sexta-feira, março 30, 2007

O cartaz da polémica

Que dizer do já famoso cartaz do PNR, que a Procuradoria Geral da República já declarou não ser ilegal?
Antes de mais, que desmascara mais uma vez a classe política, sempre incapaz de encarar a imigração senão como uma coisa boa para o país, sem ousar ao menos questionar a oportunidade de limitar os fluxos migratórios em função da situação do mercado de trabalho (outras considerações, como a identidade nacional, nem sequer passam pela cabeça dos nossos representantes).
Depois, a habilidade do partido em ser falado. Com a famosa manifestação após o arrastão da praia de Carcavelos, seguida de mais duas ou três com bem menos impacto, o PNR procurou ser falado através do "espectáculo", de acções que o lápis azul democrático dos media não pode ignorar, encontrando uma forma de fazer passar a sua mensagem.
Mas consegui-lo-á? Ponhamo-nos na pele do comum dos cidadãos, mais ou menos apolítico. Ele verá que o PNR diz "basta de imigração". Fica sem saber se é para se parar a entrada de imigrantes, mesmo legais, se é para repatriar os ilegais, se é mesmo para repatriar alguns (ou muitos?) dos legalizados. Quando lê "façam boa viagem", perceberá claramente o mau gosto dessa frase, posto que genericamente destinada a imigrantes sem distinção: legalizados ou ilegalizados, empregados ou desempregados, honestos ou dedicados a actividades à margem da lei, imigrantes recentes ou residentes há largos anos no nosso país.
Não há, em resumo, uma abordagem do problema da imigração de uma forma coerente e explícita. O que se vê é a indicação da imigração como o mal maior que enfrenta o país, num decalque nada imaginativo do que Le Pen vem fazendo há três décadas, sendo que o nosso contexto é bem diferente do francês, nomeadamente pela quase ausência de imigração muçulmana. Lendo o site do partido vê-se que há uma preocupação real com a perda de soberania, com o fracasso de trinta anos de democracia. Mas a táctica, não sabemos se eleitoral, é para o espectáculo, para a provocação pela mensagem - é, na realidade, uma ironia a cedência à demagogia típica dos nossos partidos democráticos por parte de quem tanto a critica.
A imigração é um problema real de Portugal, que já passou o limiar do aceitável a nível de acolhimento: já há largas dezenas de milhar de imigrantes a viver de diversos subsídios, em paralelo com muitas centenas de milhar de nacionais que não conseguem encontrar trabalho. Há guettos de imigrantes onde a polícia entra com risco da própria vida. Há escolas onde os portugueses são uma minoria. Mas não é honesto pôr os imigrantes todos no mesmo saco e em última análise a quem eventualmente se poderia com proveito e sem mau gosto desejar "boa viagem" seria quem criou este estado de coisas: a classe política, as associações ditas anti-racistas que desonestamente confundem crítica à imigração com racismo puro e simples, e muitos empresários que beneficiam da imigração ilegal para produzirem a baixo custo, remetendo trabalhadores portugueses para o desemprego e escravizando multidões de desenraízados.
Já é altura de os parlamentares tirarem a cabeça da areia e perceberem que há que pôr um cobro à imigração irrestrita. Afinal, foi a primeira-ministra socialista de Mitterrand, Edith Cresson, quem (em 1991) falou no aluguer de charters para repatriamento dos ilegais. Mas campanhas como a do PNR, pelos defeitos apontados, só contribuem para o reforço da atitude de avestruz da classe política. E para o avolumar do problema.

segunda-feira, março 26, 2007

Para acabar de vez com o concurso

Meus amigos, lamento mas não tenho muito para vos dizer sobre o maldito concurso da RTP. Estive, de tarde, duas horas colado ao écran, na expectativa (gorada) de um brilharete do Belém na Taça de Portugal em basket, mas não gastei um minuto que fosse a ver a gala (chamaram-lhe assim?) dos Grandes Portugueses.
Claro que é divertido ver pessoas a dizerem que querem emigrar de Portugal, que o povo(léu) é ignorante, que o fascismo (sic) está a ser branqueado (o comunismo não, claro, afinal Cunhal era um idealista). Oliveira Salazar seria o primeiro a lamentar o resultado da votação - e de facto que injustiça para D. Afonso Henriques ou D. Nuno Álvares Pereira, entre tantos outros! Mas esses grandes vultos não precisaram de sufragar a Nação (nos moldes democráticos actuais, pois que o povo estava com eles) para revelarem a sua estatura e a servirem admiravelmente.
A doença da nossa época é achar-se que tudo é relativo, que tudo pode ser referendado, «vamos a votos e o povo decide». Sem referenciais morais e históricos, sem balizas definidoras do interesse nacional, abertos a todos os questionamentos, abeiramos a catástrofe, enquanto nos tentam convencer de que temos poder e que a marcha do progresso é imparável.
O resultado do concurso revelou a face hedionda dos pseudo-democratas, dos que não aprenderam nada com a farsa deste trinta anos, dos que continuam a arvorar a bandeira da liberdade enquanto raivosamente desdenham alguns dos seus efeitos colaterais. Mostrou também que os portugueses, apesar de aparentemente resignados, continuam como a figura do Zé Povinho: incapazes de dar a volta à situação mas desprezando quem os maltrata, fazendo-lhes um real manguito.

Retrocesso da democracia no Egipto!

O Egipto, governado com mão de ferro há um quarto de século por Hosni Mubarak, não é propriamente um exemplo da democracia que os EUA supostamente desejam ver em expansão no mundo. A oposição é forçada a "estágios" mais ou menos prolongados atrás das grades, a imprensa de livre nada tem.
Um exemplo paradigmático da desconfiança do poder perante quem o possa contestar deu-se aquando da morte do grande escritor Nahgib Mahfouz, falecido no ano passado, cujo cortejo funerário foi controlado pela polícia de modo a evitar um aglomerado de pessoas na última homenagem ao amigo dos humildes.
Outro exemplo é a repressão sobre os Irmãos Muçulmanos, essa espada de Dâmocles ameaçando a todo o momento cair sobre a cabeça do poder. Oficialmente interdito, o movimento islâmico acaba por ser tolerado, num equilíbrio instável entre a repressão que o poder julga necessária para obviar ao crescimento do movimento e alguma liberdade de acção que tem que lhe conceder, para evitar uma revolta em massa dos islamistas.
Hoje realizou-se um referendo em que ia a votos um projecto que reforçaria (o condicional é aqui uma mera formalidade descritiva) os poderes governamentais, num contexto oficial de luta contra o terrorismo. Isto soa a algo familiar! Pois é, mas o país ocidental cujo governo promulgou leis repressivas e discricionárias até há pouco inimagináveis por aquelas paragens afirma-se preocupado com o teor da matéria referendada no Egipto, que poderá conduzir a um retrocesso das reformas democráticas.
Seja como for, não se prevê que os EUA fechem a torneira que rega todos os anos a república egípcia com um bilião de dólares, colocando-a no segundo lugar do ranking da generosidade ianque, mas bem atrás dos quatro biliões destinados a Israel.

Lendas e licenciaturas

A vitória de Salazar no néscio concurso "Grandes Portugueses", a par do anúncio de uma tenebrosíssima conspiração da extrema-direita para tomar de assalto a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras, devem ter sido suficientes para abafar o já de si abafadíssimo caso da licenciatura do primeiro coveiro da Nação. Cujo lema há-de ser a famosa reflexão do editor de um jornal no final da obra-prima de John Ford "O Homem que Matou Liberty Vallance":
«Quando a lenda se torna um facto, imprima-se a lenda!»

Damned Blogger!

Durante um dia e meio vi-me impossibilitado de publicar textos novos no blogue pois o Blogger descobriu que o Horizonte «tem características de um blog-spam»! Vai daí, tive que desiludir o excelso servidor, entrando numa página em que eu era informado que, dado que estava a ler aquela mensagem, então o blogue não era nada spam! La Palice não faria melhor!
Enfim, faltou pouco para mudar para o Wordpress. Um dia...

sexta-feira, março 23, 2007

Reflexões de um engenheiro

Muitos de vós conhecem o famoso discurso de Oliveira Salazar em que o estadista aborda as suas origens:
«Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso à roda da fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia não tenho de enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente. Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem. » (Texto completo aqui.)
O Horizonte divulga agora em primeira mão excertos do Diário do actual primeiro ministro de Portugal. Não deixa de ser perturbadora a influência que o engenheiro procurou no exemplo do Grande Português:
«Devo à Independente a graça de ser engenheiro: sem qualificações que me valham, por muito pouco estou preso ao canudo. Sempre me fizeram falta lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para abichar, na imodéstia a que me habituei a viver, as prebendas de cada dia tenho de enredar-me na trama dos negócios e em comprometedoras solidariedades. Sou um homem da Independente. Sempre tive os olhos postos em clientelas políticas e o partido sempre me apoiou e em paga definiu-me a orientação e os limites da minha acção governativa. Sempre lisonjeei os homens e arrecadei massas, perante os e as quais me curvo, em subserviências que sei serem uma hipocrisia e uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos que não são OTÁrios, é pelo mérito próprio e imposição da minha arrogância de governante, graças a ligações partidárias de peso e apesar dos compromissos eleitorais.»

E vão três velinhas para o Pasquim!

Há um ano, a propósito do segundo aniversário d' O Pasquim da Reacção, escrevia que «lendo o que escrevi há um ano atrás pouco mais tenho a acrescentar, o que só abona em favor da coerência e persistência do nosso amigo». Pois aí está mais uma anito passado e a afirmação do nosso amigo como uma das (lusas) vozes mais coerentes, inteligentes, percutantes e intransigentemente nacionais da blogosfera.
Deliberadamente centrado na reflexão dos valores que deveriam ser eternos e nunca maleáveis pelas modas, fraquezas titubeantes e pusilanimidades dos homens, o Pasquim tornou-se uma escola de pensamento, aberta à discussão a todas as pessoas que o pretendam fazer construtivamente.
Dizer que é um espaço à parte na blogosfera é uma redundância. Dizer que daqui a um ano lhe estaremos novamente a dar os parabéns - uma alegria pré-anunciada.
Bem hajas, amigo!

quinta-feira, março 22, 2007

Museu judaico em Munique

A Alemanha, país da "culpa eterna", acaba de inaugurar mais um museu judaico, desta vez em Munique.
A notícia reza mais ou menos o seguinte: «Com uma cerimónia na Câmara Municipal, foi hoje inaugurado o novo Museu Judaico, em Munique. O presidente da câmara discursou sobre o significado do museu, perante centenas de convidados. O complexo engloba museu, sinagoga e memorial, situando-se na St.-Jakobs-Platz e contribuirá para colocar Munique como centro da vida, religião, cultura, tradição e futuro judaicos.»

Mais uma cabala?

Francisco Louçã não encontrou melhor forma de comemorar os 9 anos de vida do Bloco de Esquerda que na realização de um jantar em Salvaterra de Magos, município cuja presidente de câmara, do BE, é arguida num processo judicial. Afirmando que "Ana Cristina Ribeiro estava a ser alvo de «vingança» pelo proprietário «de um bar de alterne» e que não deveria por isso suspender o mandato", o líder trotsquista dá um belo exemplo de coerência com a imagem de defensor da honestidade na política...

segunda-feira, março 19, 2007

Disponibilidade mental para o Cro-Magnon consumista

«Sejamos realistas: a função primordial da TF1 é ajudar a Coca-Cola, por exemplo, a vender o seu produto. Mas para que uma mensagem publicitária seja apreendida é necessário que o cérebro do tele-espectador esteja disponível. As nossas emissões têm como objectivo assegurar essa disponibilidade, divertindo e descontraindo o espectador para o preparar entre dois anúncios. O que vendemos à Coca-Cola é tempo de cérebro humano disponível (sic). Não há nada mais difícil que obter essa disponibilidade. Aí reside a mudança permanente. É preciso procurar permanentemente os programas de sucesso, seguir as modas, surfar (re-sic) as tendências.»
Não se pode criticar Patrick Le Lay pela falta de franqueza. Com estas declarações, o patrão da cadeia de televisão francesa TF1 demonstra a que ponto de indigência mental se pretende reconduzir os cidadãos consumidores, tornados cordeirinhos e abastecedores das contas bancárias do big business.

sábado, março 17, 2007

Afonso Lopes Vieira na escola primária

Por vezes a escola de hoje ainda é capaz de nos surpreender pela positiva. Um dos trabalhos de casa do meu filho mais velho consiste na leitura e interpretação de um poema infantil de Afonso Lopes Vieira, figura ímpar da nossa cultura do século XX.
Intitulado "Canção da Rola", o poema começa assim:
***
O canto da rola rola,
Rola com saudade tanta...
- Ó rola, que cantas tu?
E a rola responde e canta:
Trru-trru..., trru-trru...
Trru-trru..., trru-trru...

Algarve rebaptizado

Com intuitos de promoção da nossa região mais turística, o ministro da Economia muda o nome ao Algarve, «para vender (sic) melhor a região».
O douto ministro talvez devesse mudar o seu próprio nome no sentido de uma melhor equiparação do mesmo à figura que o ostenta. Asshole seria uma boa hipótese.

quinta-feira, março 15, 2007

Sobre a Alameda Digital

O novo número da revista digital Alameda Digital, 6 de ópus mas sétimo se incluirmos o número 0, está já em linha. O tema é "Política Cultural" e as contribuições são numerosas e de valor. Também lá consta um artigo meu sobre o grande compositor Anton Bruckner.
Tendo como objectivo combater a ditadura cultural de esquerda, a revista tem mostrado uma constância e determinação nesse propósito que são de louvar. Na direita patriótica nunca faltou gente de valor para promover princípios. O problema foi sempre a difusão dos mesmos, a capacidade de alargar o leque de pessoas a quem se faz chegar a mensagem. Com uma média diária de 83 visitas, a Alameda tem ainda um longo caminho a percorrer. A média de 5 minutos por visita indicia que os leitores não lerão mais que dois ou três textos por visita, eventualmente imprimindo mais uns quantos para leitura posterior. O que levanta a questão da limitação da internet: para leituras de fundo, para uma reflexão profunda, ainda nada há melhor que o papel. Será que, a exemplo do projecto Voxblogs, a Alameda não poderia compilar os textos de cada número num ficheiro pdf? Ficheiro do qual cada um imprimiria comodamente os textos que mais lhe agradassem, ficheiro que poderia ser enviado a n pessoas, por e-mail, e que de outra forma não tomariam conhecimento do projecto?
Fica a sugestão.

Ruídos e cheiros...

Alguns de vós lembrar-se-ão das famosas declarações de Jacques Chirac contra a imigração em massa e o reagrupamento familiar (por ele instituído em 1975!), mencionando, en passant, o "ruído e o cheiro" emanados dos apartamentos ocupados por imigrantes...
Este discurso, perfeitamente estúpido e demagógico, ainda mais na boca de tamanho oportunista, pode agora ser visto neste link, e não deixa de ser delicioso face ao que se conhece daquele que se tornou um dos grandes promotores da mestiçagem.

terça-feira, março 13, 2007

Um ano de "Horizonte"

Caros amigos,
Faz hoje um ano que nasceu este blogue. Parto inesperado, após o fim anunciado da minha primeira aventura blogosférica, o Santos da Casa (que surgiu alojado cá na terrinha e depois emigrou para os States). Instado por duas dezenas e meia de leitores fiéis e inconformados com o fim do Santos, decidi-me a criar o Horizonte, com o fito de manter uma presença blogueira sem obrigações de actualizações demasiado frequentes, como era apanágio do blogue anterior.
Curiosamente, este é já o 336º postal do novo blogue, prova que com o incentivo dos amigos se conseguem milagres. (Incentivos que, valha a verdade, incluíram diversos modos de coacção perfeitamente intoleráveis numa sociedade que respeita os direitos humanos.)
Convido-os a relerem os comentários então feitos, pois constituem um incentivo para todos os que ponderam desistir do seu blogue (ou, valha a verdade, de qualquer outro projecto de intervenção). Sinto-me satisfeito por ter continuado, sinto-me orgulhoso de alguns textos por mim escritos e sinto-me feliz por fazer parte de uma comunidade de blogueiros e comentadores (alguns deles meus amigos) que não desistem de lutar por aquilo a que Paiva Couceiro chamava o "Portugal Maior". Um dos maiores promotores da ideia nacionalista no século passado, Jacques Ploncard d'Assac, curiosamente nascido num 13 de Março (de 1910), dizia que perante as seduções do inimigo, as seduções da mentira, seduções que levam frequentemente os moles a pôr em causa os seus princípios, há que repetir incessantemente que não são as nossas ideias que são rejeitadas mas sim a imagem e a caricatura que delas dão os media da propaganda inimiga.
Consciente de que por vezes o campo nacional oferece munições que alimentam essa caricatura, vi-me, nos primeiros tempos do Santos da Casa, incompreendido e por vezes acusado de divisionismo (uma acusação com fortes reminiscências estalinistas). À força de me repetir e de insistir, creio que contribuí um quinhão para dar uma imagem de nacionalismo não fanático mas firme nas ideias, não racista mas rejeitando a imigração em massa, intransigentemente português mas não órfão de tempos que já lá vão, anti-europeísta no plano político mas defensor de uma Europa de Pátrias amigas e herdeiras de um património comum grego, romano e cristão.
É pela defesa destes princípios que continuo - com os vossos incitamentos e apoio. Todos não somos demais para continuar Portugal.

segunda-feira, março 12, 2007

Plétora de candidatos em França

Após o anúncio por parte do actual presidente, Jacques Chirac (que não deixa saudades a ninguém), de que não se recandidataria, são mesmo assim nada mais que 38 os candidatos declarados à presidência da república francesa!
Dos "clássicos" Jean-Marie Le Pen (Front National) e Arlette Laguiller (Lutte Ouvrière), aos favoritos Sarkozy e Royal, há candidatos para todos os gostos:
- três (!) assumem-se como defensores dos deficientes;
- três são militantes ecologistas;
- Soheib Bencheikh, um nome de forte consonância gaulesa (como o de outro candidato, Romdane Ferdjani), foi grande mufti de Marselha;
- mostrando que "eles" nunca estão contentes, temos Pierre Larrouturou, que pretende "imprimir mais audácia à esquerda";
- especialistas como são na retórica e no uso demagógico do discurso político, não espanta que surjam em França candidatos que lutem «por que os rendimentos de baixo apontem para os de cima» ou por uma «maioria das minorias em sofrimento moral e social.
Não fosse tudo isto tão trágico dir-se-ia estar-se na presença da "comédie française".

domingo, março 11, 2007

Trágicos 11 de Março

Num país desmemoriado como o nosso, o dia 11 de Março lembra às pessoas apenas o abominável atentado que vitimou há três anos cerca de duas centenas de pessoas nos arredores de Madrid. (Madrid, que ontem saíu em massa à rua em protesto contra a completa inversão de valores que representa o executivo PSOE, que se agacha perante o terrorismo etarra.)
Esquecido parece estar o nosso trágico 11 de Março de 1975, que mudou para sempre a história deste país. Evoquei essa trágica jornada há dois anos, que trouxe o poder para a rua, que arredou o bom senso e o mínimo sentido de dever à Pátria das preocupações gerais, que arruinou a economia, que selou o destino do Ultramar e abriu as portas a décadas de guerra e miséria.
Se hoje é, muito justamente, dia de luto em Espanha, também o deveria ser para Portugal, cuja decadência não mais parou desde a fatídica data; isto pese o regresso dos militares aos quarteis, pesem as privatizações e pesem todos os ecus e euros que nos inundaram nas últimas décadas. A alma nacional, essa, estava há muito enterrada e remetida para a memória de muito poucos.

A libertação da mulher

A Junta de Freguesia da Reboleira, no concelho de Amadora, assinalou o Dia Internacional da Mulher com um jantar, que no final teve um striper a actuar. Ficamos ainda a saber que «no momento de subir uma senhora ao palco para dançar com o striper foi uma vogal do PS que o fez».
Como diz o nosso amigo HNO, «Esses dias servem sobretudo para histéricas feministas agitarem gastas bandeiras, predadoras sexuais imitarem os grotescos comportamentos de homens que sempre criticaram e machos de pacotilha, que ignoram o que é a relação de um HOMEM (não confundir com homem) e de uma MULHER».

quinta-feira, março 08, 2007

Carta de um criminoso


Criminoso, traidor a Portugal e assassino são epítetos que só podem parecer brandos quando aplicados a Rosa Coutinho, um dos maiores facínoras da nossa história. O documento anexo, em boa hora revelado pelo blogue "Orgulhosamente Só", fornece mais um exemplo.

quarta-feira, março 07, 2007

Xiitas vs. sunitas

Na edição semanal do jornal egípcio Al-Ahram encontramos este interessante artigo de opinião sobre a crescente hostilidade entre xiitas e sunitas. Nele se procura caracterizar essa hostilidade como algo que é induzido pelos EUA (a velha máxima de dividir para reinar), dando-se exemplos de atitudes e políticas de várias figuras do mundo muçulmano (de Nasrallah à Arábia Saudita) que demonstrariam que não há nenhuma vontade neste de alimentar hostilidades entre as duas comunidades.
A ser verdade, mais uma vez se constataria a extrema vulnerabilidade dos muçulmanos às manipulações externas o que, a par da facilidade com que se fanatizam as massas islâmicas e a sua quase patológica mania da perseguição, cria um ambiente de conflito sem paralelo em todo o mundo.

A nova religião

A ideologia do Holocausto é uma contrafacção da religião católica, com os seus mártires (os seis milhões), os seus santos (os justos (1)), o seu paraíso (o estado hebraico), os seus anjos defensores da cidade celeste (Tsahal), o seu inferno (os revisionistas, a direita nacional e católica), as suas peregrinações (Auschwitz), os seus clérigos (Simone Veil, Elie Wiesel), o seu memorial (Yad Vashem), as suas punições contra a blasfémia (leis que punem com prisão o negacionismo), as suas tábuas da lei (decisões de Nuremberga), etc.
***
Jérôme Bourbon in Rivarol de 2 de Fevereiro de 2007.
***
(1) "Justos" é o termo empregue pelos judeus para designar os não-judeus que ajudaram judeus durante as perseguições hitlerianas.

terça-feira, março 06, 2007

Atrocidades israelitas reveladas

Um documentário recentemente exibido na televisão israelita está a incendiar o ambiente no Egipto. O referido programa revela que o exército israelita terá liquidado 250 prisioneiros de guerra egípcios no final da Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Israel, naturalmente, fala de deturpação da realidade. O que é certo é que estas alegações não são novas e inclusivamente um general israelita reformado reconheceu há uns anos ter ele próprio ordenado a morte de 49 prisioneiros. Certamente em legítima defesa...

Violência escolar

O Ministério da Educação anda preocupado com a violência escolar. A isto não serão alheias as agressões a professores ocorridas recentemente. Repercutidas nas televisões, causam má publicidade à educação deste país, vendo-se o Governo obrigado a intervir, pelo menos em palavras.
Uma secretária de Estado da Educação do governo Guterres achava "normal" que um aluno enfrentasse um professor pois isso fazia "parte da irreverência juvenil". Não é necessário perguntar à sra. Ana Benavente que opinião tem do Maio de 68! Gerações de políticos e ideólogos esquerdistas defenderam a ideia de acabar com a "repressão" dos professores, "abrindo" a escola à "participação" e "intervenção" de alunos e pais (as aspas referem-se a termos mágicos para tão idílicos utopistas).
Hoje, que temos? Uma escola que ensina pouco e mal (outrora, com a 4ª Classe um aluno sabia ler, escrever e fazer contas correctamente); alunos que não sentem respeito pelos professores e pouco estímulo têm para aprender; "participação" em lugar de disciplina; "inovação" em lugar de esforço; professores pressionados por todos os lados: alunos, pais, ministério (o stress na classe é enorme, sendo as baixas por depressão em grande número).
Se a escola de um país é o reflexo do seu futuro, então este é, para Portugal, bem negro.

segunda-feira, março 05, 2007

Andebol do Belenenses em grande

Sempre gostei muito de andebol, desporto que exige tanto de força como de habilidade, técnica, subtileza, inteligência, espírito de equipa - um desporto completo, em suma.
É de todos conhecida a grande tradição do C. F. "Os Belenenses" nesta modalidade. Em miúdo vi grandes jogos, retendo na memória confrontos épicos com o Sporting. Hernâni, Espadinha, Zé Manel são alguns dos nomes mais em destaque no final dos anos 70.
O último título nacional data de 1995, após confronto épico com o outro candidato, o S. L. Benfica.
Para esta época, que marca o regresso dos outros grandes de Lisboa ao campeonato nacional, poucos vaticinavam grandes feitos para o Belenenses, que perdera alguns jogadores influentes para o Sporting, bem como o treinador. O plantel, à excepção do experiente Pedro Matias, do extraordinário guarda-redes Humberto Gomes e de João Pinto (coqueluche dos adeptos), é composto sobretudo por jovens: uns campeões nacionais de júniores há dois anos pelo Belém (só com vitórias!), outros oriundos das divisões secundárias. Até o professor João Florêncio, novo treinador, se estreia na Liga!
Contra todas as expectativas, esta equipa está a fazer uma época soberba, não largando a liderança do campeonato desde a primeira jornada. Ontem, contra o FC Porto, mais um espectáculo inesquecível, se não bem jogado, pelo menos emotivo e disputado até ao último segundo (literalmente). A perder por 5 golos a menos de 10 minutos do fim, os rapazes da Cruz de Cristo deram tudo e, perante um pavilhão em delírio, ganharam por 24-23, com um golo de Nelson Pina a ditar a vitória a minuto e meio do fim.
Digo-vos que nunca vivi uma época de Belenenses tão intensamente como este ano. Pese a boa e inesperada campanha do futebol, é no andebol que o meu entusiasmo e a minha paixão residem.
Desporto é alienação? Vejam aqueles rapazes darem o exemplo de esforço e dedicação a um ideal colectivo e depois falem comigo.

domingo, março 04, 2007

Manifestação contra Putin

Saúdo a coragem de alguns milhares de manifestantes que, nas ruas de Moscovo, se pronunciaram contra o férreo controlo do país por parte de Vladimir Putin. Com este no poder, a Rússia tornou-se uma coutada dos serviços secretos, de cujos quadros são originários mais de dois terços dos altos funcionários públicos e gestores de empresas públicas - em suma: quem decide da política governamental e quem gere os recursos do grande país. O presidente, também ele ex-KGB, vai gozando do beneplácito dos cobardes governos europeus, dispostos a todas as concessões por receio de retaliações ao nível do fornecimento de energia, como a Ucrânia e a pequena Geórgia já sentiram na pele. A sinistra figura goza ainda do beneplácito de muita gente que confunde autoridade com autoritarismo e (suposta) independência face aos EUA como uma virtude por si só.
Fala-se na hipótese de Gary Kasparov vir a ser candidato às próximas presidenciais. As chances de quebrar o monopólio do poder dos serviços secretos são, neste momento, quase tantas como as de um simples mortal bater o grande campeão de xadrez.

Novas funcionalidades no Blogger

O aspecto renovado deste blogue deve-se a eu ter feito um upgrade do template após adopção do "beta". Tal permite acabar com o maçador e limitador "edit HTML", podendo-se gerir o aspecto do blogue mais facilmente: mudar as cores, alterar os favoritos (geridos por blocos, que se podem mover com o rato), gestão das ligações, etc. Em resumo: o Blogger tornou-se amigo do utilizador. Experimentem, que vale a pena.

quinta-feira, março 01, 2007

O perigo das estatísticas étnicas

(Desenho de Chard em Rivarol.)

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Benito Mussolini


«Mussolini não era um covarde. Amava a sua família, amava acima de tudo a sua pobre mãe e o seu pobre pai, revolucionário sincero e destemido que nunca teve sorte na vida. Respeitava o Papa e, apesar de tudo, obedecia ao Rei. Mas se havia alguém que admirava e, quando era uma star dos jornais detodo o Mundo, guardava um silêncio de respeito e admiração, era Ghandi.»
«Estava na Política para combater, como um homem dos operários e dos camponeses donde saíra. Mas não gostava de esmagar, quando vencia. A maior parte dos oposicionistas políticos que não atentaram pessoalmente contra ele, a família ou alguns dos amigos mais chegados, da trincheira social e da trincheira da guerra, deixou-os sair do país sem lhes tocar num cabelo. Ajudou alguns, discretamente, quando estavam no exílio. Um deles, dirigente comunista histórico, decidiu morrer com ele, em Saló. Niccoló Bombacci morreu em frente ao Lago de Como como os outros fascistas. Enquanto uns se lvantavam do chão ainda de braço estendido, Bombacci morreu de punho erguido gritando "Viva Mussolini, Viva o Socialismo!"»
«(...) continua vivo no coração de milhões de pessoas. Só houve uma vez na História que a Máfia teve medo de alguém. Foi com Benito.»
***
(Um texto magnífico no "Duas Cidades".)

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Memórias ideológicas (conclusão)

Na formação do meu ideário o sentimento da portugalidade ocupa um lugar essencial. Não se trata aqui de listar autores que reflectiram sobre o mesmo, de tal forma são mais ou menos de todos vós conhecidos. O que quero aqui abordar é a necessidade daquele sentimento.
Há vinte anos não seria necessário gastar muitas linhas para frisar a associação biunívoca portugalidade-nacionalismo. Entretanto, surgiu uma nova geração mais urbana (em todos os sentidos da palavra), mais aberta aos movimentos europeus e, infelizmente, menos preocupada em estudar a nossa história, a nossa cultura, o sentir português. Mal se apercebem de como são também um fruto da política (des)educativa das últimas décadas, que relegou o estudo da história e cultura pátrias para segundo plano, em favor de abordagens "europeias".
Sem conhecimento do passado, da nossa cultura, da nossa língua (e que mal se fala e escreve hoje em dia) não há futuro para Portugal como nação livre e soberana. É por o saberem que os dinamitadores culturais destruiram a forma tradicional de ensino e mudaram por completo o seu conteúdo, em favor de agendas político-ideológicas esquerdistas e de pendor maçónico. A "direita", como de costume, acomodou-se. Como dizia o outro, "desde que os investimentos corram bem, está tudo bem", o resto são preocupações de idealistas.
Durante a Guerra Fria houve alguma condescendência da direita dos interesses com a direita dos valores dada a luta comum contra o comunismo. Assegurada a derrota deste aquela despiu toda e qualquer veste que semelhasse um corpo de princípios sólidos e a direita dos valores ficou marginalizada e equiparada a um bando de extremistas parados no tempo.
Os anos 80, que marcaram o fim da minha adolescência, foram uma década propícia para analisar esta transição, ficando claro que a defesa sincera de Portugal estava limitada à tal meia dúzia de idealistas. É espantoso constatar, por exemplo, como na altura os colunistas de esquerda se lamentavam da marginalização a que a música de um José Afonso estava sujeita nas rádios! A queda do Muro de Berlim e o surgimento de uma "nova esquerda" (que difere da "velha" por uma questão táctica de não defender abertamente ditaduras da sua cor e por albergar a defesa de "questões fracturantes), um ror de vezes em concubinato aberto com a esquerda tradicional e os seus jornais, literalmente por ela tomados de assalto, explicam uma parte do problema; a retórica soarista do "direito à indignação" e a ascensão de Jorge Sampaio à presidência, com a sua agenda de esquerda bem marcada, também contribuíram para o actual estado de coisas. Por fim, a criação do BE, pondo fim à histórica disseminação partidária da extrema esquerda e conseguindo cativar a juventude da classe média (e não só), compôs o quadro.
A tudo isto fui assistindo, num crescendo de inquietação. Parece hoje coisa de um passado distante mas ainda na década de 80 era possível ver, como comentadores de telejornais, os grandes Manuel Maria Múrias e Franco Nogueira! Que defendiam, perante a minha admiração de jovem, o Portugal eterno e verberavam o Portugal moderno. Ou haver colóquios (como foi o caso em 1990) na Universidade Lusíada moderados por Jaime Nogueira Pinto, em que durante duas manhãs se abordava o legado do "presidente Salazar", com intervenções entre outros do citado Franco Nogueira e de Kaúlza de Arriaga! E com chamada de primeira página no extinto "O Dia" (curiosamente apareço na fotografia da primeira página, entre a assistência)!
***
Esta análise não podia ficar completa sem umas palavras sobre o MAN. Observei o movimento à distância e quase sempre sob a óptica da imprensa que lhe era hostil. Li o jornal "Ofensiva" (que se vendia nas bancas de jornais!) e gostei de algumas coisas que li. No entanto, já na altura a agenda racialista era notória no movimento nacionalista; e se o risco de desagregação nacional sob o influxo de imigrantes em massa é sempre de ter em conta, inquietou-me o uso retórico da agenda racial, pela fácil demonização que isso propiciaria ao sistema e pela amálgama que seria igualmente fácil de fazer entre nacionalismo e racismo puro e simples. A partir do momento em que se passa para a opinião pública que nacionalismo = racismo está inviabilizada qualquer hipótese de crescimento sério do movimento. Será que este aprendeu a lição?

domingo, fevereiro 25, 2007

As Vidas dos Outros

Vi ontem o filme "As Vidas dos Outros", que recomendo vivamente. O filme aborda o controlo férreo que a Stasi exercia nas vidas de todos os cidadãos da RDA. Não é uma análise maniqueísta, antes o retrato sereno da intrusão da sinistra polícia política na intimidade de cada um.
Um escritor, "o nosso único escritor não subversivo que tem sucesso no Ocidente", até aí insuspeito, torna-se alvo de escutas porque um ministro cobiça a sua mulher, uma actriz, e busca qualquer pretexto para arruinar a carreira daquele. Como encarará tudo isto um alto funcionário da Stasi, imbuído da responsabilidade de "defender o socialismo dos seus inimigos"? Como é que a sua "ética" profissional se coadunará com o abuso que permite o controlo das vidas dos outros?
Este é o ponto de partida para uma película fascinante, muito bem dirigida e interpretada, que nos faz mergulhar num universo crepuscular, a que as cores frias da cuidada fotografia acrescentam um dramatismo suplementar.
Quando estive em Berlim, há ano e meio, relatei-vos a estranheza que me causou a quase ausência de referências a um passado (o comunista) tão próximo de nós em termos temporais. Sem dúvida que obras como este filme ajudam um pouco a colmatar tão escandalosa omissão por parte dos actuais governantes alemães.
Com o risco de me repetir: não percam o filme "As Vidas dos Outros".

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Memórias ideológicas (2)

Estas notas mais não pretendem que dar uma ideia sobre a minha evolução ideológica, sem preocupações excessivas com a cronologia ou com a citação exaustiva de autores.
Uma parte importante deste percurso prende-se com a observação dos movimentos políticos nacionalistas de maior sucesso nos anos 80 (década de que saí com 21 anos). E aqui dois partidos há que destacar: o MSI (Movimento Sociale Italiano) e o Front National.
O MSI, que também significa "Mussolini, sei Imortale", não podia deixar de me atrair pela herança clara que o fascismo deixou no movimento, que quase nunca renegou (até ao aggiornamento de Gianfranco Fini, um homem extraordinariamente inteligente, cuja facilidade e rapidez de argumentação em debates na televisão sempre me impressionou, mas que renegou por pura táctica política os princípios de que de certa forma era fiel depositário), mantendo acesa a chama da Terceira Via. O movimento conseguiu por vezes infiltrar-se no sistema e até apoiou alguns governos; nos anos de chumbo foi sempre uma voz a um tempo defensora da melhor tradição e também voz dos italianos abandonados, em especial os do Sul, onde sempre teve votações generosas. A sua transformação em Alleanza Nazionale adulterou o projecto e, claro, serviu o sistema.
O Front National impressionou-me sempre mais pelas votações obtidas que pela coerência ideológica, que raramente teve. A sua ascensão coincide com a traumática vitória de Mitterrand em 1981 e com a progressiva invasão de França pela imigração terceiro-mundista. Sabendo valer-se do chauvinismo francês, o partido cresceu muito à conta da retórica anti-imigração, congregando uma plêiade de tendências inconciliáveis: católicos tradicionalistas, direita social-radical, alguns monárquicos, extrema-direita racista (ou racialista, como preferirem). Ao mesmo tempo, em franco contraste com o MSI, Jean-Marie Le Pen era um declarado liberal em questões económicas, o que não impediu a crescente atracção de operários que se sentiam traídos pelo PCF. O sistema francês soube por um lado defender-se da ascensão do Front - instituindo o sistema maioritário, que privou um partido com uns 15% de votos de ter qualquer representação parlamentar, e criando um "cordão sanitário" que impedia alianças dos partidos tradicionais com os "racistas"; por outro, valendo-se da sua existência para melhor fazer passar as suas teses imigracionistas e favoráveis à miscigenação, por contraste com a mensagem supostamente racista e xenófoba do movimento. A sensação que fica é que o esforço de milhares de militantes, o protesto de milhões de eleitores, teve o efeito contrário ao (legitimamente)pretendido, tendo o sistema dado uma lição de pragmatismo cínico e, claro, fortemente desonesto.
***
(continua)

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Memórias ideológicas

Oriundo da média burguesia urbana, não posso dizer que tenha tido em torno de mim uma cultura ideológica marcante. Os meus pais, como aconteceu com tantos outros, despertaram para a política após o 25 do 4 - e cedo perderam ilusões sobre a partidocracia que desde então nos (des)governou.
Com o espírito inconformista que caracteriza a juventude - e que tantas imprudências acarreta - aderi em espírito ao anarquismo, apreciando especialmente Proudhon, detestando Godwin, execrando o anarco-bombismo dos finais do século XIX e sentindo indiferença perante o individualismo de Stirner. Creio que no fundo sempre tive uma inclinação conservadora, patente na admiração pelo "mundo ideal", honesto e harmonioso, patente nos romances de Júlio Dinis, que reli diversas vezes. Não me surpreendi anos mais tarde quando descobri a admiração que nutria uma facção da Action Française pela obra de Proudhon.
Um dia, não sei bem como, dei por mim a reflectir sobre o fascismo, il vero, não o que a propaganda promove. A tentação do absoluto, a diluição dos conflitos sociais num todo nacional harmonioso, o feroz combate ao comunismo - ideologia que sempre abominei -, a exaltação nacional sem o esmagamento do indivíduo como no nazismo, a compatibilização entre tradição e modernidade - tudo isto contribuiu para uma crescente admiração pelo ventennio, pela figura do Duce e por essa extraordinária aventura que tão mal acabou, marginalizada pelas democracias, subalternizada e descaracterizada pelo nazismo.
Um grande substracto ideológico do meu pensamento veio com a leitura de Charles Maurras, que solidificou a minha instintiva desconfiança face aos regimes democráticos, produtos e servos da plutocracia.
O Integralismo Lusitano, em parte influenciado pelo pensamento do mestre de Martigues, foi uma corrente de renovação nacional, espiritual, cultural e ideológica, nos anos degradantes da I República, que prendeu a minha atenção. Pese a preponderância de António Sardinha no movimento, foi a prosa escorreita e de uma extraordinária limpidez de Luís de Almeida Braga que mais me cativou - e à qual volto recorrentemente.
Desiludido da política, descrente da capacidade da Pátria no seu resgate, triste pela desnacionalização crescente das correntes ditas nacionalistas, no meu íntimo não morre a busca de uma Terceira Via, utópica talvez, não tanto pela desadequação à realidade como pelo peso da ditadura democrática, subordinada ao capital apátrida e prostituída às ideias dissolutas das esquerdas acomodadas ao capitalismo.
***
(continua)

domingo, fevereiro 18, 2007

Rodrigo, sempre

O poeta Rodrigo Emílio faria hoje 63 anos. A sua obra tem tido forte divulgação na blogosfera nacional, colmatando em parte a feroz censura de que tem sido alvo desde o fatídico 25/4. A sua morte, faz quase 3 anos, foi a triste ocasião que permitiu a muitos nacionalistas e patriotas desencantados de se reencontrarem e em muitos casos de se conhecerem.
Falo também por mim, que tive o privilégio de conhecer duas dezenas de pessoas incomuns, inconformistas, inconformadas, cultas, leais, muitas delas blogueiros de fina água. As homenagens ao vate, que se iniciaram num restaurante exíguo de Lisboa e continuaram depois no Salão Nobre da SHIP, foram momentos comoventes de reencontro colectivo com a obra do grande português, como Camões poeta e soldado.
Rodrigo, que tanta estima tinha pelos jovens nacionalistas, não deixaria de ficar orgulhoso por ver a comunhão de sentimentos patrióticos entre várias gerações, a perenidade do sentir português, contra ventos e marés adversos. Pela nossa parte não nos esquecemos daquilo que lhe devemos, da sua herança estética, literária - e intransigentemente nacional.

De pequenino se torce o pepino

O meu filho mais velho anda no segundo ano (antiga "segunda classe"). No teste que fez recentemente de "Estudo do Meio" era-lhe posto o problema de dois colegas de turma que pretendiam ser os responsáveis pela biblioteca da escola. As hipóteses eram:
1) Andavam à bulha e quem ganhasse ficava responsável.
2) Havia uma votação.
3) Ganhava quem oferecesse mais doces aos colegas.
4) Era escolhido o mais inteligente.
Julgam que a resposta certa era a 4)? Claro que não, a resposta certa era proceder a uma votação. Mesmo que ganhasse um incapaz, seria sempre uma vitória da democracia! O mais inteligente pode esperar.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Cinco anos de prisão para Zündel

Não conheço os trabalhos de Ernst Zündel nem posso aquilatar sobre o mérito ou não das suas investigações. O que sei é que por lei ele não pode pôr em causa certas "verdades" oficiais e como tal vai penar cinco anos na prisão.
Como tantas vezes tem demonstrado, a democracia proporciona sobretudo a liberdade de... dizer que sim. Quando a história tem que ser imposta à força, ou está mal contada ou está já há muito transformada em instrumento ideológico e deixou de ser uma ciência. Para proveito de...

Subúrbios

No jardim central da Amadora, durante o dia, só se vê praticamente dois grupos de pessoas: negros com menos de 25 anos, brancos com mais de 65. Duas gerações de desocupados.
***
O moderno tribunal da Damaia parece um bunker inserido numa zona extremamente degradada, onde praticamente só vivem imigrantes africanos: o Bairro 6 de Maio. Dir-se-ia que a localização se deve ao potencial "mercado de clientes" do palácio de justiça. Um amigo meu que costumava sair na estação da Damaia para ir trabalhar ali perto dizia que nunca tinha sido incomodado - mas que já tinha visto um homem morto jazendo no chão.
Os mercados de rua propõem um pouco de tudo, desde comida africana a objectos de maior ou menor utilidade. Os cabeleireiros afro têm um público-alvo bem definido.
Passando o aqueduto temos a Cova da Moura a poucas centenas de metros.
***
Santo António dos Cavaleiros é uma cidade-dormitório do concelho de Loures. Aplica-se-lhe o que Salazar dizia sobre os aglomerados de prédios altos e desengraçados, a que chamava "colmeias". O modelo comunista está perfeitamente exemplificado nesta localidade: uma monotonia urbana igualitarista; um universo cinzento e concentracionário; um conjunto de edifícios altos erguidos nos montes sobranceiros a Loures. A região saloia está ali à porta mas parece quase algo de outro mundo. No vale de Loures ergue-se, infame, o novo shopping, de arquitectura grotesca. Adivinha-se a romaria de cidadãos-consumidores.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Dresden

HNO lembra os 62 anos sobre o bombardeamento da cidade de Dresden pela aviação aliada. Mais de 200.000 pessoas (na sua grande maioria crianças, mulheres e idosos, além de milhares de refugiados que fugiam perante o avanço soviético) pereceram num acto de pura barbárie e selvajaria, sendo conhecido que o objectivo era aterrorizar a população, não havendo qualquer objectivo puramente militar na cidade, o que de resto a carta de Churchill aqui reproduzida confirma, com um cinismo indescritível.
Como escrevi há dois anos atrás, «este horroroso crime de guerra nunca foi punido, pois a justiça (e a história) é exercida pelos vencedores».

Núcleos de resistência

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(Desenho de Chard.)

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O fim de um mundo

Esta não é a nossa época. Lutamos por ideais que parecem varridos pela voragem dos tempos, pelos demolidores de civilizações, pelos totalitários mascarados de democratas e amigos do povo, enfim, a velha história do lobo mascarado de cordeiro.
Aquilo que defendemos, aquilo que era consensual há décadas atrás, é hoje coisa de reaccionários, quiçá extremistas - de gente parada no tempo. Como se a ética e os princípios se devessem moldar às modas da estação. É esse o entendimento da (falta de) classe política que nos desgoverna, que aceita que decisões fundamentais como a que ontem se referendou possam ser tomadas ao acaso da volátil vontade das massas, já de si manipuladas à souhait; ao acaso, até, da inclemência da meteorologia e seus efeitos sobre a inércia dos decisores.
Mesmo que o "não" tivesse vencido, a constatação anterior permaneceria válida, pois a escolha de ontem já diz muito sobre o estado acelerado de degradação a que a civilização chegou. A sociedade está doente, doente não só pela indiferença com que se abdica de certos princípios como também pela apatia e resignação perante a marcha infindável do progresso.
Não queria deixar de saudar todos os que se bateram desinteressadamente pela Vida num contexto adverso. E aproveito para saudar a população de três localidades: uma aldeia, uma vila e uma cidade; Os resultados nelas verificados simbolizam a não abdicação perante a pressão totalitária:
- Arga de Baixo, pequena povoação do concelho de Caminha, distrito de Viana do Castelo, onde o "não" venceu com 97% dos votos;
- Alvaiázere, concelho do distrito de Leiria que continua a demonstrar ser um dos bastiões seguros e firmes do Portugal tradicional;
- e, finalmente, a cidade de Guimarães, símbolo da Nação, e das poucas cidades de média dimensão em que a Vida foi mais votada. Que permaneça, de pé, a lutar por princípios imortais, defendidos também por jovens como este amigo do nosso blogue.

sábado, fevereiro 10, 2007


terça-feira, fevereiro 06, 2007

O candidato do aborto

(Para o meu amigo Corcunda.)

O candidato do aborto
***
«Já aqui o dissemos e bastantes vezes mais havemos de o repetir: — sendo o reino da quantidade, a Democracia é o quintal do relativo. Tendo como único valor absoluto o poder indiscutido da vontade maioritária, os outros mais valores que alicerçam a ordem moral, social e política das comunidades, relativizam-se ao sabor da conjuntura e das flutuações da opinião pública. Democraticamente não há nada de indiscutível, coisa nenhuma pode ser um bem ou um mal em si; tudo pode ser votado, tudo é passível de ser discutido e alterado.
Foi nessa base (aliás falseada pelo abuso duma força militar vitoriosa) que se amputou Portugal em 1974; é nessa base que, dominando, completamente os orgãos de intoxicação social, se vai continuar a destruir o que resta da Pátria na sua fisionomia de Estado soberano e no seu espírito de Nação cristã.
Ao escolhermos o mal menor nas últimas eleições legislativas nós escolhemos somente certo modelo de sociedade económica e de regime de propriedade; «metemos na gaveta» (como diria Mário Soares) toda a infinita gama dos valores morais que sempre defendemos, recusando-nos a aceitar que, para além do desenvolvimento material e da liberdade de iniciativa, há muitas coisas que nos transcendem e, na verdade, nos devem dominar a vida em termos dogmáticos e absolutos.
Nós não recusamos o marxismo por ser intrinsecamente perverso e por ser um mal em si; recusámo-lo só porque, além de não nos permitir manter as herdades alentejanas, não nos permite viver com conforto em sociedade de consumo, no desenvolvimento puro, neste laissez faire, laissez passer do capitalismo que, tendo sido a morte suicida do anterior regime, há-de ser, europeisticamente, a morte macaca da soberania nacional.
Discutimos tudo. Discutimos Deus, discutimos a Pátria, discutimos a Família, discutimos a Autoridade e discutimos o Trabalho. O extremo individualismo ou o extremo colectivismo conduzem-nos à tirania; no final do nosso próprio dialéctico acabamos por discutir a liberdade e a vida em função da quantidade que, podendo ser aprioristicamente demarcada, redunda quase sem remissão no totalitarismo — o Estado arvorado em Nação tentando absorver e governar todos os grupos; uma classe apossando-se do aparelho estatal para dominar as outras classes.
É escusado embrenharmo-nos na discussão filosófica dos factos. A realidade concreta convence-nos todos os dias. Momento a momento, no caminho da liberdade material vamos sacrificando a liberdade espiritual — tudo se pode e deve pôr em discussão desde que, no momento histórico, pareça servir de obstáculo à livre circulação das ideias e das coisas, à vontade imperiosa das maiorias circunstanciais, à mitologia do sufrágio universal e cego onde só ganha quem pode manipular os vastos cabedais necessários à orientação unilateral das massas eleitoras.
(...)
Ao defendermos o referendo como útil e indispensável à defesa dos povos contra a prepotência da representatividade política indiscutida durante largo tempo, nós vamos ter que aceitar a discussão constitucional e institucional de tudo o que queiram os senhores do Estado. A lógica doutrinária da democracia relativiza o Bem e o Mal, desde que a maioria transforme o Bem em Mal e o Mal em Bem, nós ficamos indefesos ante os decretos de lei.
Face à lei da maioria não há iniquidades. Como ensinam os maiores constitucionalistas democráticos, a legitimidade define-se como o máximo consenso relativo ponderado em determinado momento histórico. Estado de Direito é o Estado que se rege pela lei que faz; antes do Estado e do seu Direito positivo não há lei nenhuma que se possa opor à vontade das maiorias.
Na armadilha caem os melhores — e caem quase todos os que supõem poder usar a vontade maioritária. Pouco a pouco, de cedência em cedência, na procura do mal material menor, vamo-nos enredilhando na degradação dos valores absolutos; começamos por discutir coisas de somenos para aceitar a discussão do indiscutível.
(...)
Aporrinhado por perguntas numa sessão de esclarecimento para a Juventude Centrista, o general Soares Carneiro, candidato presidencial da Aliança Democrática, depois de ter afirmado a sua oposição pessoal à legalização do aborto, cedeu em dizer poder referendá-lo. Ao chegar aí entrou mecanicamente na lógica dialéctica da principiologia democrática, e cedeu em tudo.
Católico confesso, o general Soares Carneiro não tem o direito de permitir pôr em discussão a bondade política do que, moralmente, é um mal em si. Conforme os ensinamentos do Concílio Vaticano II e mais recentemente ainda conforme as decisões do Sínodo Episcopal sobre a Família agora mesmo encerrado em Roma, são infames as seguintes coisas: — tudo quanto se opõe à vida, como seja toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto e suicídio voluntário... Referendar o aborto é abrir é caminho para o referendo de todos os crimes de assassínio, do mal em si, transformado em bem, ou em mal menor pela vontade maioritária.
Deus, senhor da vida — diz ainda o Vaticano II — confiou aos homens o nobre encargo de a conservar. A vida deve, pois, ser salvaguardada desde o primeiro momento de concepção; o aborto e infanticídio são crimes abomináveis.
Não se referenda a abominação. Não se referenda o que se não pode referendar. Podendo ser politicamente defensável no quadro de uma ideologia materialista a possibilidade do aborto legal — ela é completamente indefensável nos limites do cristianismo — e nós temos de considerar moralmente inelegível para Presidente da República Portuguesa quem põe a vontade circunstancial das maiorias acima dos valores absolutos da moral cristã.
Quem consente dar a escolher ao povo se o homicídio é ou não um mal em si, vai consentir em tudo o mais. Estando à beira da desintegração da soberania nacional por via duma provável integração no Mercado Comum, nós podemos deduzir que quem discute referendariamente o aborto pode vir a discutir pelo mesmo processo a integridade territorial da Pátria, pode desfazer-nos moral e materialmente, pode destruir-nos à pala do valor absoluto duma liberdade formal que, permitindo a alguns a ascensão ao poder através dos mecanismos pavlovianamente condicionantes de espírito duma Nação que, destruída embora, ainda espera viver a vida saudável que os séculos lhe criaram à sombra da cruz de Cristo. (...)»
***
Manuel Maria Múrias, in "A Rua", n.º 229 (30.10.1980), pág. 24.

Alameda Digital

Está já em linha o número 5 desse "espaço de liberdade" que é a Alameda Digital. Prossegue-se a orientação por temas, versando o da presente edição "Segurança e Defesa". Contando com colaboradores de excelente nível, a revista é um caso sério de combate cultural à ditadura esquerdista que nos vem martirizando, e um exemplo de como projectos credíveis, com argumentação e linguagem cuidadas, podem de facto abanar os alicerces da mentira em que nos vêm enredando há décadas.
O corpo de colaboradores engloba vários nomes da blogosfera, entendendo os editores que este vosso escriba também tem lá lugar, tendo eu este mês falado de Shostakovitch e de outra ditadura cultural: a soviética. O texto chama-se "Justiça e Destino".
A ler, reler e divulgar.

Spam

Este palavrão, que até ver não tem termo em Português, ataca todos os que acedem à internet. Durante bastante tempo este blogue permaneceu imune mas nos últimos dias tem sido um "vê se te avias", com comentários do género "you have a nice blog here, congratulations", etc.
A contragosto, lá tive que recorrer à "word verification", essa maçada que nos obriga a inserir caracteres sem nexo quando se escreve um comentário. Aceitem as desculpas da gerência.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Presidenciais francesas

Triste espectáculo, aquele que nos é trazido pelos candidatos tidos como favoritos a entrar na segunda volta das Presidenciais francesas. Tal como há cinco anos, a imprensa já decidiu quem é que vai à segunda volta e nem o "terramoto" lepenista de 2002 contribui para um pouco de pudor entre os fazedores de opinião.
Ségolène e Sarkozy vão, assim, disputar uma segunda volta renhida. Querem-nos fazer crer que os candidatos não poderiam ser mais diferentes: de um lado a "bela" Ségolène, transbordante de charme, capaz de trazer enfim algum pragmatismo ao socialismo francês; do outro, o "duro" Sarkozy, o pró-americano (e pró-israelita), capaz enfim de mostrar a face determinada de uma direita do sistema até aqui incapaz de lidar com a insegurança e com a imigração desregrada.
E, no entanto, uma observação atenta encontrará mais semelhanças que diferenças entre os dois candidatos: em ambos a mesma incapacidade (ou vontade) de identificar a origem dos problemas que afectam um país em marcha acelerada para o abismo (imigração em massa, corrupção endémica, peso do Estado, corporativismo, aversão ao risco e à livre iniciativa); em ambos a mesma retórica balofa sobre a "nova" França, plural, tolerante, mestiça; em ambos, enfim, o oportunismo de par com a hipocrisia, escondendo sob palavras atraentes (?) um único desejo: chegar à cadeira do poder. A França, a civilização ocidental, connais pas.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Datas republicanas


31 de Janeiro e 1 de Fevereiro são datas caras aos republicanos. A primeira evocam-na com emoção, lembrando a tentativa falhada de derrube da monarquia, que teve que esperar mais dezanove anos para ver outro putsch ter sucesso. A segunda evocam-na mais discretamente, pois nenhum quer admitir a filiação do regime instaurado em 5 de Outubro de 1910 num assassínio, ignóbil como todos os assassínios e mais ainda por ter visado a figura de El Rei D. Carlos, um homem bom e que era atacado abominavelmente pela corja que havia jurado derrubar o trono.
Os anos que medeiam entre 1910 e 1926 são do mais degradante que a nossa história conheceu, com o arbítrio da ala esquerda ligada a Afonso Costa, com as exacções da Formiga Branca, com as prisões arbitrárias, com a instabilidade governativa, com a entrada na I Guerra Mundial para dar legitimidade internacional ao regime.
Há 99 anos caíam D. Carlos e seu filho primogénito. Os republicanos rejubilaram com o crime e à família do Buiça nunca faltaram os donativos devidos a quem consumou a tragédia: tragédia humana pela morte das figuras reais e tragédia do país. O cortejo fúnebre acima retratado é bem a imagem do cortejo fúnebre em que a Pátria caíu.

terça-feira, janeiro 30, 2007

La Piovra

Tenho seguido com o maior interesse a redifusão na RTP Memória de "O Polvo", a famosa série de televisão italiana dos anos 80. Michele Placido é o comissário que luta praticamente contra tudo e contra todos para acabar com o poder mafioso em Itália.
A série não cai em maniqueísmos fáceis, procurando caracterizar os mafiosos, com as suas contradições, anseios, desumanidades, fraquezas.
Tendo conhecido a sua pior fase durante o regime fascista, quando foi severamente reprimida, a Cosa Nostra ressurgiu das cinzas com a "libertação", ao receber o apoio tácito dos americanos na luta contra o comunismo, pujante à época.
A luta da justiça italiana do pós-guerra pareceu sempre inglória, tendo conhecido um dos seus momentos mais traumáticos no início dos anos 90 com o assassinato dos corajosos juízes Falcone e Borsellino e com os atentados a alguns símbolos da cultura italiana como a Galleria degli Uffizi, em Florença (onde eu tinha estado poucos meses antes).
O recurso aos pentiti (arrependidos) foi o ponto de viragem, sucedendo-se as denúncias e as traições. A emergência das máfias de leste, nomeadamente russas, também contribuiu para um certo eclipsar da Cosa Nostra.
É em tudo isto que penso quando vejo uma das séries mais trágicas e humanas de sempre, "O Polvo".

Constatação

Tristes tempos, estes, em que a vida é referendável. Ou, se quisermos, a morte. Se outrora a turba gritou "Barrabás!", quem nos diz que daqui a uns dias não porá a cruzinha no "sim"? Mais triste ainda é constatar que a alternativa que este regime nos põe é entre este referendo e a votação no parlamento, esta última com resultado "garantido".

Pepe nasceu há 99 anos

Um dos maiores desportistas portugueses de todos os tempos nasceu há 99 anos. Leiam aqui uma belíssima evocação da figura de José Manuel Soares Pepe.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Simone Clarke

O nosso amigo BOS já falou do "caso Simone Clarke", a bailarina de quem se descobriu ser militante do British National Party, um movimento apelidado tanto por trabalhistas como por conservadores como repugnante, racista e xenófobo.
Refira-se que a revelação foi obra de um jornalista infiltrado no BNP, uma verdadeira toupeira ao melhor estilo soviético. Clarke admitiu pertencer ao BNP, por ser o único partido que luta contra a imigração desregulada. Curiosamente, a bailarina tem como companheiro Yat Sen Chang, um cubano de origem chinesa, o que complica a tarefa dos cães raivosos que gostariam de poder chamar racista à intérprete de sucesso de "Giselle".

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Um postal (infelizmente) sempre actual

(Com um abraço especial para o Pedro Guedes e todo o meu desprezo para a senhora Pinto.)
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«Está agora na moda criticar-se o anonimato da grande maioria dos blogueiros, insinuando-se que o mesmo lhes permite tomar atitudes irresponsáveis e criticar descabeladamente certas individualidades sem receio de ter de prestar contas. Os senhores jornalistas e políticos que veiculam esta ideia deviam ter vergonha: pelo monopólio das ideias que detêm e que impõem, pelo terrorismo ideológico que alimentam e pela estigmatização daqueles que ainda vão tendo forças para criticar o estado em que se pôs o nosso País, são eles os responsáveis pelo recurso ao anonimato dos heterodoxos blogueiros da nossa praça. Foram eles que (n)os atiraram para as margens do debate político, de ideias e cultura, são eles que zelam pela inviolabilidade do seu dogma societário e ideológico, são eles que odeiam a liberdade de expressão e que, escudados na hipócrita defesa da mesma, funcionam como comissários políticos à cata dos "proscritos". A quem depois criticam o seu anonimato.»
**
(Texto original completo aqui.)

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Mensagem para o outro lado do Atlântico

Estou farto. Farto. Farto do vosso belicismo, inerente à vossa maneira de ser, à vossa forma de estar no mundo, de resto nas raízes da vossa expansão territorial no vosso próprio continente, expulsando os nativos, tratados como sub-homens, confinados a reservas.
Farto do vosso moralismo democrático, do vosso messianismo pseudo-humanista, difundindo os vossos valores outrora na ponta das espingardas, hoje por meios mais sofisticados (limpos, diriam vocês) de ceifar vidas humanas - vidas de outros humanos, se calhar tão untermenschen como os índios.
Farto de vos ver a reboque da agenda política de Telavive, incapazes de um mínimo de equidade na abordagem da questão palestiniana. Farto também de vos ver fazer crescer o fundamentalismo islâmico, como reacção à vossa prepotência e humilhação do mundo árabe.
Farto deste mundo por vós criado, desta saga consumista, deste fervor gastador e hedonista, desta ausência de preocupações outras que não a fruição imediata de bens produzidos em larga escala.
Farto do politicamente correcto, outra das vossa criações, fruto das lutas universitárias dos anos 60, das construções ideológicas abstractas, desligadas da realidade e ó quão próximas do controlo de pensamento típico dos totalitarismos do século XX.
Farto do vosso imperialismo pseudo-cultural, dos vossos filmes violentos, da sua perversa influência sobre as mentes das crianças; farto da naturalidade com que mostram as mais abjectas facetas do homem. Farto da vossa pornografia, da vossa degradação do humano, da vossa humilhação daquela que dá à luz, daquela que é Vida: a mulher.
Farto das organizações que vocês criaram, que dominam e que tentam escravizar a humanidade, na sombra.
Dir-me-ão os vossos defensores que a alternativa ao vosso domínio seriam os chineses, os russos, os fundamentalistas islâmicos ou os amiguinhos guevaristas dos Chavez e outros folclóricos e sinistros utopistas. Se calhar têm razão, mas estes antagonismos também por vós foram alimentados no sentido de reforçar o vosso próprio poder e dominação.
Vivemos num planeta-prisão e em grande medida isso é obra vossa. Por isso estou farto.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Contra o concurso

Sobe de tom a polémica em torno do estúpido concurso "Grandes Portugueses", em especial na blogosfera. Toda a trapalhada em que o promotor se envolveu relativamente a Salazar, não o incluindo inicialmente na lista e agora ocultando a sua vitória por meio de uma segunda volta, revela bem o grau de "democracia" dos nossos democratas. Os mesmos democratas que vêm há meses desencadeando ataques informáticos contra o excelente site dedicado ao estadista (e não político, outra das farsas do concurso) e que está neste momento em baixo, tentando recuperar da última ofensiva democrática.
Estou com o meu amigo Nonas quando ele se pronuncia contra o acto de votar nesta mascarada. Primeiro, está-se a ser conivente com toda a batota; segundo, legitima-se que se ponha em pé de igualdade (democrática, claro) reis que fizeram a Pátria, actores de telenovelas e perfeitos traidores; terceiro, porque o chamado voto de protesto, que tem levado tantos milhares de pessoas a votar em Salazar, conduz a que se pretira D. Afonso Henriques, o verdadeiro obreiro da Nação, quem contra ventos e marés permitiu que nascesse um dos países mais notáveis da história da humanidade. País esse que agora se vai apagando, lentamente.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Sondagens

O nosso amigo Rafael aborda o tema das sondagens, frisando a extrema cautela ou mesmo desconfiança com que devem ser encaradas.
O postal fez-me lembrar a série "Yes, Minister", em que Sir Humphrey demonstrava como se pode facilmente manipular a opinião, expressa em resultados de sondagens.
O tema era a reinstauração do Serviço Militar Obrigatório no Reino Unido e as perguntas são feitas à mesma pessoa por dois institutos de sondagens diferentes.
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Primeira Sondagem:
- Preocupa-o a crescente insegurança no mundo em que vivemos?
- Sim.
- Preocupa-se com os conflitos bélicos em curso neste momento?
- Sim.
- Assusta-o ver a violência crescente na nossa sociedade?
- Sim.
- Não acha que os jovens estão cada vez mais expostos a essa violência?
- Sim.
- É favorável a que regresse o Serviço Militar Obrigatório?
- Não.
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Segunda Sondagem:
- Preocupa-se com o desemprego no nosso país?
- Sim.
- Preocupa-o o baixo nível do nosso sistema educativo?
- Sim.
- Não acha que aos jovens deste país falta cada vez mais um rumo para as suas vidas?
- Sim.
- Seria favorável a formas alternativas de ocupação para os jovens?
- Sim.
- É favorável a que regresse o Serviço Militar Obrigatório?
- Sim.
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Cada instituto de sondagens "esqueceria" as perguntas iniciais e publicaria uma sondagem apenas com a última pergunta e respectiva resposta...

terça-feira, janeiro 16, 2007

Uma questão de mulheres?

Sob o título supra realizou em 1988 Claude Chabrol um filme com Isabelle Huppert, baseado na história da última mulher executada em França. A história decorre durante o regime de Vichy e retrata uma mulher que ganhou dinheiro praticando abortos clandestinos.
O filme tem uma mensagem execrável, aliás visível logo no título, pretendendo desculpar a boa senhora e criticar a falsa moral dos governantes e, claro, da besta negra do realizador: os "burgueses". Mostrando Marie-Louise Giraud como vítima das circunstâncias, Chabrol pretende que o aborto é algo a ser decidido pelas mulheres - "em consciência", como diriam os nossos pró-abortistas de serviço -, sem ater a quaisquer considerações morais, que o realizador de resto caracteriza como preconceitos burgueses.
É um dos múltiplos exemplos da "cultura" ao serviço da ideologia e que, lenta e insidiosamente, foi fazendo o seu trabalho de sapa, empurrando contra a parede os moles de convicções e angariando apoiantes entre os jovens. O resultado está à vista.
Escusado dizer que a película recebeu diversos prémios internacionais e os encómios da crítica.

domingo, janeiro 14, 2007

Linhas de Elvas

«Janeiro de 1659, a 14. Não me esqueço do livro velho denunciando-nos a cumplicidade do nevoeiro. O nevoeiro, bom amigo desde que ao seu mistério confiámos o regresso do Encoberto, envolvendo-nos então numa massa confusa, protegeu-nos contra o adversário, incomparavelmente superior em municiamento e disciplina.
Demos connosco nos seus redutos, debaixo da capa parda da bruma. Caímos em cheio e a valer. Na mancha densa da névoa, rufaram tambores de súbito, de algum modo como na surpresa bíblica de Gedeão. O castelhano, iludido nas indecisões da manhã, não se apercebeu a tempo da nossa ordem de batalha. Tanto bastou para que as suas linhas se rompessem de pronto e pelo boqueirão aberto se engolfassem os terços do conde de Mesquitela. Da praça D. Sancho Manuel carregava sobre o inimigo já desmoralizado, batendo-se à toa, sem nexo. Alto, o sol límpido de Janeiro sacramentava-nos agora num esplendor de apoteose. D. Luís de Haro, sangrando na ferida enorme da sua vaidade pisada, abandonara o exército ao duque de S. Germano, largando em desfilada para Badajoz. Já o sol declinava. Na cidade, ao longo dos muros, como numa cruzada santa, passeara-se o Santíssimo durante o estridor da batalha. Moribundos, os pestíferos erguiam-se dos catres para contemplarem ainda, com as pupilas dilatadas, a hora do resgate, descendo dos cabeços fronteiros. A vitória tivera a rapidez das vinganças divinas (...). De facto, as nossas perdas não passavam de setecentos homens entre mortos e feridos. Os castelhanos, contando os prisioneiros, abandonavam no campo cerca de onze mil baixas - tantas como o pequeno exército [comandado por D. António Luis de Meneses] saído de Estremoz para salvar a cidade em perigo.
Mas que resta hoje da glória excepcional desse Janeiro de 1659? Sobre uma colina silenciosa um padrão silencioso. É bem o símbolo de Portugal arrastando a sua agonia na impassibilidade sacrílega dos homens e das coisas!»
***
António Sardinha, "Na Feira dos Mitos", Edições Gama (2ª edição, 1947).

Já cá canta!

Recebi finalmente o livro cuja capa vêem aqui reproduzida: "José Antonio: entre odio y amor" de Arnaud Imatz e que o amigo Pedro já nos trouxera ao conhecimento (ver aqui).
O autor propõe-se fazer a biografia do líder da Falange sem cair nas armadilhas da interpretação ideológica, dedicando de resto o livro a alguns familiares e amigos, «así como a todos los que se han librado de la hemiplejía moral de derecha o de izquierda». E recorre, curiosamente, a uma citação de José Antonio, conhecida de muitos de vós:
«El ser "derechista", como el ser "izquierdista", supone siempre expulsar del alma la mitad de lo que hay que sentir. En algunos casos es expulsarlo todo y substituirlo por una caricatura de la mitad.»
O gordo volume de 616 páginas promete.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Auto-crítica árabe

À semelhança dos seus irmãos desavindos judeus, os árabes são bastante propensos à cultura da vitimização, culpando os outros por todos os males de que padecem.
Sem deixar de reconhecer as injustiças e arbitrariedades que vêm sofrendo, os árabes devem olhar um pouco mais para si próprios e não fugir às responsabilidades.
Dois exemplos desta desejável postura, retirados de dois jornais do Médio Oriente:
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«O que se passa em Beirute não se inscreve na história do Líbano mas sim na do quadro mais vasto do Médio Oriente, onde os grupos e as organizações actuam acima dos Estados, minam as instituições e destroem todo o quadro legal.» ("Asharq Al-Awsat")
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«Ninguém quer enfrentar o caos intelectual e político que reina no mundo árabe pois ele conduz-nos às mentiras mais desavergonhadas. Para nós é sempre mais fácil atirar as culpas para os americanos, os europeus e os sionistas que ter a honestidade de reconhecer as nossas responsabilidades. E o risco é cairmos na catástrofe mais completa (...) O mais estranho de tudo é que o “governo” palestiniano, a “oposição” libanesa e a “resistência” iraquiana avançam sob o escudo da religião, apresentando-se como a incarnação do Islão, representantes dos muçulmanos e partidos de Deus. Isto evoca os anos 50, quando a destruição política do mundo árabe se fazia ao abrigo de palavras de ordem revolucionárias e nacionalistas pan-árabes. É de dar em doido! Nenhum país pode viver com este grau de loucura. E, no meio de toda esta demência, em que todos dão gritos de vitória, há um perdedor autêntico: a pátria.» (Tarek Massarwa em “Al-Raï”, jornal de Amã).

Podemo-nos rir de Hitler?

A interrogação acima poderá parecer estranha ao comum dos mortais dotado de algo que vem rareando cada vez mais: bom senso. No entanto, a edificação do dogma da "monstruosidade hitleriana" a isso obriga a quem se dobra perante os ditames do politicamente correcto. Com um efeito curioso: em Hitler não se toca, a sua imagem oficial é inatacável. Debate aberto sobre o personagem: nem pensar.
Um filme estreado recentemente, "Mein Führer", vem relançar a lancinante questão que se põe aos jornalistas e demais fazedores de opinião. O facto de se tratar de uma comédia, e mesmo considerando a origem judaica do realizador, levou a que a película não caísse nas boas graças gerais. O filme poderá ser fracote ou mesmo anedótico, não sei, mas é expressivo que sessenta anos após a morte do líder nazi ainda seja tabú falar-se dele de uma forma diferente da solenidade inerente à caracterização de um "monstro".

segunda-feira, janeiro 08, 2007

"Violador português é branco"

Um estudo levado a cabo por uma candidata a mestre pela Universidade do Porto e divulgado pelo Público concluiu que «o violador português é branco, tem cerca de 30 anos, baixa escolaridade e não revela arrependimento pelo crime, mas pena por este o ter conduzido à prisão, onde é maltratado pelos outros reclusos e guardas».
Duas questões:
- será que a amostra de 38 reclusos condenados pelo crime de violação é significativa?
- será que se o estudo concluísse que «o violador português [ou actuando em Portugal] é negro" ele seria alvo do mesmo destaque? Pior: será que uma tese que chegue a essa conclusão é aceite pelo júri?
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Fous le camp, salaud!

Será que os franceses são o povo mais grosseiro à face da Terra? E o mais arrogante? A "inocente" interrogação é-nos trazida pelo Daily Telegraph, que conta como a Comissão Regional de Turismo de Ile-de-France está a tentar cativar mais turistas ingleses, nomeadamente divulgando a famosa linguagem gestual francesa... Espera-se que, dominando a dita, os turistas de além-Mancha se sintam mais à vontade a lidar com três dos tipos mais frequentes de Paris: empregados de mesa mal educados, taxistas do mesmo quilate e "febras" sentadas em esplanadas com umas trombas de todo o tamanho (desencorajando os avanços dos mais destemidos...)!
Um artigo divertidíssimo, a que há que acrescentar o fórum, onde os leitores debatem o grau de rudeza dos gauleses...

O "império benigno"

Mais um texto memorável do nosso amigo JSM, um verdadeiro grito de alerta aos que ainda não vêem com clareza o que está perante todos.
Excertos:
«Antes do mais, temos que nos livrar deste império benigno que usa conhecidas palavras de passe, como democracia e liberdade, para cometer atrocidades!
Sem querer, chegámos a um ponto insuportável em que é forçoso concluir – o mundo não precisa destes americanos para nada, muito menos para polícias do mundo ou pastores universais.
Aliás, só a propaganda usada como arma de destruição maciça, poderia ter operado o milagre da quadratura do círculo! De facto, porque carga de água é que um regime republicano, assente em votos e maiorias instáveis, haveria de trazer algum rumo ou alguma estabilidade ao planeta! Nunca trouxe! No caso, resume-se a um jogo de cartas marcadas onde dois jogadores, viciados no lucro, se vão revezando, no faz e desfaz, na invasão e na retirada, no mata e esfola inteiramente comandado pelo egoísmo de um poder obsceno!»

domingo, janeiro 07, 2007

Mais um escritor para o Index?

Será que qualquer dia também se lembram de lançar as obras de Camilo para a ara vingativa dos Savonarolas coevos?

Vão ver o que se passa em cada casa,
Que vive à lei de gótica nobreza,
*****E seus festins nos dá!
Se é jantar, o talher que vem à mesa,
*****O usurário o dera
Em troca do serviço que é do chá.
**
Se é baile, vai em troca do serviço
A inútil baixela do jantar;
*****E assim se faz figura;
E, se é jantar e chá, vão-se alugar
*****Ao sórdido judeu
Ambas as coisas, que absorve a usura.
***
Camilo Castelo Branco, "Coração, Cabeça e Estômago" (terceira parte).

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Viabilidade da Pátria

Sistema de certeza íntimas, agregado de segredos conhecidos colectivamente, conjunto de emoções vividas em comum, rede de interesses partilhados por todos: uma pátria. E os cidadãos de uma pátria, se ainda a sentem, têm de partir do pressuposto da sua viabilidade. Deste modo, e no que respeita aos portugueses, há que basear tudo nesta premissa simples: Portugal é uma nação independente e soberana, tem a viabilidade de continuar a ser independente e soberana, possui os meios de se fazer respeitar. Parece vedado a qualquer português deixar-se permear por ideias suicidas em relação a Portugal; não se afiguram lícitas dúvidas quanto às raízes nacionais; e não se julga curial que qualquer português, que sinta Portugal, possa negar ou não viver a solidariedade nacional. Além de tudo, aquelas premissas alicerçam-se em factos irrefutáveis: Portugal possui uma língua, uma cultura, uma religião, e uma história apenas sua. Está-se perante uma quantidade política e sociológica que, por isso mesmo, desencadeou os meios de se afirmar no tempo e no espaço, e de garantir a sua sobrevivência.
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Franco Nogueira, "Juízo Final" (1992)

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Uma proposta à vossa consideração

Há uns tempos, a propósito das virtualidades deste e outros blogues nacionais, escreveu-me um leitor e amigo o seguinte: «Se queres que te diga a verdade creio que há q.b. de blogues de Direita e, pelo menos para mim, é-me impossível lê-los a todos com regularidade; no último ano, quanto muito, acrescentei 3 ou 4 blogues aos meus Favoritos. E, de facto, muitas vezes há uma certa repetição dos temas e das questões abordadas: quase todos referem as datas históricas; as conferências de A, B ou C; a saída da revista Alameda Digital, etc.
A ideia que pairou em tempos sobre fazerem um blogue comum parecia-me boa e não sei porque não medrou.»
O nosso amigo levanta várias questões importantes, que devem ser alvo de reflexão.
Assim:
- datas históricas: parece haver um certo cansaço e sensação de repetição, tanto por parte de leitores como de autores. Já "todos" sabem que no dia 3 de Janeiro se vai falar de Drieu, a 6 de Fevereiro de Brasillach, a 25 de Abril de Benito Mussolini, a 27 de Maio de Céline, a 28 de Maio do 28 de Maio, a 18 de Julho do Alzamiento, etc., etc. Mas se se fala dessas datas é porque elas têm um significado que achamos eterno e representam um exemplo para as gerações mais novas. E depois, se não formos nós a falar delas, quem o fará? A omissão representa pontos a favor do sistema;
- conferências, Alameda Digital, etc.: a questão é a mesma, fugir ao bloqueio do silêncio, divulgar iniciativas louváveis e promover a informação alternativa. Como os leitores da nossa área, embora escassos, são fiéis e comuns a vários blogues, acabam por ter que ver as mesmas referências várias vezes, o que só se evita com a sugestão do nosso amigo: um blogue colectivo.
Continuo a ver vantagens e inconvenientes nessa solução, que de resto já convosco partilhei e discuti.
No que aparentemente nunca ninguém pensou foi na criação de um blogue colectivo UNICAMENTE dedicado à divulgação de iniciativas nacionais, sejam encontros, conferências, colóquios, edições, etc. Um blogue meramente informativo, gerido por duas ou três pessoas, podendo n contribuir com as informações que por ora estão dispersas por vários blogues e sites. Em suma: uma Agenda Nacional.
Que vos parece?

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Pierre Drieu la Rochelle (1893-1945)

Representou de certa forma as contradições e os dramas do século XX. Inconformado com o ambiente burguês em que nasceu, sonhou com um "socialismo fascista" e aderiu com entusiasmo ao Parti Populaire Français de Jacques Doriot. O desastre francês de 1940 não o surpreendeu, convicto que estava da inelutável decadência das democracias. Abraçou o ideal nacional-socialista, tornando-se um convicto europeísta. O seu paradigma estava já para além da Nação.
Pierre Drieu la Rochelle nasceu há 104 anos. O seu percurso foi o de muitos franceses (e outros europeus) convictos de que a salvação da civilização ocidental estava numa Europa unida. Pode-se afirmar que abandonou o nacionalismo strictu sensu. Esse confronto entre as duas visões políticas para o mundo ocidental ainda hoje continua a marcar o debate nacionalista em todos os países europeus. A sua ida a Berlim, durante a Ocupação, em conjunto com outros escritores (como Robert Brasillach; Céline absteve-se) foi um marco, para alguns traumático, da atitude de certa intelectualidade francesa num dos períodos mais negros da história gaulesa.
O seu suicídio em 1945, após quase um ano escondido, representou a única saída que encontrou face à sua aposta falhada. "Je demande la mort", escreveu no seu Diário.
Apoiante de um regime anti-semita, ele que teve uma amante judia e teve como um dos melhores amigos o judeu Emmanuel Berl; apoiante de um regime que declarou guerra ao mundo anglo-saxónico, ele que era um apaixonado da literatura britânica; apoiante de um regime inequivocamente totalitário, ele que foi um espírito livre como poucos. Drieu representa a seu modo as contradições de um século trágico e o drama dos compromissos políticos dos intelectuais dessa época.
A sua vasta obra romanesca sobrevive a todas as vicissitudes. Ler hoje os seus livros é um prazer imenso, pela arte de retratar um mundo burguês em decadência acelerada, pela forma como ilustra os impulsos suicidas de um inadaptado que foi ele próprio, pela escrita depurada e expressiva, pela emoção contida que perpassa a cada página. Longe das academias que atribuem tal galardão, Drieu não deixou de conquistar a imortalidade.
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Ler igualmente o texto (e comentários de leitores) que escrevi há um ano: aqui.

terça-feira, janeiro 02, 2007

O abismo sem fim do Zimbabwe

Enquanto Robert Mugabe se vai agarrando ao poder com unhas e dentes, a situação económica e social no Zimbabwe não pára de se degradar. A escassez de combustível leva a que as prostitutas prefiram receber gasolina em vez de dinheiro. A SIDA, naturalmente, grassa pelo país, morrendo da doença 3.000 pessoas por semana.

Ano Novo no Iraque