segunda-feira, abril 30, 2007

Informação alternativa, espaços de liberdade

Convido os meus leitores que não tenham esse hábito a dar uma vista de olhos regular pelas ligações da direita. Para além de facilitarem o acesso a páginas da vossa preferência, tento actualizá-las ao sabor das minhas descobertas, como é o caso de há poucos minutos com o recomendável blogue Mneme. Ou com o novo projecto Abril, Prisões Mil, que pretende recolher «Memória e Testemunhos das Prisões Políticas depois do 25 de Abril de 1974», algo que o regime pretende ocultar, pois é suposto que a data referida tenha acabado com as prisões por delito de opinião, algo que, como se sabe, só existe nos regimes fascistas...
Temos também a Alameda Digital, já no seu oitavo número (houve um número zero), que é bem capaz de ser o melhor de todos os até aqui colocados online. No meio de ilustres e meritórios contributos, também garatujo por lá umas notas sobre música, desta vez sobre o panorama dos concertos no nosso país.
Em falando de informação alternativa não se pode deixar de referir o Projecto Grifo (imperdível este artigo) e o Novopress, páginas onde se pode obter informações regra geral esquecidas pelos media, bem como reflexões sobre o mundo que nos rodeia com uma perspectiva claramente não conformista.
Porque não só da actualidade imediata se faz a compreensão do que nos rodeia, também a doutrina é fundamental para cimentar convicções e solidificar argumentos em prol da ideia nacional. A Causa Nacional tem tido um papel louvável na divulgação de textos de autores nacionais e estrangeiros que contribuem - e de que maneira - para um enriquecimento da reflexão nacionalista, nas suas diversas vertentes.
Embora caminhemos inequívoca e rapidamente rumo a um planeta-prisão, não vão faltando vozes corajosas e determinadas em lutar pela sua liberdade, as suas raízes - e o seu futuro.

Há fossas comuns e fossas comuns

«Em Outubro de 2006, a abertura de uma fossa comum em Menden-Barge, no oeste da Alemanha, suscitou a comoção da comunidade internacional pois pensou-se que as crianças cujos cadáveres nela foram descobertos teriam sido vítimas de um programa de eutanásia nacional-socialista executado num centro de morte (Tötungsstation) situada em Wimbern. Após um inquérito minucioso levado a cabo pela polícia judiciária de Düsseldorf ficou-se a saber que o "centro de morte" era um dos hospitais provisórios que, no final da II Guerra, acolhiam sobretudo vítimas dos bombardeamentos aliados. As infelizes crianças não eram, na verdade, "vítimas da barbárie nazi" mas sim "vítimas colaterais" da cruzada democrática.»
(Rivarol de 6 de Abril de 2007, com referência a esta notícia da Focus alemã.)

sábado, abril 28, 2007

Terceiro aniversário do Pena e Espada

Numa altura difícil da sua vida, não podíamos deixar de lembrar o terceiro aniversário do blogue do nosso amigo Duarte Branquinho, o Pena e Espada. Desejando que se afastem as núvens negras que pairam sobre si, enfunadas pelos totalitaristas moralistas desta terra, daqui enviamos um forte abraço ao Duarte. E viva o Pena e Espada!

sexta-feira, abril 27, 2007

Pão, circo - e palhaços

A oposição diz que é um atentado à liberdade de expressão. Já o público lamenta o fim de algumas telenovelas, sem dúvida a mais trágica consequência da decisão do castrista Chavez de encerrar o único canal de televisão não governamental da Venezuela...
Não é de esperar grandes (nem pequenas) reacções por parte da esquerda bem pensante que fabrica a opinião ocidental.

quarta-feira, abril 25, 2007

Notas dispersas sobre a funesta data

Venci em Aljubarrota
Perdi Alcácer Quibir
Mas sofri maior derrota
Por não enfrentar a tropa
Que desembarcou Abril
***
António Manuel Couto Viana, "Restos de Quase Nada e Outros Poemas", Averno, 2006.
***
***
1.
Era este um lugar
de raiz duradoura. Mas soou a hora
de deitar país
fora...
... e tal foi
o vendaval
alevantado,
que jamais no areal
se viu tanto herói
irado!
2.
Pátria sem porte,
quando já chegou a ser
pátria sem par!...
(Está hoje às portas da morte.
Fechou as portas ao mar...
Se ao menos tivesse a sorte
d'ir morrendo devagar...)
***
Rodrigo Emílio, Reunião de Ruínas, Edições A Rua.
***
***
Se um Costa matou El-Rei,
Outro Costa matou o Presidente (*)
Ainda cá ficaram mais Costas
Para f... toda a gente!
(*) Sidónio Pais
***
Vox populi, a propósito de Costa Gomes. Citado por Mattos Gomes, "A Década Bastarda, Abril de 1974 a Abril de 1984".
***
***
«De manhã [em 25 de Abril de 1975], defronte da gare do Rossio, extraordinário monumento em estilo "manuelino-ferroviário" que ornamenta o centro de Lisboa, mulheres já de certa idade instalam, com a maior das descontracções, o seu escaparate político-pornográfico. O lado porno ganha nas calmas, podendo encontrar-se lado a lado "Emmanuelle", Lenine, Mao, "Kama Sutra", "11 de Março, Autópsia de um Golpe"; e depois, roçando-se - impossível inventar melhor - "Por onde vai Portugal?" e "Pontapés no Traseiro". (...)
A um canto de uma rua, dois barbudos oferecem aos clientes um anúncio insólito. No meio do mesmo, o galo de Barcelos (...) Vendo o desenho mais de perto apercebemo-nos que a crista está um pouco fanada, que as asas pendem, desanimadas, o porte da cabeça é bastante menos orgulhoso que o original. A legenda, em letras enormes: "Ruim por ruim, vota em mim!".»
***
Jean Marc Dufour, "Prague sur Tage", Editions de la Nouvelle Aurore, 1975.

terça-feira, abril 24, 2007

Surpresas e normalidade em França

Alguns analistas afirmaram que os resultados da primeira volta das eleições presidenciais francesas não trouxeram grandes surpresas, ao contrário do sucedido há cinco anos com a passagem de Jean-Marie Le Pen à segunda volta.
Aparentemente, assim é. Vamos ter um esperado duelo Sarkozy-Royal na segunda volta, François Bayrou confirma o seu excelente score e Le Pen fica em quarto lugar. Num país habituado à dispersão de votos por uma plêiade de candidatos, pode-se dizer que desta vez - e isto será uma primeira surpresa - funcionou o voto útil, tendo muita gente de esquerda ajudado Royal a passar sem problemas à segunda volta e muitos votantes habituais do Front national feito o mesmo com Sarkozy.
E aqui temos outra surpresa: a suposta fidelidade dos votantes frontistas é um mito. Ao obter apenas 10,4% dos votos, pode-se dizer que o tempo de Le Pen chegou ao fim, ao mesmo tempo que se verifica que uma certa recentragem do partido (linguagem mais moderada, posições algo ambíguas sobre o aborto ou o casamento de homossexuais e até apelo ao voto imigrante) só prejudicou o bretão. Paradoxalmente, com a sua habilidade e demagogia, Sarkozy aparentou ter uma linguagem mais contundente e deu uma imagem decidida no combate à "escumalha" dos subúrbios, cativando muitos habituais votantes do Front.
Sarkozy encarna, na verdade, o candidato preferido dos EUA (como Angela Merkel na Alemanha) e de certo estado do Médio Oriente; a este respeito são claras as posições favoráveis dos meios neo-conservadores, bem como a incrível adesão a Sarkozy por parte da comunidade judaica de França, abolindo todas as barreiras ideológicas. A retórica do candidato sobre a identidade nacional não deve esconder o facto de o próprio ter confessado sentir-se um pouco estrangeiro em França, ao passo que a sua mulher se orgulha de não ter uma gota de sangue francês.
Ségolène Royal é um puro produto de marketing: sorriso Pepsodent, roupa branca e uma abordagem menos ideológica que o costume no PSF, que tentam ocultar o facto de por trás da candidata estar toda a velha tropa jacobina que tanto mal tem feito à França.
Para terminar, deixo-vos um momento humorístico de primeira ordem: as reacções na sede do PC"F" aos microscópicos 1,9% da sua candidata (e ex-ministra) Marie-George Buffet. Duas tiradas são impagáveis: "Temos a confirmação de que estamos num país de fascistas" (sic) e, naturalmente, "o PC não morreu, a luta continua"...

segunda-feira, abril 23, 2007

O Processo

(Ao meu amigo D.)
«O senhor não pode sair, está preso.» (...) «Não estamos autorizados a dizer-lhe a razão. Vá para o seu quarto e aguarde lá. Foi-lhe movido um processo e o senhor será informado de tudo na altura oportuna. Estou a exceder as instruções que tenho ao falar assim abertamente consigo.» (...)
Quem seriam estes homens? De que estariam a falar? Que autoridade representariam? K. vivia num país com uma constituição legal, havia paz no mundo, todas as leis estavam em vigor; quem se atreveria, pois, a prendê-lo na própria casa? Estava sempre disposto a aceitar os acontecimentos com toda a calma, a admitir o pior apenas quando este surgia, a não se preocupar com o amanhã, mesmo quando as perspectivas fossem assustadoras. Mas ocorreu-lhe que esta não seria a melhor política a seguir. Naturalmente, tudo isto se resumia a uma brincadeira, uma brincadeira de mau gosto (...)
Franz Kafka, "O Processo", capítulo I.

domingo, abril 22, 2007

Pluralismo em alta

O programa dos "Dias da Música", evento a decorrer este fim de semana no Centro Cultural de Belém, com o piano em destaque, possibilitava-nos ontem a audição de Bernardo Sasseti e Mário Laginha "interpretando Zeca Afonso" (nos discos do bardo da extrema-esquerda aparecia sempre José Afonso; o uso de "Zeca" é intencional e mostra a suposta afectividade que os portugueses devem sentir para com o homem que cantava «Foram-se embora os chacais / Chegou a hora dos tribunais»). Já a partir de amanhã a RTP2 oferece-nos noites de música portuguesa. Nomes? José Mário Branco, Sérgio Godinho, Fausto, Vitorino. Uma selecção nada sectária!

sexta-feira, abril 20, 2007

Passos perdidos

Não queimaram livros como o bombeiro de "Fahreneit 451", de Ray Bradbury, mas apreenderam um ror deles, até o "Animal Farm" de George Orwell. A que propósito, tratando-se de uma operação contra a "discriminação racial", podemos interrogar-nos. Se calhar a PJ, ou melhor os seus mandantes, acha que "um livro é uma arma", o que não está mal visto.
Quanto aos dilemas do nacionalismo português, não há muito de novo a dizer. Se se acha que num partido qualquer um é bem vindo então ele está a pôr-se a jeito, além de afugentar milhares de pessoas bem intencionadas que têm horror àquilo que encaram como extremismo. Em última análise bastava analisar quais os movimentos que efectivamente cresceram eleitoralmente nas últimas décadas na Europa e ver qual foi a sua estratégia e a imagem que passaram para a opinião pública.

O traidor

É o típico traidor. Militante comunista e, portanto, internacionalista, fez o jogo de Moscovo até que o vento mudou e o que estava na ordem do dia era a reciclagem no socialismo democrático. No governo fez sempre o jogo dos interesses espanhóis, sem qualquer pudor (pelo caminho estourou com as finanças públicas, por o que ainda estamos a pagar a factura). De volta ao privado, é vê-lo à vontade na sua pele de agente económico do país vizinho. Agora poderá conciliar essa faceta com a de manipulador da opinião pública, num regresso ao "passado glorioso" dos tempos do PC"P". O círculo fecha-se.

quarta-feira, abril 18, 2007

Demência sem fim

O amigo Corcunda já abordou a demência de certa criatura de referência deste regime. Demência cujas manifestações, provocatórias ainda por cima, não cessam. Ainda por cima a figura deve achar-se muito engraçada.
(Via "O Insurgente", definitivamente com uma paciência infinda para aturar semelhantes barbaridades.)

terça-feira, abril 17, 2007

Site americano da Al-Jazeerah encerrado

O site americano da Al-Jazeerah encerrou. As explicações que por lá se encontram são o mais lacónicas possível, em contraste com o extenso texto que até há pouco tempo se podia ler, no qual se descreviam as pressões sofridas a todos os níveis no sentido de impedir o trabalho da equipa redactorial.
Era um leitor habitual do site, que estava longe de ser imparcial. A sua realidade era basicamente a preto e branco, com raras nuances. Se bem que apoiasse o seu combate por uma Palestina livre do jugo sionista, não podia subscrever o seu maniqueísmo, as mais das vezes derivado de uma análise emocional.
Seja como for, era uma voz livre na denúncia das arbitrariedades israelitas e americanas no Médio Oriente, com notícias sempre frescas sobre aquela martirizada região e com a inclusão de fotografias que rarissimamente chegavam aos jornais ocidentais.
Para já, é uma vitória de certo lobby, provavelmente o mesmo que inunda frequentemente de insultos este blogue israelita pacifista. O autor diz-nos que a maior parte dos impropérios vem de Miami...

segunda-feira, abril 16, 2007

Música e emoção

Em programa difundido há pouco tempo pelo canal Arte, o grande violoncelista Mstislav Rostropovich, que se exilou no Ocidente na era Brejhnev, comparava as reacções dos públicos alemão e russo à música executada ao vivo. Estranhava a atitude dos alemães, muito mais interessados nos aspectos técnicos da execução, ao passo que na Rússia era normal ver pessoas a chorar de emoção durante um concerto.
Não é de excluir que o opressivo regime soviético fizesse sobressair na sala de concertos a tradicional emotividade do povo russo, extravasando sentimentos reprimidos. Mas isto é já especulação minha.

sexta-feira, abril 13, 2007

O homem que pensou em encher o Campo Pequeno

Diz-se que chorou no funeral de Salazar. Sonhou ser o Che Guevara português. Foi o chefe do COPCON, espécie de milícia revolucionária especializada em prisões arbitrárias e na emissão de mandatos de captura em branco. Lamentou-se, no fim do PREC, que até a ele (a ele!) chamaram fascista. Reciclou-se no terrorismo das FP-25 e beneficiou de uma vergonhosa amnistia. Há poucos anos entrou num filme pornográfico. É um artista de Abril.
***
(Imagem daqui retirada, link a agradecer à recomendável Revista de Teoria Política).

quinta-feira, abril 12, 2007

Terror anti-FN

O sistema francês para um candidato poder candidatar-se à presidência da república é bastante tortuoso, obrigando à obtenção de 500 assinaturas ("parrainages") de eleitos. Sabendo-se da pressão política e mediática que recai sobre os apoiantes do Front National, não admira que o seu líder, Jean-Marie Le Pen, se veja da cor dos cucos para obter as malfadadas assinaturas, posto que muitos representantes locais receiam ser alvo de críticas públicas por apoio aos "racistas".
Se fossem só as críticas... Soube-se hoje que os eleitos que concederam a sua assinatura no departamento de Ardennes foram alvo de ameaças, que o FN diz serem de morte dado que constavam de cartas anónimas com um pó branco, imitando antrax.
É mais um belo exemplo do espírito democrático dos democratas franceses.

Ah, g'anda Wolfi!

Paul Wolfowitz, director do Banco Mundial, reconheceu ter concedido um aumento salarial... à sua amante: nada mais nada menos que 60.000 dólares por ano, levando a que a feliz "eleita", Shaha Riza, passasse a ganhar 200.000 por ano no Departamento de Estado (mais do que a responsável, Condoleezza Rice!).

quarta-feira, abril 11, 2007

Calar a verdade e enterrar o passado

"Hoje vemos que existem muitos interesses que procuram encerrar a nossa instituição de forma a calar a verdade e enterrar o passado. Para que nada se descubra", escrevem em carta aberta ao ministro do Ensino Superior o corpo directivo, reitoral, docente e administrativo da Universidade Independente.
Não sabemos se a referência é ao passado de estudante do nosso primeiro ministro, que hoje vai explicar ao país toda a polémica em torno da sua licenciatura em Engenharia Civil, polémica essa que, ao contrário do que afirma o Diário Digital, não foi «aberta após um trabalho de investigação feito pelo jornal "Público", a 22 de Março», tendo sido antes despoletada pelo notável trabalho de investigação feito pelo blogue Do Portugal Profundo, que não é a primeira vez que incomoda o poder.

"A imigração torna-se um problema social"

"Se a imigração passa a barreira dos oito, nove ou dez por cento, torna-se um problema social". Não foi nenhum político extremista (para usar o "benévolo" termo que a imprensa de referência costuma apôr a certos partidos) que o afirmou, mas sim o chefe de Estado austríaco, Heinz Fischer, referindo os problemas que o excesso de imigrantes pode provocar nas sociedades europeias.
Que se fale em excesso de imigrantes é quase uma novidade, vinda da boca de um político do centrão; que se mencione problemas sociais daí decorrentes, ainda mais.
Aguarda-se a todo o momento o desmentido oficial.

domingo, abril 08, 2007

Ressurreição desejada

Todos sabemos como o mundo do trabalho hoje em dia, e em especial no sector privado, tende a ser um "mundo cão": obrigações sem fim, inexistência de horários, ameaça permanente de "reestruturações" - um sem fim de factores que perigam a realização profissional e a saúde.
Até há poucos anos era habitual ouvir-se falar de pessoas na casa dos 50 anos que sofriam ataques cardíacos. Mas hoje multiplicam-se os relatos de trabalhadores com 30 anos, e às vezes até menos, a contas com problemas de saúde por excesso de trabalho e dificuldade psicológica de conviver com a incerteza permanente no que ao futuro do seu posto de trabalho diz respeito.
A exploração começa cedo: os felizardos que obtêm um estágio numa grande empresa sujeitam-se a jornadas de trabalho de dezasseis horas, sem receberem mais por isso - e têm que se sentir realizados pois abre-se-lhes uma porta de futuro profissional de que poucos se podem vangloriar.
Noutras empresas com carga de trabalho mais equilibrada o espectro do desemprego é permanente pois nunca se sabe quando é que surgirá vindo de algum cérebro iluminado um plano de redução de postos de trabalho.
Isto tudo se passa num mundo orientado para o consumo em larga escala: longe vão os tempos em que o "português obscurantista" apenas gastava 70% do seu rendimento e guardava os restantes 30% para o incerto futuro. Hoje, com taxas de juro baixas, com facilidades de crédito e um sem fim de incentivos ao consumo, a que se associa uma imagem de estilo de vida a que poucos resistem, há já indivíduos que gastam, em consumo corrente e prestações, praticamente tudo o que ganham. Em bom português, estouram tudo quanto lhes chega à conta bancária no fim do mês - e que se dane o futuro! Mas ao menos podem "desfilar" a casa e o carro perante os olhares dos amigos, elogiar os acabamentos do apartamento ou os estofos em pele do "espada".
Um dinamarquês meu amigo espantava-se com a redução do trânsito nas estradas de Lisboa e arredores na última semana de cada mês: pudera, a malta está tão endividada que nos últimos dias antes de receber o ordenado já não tem dinheiro para a gasolina!
Estas reflexões vieram-me à mente após saber que um colega meu, de 34 anos, sofreu uma trombose, felizmente sem consequências gravosas. Penso também num confrade e amigo blogosférico que trabalha sem parar, de resto disso se ressentindo a sua produção blogueira. Penso nas pessoas que conheço a contas com problemas estranhos de saúde e também em alguns que sucumbiram aos modernos tempos empresariais.
Trocando umas impressões com o Rafael Castela Santos, lamentava-se este amigo: "como estamos longe da doutrina social da Igreja!" Será que neste dia de Páscoa podemos crer na sua ressurreição?

quarta-feira, abril 04, 2007

Língua (?) do futuro?

Se a língua é dos poucos domínios em que ainda nos podemos sentir portugueses, apesar de décadas de telenovelas brasileiras, de jornalistas encartados e eméritos pontapeadores da gramática, de coevos escritores com um leque confrangedoramente diminuto de vocábulos, de neologismos afro, de acordos ortográficos e outros atentados de lusa-língua, que dizer de notícias como esta?
Mais do que a busca de uma plataforma de entendimento entre quem fala português e quem fala castelhano, parece-me que o portunhol (nome horroroso para uma realidade horrorosa):
- é uma forma de predominância do castelhano (basta ler este sinistro blogue) sobre o português, pois é bem sabido que quem fala português não tem problemas de maior em entender o castelhano, o mesmo se não podendo dizer dos que têm a língua de Cervantes como língua materna em relação ao português;
- é um sintoma de uma época que nutre um desprezo profundo pelas realidades culturais específicas dos povos, tendendo ao facilitismo: "desde que nos entendamos está tudo bem";
- não por acaso é defendido pelo ministro da cultura (com c pequeno) do Brasil, Gilberto Gil, cujo ódio à cultura ocidental é bem patente;
- é uma consequência lógica da tentativa de apagar as raízes dos povos e de os remeter para um contexto linguístico controlado, ou seja, de lhes impor a Novilíngua orwelliana;
- é um passo mais na mundialização em curso.
Se Fernando Pessoa dizia que "a minha Pátria é a língua portuguesa", nos tempos que correm o poeta sentir-se-ia totalmente desenraízado e apátrida - como os senhores do mundo querem que nos sintamos também.

terça-feira, abril 03, 2007

Imigração planeada de longa data

«Deve ser definida uma política de médio e longo prazo que passaria pela cedência de tecnologia europeia em troca de petróleo e de reservas (sic) de mão-de-obra árabe. (...) [Exige-se] que os governos europeus tomem medidas especiais de modo a assegurar a livre circulação de trabalhadores árabes que imigrarão rumo à Europa, bem como o respeito dos seus direitos fundamentais, que deverão ser equivalentes aos dos cidadãos europeus. Deve-se igualmente assegurar a igualdade de tratamento nos domínios do emprego, habitação, saúde, ensino gratuito, etc. [Exige-se igualmente que se ] permita aos imigrantes e suas famílias a livre prática da sua vida religiosa e cultural. [Deve-se] criar na imprensa um clima favorável aos imigrantes e suas famílias».
Estas simpáticas "exigências" foram formuladas... há mais de 30 anos, como consequência da guerra do Yom Kippour e subsequente subida em flecha do preço do petróleo. Em 1975 os então nove membros da CEE formam com alguns países árabes a Associação Parlamentar para a Cooperação Euro-Árabe, que emitiu as recomendações acima citadas.
Para um maior desenvolvimento do tema, com mais algumas citações edificantes, que ajudam a perceber o rumo que tomou a imigração para a Europa nas últimas décadas, consultar no site do semanário Rivarol a notícia com o título "L’Europe et le droit de vote des immigrés: Un projet de plus de 30 ans!"

Mais uma "sondagem"

O Diário Digital tem neste momento em curso uma "sondagem" visando saber se o «Partido Nacional Renovador devia ser ilegalizado?». Para já "vence" o sim, com 53%. Eu se fosse ao ACIME pedia já aos responsáveis do DD os IPs dos 47% que votaram não.

segunda-feira, abril 02, 2007

Por Madrid

Na semana passada fiz uma viagem relâmpago a Madrid. Tirante os afazeres profissionais, sobrou-me uma hora e meia para uma incursão por algumas livrarias indicadas pelo amigo Pedro, conhecedor da urbe. E é do pouco que por lá vi exposto que vos venho dar conta.
Antes de mais, é de saudar o facto de o livro de Arnaud Imatz sobre a vida de José António Primo de Rivera (o tal que, segundo o Manda-mil do DN, foi ditador nos anos 1920...) ir já em 2ª edição. Não quero ser demasiado optimista mas penso que isso possa ser um indício de que os espanhóis, independentemente das suas ideias, querem compreender a história com rigor e não as histórias ideológicas desgraçadamente servidas como "história". Ao menos daí possa vir um bom exemplo do vizinho país.
Acabadinho de sair, "Muñoz Grandes, Héroe de Marruecos, general de la División Azul", de Luis Togores, parece enveredar pelo mesmo caminho de abordagem histórica que o livro citado no parágrafo anterior. Aliás, os livros sobre a Divisão Azul parecem multiplicar-se nos escaparates das livrarias espanholas. Bem como as denúncias das arbitariedades republicanas durante a Guerra Civil, com relatos arrepiantes de atrocidades que a pseudo-história oficial costuma circunscrever ao campo nacionalista. Um dos algozes, Santiago Carrillo, tinha uma biografia oficial exposta ao lado da biografia de Muñoz Grandes...
Faltou-me tempo para catrapiscar os títulos em voga na área de ficção, parecendo-me embora que, como cá, os romances históricos sejam género em voga.
Uma última nota, paternidade oblige, para a área infanto-juvenil: sendo bem fornida de edições para as diversas idades, peca escandalosamente (mesmo na prestigiada Casa del Libro) pela pobreza no que à banda desenhada diz respeito: àparte os inevitáveis Tintim, Asterix, Mortadela e Salamillo (a que nunca achei piada) e Mafalda, praticamente não há mais nada disponível, o que tornaria a vida em Espanha para um bedéfilo como eu virtualmente impossível!

Novos blogues

Parecem-me merecedores de referência dois novos espaços surgidos recentemente na blogosfera lusa: As Afinidades Electivas e 2 (ponto) Zero. Nota-se em ambos uma preocupação em transcender (ou pelo menos não se cingir) a efémere actualidade, sem ignorar alguns temas candentes da mesma.
A visitar.

sexta-feira, março 30, 2007

O cartaz da polémica

Que dizer do já famoso cartaz do PNR, que a Procuradoria Geral da República já declarou não ser ilegal?
Antes de mais, que desmascara mais uma vez a classe política, sempre incapaz de encarar a imigração senão como uma coisa boa para o país, sem ousar ao menos questionar a oportunidade de limitar os fluxos migratórios em função da situação do mercado de trabalho (outras considerações, como a identidade nacional, nem sequer passam pela cabeça dos nossos representantes).
Depois, a habilidade do partido em ser falado. Com a famosa manifestação após o arrastão da praia de Carcavelos, seguida de mais duas ou três com bem menos impacto, o PNR procurou ser falado através do "espectáculo", de acções que o lápis azul democrático dos media não pode ignorar, encontrando uma forma de fazer passar a sua mensagem.
Mas consegui-lo-á? Ponhamo-nos na pele do comum dos cidadãos, mais ou menos apolítico. Ele verá que o PNR diz "basta de imigração". Fica sem saber se é para se parar a entrada de imigrantes, mesmo legais, se é para repatriar os ilegais, se é mesmo para repatriar alguns (ou muitos?) dos legalizados. Quando lê "façam boa viagem", perceberá claramente o mau gosto dessa frase, posto que genericamente destinada a imigrantes sem distinção: legalizados ou ilegalizados, empregados ou desempregados, honestos ou dedicados a actividades à margem da lei, imigrantes recentes ou residentes há largos anos no nosso país.
Não há, em resumo, uma abordagem do problema da imigração de uma forma coerente e explícita. O que se vê é a indicação da imigração como o mal maior que enfrenta o país, num decalque nada imaginativo do que Le Pen vem fazendo há três décadas, sendo que o nosso contexto é bem diferente do francês, nomeadamente pela quase ausência de imigração muçulmana. Lendo o site do partido vê-se que há uma preocupação real com a perda de soberania, com o fracasso de trinta anos de democracia. Mas a táctica, não sabemos se eleitoral, é para o espectáculo, para a provocação pela mensagem - é, na realidade, uma ironia a cedência à demagogia típica dos nossos partidos democráticos por parte de quem tanto a critica.
A imigração é um problema real de Portugal, que já passou o limiar do aceitável a nível de acolhimento: já há largas dezenas de milhar de imigrantes a viver de diversos subsídios, em paralelo com muitas centenas de milhar de nacionais que não conseguem encontrar trabalho. Há guettos de imigrantes onde a polícia entra com risco da própria vida. Há escolas onde os portugueses são uma minoria. Mas não é honesto pôr os imigrantes todos no mesmo saco e em última análise a quem eventualmente se poderia com proveito e sem mau gosto desejar "boa viagem" seria quem criou este estado de coisas: a classe política, as associações ditas anti-racistas que desonestamente confundem crítica à imigração com racismo puro e simples, e muitos empresários que beneficiam da imigração ilegal para produzirem a baixo custo, remetendo trabalhadores portugueses para o desemprego e escravizando multidões de desenraízados.
Já é altura de os parlamentares tirarem a cabeça da areia e perceberem que há que pôr um cobro à imigração irrestrita. Afinal, foi a primeira-ministra socialista de Mitterrand, Edith Cresson, quem (em 1991) falou no aluguer de charters para repatriamento dos ilegais. Mas campanhas como a do PNR, pelos defeitos apontados, só contribuem para o reforço da atitude de avestruz da classe política. E para o avolumar do problema.

segunda-feira, março 26, 2007

Para acabar de vez com o concurso

Meus amigos, lamento mas não tenho muito para vos dizer sobre o maldito concurso da RTP. Estive, de tarde, duas horas colado ao écran, na expectativa (gorada) de um brilharete do Belém na Taça de Portugal em basket, mas não gastei um minuto que fosse a ver a gala (chamaram-lhe assim?) dos Grandes Portugueses.
Claro que é divertido ver pessoas a dizerem que querem emigrar de Portugal, que o povo(léu) é ignorante, que o fascismo (sic) está a ser branqueado (o comunismo não, claro, afinal Cunhal era um idealista). Oliveira Salazar seria o primeiro a lamentar o resultado da votação - e de facto que injustiça para D. Afonso Henriques ou D. Nuno Álvares Pereira, entre tantos outros! Mas esses grandes vultos não precisaram de sufragar a Nação (nos moldes democráticos actuais, pois que o povo estava com eles) para revelarem a sua estatura e a servirem admiravelmente.
A doença da nossa época é achar-se que tudo é relativo, que tudo pode ser referendado, «vamos a votos e o povo decide». Sem referenciais morais e históricos, sem balizas definidoras do interesse nacional, abertos a todos os questionamentos, abeiramos a catástrofe, enquanto nos tentam convencer de que temos poder e que a marcha do progresso é imparável.
O resultado do concurso revelou a face hedionda dos pseudo-democratas, dos que não aprenderam nada com a farsa deste trinta anos, dos que continuam a arvorar a bandeira da liberdade enquanto raivosamente desdenham alguns dos seus efeitos colaterais. Mostrou também que os portugueses, apesar de aparentemente resignados, continuam como a figura do Zé Povinho: incapazes de dar a volta à situação mas desprezando quem os maltrata, fazendo-lhes um real manguito.

Retrocesso da democracia no Egipto!

O Egipto, governado com mão de ferro há um quarto de século por Hosni Mubarak, não é propriamente um exemplo da democracia que os EUA supostamente desejam ver em expansão no mundo. A oposição é forçada a "estágios" mais ou menos prolongados atrás das grades, a imprensa de livre nada tem.
Um exemplo paradigmático da desconfiança do poder perante quem o possa contestar deu-se aquando da morte do grande escritor Nahgib Mahfouz, falecido no ano passado, cujo cortejo funerário foi controlado pela polícia de modo a evitar um aglomerado de pessoas na última homenagem ao amigo dos humildes.
Outro exemplo é a repressão sobre os Irmãos Muçulmanos, essa espada de Dâmocles ameaçando a todo o momento cair sobre a cabeça do poder. Oficialmente interdito, o movimento islâmico acaba por ser tolerado, num equilíbrio instável entre a repressão que o poder julga necessária para obviar ao crescimento do movimento e alguma liberdade de acção que tem que lhe conceder, para evitar uma revolta em massa dos islamistas.
Hoje realizou-se um referendo em que ia a votos um projecto que reforçaria (o condicional é aqui uma mera formalidade descritiva) os poderes governamentais, num contexto oficial de luta contra o terrorismo. Isto soa a algo familiar! Pois é, mas o país ocidental cujo governo promulgou leis repressivas e discricionárias até há pouco inimagináveis por aquelas paragens afirma-se preocupado com o teor da matéria referendada no Egipto, que poderá conduzir a um retrocesso das reformas democráticas.
Seja como for, não se prevê que os EUA fechem a torneira que rega todos os anos a república egípcia com um bilião de dólares, colocando-a no segundo lugar do ranking da generosidade ianque, mas bem atrás dos quatro biliões destinados a Israel.

Lendas e licenciaturas

A vitória de Salazar no néscio concurso "Grandes Portugueses", a par do anúncio de uma tenebrosíssima conspiração da extrema-direita para tomar de assalto a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras, devem ter sido suficientes para abafar o já de si abafadíssimo caso da licenciatura do primeiro coveiro da Nação. Cujo lema há-de ser a famosa reflexão do editor de um jornal no final da obra-prima de John Ford "O Homem que Matou Liberty Vallance":
«Quando a lenda se torna um facto, imprima-se a lenda!»

Damned Blogger!

Durante um dia e meio vi-me impossibilitado de publicar textos novos no blogue pois o Blogger descobriu que o Horizonte «tem características de um blog-spam»! Vai daí, tive que desiludir o excelso servidor, entrando numa página em que eu era informado que, dado que estava a ler aquela mensagem, então o blogue não era nada spam! La Palice não faria melhor!
Enfim, faltou pouco para mudar para o Wordpress. Um dia...

sexta-feira, março 23, 2007

Reflexões de um engenheiro

Muitos de vós conhecem o famoso discurso de Oliveira Salazar em que o estadista aborda as suas origens:
«Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso à roda da fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia não tenho de enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente. Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem. » (Texto completo aqui.)
O Horizonte divulga agora em primeira mão excertos do Diário do actual primeiro ministro de Portugal. Não deixa de ser perturbadora a influência que o engenheiro procurou no exemplo do Grande Português:
«Devo à Independente a graça de ser engenheiro: sem qualificações que me valham, por muito pouco estou preso ao canudo. Sempre me fizeram falta lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para abichar, na imodéstia a que me habituei a viver, as prebendas de cada dia tenho de enredar-me na trama dos negócios e em comprometedoras solidariedades. Sou um homem da Independente. Sempre tive os olhos postos em clientelas políticas e o partido sempre me apoiou e em paga definiu-me a orientação e os limites da minha acção governativa. Sempre lisonjeei os homens e arrecadei massas, perante os e as quais me curvo, em subserviências que sei serem uma hipocrisia e uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos que não são OTÁrios, é pelo mérito próprio e imposição da minha arrogância de governante, graças a ligações partidárias de peso e apesar dos compromissos eleitorais.»

E vão três velinhas para o Pasquim!

Há um ano, a propósito do segundo aniversário d' O Pasquim da Reacção, escrevia que «lendo o que escrevi há um ano atrás pouco mais tenho a acrescentar, o que só abona em favor da coerência e persistência do nosso amigo». Pois aí está mais uma anito passado e a afirmação do nosso amigo como uma das (lusas) vozes mais coerentes, inteligentes, percutantes e intransigentemente nacionais da blogosfera.
Deliberadamente centrado na reflexão dos valores que deveriam ser eternos e nunca maleáveis pelas modas, fraquezas titubeantes e pusilanimidades dos homens, o Pasquim tornou-se uma escola de pensamento, aberta à discussão a todas as pessoas que o pretendam fazer construtivamente.
Dizer que é um espaço à parte na blogosfera é uma redundância. Dizer que daqui a um ano lhe estaremos novamente a dar os parabéns - uma alegria pré-anunciada.
Bem hajas, amigo!

quinta-feira, março 22, 2007

Museu judaico em Munique

A Alemanha, país da "culpa eterna", acaba de inaugurar mais um museu judaico, desta vez em Munique.
A notícia reza mais ou menos o seguinte: «Com uma cerimónia na Câmara Municipal, foi hoje inaugurado o novo Museu Judaico, em Munique. O presidente da câmara discursou sobre o significado do museu, perante centenas de convidados. O complexo engloba museu, sinagoga e memorial, situando-se na St.-Jakobs-Platz e contribuirá para colocar Munique como centro da vida, religião, cultura, tradição e futuro judaicos.»

Mais uma cabala?

Francisco Louçã não encontrou melhor forma de comemorar os 9 anos de vida do Bloco de Esquerda que na realização de um jantar em Salvaterra de Magos, município cuja presidente de câmara, do BE, é arguida num processo judicial. Afirmando que "Ana Cristina Ribeiro estava a ser alvo de «vingança» pelo proprietário «de um bar de alterne» e que não deveria por isso suspender o mandato", o líder trotsquista dá um belo exemplo de coerência com a imagem de defensor da honestidade na política...

segunda-feira, março 19, 2007

Disponibilidade mental para o Cro-Magnon consumista

«Sejamos realistas: a função primordial da TF1 é ajudar a Coca-Cola, por exemplo, a vender o seu produto. Mas para que uma mensagem publicitária seja apreendida é necessário que o cérebro do tele-espectador esteja disponível. As nossas emissões têm como objectivo assegurar essa disponibilidade, divertindo e descontraindo o espectador para o preparar entre dois anúncios. O que vendemos à Coca-Cola é tempo de cérebro humano disponível (sic). Não há nada mais difícil que obter essa disponibilidade. Aí reside a mudança permanente. É preciso procurar permanentemente os programas de sucesso, seguir as modas, surfar (re-sic) as tendências.»
Não se pode criticar Patrick Le Lay pela falta de franqueza. Com estas declarações, o patrão da cadeia de televisão francesa TF1 demonstra a que ponto de indigência mental se pretende reconduzir os cidadãos consumidores, tornados cordeirinhos e abastecedores das contas bancárias do big business.

sábado, março 17, 2007

Afonso Lopes Vieira na escola primária

Por vezes a escola de hoje ainda é capaz de nos surpreender pela positiva. Um dos trabalhos de casa do meu filho mais velho consiste na leitura e interpretação de um poema infantil de Afonso Lopes Vieira, figura ímpar da nossa cultura do século XX.
Intitulado "Canção da Rola", o poema começa assim:
***
O canto da rola rola,
Rola com saudade tanta...
- Ó rola, que cantas tu?
E a rola responde e canta:
Trru-trru..., trru-trru...
Trru-trru..., trru-trru...

Algarve rebaptizado

Com intuitos de promoção da nossa região mais turística, o ministro da Economia muda o nome ao Algarve, «para vender (sic) melhor a região».
O douto ministro talvez devesse mudar o seu próprio nome no sentido de uma melhor equiparação do mesmo à figura que o ostenta. Asshole seria uma boa hipótese.

quinta-feira, março 15, 2007

Sobre a Alameda Digital

O novo número da revista digital Alameda Digital, 6 de ópus mas sétimo se incluirmos o número 0, está já em linha. O tema é "Política Cultural" e as contribuições são numerosas e de valor. Também lá consta um artigo meu sobre o grande compositor Anton Bruckner.
Tendo como objectivo combater a ditadura cultural de esquerda, a revista tem mostrado uma constância e determinação nesse propósito que são de louvar. Na direita patriótica nunca faltou gente de valor para promover princípios. O problema foi sempre a difusão dos mesmos, a capacidade de alargar o leque de pessoas a quem se faz chegar a mensagem. Com uma média diária de 83 visitas, a Alameda tem ainda um longo caminho a percorrer. A média de 5 minutos por visita indicia que os leitores não lerão mais que dois ou três textos por visita, eventualmente imprimindo mais uns quantos para leitura posterior. O que levanta a questão da limitação da internet: para leituras de fundo, para uma reflexão profunda, ainda nada há melhor que o papel. Será que, a exemplo do projecto Voxblogs, a Alameda não poderia compilar os textos de cada número num ficheiro pdf? Ficheiro do qual cada um imprimiria comodamente os textos que mais lhe agradassem, ficheiro que poderia ser enviado a n pessoas, por e-mail, e que de outra forma não tomariam conhecimento do projecto?
Fica a sugestão.

Ruídos e cheiros...

Alguns de vós lembrar-se-ão das famosas declarações de Jacques Chirac contra a imigração em massa e o reagrupamento familiar (por ele instituído em 1975!), mencionando, en passant, o "ruído e o cheiro" emanados dos apartamentos ocupados por imigrantes...
Este discurso, perfeitamente estúpido e demagógico, ainda mais na boca de tamanho oportunista, pode agora ser visto neste link, e não deixa de ser delicioso face ao que se conhece daquele que se tornou um dos grandes promotores da mestiçagem.

terça-feira, março 13, 2007

Um ano de "Horizonte"

Caros amigos,
Faz hoje um ano que nasceu este blogue. Parto inesperado, após o fim anunciado da minha primeira aventura blogosférica, o Santos da Casa (que surgiu alojado cá na terrinha e depois emigrou para os States). Instado por duas dezenas e meia de leitores fiéis e inconformados com o fim do Santos, decidi-me a criar o Horizonte, com o fito de manter uma presença blogueira sem obrigações de actualizações demasiado frequentes, como era apanágio do blogue anterior.
Curiosamente, este é já o 336º postal do novo blogue, prova que com o incentivo dos amigos se conseguem milagres. (Incentivos que, valha a verdade, incluíram diversos modos de coacção perfeitamente intoleráveis numa sociedade que respeita os direitos humanos.)
Convido-os a relerem os comentários então feitos, pois constituem um incentivo para todos os que ponderam desistir do seu blogue (ou, valha a verdade, de qualquer outro projecto de intervenção). Sinto-me satisfeito por ter continuado, sinto-me orgulhoso de alguns textos por mim escritos e sinto-me feliz por fazer parte de uma comunidade de blogueiros e comentadores (alguns deles meus amigos) que não desistem de lutar por aquilo a que Paiva Couceiro chamava o "Portugal Maior". Um dos maiores promotores da ideia nacionalista no século passado, Jacques Ploncard d'Assac, curiosamente nascido num 13 de Março (de 1910), dizia que perante as seduções do inimigo, as seduções da mentira, seduções que levam frequentemente os moles a pôr em causa os seus princípios, há que repetir incessantemente que não são as nossas ideias que são rejeitadas mas sim a imagem e a caricatura que delas dão os media da propaganda inimiga.
Consciente de que por vezes o campo nacional oferece munições que alimentam essa caricatura, vi-me, nos primeiros tempos do Santos da Casa, incompreendido e por vezes acusado de divisionismo (uma acusação com fortes reminiscências estalinistas). À força de me repetir e de insistir, creio que contribuí um quinhão para dar uma imagem de nacionalismo não fanático mas firme nas ideias, não racista mas rejeitando a imigração em massa, intransigentemente português mas não órfão de tempos que já lá vão, anti-europeísta no plano político mas defensor de uma Europa de Pátrias amigas e herdeiras de um património comum grego, romano e cristão.
É pela defesa destes princípios que continuo - com os vossos incitamentos e apoio. Todos não somos demais para continuar Portugal.

segunda-feira, março 12, 2007

Plétora de candidatos em França

Após o anúncio por parte do actual presidente, Jacques Chirac (que não deixa saudades a ninguém), de que não se recandidataria, são mesmo assim nada mais que 38 os candidatos declarados à presidência da república francesa!
Dos "clássicos" Jean-Marie Le Pen (Front National) e Arlette Laguiller (Lutte Ouvrière), aos favoritos Sarkozy e Royal, há candidatos para todos os gostos:
- três (!) assumem-se como defensores dos deficientes;
- três são militantes ecologistas;
- Soheib Bencheikh, um nome de forte consonância gaulesa (como o de outro candidato, Romdane Ferdjani), foi grande mufti de Marselha;
- mostrando que "eles" nunca estão contentes, temos Pierre Larrouturou, que pretende "imprimir mais audácia à esquerda";
- especialistas como são na retórica e no uso demagógico do discurso político, não espanta que surjam em França candidatos que lutem «por que os rendimentos de baixo apontem para os de cima» ou por uma «maioria das minorias em sofrimento moral e social.
Não fosse tudo isto tão trágico dir-se-ia estar-se na presença da "comédie française".

domingo, março 11, 2007

Trágicos 11 de Março

Num país desmemoriado como o nosso, o dia 11 de Março lembra às pessoas apenas o abominável atentado que vitimou há três anos cerca de duas centenas de pessoas nos arredores de Madrid. (Madrid, que ontem saíu em massa à rua em protesto contra a completa inversão de valores que representa o executivo PSOE, que se agacha perante o terrorismo etarra.)
Esquecido parece estar o nosso trágico 11 de Março de 1975, que mudou para sempre a história deste país. Evoquei essa trágica jornada há dois anos, que trouxe o poder para a rua, que arredou o bom senso e o mínimo sentido de dever à Pátria das preocupações gerais, que arruinou a economia, que selou o destino do Ultramar e abriu as portas a décadas de guerra e miséria.
Se hoje é, muito justamente, dia de luto em Espanha, também o deveria ser para Portugal, cuja decadência não mais parou desde a fatídica data; isto pese o regresso dos militares aos quarteis, pesem as privatizações e pesem todos os ecus e euros que nos inundaram nas últimas décadas. A alma nacional, essa, estava há muito enterrada e remetida para a memória de muito poucos.

A libertação da mulher

A Junta de Freguesia da Reboleira, no concelho de Amadora, assinalou o Dia Internacional da Mulher com um jantar, que no final teve um striper a actuar. Ficamos ainda a saber que «no momento de subir uma senhora ao palco para dançar com o striper foi uma vogal do PS que o fez».
Como diz o nosso amigo HNO, «Esses dias servem sobretudo para histéricas feministas agitarem gastas bandeiras, predadoras sexuais imitarem os grotescos comportamentos de homens que sempre criticaram e machos de pacotilha, que ignoram o que é a relação de um HOMEM (não confundir com homem) e de uma MULHER».

quinta-feira, março 08, 2007

Carta de um criminoso


Criminoso, traidor a Portugal e assassino são epítetos que só podem parecer brandos quando aplicados a Rosa Coutinho, um dos maiores facínoras da nossa história. O documento anexo, em boa hora revelado pelo blogue "Orgulhosamente Só", fornece mais um exemplo.

quarta-feira, março 07, 2007

Xiitas vs. sunitas

Na edição semanal do jornal egípcio Al-Ahram encontramos este interessante artigo de opinião sobre a crescente hostilidade entre xiitas e sunitas. Nele se procura caracterizar essa hostilidade como algo que é induzido pelos EUA (a velha máxima de dividir para reinar), dando-se exemplos de atitudes e políticas de várias figuras do mundo muçulmano (de Nasrallah à Arábia Saudita) que demonstrariam que não há nenhuma vontade neste de alimentar hostilidades entre as duas comunidades.
A ser verdade, mais uma vez se constataria a extrema vulnerabilidade dos muçulmanos às manipulações externas o que, a par da facilidade com que se fanatizam as massas islâmicas e a sua quase patológica mania da perseguição, cria um ambiente de conflito sem paralelo em todo o mundo.

A nova religião

A ideologia do Holocausto é uma contrafacção da religião católica, com os seus mártires (os seis milhões), os seus santos (os justos (1)), o seu paraíso (o estado hebraico), os seus anjos defensores da cidade celeste (Tsahal), o seu inferno (os revisionistas, a direita nacional e católica), as suas peregrinações (Auschwitz), os seus clérigos (Simone Veil, Elie Wiesel), o seu memorial (Yad Vashem), as suas punições contra a blasfémia (leis que punem com prisão o negacionismo), as suas tábuas da lei (decisões de Nuremberga), etc.
***
Jérôme Bourbon in Rivarol de 2 de Fevereiro de 2007.
***
(1) "Justos" é o termo empregue pelos judeus para designar os não-judeus que ajudaram judeus durante as perseguições hitlerianas.

terça-feira, março 06, 2007

Atrocidades israelitas reveladas

Um documentário recentemente exibido na televisão israelita está a incendiar o ambiente no Egipto. O referido programa revela que o exército israelita terá liquidado 250 prisioneiros de guerra egípcios no final da Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Israel, naturalmente, fala de deturpação da realidade. O que é certo é que estas alegações não são novas e inclusivamente um general israelita reformado reconheceu há uns anos ter ele próprio ordenado a morte de 49 prisioneiros. Certamente em legítima defesa...

Violência escolar

O Ministério da Educação anda preocupado com a violência escolar. A isto não serão alheias as agressões a professores ocorridas recentemente. Repercutidas nas televisões, causam má publicidade à educação deste país, vendo-se o Governo obrigado a intervir, pelo menos em palavras.
Uma secretária de Estado da Educação do governo Guterres achava "normal" que um aluno enfrentasse um professor pois isso fazia "parte da irreverência juvenil". Não é necessário perguntar à sra. Ana Benavente que opinião tem do Maio de 68! Gerações de políticos e ideólogos esquerdistas defenderam a ideia de acabar com a "repressão" dos professores, "abrindo" a escola à "participação" e "intervenção" de alunos e pais (as aspas referem-se a termos mágicos para tão idílicos utopistas).
Hoje, que temos? Uma escola que ensina pouco e mal (outrora, com a 4ª Classe um aluno sabia ler, escrever e fazer contas correctamente); alunos que não sentem respeito pelos professores e pouco estímulo têm para aprender; "participação" em lugar de disciplina; "inovação" em lugar de esforço; professores pressionados por todos os lados: alunos, pais, ministério (o stress na classe é enorme, sendo as baixas por depressão em grande número).
Se a escola de um país é o reflexo do seu futuro, então este é, para Portugal, bem negro.

segunda-feira, março 05, 2007

Andebol do Belenenses em grande

Sempre gostei muito de andebol, desporto que exige tanto de força como de habilidade, técnica, subtileza, inteligência, espírito de equipa - um desporto completo, em suma.
É de todos conhecida a grande tradição do C. F. "Os Belenenses" nesta modalidade. Em miúdo vi grandes jogos, retendo na memória confrontos épicos com o Sporting. Hernâni, Espadinha, Zé Manel são alguns dos nomes mais em destaque no final dos anos 70.
O último título nacional data de 1995, após confronto épico com o outro candidato, o S. L. Benfica.
Para esta época, que marca o regresso dos outros grandes de Lisboa ao campeonato nacional, poucos vaticinavam grandes feitos para o Belenenses, que perdera alguns jogadores influentes para o Sporting, bem como o treinador. O plantel, à excepção do experiente Pedro Matias, do extraordinário guarda-redes Humberto Gomes e de João Pinto (coqueluche dos adeptos), é composto sobretudo por jovens: uns campeões nacionais de júniores há dois anos pelo Belém (só com vitórias!), outros oriundos das divisões secundárias. Até o professor João Florêncio, novo treinador, se estreia na Liga!
Contra todas as expectativas, esta equipa está a fazer uma época soberba, não largando a liderança do campeonato desde a primeira jornada. Ontem, contra o FC Porto, mais um espectáculo inesquecível, se não bem jogado, pelo menos emotivo e disputado até ao último segundo (literalmente). A perder por 5 golos a menos de 10 minutos do fim, os rapazes da Cruz de Cristo deram tudo e, perante um pavilhão em delírio, ganharam por 24-23, com um golo de Nelson Pina a ditar a vitória a minuto e meio do fim.
Digo-vos que nunca vivi uma época de Belenenses tão intensamente como este ano. Pese a boa e inesperada campanha do futebol, é no andebol que o meu entusiasmo e a minha paixão residem.
Desporto é alienação? Vejam aqueles rapazes darem o exemplo de esforço e dedicação a um ideal colectivo e depois falem comigo.

domingo, março 04, 2007

Manifestação contra Putin

Saúdo a coragem de alguns milhares de manifestantes que, nas ruas de Moscovo, se pronunciaram contra o férreo controlo do país por parte de Vladimir Putin. Com este no poder, a Rússia tornou-se uma coutada dos serviços secretos, de cujos quadros são originários mais de dois terços dos altos funcionários públicos e gestores de empresas públicas - em suma: quem decide da política governamental e quem gere os recursos do grande país. O presidente, também ele ex-KGB, vai gozando do beneplácito dos cobardes governos europeus, dispostos a todas as concessões por receio de retaliações ao nível do fornecimento de energia, como a Ucrânia e a pequena Geórgia já sentiram na pele. A sinistra figura goza ainda do beneplácito de muita gente que confunde autoridade com autoritarismo e (suposta) independência face aos EUA como uma virtude por si só.
Fala-se na hipótese de Gary Kasparov vir a ser candidato às próximas presidenciais. As chances de quebrar o monopólio do poder dos serviços secretos são, neste momento, quase tantas como as de um simples mortal bater o grande campeão de xadrez.

Novas funcionalidades no Blogger

O aspecto renovado deste blogue deve-se a eu ter feito um upgrade do template após adopção do "beta". Tal permite acabar com o maçador e limitador "edit HTML", podendo-se gerir o aspecto do blogue mais facilmente: mudar as cores, alterar os favoritos (geridos por blocos, que se podem mover com o rato), gestão das ligações, etc. Em resumo: o Blogger tornou-se amigo do utilizador. Experimentem, que vale a pena.

quinta-feira, março 01, 2007

O perigo das estatísticas étnicas

(Desenho de Chard em Rivarol.)

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Benito Mussolini


«Mussolini não era um covarde. Amava a sua família, amava acima de tudo a sua pobre mãe e o seu pobre pai, revolucionário sincero e destemido que nunca teve sorte na vida. Respeitava o Papa e, apesar de tudo, obedecia ao Rei. Mas se havia alguém que admirava e, quando era uma star dos jornais detodo o Mundo, guardava um silêncio de respeito e admiração, era Ghandi.»
«Estava na Política para combater, como um homem dos operários e dos camponeses donde saíra. Mas não gostava de esmagar, quando vencia. A maior parte dos oposicionistas políticos que não atentaram pessoalmente contra ele, a família ou alguns dos amigos mais chegados, da trincheira social e da trincheira da guerra, deixou-os sair do país sem lhes tocar num cabelo. Ajudou alguns, discretamente, quando estavam no exílio. Um deles, dirigente comunista histórico, decidiu morrer com ele, em Saló. Niccoló Bombacci morreu em frente ao Lago de Como como os outros fascistas. Enquanto uns se lvantavam do chão ainda de braço estendido, Bombacci morreu de punho erguido gritando "Viva Mussolini, Viva o Socialismo!"»
«(...) continua vivo no coração de milhões de pessoas. Só houve uma vez na História que a Máfia teve medo de alguém. Foi com Benito.»
***
(Um texto magnífico no "Duas Cidades".)

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Memórias ideológicas (conclusão)

Na formação do meu ideário o sentimento da portugalidade ocupa um lugar essencial. Não se trata aqui de listar autores que reflectiram sobre o mesmo, de tal forma são mais ou menos de todos vós conhecidos. O que quero aqui abordar é a necessidade daquele sentimento.
Há vinte anos não seria necessário gastar muitas linhas para frisar a associação biunívoca portugalidade-nacionalismo. Entretanto, surgiu uma nova geração mais urbana (em todos os sentidos da palavra), mais aberta aos movimentos europeus e, infelizmente, menos preocupada em estudar a nossa história, a nossa cultura, o sentir português. Mal se apercebem de como são também um fruto da política (des)educativa das últimas décadas, que relegou o estudo da história e cultura pátrias para segundo plano, em favor de abordagens "europeias".
Sem conhecimento do passado, da nossa cultura, da nossa língua (e que mal se fala e escreve hoje em dia) não há futuro para Portugal como nação livre e soberana. É por o saberem que os dinamitadores culturais destruiram a forma tradicional de ensino e mudaram por completo o seu conteúdo, em favor de agendas político-ideológicas esquerdistas e de pendor maçónico. A "direita", como de costume, acomodou-se. Como dizia o outro, "desde que os investimentos corram bem, está tudo bem", o resto são preocupações de idealistas.
Durante a Guerra Fria houve alguma condescendência da direita dos interesses com a direita dos valores dada a luta comum contra o comunismo. Assegurada a derrota deste aquela despiu toda e qualquer veste que semelhasse um corpo de princípios sólidos e a direita dos valores ficou marginalizada e equiparada a um bando de extremistas parados no tempo.
Os anos 80, que marcaram o fim da minha adolescência, foram uma década propícia para analisar esta transição, ficando claro que a defesa sincera de Portugal estava limitada à tal meia dúzia de idealistas. É espantoso constatar, por exemplo, como na altura os colunistas de esquerda se lamentavam da marginalização a que a música de um José Afonso estava sujeita nas rádios! A queda do Muro de Berlim e o surgimento de uma "nova esquerda" (que difere da "velha" por uma questão táctica de não defender abertamente ditaduras da sua cor e por albergar a defesa de "questões fracturantes), um ror de vezes em concubinato aberto com a esquerda tradicional e os seus jornais, literalmente por ela tomados de assalto, explicam uma parte do problema; a retórica soarista do "direito à indignação" e a ascensão de Jorge Sampaio à presidência, com a sua agenda de esquerda bem marcada, também contribuíram para o actual estado de coisas. Por fim, a criação do BE, pondo fim à histórica disseminação partidária da extrema esquerda e conseguindo cativar a juventude da classe média (e não só), compôs o quadro.
A tudo isto fui assistindo, num crescendo de inquietação. Parece hoje coisa de um passado distante mas ainda na década de 80 era possível ver, como comentadores de telejornais, os grandes Manuel Maria Múrias e Franco Nogueira! Que defendiam, perante a minha admiração de jovem, o Portugal eterno e verberavam o Portugal moderno. Ou haver colóquios (como foi o caso em 1990) na Universidade Lusíada moderados por Jaime Nogueira Pinto, em que durante duas manhãs se abordava o legado do "presidente Salazar", com intervenções entre outros do citado Franco Nogueira e de Kaúlza de Arriaga! E com chamada de primeira página no extinto "O Dia" (curiosamente apareço na fotografia da primeira página, entre a assistência)!
***
Esta análise não podia ficar completa sem umas palavras sobre o MAN. Observei o movimento à distância e quase sempre sob a óptica da imprensa que lhe era hostil. Li o jornal "Ofensiva" (que se vendia nas bancas de jornais!) e gostei de algumas coisas que li. No entanto, já na altura a agenda racialista era notória no movimento nacionalista; e se o risco de desagregação nacional sob o influxo de imigrantes em massa é sempre de ter em conta, inquietou-me o uso retórico da agenda racial, pela fácil demonização que isso propiciaria ao sistema e pela amálgama que seria igualmente fácil de fazer entre nacionalismo e racismo puro e simples. A partir do momento em que se passa para a opinião pública que nacionalismo = racismo está inviabilizada qualquer hipótese de crescimento sério do movimento. Será que este aprendeu a lição?

domingo, fevereiro 25, 2007

As Vidas dos Outros

Vi ontem o filme "As Vidas dos Outros", que recomendo vivamente. O filme aborda o controlo férreo que a Stasi exercia nas vidas de todos os cidadãos da RDA. Não é uma análise maniqueísta, antes o retrato sereno da intrusão da sinistra polícia política na intimidade de cada um.
Um escritor, "o nosso único escritor não subversivo que tem sucesso no Ocidente", até aí insuspeito, torna-se alvo de escutas porque um ministro cobiça a sua mulher, uma actriz, e busca qualquer pretexto para arruinar a carreira daquele. Como encarará tudo isto um alto funcionário da Stasi, imbuído da responsabilidade de "defender o socialismo dos seus inimigos"? Como é que a sua "ética" profissional se coadunará com o abuso que permite o controlo das vidas dos outros?
Este é o ponto de partida para uma película fascinante, muito bem dirigida e interpretada, que nos faz mergulhar num universo crepuscular, a que as cores frias da cuidada fotografia acrescentam um dramatismo suplementar.
Quando estive em Berlim, há ano e meio, relatei-vos a estranheza que me causou a quase ausência de referências a um passado (o comunista) tão próximo de nós em termos temporais. Sem dúvida que obras como este filme ajudam um pouco a colmatar tão escandalosa omissão por parte dos actuais governantes alemães.
Com o risco de me repetir: não percam o filme "As Vidas dos Outros".

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Memórias ideológicas (2)

Estas notas mais não pretendem que dar uma ideia sobre a minha evolução ideológica, sem preocupações excessivas com a cronologia ou com a citação exaustiva de autores.
Uma parte importante deste percurso prende-se com a observação dos movimentos políticos nacionalistas de maior sucesso nos anos 80 (década de que saí com 21 anos). E aqui dois partidos há que destacar: o MSI (Movimento Sociale Italiano) e o Front National.
O MSI, que também significa "Mussolini, sei Imortale", não podia deixar de me atrair pela herança clara que o fascismo deixou no movimento, que quase nunca renegou (até ao aggiornamento de Gianfranco Fini, um homem extraordinariamente inteligente, cuja facilidade e rapidez de argumentação em debates na televisão sempre me impressionou, mas que renegou por pura táctica política os princípios de que de certa forma era fiel depositário), mantendo acesa a chama da Terceira Via. O movimento conseguiu por vezes infiltrar-se no sistema e até apoiou alguns governos; nos anos de chumbo foi sempre uma voz a um tempo defensora da melhor tradição e também voz dos italianos abandonados, em especial os do Sul, onde sempre teve votações generosas. A sua transformação em Alleanza Nazionale adulterou o projecto e, claro, serviu o sistema.
O Front National impressionou-me sempre mais pelas votações obtidas que pela coerência ideológica, que raramente teve. A sua ascensão coincide com a traumática vitória de Mitterrand em 1981 e com a progressiva invasão de França pela imigração terceiro-mundista. Sabendo valer-se do chauvinismo francês, o partido cresceu muito à conta da retórica anti-imigração, congregando uma plêiade de tendências inconciliáveis: católicos tradicionalistas, direita social-radical, alguns monárquicos, extrema-direita racista (ou racialista, como preferirem). Ao mesmo tempo, em franco contraste com o MSI, Jean-Marie Le Pen era um declarado liberal em questões económicas, o que não impediu a crescente atracção de operários que se sentiam traídos pelo PCF. O sistema francês soube por um lado defender-se da ascensão do Front - instituindo o sistema maioritário, que privou um partido com uns 15% de votos de ter qualquer representação parlamentar, e criando um "cordão sanitário" que impedia alianças dos partidos tradicionais com os "racistas"; por outro, valendo-se da sua existência para melhor fazer passar as suas teses imigracionistas e favoráveis à miscigenação, por contraste com a mensagem supostamente racista e xenófoba do movimento. A sensação que fica é que o esforço de milhares de militantes, o protesto de milhões de eleitores, teve o efeito contrário ao (legitimamente)pretendido, tendo o sistema dado uma lição de pragmatismo cínico e, claro, fortemente desonesto.
***
(continua)

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Memórias ideológicas

Oriundo da média burguesia urbana, não posso dizer que tenha tido em torno de mim uma cultura ideológica marcante. Os meus pais, como aconteceu com tantos outros, despertaram para a política após o 25 do 4 - e cedo perderam ilusões sobre a partidocracia que desde então nos (des)governou.
Com o espírito inconformista que caracteriza a juventude - e que tantas imprudências acarreta - aderi em espírito ao anarquismo, apreciando especialmente Proudhon, detestando Godwin, execrando o anarco-bombismo dos finais do século XIX e sentindo indiferença perante o individualismo de Stirner. Creio que no fundo sempre tive uma inclinação conservadora, patente na admiração pelo "mundo ideal", honesto e harmonioso, patente nos romances de Júlio Dinis, que reli diversas vezes. Não me surpreendi anos mais tarde quando descobri a admiração que nutria uma facção da Action Française pela obra de Proudhon.
Um dia, não sei bem como, dei por mim a reflectir sobre o fascismo, il vero, não o que a propaganda promove. A tentação do absoluto, a diluição dos conflitos sociais num todo nacional harmonioso, o feroz combate ao comunismo - ideologia que sempre abominei -, a exaltação nacional sem o esmagamento do indivíduo como no nazismo, a compatibilização entre tradição e modernidade - tudo isto contribuiu para uma crescente admiração pelo ventennio, pela figura do Duce e por essa extraordinária aventura que tão mal acabou, marginalizada pelas democracias, subalternizada e descaracterizada pelo nazismo.
Um grande substracto ideológico do meu pensamento veio com a leitura de Charles Maurras, que solidificou a minha instintiva desconfiança face aos regimes democráticos, produtos e servos da plutocracia.
O Integralismo Lusitano, em parte influenciado pelo pensamento do mestre de Martigues, foi uma corrente de renovação nacional, espiritual, cultural e ideológica, nos anos degradantes da I República, que prendeu a minha atenção. Pese a preponderância de António Sardinha no movimento, foi a prosa escorreita e de uma extraordinária limpidez de Luís de Almeida Braga que mais me cativou - e à qual volto recorrentemente.
Desiludido da política, descrente da capacidade da Pátria no seu resgate, triste pela desnacionalização crescente das correntes ditas nacionalistas, no meu íntimo não morre a busca de uma Terceira Via, utópica talvez, não tanto pela desadequação à realidade como pelo peso da ditadura democrática, subordinada ao capital apátrida e prostituída às ideias dissolutas das esquerdas acomodadas ao capitalismo.
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(continua)

domingo, fevereiro 18, 2007

Rodrigo, sempre

O poeta Rodrigo Emílio faria hoje 63 anos. A sua obra tem tido forte divulgação na blogosfera nacional, colmatando em parte a feroz censura de que tem sido alvo desde o fatídico 25/4. A sua morte, faz quase 3 anos, foi a triste ocasião que permitiu a muitos nacionalistas e patriotas desencantados de se reencontrarem e em muitos casos de se conhecerem.
Falo também por mim, que tive o privilégio de conhecer duas dezenas de pessoas incomuns, inconformistas, inconformadas, cultas, leais, muitas delas blogueiros de fina água. As homenagens ao vate, que se iniciaram num restaurante exíguo de Lisboa e continuaram depois no Salão Nobre da SHIP, foram momentos comoventes de reencontro colectivo com a obra do grande português, como Camões poeta e soldado.
Rodrigo, que tanta estima tinha pelos jovens nacionalistas, não deixaria de ficar orgulhoso por ver a comunhão de sentimentos patrióticos entre várias gerações, a perenidade do sentir português, contra ventos e marés adversos. Pela nossa parte não nos esquecemos daquilo que lhe devemos, da sua herança estética, literária - e intransigentemente nacional.

De pequenino se torce o pepino

O meu filho mais velho anda no segundo ano (antiga "segunda classe"). No teste que fez recentemente de "Estudo do Meio" era-lhe posto o problema de dois colegas de turma que pretendiam ser os responsáveis pela biblioteca da escola. As hipóteses eram:
1) Andavam à bulha e quem ganhasse ficava responsável.
2) Havia uma votação.
3) Ganhava quem oferecesse mais doces aos colegas.
4) Era escolhido o mais inteligente.
Julgam que a resposta certa era a 4)? Claro que não, a resposta certa era proceder a uma votação. Mesmo que ganhasse um incapaz, seria sempre uma vitória da democracia! O mais inteligente pode esperar.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Cinco anos de prisão para Zündel

Não conheço os trabalhos de Ernst Zündel nem posso aquilatar sobre o mérito ou não das suas investigações. O que sei é que por lei ele não pode pôr em causa certas "verdades" oficiais e como tal vai penar cinco anos na prisão.
Como tantas vezes tem demonstrado, a democracia proporciona sobretudo a liberdade de... dizer que sim. Quando a história tem que ser imposta à força, ou está mal contada ou está já há muito transformada em instrumento ideológico e deixou de ser uma ciência. Para proveito de...

Subúrbios

No jardim central da Amadora, durante o dia, só se vê praticamente dois grupos de pessoas: negros com menos de 25 anos, brancos com mais de 65. Duas gerações de desocupados.
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O moderno tribunal da Damaia parece um bunker inserido numa zona extremamente degradada, onde praticamente só vivem imigrantes africanos: o Bairro 6 de Maio. Dir-se-ia que a localização se deve ao potencial "mercado de clientes" do palácio de justiça. Um amigo meu que costumava sair na estação da Damaia para ir trabalhar ali perto dizia que nunca tinha sido incomodado - mas que já tinha visto um homem morto jazendo no chão.
Os mercados de rua propõem um pouco de tudo, desde comida africana a objectos de maior ou menor utilidade. Os cabeleireiros afro têm um público-alvo bem definido.
Passando o aqueduto temos a Cova da Moura a poucas centenas de metros.
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Santo António dos Cavaleiros é uma cidade-dormitório do concelho de Loures. Aplica-se-lhe o que Salazar dizia sobre os aglomerados de prédios altos e desengraçados, a que chamava "colmeias". O modelo comunista está perfeitamente exemplificado nesta localidade: uma monotonia urbana igualitarista; um universo cinzento e concentracionário; um conjunto de edifícios altos erguidos nos montes sobranceiros a Loures. A região saloia está ali à porta mas parece quase algo de outro mundo. No vale de Loures ergue-se, infame, o novo shopping, de arquitectura grotesca. Adivinha-se a romaria de cidadãos-consumidores.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Dresden

HNO lembra os 62 anos sobre o bombardeamento da cidade de Dresden pela aviação aliada. Mais de 200.000 pessoas (na sua grande maioria crianças, mulheres e idosos, além de milhares de refugiados que fugiam perante o avanço soviético) pereceram num acto de pura barbárie e selvajaria, sendo conhecido que o objectivo era aterrorizar a população, não havendo qualquer objectivo puramente militar na cidade, o que de resto a carta de Churchill aqui reproduzida confirma, com um cinismo indescritível.
Como escrevi há dois anos atrás, «este horroroso crime de guerra nunca foi punido, pois a justiça (e a história) é exercida pelos vencedores».

Núcleos de resistência

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(Desenho de Chard.)

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O fim de um mundo

Esta não é a nossa época. Lutamos por ideais que parecem varridos pela voragem dos tempos, pelos demolidores de civilizações, pelos totalitários mascarados de democratas e amigos do povo, enfim, a velha história do lobo mascarado de cordeiro.
Aquilo que defendemos, aquilo que era consensual há décadas atrás, é hoje coisa de reaccionários, quiçá extremistas - de gente parada no tempo. Como se a ética e os princípios se devessem moldar às modas da estação. É esse o entendimento da (falta de) classe política que nos desgoverna, que aceita que decisões fundamentais como a que ontem se referendou possam ser tomadas ao acaso da volátil vontade das massas, já de si manipuladas à souhait; ao acaso, até, da inclemência da meteorologia e seus efeitos sobre a inércia dos decisores.
Mesmo que o "não" tivesse vencido, a constatação anterior permaneceria válida, pois a escolha de ontem já diz muito sobre o estado acelerado de degradação a que a civilização chegou. A sociedade está doente, doente não só pela indiferença com que se abdica de certos princípios como também pela apatia e resignação perante a marcha infindável do progresso.
Não queria deixar de saudar todos os que se bateram desinteressadamente pela Vida num contexto adverso. E aproveito para saudar a população de três localidades: uma aldeia, uma vila e uma cidade; Os resultados nelas verificados simbolizam a não abdicação perante a pressão totalitária:
- Arga de Baixo, pequena povoação do concelho de Caminha, distrito de Viana do Castelo, onde o "não" venceu com 97% dos votos;
- Alvaiázere, concelho do distrito de Leiria que continua a demonstrar ser um dos bastiões seguros e firmes do Portugal tradicional;
- e, finalmente, a cidade de Guimarães, símbolo da Nação, e das poucas cidades de média dimensão em que a Vida foi mais votada. Que permaneça, de pé, a lutar por princípios imortais, defendidos também por jovens como este amigo do nosso blogue.

sábado, fevereiro 10, 2007


terça-feira, fevereiro 06, 2007

O candidato do aborto

(Para o meu amigo Corcunda.)

O candidato do aborto
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«Já aqui o dissemos e bastantes vezes mais havemos de o repetir: — sendo o reino da quantidade, a Democracia é o quintal do relativo. Tendo como único valor absoluto o poder indiscutido da vontade maioritária, os outros mais valores que alicerçam a ordem moral, social e política das comunidades, relativizam-se ao sabor da conjuntura e das flutuações da opinião pública. Democraticamente não há nada de indiscutível, coisa nenhuma pode ser um bem ou um mal em si; tudo pode ser votado, tudo é passível de ser discutido e alterado.
Foi nessa base (aliás falseada pelo abuso duma força militar vitoriosa) que se amputou Portugal em 1974; é nessa base que, dominando, completamente os orgãos de intoxicação social, se vai continuar a destruir o que resta da Pátria na sua fisionomia de Estado soberano e no seu espírito de Nação cristã.
Ao escolhermos o mal menor nas últimas eleições legislativas nós escolhemos somente certo modelo de sociedade económica e de regime de propriedade; «metemos na gaveta» (como diria Mário Soares) toda a infinita gama dos valores morais que sempre defendemos, recusando-nos a aceitar que, para além do desenvolvimento material e da liberdade de iniciativa, há muitas coisas que nos transcendem e, na verdade, nos devem dominar a vida em termos dogmáticos e absolutos.
Nós não recusamos o marxismo por ser intrinsecamente perverso e por ser um mal em si; recusámo-lo só porque, além de não nos permitir manter as herdades alentejanas, não nos permite viver com conforto em sociedade de consumo, no desenvolvimento puro, neste laissez faire, laissez passer do capitalismo que, tendo sido a morte suicida do anterior regime, há-de ser, europeisticamente, a morte macaca da soberania nacional.
Discutimos tudo. Discutimos Deus, discutimos a Pátria, discutimos a Família, discutimos a Autoridade e discutimos o Trabalho. O extremo individualismo ou o extremo colectivismo conduzem-nos à tirania; no final do nosso próprio dialéctico acabamos por discutir a liberdade e a vida em função da quantidade que, podendo ser aprioristicamente demarcada, redunda quase sem remissão no totalitarismo — o Estado arvorado em Nação tentando absorver e governar todos os grupos; uma classe apossando-se do aparelho estatal para dominar as outras classes.
É escusado embrenharmo-nos na discussão filosófica dos factos. A realidade concreta convence-nos todos os dias. Momento a momento, no caminho da liberdade material vamos sacrificando a liberdade espiritual — tudo se pode e deve pôr em discussão desde que, no momento histórico, pareça servir de obstáculo à livre circulação das ideias e das coisas, à vontade imperiosa das maiorias circunstanciais, à mitologia do sufrágio universal e cego onde só ganha quem pode manipular os vastos cabedais necessários à orientação unilateral das massas eleitoras.
(...)
Ao defendermos o referendo como útil e indispensável à defesa dos povos contra a prepotência da representatividade política indiscutida durante largo tempo, nós vamos ter que aceitar a discussão constitucional e institucional de tudo o que queiram os senhores do Estado. A lógica doutrinária da democracia relativiza o Bem e o Mal, desde que a maioria transforme o Bem em Mal e o Mal em Bem, nós ficamos indefesos ante os decretos de lei.
Face à lei da maioria não há iniquidades. Como ensinam os maiores constitucionalistas democráticos, a legitimidade define-se como o máximo consenso relativo ponderado em determinado momento histórico. Estado de Direito é o Estado que se rege pela lei que faz; antes do Estado e do seu Direito positivo não há lei nenhuma que se possa opor à vontade das maiorias.
Na armadilha caem os melhores — e caem quase todos os que supõem poder usar a vontade maioritária. Pouco a pouco, de cedência em cedência, na procura do mal material menor, vamo-nos enredilhando na degradação dos valores absolutos; começamos por discutir coisas de somenos para aceitar a discussão do indiscutível.
(...)
Aporrinhado por perguntas numa sessão de esclarecimento para a Juventude Centrista, o general Soares Carneiro, candidato presidencial da Aliança Democrática, depois de ter afirmado a sua oposição pessoal à legalização do aborto, cedeu em dizer poder referendá-lo. Ao chegar aí entrou mecanicamente na lógica dialéctica da principiologia democrática, e cedeu em tudo.
Católico confesso, o general Soares Carneiro não tem o direito de permitir pôr em discussão a bondade política do que, moralmente, é um mal em si. Conforme os ensinamentos do Concílio Vaticano II e mais recentemente ainda conforme as decisões do Sínodo Episcopal sobre a Família agora mesmo encerrado em Roma, são infames as seguintes coisas: — tudo quanto se opõe à vida, como seja toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto e suicídio voluntário... Referendar o aborto é abrir é caminho para o referendo de todos os crimes de assassínio, do mal em si, transformado em bem, ou em mal menor pela vontade maioritária.
Deus, senhor da vida — diz ainda o Vaticano II — confiou aos homens o nobre encargo de a conservar. A vida deve, pois, ser salvaguardada desde o primeiro momento de concepção; o aborto e infanticídio são crimes abomináveis.
Não se referenda a abominação. Não se referenda o que se não pode referendar. Podendo ser politicamente defensável no quadro de uma ideologia materialista a possibilidade do aborto legal — ela é completamente indefensável nos limites do cristianismo — e nós temos de considerar moralmente inelegível para Presidente da República Portuguesa quem põe a vontade circunstancial das maiorias acima dos valores absolutos da moral cristã.
Quem consente dar a escolher ao povo se o homicídio é ou não um mal em si, vai consentir em tudo o mais. Estando à beira da desintegração da soberania nacional por via duma provável integração no Mercado Comum, nós podemos deduzir que quem discute referendariamente o aborto pode vir a discutir pelo mesmo processo a integridade territorial da Pátria, pode desfazer-nos moral e materialmente, pode destruir-nos à pala do valor absoluto duma liberdade formal que, permitindo a alguns a ascensão ao poder através dos mecanismos pavlovianamente condicionantes de espírito duma Nação que, destruída embora, ainda espera viver a vida saudável que os séculos lhe criaram à sombra da cruz de Cristo. (...)»
***
Manuel Maria Múrias, in "A Rua", n.º 229 (30.10.1980), pág. 24.

Alameda Digital

Está já em linha o número 5 desse "espaço de liberdade" que é a Alameda Digital. Prossegue-se a orientação por temas, versando o da presente edição "Segurança e Defesa". Contando com colaboradores de excelente nível, a revista é um caso sério de combate cultural à ditadura esquerdista que nos vem martirizando, e um exemplo de como projectos credíveis, com argumentação e linguagem cuidadas, podem de facto abanar os alicerces da mentira em que nos vêm enredando há décadas.
O corpo de colaboradores engloba vários nomes da blogosfera, entendendo os editores que este vosso escriba também tem lá lugar, tendo eu este mês falado de Shostakovitch e de outra ditadura cultural: a soviética. O texto chama-se "Justiça e Destino".
A ler, reler e divulgar.

Spam

Este palavrão, que até ver não tem termo em Português, ataca todos os que acedem à internet. Durante bastante tempo este blogue permaneceu imune mas nos últimos dias tem sido um "vê se te avias", com comentários do género "you have a nice blog here, congratulations", etc.
A contragosto, lá tive que recorrer à "word verification", essa maçada que nos obriga a inserir caracteres sem nexo quando se escreve um comentário. Aceitem as desculpas da gerência.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Presidenciais francesas

Triste espectáculo, aquele que nos é trazido pelos candidatos tidos como favoritos a entrar na segunda volta das Presidenciais francesas. Tal como há cinco anos, a imprensa já decidiu quem é que vai à segunda volta e nem o "terramoto" lepenista de 2002 contribui para um pouco de pudor entre os fazedores de opinião.
Ségolène e Sarkozy vão, assim, disputar uma segunda volta renhida. Querem-nos fazer crer que os candidatos não poderiam ser mais diferentes: de um lado a "bela" Ségolène, transbordante de charme, capaz de trazer enfim algum pragmatismo ao socialismo francês; do outro, o "duro" Sarkozy, o pró-americano (e pró-israelita), capaz enfim de mostrar a face determinada de uma direita do sistema até aqui incapaz de lidar com a insegurança e com a imigração desregrada.
E, no entanto, uma observação atenta encontrará mais semelhanças que diferenças entre os dois candidatos: em ambos a mesma incapacidade (ou vontade) de identificar a origem dos problemas que afectam um país em marcha acelerada para o abismo (imigração em massa, corrupção endémica, peso do Estado, corporativismo, aversão ao risco e à livre iniciativa); em ambos a mesma retórica balofa sobre a "nova" França, plural, tolerante, mestiça; em ambos, enfim, o oportunismo de par com a hipocrisia, escondendo sob palavras atraentes (?) um único desejo: chegar à cadeira do poder. A França, a civilização ocidental, connais pas.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Datas republicanas


31 de Janeiro e 1 de Fevereiro são datas caras aos republicanos. A primeira evocam-na com emoção, lembrando a tentativa falhada de derrube da monarquia, que teve que esperar mais dezanove anos para ver outro putsch ter sucesso. A segunda evocam-na mais discretamente, pois nenhum quer admitir a filiação do regime instaurado em 5 de Outubro de 1910 num assassínio, ignóbil como todos os assassínios e mais ainda por ter visado a figura de El Rei D. Carlos, um homem bom e que era atacado abominavelmente pela corja que havia jurado derrubar o trono.
Os anos que medeiam entre 1910 e 1926 são do mais degradante que a nossa história conheceu, com o arbítrio da ala esquerda ligada a Afonso Costa, com as exacções da Formiga Branca, com as prisões arbitrárias, com a instabilidade governativa, com a entrada na I Guerra Mundial para dar legitimidade internacional ao regime.
Há 99 anos caíam D. Carlos e seu filho primogénito. Os republicanos rejubilaram com o crime e à família do Buiça nunca faltaram os donativos devidos a quem consumou a tragédia: tragédia humana pela morte das figuras reais e tragédia do país. O cortejo fúnebre acima retratado é bem a imagem do cortejo fúnebre em que a Pátria caíu.