sexta-feira, março 30, 2007

O cartaz da polémica

Que dizer do já famoso cartaz do PNR, que a Procuradoria Geral da República já declarou não ser ilegal?
Antes de mais, que desmascara mais uma vez a classe política, sempre incapaz de encarar a imigração senão como uma coisa boa para o país, sem ousar ao menos questionar a oportunidade de limitar os fluxos migratórios em função da situação do mercado de trabalho (outras considerações, como a identidade nacional, nem sequer passam pela cabeça dos nossos representantes).
Depois, a habilidade do partido em ser falado. Com a famosa manifestação após o arrastão da praia de Carcavelos, seguida de mais duas ou três com bem menos impacto, o PNR procurou ser falado através do "espectáculo", de acções que o lápis azul democrático dos media não pode ignorar, encontrando uma forma de fazer passar a sua mensagem.
Mas consegui-lo-á? Ponhamo-nos na pele do comum dos cidadãos, mais ou menos apolítico. Ele verá que o PNR diz "basta de imigração". Fica sem saber se é para se parar a entrada de imigrantes, mesmo legais, se é para repatriar os ilegais, se é mesmo para repatriar alguns (ou muitos?) dos legalizados. Quando lê "façam boa viagem", perceberá claramente o mau gosto dessa frase, posto que genericamente destinada a imigrantes sem distinção: legalizados ou ilegalizados, empregados ou desempregados, honestos ou dedicados a actividades à margem da lei, imigrantes recentes ou residentes há largos anos no nosso país.
Não há, em resumo, uma abordagem do problema da imigração de uma forma coerente e explícita. O que se vê é a indicação da imigração como o mal maior que enfrenta o país, num decalque nada imaginativo do que Le Pen vem fazendo há três décadas, sendo que o nosso contexto é bem diferente do francês, nomeadamente pela quase ausência de imigração muçulmana. Lendo o site do partido vê-se que há uma preocupação real com a perda de soberania, com o fracasso de trinta anos de democracia. Mas a táctica, não sabemos se eleitoral, é para o espectáculo, para a provocação pela mensagem - é, na realidade, uma ironia a cedência à demagogia típica dos nossos partidos democráticos por parte de quem tanto a critica.
A imigração é um problema real de Portugal, que já passou o limiar do aceitável a nível de acolhimento: já há largas dezenas de milhar de imigrantes a viver de diversos subsídios, em paralelo com muitas centenas de milhar de nacionais que não conseguem encontrar trabalho. Há guettos de imigrantes onde a polícia entra com risco da própria vida. Há escolas onde os portugueses são uma minoria. Mas não é honesto pôr os imigrantes todos no mesmo saco e em última análise a quem eventualmente se poderia com proveito e sem mau gosto desejar "boa viagem" seria quem criou este estado de coisas: a classe política, as associações ditas anti-racistas que desonestamente confundem crítica à imigração com racismo puro e simples, e muitos empresários que beneficiam da imigração ilegal para produzirem a baixo custo, remetendo trabalhadores portugueses para o desemprego e escravizando multidões de desenraízados.
Já é altura de os parlamentares tirarem a cabeça da areia e perceberem que há que pôr um cobro à imigração irrestrita. Afinal, foi a primeira-ministra socialista de Mitterrand, Edith Cresson, quem (em 1991) falou no aluguer de charters para repatriamento dos ilegais. Mas campanhas como a do PNR, pelos defeitos apontados, só contribuem para o reforço da atitude de avestruz da classe política. E para o avolumar do problema.

segunda-feira, março 26, 2007

Para acabar de vez com o concurso

Meus amigos, lamento mas não tenho muito para vos dizer sobre o maldito concurso da RTP. Estive, de tarde, duas horas colado ao écran, na expectativa (gorada) de um brilharete do Belém na Taça de Portugal em basket, mas não gastei um minuto que fosse a ver a gala (chamaram-lhe assim?) dos Grandes Portugueses.
Claro que é divertido ver pessoas a dizerem que querem emigrar de Portugal, que o povo(léu) é ignorante, que o fascismo (sic) está a ser branqueado (o comunismo não, claro, afinal Cunhal era um idealista). Oliveira Salazar seria o primeiro a lamentar o resultado da votação - e de facto que injustiça para D. Afonso Henriques ou D. Nuno Álvares Pereira, entre tantos outros! Mas esses grandes vultos não precisaram de sufragar a Nação (nos moldes democráticos actuais, pois que o povo estava com eles) para revelarem a sua estatura e a servirem admiravelmente.
A doença da nossa época é achar-se que tudo é relativo, que tudo pode ser referendado, «vamos a votos e o povo decide». Sem referenciais morais e históricos, sem balizas definidoras do interesse nacional, abertos a todos os questionamentos, abeiramos a catástrofe, enquanto nos tentam convencer de que temos poder e que a marcha do progresso é imparável.
O resultado do concurso revelou a face hedionda dos pseudo-democratas, dos que não aprenderam nada com a farsa deste trinta anos, dos que continuam a arvorar a bandeira da liberdade enquanto raivosamente desdenham alguns dos seus efeitos colaterais. Mostrou também que os portugueses, apesar de aparentemente resignados, continuam como a figura do Zé Povinho: incapazes de dar a volta à situação mas desprezando quem os maltrata, fazendo-lhes um real manguito.

Retrocesso da democracia no Egipto!

O Egipto, governado com mão de ferro há um quarto de século por Hosni Mubarak, não é propriamente um exemplo da democracia que os EUA supostamente desejam ver em expansão no mundo. A oposição é forçada a "estágios" mais ou menos prolongados atrás das grades, a imprensa de livre nada tem.
Um exemplo paradigmático da desconfiança do poder perante quem o possa contestar deu-se aquando da morte do grande escritor Nahgib Mahfouz, falecido no ano passado, cujo cortejo funerário foi controlado pela polícia de modo a evitar um aglomerado de pessoas na última homenagem ao amigo dos humildes.
Outro exemplo é a repressão sobre os Irmãos Muçulmanos, essa espada de Dâmocles ameaçando a todo o momento cair sobre a cabeça do poder. Oficialmente interdito, o movimento islâmico acaba por ser tolerado, num equilíbrio instável entre a repressão que o poder julga necessária para obviar ao crescimento do movimento e alguma liberdade de acção que tem que lhe conceder, para evitar uma revolta em massa dos islamistas.
Hoje realizou-se um referendo em que ia a votos um projecto que reforçaria (o condicional é aqui uma mera formalidade descritiva) os poderes governamentais, num contexto oficial de luta contra o terrorismo. Isto soa a algo familiar! Pois é, mas o país ocidental cujo governo promulgou leis repressivas e discricionárias até há pouco inimagináveis por aquelas paragens afirma-se preocupado com o teor da matéria referendada no Egipto, que poderá conduzir a um retrocesso das reformas democráticas.
Seja como for, não se prevê que os EUA fechem a torneira que rega todos os anos a república egípcia com um bilião de dólares, colocando-a no segundo lugar do ranking da generosidade ianque, mas bem atrás dos quatro biliões destinados a Israel.

Lendas e licenciaturas

A vitória de Salazar no néscio concurso "Grandes Portugueses", a par do anúncio de uma tenebrosíssima conspiração da extrema-direita para tomar de assalto a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras, devem ter sido suficientes para abafar o já de si abafadíssimo caso da licenciatura do primeiro coveiro da Nação. Cujo lema há-de ser a famosa reflexão do editor de um jornal no final da obra-prima de John Ford "O Homem que Matou Liberty Vallance":
«Quando a lenda se torna um facto, imprima-se a lenda!»

Damned Blogger!

Durante um dia e meio vi-me impossibilitado de publicar textos novos no blogue pois o Blogger descobriu que o Horizonte «tem características de um blog-spam»! Vai daí, tive que desiludir o excelso servidor, entrando numa página em que eu era informado que, dado que estava a ler aquela mensagem, então o blogue não era nada spam! La Palice não faria melhor!
Enfim, faltou pouco para mudar para o Wordpress. Um dia...

sexta-feira, março 23, 2007

Reflexões de um engenheiro

Muitos de vós conhecem o famoso discurso de Oliveira Salazar em que o estadista aborda as suas origens:
«Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso à roda da fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia não tenho de enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente. Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem. » (Texto completo aqui.)
O Horizonte divulga agora em primeira mão excertos do Diário do actual primeiro ministro de Portugal. Não deixa de ser perturbadora a influência que o engenheiro procurou no exemplo do Grande Português:
«Devo à Independente a graça de ser engenheiro: sem qualificações que me valham, por muito pouco estou preso ao canudo. Sempre me fizeram falta lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para abichar, na imodéstia a que me habituei a viver, as prebendas de cada dia tenho de enredar-me na trama dos negócios e em comprometedoras solidariedades. Sou um homem da Independente. Sempre tive os olhos postos em clientelas políticas e o partido sempre me apoiou e em paga definiu-me a orientação e os limites da minha acção governativa. Sempre lisonjeei os homens e arrecadei massas, perante os e as quais me curvo, em subserviências que sei serem uma hipocrisia e uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos que não são OTÁrios, é pelo mérito próprio e imposição da minha arrogância de governante, graças a ligações partidárias de peso e apesar dos compromissos eleitorais.»

E vão três velinhas para o Pasquim!

Há um ano, a propósito do segundo aniversário d' O Pasquim da Reacção, escrevia que «lendo o que escrevi há um ano atrás pouco mais tenho a acrescentar, o que só abona em favor da coerência e persistência do nosso amigo». Pois aí está mais uma anito passado e a afirmação do nosso amigo como uma das (lusas) vozes mais coerentes, inteligentes, percutantes e intransigentemente nacionais da blogosfera.
Deliberadamente centrado na reflexão dos valores que deveriam ser eternos e nunca maleáveis pelas modas, fraquezas titubeantes e pusilanimidades dos homens, o Pasquim tornou-se uma escola de pensamento, aberta à discussão a todas as pessoas que o pretendam fazer construtivamente.
Dizer que é um espaço à parte na blogosfera é uma redundância. Dizer que daqui a um ano lhe estaremos novamente a dar os parabéns - uma alegria pré-anunciada.
Bem hajas, amigo!

quinta-feira, março 22, 2007

Museu judaico em Munique

A Alemanha, país da "culpa eterna", acaba de inaugurar mais um museu judaico, desta vez em Munique.
A notícia reza mais ou menos o seguinte: «Com uma cerimónia na Câmara Municipal, foi hoje inaugurado o novo Museu Judaico, em Munique. O presidente da câmara discursou sobre o significado do museu, perante centenas de convidados. O complexo engloba museu, sinagoga e memorial, situando-se na St.-Jakobs-Platz e contribuirá para colocar Munique como centro da vida, religião, cultura, tradição e futuro judaicos.»

Mais uma cabala?

Francisco Louçã não encontrou melhor forma de comemorar os 9 anos de vida do Bloco de Esquerda que na realização de um jantar em Salvaterra de Magos, município cuja presidente de câmara, do BE, é arguida num processo judicial. Afirmando que "Ana Cristina Ribeiro estava a ser alvo de «vingança» pelo proprietário «de um bar de alterne» e que não deveria por isso suspender o mandato", o líder trotsquista dá um belo exemplo de coerência com a imagem de defensor da honestidade na política...

segunda-feira, março 19, 2007

Disponibilidade mental para o Cro-Magnon consumista

«Sejamos realistas: a função primordial da TF1 é ajudar a Coca-Cola, por exemplo, a vender o seu produto. Mas para que uma mensagem publicitária seja apreendida é necessário que o cérebro do tele-espectador esteja disponível. As nossas emissões têm como objectivo assegurar essa disponibilidade, divertindo e descontraindo o espectador para o preparar entre dois anúncios. O que vendemos à Coca-Cola é tempo de cérebro humano disponível (sic). Não há nada mais difícil que obter essa disponibilidade. Aí reside a mudança permanente. É preciso procurar permanentemente os programas de sucesso, seguir as modas, surfar (re-sic) as tendências.»
Não se pode criticar Patrick Le Lay pela falta de franqueza. Com estas declarações, o patrão da cadeia de televisão francesa TF1 demonstra a que ponto de indigência mental se pretende reconduzir os cidadãos consumidores, tornados cordeirinhos e abastecedores das contas bancárias do big business.

sábado, março 17, 2007

Afonso Lopes Vieira na escola primária

Por vezes a escola de hoje ainda é capaz de nos surpreender pela positiva. Um dos trabalhos de casa do meu filho mais velho consiste na leitura e interpretação de um poema infantil de Afonso Lopes Vieira, figura ímpar da nossa cultura do século XX.
Intitulado "Canção da Rola", o poema começa assim:
***
O canto da rola rola,
Rola com saudade tanta...
- Ó rola, que cantas tu?
E a rola responde e canta:
Trru-trru..., trru-trru...
Trru-trru..., trru-trru...

Algarve rebaptizado

Com intuitos de promoção da nossa região mais turística, o ministro da Economia muda o nome ao Algarve, «para vender (sic) melhor a região».
O douto ministro talvez devesse mudar o seu próprio nome no sentido de uma melhor equiparação do mesmo à figura que o ostenta. Asshole seria uma boa hipótese.

quinta-feira, março 15, 2007

Sobre a Alameda Digital

O novo número da revista digital Alameda Digital, 6 de ópus mas sétimo se incluirmos o número 0, está já em linha. O tema é "Política Cultural" e as contribuições são numerosas e de valor. Também lá consta um artigo meu sobre o grande compositor Anton Bruckner.
Tendo como objectivo combater a ditadura cultural de esquerda, a revista tem mostrado uma constância e determinação nesse propósito que são de louvar. Na direita patriótica nunca faltou gente de valor para promover princípios. O problema foi sempre a difusão dos mesmos, a capacidade de alargar o leque de pessoas a quem se faz chegar a mensagem. Com uma média diária de 83 visitas, a Alameda tem ainda um longo caminho a percorrer. A média de 5 minutos por visita indicia que os leitores não lerão mais que dois ou três textos por visita, eventualmente imprimindo mais uns quantos para leitura posterior. O que levanta a questão da limitação da internet: para leituras de fundo, para uma reflexão profunda, ainda nada há melhor que o papel. Será que, a exemplo do projecto Voxblogs, a Alameda não poderia compilar os textos de cada número num ficheiro pdf? Ficheiro do qual cada um imprimiria comodamente os textos que mais lhe agradassem, ficheiro que poderia ser enviado a n pessoas, por e-mail, e que de outra forma não tomariam conhecimento do projecto?
Fica a sugestão.

Ruídos e cheiros...

Alguns de vós lembrar-se-ão das famosas declarações de Jacques Chirac contra a imigração em massa e o reagrupamento familiar (por ele instituído em 1975!), mencionando, en passant, o "ruído e o cheiro" emanados dos apartamentos ocupados por imigrantes...
Este discurso, perfeitamente estúpido e demagógico, ainda mais na boca de tamanho oportunista, pode agora ser visto neste link, e não deixa de ser delicioso face ao que se conhece daquele que se tornou um dos grandes promotores da mestiçagem.

terça-feira, março 13, 2007

Um ano de "Horizonte"

Caros amigos,
Faz hoje um ano que nasceu este blogue. Parto inesperado, após o fim anunciado da minha primeira aventura blogosférica, o Santos da Casa (que surgiu alojado cá na terrinha e depois emigrou para os States). Instado por duas dezenas e meia de leitores fiéis e inconformados com o fim do Santos, decidi-me a criar o Horizonte, com o fito de manter uma presença blogueira sem obrigações de actualizações demasiado frequentes, como era apanágio do blogue anterior.
Curiosamente, este é já o 336º postal do novo blogue, prova que com o incentivo dos amigos se conseguem milagres. (Incentivos que, valha a verdade, incluíram diversos modos de coacção perfeitamente intoleráveis numa sociedade que respeita os direitos humanos.)
Convido-os a relerem os comentários então feitos, pois constituem um incentivo para todos os que ponderam desistir do seu blogue (ou, valha a verdade, de qualquer outro projecto de intervenção). Sinto-me satisfeito por ter continuado, sinto-me orgulhoso de alguns textos por mim escritos e sinto-me feliz por fazer parte de uma comunidade de blogueiros e comentadores (alguns deles meus amigos) que não desistem de lutar por aquilo a que Paiva Couceiro chamava o "Portugal Maior". Um dos maiores promotores da ideia nacionalista no século passado, Jacques Ploncard d'Assac, curiosamente nascido num 13 de Março (de 1910), dizia que perante as seduções do inimigo, as seduções da mentira, seduções que levam frequentemente os moles a pôr em causa os seus princípios, há que repetir incessantemente que não são as nossas ideias que são rejeitadas mas sim a imagem e a caricatura que delas dão os media da propaganda inimiga.
Consciente de que por vezes o campo nacional oferece munições que alimentam essa caricatura, vi-me, nos primeiros tempos do Santos da Casa, incompreendido e por vezes acusado de divisionismo (uma acusação com fortes reminiscências estalinistas). À força de me repetir e de insistir, creio que contribuí um quinhão para dar uma imagem de nacionalismo não fanático mas firme nas ideias, não racista mas rejeitando a imigração em massa, intransigentemente português mas não órfão de tempos que já lá vão, anti-europeísta no plano político mas defensor de uma Europa de Pátrias amigas e herdeiras de um património comum grego, romano e cristão.
É pela defesa destes princípios que continuo - com os vossos incitamentos e apoio. Todos não somos demais para continuar Portugal.

segunda-feira, março 12, 2007

Plétora de candidatos em França

Após o anúncio por parte do actual presidente, Jacques Chirac (que não deixa saudades a ninguém), de que não se recandidataria, são mesmo assim nada mais que 38 os candidatos declarados à presidência da república francesa!
Dos "clássicos" Jean-Marie Le Pen (Front National) e Arlette Laguiller (Lutte Ouvrière), aos favoritos Sarkozy e Royal, há candidatos para todos os gostos:
- três (!) assumem-se como defensores dos deficientes;
- três são militantes ecologistas;
- Soheib Bencheikh, um nome de forte consonância gaulesa (como o de outro candidato, Romdane Ferdjani), foi grande mufti de Marselha;
- mostrando que "eles" nunca estão contentes, temos Pierre Larrouturou, que pretende "imprimir mais audácia à esquerda";
- especialistas como são na retórica e no uso demagógico do discurso político, não espanta que surjam em França candidatos que lutem «por que os rendimentos de baixo apontem para os de cima» ou por uma «maioria das minorias em sofrimento moral e social.
Não fosse tudo isto tão trágico dir-se-ia estar-se na presença da "comédie française".

domingo, março 11, 2007

Trágicos 11 de Março

Num país desmemoriado como o nosso, o dia 11 de Março lembra às pessoas apenas o abominável atentado que vitimou há três anos cerca de duas centenas de pessoas nos arredores de Madrid. (Madrid, que ontem saíu em massa à rua em protesto contra a completa inversão de valores que representa o executivo PSOE, que se agacha perante o terrorismo etarra.)
Esquecido parece estar o nosso trágico 11 de Março de 1975, que mudou para sempre a história deste país. Evoquei essa trágica jornada há dois anos, que trouxe o poder para a rua, que arredou o bom senso e o mínimo sentido de dever à Pátria das preocupações gerais, que arruinou a economia, que selou o destino do Ultramar e abriu as portas a décadas de guerra e miséria.
Se hoje é, muito justamente, dia de luto em Espanha, também o deveria ser para Portugal, cuja decadência não mais parou desde a fatídica data; isto pese o regresso dos militares aos quarteis, pesem as privatizações e pesem todos os ecus e euros que nos inundaram nas últimas décadas. A alma nacional, essa, estava há muito enterrada e remetida para a memória de muito poucos.

A libertação da mulher

A Junta de Freguesia da Reboleira, no concelho de Amadora, assinalou o Dia Internacional da Mulher com um jantar, que no final teve um striper a actuar. Ficamos ainda a saber que «no momento de subir uma senhora ao palco para dançar com o striper foi uma vogal do PS que o fez».
Como diz o nosso amigo HNO, «Esses dias servem sobretudo para histéricas feministas agitarem gastas bandeiras, predadoras sexuais imitarem os grotescos comportamentos de homens que sempre criticaram e machos de pacotilha, que ignoram o que é a relação de um HOMEM (não confundir com homem) e de uma MULHER».