo-se ameaçado, disparou alegadamente em legítima defesa, matando um dos adeptos, de 25 anos.
*
(*) Sintomático que nunca se refira a "saudação romana" ou mesmo a "saudação fascista", escolhendo-se sempre a imagem mais desfavorável e marcante junto da opinião pública.

Dia Wagner na Antena 2

Hoje é dia grande para os wagnerianos (como este confrade): a Antena 2 transmite na íntegra "O Anel dos Nibelungos"! Às 10 horas começou "O Ouro do Reno", pelas 13.00 teremos "A Valquíria", às 17.00 "Siegfried" e, finalmente, pelas 21.15 "O Crepúsculo dos Deuses"!
A gravação é do Festival de Bayreuth deste ano, com a direcção do jovem e já consagrado maestro Christian Tielemann.
*
(Mais pormenores aqui.)

sexta-feira, novembro 24, 2006

O KGB, vivo e "em forma"

Por enquanto só há suspeitas, mas mais uma vez o FSB (ex-KGB) parece estar envolvido na morte de um activista anti-Putin, no caso Alexander Litvinenko.
O presidente russo, "formado" (ou formatado) no KGB, tem mostrado sempre a maior frieza na hora de lidar com oposicionistas: seja prendendo-os sob acusações mais ou menos forjadas, seja liquidando-os, como parece ter sido o caso da jornalista Anna Politkovskaia (já por mim evocado) e do infeliz Litvinenko. Em qualquer dos casos, os métodos são tipicamente soviéticos, tratando-se muito simplesmente de cortar pela raíz qualquer hipótese de verdadeira oposição.
A Rússia é hoje um país que concilia uma economia de mercado distorcida (máfias, privatizações fraudulentas, controlo e apropriação por parte do Estado de sectores estratégicos) com um controlo férreo de quantos ponham em causa a autoridade do presidente. A comunidade internacional, com a UE à cabeça, é feroz crítica do presidente bielorrusso Alexander Lukashenko mas Putin em pouco difere do seu vizinho ocidental. É, digamos, um autoritário refinado, cobrindo-se de uma capa democrática e não tendo (até aqui) que falsificar resultados eleitorais, tendo o povo na mão em grande medida pelo pavor do terrorismo, que tem alimentado em proveito próprio (como tenho defendido).
Hoje já não se trata de defender um regime comunista, trata-se apenas, à boa maneira africana, de sustentar um poder pessoal, assente na repressão e no favorecimento de uma clique de apoiantes e fiéis.
Podendo por ora respirar na frente económica graças sobretudo ao elevado preço do petróleo, que tem enchido os cofres do Estado, Putin vai governando como quer. A Rússia, pese o glamour dos reclames de neon, dos centros comerciais vistosos, da juventude "liberta" e entregue às modas ocidentais, continua um país cinzento e opressivo, como nos tempos da ex-URSS.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Se o ridículo matasse...

Já ouviu falar em defesa da identidade nacional de uma forma... cosmopolita? É a posição de um ministro do governo deste país (fonte).

"Informazione non conforme"

Para minha grande surpresa, este blogue viu ser-lhe atribuído um link num blogue italiano, Informazione non conforme. Este, como o nome sugere, tem a preocupação de analisar a actualidade numa óptica não conformista.
Para além do valor do blogue em si, ele funciona também como um portal de blogues nacionalistas europeus, muitos deles portugueses, como o "Horizonte". Merece uma visita vossa.
Auguri!

terça-feira, novembro 21, 2006

Ocupação, usurpação, sionismo em acção

Admiro os grupos israelitas que advogam a paz com o povo palestino. Não me interessa saber se são de esquerda ou não, sei que defendem uma das causas mais justas dos nossos tempos: a criação de um estado palestiniano num ambiente regional de paz. Admiro-os quando se põem defronte de bulldozers que se preparam para arrasar casas ou campos de cultivo. Sinto que a sua luta deve ser inglória e que devem enfrentar muita incompreensão e mesmo hostilidade do lado israelita. Tal como admiro o judeu Daniel Baremboïm, o grande pianista e maestro que criou uma orquestra de jovens palestinos e judeus, que tocam juntos as grandes obras do repertório clássico. E já nem falo dos familiares de vítimas de atentados terroristas que conseguem conversar com terroristas arrependidos.
Um daqueles grupos pacifistas teve acesso a documentos governamentais que mostram que 39% das terras ocupadas por colonatos judaicos na Cisjordânia são legalmente posse de palestinos, assim desprovidos do que é seu. Nada que nos surpreenda face ao que se conhece de quase sessenta anos de ocupação progressiva da Palestina por parte dos judeus.
Claro que a impotência que sentem os donos legais das terras é grande, perante algo que nada mais é que uma limpeza étnica, pois a substituição de populações é uma realidade.
Uma das áreas ilegalmente tomadas por colonos judeus é hoje a povoação de Migron. Um responsável do município, Avi Teksler, põe tudo às claras: "Migron teve sempre o apoio de todos os governos israelitas. O governo foi sempre um parceiro (sic) em todas as nossa acções." E termina, inequivocamente: "Foi assim que foi criado o estado de Israel".
É preciso acrescentar alguma coisa?

segunda-feira, novembro 20, 2006

Mais um 20 de Novembro

O meu amigo Pedro Guedes dedicou alguns postais a mais um 20 de Novembro, data em que, com quase quarenta anos de diferença, nos deixaram José António Primo de Rivera e Francisco Franco, dois vultos maiores da história de Espanha do século XX.
Há um ano trouxe-vos interessantes dados de uma sondagem sobre Franco, bem como o testamento político de José António e uma ode que Azinhal Abelho lhe dedicou.
Muitas vezes um poema é, de facto, a melhor forma de homenagem, se o talento do vate o permite. Creio ser pouco conhecido entre nós "La Canción del Ausente", bela invocação de José António e cantada de forma sentida por De Raymond (single editado há precisamente 30 anos e que o amigo Nonas transcreveu para CD e gentilmente me ofertou).

LA CANCIÓN DEL AUSENTE

Mira como lloran los siete mares
añorando a sus capitanes
que viajaban rezando en español.
Mira cómo corren en las ciudades
desnudando las catedrales
de Teresa y de Ignacio
sin compasión.

Con qué furia este siglo se ensaña
contra toda la gloria de España
es por eso que hoy grito «PRESENTE»
y le canto mi amor al ausente.

Dime no es verdad que desde tu estrella
te hace daño mirar la tierra
donde tanto cobarde alza la voz.
Dime si tu sangre no centellea
cuando gritan que no hay bandera
ni familia, ni patria... en español.

Nuestro sitio está al aire libre
bajo la noche clara, arma al brazo,
y en lo alto las estrellas.
Echa tu amargura al vino
y tristeza a la guitarra, compañero,
nos mataran al mejor hombre de España.
No me pongan en la sombra
a morir como un traidor.
Soy bueno, y como bueno
Moriré de «Cara al Sol».

Con qué furia este siglo se ensaña
contra toda la gloria de España
es por eso que hoy grito «PRESENTE»
y le canto mi amor al ausente.

sábado, novembro 18, 2006

De novo em Bilbau

Pela terceira vez no espaço de 12 meses desloquei-me a Bilbau, em trabalho. As outras duas visitas foram evocadas (aqui e aqui) na devida altura.
Mesmo necessariamente curtas, as minhas idas a Bilbau têm-me permitido formar uma ideia mais ou menos sólida da cidade. Acabo por me familiarizar com as ruas, com alguns locais, saber onde comer, onde comprar livros e discos, onde apreciar arte.
Arte. Na visita anterior contei-vos como me impressionou favoravelmente o Museo de Bellas Artes, na verdade de visita indispensável para quem passa pela cidade. Até aqui tinha-me limitado a apreciar o Guggenheim por fora. A arquitectura é arrojada mas atraente. Desta feita aventurei-me pelo interior. E que aventura nada prazenteira! Da colecção permanente à exposição actual, as obras expostas são, a meu ver, de uma indigência, de um mau gosto, de uma falta de sentido estético, de uma atitude engagé insuportável. Ao contrário da música do século XX, de que sou apreciador e da qual tenho dezenas de discos, a pintura do século passado nunca foi da minha predilecção (eufemismo). Não foi o Guggenheim que me fez mudar, pelo contrário. Não vou entrar em detalhes pois os interessados podem procurá-los no site oficial. Digo-vos apenas que as quase duas horas que lá passei foram uma das piores experiências culturais da minha vida.
Pude finalmente visitar o Casco Viejo, logo por azar no único dia (a passada quinta-feira) do mês de Novembro em que a normalmente pluviosa Bilbau viu chover! Comecei pelo Teatro Arriaga - cujo nome homenageia o talentoso e infortunado Juan Crisóstomo de Arriaga (o "Mozart basco": 1806-1824), prodígio musical falecido pouco antes de completar 18 anos (a sua sinfonia e os seus três quartetos de cordas são indispensáveis) - bem junto à Ria. Embrenhei-me de seguida nas ruelas que levam à Catedral de Santiago, bela construção gótica. De permeio, a Plaza Nueva, menos bela que as praças fechadas de Salamanca ou Madrid. O centro histórico de Bilbau deveria estar melhor preservado, sucedendo-se edifícios mal conservados e outros totalmente renovados.
A Gran Via Don Diego López de Haro é o centro nevrálgico da cidade, com o magnífico edifício da Diputación Foral e alguns prédios a lembrar os boulevards parisienses. Tem largos passeios e percorre-se com agrado. Numa transversal está a belíssima Igreja do Sagrado Corazón, barroca.
Falando de livros, comprei apenas um: "Franco e Mussolini", de Javier Tusell e Genoveva Queipo de Llano, que aborda a política espanhola durante a II Guerra Mundial, em especial a relação entre os dois ditadores, diferentes em muita coisa (origens, ideário) mas aliados, desde a Guerra Civil. Demonstra que o Duce teve um papel fundamental no evitar da entrada da Espanha no conflito mundial. (Editora Península, 22€)
A Guerra Civil é tema inesgotável das edições. Também reparei num "Antí-Moa", que me pareceu uma reacção patética dos defensores da versão politicamente correcta do conflito.
Uma palavra ainda para o excelente jornal El Correo, com enorme cobertura do problema do terrorismo etarra, com uma abordagem inequivocamente condenatória da banda terrorista. Pontificava nas páginas do velho jornal (já passou o nº 30.000) uma entrevista pungente com uma viúva, a quem os terroristas mataram o marido (polícia) há já 28 anos. A dor permanece imensa, o perdão não existe e a convicção de que não se dialoga com assassinos declarada.
***
Bilbau é uma cidade que não deixamos com saudade infinda mas à qual se volta sempre com agrado.

Cinco manias

Três confrades desafiaram-me a listar cinco manias que tenha. Trata-se de um exercício a que em tempos respondi e, como cinco manias não é pouco, vou aqui reproduzir a resposta dada em Fevereiro passado.

1 – Quando pretendo ouvir música clássica tento assegurar as máximas condições de silêncio possíveis. Caso essas condições não existam, prefiro não ouvir nada.
2 – Quando vou ver um jogo do meu Belenenses escolho sempre roupa azul.
3 – Quando edito um postal no meu blogue releio-o umas duas ou três vezes até ter a certeza de que ao teclar não deixei um erro ortográfico que seja.
4 – A arrumação de discos e livros em minha casa obedece às seguintes regras:
4.1 Discos: por ordem rigorosamente alfabética de autor. Assim, é-me mais fácil localizar o que pretendo ouvir.
4.2 Livros: de literatura, por ordem de país de origem e, dentro desta, por ordem alfabética do autor; de história, por época histórica (o que às vezes origina que obras de um mesmo autor estejam espalhadas por várias épocas).
5 – Antiquado ou não, é-me impossível passar por uma porta à frente de um representante do sexo feminino.

terça-feira, novembro 14, 2006

Londres, cidade cosmopolita por excelência

Dados estatísticos recentes revelam que um terço da população de Londres não nasceu nas Ilhas Britânicas. Trata-se de dois milhões dos sete milhões de habitantes da capital, tendo ocorrido um aumento de quase 700.000 imigrantes nos últimos nove anos.
Embora exaltando, comme il faut, o carácter multicultural da capital, não deixa de ser curioso que o Independent refira o facto de cada vez mais londrinos (presume-se que na sua grande maioria de origem britânica) abandonem a capital com destino sobretudo ao sudoeste de Inglaterra, «em busca de uma vida melhor». Seria interessante que fosse desenvolvida esta temática da "vida melhor". Haverá alguma correlação com o fenómeno demográfico em análise?
Também revelador é o facto de o ministro Jim Fitzpatrick, não deixando de passar uma imagem favorável à tolerância e à boa receptividade face aos estrangeiros, recear uma diluição da britanidade ao ponto de esta poder desaparecer. Que sugere o ministro para o evitar? Que os imigrantes aprendam a língua inglesa, estudem a cultura e a história da Ilha e valorizem a riqueza de Londres. Ou seja, no limite, mesmo sem britânicos, Londres poderia manter as suas peculiares características britânicas!

Prémio

Esta casa entendeu por bem que Horizonte é um dos seis "melhores blogues individuais masculinos", uma das categorias escolhidas por João Ferreira Dias para os seus prémios.
Agradeço sinceramente a distinção outorgada por este licenciado em Comunicação Social e Cultural.

segunda-feira, novembro 13, 2006

A resolução

A ler, este texto no Tomarpartido. Revelador do conceito democrático da ex-fanática apoiante de Sá Carneiro.

domingo, novembro 12, 2006

"Não há outro mais leal"

Em 1991 a editora Átrio publicou, com o título supra, um opúsculo de António Manuel Couto Viana, composto por dois poemas, que a seguir se reproduzem.
A mágoa do poeta, a nostalgia pela glória passada da Pátria, recorrentes na obra do autor, assumem aqui um tom quiçá mais agressivo, «a raiva do meu brado», segundo o poeta.
*
*
*
*
*
*
*
*
*
*
*
*
*
O NAUFRÁGIO DE MACAU

Para a Teresa Bernardino

A derradeira nau,
Partindo o leme e o velame roto,
Naufragou em Macau,
Por traição do piloto.

E fora a mais leal:
Em quatro séculos hasteara à ré
O pavilhão de Portugal,
Para glória do Império e defensão da Fé.

E era santo dos santos o seu nome,
Mas erguia na gávea o demo de vigia
Que sem um renegar que o vença e dome
A faz varar na vaza desta maré vazia.

Tripulou-a Camões
Que ali lembrou, previu: — Dos Portugueses,
Com seus profanos corações,
Houve traidores algumas vezes.

Tripulou-a Pessanha,
Murmurando entre névoas de ópio e olvido,
Como quem num queixume e presente desdenha:
“Eu vi a luz em um país perdido.”

Da última da Armada
Que em novos mares buscou cada porto ignorado;
Da jamais apresada,
Tendo ao pirata vil o fuzil apontado,
Hoje como não resta nada
Mais do que o pranto da História e a raiva do meu brado:

— Quem impede o traidor de morrer enforcado?


António Manuel Couto Viana
10-05-1985
*
*

AQUELA MORTE NAQUELE DIA

Para o Beckert d'Assumpção, descendente do Barão d'Assumpção, que mandou edificar o Farol da Guia, o primeiro das costas da China.

Os castelos e as quinas começam a sangrar.
Macau, em lágrimas, comove.
Vai engoli-la o céu? Vai naufragá-la o mar?
A névoa esconde a cor das bandeiras no ar.
Chove.

Paira o fantasma de uma igreja. Um sino
Põe-se, lento, a dobrar, moribundo e pesado.
Nenhum Natal acode. A estrela do destino
Não anuncia o Nascimento do Menino,
Mas o Nome de Deus crucificado.

Só cemitérios, cinzas, sombras vagas…
“Não suspireis. Não respireis.” (Alguém murmura?)
Escorrem solidão as faces e as chagas.
A nau-espectro afunda-se nas vagas.
Apagou-se o farol. É noite escura.

O poeta rasgou o alvor da epopeia.
Dela, aqui, não restará lembrança…
O heróico ritmar de uma túmida veia
Extinguiu-se na vaza da pátria agora alheia:
Já não pode rimar futuro com esperança.

Cinco séculos quase a existir Portugal,
Macau, em sangue e lágrimas, desfalece e comove.
Mão assassina assina, na pedra sepulcral,
Um nome ateu, traidor, sobre a data final:
Aos 20 de Dezembro. Ano 99!

António Manuel Couto Viana
19.04.1987

sexta-feira, novembro 10, 2006

O crime americano

É um balanço impressionante (atendo-nos apenas à vítimas já contabilizadas) aquele que três anos de ocupação do Iraque por parte dos EUA e seus aliados de ocasião provocaram. A manipulação de massas que constituiu a patranha das armas de destruição maciça transformou-se em "cruzada pela democracia", com os lindos resultados que estão à vista: um país completamente desagregado, em estado de guerra civil de facto, os conflitos de religião exacerbados histericamente, infraestruturas destruídas, o pânico diário reminiscente daquele que viviam os habitantes de Sarajevo durante o reino dos snipers sérvios - o quadro assemelha-se notavelmente ao de uma Somália ou qualquer outra república africana assolada e fragmentada por conflitos internos, tantas vezes instigados de fora com objectivos inconfessáveis.
É realmente extraordinário o alcance da suposta "superioridade moral" das democracias. O mesmo acto praticado por uma ditadura e por uma democracia tem uma interpretação oficial diferente. Há pouco menos de uma década o governo de Paris, na altura chefiado pelo democratíssimo Lionel Jospin, com a cobertura do presidente Chirac, promoveu um golpe de estado no Congo-Brazzaville, cujo governo teve a "insensatez" de quebrar o acordo petrolífero que tinha com a gaulesa Total. Resultado: guerra civil, chacinas - mas os "bons" triunfaram.
Desde 1991 que os americanos e seus aliados decidiram que Saddam = Hitler = perigo para a humanidade (muito em particular para um certo país vizinho). Enquanto não o destronaram não descansaram. Tudo em nome da democracia, julgada a panaceia para os males do Médio Oriente. O ex-homem forte de Bagdad é agora condenado à morte. Os seus crimes são, efectivamente, imensos. Para além da guerra com o Irão, a população civil do Iraque foi vítima em larga escala da barbárie de Saddam: curdos, xiitas, oposicionistas reais ou imaginários. Não serei eu a lamentar o destino que coube em sorte a Saddam.
Mas também é legítimo interrogarmo-nos sobre os mandantes - escudados na tal "superioridade moral" - da invasão do Iraque, para a qual não havia pretextos válidos e para a qual o planeamento foi grotescamente inexistente. Só a título de exemplo, a decisão de dissolver o exército lançou na rua milhares de pessoas armadas e dispostas a combater o invasor ou, mais prosaicamente, a dedicar-se ao banditismo. Não ocorreu a Rumsfeld, Wolfowitz e outros amiguinhos neo-cons que a capacidade de adaptação da tropa a um novo senhor é enorme e que se hoje se jura por um chefe amanhã poder-se-á jurar por outro, inimigo daquele.
Se Saddam se calhar merece bem a corda com que vai ser enforcado, muitos "guys from Washington" deveriam ter o mesmo destino pelos crimes que cometeram e cujas consequências trágicas estão longe de ter fim.

Luz verde da UMP para Le Pen

O processo de candidatura às eleições presidenciais em França obriga a que cada candidato recolha 500 assinaturas de eleitos locais. No caso de candidatos anti-sistema, como é o caso de Jean-Marie Le Pen, o processo pode tornar-se dramático, dado o opróbrio a que está votado pela classe política e mediática.
É por isso que esta declaração do chefe da bancada parlamentar da UMP, dando liberdade aos presidentes de câmara do seu partido para apadrinharem a candidatura do líder da direita nacional, surpreende positivamente. Parabéns ao sr. Accoyer pela sua independência e aparente indiferença pelas críticas que vai ouvir em consequência da sua atitude de homem livre.
O sistema, de qualquer modo, está blindado em termos parlamentares pois a ascensão do Front National levou a classe política a alterar a lei eleitoral, eliminando o sistema proporcional, que permitiria que os 15-17% de votos que a FN normalmente recolhe se traduzissem em uma percentagem similar de deputados em relação ao total - em vez dos 0% que efectivamente "tem".

quarta-feira, novembro 08, 2006

Psicanálise do Judaísmo

A entrevista que se segue, tudo menos consensual, foi publicada pelo semanário Rivarol na sua edição de 13 de Outubro. Fala Hervé Ryssen, autor de "Les Espérances planétariennes", de 2005, e de "Psychanalyse du judaïsme", de 2006, que faz uma análise da psique do judaísmo e nos dá exemplos elucidativos da sua prática quotidiana, que a todos afecta.
Indispensável.


Hervé Ryssen, psychanalyste du judaïsme

RIVAROL: Après avoir fait paraître l’année dernière Les Espérances planétariennes (1), livre très documenté sur le rôle des intellectuels juifs dans le monde contemporain, vous publiez Psychanalyse du judaïsme (2). Que voulez-vous démontrer avec cette nouvelle étude?

Hervé RYSSEN: Après la rédaction des Espérances, il me semblait que l’analyse du phénomène "planétarien" n’était pas complète. Je constatais en effet, sans pouvoir l’expliquer, ce qui me semblait relever d’une "anormalité". Je pense notamment à ces ahurissantes dénégations des intellectuels juifs au sujet du rôle de leurs coreligionnaires dans le régime bolchevique. La vérité est que de très nombreux doctrinaires, fonctionnaires et tortionnaires juifs ont joué un rôle absolument accablant dans cette tragédie qui reste, avec ses trente millions de morts, le crime le plus effroyable de l’histoire de l’humanité, le maoïsme excepté. Pourtant, il faut constater avec Soljénitsyne que la quasi-totalité des intellectuels juifs refusent d’endosser leurs responsabilités, de faire leur mea culpa et de présenter des excuses aux familles des victimes. On peut retrouver ces curieuses dispositions à nier les évidences, à inverser les rôles et finalement à retourner l’accusation dans quelques autres cas, anciens ou récents: le rôle de gros négociants sépharades (dont la famille Mendès France) dans la traite des Noirs, celui de certains juifs influents (Perle, Wolfovitz, Kristol, Ledeen, etc.) dans le déclenchement de la guerre contre l’Irak, par exemple. Que dire encore de cette "mafia russe", de ces "oligarques" dont on nous a tant rebattu les oreilles, et qui n’ont de russe que le nom?

R.: Pouvez-vous donner quelques exemples de cette "anormalité"?

H. R.: A côté de ces sujets délicats, systématiquement occultés, balayés sous le tapis, les media grossissent démesurément le moindre incident qui paraît relever de l’antisémitisme. Le 30 septembre, France Info menait grand tapage sur une nouvelle "affaire": le journal L’Est républicain aurait refusé de publier une annonce nécrologique qui comprenait les termes idéologiques: "victime de la barbarie nazie". Immédiatement, cette information ridicule fut relayée dans les grands media, provoquant une fois de plus "l’émoi dans la communauté". Ce sont des réactions qui ne me paraissent pas "normales". Il y a dans cette communauté une émotivité de nature pathologique, une fragilité émotionnelle, un besoin de dramatiser qui prend parfois l’aspect d’une paranoïa pure et simple. Comme l’a écrit justement Shmuel Trigano, la communauté juive semble se complaire dans un "lamento victimaire". A côté de cela, on note aussi une grande nervosité dès lors que "la communauté" est critiquée pour une chose ou une autre. On se souvient qu’en 2000, les propos anodins et parfaitement justifiés de l’écrivain Renaud Camus sur la "surreprésentation" des juifs à France-Culture avaient provoqué un tollé totalement disproportionné. Le diagnostic médical insiste sur cette "grande intolérance à la frustration".

R.: Et quel serait, selon vous, le rapport avec la "Psychanalyse"?

H. R.: Il se trouve que de nombreux intellectuels juifs ont exprimé leur angoisse identitaire: Jean Daniel, Albert Cohen, André Glucksmann, Serge Moati ou le romancier américain Philip Roth, par exemple. Le journaliste Alexandre Adler relève effectivement que la judéité peut être parfois une "névrose obsessionnelle". Naturellement, Freud avait réfléchi à la question en son temps, à partir de son cas personnel, mais en projetant ses découvertes sur le plan universel. En vérité, la "projection pathologique" est un concept freudien, pour ne pas dire typiquement judaïque. Cette tendance de fond à systématiquement inverser les rôles et à accuser les autres explique pourquoi les intellectuels juifs, dans leur ensemble, accusent les antisémites d’être des "malades mentaux". Voyez ce qu’a déclaré tout récemment Abraham Foxman, le président de la ligue antiraciste américaine, au sujet de Mel Gibson, le réalisateur de La Passion du Christ, qui s’était un peu laissé aller, sous l’emprise de l’alcool, à quelques propos jugés "antisémites", avant de s’excuser auprès de la communauté juive sous l’effet d’on ne sait quelle pression: "Qu’il soigne son alcoolisme est une bonne chose, déclara Foxman en substance, mais il faudrait aussi qu’il soigne son antisémitisme." L’antisémitisme est pour eux une "maladie". Les propos à ce sujet sont innombrables. Et l’on comprend mieux à leur lecture pourquoi les opposants étaient enfermés dans des asiles psychiatriques en URSS et dans les pays staliniens.

R.: Que vous a appris la lecture attentive de Sigmund Freud?

H. R.: Freud a projeté sa propre pathologie sur le plan universel. Ce n’est pas pour rien qu’il a commencé sa carrière en travaillant sur le phénomène hystérique. On trouve dans l’hystérie tous les symptômes qui se calquent parfaitement avec ceux que j’ai pu déceler dans le comportement et le discours des intellectuels cosmopolites. Les similitudes sont vraiment étonnantes: la dépression, l’introspection, l’angoisse, la paranoïa, l’hyperémotivité, l’amnésie sélective, la fabulation, la sensibilité à l’opinion des autres, l’égocentrisme, la tendance à se donner en spectacle, l’incapacité à s’observer, l’intolérance à la frustration, le délire mégalomaniaque, etc. Tout y est, et jusque dans les origines de la pathologie que Freud avait mises en évidence. Quand j’écrivais Les Espérances planétariennes, je constatais sans comprendre que la question de l’inceste revenait de manière lancinante et mystérieuse sous la plume de certains intellectuels juifs (Jacques Attali, Jurgen Habermas, Stéphane Zagdanski…), comme s’il y avait des choses à cacher. J’ai poursuivi évidemment mes recherches de ce côté, et ce que j’ai pu découvrir sur ce point est vraiment très éclairant…
Propos recueillis par
Victor GRAND.
_____
(1) (2) Les Espérances planétariennes, 2005, 432 pages, 26 e. Psychanalyse du judaïsme, 2006, 400 pages, 26 e. Commandes à: Éditions Baskerville, SDE Domiciliations, 14 rue Brossolette, 92300 Levallois. Chèque à l’ordre de Hervé François. Ajouter 2 e de frais de port.

Sem tempo

Dramaticamente carente de tempo para comentar a trepidante actualidade, desde os continuados massacres perpetrados por Israel (e de seguida hipocritamente lamentados pelos próprios responsáveis) contra o povo palestiniano, às eleições legislativas norte-americanas, passando pela condenação à morte de Saddam Hussein, deixo-vos uma entrevista muito interessante dedicada à "psicanálise do judaísmo". Lamento aos não letrados na língua de Molière mas não tenho possibilidade de a traduzir.
Boa leitura.

domingo, novembro 05, 2006

Nacionalismo, mitos e preconceitos

Encerro hoje uma colaboração de dez semanas n' A Taberna dos Inconformados, versando o texto final, como não poderia deixar de ser, sobre Nacionalismo.

17º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora

Só hoje, dia 5, pude finalmente visitar o 17º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, sito este ano no nóvel Fórum Luís de Camões, na Brandoa.
A exemplo de anos anteriores, o festival prima pela excelente utilização dos espaços e imaginativa exposição dos trabalhos.
O tema da edição deste ano é "17 Graus Periféricos e o Resto do Mundo", sendo o prato forte a banda desenhada de paragens menos divulgadas: América Latina, África Subsahariana, Maghreb e Europa de Leste.
Da América Latina destacam-se os desenhadores argentinos, de que sobressaem os clássicos José Luís Salinas (que veio a trabalhar nos EUA - é o autor de Cisko Kid) e Arturo del Castillo (que teve boa divulgação entre nósno "Mundo de Aventuras"). A BD mexicana e cubana exposta era, sem surpresa, claramente ideológica (escusado dizer em que sentido).
O mais notável na mostra deste ano, que também inclui trabalhos de autores portugueses contemporâneos, é a BD do Maghreb: Argélia, Marrocos e Tunísia. Graficamente atraente, traço muito aperfeiçoado, sentido dramático - os autores expostos impressionaram-me deveras.
Um trabalho argelino mostra o terror quotidiano ao tempo da guerra civil dos anos 90; um indivíduo que receia sair de casa por ver duas pessoas com ar suspeito à porta:
« - Serão polícias ou terroristas?
- Não sei, têm todos o mesmo aspecto.»
Ou esta reflexão: «cada dia que passa é um dia ganho sobre a morte».
Apesar de a localização parecer extravagante para muitos e vós, a exposição está num local de fácil acesso para quem vem de Benfica ou da Amadora e o Fórum tem um vasto parque de estacionamento. Até às 23 horas de hoje ainda vão a tempo.

sábado, novembro 04, 2006

Israel sempre igual a si mesmo

A n-ésima ofensiva sionista contra o povo palestiniano vai fazendo vítimas, dia a dia. Crianças apanhadas desprevenidas, mulheres tentando fugir da ofensiva - ninguém escapa à barbárie israelita. Mostrando a maior frieza e desprezo pela vida dos não-judeus, o democratíssimo estado de Israel vai continuando a contribuir para a miséria deste mundo, dos que mais a sentem na vida de todos os dias aos ocidentais, que não deixarão de levar por tabela com atentados perpetrados por fanáticos islamistas, cujo ódio é ciosamente alimentado por Israel. Para a sua maior glória.

(Funeral de um jovem de 14 anos.)

(Destruição, destruição, destruição.)

sexta-feira, novembro 03, 2006

Incentivo à adopção por homossexuais

Sempre na vanguarda, a Europa dá mais um exemplo de incentivo à "familia" moderna.

Halloween!

Para quem não tem medo de Halloween (uma moda importada e que já pegou entre a nossa juventude) aqui está uma visão realmente aterradora:


(Imagem pilhada a este excelente blogue.)

Progresso Primitivo

Está já disponível online o número 2 da revista Alameda Digital, cujo tema central é "Liberdade de Expressão".
"Liberdade de demolição" poderia ser o título do meu artigo de estreia: Progresso Primitivo.
Leiam, divulguem, comentem, incentivem. A bem da... liberdade de expressão.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Genocídio ucraniano

Depois dos arménios, os ucranianos. A exemplo do que votou o parlamento francês, também a Ucrânia se prepara para criminalizar - ou pelo menos multar - quem negue publicamente a ocorrência do genocídio perpetrado por Estaline aquando da colectivização forçada a que foi submetida aquela ex-república soviética.
Pelo menos quatro milhões de pessoas morreram de fome devido à apreensão forçada das colheitas por parte do poder soviético.
O nosso amigo Sarto em tempos recomendou esta obra, que retrata o drama vivido pelos ucranianos às mãos das arbitrariedades e selvajaria estalinista.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Do anonimato na blogosfera

Por vezes sinto-me como que desligado do dia-a-dia da política portuguesa. Não vejo noticiários, não assisto a debates parlamentares nem a debates televisivos, não perco tempo com as crónicas de certos experts, os mesmos de há duas décadas (pelo menos) a esta parte (numa manifestação clara de pluralismo e diversificação de opiniões...) - em suma: uma reacção instintiva de repúdio.
Como conciliar esta atitude (que vem já da minha adolescência acrata...) de desconfiança da classe política e dos temas que ela decide trazer para a sociedade com a óbvia necessidade de estar informado e não ser ultrapassado pelos acontecimentos? Recorrendo moderadamente aos jornais e, o mais possível, à blogosfera, esse espaço de liberdade que tantos dentes faz ranger aos políticos e a muitos profissionais da comunicação social.
Está agora na moda criticar-se o anonimato da grande maioria dos blogueiros, insinuando-se que o mesmo lhes permite tomar atitudes irresponsáveis e criticar descabeladamente certas individualidades sem receio de ter de prestar contas. Os senhores jornalistas e políticos que veiculam esta ideia deviam ter vergonha: pelo monopólio das ideias que detêm e que impõem, pelo terrorismo ideológico que alimentam e pela estigmatização daqueles que ainda vão tendo forças para criticar o estado em que se pôs o nosso País, são eles os responsáveis pelo recurso ao anonimato dos heterodoxos blogueiros da nossa praça. Foram eles que (n)os atiraram para as margens do debate político, de ideias e cultura, são eles que zelam pela inviolabilidade do seu dogma societário e ideológico, são eles que odeiam a liberdade de expressão e que, escudados na hipócrita defesa da mesma, funcionam como comissários políticos à cata dos "proscritos". A quem depois criticam o seu anonimato.

Contra o aborto

Chamo a vossa atenção para este excelente texto da Causa Identitária, em que se desmontam os argumentos dos pró-abortistas e se toma uma posição inequívoca em favor da Vida.
Excertos:
«Um feto é um ser humano e não um tumor que possa ser removido livremente. A Vida inocente é para nós um valor fundamental que não pode ser colocado em causa apenas por questões de conveniência ou caprichos pessoais.
«(...) hipocrisia da argumentação pseudo-humanista do discurso oficial, que, na realidade, se limita a tentar ocultar uma cultura de desresponsabilização, e uma ideologia hedonista, individualista, crassamente materialista e por isso mesmo anti-comunitária.
«A Causa Identitária, relembrando que a actual lei já contempla os casos extremos (violação, perigo de vida para a mãe, malformação grave), e considerando que o primeiro dever de qualquer Estado é assegurar a perenidade da Nação e da sua identidade, que a maternidade e a família formam a espinha dorsal de qualquer comunidade saudável e que a Vida inocente é um valor fundamental, só pode assumir um Não rotundo no referendo.»

domingo, outubro 29, 2006

Dos distúrbios dos "jovens" e seus instigadores

Hoje, na Taberna, falo dos incidentes com "jovens" e dos seus instigadores reais.

Assassinato racista?

David Lees, de 23 anos, morreu ontem num hospital de Manchester, no que aparenta ter sio um atropelamento deliberado e motivado racialmente. Não é estranho que esta notícia não esteja a ter grande repercussão na imprensa? Nem por isso, se pensarmos que David era branco.
O cúmulo da hipocrisia veio pela voz de um elemento da polícia: "estamos a tratar do assunto como um incidente racial mas o assassinato não teve motivações raciais". É o que se chama concluir o inquérito mal foi encetado.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Portugueses, fora de Portugal!

«Portugal está moda – não há africano, ucraniano ou sul-americano que não nos procure, e com eles, vem o necessário investimento em segurança, saúde, habitação, mais subsídios, mais etc. e etc.
É o que podemos chamar uma imigração de incentivos – que nos obriga a gastar, sem destino ou fim à vista! E como os portugueses não conseguem viver com os salários que pagam a estes imigrantes de luxo, lá teremos que continuar a emigrar para países mais desenvolvidos que o nosso!
É uma verdadeira transfusão populacional, último grito em modernidade e bem-estar, o milagre do pleno emprego, os imigrantes para cá e os portugueses para lá!»
***

quinta-feira, outubro 26, 2006

A cultura, a memória e o camartelo

Graças ao HNO soube que a ministra da Kultura e ex-membro do PC"P" se prepara para desmantelar o Museu de Arte Popular, uma das poucas coisas que ainda nos sobra(va) da Exposição do Mundo Português (a adaptação a museu ocorreu em 1948).
Se lermos a descrição do espaço que nos traz o site do Instituto Português de Museus percebemos em parte qual a preocupação da ministra: «O espaço organiza-se de acordo com uma divisão do país em províncias administrativas, e a própria apresentação das colecções está nitidamente marcada pelas concepções e pela estética do Estado Novo.»
Destrua-se, pois. Para quando o ataque ao Portugal dos Pequenitos?
***
(Está em linha uma petição contra o projecto "cultural".)

quarta-feira, outubro 25, 2006

Homossexuais no futebol italiano

O sr. Franco Grillini, deputado pela Democrazia della Sinistra (sucessor social-democrata do PCI) e presidente di Arcigay, preocupa-se com a situação dos jogadores homossexuais no futebol italiano. Em número de vinte na Serie A (I Divisão) - avaliação obtida pelo "radar gay" (!?!) -, seriam vítimas da homofobia do meio futebolístico, em particular dos adeptos, o que os impede de assumir a sua particularidade e obrigando-os a uma "vida de inferno".
Acho o sr. deputado muito cândido. Então se o problema são os impropérios dos adeptos porque é que não avança desde já com um projecto de lei contra a homofobia nos estádios, em linha com o que a FIFA já determinou em relação aos comportamentos alegadamente racistas, que podem acarretar perda de pontos e jogos à porta fechada aos clubes com adeptos prevaricadores?
Ainda há pessoas que não perceberam o potencial revolucionário-totalitário das nossas sociedades democráticas!

"Pela vida", em conjunto ou individualmente?

Há dias escrevi, a propósito dos blogues colectivos, que um dos riscos a eles associados era o de «concentrar os ataques dos anti-nacionais de serviço; a existência de um "blogue dos fachos", dos "reaças", dos "racistas" ou dos "nazis" (conforme a "inspiração" dos reducionistas de serviço) excita a veia insultuosa dos seus inimigos, concentrando comentários grosseiros e obrigando ao accionamento da moderação de comentários, que inibe o dinamismo dos debates».
A curta experiência do Pela Vida, aliás um meritório projecto, tem-no confirmado: os histéricos de serviço já o tomaram de assalto e estão sempre de teclado em riste preparados para o ruído e a destruição de qualquer possibilidade de troca de ideias.
Põe-se efectivamente a questão de saber se será um blogue colectivo a melhor forma de a blogosfera promover a defesa da vida ou se os contributos individuais de cada um no seu blogue não o fará melhor. Não tenho resposta definitiva mas aponto para a segunda hipótese. Sinceramente duvido que a afluência de leitores ao Pela Vida seja maior que ao blogue individual mais visitado de entre os colaboradores do projecto.
Um mérito deve no entanto realçar-se ao Pela Vida: o de concentrar argumentos contra o aborto, numa lógica não necessariamente concordante pois agrega opiniões baseadas em diferentes premissas. Mas todas convergentes na defesa do bem mais precioso: a vida.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Morrer devagar

Não há dúvida que o estatuto de independente (formalmente) dá uma outra visibilidade a um território. Uma das formas como isso se manifesta é aquando de uma agressão externa. Viu-se a comoção mundial que gerou o bombardeamento israelita no Líbano, que visou sobretudo arruinar as infraestruturas do martirizado país.
Já a continuada guerra na Faixa de Gaza pouco eco encontra fora do mundo árabe. Ali se vão semeando as raízes de um ódio que vai passando de geração em geração e que, deliberadamente, impedirão a construção de uma alternativa de paz.
Lamentavelmente, hoje em dia parece que o estatuto de democrático dá aos países agressores o beneplácito do combate pela segurança. Entretanto, gerações de palestinos vão vivendo como exilados (dentro ou fora da Palestina), ruminando ódios sem fim face ao invasor.
Reféns das contradições e conflitos internos, sabiamente aproveitados pelo cínico agressor, os palestinos vêem o futuro mais negro do que nunca.

Obrigado

***

**

domingo, outubro 22, 2006

O Mundo da Infância

Os meus caros amigos são hoje convidados a mergulhar no fascinante mundo da infância, no local habitual dos domingos.

Legião Vertical

Está finalmente em linha o blogue da Legião Vertical, associação tradicionalista inspirada nos princípios de Julius Evola e animada, entre outros, pelos nossos amigos Legionário e Thoth.
Diria que subscrevo grande parte do que propõem (a supranacionalidade é uma excepção) e saliento que este projecto é bastante original, pois decorre à margem dos partidos e «pretende formar seres humanos no Caminho da Tradição (...) [e] unir (e não misturar) povos sob um Ideal de Honra e Justiça.»
Merece bem a vossa visita, os vossos comentários e o vosso apoio.

sábado, outubro 21, 2006

Experimentação social

O tão trompeteado projecto de "repovoar" o concelho de Vila de Rei através da importação de brasileiros foi suspenso. Expectativas exageradas para os imigrantes estiveram na origem do colapso do projecto. Pelos vistos a autarca visionária não fez um planeamento consequente e avançou atrabiliariamente, enganando virtualmente os brasileiros e desbaratando fundos públicos.
Este caso é bem exemplificativo do logro que constitui o encarar-se a imigração como panaceia para os problemas nacionais (e europeus), sejam eles a queda da natalidade, a falta de mão de obra menos qualificada, a queda do consumo - e a desertificação do interior. Em vez de se apostar em soluções nacionais (que passam pela promoção da natalidade, pelo apoio a cursos técnicos, por incentivos fiscais e económicos à implantação de empresas em zonas economicamente deprimidas e despovoadas, pela prioridade à construção de infraestruturas na província, pela repressão das empresas que contratem trabalhadores ilegais, etc.) opta-se pelo recurso à movimentação de populações, elas próprias tornadas vítimas das experimentações sociais e utopias mundialistas, autêntica carne para canhão das ideologias nefastas das esquerdas e dos insaciáveis buscadores de mão de obra barata.

Virilidade elogiada

"Que homem! Violou 10 mulheres! Nunca esperei isso dele, todos fomos surpreendidos. Invejamo-lo."
Não, caro leitor, estas palavras não foram proferidas por um fora da lei, pelo menos em sentido formal. Saíram da boca do presidente russo, durante a recepção ao seu homólogo israelita.
*
(Ler aqui.)

quinta-feira, outubro 19, 2006

Sacrifícios

quarta-feira, outubro 18, 2006

Sobre o genocídio arménio e a liberdade de expressão

A notícia de que o parlamento francês se prepara para criminalizar a negação do genocídio arménio tem sido bastante debatida.
Sabe-se que a Turquia ainda hoje nega oficialmente que tenha ocorrido a matança de arménios em 1915. Provavelmente mais de um milhão de arménios, incluindo mulheres, crianças e velhos, terão perecido durante a deportação a que a população de origem arménia do Império Otomano foi forçada. A documentação é abundante, as fontes históricas abundam.
Há poucos anos, após décadas de pressão por parte da diáspora residente em França, o parlamento francês reconheceu a existência do genocídio. Hoje quer considerar um crime negá-lo, tal como já o fez relativamente ao holocausto.
A minha posição sobre o assunto é simples: não cabe aos legisladores imiscuir-se na História. Esta é o resultado dos trabalhos de investigadores, uns mais escrupulosos que outros. Quando se chega ao ponto de definir em lei o que é permitido dizer-se sobre um determinado acontecimento a própria noção de liberdade de expressão torna-se anedótica.
A nossa era pós-moderna, politicamente correcta, é de uma hipocrisia extrema. Propagandeiam-se "grandes valores ", de resto os únicos aceitáveis e reprime-se ferozmente visões alternativas da história, da sociedade, da forma de organização política. Nem sempre isso é feito às claras, funcionando a conspiração do silêncio muitas vezes na perfeição: o controlo dos media permite não divulgar as heterodoxias, que ficam à margem, literalmente marginalizadas e estigmatizadas.
A legislação repressiva vai avançando menos lentamente do que à primeira vista parece: criminalização dos negacionismos citados, repressão do "racismo" (noção vaga que virtualmente permite condenar qualquer tomada de posição sobre o interesse nacional e a defesa dos valores pátrios), repressão até da "homofobia" (o que já sucede em - adivinharam - França, onde, como dizia com humor um jornalista, já não se pode chamar ao maire de Paris "Notre Dame de Paris"...). Nunca Estaline terá pensado que pudesse ser tão fácil reprimir em democracia.
Há outro ponto importante nesta questão do genocídio arménio: até aqui os judeus tinham um "estatuto" especial no normativo legal francês: "eles" tinham sido as vítimas do holocausto, "eles" são os protegidos do regime, "neles" ninguém toca. Com a criminalização do negacionismo do genocídio arménio desaparece esse carácter de excepção. Será isso, aos olhos da comunidade judaica, uma banalização do sofrimento do povo judeu? Estou em crer que não: na verdade, esta situação como que solidifica mais a figura mítica do holocausto. A repressão da sua negação não sendo já um caso isolado ajuda a calar os que criticavam aquela excepção, que lhes parece(ia) suspeita.
A única coisa boa em toda esta polémica é que largos milhares de pessoas que nunca tinham ouvido falar dos trágicos acontecimentos de 1915 passaram a ter conhecimento dos mesmos. É o mínimo que o povo arménio merece. Antes tivesse sido de outra forma.
***
Sugestões de leitura:
- o site Armenian Genocide constitui uma boa introdução à questão;
- o livro "1915, le Génocide des Arméniens", de Gérard Chaliand e Yves Ternon (Editions Complexe), já na quarta edição (2002), é bastante recomendável (e fácil de adquirir); em pouco mais de 200 páginas se descreve a tragédia com sobriedade e rigor. Inclui 8 páginas de fotografias. (Numa delas se vê um oficial turco com um pedaço de comida na mão, agitando-o sobre a cabeça de arménios esfomeados e de braços estendidos, como quem goza com um cão; há violências que impressionam mesmo quando não envolvem sangue.)

segunda-feira, outubro 16, 2006

Admirável Mundo Novo

Sob os auspícios de Huxley, Orwell e Zamiatine surge-nos o novo avatar blogosférico de Flávio Gonçalves: Admirável Mundo Novo. Ele não o diz mas um dos seus motes continua a ser «Contra os poderes ocultos, blogar, blogar». Passem por lá.

domingo, outubro 15, 2006

Shostakovitch e a liberdade criativa

Neste domingo convido os meus leitores a acompanharem-me numa reflexão sobre "Shostakovitch e a liberdade criativa": aqui.

sábado, outubro 14, 2006

Os criminosos

Alguém terá dúvidas sobre o envolvimento de Vladimir Putin e da sua clique de ex-KGBs na morte da corajosa jornalista Anna Politkovskaia? Quem ousou denunciar os crimes russos na Chechénia com inusitado vigor sabia que se prestava a um jogo perigoso, que teve o seu culminar sangrento no passado dia 7.
Parece não haver igualmente muitas dúvidas sobre o facto de os atentados nos subúrbios de Moscovo, rapidamente atribuídos a terroristas chechenos por um obscuro primeiro-ministro no final do consulado de Ieltsin, terão na verdade sido obra do FSB, sucessor do KGB, onde Putin trabalhou tantos anos. Este, com a sua "denúncia", granjeou popularidade tal que veio a ser eleito presidente por um povo assustado pelo espectro do terrorismo. O paralelo com as tácticas concebidas por Karl Rove e pelos neo-cons é irresistível e explica a amizade entre os presidentes da Rússia e dos EUA e a triste popularidade de que gozam por quem neles ingénua ou hipocritamente vê baluartes na luta contra o fundamentalismo islâmico.
Tal como o mostrou a URSS no Afeganistão, tal como o mostrou Putin na Chechénia, tal como o mostrou Bush no Iraque, o terrorismo islâmico não surge de geração espontânea e tem servido de sustentáculo no poder a quem o diz combater com unhas e dentes, quando na verdade precisa dele como de pão para a boca.
(Ler igualmente: Os verdadeiros terroristas rejubilam, texto por mim escrito há ano e meio.)

Nacionais e multinacionais

Indispensável a leitura deste texto do Rodrigo, em que se desmonta com uma clareza de mestre a hipocrisia dos mundialistas e vende-pátrias, no caso na Bélgica.

O milagre da Vida

Não deixem de visitar esta comovente galeria de fotografias retratando a formação do feto.

(Via Letras com Garfos.)

quinta-feira, outubro 12, 2006

Blogues colectivos, sim ou não?

Embora o postal anterior tenha material de leitura em grande quantidade não é por isso que não tenho actualizado o blogue mas sim por manifesta falta de tempo, problema que parece afectar muitos blogueiros da área nacional. De aí a propor-se à consideração a criação de um blogue colectivo vai um pequeno passo.
A ideia não é nova. E até já existe um blogue com essas características, o Jantar das Quartas. Terá vingado? Será um caso de sucesso? Independentemente da qualidade e da pertinência das análises que por lá se vai fazendo (e são ambas, felizmente, acima da média), o facto de o projecto ser animado basicamente por dois dos nove (!) tertuliantes diz alguma coisa.
Tenho-me pronunciado sempre desfavoravelmente sobre a existência de um blogue nacional. Por várias ordens de razões:
- é muito difícil assegurar a coordenação entre os participantes no sentido de evitar repetição de temas e, ao mesmo tempo, assegurar um nivelamento do número de postais diários; aquela toma bastante tempo, problema cuja ultrapassagem está na génese da ideia;
- um blogue colectivo permite concentrar os ataques dos anti-nacionais de serviço; a existência de um "blogue dos fachos", dos "reaças", dos "racistas" ou dos "nazis" (conforme a "inspiração" dos reducionistas de serviço) excita a veia insultuosa dos seus inimigos, concentrando comentários grosseiros e obrigando ao accionamento da moderação de comentários, que inibe o dinamismo dos debates;
- todos sabem que, segundo a velha máxima, juntando dois nacionalistas tem-se logo uma cisão... Como conciliar visões diferentes sem se cair nas polémicas internas, com postais e contra-postais entre colaboradores do projecto, num circuito cada vez mais fechado, quando o propósito deve ser difundir a ideia nacional a um número cada vez maior de pessoas, muitas das quais poderão estar propensas a aceitá-la mas que, por desconhecimento ou preconceito induzido pela propaganda, dela se costumam afastar?
- para fugir a esta última situação pode haver igualmente a tentação de criar blogues colectivos ma non troppo, em que todos os participantes comungam da mesma visão de nacionalismo, criando-se capelinhas de ortodoxia.
Posso parecer pessimista ao alinhavar estas reflexões e se calhar não há nada melhor do que fazer uma experiência e ver o resultado. Oxalá esteja enganado.

domingo, outubro 08, 2006

Dois anos convosco

Faz hoje dia 8 precisamente dois anos que nasceu o meu primeiro blogue, o Santos da Casa. Como disse o meu estimado amigo BOS, «farto (digo eu) de andar por aí a comentar pour rien, passou para o lado de cá da blogosfera. Há-de ver como elas doem». E vi mesmo.
Das centenas de horas dedicadas a pensar em postais e a editá-los, das crises existenciais, das transformações (e os meus blogues, em dois anos, já conheceram quatro figurinos: este, este, este e agora este) e, o mais importante, do apoio recebido por leitores e amigos, do seu incentivo, se foi fazendo esta caminhada.
O meu primeiro objectivo, esse, não sofreu alterações: promover o amor a Portugal, preservar a nossa memória histórica, promover a nossa cultura, alertar para os corruptores da Pátria. Sabendo que é uma tarefa difícil, ingrata e incompreendida por muitos. Mas continuando sempre, por amor ao torrão natal.
Existindo para os leitores e graças a eles, os meus blogues têm já um arquivo que soma, sem este, precisamente 1000 postais! É desse arquivo que seleccionei textos que seguidamente dedico a todos aqueles que contribuíram para que aqui chegasse. São textos sobretudo dos primeiros nove meses de actividade, aqueles em que dispunha de mais tempo livre; a selecção exclui excertos deste Horizonte, ainda um jovem de 7 meses. Quem quiser e puder tirará, creio, proveito da leitura de todos. Pode, em alternativa, cingir-se àquele que lhe é dedicado e, se aceitar a sugestão, ao último, que a todos é dedicado. A sequência de postais é cronológica, do mais antigo para o mais recente.
Bem hajam e boa leitura.

- Para o Clark: Fragas, solidão, luta pelos conques, morte
- Para o Corcunda: Poema dedicado ao Corcunda
- Para o Dragão: Lucette Destouches, a mulher de Céline (1, 2 e 3)
- Para o Paulo Porto: Nobreza Humana e A lírica de Garrett
- Para o Velho da Montanha e o Euro-Ultramarino: Viabilidade da Pátria
- Para o Restaurador: Juventude
- Para o JSM: Profissão de Fé
- Para o Duarte: Uma equipa de (do) futuro?
- Para o Manuel Azinhal: Onde se fala de conjurados, do traidor Morais Sarmento, da perfídia castelhana...
- Para o Jorge Ferreira: Uma Campanha Alegre
- Para o Vanguardista: Que se ponham a andar daqui para fora!
- Para o Legionário: António José de Brito em entrevista
- Para o Camisanegra: Soares e Salazar
- Para o F. Múrias: Entrevista de Manuel Maria Múrias
- Para o Luís Bonifácio: A ameaça permanente
- Para o ACJA: Getúlio Vargas e o "Estado Novo"
- Para o Nonas: Requiem e Mais uma vergonha europeia
- Para o Thoth: Da comicidade dos políticos à política dos cómicos
- Para o BOS: Jantar de homenagem a Rodrigo Emílio e Camilo (este sobretudo pelo comentário do próprio BOS)
- Para o AA: Morte de um patife
- Para o A.: Quem escreveu isto?
- Para o Pedro Guedes: Drieu e Testamento Político de José António Primo de Rivera
- Para o JLL: Os combates da Direita
- Para o Vítor Ramalho: O Pagode
- Para o Rafael: António Sardinha
- Para o HNO: Israel exige, a Alemanha...
- Para o Rodrigo: Adam Smith (1 e 2)
- Para o Nelson: Quem era o Deep Throat?
- Para o Engenheiro: Destruição da vida
- Para o Eurico de Barros: Povo português e cultura
- Para o Mário Martins: Mundo de Aventuras
- Para o JSarto: Na morte de João Paulo II
- Para o NC: Proudhon, a liberdade e o liberalismo
- Para o Simão Agostinho: Monarquia e Tradição
- Para o HVA: Chorado pelo Vento
- Para o Menestrel: O 28 de Maio, 79 anos depois
- Para a malta dos blogues Canto Azul ao Sul, Belenenses e CF Belenenses: Belém
- Para o Orlando: A subversão
- E, finalmente, para TODOS: Reflexão sobre a blogosfera portuguesa

Sobre a Monarquia, ontem e hoje

Hoje, na Taberna dos Inconformados, falo de "Monarquia passiva ou monarquia... autêntica".

sexta-feira, outubro 06, 2006

Os comentários na blogosfera

Não vou aqui abordar o jaez dos comentários que encontramos na blogosfera nacional. Como em tudo na vida, há-os maus, soezes, grosseiros, insultuosos; como os há de qualidade, informados, complementando por vezes o postal; um bom exemplo disso é o que nos mostra o comentador Carlos Portugal em comentário a um telegráfico texto por mim inserido ontem.
O que quero hoje abordar é o sistema de comentários por que os blogueiros optam.
Confesso que embirro com os blogues sem caixa de comentários; ou o autor não está preocupado com o que os seus leitores pensam do que ele escreve, ou tenta evitar ser insultado ou apenas não ler opiniões com que discorda. Em qualquer dos casos o blogue fica mais pobre. São raros os blogues sem comentários que leio; até passei a visitar pouco o Dragoscópio quando o seu autor levou a eremitocracia ao ponto de fechar os comentários lá na gruta.
No grau seguinte da embirração está a famigerada "word verification". Já é raro o blogue que a não tem, supostamente para evitar "spam". Eu, que nunca a activei, nunca tive problemas de modo que acho que os meus amigos deviam reconsiderar. Muitas vezes não há paciência para digitar "sdfhsli" após se escrever um comentário.
Agora muito na moda está a "comment moderation". O desgraçado do comentador dá o seu palpite, que fica oculto até o autor o ler e aprovar (se for o caso). Perde-se aquela dinâmica de ping-pong de comentários que tanto anima debates entusiasmantes e passa-se para uma situação de quase "correio dos leitores" de qualquer jornal diário, com pouca interacção. Passado um dia já poucos são os debates que se aguentam, a malta já "está noutra".
Pensem nisto que vos disse. Creio que se deve evitar que os blogues, cuja actualização ao minuto é característica que lhes deve ser inerente, se transformem em diários (com a acepção temporal da palavra), repositórios de textos cada vez menos debatidos e, provavelmente, cada vez menos lidos.
Fujamos ao cinzentismo dos jornais!

quinta-feira, outubro 05, 2006

Alameda Digital

Com um mais que merecido "destaque" na coluna da esquerda, a Alameda Digital lança o seu nº1, que vem confirmar a qualidade do número de lançamento. O tema central desta edição é "Portugal e os Portugueses no Mundo". Num país dominado quase totalmente pela informação conformista e indigente, esta alameda abre horizontes alternativos à modorra reinante. Passem por lá, leiam, reflictam - e divulguem.

O 5 de Outubro de grata memória



5 de Outubro de 1143: assinatura do Tratado de Zamora, em que D. Afonso Henriques estabelece a paz com o seu primo Afonso VII. Primeiro passo para a independência nacional.

O 5 de Outubro funesto

Há um ano publiquei dois postais que creio merecem a pena ser relidos:
- A República, filha do terrorismo;
- Ao Serviço d'El-Rei.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Rodrigo de Mello, Filho

No domingo passado, de visita à Feira de Antiguidades de Belém (que se realiza no primeiro domingo de cada mês), tive a felicidade de adquirir "As Lágrimas Ancoradas à Sombra do Amor", de Rodrigo Emílio, que ainda assinava Rodrigo de Mello, Filho. Este "ciclo lírico" recebeu o Prémio de Poesia de 1963 do Concurso de manuscritos do SNI.
O que é mais notável na edição que adquiri, em muito bom estado, é conter uma dedicatória do autor à recentemente falecida Natércia Freire. Reza assim a mesma:
«A Natércia Freire, um dos maiores nomes vivos da Poesia Portuguesa, ofereço este pequeno testemunho de uma grande amizade admiradora.
Sublinhando que se trata de um [ilegível] de versos escritos entre os 12 e os 17 anos, requere indulgência, o
Rodrigo de Mello, Filho.»
Sem indulgência e com saudade admiradora, aqui deixamos "Doem-me os lábios":
Doem-me os lábios
De não te poder dizer
Como os meus olhos me doem
De não te ver

Tão doridos (de te pedir)
Como os meus ouvidos
O estão
De não
Te ouvir...

Sem medo... da verdade

Vai custando assistir à decrepitude da III República, por entre escândalos, corrupção, desvio de fundos, pouca ou nenhuma preocupação pelo destino da Nação - e falsificação histórica. Repugnante a forma como se fabricam heróis a preceito. Humberto Delgado é um exemplo. Aqui o vemos, em musculada exibição de fé fascista, numa fotografia com que o Engenheiro deu o pontapé de saída do seu blogue, há coisa de ano e meio. Também publicou um excerto de um artigo de Jesus Suevos, onde este relatava as impressões que lhe tinha causado o seu encontro com o então capitão Humberto Delgado: «Expressava-se com grande veemência e pareceu-me pouco prudente, pois sem encomendar-se a Deus nem ao diabo começou a dizer-me que achava o regime português “pouco fascista”. Confessou-me que admirava Mussolini e que lhe parecia necessário “endurecer” a Legião portuguesa e, sobretudo, a Mocidade. O agora chefe da oposição “democrática” ao Estado Novo edificado por Salazar cria que ainda havia demasiadas reminiscências liberais nas junturas das instituições e fórmulas do novo regime, e advogava “maior força e severidade”.»

domingo, outubro 01, 2006

Abismo

A minha contribuição de hoje para A Taberna dos Inconformados vem sob o signo do abismo.