Que dizer do já famoso cartaz do PNR, que a Procuradoria Geral da República já declarou não ser ilegal?
Antes de mais, que desmascara mais uma vez a classe política, sempre incapaz de encarar a imigração senão como uma coisa boa para o país, sem ousar ao menos questionar a oportunidade de limitar os fluxos migratórios em função da situação do mercado de trabalho (outras considerações, como a identidade nacional, nem sequer passam pela cabeça dos nossos representantes).
Depois, a habilidade do partido em ser falado. Com a famosa manifestação após o arrastão da praia de Carcavelos, seguida de mais duas ou três com bem menos impacto, o PNR procurou ser falado através do "espectáculo", de acções que o lápis azul democrático dos media não pode ignorar, encontrando uma forma de fazer passar a sua mensagem.
Mas consegui-lo-á? Ponhamo-nos na pele do comum dos cidadãos, mais ou menos apolítico. Ele verá que o PNR diz "basta de imigração". Fica sem saber se é para se parar a entrada de imigrantes, mesmo legais, se é para repatriar os ilegais, se é mesmo para repatriar alguns (ou muitos?) dos legalizados. Quando lê "façam boa viagem", perceberá claramente o mau gosto dessa frase, posto que genericamente destinada a imigrantes sem distinção: legalizados ou ilegalizados, empregados ou desempregados, honestos ou dedicados a actividades à margem da lei, imigrantes recentes ou residentes há largos anos no nosso país.
Não há, em resumo, uma abordagem do problema da imigração de uma forma coerente e explícita. O que se vê é a indicação da imigração como o mal maior que enfrenta o país, num decalque nada imaginativo do que Le Pen vem fazendo há três décadas, sendo que o nosso contexto é bem diferente do francês, nomeadamente pela quase ausência de imigração muçulmana. Lendo o site do partido vê-se que há uma preocupação real com a perda de soberania, com o fracasso de trinta anos de democracia. Mas a táctica, não sabemos se eleitoral, é para o espectáculo, para a provocação pela mensagem - é, na realidade, uma ironia a cedência à demagogia típica dos nossos partidos democráticos por parte de quem tanto a critica.
A imigração é um problema real de Portugal, que já passou o limiar do aceitável a nível de acolhimento: já há largas dezenas de milhar de imigrantes a viver de diversos subsídios, em paralelo com muitas centenas de milhar de nacionais que não conseguem encontrar trabalho. Há guettos de imigrantes onde a polícia entra com risco da própria vida. Há escolas onde os portugueses são uma minoria. Mas não é honesto pôr os imigrantes todos no mesmo saco e em última análise a quem eventualmente se poderia com proveito e sem mau gosto desejar "boa viagem" seria quem criou este estado de coisas: a classe política, as associações ditas anti-racistas que desonestamente confundem crítica à imigração com racismo puro e simples, e muitos empresários que beneficiam da imigração ilegal para produzirem a baixo custo, remetendo trabalhadores portugueses para o desemprego e escravizando multidões de desenraízados.
Já é altura de os parlamentares tirarem a cabeça da areia e perceberem que há que pôr um cobro à imigração irrestrita. Afinal, foi a primeira-ministra socialista de Mitterrand, Edith Cresson, quem (em 1991) falou no aluguer de charters para repatriamento dos ilegais. Mas campanhas como a do PNR, pelos defeitos apontados, só contribuem para o reforço da atitude de avestruz da classe política. E para o avolumar do problema.















