segunda-feira, abril 30, 2007

Informação alternativa, espaços de liberdade

Convido os meus leitores que não tenham esse hábito a dar uma vista de olhos regular pelas ligações da direita. Para além de facilitarem o acesso a páginas da vossa preferência, tento actualizá-las ao sabor das minhas descobertas, como é o caso de há poucos minutos com o recomendável blogue Mneme. Ou com o novo projecto Abril, Prisões Mil, que pretende recolher «Memória e Testemunhos das Prisões Políticas depois do 25 de Abril de 1974», algo que o regime pretende ocultar, pois é suposto que a data referida tenha acabado com as prisões por delito de opinião, algo que, como se sabe, só existe nos regimes fascistas...
Temos também a Alameda Digital, já no seu oitavo número (houve um número zero), que é bem capaz de ser o melhor de todos os até aqui colocados online. No meio de ilustres e meritórios contributos, também garatujo por lá umas notas sobre música, desta vez sobre o panorama dos concertos no nosso país.
Em falando de informação alternativa não se pode deixar de referir o Projecto Grifo (imperdível este artigo) e o Novopress, páginas onde se pode obter informações regra geral esquecidas pelos media, bem como reflexões sobre o mundo que nos rodeia com uma perspectiva claramente não conformista.
Porque não só da actualidade imediata se faz a compreensão do que nos rodeia, também a doutrina é fundamental para cimentar convicções e solidificar argumentos em prol da ideia nacional. A Causa Nacional tem tido um papel louvável na divulgação de textos de autores nacionais e estrangeiros que contribuem - e de que maneira - para um enriquecimento da reflexão nacionalista, nas suas diversas vertentes.
Embora caminhemos inequívoca e rapidamente rumo a um planeta-prisão, não vão faltando vozes corajosas e determinadas em lutar pela sua liberdade, as suas raízes - e o seu futuro.

Há fossas comuns e fossas comuns

«Em Outubro de 2006, a abertura de uma fossa comum em Menden-Barge, no oeste da Alemanha, suscitou a comoção da comunidade internacional pois pensou-se que as crianças cujos cadáveres nela foram descobertos teriam sido vítimas de um programa de eutanásia nacional-socialista executado num centro de morte (Tötungsstation) situada em Wimbern. Após um inquérito minucioso levado a cabo pela polícia judiciária de Düsseldorf ficou-se a saber que o "centro de morte" era um dos hospitais provisórios que, no final da II Guerra, acolhiam sobretudo vítimas dos bombardeamentos aliados. As infelizes crianças não eram, na verdade, "vítimas da barbárie nazi" mas sim "vítimas colaterais" da cruzada democrática.»
(Rivarol de 6 de Abril de 2007, com referência a esta notícia da Focus alemã.)

sábado, abril 28, 2007

Terceiro aniversário do Pena e Espada

Numa altura difícil da sua vida, não podíamos deixar de lembrar o terceiro aniversário do blogue do nosso amigo Duarte Branquinho, o Pena e Espada. Desejando que se afastem as núvens negras que pairam sobre si, enfunadas pelos totalitaristas moralistas desta terra, daqui enviamos um forte abraço ao Duarte. E viva o Pena e Espada!

sexta-feira, abril 27, 2007

Pão, circo - e palhaços

A oposição diz que é um atentado à liberdade de expressão. Já o público lamenta o fim de algumas telenovelas, sem dúvida a mais trágica consequência da decisão do castrista Chavez de encerrar o único canal de televisão não governamental da Venezuela...
Não é de esperar grandes (nem pequenas) reacções por parte da esquerda bem pensante que fabrica a opinião ocidental.

quarta-feira, abril 25, 2007

Notas dispersas sobre a funesta data

Venci em Aljubarrota
Perdi Alcácer Quibir
Mas sofri maior derrota
Por não enfrentar a tropa
Que desembarcou Abril
***
António Manuel Couto Viana, "Restos de Quase Nada e Outros Poemas", Averno, 2006.
***
***
1.
Era este um lugar
de raiz duradoura. Mas soou a hora
de deitar país
fora...
... e tal foi
o vendaval
alevantado,
que jamais no areal
se viu tanto herói
irado!
2.
Pátria sem porte,
quando já chegou a ser
pátria sem par!...
(Está hoje às portas da morte.
Fechou as portas ao mar...
Se ao menos tivesse a sorte
d'ir morrendo devagar...)
***
Rodrigo Emílio, Reunião de Ruínas, Edições A Rua.
***
***
Se um Costa matou El-Rei,
Outro Costa matou o Presidente (*)
Ainda cá ficaram mais Costas
Para f... toda a gente!
(*) Sidónio Pais
***
Vox populi, a propósito de Costa Gomes. Citado por Mattos Gomes, "A Década Bastarda, Abril de 1974 a Abril de 1984".
***
***
«De manhã [em 25 de Abril de 1975], defronte da gare do Rossio, extraordinário monumento em estilo "manuelino-ferroviário" que ornamenta o centro de Lisboa, mulheres já de certa idade instalam, com a maior das descontracções, o seu escaparate político-pornográfico. O lado porno ganha nas calmas, podendo encontrar-se lado a lado "Emmanuelle", Lenine, Mao, "Kama Sutra", "11 de Março, Autópsia de um Golpe"; e depois, roçando-se - impossível inventar melhor - "Por onde vai Portugal?" e "Pontapés no Traseiro". (...)
A um canto de uma rua, dois barbudos oferecem aos clientes um anúncio insólito. No meio do mesmo, o galo de Barcelos (...) Vendo o desenho mais de perto apercebemo-nos que a crista está um pouco fanada, que as asas pendem, desanimadas, o porte da cabeça é bastante menos orgulhoso que o original. A legenda, em letras enormes: "Ruim por ruim, vota em mim!".»
***
Jean Marc Dufour, "Prague sur Tage", Editions de la Nouvelle Aurore, 1975.

terça-feira, abril 24, 2007

Surpresas e normalidade em França

Alguns analistas afirmaram que os resultados da primeira volta das eleições presidenciais francesas não trouxeram grandes surpresas, ao contrário do sucedido há cinco anos com a passagem de Jean-Marie Le Pen à segunda volta.
Aparentemente, assim é. Vamos ter um esperado duelo Sarkozy-Royal na segunda volta, François Bayrou confirma o seu excelente score e Le Pen fica em quarto lugar. Num país habituado à dispersão de votos por uma plêiade de candidatos, pode-se dizer que desta vez - e isto será uma primeira surpresa - funcionou o voto útil, tendo muita gente de esquerda ajudado Royal a passar sem problemas à segunda volta e muitos votantes habituais do Front national feito o mesmo com Sarkozy.
E aqui temos outra surpresa: a suposta fidelidade dos votantes frontistas é um mito. Ao obter apenas 10,4% dos votos, pode-se dizer que o tempo de Le Pen chegou ao fim, ao mesmo tempo que se verifica que uma certa recentragem do partido (linguagem mais moderada, posições algo ambíguas sobre o aborto ou o casamento de homossexuais e até apelo ao voto imigrante) só prejudicou o bretão. Paradoxalmente, com a sua habilidade e demagogia, Sarkozy aparentou ter uma linguagem mais contundente e deu uma imagem decidida no combate à "escumalha" dos subúrbios, cativando muitos habituais votantes do Front.
Sarkozy encarna, na verdade, o candidato preferido dos EUA (como Angela Merkel na Alemanha) e de certo estado do Médio Oriente; a este respeito são claras as posições favoráveis dos meios neo-conservadores, bem como a incrível adesão a Sarkozy por parte da comunidade judaica de França, abolindo todas as barreiras ideológicas. A retórica do candidato sobre a identidade nacional não deve esconder o facto de o próprio ter confessado sentir-se um pouco estrangeiro em França, ao passo que a sua mulher se orgulha de não ter uma gota de sangue francês.
Ségolène Royal é um puro produto de marketing: sorriso Pepsodent, roupa branca e uma abordagem menos ideológica que o costume no PSF, que tentam ocultar o facto de por trás da candidata estar toda a velha tropa jacobina que tanto mal tem feito à França.
Para terminar, deixo-vos um momento humorístico de primeira ordem: as reacções na sede do PC"F" aos microscópicos 1,9% da sua candidata (e ex-ministra) Marie-George Buffet. Duas tiradas são impagáveis: "Temos a confirmação de que estamos num país de fascistas" (sic) e, naturalmente, "o PC não morreu, a luta continua"...

segunda-feira, abril 23, 2007

O Processo

(Ao meu amigo D.)
«O senhor não pode sair, está preso.» (...) «Não estamos autorizados a dizer-lhe a razão. Vá para o seu quarto e aguarde lá. Foi-lhe movido um processo e o senhor será informado de tudo na altura oportuna. Estou a exceder as instruções que tenho ao falar assim abertamente consigo.» (...)
Quem seriam estes homens? De que estariam a falar? Que autoridade representariam? K. vivia num país com uma constituição legal, havia paz no mundo, todas as leis estavam em vigor; quem se atreveria, pois, a prendê-lo na própria casa? Estava sempre disposto a aceitar os acontecimentos com toda a calma, a admitir o pior apenas quando este surgia, a não se preocupar com o amanhã, mesmo quando as perspectivas fossem assustadoras. Mas ocorreu-lhe que esta não seria a melhor política a seguir. Naturalmente, tudo isto se resumia a uma brincadeira, uma brincadeira de mau gosto (...)
Franz Kafka, "O Processo", capítulo I.

domingo, abril 22, 2007

Pluralismo em alta

O programa dos "Dias da Música", evento a decorrer este fim de semana no Centro Cultural de Belém, com o piano em destaque, possibilitava-nos ontem a audição de Bernardo Sasseti e Mário Laginha "interpretando Zeca Afonso" (nos discos do bardo da extrema-esquerda aparecia sempre José Afonso; o uso de "Zeca" é intencional e mostra a suposta afectividade que os portugueses devem sentir para com o homem que cantava «Foram-se embora os chacais / Chegou a hora dos tribunais»). Já a partir de amanhã a RTP2 oferece-nos noites de música portuguesa. Nomes? José Mário Branco, Sérgio Godinho, Fausto, Vitorino. Uma selecção nada sectária!

sexta-feira, abril 20, 2007

Passos perdidos

Não queimaram livros como o bombeiro de "Fahreneit 451", de Ray Bradbury, mas apreenderam um ror deles, até o "Animal Farm" de George Orwell. A que propósito, tratando-se de uma operação contra a "discriminação racial", podemos interrogar-nos. Se calhar a PJ, ou melhor os seus mandantes, acha que "um livro é uma arma", o que não está mal visto.
Quanto aos dilemas do nacionalismo português, não há muito de novo a dizer. Se se acha que num partido qualquer um é bem vindo então ele está a pôr-se a jeito, além de afugentar milhares de pessoas bem intencionadas que têm horror àquilo que encaram como extremismo. Em última análise bastava analisar quais os movimentos que efectivamente cresceram eleitoralmente nas últimas décadas na Europa e ver qual foi a sua estratégia e a imagem que passaram para a opinião pública.

O traidor

É o típico traidor. Militante comunista e, portanto, internacionalista, fez o jogo de Moscovo até que o vento mudou e o que estava na ordem do dia era a reciclagem no socialismo democrático. No governo fez sempre o jogo dos interesses espanhóis, sem qualquer pudor (pelo caminho estourou com as finanças públicas, por o que ainda estamos a pagar a factura). De volta ao privado, é vê-lo à vontade na sua pele de agente económico do país vizinho. Agora poderá conciliar essa faceta com a de manipulador da opinião pública, num regresso ao "passado glorioso" dos tempos do PC"P". O círculo fecha-se.

quarta-feira, abril 18, 2007

Demência sem fim

O amigo Corcunda já abordou a demência de certa criatura de referência deste regime. Demência cujas manifestações, provocatórias ainda por cima, não cessam. Ainda por cima a figura deve achar-se muito engraçada.
(Via "O Insurgente", definitivamente com uma paciência infinda para aturar semelhantes barbaridades.)

terça-feira, abril 17, 2007

Site americano da Al-Jazeerah encerrado

O site americano da Al-Jazeerah encerrou. As explicações que por lá se encontram são o mais lacónicas possível, em contraste com o extenso texto que até há pouco tempo se podia ler, no qual se descreviam as pressões sofridas a todos os níveis no sentido de impedir o trabalho da equipa redactorial.
Era um leitor habitual do site, que estava longe de ser imparcial. A sua realidade era basicamente a preto e branco, com raras nuances. Se bem que apoiasse o seu combate por uma Palestina livre do jugo sionista, não podia subscrever o seu maniqueísmo, as mais das vezes derivado de uma análise emocional.
Seja como for, era uma voz livre na denúncia das arbitrariedades israelitas e americanas no Médio Oriente, com notícias sempre frescas sobre aquela martirizada região e com a inclusão de fotografias que rarissimamente chegavam aos jornais ocidentais.
Para já, é uma vitória de certo lobby, provavelmente o mesmo que inunda frequentemente de insultos este blogue israelita pacifista. O autor diz-nos que a maior parte dos impropérios vem de Miami...

segunda-feira, abril 16, 2007

Música e emoção

Em programa difundido há pouco tempo pelo canal Arte, o grande violoncelista Mstislav Rostropovich, que se exilou no Ocidente na era Brejhnev, comparava as reacções dos públicos alemão e russo à música executada ao vivo. Estranhava a atitude dos alemães, muito mais interessados nos aspectos técnicos da execução, ao passo que na Rússia era normal ver pessoas a chorar de emoção durante um concerto.
Não é de excluir que o opressivo regime soviético fizesse sobressair na sala de concertos a tradicional emotividade do povo russo, extravasando sentimentos reprimidos. Mas isto é já especulação minha.

sexta-feira, abril 13, 2007

O homem que pensou em encher o Campo Pequeno

Diz-se que chorou no funeral de Salazar. Sonhou ser o Che Guevara português. Foi o chefe do COPCON, espécie de milícia revolucionária especializada em prisões arbitrárias e na emissão de mandatos de captura em branco. Lamentou-se, no fim do PREC, que até a ele (a ele!) chamaram fascista. Reciclou-se no terrorismo das FP-25 e beneficiou de uma vergonhosa amnistia. Há poucos anos entrou num filme pornográfico. É um artista de Abril.
***
(Imagem daqui retirada, link a agradecer à recomendável Revista de Teoria Política).

quinta-feira, abril 12, 2007

Terror anti-FN

O sistema francês para um candidato poder candidatar-se à presidência da república é bastante tortuoso, obrigando à obtenção de 500 assinaturas ("parrainages") de eleitos. Sabendo-se da pressão política e mediática que recai sobre os apoiantes do Front National, não admira que o seu líder, Jean-Marie Le Pen, se veja da cor dos cucos para obter as malfadadas assinaturas, posto que muitos representantes locais receiam ser alvo de críticas públicas por apoio aos "racistas".
Se fossem só as críticas... Soube-se hoje que os eleitos que concederam a sua assinatura no departamento de Ardennes foram alvo de ameaças, que o FN diz serem de morte dado que constavam de cartas anónimas com um pó branco, imitando antrax.
É mais um belo exemplo do espírito democrático dos democratas franceses.

Ah, g'anda Wolfi!

Paul Wolfowitz, director do Banco Mundial, reconheceu ter concedido um aumento salarial... à sua amante: nada mais nada menos que 60.000 dólares por ano, levando a que a feliz "eleita", Shaha Riza, passasse a ganhar 200.000 por ano no Departamento de Estado (mais do que a responsável, Condoleezza Rice!).

quarta-feira, abril 11, 2007

Calar a verdade e enterrar o passado

"Hoje vemos que existem muitos interesses que procuram encerrar a nossa instituição de forma a calar a verdade e enterrar o passado. Para que nada se descubra", escrevem em carta aberta ao ministro do Ensino Superior o corpo directivo, reitoral, docente e administrativo da Universidade Independente.
Não sabemos se a referência é ao passado de estudante do nosso primeiro ministro, que hoje vai explicar ao país toda a polémica em torno da sua licenciatura em Engenharia Civil, polémica essa que, ao contrário do que afirma o Diário Digital, não foi «aberta após um trabalho de investigação feito pelo jornal "Público", a 22 de Março», tendo sido antes despoletada pelo notável trabalho de investigação feito pelo blogue Do Portugal Profundo, que não é a primeira vez que incomoda o poder.

"A imigração torna-se um problema social"

"Se a imigração passa a barreira dos oito, nove ou dez por cento, torna-se um problema social". Não foi nenhum político extremista (para usar o "benévolo" termo que a imprensa de referência costuma apôr a certos partidos) que o afirmou, mas sim o chefe de Estado austríaco, Heinz Fischer, referindo os problemas que o excesso de imigrantes pode provocar nas sociedades europeias.
Que se fale em excesso de imigrantes é quase uma novidade, vinda da boca de um político do centrão; que se mencione problemas sociais daí decorrentes, ainda mais.
Aguarda-se a todo o momento o desmentido oficial.

domingo, abril 08, 2007

Ressurreição desejada

Todos sabemos como o mundo do trabalho hoje em dia, e em especial no sector privado, tende a ser um "mundo cão": obrigações sem fim, inexistência de horários, ameaça permanente de "reestruturações" - um sem fim de factores que perigam a realização profissional e a saúde.
Até há poucos anos era habitual ouvir-se falar de pessoas na casa dos 50 anos que sofriam ataques cardíacos. Mas hoje multiplicam-se os relatos de trabalhadores com 30 anos, e às vezes até menos, a contas com problemas de saúde por excesso de trabalho e dificuldade psicológica de conviver com a incerteza permanente no que ao futuro do seu posto de trabalho diz respeito.
A exploração começa cedo: os felizardos que obtêm um estágio numa grande empresa sujeitam-se a jornadas de trabalho de dezasseis horas, sem receberem mais por isso - e têm que se sentir realizados pois abre-se-lhes uma porta de futuro profissional de que poucos se podem vangloriar.
Noutras empresas com carga de trabalho mais equilibrada o espectro do desemprego é permanente pois nunca se sabe quando é que surgirá vindo de algum cérebro iluminado um plano de redução de postos de trabalho.
Isto tudo se passa num mundo orientado para o consumo em larga escala: longe vão os tempos em que o "português obscurantista" apenas gastava 70% do seu rendimento e guardava os restantes 30% para o incerto futuro. Hoje, com taxas de juro baixas, com facilidades de crédito e um sem fim de incentivos ao consumo, a que se associa uma imagem de estilo de vida a que poucos resistem, há já indivíduos que gastam, em consumo corrente e prestações, praticamente tudo o que ganham. Em bom português, estouram tudo quanto lhes chega à conta bancária no fim do mês - e que se dane o futuro! Mas ao menos podem "desfilar" a casa e o carro perante os olhares dos amigos, elogiar os acabamentos do apartamento ou os estofos em pele do "espada".
Um dinamarquês meu amigo espantava-se com a redução do trânsito nas estradas de Lisboa e arredores na última semana de cada mês: pudera, a malta está tão endividada que nos últimos dias antes de receber o ordenado já não tem dinheiro para a gasolina!
Estas reflexões vieram-me à mente após saber que um colega meu, de 34 anos, sofreu uma trombose, felizmente sem consequências gravosas. Penso também num confrade e amigo blogosférico que trabalha sem parar, de resto disso se ressentindo a sua produção blogueira. Penso nas pessoas que conheço a contas com problemas estranhos de saúde e também em alguns que sucumbiram aos modernos tempos empresariais.
Trocando umas impressões com o Rafael Castela Santos, lamentava-se este amigo: "como estamos longe da doutrina social da Igreja!" Será que neste dia de Páscoa podemos crer na sua ressurreição?

quarta-feira, abril 04, 2007

Língua (?) do futuro?

Se a língua é dos poucos domínios em que ainda nos podemos sentir portugueses, apesar de décadas de telenovelas brasileiras, de jornalistas encartados e eméritos pontapeadores da gramática, de coevos escritores com um leque confrangedoramente diminuto de vocábulos, de neologismos afro, de acordos ortográficos e outros atentados de lusa-língua, que dizer de notícias como esta?
Mais do que a busca de uma plataforma de entendimento entre quem fala português e quem fala castelhano, parece-me que o portunhol (nome horroroso para uma realidade horrorosa):
- é uma forma de predominância do castelhano (basta ler este sinistro blogue) sobre o português, pois é bem sabido que quem fala português não tem problemas de maior em entender o castelhano, o mesmo se não podendo dizer dos que têm a língua de Cervantes como língua materna em relação ao português;
- é um sintoma de uma época que nutre um desprezo profundo pelas realidades culturais específicas dos povos, tendendo ao facilitismo: "desde que nos entendamos está tudo bem";
- não por acaso é defendido pelo ministro da cultura (com c pequeno) do Brasil, Gilberto Gil, cujo ódio à cultura ocidental é bem patente;
- é uma consequência lógica da tentativa de apagar as raízes dos povos e de os remeter para um contexto linguístico controlado, ou seja, de lhes impor a Novilíngua orwelliana;
- é um passo mais na mundialização em curso.
Se Fernando Pessoa dizia que "a minha Pátria é a língua portuguesa", nos tempos que correm o poeta sentir-se-ia totalmente desenraízado e apátrida - como os senhores do mundo querem que nos sintamos também.