quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Benito Mussolini


«Mussolini não era um covarde. Amava a sua família, amava acima de tudo a sua pobre mãe e o seu pobre pai, revolucionário sincero e destemido que nunca teve sorte na vida. Respeitava o Papa e, apesar de tudo, obedecia ao Rei. Mas se havia alguém que admirava e, quando era uma star dos jornais detodo o Mundo, guardava um silêncio de respeito e admiração, era Ghandi.»
«Estava na Política para combater, como um homem dos operários e dos camponeses donde saíra. Mas não gostava de esmagar, quando vencia. A maior parte dos oposicionistas políticos que não atentaram pessoalmente contra ele, a família ou alguns dos amigos mais chegados, da trincheira social e da trincheira da guerra, deixou-os sair do país sem lhes tocar num cabelo. Ajudou alguns, discretamente, quando estavam no exílio. Um deles, dirigente comunista histórico, decidiu morrer com ele, em Saló. Niccoló Bombacci morreu em frente ao Lago de Como como os outros fascistas. Enquanto uns se lvantavam do chão ainda de braço estendido, Bombacci morreu de punho erguido gritando "Viva Mussolini, Viva o Socialismo!"»
«(...) continua vivo no coração de milhões de pessoas. Só houve uma vez na História que a Máfia teve medo de alguém. Foi com Benito.»
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(Um texto magnífico no "Duas Cidades".)

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Memórias ideológicas (conclusão)

Na formação do meu ideário o sentimento da portugalidade ocupa um lugar essencial. Não se trata aqui de listar autores que reflectiram sobre o mesmo, de tal forma são mais ou menos de todos vós conhecidos. O que quero aqui abordar é a necessidade daquele sentimento.
Há vinte anos não seria necessário gastar muitas linhas para frisar a associação biunívoca portugalidade-nacionalismo. Entretanto, surgiu uma nova geração mais urbana (em todos os sentidos da palavra), mais aberta aos movimentos europeus e, infelizmente, menos preocupada em estudar a nossa história, a nossa cultura, o sentir português. Mal se apercebem de como são também um fruto da política (des)educativa das últimas décadas, que relegou o estudo da história e cultura pátrias para segundo plano, em favor de abordagens "europeias".
Sem conhecimento do passado, da nossa cultura, da nossa língua (e que mal se fala e escreve hoje em dia) não há futuro para Portugal como nação livre e soberana. É por o saberem que os dinamitadores culturais destruiram a forma tradicional de ensino e mudaram por completo o seu conteúdo, em favor de agendas político-ideológicas esquerdistas e de pendor maçónico. A "direita", como de costume, acomodou-se. Como dizia o outro, "desde que os investimentos corram bem, está tudo bem", o resto são preocupações de idealistas.
Durante a Guerra Fria houve alguma condescendência da direita dos interesses com a direita dos valores dada a luta comum contra o comunismo. Assegurada a derrota deste aquela despiu toda e qualquer veste que semelhasse um corpo de princípios sólidos e a direita dos valores ficou marginalizada e equiparada a um bando de extremistas parados no tempo.
Os anos 80, que marcaram o fim da minha adolescência, foram uma década propícia para analisar esta transição, ficando claro que a defesa sincera de Portugal estava limitada à tal meia dúzia de idealistas. É espantoso constatar, por exemplo, como na altura os colunistas de esquerda se lamentavam da marginalização a que a música de um José Afonso estava sujeita nas rádios! A queda do Muro de Berlim e o surgimento de uma "nova esquerda" (que difere da "velha" por uma questão táctica de não defender abertamente ditaduras da sua cor e por albergar a defesa de "questões fracturantes), um ror de vezes em concubinato aberto com a esquerda tradicional e os seus jornais, literalmente por ela tomados de assalto, explicam uma parte do problema; a retórica soarista do "direito à indignação" e a ascensão de Jorge Sampaio à presidência, com a sua agenda de esquerda bem marcada, também contribuíram para o actual estado de coisas. Por fim, a criação do BE, pondo fim à histórica disseminação partidária da extrema esquerda e conseguindo cativar a juventude da classe média (e não só), compôs o quadro.
A tudo isto fui assistindo, num crescendo de inquietação. Parece hoje coisa de um passado distante mas ainda na década de 80 era possível ver, como comentadores de telejornais, os grandes Manuel Maria Múrias e Franco Nogueira! Que defendiam, perante a minha admiração de jovem, o Portugal eterno e verberavam o Portugal moderno. Ou haver colóquios (como foi o caso em 1990) na Universidade Lusíada moderados por Jaime Nogueira Pinto, em que durante duas manhãs se abordava o legado do "presidente Salazar", com intervenções entre outros do citado Franco Nogueira e de Kaúlza de Arriaga! E com chamada de primeira página no extinto "O Dia" (curiosamente apareço na fotografia da primeira página, entre a assistência)!
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Esta análise não podia ficar completa sem umas palavras sobre o MAN. Observei o movimento à distância e quase sempre sob a óptica da imprensa que lhe era hostil. Li o jornal "Ofensiva" (que se vendia nas bancas de jornais!) e gostei de algumas coisas que li. No entanto, já na altura a agenda racialista era notória no movimento nacionalista; e se o risco de desagregação nacional sob o influxo de imigrantes em massa é sempre de ter em conta, inquietou-me o uso retórico da agenda racial, pela fácil demonização que isso propiciaria ao sistema e pela amálgama que seria igualmente fácil de fazer entre nacionalismo e racismo puro e simples. A partir do momento em que se passa para a opinião pública que nacionalismo = racismo está inviabilizada qualquer hipótese de crescimento sério do movimento. Será que este aprendeu a lição?

domingo, fevereiro 25, 2007

As Vidas dos Outros

Vi ontem o filme "As Vidas dos Outros", que recomendo vivamente. O filme aborda o controlo férreo que a Stasi exercia nas vidas de todos os cidadãos da RDA. Não é uma análise maniqueísta, antes o retrato sereno da intrusão da sinistra polícia política na intimidade de cada um.
Um escritor, "o nosso único escritor não subversivo que tem sucesso no Ocidente", até aí insuspeito, torna-se alvo de escutas porque um ministro cobiça a sua mulher, uma actriz, e busca qualquer pretexto para arruinar a carreira daquele. Como encarará tudo isto um alto funcionário da Stasi, imbuído da responsabilidade de "defender o socialismo dos seus inimigos"? Como é que a sua "ética" profissional se coadunará com o abuso que permite o controlo das vidas dos outros?
Este é o ponto de partida para uma película fascinante, muito bem dirigida e interpretada, que nos faz mergulhar num universo crepuscular, a que as cores frias da cuidada fotografia acrescentam um dramatismo suplementar.
Quando estive em Berlim, há ano e meio, relatei-vos a estranheza que me causou a quase ausência de referências a um passado (o comunista) tão próximo de nós em termos temporais. Sem dúvida que obras como este filme ajudam um pouco a colmatar tão escandalosa omissão por parte dos actuais governantes alemães.
Com o risco de me repetir: não percam o filme "As Vidas dos Outros".

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Memórias ideológicas (2)

Estas notas mais não pretendem que dar uma ideia sobre a minha evolução ideológica, sem preocupações excessivas com a cronologia ou com a citação exaustiva de autores.
Uma parte importante deste percurso prende-se com a observação dos movimentos políticos nacionalistas de maior sucesso nos anos 80 (década de que saí com 21 anos). E aqui dois partidos há que destacar: o MSI (Movimento Sociale Italiano) e o Front National.
O MSI, que também significa "Mussolini, sei Imortale", não podia deixar de me atrair pela herança clara que o fascismo deixou no movimento, que quase nunca renegou (até ao aggiornamento de Gianfranco Fini, um homem extraordinariamente inteligente, cuja facilidade e rapidez de argumentação em debates na televisão sempre me impressionou, mas que renegou por pura táctica política os princípios de que de certa forma era fiel depositário), mantendo acesa a chama da Terceira Via. O movimento conseguiu por vezes infiltrar-se no sistema e até apoiou alguns governos; nos anos de chumbo foi sempre uma voz a um tempo defensora da melhor tradição e também voz dos italianos abandonados, em especial os do Sul, onde sempre teve votações generosas. A sua transformação em Alleanza Nazionale adulterou o projecto e, claro, serviu o sistema.
O Front National impressionou-me sempre mais pelas votações obtidas que pela coerência ideológica, que raramente teve. A sua ascensão coincide com a traumática vitória de Mitterrand em 1981 e com a progressiva invasão de França pela imigração terceiro-mundista. Sabendo valer-se do chauvinismo francês, o partido cresceu muito à conta da retórica anti-imigração, congregando uma plêiade de tendências inconciliáveis: católicos tradicionalistas, direita social-radical, alguns monárquicos, extrema-direita racista (ou racialista, como preferirem). Ao mesmo tempo, em franco contraste com o MSI, Jean-Marie Le Pen era um declarado liberal em questões económicas, o que não impediu a crescente atracção de operários que se sentiam traídos pelo PCF. O sistema francês soube por um lado defender-se da ascensão do Front - instituindo o sistema maioritário, que privou um partido com uns 15% de votos de ter qualquer representação parlamentar, e criando um "cordão sanitário" que impedia alianças dos partidos tradicionais com os "racistas"; por outro, valendo-se da sua existência para melhor fazer passar as suas teses imigracionistas e favoráveis à miscigenação, por contraste com a mensagem supostamente racista e xenófoba do movimento. A sensação que fica é que o esforço de milhares de militantes, o protesto de milhões de eleitores, teve o efeito contrário ao (legitimamente)pretendido, tendo o sistema dado uma lição de pragmatismo cínico e, claro, fortemente desonesto.
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(continua)

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Memórias ideológicas

Oriundo da média burguesia urbana, não posso dizer que tenha tido em torno de mim uma cultura ideológica marcante. Os meus pais, como aconteceu com tantos outros, despertaram para a política após o 25 do 4 - e cedo perderam ilusões sobre a partidocracia que desde então nos (des)governou.
Com o espírito inconformista que caracteriza a juventude - e que tantas imprudências acarreta - aderi em espírito ao anarquismo, apreciando especialmente Proudhon, detestando Godwin, execrando o anarco-bombismo dos finais do século XIX e sentindo indiferença perante o individualismo de Stirner. Creio que no fundo sempre tive uma inclinação conservadora, patente na admiração pelo "mundo ideal", honesto e harmonioso, patente nos romances de Júlio Dinis, que reli diversas vezes. Não me surpreendi anos mais tarde quando descobri a admiração que nutria uma facção da Action Française pela obra de Proudhon.
Um dia, não sei bem como, dei por mim a reflectir sobre o fascismo, il vero, não o que a propaganda promove. A tentação do absoluto, a diluição dos conflitos sociais num todo nacional harmonioso, o feroz combate ao comunismo - ideologia que sempre abominei -, a exaltação nacional sem o esmagamento do indivíduo como no nazismo, a compatibilização entre tradição e modernidade - tudo isto contribuiu para uma crescente admiração pelo ventennio, pela figura do Duce e por essa extraordinária aventura que tão mal acabou, marginalizada pelas democracias, subalternizada e descaracterizada pelo nazismo.
Um grande substracto ideológico do meu pensamento veio com a leitura de Charles Maurras, que solidificou a minha instintiva desconfiança face aos regimes democráticos, produtos e servos da plutocracia.
O Integralismo Lusitano, em parte influenciado pelo pensamento do mestre de Martigues, foi uma corrente de renovação nacional, espiritual, cultural e ideológica, nos anos degradantes da I República, que prendeu a minha atenção. Pese a preponderância de António Sardinha no movimento, foi a prosa escorreita e de uma extraordinária limpidez de Luís de Almeida Braga que mais me cativou - e à qual volto recorrentemente.
Desiludido da política, descrente da capacidade da Pátria no seu resgate, triste pela desnacionalização crescente das correntes ditas nacionalistas, no meu íntimo não morre a busca de uma Terceira Via, utópica talvez, não tanto pela desadequação à realidade como pelo peso da ditadura democrática, subordinada ao capital apátrida e prostituída às ideias dissolutas das esquerdas acomodadas ao capitalismo.
***
(continua)

domingo, fevereiro 18, 2007

Rodrigo, sempre

O poeta Rodrigo Emílio faria hoje 63 anos. A sua obra tem tido forte divulgação na blogosfera nacional, colmatando em parte a feroz censura de que tem sido alvo desde o fatídico 25/4. A sua morte, faz quase 3 anos, foi a triste ocasião que permitiu a muitos nacionalistas e patriotas desencantados de se reencontrarem e em muitos casos de se conhecerem.
Falo também por mim, que tive o privilégio de conhecer duas dezenas de pessoas incomuns, inconformistas, inconformadas, cultas, leais, muitas delas blogueiros de fina água. As homenagens ao vate, que se iniciaram num restaurante exíguo de Lisboa e continuaram depois no Salão Nobre da SHIP, foram momentos comoventes de reencontro colectivo com a obra do grande português, como Camões poeta e soldado.
Rodrigo, que tanta estima tinha pelos jovens nacionalistas, não deixaria de ficar orgulhoso por ver a comunhão de sentimentos patrióticos entre várias gerações, a perenidade do sentir português, contra ventos e marés adversos. Pela nossa parte não nos esquecemos daquilo que lhe devemos, da sua herança estética, literária - e intransigentemente nacional.

De pequenino se torce o pepino

O meu filho mais velho anda no segundo ano (antiga "segunda classe"). No teste que fez recentemente de "Estudo do Meio" era-lhe posto o problema de dois colegas de turma que pretendiam ser os responsáveis pela biblioteca da escola. As hipóteses eram:
1) Andavam à bulha e quem ganhasse ficava responsável.
2) Havia uma votação.
3) Ganhava quem oferecesse mais doces aos colegas.
4) Era escolhido o mais inteligente.
Julgam que a resposta certa era a 4)? Claro que não, a resposta certa era proceder a uma votação. Mesmo que ganhasse um incapaz, seria sempre uma vitória da democracia! O mais inteligente pode esperar.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Cinco anos de prisão para Zündel

Não conheço os trabalhos de Ernst Zündel nem posso aquilatar sobre o mérito ou não das suas investigações. O que sei é que por lei ele não pode pôr em causa certas "verdades" oficiais e como tal vai penar cinco anos na prisão.
Como tantas vezes tem demonstrado, a democracia proporciona sobretudo a liberdade de... dizer que sim. Quando a história tem que ser imposta à força, ou está mal contada ou está já há muito transformada em instrumento ideológico e deixou de ser uma ciência. Para proveito de...

Subúrbios

No jardim central da Amadora, durante o dia, só se vê praticamente dois grupos de pessoas: negros com menos de 25 anos, brancos com mais de 65. Duas gerações de desocupados.
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O moderno tribunal da Damaia parece um bunker inserido numa zona extremamente degradada, onde praticamente só vivem imigrantes africanos: o Bairro 6 de Maio. Dir-se-ia que a localização se deve ao potencial "mercado de clientes" do palácio de justiça. Um amigo meu que costumava sair na estação da Damaia para ir trabalhar ali perto dizia que nunca tinha sido incomodado - mas que já tinha visto um homem morto jazendo no chão.
Os mercados de rua propõem um pouco de tudo, desde comida africana a objectos de maior ou menor utilidade. Os cabeleireiros afro têm um público-alvo bem definido.
Passando o aqueduto temos a Cova da Moura a poucas centenas de metros.
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Santo António dos Cavaleiros é uma cidade-dormitório do concelho de Loures. Aplica-se-lhe o que Salazar dizia sobre os aglomerados de prédios altos e desengraçados, a que chamava "colmeias". O modelo comunista está perfeitamente exemplificado nesta localidade: uma monotonia urbana igualitarista; um universo cinzento e concentracionário; um conjunto de edifícios altos erguidos nos montes sobranceiros a Loures. A região saloia está ali à porta mas parece quase algo de outro mundo. No vale de Loures ergue-se, infame, o novo shopping, de arquitectura grotesca. Adivinha-se a romaria de cidadãos-consumidores.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Dresden

HNO lembra os 62 anos sobre o bombardeamento da cidade de Dresden pela aviação aliada. Mais de 200.000 pessoas (na sua grande maioria crianças, mulheres e idosos, além de milhares de refugiados que fugiam perante o avanço soviético) pereceram num acto de pura barbárie e selvajaria, sendo conhecido que o objectivo era aterrorizar a população, não havendo qualquer objectivo puramente militar na cidade, o que de resto a carta de Churchill aqui reproduzida confirma, com um cinismo indescritível.
Como escrevi há dois anos atrás, «este horroroso crime de guerra nunca foi punido, pois a justiça (e a história) é exercida pelos vencedores».

Núcleos de resistência

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(Desenho de Chard.)

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O fim de um mundo

Esta não é a nossa época. Lutamos por ideais que parecem varridos pela voragem dos tempos, pelos demolidores de civilizações, pelos totalitários mascarados de democratas e amigos do povo, enfim, a velha história do lobo mascarado de cordeiro.
Aquilo que defendemos, aquilo que era consensual há décadas atrás, é hoje coisa de reaccionários, quiçá extremistas - de gente parada no tempo. Como se a ética e os princípios se devessem moldar às modas da estação. É esse o entendimento da (falta de) classe política que nos desgoverna, que aceita que decisões fundamentais como a que ontem se referendou possam ser tomadas ao acaso da volátil vontade das massas, já de si manipuladas à souhait; ao acaso, até, da inclemência da meteorologia e seus efeitos sobre a inércia dos decisores.
Mesmo que o "não" tivesse vencido, a constatação anterior permaneceria válida, pois a escolha de ontem já diz muito sobre o estado acelerado de degradação a que a civilização chegou. A sociedade está doente, doente não só pela indiferença com que se abdica de certos princípios como também pela apatia e resignação perante a marcha infindável do progresso.
Não queria deixar de saudar todos os que se bateram desinteressadamente pela Vida num contexto adverso. E aproveito para saudar a população de três localidades: uma aldeia, uma vila e uma cidade; Os resultados nelas verificados simbolizam a não abdicação perante a pressão totalitária:
- Arga de Baixo, pequena povoação do concelho de Caminha, distrito de Viana do Castelo, onde o "não" venceu com 97% dos votos;
- Alvaiázere, concelho do distrito de Leiria que continua a demonstrar ser um dos bastiões seguros e firmes do Portugal tradicional;
- e, finalmente, a cidade de Guimarães, símbolo da Nação, e das poucas cidades de média dimensão em que a Vida foi mais votada. Que permaneça, de pé, a lutar por princípios imortais, defendidos também por jovens como este amigo do nosso blogue.

sábado, fevereiro 10, 2007


terça-feira, fevereiro 06, 2007

O candidato do aborto

(Para o meu amigo Corcunda.)

O candidato do aborto
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«Já aqui o dissemos e bastantes vezes mais havemos de o repetir: — sendo o reino da quantidade, a Democracia é o quintal do relativo. Tendo como único valor absoluto o poder indiscutido da vontade maioritária, os outros mais valores que alicerçam a ordem moral, social e política das comunidades, relativizam-se ao sabor da conjuntura e das flutuações da opinião pública. Democraticamente não há nada de indiscutível, coisa nenhuma pode ser um bem ou um mal em si; tudo pode ser votado, tudo é passível de ser discutido e alterado.
Foi nessa base (aliás falseada pelo abuso duma força militar vitoriosa) que se amputou Portugal em 1974; é nessa base que, dominando, completamente os orgãos de intoxicação social, se vai continuar a destruir o que resta da Pátria na sua fisionomia de Estado soberano e no seu espírito de Nação cristã.
Ao escolhermos o mal menor nas últimas eleições legislativas nós escolhemos somente certo modelo de sociedade económica e de regime de propriedade; «metemos na gaveta» (como diria Mário Soares) toda a infinita gama dos valores morais que sempre defendemos, recusando-nos a aceitar que, para além do desenvolvimento material e da liberdade de iniciativa, há muitas coisas que nos transcendem e, na verdade, nos devem dominar a vida em termos dogmáticos e absolutos.
Nós não recusamos o marxismo por ser intrinsecamente perverso e por ser um mal em si; recusámo-lo só porque, além de não nos permitir manter as herdades alentejanas, não nos permite viver com conforto em sociedade de consumo, no desenvolvimento puro, neste laissez faire, laissez passer do capitalismo que, tendo sido a morte suicida do anterior regime, há-de ser, europeisticamente, a morte macaca da soberania nacional.
Discutimos tudo. Discutimos Deus, discutimos a Pátria, discutimos a Família, discutimos a Autoridade e discutimos o Trabalho. O extremo individualismo ou o extremo colectivismo conduzem-nos à tirania; no final do nosso próprio dialéctico acabamos por discutir a liberdade e a vida em função da quantidade que, podendo ser aprioristicamente demarcada, redunda quase sem remissão no totalitarismo — o Estado arvorado em Nação tentando absorver e governar todos os grupos; uma classe apossando-se do aparelho estatal para dominar as outras classes.
É escusado embrenharmo-nos na discussão filosófica dos factos. A realidade concreta convence-nos todos os dias. Momento a momento, no caminho da liberdade material vamos sacrificando a liberdade espiritual — tudo se pode e deve pôr em discussão desde que, no momento histórico, pareça servir de obstáculo à livre circulação das ideias e das coisas, à vontade imperiosa das maiorias circunstanciais, à mitologia do sufrágio universal e cego onde só ganha quem pode manipular os vastos cabedais necessários à orientação unilateral das massas eleitoras.
(...)
Ao defendermos o referendo como útil e indispensável à defesa dos povos contra a prepotência da representatividade política indiscutida durante largo tempo, nós vamos ter que aceitar a discussão constitucional e institucional de tudo o que queiram os senhores do Estado. A lógica doutrinária da democracia relativiza o Bem e o Mal, desde que a maioria transforme o Bem em Mal e o Mal em Bem, nós ficamos indefesos ante os decretos de lei.
Face à lei da maioria não há iniquidades. Como ensinam os maiores constitucionalistas democráticos, a legitimidade define-se como o máximo consenso relativo ponderado em determinado momento histórico. Estado de Direito é o Estado que se rege pela lei que faz; antes do Estado e do seu Direito positivo não há lei nenhuma que se possa opor à vontade das maiorias.
Na armadilha caem os melhores — e caem quase todos os que supõem poder usar a vontade maioritária. Pouco a pouco, de cedência em cedência, na procura do mal material menor, vamo-nos enredilhando na degradação dos valores absolutos; começamos por discutir coisas de somenos para aceitar a discussão do indiscutível.
(...)
Aporrinhado por perguntas numa sessão de esclarecimento para a Juventude Centrista, o general Soares Carneiro, candidato presidencial da Aliança Democrática, depois de ter afirmado a sua oposição pessoal à legalização do aborto, cedeu em dizer poder referendá-lo. Ao chegar aí entrou mecanicamente na lógica dialéctica da principiologia democrática, e cedeu em tudo.
Católico confesso, o general Soares Carneiro não tem o direito de permitir pôr em discussão a bondade política do que, moralmente, é um mal em si. Conforme os ensinamentos do Concílio Vaticano II e mais recentemente ainda conforme as decisões do Sínodo Episcopal sobre a Família agora mesmo encerrado em Roma, são infames as seguintes coisas: — tudo quanto se opõe à vida, como seja toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto e suicídio voluntário... Referendar o aborto é abrir é caminho para o referendo de todos os crimes de assassínio, do mal em si, transformado em bem, ou em mal menor pela vontade maioritária.
Deus, senhor da vida — diz ainda o Vaticano II — confiou aos homens o nobre encargo de a conservar. A vida deve, pois, ser salvaguardada desde o primeiro momento de concepção; o aborto e infanticídio são crimes abomináveis.
Não se referenda a abominação. Não se referenda o que se não pode referendar. Podendo ser politicamente defensável no quadro de uma ideologia materialista a possibilidade do aborto legal — ela é completamente indefensável nos limites do cristianismo — e nós temos de considerar moralmente inelegível para Presidente da República Portuguesa quem põe a vontade circunstancial das maiorias acima dos valores absolutos da moral cristã.
Quem consente dar a escolher ao povo se o homicídio é ou não um mal em si, vai consentir em tudo o mais. Estando à beira da desintegração da soberania nacional por via duma provável integração no Mercado Comum, nós podemos deduzir que quem discute referendariamente o aborto pode vir a discutir pelo mesmo processo a integridade territorial da Pátria, pode desfazer-nos moral e materialmente, pode destruir-nos à pala do valor absoluto duma liberdade formal que, permitindo a alguns a ascensão ao poder através dos mecanismos pavlovianamente condicionantes de espírito duma Nação que, destruída embora, ainda espera viver a vida saudável que os séculos lhe criaram à sombra da cruz de Cristo. (...)»
***
Manuel Maria Múrias, in "A Rua", n.º 229 (30.10.1980), pág. 24.

Alameda Digital

Está já em linha o número 5 desse "espaço de liberdade" que é a Alameda Digital. Prossegue-se a orientação por temas, versando o da presente edição "Segurança e Defesa". Contando com colaboradores de excelente nível, a revista é um caso sério de combate cultural à ditadura esquerdista que nos vem martirizando, e um exemplo de como projectos credíveis, com argumentação e linguagem cuidadas, podem de facto abanar os alicerces da mentira em que nos vêm enredando há décadas.
O corpo de colaboradores engloba vários nomes da blogosfera, entendendo os editores que este vosso escriba também tem lá lugar, tendo eu este mês falado de Shostakovitch e de outra ditadura cultural: a soviética. O texto chama-se "Justiça e Destino".
A ler, reler e divulgar.

Spam

Este palavrão, que até ver não tem termo em Português, ataca todos os que acedem à internet. Durante bastante tempo este blogue permaneceu imune mas nos últimos dias tem sido um "vê se te avias", com comentários do género "you have a nice blog here, congratulations", etc.
A contragosto, lá tive que recorrer à "word verification", essa maçada que nos obriga a inserir caracteres sem nexo quando se escreve um comentário. Aceitem as desculpas da gerência.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Presidenciais francesas

Triste espectáculo, aquele que nos é trazido pelos candidatos tidos como favoritos a entrar na segunda volta das Presidenciais francesas. Tal como há cinco anos, a imprensa já decidiu quem é que vai à segunda volta e nem o "terramoto" lepenista de 2002 contribui para um pouco de pudor entre os fazedores de opinião.
Ségolène e Sarkozy vão, assim, disputar uma segunda volta renhida. Querem-nos fazer crer que os candidatos não poderiam ser mais diferentes: de um lado a "bela" Ségolène, transbordante de charme, capaz de trazer enfim algum pragmatismo ao socialismo francês; do outro, o "duro" Sarkozy, o pró-americano (e pró-israelita), capaz enfim de mostrar a face determinada de uma direita do sistema até aqui incapaz de lidar com a insegurança e com a imigração desregrada.
E, no entanto, uma observação atenta encontrará mais semelhanças que diferenças entre os dois candidatos: em ambos a mesma incapacidade (ou vontade) de identificar a origem dos problemas que afectam um país em marcha acelerada para o abismo (imigração em massa, corrupção endémica, peso do Estado, corporativismo, aversão ao risco e à livre iniciativa); em ambos a mesma retórica balofa sobre a "nova" França, plural, tolerante, mestiça; em ambos, enfim, o oportunismo de par com a hipocrisia, escondendo sob palavras atraentes (?) um único desejo: chegar à cadeira do poder. A França, a civilização ocidental, connais pas.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Datas republicanas


31 de Janeiro e 1 de Fevereiro são datas caras aos republicanos. A primeira evocam-na com emoção, lembrando a tentativa falhada de derrube da monarquia, que teve que esperar mais dezanove anos para ver outro putsch ter sucesso. A segunda evocam-na mais discretamente, pois nenhum quer admitir a filiação do regime instaurado em 5 de Outubro de 1910 num assassínio, ignóbil como todos os assassínios e mais ainda por ter visado a figura de El Rei D. Carlos, um homem bom e que era atacado abominavelmente pela corja que havia jurado derrubar o trono.
Os anos que medeiam entre 1910 e 1926 são do mais degradante que a nossa história conheceu, com o arbítrio da ala esquerda ligada a Afonso Costa, com as exacções da Formiga Branca, com as prisões arbitrárias, com a instabilidade governativa, com a entrada na I Guerra Mundial para dar legitimidade internacional ao regime.
Há 99 anos caíam D. Carlos e seu filho primogénito. Os republicanos rejubilaram com o crime e à família do Buiça nunca faltaram os donativos devidos a quem consumou a tragédia: tragédia humana pela morte das figuras reais e tragédia do país. O cortejo fúnebre acima retratado é bem a imagem do cortejo fúnebre em que a Pátria caíu.

terça-feira, janeiro 30, 2007

La Piovra

Tenho seguido com o maior interesse a redifusão na RTP Memória de "O Polvo", a famosa série de televisão italiana dos anos 80. Michele Placido é o comissário que luta praticamente contra tudo e contra todos para acabar com o poder mafioso em Itália.
A série não cai em maniqueísmos fáceis, procurando caracterizar os mafiosos, com as suas contradições, anseios, desumanidades, fraquezas.
Tendo conhecido a sua pior fase durante o regime fascista, quando foi severamente reprimida, a Cosa Nostra ressurgiu das cinzas com a "libertação", ao receber o apoio tácito dos americanos na luta contra o comunismo, pujante à época.
A luta da justiça italiana do pós-guerra pareceu sempre inglória, tendo conhecido um dos seus momentos mais traumáticos no início dos anos 90 com o assassinato dos corajosos juízes Falcone e Borsellino e com os atentados a alguns símbolos da cultura italiana como a Galleria degli Uffizi, em Florença (onde eu tinha estado poucos meses antes).
O recurso aos pentiti (arrependidos) foi o ponto de viragem, sucedendo-se as denúncias e as traições. A emergência das máfias de leste, nomeadamente russas, também contribuiu para um certo eclipsar da Cosa Nostra.
É em tudo isto que penso quando vejo uma das séries mais trágicas e humanas de sempre, "O Polvo".