domingo, janeiro 14, 2007

Linhas de Elvas

«Janeiro de 1659, a 14. Não me esqueço do livro velho denunciando-nos a cumplicidade do nevoeiro. O nevoeiro, bom amigo desde que ao seu mistério confiámos o regresso do Encoberto, envolvendo-nos então numa massa confusa, protegeu-nos contra o adversário, incomparavelmente superior em municiamento e disciplina.
Demos connosco nos seus redutos, debaixo da capa parda da bruma. Caímos em cheio e a valer. Na mancha densa da névoa, rufaram tambores de súbito, de algum modo como na surpresa bíblica de Gedeão. O castelhano, iludido nas indecisões da manhã, não se apercebeu a tempo da nossa ordem de batalha. Tanto bastou para que as suas linhas se rompessem de pronto e pelo boqueirão aberto se engolfassem os terços do conde de Mesquitela. Da praça D. Sancho Manuel carregava sobre o inimigo já desmoralizado, batendo-se à toa, sem nexo. Alto, o sol límpido de Janeiro sacramentava-nos agora num esplendor de apoteose. D. Luís de Haro, sangrando na ferida enorme da sua vaidade pisada, abandonara o exército ao duque de S. Germano, largando em desfilada para Badajoz. Já o sol declinava. Na cidade, ao longo dos muros, como numa cruzada santa, passeara-se o Santíssimo durante o estridor da batalha. Moribundos, os pestíferos erguiam-se dos catres para contemplarem ainda, com as pupilas dilatadas, a hora do resgate, descendo dos cabeços fronteiros. A vitória tivera a rapidez das vinganças divinas (...). De facto, as nossas perdas não passavam de setecentos homens entre mortos e feridos. Os castelhanos, contando os prisioneiros, abandonavam no campo cerca de onze mil baixas - tantas como o pequeno exército [comandado por D. António Luis de Meneses] saído de Estremoz para salvar a cidade em perigo.
Mas que resta hoje da glória excepcional desse Janeiro de 1659? Sobre uma colina silenciosa um padrão silencioso. É bem o símbolo de Portugal arrastando a sua agonia na impassibilidade sacrílega dos homens e das coisas!»
***
António Sardinha, "Na Feira dos Mitos", Edições Gama (2ª edição, 1947).

Já cá canta!

Recebi finalmente o livro cuja capa vêem aqui reproduzida: "José Antonio: entre odio y amor" de Arnaud Imatz e que o amigo Pedro já nos trouxera ao conhecimento (ver aqui).
O autor propõe-se fazer a biografia do líder da Falange sem cair nas armadilhas da interpretação ideológica, dedicando de resto o livro a alguns familiares e amigos, «así como a todos los que se han librado de la hemiplejía moral de derecha o de izquierda». E recorre, curiosamente, a uma citação de José Antonio, conhecida de muitos de vós:
«El ser "derechista", como el ser "izquierdista", supone siempre expulsar del alma la mitad de lo que hay que sentir. En algunos casos es expulsarlo todo y substituirlo por una caricatura de la mitad.»
O gordo volume de 616 páginas promete.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Auto-crítica árabe

À semelhança dos seus irmãos desavindos judeus, os árabes são bastante propensos à cultura da vitimização, culpando os outros por todos os males de que padecem.
Sem deixar de reconhecer as injustiças e arbitrariedades que vêm sofrendo, os árabes devem olhar um pouco mais para si próprios e não fugir às responsabilidades.
Dois exemplos desta desejável postura, retirados de dois jornais do Médio Oriente:
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«O que se passa em Beirute não se inscreve na história do Líbano mas sim na do quadro mais vasto do Médio Oriente, onde os grupos e as organizações actuam acima dos Estados, minam as instituições e destroem todo o quadro legal.» ("Asharq Al-Awsat")
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«Ninguém quer enfrentar o caos intelectual e político que reina no mundo árabe pois ele conduz-nos às mentiras mais desavergonhadas. Para nós é sempre mais fácil atirar as culpas para os americanos, os europeus e os sionistas que ter a honestidade de reconhecer as nossas responsabilidades. E o risco é cairmos na catástrofe mais completa (...) O mais estranho de tudo é que o “governo” palestiniano, a “oposição” libanesa e a “resistência” iraquiana avançam sob o escudo da religião, apresentando-se como a incarnação do Islão, representantes dos muçulmanos e partidos de Deus. Isto evoca os anos 50, quando a destruição política do mundo árabe se fazia ao abrigo de palavras de ordem revolucionárias e nacionalistas pan-árabes. É de dar em doido! Nenhum país pode viver com este grau de loucura. E, no meio de toda esta demência, em que todos dão gritos de vitória, há um perdedor autêntico: a pátria.» (Tarek Massarwa em “Al-Raï”, jornal de Amã).

Podemo-nos rir de Hitler?

A interrogação acima poderá parecer estranha ao comum dos mortais dotado de algo que vem rareando cada vez mais: bom senso. No entanto, a edificação do dogma da "monstruosidade hitleriana" a isso obriga a quem se dobra perante os ditames do politicamente correcto. Com um efeito curioso: em Hitler não se toca, a sua imagem oficial é inatacável. Debate aberto sobre o personagem: nem pensar.
Um filme estreado recentemente, "Mein Führer", vem relançar a lancinante questão que se põe aos jornalistas e demais fazedores de opinião. O facto de se tratar de uma comédia, e mesmo considerando a origem judaica do realizador, levou a que a película não caísse nas boas graças gerais. O filme poderá ser fracote ou mesmo anedótico, não sei, mas é expressivo que sessenta anos após a morte do líder nazi ainda seja tabú falar-se dele de uma forma diferente da solenidade inerente à caracterização de um "monstro".

segunda-feira, janeiro 08, 2007

"Violador português é branco"

Um estudo levado a cabo por uma candidata a mestre pela Universidade do Porto e divulgado pelo Público concluiu que «o violador português é branco, tem cerca de 30 anos, baixa escolaridade e não revela arrependimento pelo crime, mas pena por este o ter conduzido à prisão, onde é maltratado pelos outros reclusos e guardas».
Duas questões:
- será que a amostra de 38 reclusos condenados pelo crime de violação é significativa?
- será que se o estudo concluísse que «o violador português [ou actuando em Portugal] é negro" ele seria alvo do mesmo destaque? Pior: será que uma tese que chegue a essa conclusão é aceite pelo júri?
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Fous le camp, salaud!

Será que os franceses são o povo mais grosseiro à face da Terra? E o mais arrogante? A "inocente" interrogação é-nos trazida pelo Daily Telegraph, que conta como a Comissão Regional de Turismo de Ile-de-France está a tentar cativar mais turistas ingleses, nomeadamente divulgando a famosa linguagem gestual francesa... Espera-se que, dominando a dita, os turistas de além-Mancha se sintam mais à vontade a lidar com três dos tipos mais frequentes de Paris: empregados de mesa mal educados, taxistas do mesmo quilate e "febras" sentadas em esplanadas com umas trombas de todo o tamanho (desencorajando os avanços dos mais destemidos...)!
Um artigo divertidíssimo, a que há que acrescentar o fórum, onde os leitores debatem o grau de rudeza dos gauleses...

O "império benigno"

Mais um texto memorável do nosso amigo JSM, um verdadeiro grito de alerta aos que ainda não vêem com clareza o que está perante todos.
Excertos:
«Antes do mais, temos que nos livrar deste império benigno que usa conhecidas palavras de passe, como democracia e liberdade, para cometer atrocidades!
Sem querer, chegámos a um ponto insuportável em que é forçoso concluir – o mundo não precisa destes americanos para nada, muito menos para polícias do mundo ou pastores universais.
Aliás, só a propaganda usada como arma de destruição maciça, poderia ter operado o milagre da quadratura do círculo! De facto, porque carga de água é que um regime republicano, assente em votos e maiorias instáveis, haveria de trazer algum rumo ou alguma estabilidade ao planeta! Nunca trouxe! No caso, resume-se a um jogo de cartas marcadas onde dois jogadores, viciados no lucro, se vão revezando, no faz e desfaz, na invasão e na retirada, no mata e esfola inteiramente comandado pelo egoísmo de um poder obsceno!»

domingo, janeiro 07, 2007

Mais um escritor para o Index?

Será que qualquer dia também se lembram de lançar as obras de Camilo para a ara vingativa dos Savonarolas coevos?

Vão ver o que se passa em cada casa,
Que vive à lei de gótica nobreza,
*****E seus festins nos dá!
Se é jantar, o talher que vem à mesa,
*****O usurário o dera
Em troca do serviço que é do chá.
**
Se é baile, vai em troca do serviço
A inútil baixela do jantar;
*****E assim se faz figura;
E, se é jantar e chá, vão-se alugar
*****Ao sórdido judeu
Ambas as coisas, que absorve a usura.
***
Camilo Castelo Branco, "Coração, Cabeça e Estômago" (terceira parte).

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Viabilidade da Pátria

Sistema de certeza íntimas, agregado de segredos conhecidos colectivamente, conjunto de emoções vividas em comum, rede de interesses partilhados por todos: uma pátria. E os cidadãos de uma pátria, se ainda a sentem, têm de partir do pressuposto da sua viabilidade. Deste modo, e no que respeita aos portugueses, há que basear tudo nesta premissa simples: Portugal é uma nação independente e soberana, tem a viabilidade de continuar a ser independente e soberana, possui os meios de se fazer respeitar. Parece vedado a qualquer português deixar-se permear por ideias suicidas em relação a Portugal; não se afiguram lícitas dúvidas quanto às raízes nacionais; e não se julga curial que qualquer português, que sinta Portugal, possa negar ou não viver a solidariedade nacional. Além de tudo, aquelas premissas alicerçam-se em factos irrefutáveis: Portugal possui uma língua, uma cultura, uma religião, e uma história apenas sua. Está-se perante uma quantidade política e sociológica que, por isso mesmo, desencadeou os meios de se afirmar no tempo e no espaço, e de garantir a sua sobrevivência.
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Franco Nogueira, "Juízo Final" (1992)

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Uma proposta à vossa consideração

Há uns tempos, a propósito das virtualidades deste e outros blogues nacionais, escreveu-me um leitor e amigo o seguinte: «Se queres que te diga a verdade creio que há q.b. de blogues de Direita e, pelo menos para mim, é-me impossível lê-los a todos com regularidade; no último ano, quanto muito, acrescentei 3 ou 4 blogues aos meus Favoritos. E, de facto, muitas vezes há uma certa repetição dos temas e das questões abordadas: quase todos referem as datas históricas; as conferências de A, B ou C; a saída da revista Alameda Digital, etc.
A ideia que pairou em tempos sobre fazerem um blogue comum parecia-me boa e não sei porque não medrou.»
O nosso amigo levanta várias questões importantes, que devem ser alvo de reflexão.
Assim:
- datas históricas: parece haver um certo cansaço e sensação de repetição, tanto por parte de leitores como de autores. Já "todos" sabem que no dia 3 de Janeiro se vai falar de Drieu, a 6 de Fevereiro de Brasillach, a 25 de Abril de Benito Mussolini, a 27 de Maio de Céline, a 28 de Maio do 28 de Maio, a 18 de Julho do Alzamiento, etc., etc. Mas se se fala dessas datas é porque elas têm um significado que achamos eterno e representam um exemplo para as gerações mais novas. E depois, se não formos nós a falar delas, quem o fará? A omissão representa pontos a favor do sistema;
- conferências, Alameda Digital, etc.: a questão é a mesma, fugir ao bloqueio do silêncio, divulgar iniciativas louváveis e promover a informação alternativa. Como os leitores da nossa área, embora escassos, são fiéis e comuns a vários blogues, acabam por ter que ver as mesmas referências várias vezes, o que só se evita com a sugestão do nosso amigo: um blogue colectivo.
Continuo a ver vantagens e inconvenientes nessa solução, que de resto já convosco partilhei e discuti.
No que aparentemente nunca ninguém pensou foi na criação de um blogue colectivo UNICAMENTE dedicado à divulgação de iniciativas nacionais, sejam encontros, conferências, colóquios, edições, etc. Um blogue meramente informativo, gerido por duas ou três pessoas, podendo n contribuir com as informações que por ora estão dispersas por vários blogues e sites. Em suma: uma Agenda Nacional.
Que vos parece?

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Pierre Drieu la Rochelle (1893-1945)

Representou de certa forma as contradições e os dramas do século XX. Inconformado com o ambiente burguês em que nasceu, sonhou com um "socialismo fascista" e aderiu com entusiasmo ao Parti Populaire Français de Jacques Doriot. O desastre francês de 1940 não o surpreendeu, convicto que estava da inelutável decadência das democracias. Abraçou o ideal nacional-socialista, tornando-se um convicto europeísta. O seu paradigma estava já para além da Nação.
Pierre Drieu la Rochelle nasceu há 104 anos. O seu percurso foi o de muitos franceses (e outros europeus) convictos de que a salvação da civilização ocidental estava numa Europa unida. Pode-se afirmar que abandonou o nacionalismo strictu sensu. Esse confronto entre as duas visões políticas para o mundo ocidental ainda hoje continua a marcar o debate nacionalista em todos os países europeus. A sua ida a Berlim, durante a Ocupação, em conjunto com outros escritores (como Robert Brasillach; Céline absteve-se) foi um marco, para alguns traumático, da atitude de certa intelectualidade francesa num dos períodos mais negros da história gaulesa.
O seu suicídio em 1945, após quase um ano escondido, representou a única saída que encontrou face à sua aposta falhada. "Je demande la mort", escreveu no seu Diário.
Apoiante de um regime anti-semita, ele que teve uma amante judia e teve como um dos melhores amigos o judeu Emmanuel Berl; apoiante de um regime que declarou guerra ao mundo anglo-saxónico, ele que era um apaixonado da literatura britânica; apoiante de um regime inequivocamente totalitário, ele que foi um espírito livre como poucos. Drieu representa a seu modo as contradições de um século trágico e o drama dos compromissos políticos dos intelectuais dessa época.
A sua vasta obra romanesca sobrevive a todas as vicissitudes. Ler hoje os seus livros é um prazer imenso, pela arte de retratar um mundo burguês em decadência acelerada, pela forma como ilustra os impulsos suicidas de um inadaptado que foi ele próprio, pela escrita depurada e expressiva, pela emoção contida que perpassa a cada página. Longe das academias que atribuem tal galardão, Drieu não deixou de conquistar a imortalidade.
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Ler igualmente o texto (e comentários de leitores) que escrevi há um ano: aqui.

terça-feira, janeiro 02, 2007

O abismo sem fim do Zimbabwe

Enquanto Robert Mugabe se vai agarrando ao poder com unhas e dentes, a situação económica e social no Zimbabwe não pára de se degradar. A escassez de combustível leva a que as prostitutas prefiram receber gasolina em vez de dinheiro. A SIDA, naturalmente, grassa pelo país, morrendo da doença 3.000 pessoas por semana.

Ano Novo no Iraque

domingo, dezembro 31, 2006

Bom ano?

A necessidade dos homens em balizar temporalmente a sua vida leva a que se criem rituais de celebração de determinadas datas e consequente avaliação do que se passou no período que finda. A passagem de ano é propícia a balanços, análises e prospectivas, algo a que a blogosfera também não fica alheia.
Para 2007 desejo algumas coisas mas se calhar não espero que se concretizem muitas. Para além dos desejos que envolvem família e trabalho, o meu Belenenses não poderia faltar, posto que está na corrida para voltar a ser campeão nacional de andebol, 13 anos depois, com uma equipa 100% portuguesa e quase totalmente composta por jogadores com menos de 23 anos.
Gostava de ver daqui a um ano os blogues que mais prezo ainda pujantes de actividade e inconformismo; gostava de ver relançado um debate frontal e honesto sobre os desafios do nacionalismo português.
Gostava de ver a juventude deste país cada vez mais interessada pela sua história e cultura. Gostava de ver as salas de concerto, os museus, as boas livrarias mais procurados pela mocidade desta terra.
Gostava de ver abrir cada vez mais brechas no podre sistema que nos vem desgovernando há décadas, demonstrando uma inépcia, uma desonestidade e um ardor anti-nacional insuperáveis.
Penso que eu e muitos outros que "por aí andam" podem, cada um à sua maneira, dar o seu contributo nesse sentido, nunca esquecendo que se trata de uma tarefa árdua e de longo prazo. Mas é para isso que cá estamos e gritamos: PRESENTE!

Nonices

Antes de mais, torna-se necessário um esclarecimento: muitos leitores de blogues ouviram já falar num tal Nonas, misterioso ser que por vezes nos presenteia com comentários de vibrante portismo e algumas outras coisas acabadas em "ismo". Fiquem os que o não conhecem sabendo que o personagem é um dos principais municiadores de doutrina e informação alternativa dos blogueiros da área nacional. Ele são CDs com dezenas de textos, de Alfredo Pimenta a António Sardinha, de Rodrigo Emílio a Robert Brasillach; ele são dezenas de mails por semana com notícias que não vale a pena procurar nos media - porque lá não aparecem, posto que não ultrapassam o purgatório da democrática censura.
O nosso amigo é além disso - nosso amigo: um camaradão como já não há muitos, amigo do seu amigo, generoso, companheiro, mordaz, irónico e munificente em disponibilidade para nos ouvir.
A notícia de que finalmente se decidiu a abrir um blogue só pode ser saudada. Mas atenção: seres frágeis, sensíveis e democratas de alto coturno devem lá passar de mansinho e levar previamente já no bucho uns comprimidos de valeriana - quem vos avisa vosso amigo é...

sábado, dezembro 30, 2006

(Mais uma) vitória para a democracia

Já aqui o disse e repito: Saddam Hussein foi um ditador brutal e mesmo sanguinário, que nunca hesitou em cometer massacres para reforçar as suas rédeas no poder. Desde os primeiros momentos como presidente, quando designou sadicamente, numa assembleia do Baath, os elementos que iria eliminar, que Hussein deixou a sua marca.
Mais do que ninguém, iraquianos (e iranianos) sofreram na pele a sua governação despótica e pouco preocupada com as necessidades do povo. Poder pelo poder, poderia ser a sua divisa.
A sua execução nesta madrugada foi em especial saudada por xiitas e por... democratas ocidentais, em particular George W. Bush, que nela viu uma marca do avanço democrático no país que invadiu, desgovernou e ajudou a lançar numa feroz guerra civil. Responsável por dezenas de milhar de mortos, pela inépcia, falta de planeamento, messianismo democrático e desleixo que a sua administração demonstrou, Bush nunca será julgado pelos seus crimes. Tal como Blair, outro impecável democrata.
Muito na sombra em todo este processo, Israel vai marcando pontos na sua agenda internacional. Um Iraque dividido ou mesmo retalhado será algo sempre do agrado do estado sionista, que vai vendo com satisfação ruírem os últimos vestígios de pan-arabismo.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Os "pela morte"

Só agora reparei que, com a mudança efectuada ao template deste blogue, me esqueci de listar os blogues que defendem a vida, algo que agora se repõe.
Um desses blogues, o Razões do Não, fala-nos da campanha do Bloco de Esquerda e do infeliz (adjectivo que é redundante sempre que se fala nas actividades daquele agrupamento) cartaz que já por aí anda a infestar as nossas cidades, no qual se vê «dois homens de blusão e óculos escuros [que] conduzem pelo braço uma mulher que tapa a cabeça e os ombros com um casaco. Um enorme Sim e a frase “para acabar com a humilhação” concluem a mensagem.»
Esta é a típica argumentação modernista que tão bem vem caracterizando há dois anos e meio o nosso amigo Corcunda. Numa era em que, na sequência das "lutas de Maio de 68", tudo ou quase tudo é permitido; em que a governação, para além da satisfação dos grupos de pressão que a sustentam, se subjuga às pressões da rua; segue que qualquer humilhação de certos grupos de pessoas é manifestação de repressão ou fascismo, incompatível com as liberdades de Abril. Portanto, a palavra de ordem é "fim à proibição", ou seja, "liberalização".
Abandona-se qualquer concepção de valores que não seja a "autorização", esquecem-se os princípios que devem nortear uma sociedade que se pretenda sã e harmoniosa, estimulam-se as reivindicações sem fim. Levando esta postura ao seu limite lógico, por que motivo é que se continua a "humilhar" os pedófilos? E os violadores? E os incestuosos? Porque não legalizar a necrofilia?
A lógica de "reprimir a repressão" leva as sociedades ocidentais ao abismo com uma velocidade arrepiante. Mas não será esse o objectivo dos seus mentores: acabar de vez com a civilização ocidental?

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Ligações

O corajoso autor do blogue Admirável Mundo Novo sugere-nos um site de informação alternativa, o Projecto Grifo, que à primeira vista parece ter bastante interesse. Está já na lista de ligações a que chamei "Informação Alternativa". Esta lista foi de resto aumentada com páginas dos EUA, Brasil e Itália. Todas elas merecem a vossa consulta frequente, tal o seu manancial de informações, que normalmente não chegam às rotativas da grande imprensa. Coisas da "era da (des)informação".

terça-feira, dezembro 26, 2006

Em vão?

Quantos blogueiros se reconhecerão no retrato do jornalista verdadeiramente independente feito por Camilo em "Coração, Cabeça e Estômago"?
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«O jornalista austero será sempre um ente malsinado e odioso para todos os governos. Hão-de expulsá-lo sempre do sacrário poluto das mercês, onde reina o ladrão laureado, que tem o segredo de abater ministros erguidos, e exaltar ministros despenhados.»
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Desejo sinceramente que o valor dos blogues nacionais não seja confrontado com o resultado desolador do labor do malsinado Silvestre:
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«Partiu o braço, querendo parar o movimento da roda. Desbaratou a melhor parte do seu património em publicações panfletárias, que não rasgaram sulco algum para as searas do futuro progresso da humanidade. Criou inimigos, que nem sequer lhe tidam lido as diatribes, nem lhe podiam perdoar as graças do estilo - inimigos que não sabiam ler, os piores de quantos há.»

Neo-neo-realismo

Ontem, o programa "Poesia e Música" da Antena 2 não arranjou melhor poesia para celebrar o dia de Natal que a de Joaquim Namorado, uma das figuras do neo-realismo português. E logo com um poema a satirizar a sociedade, claro. Mesmo em dia santo (ou precisamente EM dia santo) a ideologia mostra as suas garras vigilantes.

sábado, dezembro 23, 2006

Dickens e o espírito de Natal


«There seems a magic in the very name of Christmas.» (Charles Dickens)
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Desde jovem que para mim o espírito de Natal está antes de mais expresso nas magníficas páginas de Charles Dickens. Seja no clássico "A Chistmas Carol", que narra a metamorfose do mesquinho Scrooge, que acaba por ser conquistado pelo significado humano do Natal, seja indirectamente nas obras em que o protagonista é um jovem, como em "Oliver Twist" ou "David Copperfield".
E isto porque o genial escritor representou sempre as crianças como vítimas inocentes da maldade dos adultos, embora não seja raro que estes por vezes se sensibilizem para os valores humanos mais puros. Num mundo de egoísmos, de ganância, de luta pelo poder, são as crianças as primeiras vítimas dos confrontos dos adultos. Lançado num turbilhão de conflitos e paixões, o jovem de Dickens tenta sobreviver e agarrar-se ao mais leve sinal de calor humano que encontre.
Não há outra época do ano em que essa necessidade melhor se expresse que no Natal, momento em que até os adultos parecem querer sucumbir aos seus encantos, agarrando-se às memórias de infância, às luzes de um passado mais distante pela transformação ocorrida nas suas vidas que pelo simples passar dos anos.
A comemoração do nascimento do menino que veio salvar o mundo é dos poucos sinais de transcendência que o homem contemporâneo pode alcançar. Subvertido pela glorificação do consumo e pela avalanche de ofertas e embrulhos que quase ocultam o pinheiro, o Natal está em vias de sofrer a última derrota face ao materialismo cego que Dickens sempre denunciou, valorizando o que de bom há no homem, criatura sempre propensa a lançar-se no abismo e a esquecer as virtudes que Deus lhe concedeu.
Por uns dias creiamos que esse combate não está perdido e que um dia nos corações dos homens se iluminará perenemente uma luz tão brilhante como a que guiou os Reis Magos há dois milénios.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Distinção

E agora uma notícia mais agradável: este blogue foi eleito, por um painel de 34 votantes, o 5º melhor blogue português. Pese o exagero da distinção, não deixo de ficar satisfeito por ver reconhecido o valor desta vossa casa. Os meus agradecimentos aos votantes e em especial ao Restaurador, um grande amigo do "Horizonte" e animador desta iniciativa com um nome muito bem escolhido: "Conjurados 2006".

Os inversores

O governo espanhol anunciou hoje que vai financiar a 100% mudança de sexo a partir de 2008. Leram bem: 100%. Numa altura em que todos os governos da União Europeia tentam (supostamente) cumprir critérios de disciplina orçamental, o governo do PSOE define como prioritário financiar as pataletas mentais de alguns invertidos.
É patético (e sinistro) verificar como a esquerda, perante a evidência do fracasso do seu modelo económico - e consequente aceitação do capitalismo como melhor forma de afectação de recursos e produção de riqueza na sociedade -, se tem virado para uma ofensiva aos valores antigamente epitetados pelos comunistas e alguns socialistas como "burgueses" e que mais não é que o desmontar, peça a peça, a estrutura tradicional (ou o que resta dela) das nossas sociedades ocidentais, assentes na célula familiar.
O que está em causa é uma revolução imposta pelo poder, apoiada pela comunicação de massas às ordens e inoculada numa população cada vez mais amorfa e mergulhada nas precupações do quotidiano e no divertimento tornado objectivo máximo da existência.
Quando (e se) acordarem será demasiado tarde.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Uranus

Recebi há dias uma encomenda em que se incluía o DVD de "Uranus", a adaptação cinematográfica da obra-prima de Marcel Aymé, realizada por Claude Berri em 1990.
O filme é verdadeiramente extraordinário, respeitando o espírito do romance de Aymé, o qual retrata a vida numa vila francesa em 1945. Após os bombardeamentos aliados a povoação viu algumas das suas casas serem arrasadas.
O engenheiro Archambauld vê-se obrigado a dar alojamento a Watrin, um professor humanista e ingénuo quanto à natureza humana (genial Philippe Noiret), e a um casal de comunistas. Um dia acaba por albergar também um colaboracionista perseguido pelas milícias comunistas.
Temos também o taberneiro Léopold (Gérard Depardieu), que fecha o seu estabelecimento todos os dias por algumas horas para acolher os alunos cuja escola sucumbiu às bombas. O bom homem, que emborca vários litros de vinho branco por dia, descobre, ao assistir às aulas, uma veia poética até aí insuspeita na sua pessoa. E vai de recitar "Andromaque", a obra de Racine, tentando verificar em cada verso a existência de doze sílbas métricas. Não tarda muito que ele próprio comece a escrever recorrendo ao mesmo processo, o que dá lugar a momentos divertidíssimos, senão reparem: "De-puis-que-j'suis-pe-tit-je-n'ai-bu-que-du-blanc" ("desde pequeno sempre bebi vinho branco") - 12 sílabas!
O ambiente na pequena povoação está envenenado pela preponderância dos comunistas na gestão da mesma e pelo terror que geram pela permanente caça ao "collabo" (noção de âmbito bem alargado). A sua única preocupação é o serviço ao Partido, sendo todas as outras considerações passadas para segundo plano.
É notável a cena em que se dão as boas vindas aos prisioneiros de guerra que regressam ao torrão natal após cinco anos de cativeiro na Alemanha. Archambauld veste o seu melhor fato, que «não tinha uso desde a vinda do Marechal [Pétain]», demonstrando através do exemplo de um cidadão apolítico o carisma, o respeito e a consideração que o comum dos franceses nutria pelo velho soldado que fez dom da sua pessoa à França. Durante a cerimónia de recepção um comando comunista detecta um "collabo" entre os ex-prisioneiros e toca a espancá-lo. Nem os seus colegas de cativeiro intervêm. Apenas o bom Watrin afasta os contendores, desabafando de seguida para Archambauld: «somos todos cobardes e hipócritas, mas é isso que esta época exige de nós».
Muitas outras peripécias ocorrem, muitos dilemas pessoais e políticos assolam os personagens, num dos raros exemplos cinematográficos de exploração da ambiguidade, das incertezas, dos medos e das incongruências do comportamento humano em períodos turbulentos. Uma obra-prima que certamente encheria de orgulho Marcel Aymé.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

"Vontade"

A grande notícia blogosférica desta semana é o regresso do Rodrigo, apenas cinco semanas após o fim do Batalha Final. Vem até nós sob os auspícios da Vontade, conjugando a qualidade de sempre com um aspecto gráfico muito atraente.
Passem por .

terça-feira, dezembro 19, 2006

Sobre o revisionismo

Vai assanhada a discussão nos blogues nacionais sobre a conferência realizada em Teerão para debater o Holocausto, esgrimindo-se os argumentos já estafados de ambos os lados (o que não quer dizer que alguns não sejam válidos mas tornam-se quase inúteis pois o "oponente" nunca irá ler os links sugeridos, arreigado que está à sua "verdade").
Quando se chega ao insulto, que mais não é que uma forma de ruído para calar os argumentos do rival, já não se justifica perder tempo seguindo as discussões. Quando se lê que os "negacionistas" que estiveram no Irão são ou nazis ou lunáticos (ou as duas coisas ao mesmo tempo) parece-nos que para certas pessoas ainda se poderá dar um largo uso às técnicas "psiquiátricas" tão usadas na ex-URSS.
A verdadeira questão que deveria ser debatida é muito simples: porque razão é que em muitos países do mundo ocidental é proibido investigar sobre o tema, incorrendo-se em penas de prisão, e em quase todos está na prática reservado o papel de pária aos prevaricadores da "verdade oficial"?
Enquanto não houver liberdade de investigação os defensores do dogma não estarão livres de o ver questionado - e com maior ardor do que se houvesse aquela liberdade. É evidente que qualquer pessoa desconfia que seja proibido escrever em tom crítico sobre as conclusões oficialmente definitivas sobre o tema.
Duas conclusões decorrem daqui: que a história da II Guerra Mundial está muito mal contada (senão os factos valeriam por si) e que o lobby judaico continua a ter um poder imenso, ditando leis e lançando anátemas aos heterodoxos.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Mas você afinal é judeu!!!

Para os filo-sionistas (ou sionistas sem prefixo) que gostam de proclamar que em Israel todos, judeus ou árabes, são tratados de igual forma pelas autoridades, aconselho a leitura deste episódio vivido pelo autor do excelente blogue Desert Peace.

Lopes Graça

Desafiam-me os amigos Sarto e Mário a discorrer sobre a obra de Fernando Lopes Graça, que nasceu fez ontem 100 anos. Lamento desiludi-los (pelo menos em parte), pois não sou profundo conhecedor da mesma.
Conheço e aprecio a "História Trágico-Marítima, para barítono e orquestra". Nunca ouvi "Requiem pela Vítimas do Fascismo em Portugal" pelo parti-pris ideológico que lhe subjaz, desde logo no título. Vindo de um comunista empedernido será uma lição de moral mais que equívoca.
Da sua música de câmara a impressão que tenho é que é demasiado árida e pouco cativante. De clara influência bartokiana, reteve do mestre a técnica e o estilo de composição mas não aquele toque de génio que não é apanágio de qualquer um.
Da obra de Lopes Graça o mais perene serão as suas obras de inspiração popular, sobre cuja fidedignidade ao original não tenho condições de me pronunciar mas que à primeira audição destilam portuguesismo em grande escala, sendo de uma simplicidade e clareza desconcertantes. Pelo menos uma das lições do grande Bartók - a recolha das grandes tradições do folclore nacional - foi aprendida pelo seu émulo português.

sábado, dezembro 16, 2006

Um império de peso

Deve ser o indicador por excelência do progresso hodierno: os EUA têm a população mais gorda do planeta - a que come mais e pior, empanturrando-se de fritos e toda a sorte de gorduras e açúcares, refastelando-se em seguida horas a fio a ver filmes ou a navegar na internet.
São, claro, também os maiores "produtores" de lixo do mundo. E, pior, exportadores, pois o seu imperialismo económico é acompanhado pelo imperialismo cultural. Ditam-se modas, comportamentos. Promovem-se opções de vida, gostos musicais. Enchem-se os olhos de miúdos e graúdos com películas produzidas na América.
Desde a I Guerra que a ofensiva começou mas o impulso decisivo foi o pós-II Guerra. Os exércitos de Alexandre eram acompanhados, nas conquistas do macedónio, por sábios que promoviam a cultura helénica. Os exércitos do Tio Sam trazem consigo latas de Coca-Cola, hamburgers e bobinas de Hollywood. Que melhor sinal do progresso indefinido da civilização ocidental?...
Os últimos tempos de fausto do Império Romano tinham como imagem de marca os seus senadores anafados, já sem forças para se levantar e preparar a resistência às invasões bárbaras. Será que os balofos americanos simbolizam o canto do cisne do domínio da jovem e já decrépita nação?

sexta-feira, dezembro 15, 2006

A religião na música

Mahler, tal como Mendelssohn judeu convertido ao cristianismo, nunca compôs uma missa. Interrogado uma vez sobre se pensava colmatar essa omissão, respondeu o genial compositor: "E o Credo?..."
É claro que não é necessário ser crente para se compor uma obra de inspiração religiosa e um dos melhores exemplos é o fantástico "Requiem Alemão" do agnóstico Johannes Brahms.
Em contrapartida, Joseph Haydn contava como tinha composto "A Criação" com uma enorme alegria devota, algo que transparece quase nota a nota na belíssima... criação do austríaco.
Os nossos tempos são mais dados a dúvidas, inquietações, terrores. O compositor alemão Bernd Aloïs Zimmermann (1918-1970), profundamente católico, suicidou-se cinco dias após compor o impressionante "Ich wandte mich um und sah alles Unrecht das geschah unter der Sonne - Acção Eclesiástica para dois narradores, contrabaixo e orquestra", que tive a rara felicidade de escutar ao vivo no CCB (em 2001) em concerto da Orquestra da Flandres sob a direcção de Luca Pfaff, incansável divulgador de música contemporânea. A obra, além de belíssima, é de uma angústia extrema, terminando com o maestro sentado em atitude de recolhimento, escutando as últimas notas da peça.
Nos nossos tempos cada vez menos a religião consegue aliviar o angst que nos ataca, impiedoso.

Ainda Pinochet

Pouco antes do seu passamento, e de forma telegráfica, falou-se aqui de Pinochet. De entre os muitos textos publicados na blogosfera a propósito da morte do general chileno destaco três:
- Adeus, General Pinochet, em Claudio Telléz (com um excelente enquadramento histórico);
- É morto Pinochet, na Informazione non conforme (num tom mais crítico).

Enfunar a vela

Custa-me ver passar os dias e olhar para o blogue sem actualizações.
Agrada-me ler os comentários de amigos sobre as vantagens de manter um blogue.
Confortam-me os seus incentivos.
Reflicto sobre os seus comentários e reparos sobre os blogues nacionais em geral e este em particular.
Depois...
... depois há dias, como hoje, em que a pena (melhor, os dedos sobre o teclado) desliza ligeirinha.
Tal como com todos os outros desânimos, que as periódicas crises existenciais blogueiras nunca levem os autores a abandonar o barco. Uma vez por outra acostamos, veraneamos por terra, detemo-nos numa ou noutra paragem em solo firme. Depois - é retomar o rumo, com o horizonte que nos é caro na mira.

domingo, dezembro 10, 2006

Racismo no desporto

Mais uma vez é notícia o comportamento alegadamente racista de adeptos portugueses. Desta vez foi no Académica-UTAD, da 2ª divisão A, em futsal. Dois dos jogadores da UTAD foram mimoseados durante o jogo com urros de macacos e um deles acabou por chutar a bola para a bancada, sendo expulso em consequência.
Não serei eu a desculpar este tipo de comportamento grosseiro por parte dos adeptos academistas mas parece-me que se está a criar um clima propício à criminalização do mesmo, a exemplo do que vem sendo seguido e sugerido pela UEFA. Não estará longe o dia em que as pessoas irão a um espectáculo desportivo - onde habitualmente se deslocam para descontrair ou, o que é inevitável, para encontrar um escape - tolhidas de receio por o que possam dizer. Será legítimo, perante uma falta de um jogador de cor, gritar «para a rua» ou «grande besta», ou essas exclamações só poderão ser usados para com os brancos?
A crimideia orwelliana ganha cada vez mais forma num contexto democrático de repressão de pensamento e de atitudes não conformes. E, como é costume, as consequências serão contraproducentes para com o repressor.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Concerto para Violino de Luís de Freitas Branco

Muitos de vós conhecem de ginjeira os Concertos para Violino de Beethoven ou Brahms, alguns até o de Dvorak, todos obras recomendadíssimas. Mas quantos é que conhecem o Concerto para Violino de Luís de Freitas Branco?
Um dos nossos melhores compositores do século XX, Freitas Branco compôs o citado concerto em 1916, ano em que o nosso país entrou na Grande Guerra e um ano depois de o autor ter rompido com o Integralismo Lusitano, após uma atracção inicial por esse movimento de regeneração nacional.
De estrutura clássica e temperamento declaradamente romântico, o concerto parece pertencer já à fase dita neo-clássica do seu percurso criativo, já algo distante das experimentações anteriores de vanguarda, de que o genial "Vathek" (de 1913) é paradigma. É uma obra simplesmente tocante, arrebatadora, terna e com um não sei quê de bem português: uma melancolia, uma simplicidade expressiva...
A escutar, sempre.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

E o vencedor é...

Fugindo um pouco à ironia do meu postal anterior sobre o tema, pensemos um pouco sobre os motivos para a vitória de Oliveira Salazar no concurso "Grandes Portugueses".
Serão os votantes nostálgicos do Estado Novo? Eu arriscaria a dizer que mais de metade não o será mas terá votado no professor:
- por provocação;
- por despeito pela censura inicial da RTP, ao excluir o nome do insigne estadista da lista original;
- e, talvez o mais importante, por muitos portugueses, independentemente da sua ideologia, reconhecerem no antigo Presidente do Conselho um exemplo de abnegação à causa pública, de honestidade, de sentido de Estado, de defesa do interesse nacional. Tudo coisas que não identificam na classe política dos últimos 32 anos.
O resultado do concurso é, assim, uma bofetada sem luva aos que nos vêm desgovernando desde o 25/4, enchendo-nos os ouvidos com as supostas maravilhas da democracia e com os horrores da ditadura. Bofetada também a todos os propagandistas, políticos e jornalistas, que têm passado essa mensagem tão mal captada pelos portugueses.

Prioridades

No mesmo dia em que voltou a ser notícia o aumento do número de portugueses que procuram trabalho em Espanha, Marques Mendes visitou associações de imigrantes e defendeu o alargamento dos seus direitos ao nível da participação política.
aqui mostrámos, com recurso ao humor do amigo JSM, que o nosso país está a ser testemunha de uma substituição de populações: os naturais vão viver para outras paragens, os que ficam têm cada vez menos filhos e levas de imigrantes vêm para cá trabalhar. Marques Mendes mostrou com quem estão as suas preocupações.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Escócia independente?

Intensifica-se nas Ilhas Britânicas o debate em torno da possível independência escocesa, a um ano de se cumprirem os três séculos que já dura a União. Infelizmente, como é típico do debate actual, a análise centra-se sobretudo nos aspectos económicos. A nacionalidade é, assim, antes de mais o resultado de uma análise económica! Considerações de baixa política (redundância?), mormente o apoio dos deputados escoceses ao Labour na Câmara dos Comuns, também têm o seu papel.
A concretizar-se a independência escocesa, haverá algum efeito bola de neve na Irlanda do Norte? As clivagens político-religiosas no território provavelmente impedi-lo-ão. Por lá vinga o "dividir para reinar" tão caro à Velha Albion.

Pinochet

Fez um golpe de Estado patrocinado pela CIA. Procedeu ao assassinato de opositores. Governou em ditadura. É a besta negra da esquerda.
Também acabou com a aventura socialista no Chile, desenvolveu o país e abdicou voluntariamente do poder, de uma forma democrática.
Não foi um exemplo. Mas sê-lo-á Fidel Castro, no poder há meio século? A hipocrisia da esquerda não tem limites.

O grande português

Parece que o Dr. Salazar foi o grande vencedor do cretino concurso da RTP "Grandes Portugueses" (o tal que nos dava a possibilidade de votar no Dr. Sampaio ou em Luís Figo para maior figura da nossa história). A culpa é do 25 de Novembro e de quem procedeu à interrupção voluntária da dinamiz(t)ação cultural.
Volta, Duran Clemente, estás perdoado!

Ditos e contraditos

Primeiro: Maria Cavaco Silva declara-se "de centro-esquerda". Será que só resta ao Dr. Louçã assumir-se "de extrema-esquerda"?
Segundo: Marques Mendes declara-se contra o aborto mas afirma que o PSD não vai dar indicação de voto pois a matéria é do foro íntimo e das convicções de cada um. Não é o que dizem os pró-abortistas sobre a IVG?
Terceiro: o Ministro das Finanças declara que o orçamento de Estado para 2007 é um documento de rigor, sem desorçamentações, pois Bruxelas não deixaria de topar com esses malabarismos. Quer dizer que se Bruxelas não topasse a coisa far-se-ia? Sem complexos?

sábado, dezembro 02, 2006

Sociedade Histórica da Independência de Portugal

O site oficial da Sociedade Histórica da Independência de Portugal tem uma secção de loja virtual, que permite adquirir livros sem sair de casa. Alguns deles dizem precisamente respeito à Restauração, como o que ilustra este postal.
Notável é, igualmente, a secção de banda desenhada histórica, com reprodução de trabalhos de autores portugueses, muitos deles originalmente publicados na excelente revista "Camarada" (uma revista editada pela Mocidade Portuguesa que divulgou autores nacionais, alguns deles de grande talento).
Tudo bons motivos para celebrar a infelizmente cada vez mais virtual independência nacional.

A Restauração vista de Itália

É notável que o blogue Informazione non conforme, o tal que tem links para blogues nacionais, como este "Horizonte", tenha publicado um postal sobre o 1 de Dezembro português, com título na nossa língua e tudo!
Grazie, ragazzi!

sexta-feira, dezembro 01, 2006

D. João IV, o Restaurador

"Juro reger e governar bem e directamente" (D. João IV).
*
«Escolhido para ocupar o trono, chega a Lisboa a 6 de Dezembro de 1640 onde é entusiasticamente recebido pelo clero, nobreza e povo; a 15 do mesmo mês, no Terreiro do Paço, é solenemente aclamado rei. Tomou imediatamente medidas decisivas para garantir a Restauração, batendo-se com bravura para assegurar o seu triunfo. Pune com extrema severidade a conspiração a favor de Madrid encabeçada pelo arcebispo de Braga e que tem como correligionários o Inquisidor-Geral e o marquês de Vila Real. Dotou o país de novas fortalezas e foi grande impulsionador da adaptação das existentes aos novos métodos de guerra, tornando o país capaz de defrontar as forças espanholas (1644) na Batalha do Montijo, em Espanha. Proporcionou verdadeiras embaixadas às cortes europeias de modo a assegurar o apoio das restantes casas reais à causa da Restauração. Nem sempre esta tarefa se revelou fácil, visto que durante a ocupação filipina muitas das nossas colónias tinham sido ocupadas por esses reinos, como foi o caso dos holandeses no Brasil, que, por isso, se mostravam renitentes em reconhecer um novo rei em Portugal.
Em política interna desenvolveu uma larga actividade legislativa, consolidando a Restauração através de um persisitente esforço político, administrativo e militar.
A defesa do Brasil também não foi esquecida e os holandeses são expulsos. (...)
Apesar de a sua época ser já a do absolutismo real, D. João IV prefere consultar várias vezes a nação, reunindo Cortes por cinco vezes entre 1641 e 1653.»
*
Manuel de Sousa, "Reis e Raínhas de Portugal" (2000).

Restauração

"Coroação de D. João IV" (1908), obra de Veloso Salgado (1864-1945).

quarta-feira, novembro 29, 2006

Bento XVI apoia entrada da Turquia na UE

"O Vaticano não faz política, mas olhamos de forma favorável o caminho para a integração turca na UE". Esta declaração do porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, corrobora o que já anunciara o primeiro ministro turco Recep Erdogan, durante a visita do Papa Bento XVI à Turquia.
Como é que podemos interpretar aquilo que a imprensa em geral está a caracterizar como uma reviravolta das posições anteriormente expressas pelo ex-Cardeal Ratzinger? Uma forma de arrependimento pela prelecção feita em Setembro passado e que enfureceu o mundo muçulmano? Uma ponte aberta para um maior diálogo entre religiões, essa fórmula mágica do catolicismo pós-Vaticano II? Um jogo de equilíbrio (instável) entre as suas posições mais conservadoras e a necessidade de não romper com o modernismo abraçado há quarenta anos pelo Vaticano?
Sejam quais forem os motivos, esta atitude dá razão a quantos encaram hoje a Igreja Católica como um dos factores de desagregação do mundo ocidental; ela que está sempre na linha da frente do combate imigracionista (e raramente menciona a impossibilidade de a Europa continuar a acolher estrangeiros sem limite); ela que vem abandonando tantos preceitos que enformavam a vida tradicional da Europa; ela que se preocupa cada vez mais com assuntos terrenos e menos com aspectos espirituais; ela que, impregnada de espírito maçónico, se tornou uma das frentes do combate esquerdista.
Não sendo pan-europeu e execrando a União Europeia, na qual vejo um factor de dissolução das nacionalidades europeias em benefício de um ideário mundialista, não deixo de lamentar que as fronteiras daquela tendam a juntar-se à do Iraque, num conceito de Europa (não só geográfico) mais que discutível. Sem dúvida que os EUA não lamentarão uma Europa cada vez menos homogénea - cada vez menos Europa - e quem sabe se não caminhamos para a implosão da UE, o que não seria mau.
É tempo de os povos europeus criarem verdadeiros laços que assegurem a manutenção da paz no continente e o defendam da morte lenta a que parece estar condenado. Mas também é tempo de verem que com o federalismo nunca o conseguirão.

segunda-feira, novembro 27, 2006

As mentiras oficiais israelitas

Governo e exército israelitas bem tentam atirar poeira para os olhos da opinião pública mas cada vez menos convencem os próprios israelitas que, dos jornais às organizações independentes, denunciam as barbaridades cometidas sobre civis palestinos, sempre desmentidas - mas os factos "dizem" o contrário.
Uma análise a ler, aqui.

Desert Peace

Para gáudio (mas temporário - acalma-te, rapaz!) do Buiça, este blogue tem desde há uns dias um link para um blogue sediado em... Israel! Trata-se de Desert Peace, onde se analisa dia-a-dia o conflito na Palestina, por alguém que se afirma "activista pela paz, desejando uma paz duradoura e justa entre Israel e a Palestina".
É mais um exemplo do extraordinário dinamismo da blogosfera no Médio Oriente, como podem constatar se explorarem as ligações inclusas no Desert Peace.

Free find

Tendo este blogue já nove meses de existência, justificava-se a inclusão de uma funcionalidade de pesquisa dos arquivos, algo que foi agora colmatado. Na coluna da esquerda, por baixo do arquivo mensal, encontram uma caixa da Free Find, que lhes permitirá pesquisar o que entenderem nos arquivos.

sábado, novembro 25, 2006

Le Pen em foco, mais uma vez

Na passada quinta-feira o Paris-Saint Germain, em partida da fase de grupos da Taça UEFA, foi humilhado em pleno Parc des Princes pelo Hapoel Tel-Aviv (2-4). Um sector dos adeptos do PSG (o "kop de Boulogne"), conhecido por se envolver habitualmente em cenas pouco edificantes e por atitudes racistas frequentes, tentou agredir um adepto francês (!) do clube israelita. Este procurou protecção junto de um polícia, logo por azar negro, o que aumentou a ira dos adeptos, que gritaram "Morte aos negros", "Morte aos Judeus", tentando agredir ambos, o que só não sucedeu porque estes se refugiaram num fast food, chegando pouco depois os CRS (polícia de choque).
Segundo o procurador de Paris, os adeptos do PSG terão feito igualmente a "saudação nazi" (*) e gritado "Le Pen président", o que encheu de cólera o septuagenário candidato à presidência, indignado com o que considera uma tentativa de amálgama da sua pessoa a atitudes reprováveis.
Nada a que não esteja habituado. Numa altura em que as sondagens o creditam com 17% das intenções de voto, a palavra de ordem do sistema é tentar descredibilizar Le Pen que, diga-se em abono da verdade, nem sempre teve o cuidado que hoje tem em evitar declarações equívocas.
Para concluir a triste história, refira-se que o polícia citado, sentindo-se ameaçado, disparou alegadamente em legítima defesa, matando um dos adeptos, de 25 anos.
*
(*) Sintomático que nunca se refira a "saudação romana" ou mesmo a "saudação fascista", escolhendo-se sempre a imagem mais desfavorável e marcante junto da opinião pública.

Dia Wagner na Antena 2

Hoje é dia grande para os wagnerianos (como este confrade): a Antena 2 transmite na íntegra "O Anel dos Nibelungos"! Às 10 horas começou "O Ouro do Reno", pelas 13.00 teremos "A Valquíria", às 17.00 "Siegfried" e, finalmente, pelas 21.15 "O Crepúsculo dos Deuses"!
A gravação é do Festival de Bayreuth deste ano, com a direcção do jovem e já consagrado maestro Christian Tielemann.
*
(Mais pormenores aqui.)

sexta-feira, novembro 24, 2006

O KGB, vivo e "em forma"

Por enquanto só há suspeitas, mas mais uma vez o FSB (ex-KGB) parece estar envolvido na morte de um activista anti-Putin, no caso Alexander Litvinenko.
O presidente russo, "formado" (ou formatado) no KGB, tem mostrado sempre a maior frieza na hora de lidar com oposicionistas: seja prendendo-os sob acusações mais ou menos forjadas, seja liquidando-os, como parece ter sido o caso da jornalista Anna Politkovskaia (já por mim evocado) e do infeliz Litvinenko. Em qualquer dos casos, os métodos são tipicamente soviéticos, tratando-se muito simplesmente de cortar pela raíz qualquer hipótese de verdadeira oposição.
A Rússia é hoje um país que concilia uma economia de mercado distorcida (máfias, privatizações fraudulentas, controlo e apropriação por parte do Estado de sectores estratégicos) com um controlo férreo de quantos ponham em causa a autoridade do presidente. A comunidade internacional, com a UE à cabeça, é feroz crítica do presidente bielorrusso Alexander Lukashenko mas Putin em pouco difere do seu vizinho ocidental. É, digamos, um autoritário refinado, cobrindo-se de uma capa democrática e não tendo (até aqui) que falsificar resultados eleitorais, tendo o povo na mão em grande medida pelo pavor do terrorismo, que tem alimentado em proveito próprio (como tenho defendido).
Hoje já não se trata de defender um regime comunista, trata-se apenas, à boa maneira africana, de sustentar um poder pessoal, assente na repressão e no favorecimento de uma clique de apoiantes e fiéis.
Podendo por ora respirar na frente económica graças sobretudo ao elevado preço do petróleo, que tem enchido os cofres do Estado, Putin vai governando como quer. A Rússia, pese o glamour dos reclames de neon, dos centros comerciais vistosos, da juventude "liberta" e entregue às modas ocidentais, continua um país cinzento e opressivo, como nos tempos da ex-URSS.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Se o ridículo matasse...

Já ouviu falar em defesa da identidade nacional de uma forma... cosmopolita? É a posição de um ministro do governo deste país (fonte).

"Informazione non conforme"

Para minha grande surpresa, este blogue viu ser-lhe atribuído um link num blogue italiano, Informazione non conforme. Este, como o nome sugere, tem a preocupação de analisar a actualidade numa óptica não conformista.
Para além do valor do blogue em si, ele funciona também como um portal de blogues nacionalistas europeus, muitos deles portugueses, como o "Horizonte". Merece uma visita vossa.
Auguri!

terça-feira, novembro 21, 2006

Ocupação, usurpação, sionismo em acção

Admiro os grupos israelitas que advogam a paz com o povo palestino. Não me interessa saber se são de esquerda ou não, sei que defendem uma das causas mais justas dos nossos tempos: a criação de um estado palestiniano num ambiente regional de paz. Admiro-os quando se põem defronte de bulldozers que se preparam para arrasar casas ou campos de cultivo. Sinto que a sua luta deve ser inglória e que devem enfrentar muita incompreensão e mesmo hostilidade do lado israelita. Tal como admiro o judeu Daniel Baremboïm, o grande pianista e maestro que criou uma orquestra de jovens palestinos e judeus, que tocam juntos as grandes obras do repertório clássico. E já nem falo dos familiares de vítimas de atentados terroristas que conseguem conversar com terroristas arrependidos.
Um daqueles grupos pacifistas teve acesso a documentos governamentais que mostram que 39% das terras ocupadas por colonatos judaicos na Cisjordânia são legalmente posse de palestinos, assim desprovidos do que é seu. Nada que nos surpreenda face ao que se conhece de quase sessenta anos de ocupação progressiva da Palestina por parte dos judeus.
Claro que a impotência que sentem os donos legais das terras é grande, perante algo que nada mais é que uma limpeza étnica, pois a substituição de populações é uma realidade.
Uma das áreas ilegalmente tomadas por colonos judeus é hoje a povoação de Migron. Um responsável do município, Avi Teksler, põe tudo às claras: "Migron teve sempre o apoio de todos os governos israelitas. O governo foi sempre um parceiro (sic) em todas as nossa acções." E termina, inequivocamente: "Foi assim que foi criado o estado de Israel".
É preciso acrescentar alguma coisa?

segunda-feira, novembro 20, 2006

Mais um 20 de Novembro

O meu amigo Pedro Guedes dedicou alguns postais a mais um 20 de Novembro, data em que, com quase quarenta anos de diferença, nos deixaram José António Primo de Rivera e Francisco Franco, dois vultos maiores da história de Espanha do século XX.
Há um ano trouxe-vos interessantes dados de uma sondagem sobre Franco, bem como o testamento político de José António e uma ode que Azinhal Abelho lhe dedicou.
Muitas vezes um poema é, de facto, a melhor forma de homenagem, se o talento do vate o permite. Creio ser pouco conhecido entre nós "La Canción del Ausente", bela invocação de José António e cantada de forma sentida por De Raymond (single editado há precisamente 30 anos e que o amigo Nonas transcreveu para CD e gentilmente me ofertou).

LA CANCIÓN DEL AUSENTE

Mira como lloran los siete mares
añorando a sus capitanes
que viajaban rezando en español.
Mira cómo corren en las ciudades
desnudando las catedrales
de Teresa y de Ignacio
sin compasión.

Con qué furia este siglo se ensaña
contra toda la gloria de España
es por eso que hoy grito «PRESENTE»
y le canto mi amor al ausente.

Dime no es verdad que desde tu estrella
te hace daño mirar la tierra
donde tanto cobarde alza la voz.
Dime si tu sangre no centellea
cuando gritan que no hay bandera
ni familia, ni patria... en español.

Nuestro sitio está al aire libre
bajo la noche clara, arma al brazo,
y en lo alto las estrellas.
Echa tu amargura al vino
y tristeza a la guitarra, compañero,
nos mataran al mejor hombre de España.
No me pongan en la sombra
a morir como un traidor.
Soy bueno, y como bueno
Moriré de «Cara al Sol».

Con qué furia este siglo se ensaña
contra toda la gloria de España
es por eso que hoy grito «PRESENTE»
y le canto mi amor al ausente.

sábado, novembro 18, 2006

De novo em Bilbau

Pela terceira vez no espaço de 12 meses desloquei-me a Bilbau, em trabalho. As outras duas visitas foram evocadas (aqui e aqui) na devida altura.
Mesmo necessariamente curtas, as minhas idas a Bilbau têm-me permitido formar uma ideia mais ou menos sólida da cidade. Acabo por me familiarizar com as ruas, com alguns locais, saber onde comer, onde comprar livros e discos, onde apreciar arte.
Arte. Na visita anterior contei-vos como me impressionou favoravelmente o Museo de Bellas Artes, na verdade de visita indispensável para quem passa pela cidade. Até aqui tinha-me limitado a apreciar o Guggenheim por fora. A arquitectura é arrojada mas atraente. Desta feita aventurei-me pelo interior. E que aventura nada prazenteira! Da colecção permanente à exposição actual, as obras expostas são, a meu ver, de uma indigência, de um mau gosto, de uma falta de sentido estético, de uma atitude engagé insuportável. Ao contrário da música do século XX, de que sou apreciador e da qual tenho dezenas de discos, a pintura do século passado nunca foi da minha predilecção (eufemismo). Não foi o Guggenheim que me fez mudar, pelo contrário. Não vou entrar em detalhes pois os interessados podem procurá-los no site oficial. Digo-vos apenas que as quase duas horas que lá passei foram uma das piores experiências culturais da minha vida.
Pude finalmente visitar o Casco Viejo, logo por azar no único dia (a passada quinta-feira) do mês de Novembro em que a normalmente pluviosa Bilbau viu chover! Comecei pelo Teatro Arriaga - cujo nome homenageia o talentoso e infortunado Juan Crisóstomo de Arriaga (o "Mozart basco": 1806-1824), prodígio musical falecido pouco antes de completar 18 anos (a sua sinfonia e os seus três quartetos de cordas são indispensáveis) - bem junto à Ria. Embrenhei-me de seguida nas ruelas que levam à Catedral de Santiago, bela construção gótica. De permeio, a Plaza Nueva, menos bela que as praças fechadas de Salamanca ou Madrid. O centro histórico de Bilbau deveria estar melhor preservado, sucedendo-se edifícios mal conservados e outros totalmente renovados.
A Gran Via Don Diego López de Haro é o centro nevrálgico da cidade, com o magnífico edifício da Diputación Foral e alguns prédios a lembrar os boulevards parisienses. Tem largos passeios e percorre-se com agrado. Numa transversal está a belíssima Igreja do Sagrado Corazón, barroca.
Falando de livros, comprei apenas um: "Franco e Mussolini", de Javier Tusell e Genoveva Queipo de Llano, que aborda a política espanhola durante a II Guerra Mundial, em especial a relação entre os dois ditadores, diferentes em muita coisa (origens, ideário) mas aliados, desde a Guerra Civil. Demonstra que o Duce teve um papel fundamental no evitar da entrada da Espanha no conflito mundial. (Editora Península, 22€)
A Guerra Civil é tema inesgotável das edições. Também reparei num "Antí-Moa", que me pareceu uma reacção patética dos defensores da versão politicamente correcta do conflito.
Uma palavra ainda para o excelente jornal El Correo, com enorme cobertura do problema do terrorismo etarra, com uma abordagem inequivocamente condenatória da banda terrorista. Pontificava nas páginas do velho jornal (já passou o nº 30.000) uma entrevista pungente com uma viúva, a quem os terroristas mataram o marido (polícia) há já 28 anos. A dor permanece imensa, o perdão não existe e a convicção de que não se dialoga com assassinos declarada.
***
Bilbau é uma cidade que não deixamos com saudade infinda mas à qual se volta sempre com agrado.

Cinco manias

Três confrades desafiaram-me a listar cinco manias que tenha. Trata-se de um exercício a que em tempos respondi e, como cinco manias não é pouco, vou aqui reproduzir a resposta dada em Fevereiro passado.

1 – Quando pretendo ouvir música clássica tento assegurar as máximas condições de silêncio possíveis. Caso essas condições não existam, prefiro não ouvir nada.
2 – Quando vou ver um jogo do meu Belenenses escolho sempre roupa azul.
3 – Quando edito um postal no meu blogue releio-o umas duas ou três vezes até ter a certeza de que ao teclar não deixei um erro ortográfico que seja.
4 – A arrumação de discos e livros em minha casa obedece às seguintes regras:
4.1 Discos: por ordem rigorosamente alfabética de autor. Assim, é-me mais fácil localizar o que pretendo ouvir.
4.2 Livros: de literatura, por ordem de país de origem e, dentro desta, por ordem alfabética do autor; de história, por época histórica (o que às vezes origina que obras de um mesmo autor estejam espalhadas por várias épocas).
5 – Antiquado ou não, é-me impossível passar por uma porta à frente de um representante do sexo feminino.

terça-feira, novembro 14, 2006

Londres, cidade cosmopolita por excelência

Dados estatísticos recentes revelam que um terço da população de Londres não nasceu nas Ilhas Britânicas. Trata-se de dois milhões dos sete milhões de habitantes da capital, tendo ocorrido um aumento de quase 700.000 imigrantes nos últimos nove anos.
Embora exaltando, comme il faut, o carácter multicultural da capital, não deixa de ser curioso que o Independent refira o facto de cada vez mais londrinos (presume-se que na sua grande maioria de origem britânica) abandonem a capital com destino sobretudo ao sudoeste de Inglaterra, «em busca de uma vida melhor». Seria interessante que fosse desenvolvida esta temática da "vida melhor". Haverá alguma correlação com o fenómeno demográfico em análise?
Também revelador é o facto de o ministro Jim Fitzpatrick, não deixando de passar uma imagem favorável à tolerância e à boa receptividade face aos estrangeiros, recear uma diluição da britanidade ao ponto de esta poder desaparecer. Que sugere o ministro para o evitar? Que os imigrantes aprendam a língua inglesa, estudem a cultura e a história da Ilha e valorizem a riqueza de Londres. Ou seja, no limite, mesmo sem britânicos, Londres poderia manter as suas peculiares características britânicas!

Prémio

Esta casa entendeu por bem que Horizonte é um dos seis "melhores blogues individuais masculinos", uma das categorias escolhidas por João Ferreira Dias para os seus prémios.
Agradeço sinceramente a distinção outorgada por este licenciado em Comunicação Social e Cultural.

segunda-feira, novembro 13, 2006

A resolução

A ler, este texto no Tomarpartido. Revelador do conceito democrático da ex-fanática apoiante de Sá Carneiro.

domingo, novembro 12, 2006

"Não há outro mais leal"

Em 1991 a editora Átrio publicou, com o título supra, um opúsculo de António Manuel Couto Viana, composto por dois poemas, que a seguir se reproduzem.
A mágoa do poeta, a nostalgia pela glória passada da Pátria, recorrentes na obra do autor, assumem aqui um tom quiçá mais agressivo, «a raiva do meu brado», segundo o poeta.
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O NAUFRÁGIO DE MACAU

Para a Teresa Bernardino

A derradeira nau,
Partindo o leme e o velame roto,
Naufragou em Macau,
Por traição do piloto.

E fora a mais leal:
Em quatro séculos hasteara à ré
O pavilhão de Portugal,
Para glória do Império e defensão da Fé.

E era santo dos santos o seu nome,
Mas erguia na gávea o demo de vigia
Que sem um renegar que o vença e dome
A faz varar na vaza desta maré vazia.

Tripulou-a Camões
Que ali lembrou, previu: — Dos Portugueses,
Com seus profanos corações,
Houve traidores algumas vezes.

Tripulou-a Pessanha,
Murmurando entre névoas de ópio e olvido,
Como quem num queixume e presente desdenha:
“Eu vi a luz em um país perdido.”

Da última da Armada
Que em novos mares buscou cada porto ignorado;
Da jamais apresada,
Tendo ao pirata vil o fuzil apontado,
Hoje como não resta nada
Mais do que o pranto da História e a raiva do meu brado:

— Quem impede o traidor de morrer enforcado?


António Manuel Couto Viana
10-05-1985
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AQUELA MORTE NAQUELE DIA

Para o Beckert d'Assumpção, descendente do Barão d'Assumpção, que mandou edificar o Farol da Guia, o primeiro das costas da China.

Os castelos e as quinas começam a sangrar.
Macau, em lágrimas, comove.
Vai engoli-la o céu? Vai naufragá-la o mar?
A névoa esconde a cor das bandeiras no ar.
Chove.

Paira o fantasma de uma igreja. Um sino
Põe-se, lento, a dobrar, moribundo e pesado.
Nenhum Natal acode. A estrela do destino
Não anuncia o Nascimento do Menino,
Mas o Nome de Deus crucificado.

Só cemitérios, cinzas, sombras vagas…
“Não suspireis. Não respireis.” (Alguém murmura?)
Escorrem solidão as faces e as chagas.
A nau-espectro afunda-se nas vagas.
Apagou-se o farol. É noite escura.

O poeta rasgou o alvor da epopeia.
Dela, aqui, não restará lembrança…
O heróico ritmar de uma túmida veia
Extinguiu-se na vaza da pátria agora alheia:
Já não pode rimar futuro com esperança.

Cinco séculos quase a existir Portugal,
Macau, em sangue e lágrimas, desfalece e comove.
Mão assassina assina, na pedra sepulcral,
Um nome ateu, traidor, sobre a data final:
Aos 20 de Dezembro. Ano 99!

António Manuel Couto Viana
19.04.1987

sexta-feira, novembro 10, 2006

O crime americano

É um balanço impressionante (atendo-nos apenas à vítimas já contabilizadas) aquele que três anos de ocupação do Iraque por parte dos EUA e seus aliados de ocasião provocaram. A manipulação de massas que constituiu a patranha das armas de destruição maciça transformou-se em "cruzada pela democracia", com os lindos resultados que estão à vista: um país completamente desagregado, em estado de guerra civil de facto, os conflitos de religião exacerbados histericamente, infraestruturas destruídas, o pânico diário reminiscente daquele que viviam os habitantes de Sarajevo durante o reino dos snipers sérvios - o quadro assemelha-se notavelmente ao de uma Somália ou qualquer outra república africana assolada e fragmentada por conflitos internos, tantas vezes instigados de fora com objectivos inconfessáveis.
É realmente extraordinário o alcance da suposta "superioridade moral" das democracias. O mesmo acto praticado por uma ditadura e por uma democracia tem uma interpretação oficial diferente. Há pouco menos de uma década o governo de Paris, na altura chefiado pelo democratíssimo Lionel Jospin, com a cobertura do presidente Chirac, promoveu um golpe de estado no Congo-Brazzaville, cujo governo teve a "insensatez" de quebrar o acordo petrolífero que tinha com a gaulesa Total. Resultado: guerra civil, chacinas - mas os "bons" triunfaram.
Desde 1991 que os americanos e seus aliados decidiram que Saddam = Hitler = perigo para a humanidade (muito em particular para um certo país vizinho). Enquanto não o destronaram não descansaram. Tudo em nome da democracia, julgada a panaceia para os males do Médio Oriente. O ex-homem forte de Bagdad é agora condenado à morte. Os seus crimes são, efectivamente, imensos. Para além da guerra com o Irão, a população civil do Iraque foi vítima em larga escala da barbárie de Saddam: curdos, xiitas, oposicionistas reais ou imaginários. Não serei eu a lamentar o destino que coube em sorte a Saddam.
Mas também é legítimo interrogarmo-nos sobre os mandantes - escudados na tal "superioridade moral" - da invasão do Iraque, para a qual não havia pretextos válidos e para a qual o planeamento foi grotescamente inexistente. Só a título de exemplo, a decisão de dissolver o exército lançou na rua milhares de pessoas armadas e dispostas a combater o invasor ou, mais prosaicamente, a dedicar-se ao banditismo. Não ocorreu a Rumsfeld, Wolfowitz e outros amiguinhos neo-cons que a capacidade de adaptação da tropa a um novo senhor é enorme e que se hoje se jura por um chefe amanhã poder-se-á jurar por outro, inimigo daquele.
Se Saddam se calhar merece bem a corda com que vai ser enforcado, muitos "guys from Washington" deveriam ter o mesmo destino pelos crimes que cometeram e cujas consequências trágicas estão longe de ter fim.

Luz verde da UMP para Le Pen

O processo de candidatura às eleições presidenciais em França obriga a que cada candidato recolha 500 assinaturas de eleitos locais. No caso de candidatos anti-sistema, como é o caso de Jean-Marie Le Pen, o processo pode tornar-se dramático, dado o opróbrio a que está votado pela classe política e mediática.
É por isso que esta declaração do chefe da bancada parlamentar da UMP, dando liberdade aos presidentes de câmara do seu partido para apadrinharem a candidatura do líder da direita nacional, surpreende positivamente. Parabéns ao sr. Accoyer pela sua independência e aparente indiferença pelas críticas que vai ouvir em consequência da sua atitude de homem livre.
O sistema, de qualquer modo, está blindado em termos parlamentares pois a ascensão do Front National levou a classe política a alterar a lei eleitoral, eliminando o sistema proporcional, que permitiria que os 15-17% de votos que a FN normalmente recolhe se traduzissem em uma percentagem similar de deputados em relação ao total - em vez dos 0% que efectivamente "tem".

quarta-feira, novembro 08, 2006

Psicanálise do Judaísmo

A entrevista que se segue, tudo menos consensual, foi publicada pelo semanário Rivarol na sua edição de 13 de Outubro. Fala Hervé Ryssen, autor de "Les Espérances planétariennes", de 2005, e de "Psychanalyse du judaïsme", de 2006, que faz uma análise da psique do judaísmo e nos dá exemplos elucidativos da sua prática quotidiana, que a todos afecta.
Indispensável.


Hervé Ryssen, psychanalyste du judaïsme

RIVAROL: Après avoir fait paraître l’année dernière Les Espérances planétariennes (1), livre très documenté sur le rôle des intellectuels juifs dans le monde contemporain, vous publiez Psychanalyse du judaïsme (2). Que voulez-vous démontrer avec cette nouvelle étude?

Hervé RYSSEN: Après la rédaction des Espérances, il me semblait que l’analyse du phénomène "planétarien" n’était pas complète. Je constatais en effet, sans pouvoir l’expliquer, ce qui me semblait relever d’une "anormalité". Je pense notamment à ces ahurissantes dénégations des intellectuels juifs au sujet du rôle de leurs coreligionnaires dans le régime bolchevique. La vérité est que de très nombreux doctrinaires, fonctionnaires et tortionnaires juifs ont joué un rôle absolument accablant dans cette tragédie qui reste, avec ses trente millions de morts, le crime le plus effroyable de l’histoire de l’humanité, le maoïsme excepté. Pourtant, il faut constater avec Soljénitsyne que la quasi-totalité des intellectuels juifs refusent d’endosser leurs responsabilités, de faire leur mea culpa et de présenter des excuses aux familles des victimes. On peut retrouver ces curieuses dispositions à nier les évidences, à inverser les rôles et finalement à retourner l’accusation dans quelques autres cas, anciens ou récents: le rôle de gros négociants sépharades (dont la famille Mendès France) dans la traite des Noirs, celui de certains juifs influents (Perle, Wolfovitz, Kristol, Ledeen, etc.) dans le déclenchement de la guerre contre l’Irak, par exemple. Que dire encore de cette "mafia russe", de ces "oligarques" dont on nous a tant rebattu les oreilles, et qui n’ont de russe que le nom?

R.: Pouvez-vous donner quelques exemples de cette "anormalité"?

H. R.: A côté de ces sujets délicats, systématiquement occultés, balayés sous le tapis, les media grossissent démesurément le moindre incident qui paraît relever de l’antisémitisme. Le 30 septembre, France Info menait grand tapage sur une nouvelle "affaire": le journal L’Est républicain aurait refusé de publier une annonce nécrologique qui comprenait les termes idéologiques: "victime de la barbarie nazie". Immédiatement, cette information ridicule fut relayée dans les grands media, provoquant une fois de plus "l’émoi dans la communauté". Ce sont des réactions qui ne me paraissent pas "normales". Il y a dans cette communauté une émotivité de nature pathologique, une fragilité émotionnelle, un besoin de dramatiser qui prend parfois l’aspect d’une paranoïa pure et simple. Comme l’a écrit justement Shmuel Trigano, la communauté juive semble se complaire dans un "lamento victimaire". A côté de cela, on note aussi une grande nervosité dès lors que "la communauté" est critiquée pour une chose ou une autre. On se souvient qu’en 2000, les propos anodins et parfaitement justifiés de l’écrivain Renaud Camus sur la "surreprésentation" des juifs à France-Culture avaient provoqué un tollé totalement disproportionné. Le diagnostic médical insiste sur cette "grande intolérance à la frustration".

R.: Et quel serait, selon vous, le rapport avec la "Psychanalyse"?

H. R.: Il se trouve que de nombreux intellectuels juifs ont exprimé leur angoisse identitaire: Jean Daniel, Albert Cohen, André Glucksmann, Serge Moati ou le romancier américain Philip Roth, par exemple. Le journaliste Alexandre Adler relève effectivement que la judéité peut être parfois une "névrose obsessionnelle". Naturellement, Freud avait réfléchi à la question en son temps, à partir de son cas personnel, mais en projetant ses découvertes sur le plan universel. En vérité, la "projection pathologique" est un concept freudien, pour ne pas dire typiquement judaïque. Cette tendance de fond à systématiquement inverser les rôles et à accuser les autres explique pourquoi les intellectuels juifs, dans leur ensemble, accusent les antisémites d’être des "malades mentaux". Voyez ce qu’a déclaré tout récemment Abraham Foxman, le président de la ligue antiraciste américaine, au sujet de Mel Gibson, le réalisateur de La Passion du Christ, qui s’était un peu laissé aller, sous l’emprise de l’alcool, à quelques propos jugés "antisémites", avant de s’excuser auprès de la communauté juive sous l’effet d’on ne sait quelle pression: "Qu’il soigne son alcoolisme est une bonne chose, déclara Foxman en substance, mais il faudrait aussi qu’il soigne son antisémitisme." L’antisémitisme est pour eux une "maladie". Les propos à ce sujet sont innombrables. Et l’on comprend mieux à leur lecture pourquoi les opposants étaient enfermés dans des asiles psychiatriques en URSS et dans les pays staliniens.

R.: Que vous a appris la lecture attentive de Sigmund Freud?

H. R.: Freud a projeté sa propre pathologie sur le plan universel. Ce n’est pas pour rien qu’il a commencé sa carrière en travaillant sur le phénomène hystérique. On trouve dans l’hystérie tous les symptômes qui se calquent parfaitement avec ceux que j’ai pu déceler dans le comportement et le discours des intellectuels cosmopolites. Les similitudes sont vraiment étonnantes: la dépression, l’introspection, l’angoisse, la paranoïa, l’hyperémotivité, l’amnésie sélective, la fabulation, la sensibilité à l’opinion des autres, l’égocentrisme, la tendance à se donner en spectacle, l’incapacité à s’observer, l’intolérance à la frustration, le délire mégalomaniaque, etc. Tout y est, et jusque dans les origines de la pathologie que Freud avait mises en évidence. Quand j’écrivais Les Espérances planétariennes, je constatais sans comprendre que la question de l’inceste revenait de manière lancinante et mystérieuse sous la plume de certains intellectuels juifs (Jacques Attali, Jurgen Habermas, Stéphane Zagdanski…), comme s’il y avait des choses à cacher. J’ai poursuivi évidemment mes recherches de ce côté, et ce que j’ai pu découvrir sur ce point est vraiment très éclairant…
Propos recueillis par
Victor GRAND.
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(1) (2) Les Espérances planétariennes, 2005, 432 pages, 26 e. Psychanalyse du judaïsme, 2006, 400 pages, 26 e. Commandes à: Éditions Baskerville, SDE Domiciliations, 14 rue Brossolette, 92300 Levallois. Chèque à l’ordre de Hervé François. Ajouter 2 e de frais de port.

Sem tempo

Dramaticamente carente de tempo para comentar a trepidante actualidade, desde os continuados massacres perpetrados por Israel (e de seguida hipocritamente lamentados pelos próprios responsáveis) contra o povo palestiniano, às eleições legislativas norte-americanas, passando pela condenação à morte de Saddam Hussein, deixo-vos uma entrevista muito interessante dedicada à "psicanálise do judaísmo". Lamento aos não letrados na língua de Molière mas não tenho possibilidade de a traduzir.
Boa leitura.

domingo, novembro 05, 2006

Nacionalismo, mitos e preconceitos

Encerro hoje uma colaboração de dez semanas n' A Taberna dos Inconformados, versando o texto final, como não poderia deixar de ser, sobre Nacionalismo.

17º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora

Só hoje, dia 5, pude finalmente visitar o 17º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, sito este ano no nóvel Fórum Luís de Camões, na Brandoa.
A exemplo de anos anteriores, o festival prima pela excelente utilização dos espaços e imaginativa exposição dos trabalhos.
O tema da edição deste ano é "17 Graus Periféricos e o Resto do Mundo", sendo o prato forte a banda desenhada de paragens menos divulgadas: América Latina, África Subsahariana, Maghreb e Europa de Leste.
Da América Latina destacam-se os desenhadores argentinos, de que sobressaem os clássicos José Luís Salinas (que veio a trabalhar nos EUA - é o autor de Cisko Kid) e Arturo del Castillo (que teve boa divulgação entre nósno "Mundo de Aventuras"). A BD mexicana e cubana exposta era, sem surpresa, claramente ideológica (escusado dizer em que sentido).
O mais notável na mostra deste ano, que também inclui trabalhos de autores portugueses contemporâneos, é a BD do Maghreb: Argélia, Marrocos e Tunísia. Graficamente atraente, traço muito aperfeiçoado, sentido dramático - os autores expostos impressionaram-me deveras.
Um trabalho argelino mostra o terror quotidiano ao tempo da guerra civil dos anos 90; um indivíduo que receia sair de casa por ver duas pessoas com ar suspeito à porta:
« - Serão polícias ou terroristas?
- Não sei, têm todos o mesmo aspecto.»
Ou esta reflexão: «cada dia que passa é um dia ganho sobre a morte».
Apesar de a localização parecer extravagante para muitos e vós, a exposição está num local de fácil acesso para quem vem de Benfica ou da Amadora e o Fórum tem um vasto parque de estacionamento. Até às 23 horas de hoje ainda vão a tempo.

sábado, novembro 04, 2006

Israel sempre igual a si mesmo

A n-ésima ofensiva sionista contra o povo palestiniano vai fazendo vítimas, dia a dia. Crianças apanhadas desprevenidas, mulheres tentando fugir da ofensiva - ninguém escapa à barbárie israelita. Mostrando a maior frieza e desprezo pela vida dos não-judeus, o democratíssimo estado de Israel vai continuando a contribuir para a miséria deste mundo, dos que mais a sentem na vida de todos os dias aos ocidentais, que não deixarão de levar por tabela com atentados perpetrados por fanáticos islamistas, cujo ódio é ciosamente alimentado por Israel. Para a sua maior glória.

(Funeral de um jovem de 14 anos.)

(Destruição, destruição, destruição.)

sexta-feira, novembro 03, 2006

Incentivo à adopção por homossexuais

Sempre na vanguarda, a Europa dá mais um exemplo de incentivo à "familia" moderna.

Halloween!

Para quem não tem medo de Halloween (uma moda importada e que já pegou entre a nossa juventude) aqui está uma visão realmente aterradora:


(Imagem pilhada a este excelente blogue.)

Progresso Primitivo

Está já disponível online o número 2 da revista Alameda Digital, cujo tema central é "Liberdade de Expressão".
"Liberdade de demolição" poderia ser o título do meu artigo de estreia: Progresso Primitivo.
Leiam, divulguem, comentem, incentivem. A bem da... liberdade de expressão.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Genocídio ucraniano

Depois dos arménios, os ucranianos. A exemplo do que votou o parlamento francês, também a Ucrânia se prepara para criminalizar - ou pelo menos multar - quem negue publicamente a ocorrência do genocídio perpetrado por Estaline aquando da colectivização forçada a que foi submetida aquela ex-república soviética.
Pelo menos quatro milhões de pessoas morreram de fome devido à apreensão forçada das colheitas por parte do poder soviético.
O nosso amigo Sarto em tempos recomendou esta obra, que retrata o drama vivido pelos ucranianos às mãos das arbitrariedades e selvajaria estalinista.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Do anonimato na blogosfera

Por vezes sinto-me como que desligado do dia-a-dia da política portuguesa. Não vejo noticiários, não assisto a debates parlamentares nem a debates televisivos, não perco tempo com as crónicas de certos experts, os mesmos de há duas décadas (pelo menos) a esta parte (numa manifestação clara de pluralismo e diversificação de opiniões...) - em suma: uma reacção instintiva de repúdio.
Como conciliar esta atitude (que vem já da minha adolescência acrata...) de desconfiança da classe política e dos temas que ela decide trazer para a sociedade com a óbvia necessidade de estar informado e não ser ultrapassado pelos acontecimentos? Recorrendo moderadamente aos jornais e, o mais possível, à blogosfera, esse espaço de liberdade que tantos dentes faz ranger aos políticos e a muitos profissionais da comunicação social.
Está agora na moda criticar-se o anonimato da grande maioria dos blogueiros, insinuando-se que o mesmo lhes permite tomar atitudes irresponsáveis e criticar descabeladamente certas individualidades sem receio de ter de prestar contas. Os senhores jornalistas e políticos que veiculam esta ideia deviam ter vergonha: pelo monopólio das ideias que detêm e que impõem, pelo terrorismo ideológico que alimentam e pela estigmatização daqueles que ainda vão tendo forças para criticar o estado em que se pôs o nosso País, são eles os responsáveis pelo recurso ao anonimato dos heterodoxos blogueiros da nossa praça. Foram eles que (n)os atiraram para as margens do debate político, de ideias e cultura, são eles que zelam pela inviolabilidade do seu dogma societário e ideológico, são eles que odeiam a liberdade de expressão e que, escudados na hipócrita defesa da mesma, funcionam como comissários políticos à cata dos "proscritos". A quem depois criticam o seu anonimato.

Contra o aborto

Chamo a vossa atenção para este excelente texto da Causa Identitária, em que se desmontam os argumentos dos pró-abortistas e se toma uma posição inequívoca em favor da Vida.
Excertos:
«Um feto é um ser humano e não um tumor que possa ser removido livremente. A Vida inocente é para nós um valor fundamental que não pode ser colocado em causa apenas por questões de conveniência ou caprichos pessoais.
«(...) hipocrisia da argumentação pseudo-humanista do discurso oficial, que, na realidade, se limita a tentar ocultar uma cultura de desresponsabilização, e uma ideologia hedonista, individualista, crassamente materialista e por isso mesmo anti-comunitária.
«A Causa Identitária, relembrando que a actual lei já contempla os casos extremos (violação, perigo de vida para a mãe, malformação grave), e considerando que o primeiro dever de qualquer Estado é assegurar a perenidade da Nação e da sua identidade, que a maternidade e a família formam a espinha dorsal de qualquer comunidade saudável e que a Vida inocente é um valor fundamental, só pode assumir um Não rotundo no referendo.»