terça-feira, agosto 21, 2007

Medidas de força para com os pedófilos

No dia em que um irmão da ministra da Justiça francesa, Rachida Dati, foi condenado a um ano de prisão por tráfico de droga, multiplicam-se as intervenções em torno da ideia do presidente Sarkozy de endurecer as medidas legislativas para com os pedófilos, mormente a recusa de concessão da liberdade mesmo após o fim da pena e a criação de um hospital fechado para esses doentes.
Como era de esperar, a esquerda mostra-se chocada, revelando uma e outra vez que se preocupa mais com os criminosos que com as vítimas. É possível que as medidas pensadas por Sarkozy sejam inconstitucionais, dado que décadas de demagogia de direitos de homem contribuíram, também a nível jurídico, para expor mais as vítimas e aligeirar a vida dos que violam a lei. Mas são medidas bem positivas porque rompem com o delicodoce politicamente correcto dos direitos do homem que tanto tem contribuído para a perversão das nossas sociedades, no sentido estrito e no sentido da contradição com a lei natural.
Até à data Sarkozy parece mesmo empenhado em romper com a herança funesta do Maio de 68. O que se saúda.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Admirável mundo novo

Um "cientista" italiano afirma que a humanidade será bissexual, já que «o homem está a perder as suas características e tende a transformar-se numa figura sexualmente ambígua, enquanto a mulher está a tornar-se mais masculina. Desta forma a sociedade evolui para um modelo único».
Confundindo ciência com o mais despudorado wishful thinking («as alterações hormonais em homens e mulheres são «o preço que se paga pela evolução natural da espécie, que é positivo porque nasce da busca pela igualdade entre os sexos»), o sr. Umberto Veronesi, médico e ex-ministro da Saúde (!), serve uma agenda político-societal que há muito deixou de ser discreta.
Se o futuro da humanidade não for bissexual, no curto e médio prazo não se safa de ser de uma cretinice atroz.

domingo, agosto 19, 2007

Quatro anos é muito tempo

Este foi um dos primeiros postais que li do Pedro. Descobrir o Último Reduto em Abril de 2004 foi um acontecimento: nesse mês, o Pedro e o Bruno, taco-a-taco, premiaram-nos com postais sem conta sobre o nefasto 25 do 4, sendo que a ironia inteligente dos mesmos constituíu um bálsamo para a poluição das inteligências levada a cabo pela imbecillentsia reinante. Neste postal está muito do autor: culto, mordaz, subtil, conciso. A sua constância de princípios contrasta fortemente com os aggiornamenti dos cobardes e oportunistas que por aí andam (que os há em todas as épocas e regimes), sempre prontos a todas as abdicações.
Passando por diversas adversidades, pessoais e não só, o Pedro cumpre quatro anos a dar uma lição não só aos mais novos como a muitos "velhos" que já "estão noutra", não por uma eventual mudança de perspectivas ocasionada por madura reflexão, mas por falta de carácter e capacidade de enfrentar a enxurrada das maiorias.
Se não é o último reduto, anda lá perto. Está de parabéns.

sábado, agosto 04, 2007

Deambulações...

Aqui fica um registo fotográfico das minhas deambulações de férias. Um doce a quem adivinhar onde se localiza a rua com tão interessante nome... (Clique na imagem para ver a fotografia ampliada.)

Viva "O Sexo dos Anjos"!

Tenho andado arredio da internet por motivo de férias e descanso destas lides. Mas nunca por nunca poderia deixar de saudar o Manuel Azinhal pela passagem dos quatro anos de vida do seu O Sexo dos Anjos, blogue inspirador por excelência de todos os que não desistiram de lutar pelo Portugal Maior, como diria Paiva Couceiro.
Da torreira estremenha para a torreira alentejana um abraço forte para o Manuel.

sábado, julho 28, 2007

"Velha" Frente

Há dois anos escrevia no meu antigo blogue: «O Nova Frente constituiu-se desde logo como um caso muito sério de qualidade e inconformismo, num panorama bem cinzento de politicamente correcto galopante. O estilo muito próprio do Bruno, com uma escrita cativante, viva, criativa e não fazendo economia do vasto e rico vocabulário da nossa tão mal tratada língua, a par de uma cultura literária invejável, conferiram um carácter muito peculiar ao blogue. Por estes motivos não se pode falar de um blogue político, apesar de as opções ideológicas do autor estarem bem patentes. Pelo Nova Frente pairam os "fantasmas" de Céline, Marcel Aymé, Rodrigo Emílio, Eça, Camilo - geniais criadores literários e observadores acutilantes e mordazes da realidade do seu tempo. Mais de uma vez alimentei polémicas com o Bruno, sempre dentro dos limites da cordialidade e sã convivência entre pessoas que se respeitam e prezam uma boa discussão.»
Dois anos depois ele ainda cá está, nesta blogosfera de combate e determinação que ele tanto preza. Tal como o Bruno, também nós estamos de parabéns por poder usufruir do seu talento e inconformismo autêntico.
Para os distraídos, lembremos que o autor já lançou um livro com textos escolhidos de entre os publicados no blogue.

Salazar, sempre presente

Passaram ontem 37 anos sobre a morte de Oliveira Salazar. O estadista que levantou Portugal da decadência ignominiosa em que os partidos da desonra e do estrangeiro o mergulharam dizia o seguinte, na comemoração (em 14 de Agosto de 1935) dos 550 anos da Batalha de Aljubarrota:
«Hoje como então se exige espírito novo para fazer a revolução nacional. O espírito novo é mais fácil encontrá-lo em novos que em velhos, ainda que haja velhos com mocidade de espírito e moços gastos por interesses e preocupações que não costumam ser da sua idade. É, porém, essencial que o espírito da mocidade seja por nós formado no sentido da vocação histórica de Portugal com os exemplos de que é fecunda a História, exemplos de sacrifício, patriotismo, desinteresse, abnegação, valentia, sentimento da dignidade própria, respeito absoluto pela alheia.»
Uma lição permanente.

sexta-feira, julho 27, 2007

Ron Paul, uma esperança para os EUA?

Outsider, iconoclasta, um segunda-linha: alguns dos epítetos dirigidos a Ron Paul, significando que o republicano não tem a mínima hipótese de ser nomeado candidato à presidência pelo partido do elefante. E se calhar não tem mesmo.
Mas este membro da Câmara dos Representantes que votou contra a entrada dos EUA na guerra contra o Iraque é a esperança de muitos americanos que apenas anseiam por que o seu país abrace os seus princípios fundadores, e em particular que o partido republicano renegue o seu caminho recente de irresponsabilidade orçamental, belicismo e atentado às liberdades individuais.
É de salientar que, como congressista, Paul tem sido incansável na defesa dos habitantes do 14º distrito do Texas, pelo qual é eleito. Chega a passar mais de metade de uma semana de trabalho no local, apercebendo-se dos problemas e necessidades da população.
Defende princípios tipicamente (ou que até há anos faziam por merecer o advérbio de modo) conservadores: mercado livre, defesa da vida, abolição do imposto sobre os rendimentos (chegou a redigir uma proposta de lei nesse sentido), anti-intervencionismo e até a saída dos EUA da NATO e das Nações Unidas.
Se servir de indício, o seu nome é há meses um dos mais teclados nas pesquisas dos internautas americanos.

quarta-feira, julho 25, 2007

António Sardinha (1887-1925) - Um Intelectual no Século

Sob o título supra saíu à estampa um volume da autoria de Ana Isabel Sardinha Desvignes dedicado à vida e obra da grande figura do Integralismo Lusitano. Comprei-o no passado fim de semana e à primeira vista parece uma obra bem documentada, com recurso à vasta correspondência trocada entre Sardinha e a sua mulher. Sei que António José de Brito já teceu críticas contundentes à obra e a caução de António Costa Pinto à mesma não é dos melhores augúrios...
Mas pela variedade de fontes documentais e fotografias incluídas no volume vale a pena adquiri-lo. O mais curioso é que há minutos, na Antena 2, foi feita uma breve recensão da obra por... António Manuel Couto Viana! Ainda há boas surpresas nos tempos que correm.

terça-feira, julho 24, 2007

Declarações à Novopress

O espaço de informação nacional Novopress convidou-me a opinar sobre diferentes temas, da blogosfera ao campo mais genérico do combate nacional. O resultado está aqui, sendo bem vindos os vossos comentários.

domingo, julho 22, 2007

O verdadeiro chefe

Para o Réprobo, a propósito de um seu postal, com amizade.
«O que eu sonho, aquilo que muitos de vós sonham comigo, é que no meio de tantas desordens que abalam o mundo ao ponto de nos interrogarmos quando e como é que ele retomará o seu equilíbrio, que se construa em Marrocos um edifício sólido, ordenado e harmonioso; que mostre o espectáculo de um agrupamento de humanidade, em que homens de tão diversas origens, hábitos, profissões e raças, busquem, sem nada abdicar das suas convicções individuais, o alcançar de um ideal comum, de uma razão comum de existência. (...)
Quem mais não é que militar não passa de um mau militar; quem mais não é que professor não passa de um mau professor, quem mais não é que industrial não passa de um mau industrial. O homem completo, aquele que pretende cumprir o seu pleno destino e ser digno de conduzir homens, numa palavra ser um chefe, esse deve ter as suas lanternas abertas para tudo o que faz a felicidade da humanidade.»
(Discursos e textos do Marechal Lyautey incorporados por Robert Brasillach no seu romance "La Conquérante". Tradução: FSantos.)

Cartazes políticos

A imagem que ilustra o postal anterior foi retirada deste site, que contém 68 (!) páginas de reproduções de cartazes políticos do pós-25 de Abril. Lá se encontram preciosidades como as aqui mostradas (carregue na imagem para a aumentar), uma do PS (reparem nos nomes dos participantes no "colóquio sobre auto-gestão"), outra da Nova Monarquia.
O link foi uma amabilidade do Corcunda.


Lei Barreto

Quando era miúdo (8-9 anos) era impossível passar por uma rua de Lisboa sem que se visse escrito "Abaixo a Lei Barreto". A dita foi aprovada há precisamente 30 anos e foi um primeiro golpe mortal para a Reforma Agrária. E mostrou também ao país que a força do PCP era já uma sombra da de dois anos antes.

Contra o aborto

«Cícero (106-43 a.C.) já ensinava: se a vontade dos povos, os decretos dos chefes, as sentenças dos juízes, constituíssem o direito, então para criar o direito ao latrocínio, ao adultério, à falsificação dos testamentos, seria bastante que tais modos de agir tivessem o beneplácito da sociedade (...) por que motivo a lei, podendo transformar uma injúria num direito, não poderia converter o mal num bem?»
Numa altura em que o Brasil se prepara para referendar a legalização do aborto sugere-se a leitura deste artigo, de onde extraí a sábia reflexão ciceriana. Oxalá o país irmão mostre mais sensatez que aquela que o nosso mostrou.

Boletim Evoliano

Está já disponível o nº1 do Boletim Evoliano, subordinado ao tema "A Superação do Fascismo". Nas palavras dos autores, «Evola foi um tradicionalista, um intérprete da Tradição, e fascista apenas na medida em que o Fascismo assumiu aspectos tradicionais.»
Leitura obrigatória, claro.

terça-feira, julho 17, 2007

O triunfo dos porcos?

Antigamente aquilo que vêem na imagem era o que acontecia aos traidores à Pátria, como Miguel de Vasconcelos: a morte, por indecente e má figura. Hoje dá-se-lhes tempo de antena, as suas declarações de despudorado iberismo vêm para as primeiras páginas dos jornais, abrem-se debates sobre o tema, discutindo-se a viabilidade da Pátria como quem discute a evolução do preço do petróleo.
A Quinta Coluna iberista está mais activa que nunca, tem os seus agentes mais ou menos discretos, que vão fazendo a promoção do país vizinho contrapondo-a insidiosamente à crise nacional. Os internacionalistas de sempre, socialistas, ex(?)-comunistas e liberais em busca da eficiência e de "sinergias", estão sempre prontos a abraçar qualquer causa que contribua para a diminuição da soberania nacional. A sua máxima é: tudo o que é nacional é mau. Toca de evocar o iberismo, a União Europeia, a globalização, a abertura (maior ainda) à imigração; não passa um dia em que se não "instrua" as massas nesse sentido; ainda ontem, o DN, jornal de uma coerência impecável pois é a voz do regime seja ele qual for (e não temos tido poucos nos mais de 125 anos de vida que leva a folha), que deu tanto destaque à erva daninha nobelizada, tinha um editorial em que defendia que o futuro de Portugal só estava assegurado se... deixássemos entrar ainda mais catrefas de imigrantes. Nada surge ao acaso, as toupeiras anti-nacionais movimentam-se, os incautos caem na ratoeira e os inconformados são cada vez mais uma minoria, quais índios remetidos a uma reserva.

sexta-feira, julho 13, 2007

Momento eleitoral

Nunca, nos meus blogues, apelei ao voto em quem quer que seja. Antes de mais porque não tenho os meus leitores em tão má conta que tente, paternalisticamente, levá-los a tomar a minha escolha. Depois porque, para mim, eleições é do mais deprimente que há: em lugar de servirem para melhorar a vida da nação e dos seus habitantes, antes perpetuam a miséria moral e material em que são obrigados a viver há algumas décadas; não é o voto da maioria, manipulada pela propaganda, pela chantagem moral e pelos jogos de partidos, que vai permitir o resgate nacional.
Confesso o meu espanto pelo espaço e tempo de antena que a candidatura de José Pinto Coelho tem beneficiado na rádio e na televisão; embora ainda muito longe do espaço concedido aos representantes dos grandes partidos, é uma mudança sensível face ao que era habitual conceder-se ao PNR. JPC tem aproveitado, com mestria, para passar a sua mensagem: longe de ter uma postura agressiva e demagógica à outrance - cliché que normalmente se associa a um líder de um movimento dito de extrema direita -, Pinto Coelho fala pausadamente, apela aos valores que até há uns anos eram os de grande parte da população, denuncia a corrupção, o clientelismo e o completo assalto à máquina de estado por parte dos partidos do sistema. O seu discurso é claro, aqui e ali algo demagógico, talvez um pouco simplista nas soluções que pretenderia aplicar. A mensagem é facilmente apreendida pelo comum dos mortais, farto das fórmulas ocas que nada querem dizer.
As eleições intercalares em Lisboa vão permitir a muita gente exercer um voto de protesto em lugar de aderir à abstenção. Pinto Coelho e Garcia Pereira vão beneficiar desse estado de espírito de parte da população. Muito pouco vai mudar em Lisboa, como muito pouco muda após um escrutínio eleitoral, que é, por definição, um marco de sustentação do regime. Resta ao português fazer como a figura imortalizada por Bordalo Pinheiro - seja nas urnas, seja no sofá ou na praia.

quarta-feira, julho 11, 2007

Corrente literária

De quando em vez lá ressurgem as correntes na net. Desta vez instam-me o Mário e o Réprobo a dizer quais os últimos cinco livros que li ou estou a ler. Inicialmente disse ao Réprobo que já me tinha deixado de correntes, tendo-lhe respondido no seu blogue. Mas enfim, como já são dois os desafiantes aqui fica no Horizonte a relação dos livros que mais recentemente me passaram (ou ainda passam) pelas mãos:
- "Eurico o Presbítero", de Alexandre Herculano;
- "Giulio Cesare", de Martin Jehne;
- "José Antonio, entre odio y amor", de Arnaud Imatz;
- "Jeunesse Immortelle", de Julien Green;
- e a BD "O Refúgio de Kolstov", de Ceppi.
O romance de Herculano há-de ser conhecido de muitos de vós. Estranhamente nunca o tinha lido. Narra a decadência do domínio visigótico na Península e a crescente ameaça islâmica que sobre ela pesa. Uma obra pouco actual, já se vê... O tom é doloroso e plangente, juntando o rigor histórico de um Walter Scott ao desespero romântico de um Goethe. Mas com a originalidade do grande português que foi Herculano.
O segundo é uma biografia de Júlio César que adquiri recentemente em Roma. O leitor fica literalmente preso à descrição das campanhas (eleitorais e militares) do genial estratega romano.
O terceiro é a excelente biografia do líder da Falange. O autor procura analisar a sua carreira sem os preconceitos habituais de esquerda ou direita. Reserva um capítulo de mais de 100 páginas ao estudo da doutrina joseantoniana, estranhamente inserido entre o capítulo que termina com a prisão de José Antonio e o capítulo que narra o envolvimento da Falange na Guerra Civil.
O livro de Julien Green é absolutamente maravilhoso, pela forma elegante e sensível (mas sem espavento) com que o autor lança um olhar sobre dois homens de letras (e não só) ingleses: John Donne e Samuel Taylor Coleridge. A obra é pura poesia em prosa, cada palavra tem um valor próprio e insubstituível, uma verdadeira obra-prima que me entusiasmou como há muito um livro o não fazia. O livro saíu no ano da morte de Green, 1998.
A BD referida é passada no tempo da ex-URSS e narra as peripécias de um anti-herói que tenta entregar uma encomenda política e militarmente sensível e que tem de se haver com toda a sorte de criaturas que circulam nas zonas mais inóspitas do Afeganistão e da Turquia...
Têm agora a incumbência de responder a este inquérito os confrades Lory Boy, JSarto, Flávio Gonçalves, Thoth e Francisco.

terça-feira, julho 10, 2007

Despida para matar...

A calmeirona aí à esquerda não é nenhuma candidata a Bond girl. Trata-se na verdade de um soldado de Tsahal, tal como apresentado por uma campanha de sensibilização do povo americano para o alegado facto de os israelitas serem um povo normal e, como se vê, sexy e pr'á frentex.
Se crêem que esta campanha de quase prostituição da mulher israelita é virgem (passe a expressão), desenganem-se: ainda antes da criação do estado sionista se usaram mulheres em tácticas pouco dignas, no sentido de esbulhar proprietários árabes das suas terras. E ainda hoje o Shin Beth tenta chantagear árabes com o mesmo procedimento.
(A ler, aqui.)

quinta-feira, julho 05, 2007

Nascido em...

O Padre António Vieira dizia que o português tinha um torrão para nascer e todo o mundo para morrer. Pelos tempos que correm, muitos portugueses têm, para nascer, Espanha - ou estradas. Se ao menos os que nos desgovernam fossem morrer para bem longe daqui.

segunda-feira, julho 02, 2007

O estado da blogosfera nacional

Mantendo há quase três anos um blogue, lendo blogues há mais de três, constato que nunca a blogosfera nacional esteve tão em baixo. Quando, em 2004, se discutia acaloradamente os princípios que deviam nortear o nacionalismo português, pese o ruído de quem não gosta tanto de discutir como de gritar as suas ideias e insultar os que se lhe enfrentam, o debate era rei. Caixas de comentários com menos de dez entradas eram raras, os blogueiros escreviam postais quase todos os dias (às vezes mais que uma vez por dia), a mesma frequência com que apareciam novos blogues.
Não sei se por cansaço, se por desistência de manter um diálogo que as mais das vezes tendia a ser de surdos, quase todos se recolheram sobre si, os seus princípios e os seus apoiantes, estabelecendo-se os tão típicos grupinhos dentro do meio: os racialistas, os identitários, os patriotas, os católicos, os neo-pagãos, os saudosos do Estado Novo, os socialistas nacionais. Cada qual com os seus blogues emblemáticos, as suas claques. Tudo muito bem compartimentadinho, dado que o diálogo com "os outros" é entendido como uma perda de tempo. Num meio tradicionalmente diminuto, tornou-se caricatural assistir-se a esta balcanização da blogosfera nacional, com mui poucas pontes lançadas para a outra margem.
Sinto que a blogosfera, como forma de debate de ideias, de divulgação de informações e de afirmação nacional, começa a estar esgotada. Alguns defendem que os fóruns são o melhor sistema para debater ideias na net, mas ao constatar-se a rapidez com que eles se tornam em plataformas de difusão de insultos e até de ódio, é legítima a dúvida.
Creio que espaços como a Alameda Digital devem ganhar terreno. Aí, independentemente das diversas sensibilidades nacionais-patrióticas dos articulistas, pode-se desenvolver um pensamento nacional, divulgar informações regra geral escondidas pelos mass media, promover iniciativas e difundir a cultura que é filtrada pelo politicamente correcto.
Na blogosfera ficarão os mais teimosos - o que em muitos casos é um mérito - mas a qualidade do seu trabalho, ou pelo menos a sua frequência, é uma triste sombra do que foi num passado recente.

quinta-feira, junho 28, 2007

Reflexões sobre Israel e o lobby sionista

Em complemento ao postal anterior poderia dizer, com Jimmy Carter, que «a força militar israelita pode, com o apoio dos EUA, destruir a economia de Gaza, do Líbano e de outros países e provocar grandes danos. Mas, após a destruição, os movimentos de guerrilha sobrevivem e estarão cada vez mais unidos e beneficiarão de um apoio maior». (Texto completo - e indispensável - aqui.)
Também a não perder este tête à tête entre James Petras e Norman Finkelstein sobre o poder do lobby sionista na definição (e acção) da política externa norte-americana.

Israel ao ataque

Desconheço se vamos ter, um ano depois, um verão ainda mais quente que o habitual no Médio Oriente. Agora que a Fatah e o seu todo poderoso chefe da "segurança", Dahlan, foram varridos de Gaza, Israel sente-se mais à vontade para recomeçar os ataques contra um território agora identificado como reduto do Hamas, portanto reduto de terroristas.
Todo o estado-maior israelita deve saber que estas incursões não resolvem o problema do terrorismo nem da segurança de Israel. O que levanta a questão de se saber qual o efectivo objectivo destes ataques, que muito provavelmente será de manter a tensão (pelo terror - este de Estado) e de minar o governo do Hamas.
O Ocidente, sempre pronto a promover a democracia no mundo, em especial no Médio Oriente, logo que o Hamas ganhou as legislativas, fez tudo para o isolar e tornar de facto quase impossível a sua governação. Houvesse ou não intenção de o movimento islâmico procurar alguma via para a paz, ela ficou cortada à partida com a adopção pelo "mundo livre" da agenda israelita. O que também não é nada de novo. Manda quem pode, pode quem manda.

Filipe Ferrer

A morte de Filipe Ferrer, aos 70 anos, constitui uma perda para o teatro nacional. Não acompanhei a sua carreira nos palcos, infelizmente. Dele retenho sobretudo duas participações extraordinárias, uma para televisão e outra para cinema.
Uma série de televisão em quatro episódios, "Pós de Bem-Querer", trouxe-nos um Ferrer na pele de um monárquico durante a I República, sempre ansiando por uma revolução que derrubasse o odioso regime. A caracterização do personagem era um pouco caricatural, politicamente correcto oblige, mas Ferrer deu-lhe corpo com mestria.
O filme "Camarate" de Luís Filipe Rocha denunciou com todo o mérito (argumentativo e cinematográfico) toda a trama que conduziu ao encobrimento daquilo que na verdade constituíu um crime. Filipe Ferrer representava um advogado que tenta levar a filha a conduzir a investigação para além do espírito corporativo e acomodado dos advogados de regime.
Descanse em paz, na sua Faro natal.

sexta-feira, junho 22, 2007

Rapazes de raça branca "abandonados" pelo sistema escolar britânico

Um relatório ontem divulgado mostra que os rapazes de raça branca são os que obtêm os piores resultados escolares na Grã-Bretanha. Após anos de discriminação positiva, com especial incidência na era Blair, o sistema educativo britânico gerou um grupo de jovens ressentidos, que desprezam a escola e que tendem a engrossar as fileiras do desemprego e do crime, como confirma o relatório, cujos resultados podem aqui ser analisados.

quinta-feira, junho 21, 2007

Visto em Roma (conclusão)

(Continuação e conclusão das partes 1 e 2.)
Uma visita a Roma não deve dispensar uma ida à Piazza della Torre Argentina onde, numas ruínas descobertas no início do século XX, se pode ver o local onde foi assassinado Júlio César. (Defronte há uma excelente loja Feltrinelli, a famosa livraria, a melhor das três que visitei.) Infelizmente o local é poiso de alguns marginais e vagabundos (sem-abrigo, como hoje se diz).
Seguindo pelo Corso Vittorio Emanuelle chegamos ao Tevere (Tibre). Do outro lado espera-nos o Vaticano e, um pouco à direita, o Castelo Sant'Angello, que nos inícios foi uma fortaleza mandada construir pelo imperador Adriano.
A bela Via della Conciliazione leva-nos até à Piazza San Pietro. O nome daquela evoca o Tratado de Latrão que, sob os auspícios de Benito Mussolini, efectivou o estatuto do Vaticano e a sua independência, em 1929. A Praça de São Pedro parece menos imponente ao vivo que na televisão, talvez por a ter visto despida de grandes multidões. A arquitectura é imponente e sóbria, em estilo barroco; tendo tido o contributo de variadíssimos artistas, a Basílica é no entanto conhecida pelo contributo primordial de Bernini e de Michelangelo (a cúpula de 160 metros de altura foi por si concebida). Do interior, riquíssimo, destacam-se a Pietà de Michelangelo e o impressionante Baldaquino, de Bernini (na foto), sob o qual se situa o altar, onde só o Papa pode proferir missa, e ele próprio situado sobre o local onde se pensa estar sepultado Pedro. Sugiro uma olhadela a esta página para conhecerem um pouco melhor a Basílica, a sua história e a sua arte.
Infelizmente o meu tempo livre não coincidiu com o horário de visita à capela Sistina e aos Museus do Vaticano, o que muito lastimei. Pude no entanto visitar a sala do Tesouro.
***
A vida em Roma, para o turista, não é necessariamente cara. Pode-se comer bem e não pagar muito e há hotéis para todas as bolsas. O comércio tem preços decentes, nomeadamente as livrarias, com uma pletórica oferta de títulos muito em conta.
Roma não parece estar invadida por imigrantes como, por exemplo, Paris ou Londres. Ao contrário do que acontece nestas cidades, taxistas e empregados de mesa são naturais do país, o que não descaracteriza a cidade aos olhos do turista (e certamente ainda menos aos olhos dos seus habitantes).
Turistas há muitos mas concentrados em três pontos: Vaticano; zona do Coliseu e Fórum; e Fontana di Trevi, claro.
A rede de metro é pouco extensa, há apenas duas linhas; é preferível escolher o autocarro ou andar a pé pois há sempre uma surpresa em cada rua. Foi totalmente sem o planear que dei com a magnífica Coluna de Trajano que, nos seus 40 metros de altura, mostra belos relevos caracterizando a vida do imperador; é hoje encimada não por uma estátua deste (desaparecida no século XVI) mas por uma de Pedro, que não quadra de todo com o monumento. Ao lado podemos ver os Mercados de Trajano e o Fórum de Augusto, mais abaixo, contornando o Capitólio, deparamos com o Teatro de Marcelo e, continuando, chegamos ao Circo Massimo. Daí às Termas de Caracala ou ao Coliseu, Fórum e Palatino é, como já vimos, um passo. Uma quantidade impressionante de monumentos históricos numa área relativamente restrita!
***
Uma menção a Mussolini. Ainda hoje parece haver um culto ao Duce, seja nas barracas que vendem chapéus e toalhas com reproduções de imagens suas, seja em livrarias especializadas ou em lojas de recordações. No entanto, a cidade oficial quase que ignora quem nela governou durante mais de um quinto do século passado. E a sua marca ainda hoje se lá sente: duas das ruas que vão dar ao Coliseu, a Via del Foro Romano e a Via Gregorio foram rasgadas no Ventennio; o bairro residencial EUR, também. Perto do Coliseu, no ponto onde começa a Via Gregorio, ainda se mantém de pé uma coluna mencionando o facto de a rua ter sido construído durante o reinado de Vittorio Emanuelle III, sendo chefe de governo Benito Mussolini. Um esquecimento dos democratas, esta coluna...
***
Por o que me apercebi, a vida cultural romana é intensa mas aparentemente menos que em outras grandes cidades europeias (a fazer fé na informação dos jornais). Abarcando várias épocas, os espectáculos não esquecem os clássicos, nomeadamente Homero e Virgílio, mesmo que em encenações modernas.
É uma cidade magnífica, com monumentalidade, com espaços mais recatados, com bairros pitorescos como Trastevere e - o que não é excepção no panorama europeu - com vastas áreas residenciais feias, sujas e degradadas. Mas essas não ficam na retina.

quarta-feira, junho 20, 2007

Leituras

Muitas e boas leituras nos sites alternativos:
- um retrato de Proudhon, esse anarquista ferozmente anti-marxista e conservador em várias questões sociais (recorde-se como a sua doutrina seduziu algumas franjas da Action Française, que criaram o Cercle Proudhon);
- um relato alucinante do linchamento de Donato Carreta, um infeliz que nem sequer era fascista e que sucumbiu à barbárie das massas fanatizadas pelos comunistas na Itália do pós-guerra;
- todos os textos sobre "Direita e Direitas" no último número da Alameda Digital;
- a destruição de bibliotecas e da vida cultural em Jerusalém (Al-Quds, em árabe) por parte do ocupante sionista.
Boas leituras.

terça-feira, junho 19, 2007

Anti-depressivos e suicídios em alta em Portugal

Grelhas de interpretação:
- PCP: o sistema capitalista conduz à alienação das massas e à degradação das suas condições de vida;
- BE: se ao menos fosse de marijuana...;
- PS: desinformação jornalística;
- PSD: a culpa é de Correia de Campos;
- liberais: se o mercado fosse livre o aumento do consumo seria ainda mais espectacular e a dinamização do segmento de anti-depressivos uma realidade.

domingo, junho 17, 2007

The 51st State of America

Todos sabemos que Tony Blair se comportou como o caniche de Bush aquando da decisão de invadir o Iraque de Saddam Hussein: sabia que não havia armas de destruição maciça naquele país martirizado por uma feroz ditadura e por mais de uma década de embargo económico; pior, foi conivente, senão mesmo parte actuante, na manipulação das informações que davam como certa a existência das ADM.
Agora, qual menino que foi atrás dos grandões da turma, lamenta que os EUA não tivessem convenientemente planeado o pós-invasão do Iraque, o que de resto nem o surpreendeu pois dessa falta de preparação já à época ele suspeitava!
Se a história lhe fizer justiça, Blair dela constará como um criminoso que foi colaborante de uma invasão sem fundamento, que mergulhou um país no caos e na barbárie, tudo para benefício dos dois mais fortes lobbys da política externa norte-americana: o petrolífero e o judaico. Servindo-se da capa democrática como legitimadora daquilo que era ilegítimo, Blair e Bush comportaram-se como dois facínoras da pior espécie. E o mundo ficou um lugar ainda mais inseguro.

Do politburo profundo

O nosso confrade António Balbino Caldeira, do blogue Do Portugal Profundo, está novamente sob a alçada da "justiça" deste podre regime fanaticamente apostado em calar as vozes dissidentes que aqui e ali ainda se fazem ouvir. Tendo já sofrido uma rusga da polícia por motivo do caso Casa Pia, Caldeira é agora incomodado devido ao papel fulcral que teve na revelação da licenciatura "micro-ondas" do primeiro ministro da república portuguesa, um dos membros da União das Repúblicas Soviéticas Europeias.
Daqui segue um abraço de solidariedade para o António, figura cuja perseverança e temeridade são um exemplo para todas as pessoas dignas este país.

Alameda Digital

Está já disponível em linha o 8º número da Alameda Digital, subordinado a um tema que tem pano para mangas: "Direita e Direitas". As rubricas habituais sobre cinema, música e letras, bem como o sempre penetrante editorial de Carlos Bobone, fazem igualmente parte do menú.
Disfrutem.


sexta-feira, junho 15, 2007

Visto em Roma (2)

Benditas as cidades, como Roma, que põem este terrível dilema aos visitantes: que ver? Ou, por outras palavras, que seleccionar de entre a plêiade de monumentos e locais que ela nos oferece? E creiam-me que não foi tarefa fácil proceder a essa selecção. Só levava comigo uma certeza: prioridade absoluta ao Fórum Romano; mais tempo não houvesse, uma visita a esse centro da vida política, jurídica e comercial da Roma antiga afigurava-se-me indispensável. Por aí comecei, portanto.
O Fórum encontra-se situado entre dois locais também emblemáticos: o Capitólio e o Coliseu. Má rês como sou, comecei o passeio umas duas centenas de metros mais a norte, para ver o Pallazzo Venezia, de onde o Duce fazia discursos às massas romanas. Segui para o Capitólio (Campidoglio, em italiano). Este, situado numa colina, representava a autoridade de Roma, caput mundi (cabeça do mundo); de resto, a palavra "capital" tem origem no nome Capitólio. Não vos vou massacrar com detalhes que encontram em qualquer bom guia da cidade, mas deve-se referir a magnífica praça desenhada por Michelangelo, os palácios nela situados e que albergam belos museus. Curiosas também as ruínas de uma insula, ou ilha, essas habitações com escassas condições de conforto, onde habitava a plebe. É interessante constatar como na cidade do Porto ainda hoje se designa por "ilhas" os bairros mais degradados, compostos por casas térreas que regra geral dão para um pátio comum.

Do alto do Capitólio tem-se uma vista soberba sobre o Fórum. Aqui o visitante fica embasbacado perante a imagem em ruínas do que terá sido a magnificência deste local, composto por arcos, templos, colunas, basílicas (que à época não tinham qualquer função religiosa), centros de transacções e recolha de tributos. É difícil seleccionar algo de entre este acervo soberbo, mas referirei: a Casa das Virgens Vestais, sacerdotisas que dedicavam trinta anos da sua vida a manter aceso o fogo sagrado, a vigiar o Paládio (a mítica estátua da deusa Atena), a ensinar as noviças no seu ofício e - claro - a permanecer virgens (sob pena de serem enterradas vivas); e o Arco de Tito, que comemora a vitória deste sobre os judeus, em 68 d.C., que culminou com a queda de Jerusalém e a diáspora judaica. No interior do arco dois belíssimos relevos, retratando o desfile da vitória, vendo-se alguns troféus de guerra, como um candelabro de sete braços.

O Coliseu, apesar do suplício que é circular pelo maralhal de turistas que por lá abunda, merece uma visita demorada. A sua construção foi ordenada por Vespasiano, em 72 d.C.. Como sabem, lá se faziam combates de gladiadores e lutas de animais selvagens. Podia albergar até 70.000 pessoas. O acesso era feito através dos seus magníficos 80 arcos, que circundam todo o edifício.

A sul do Fórum situa-se o Palatino, numa colina muito agradável, de onde brotam diversas fontes de água aparentemente puríssima (ainda não adoeci, portanto...) e que constituía um dos locais mais procurados pelos habitantes mais notáveis da cidade, como o orador Cícero, o poeta Catulo, o imperador Augusto (que viveu sempre em condições modestas) ou os seus espaventosos sucessores Tibério, Calígula e Domiciano. De entre os belíssimos monumentos que se pode visitar merecem menção as Cabanas de Rómulo, ruínas das primeiras construções de Roma, supostamente erigidas no tempo de Rómulo (século IX a.C.).

Mais a sul, as impressionantes Termas de Caracala. Mandadas construir por este imperador em 317 d.C., são uma construção ainda hoje imponente. Podiam receber até 1600 banhistas, havendo, além dos diversos banhos (de água quente, morna e fria) e da piscina, ginásios, galerias de arte, bibliotecas e jardins. É um dos monumentos de Roma que melhor conjuga a magnificência com a quietude (os turistas aparentemente ficam-se pelo Coliseu, perdendo de resto a oportunidade de ver o local onde começava a Via Appia).

O Circo Massimo, no Aventino (área a sudoeste do Palatino e que lhe é adjacente), era o maior estádio da Roma Antiga. As bancadas podiam receber até 300.000 pessoas, que acorriam a ver as corridas de quadrigas (lembram-se de Ben-Hur?), outras competições desportivas e lutas entre animais selvagens. O que terá sido a pista ainda hoje está visível, destacando-se pela sua terra batida em contraste com os relvados circundantes. Por lá andei, tentando imaginar o rumor da multidão, o trote dos cavalos, o choque dos carros...

(continua)

terça-feira, junho 12, 2007

Visto em Roma (1)

De regresso de Roma, proponho-me escrever uns quantos postais sobre aquilo que vi na mais bela cidade do mundo. Como este blogue também procura seguir a actualidade, começarei pelo ambiente político que por lá se vive, seguindo-se então outros postais mais centrados no impressionante património cultural da urbe.
***
A passada semana política foi escaldante em Itália. Primeiro, o escândalo da revelação da pressão exercida por um membro do governo, Visco, para substituir responsáveis da Guarda di Finanzia que investigam estranhos movimentos de fundos para alguns partidos da maioria, em particular o Pds, de D'Alema, antigo primeiro-ministro (e comunista reciclado em social-democrata), que parece deter fundos na América do Sul. A caricatura da edição de sexta-feira de Il Giornale (próximo de Berlusconi) mostrava D'Alema a responder às críticas: ma io sono il ministro dei fondi esteri ("eu sou o ministro dos fundos estrangeiros", trocadilho com ministro dos negócios estrangeiros, cargo que ocupa). O debate no senado foi quente mas a maioria, composta por diversos partidos, dos comunistas (assumidos) aos verdes, passando pelos radicais de Panella e, claro, pelo Pds, aguentou-se. A sua imagem, essa, ficou ainda mais manchada junto da opinião pública. Como escrevia o editorialista do Corriere della Sera: «certas exibições parlamentares dos últimos dias demonstram que certos políticos perderam todo o sentido da realidade e não compreendem os sentimentos que estes espectáculos estão suscitando na sociedade italiana». Qualquer semelhança com o que se passe em outro país latino é pura coincidência...
No sábado, a visita de George Bush. Aparato de segurança impressionante: 18.000, entre polícias e carabinieri. Estavam marcadas duas manifestações de protesto: uma, partindo da Piazza della Repubblica, agregava os chamados "no global", toda a trupe de alter-mundialistas; a outra, na Piazza del Popolo, juntava partidos da maioria, que se queriam demarcar da fórmula apontada na primeira: Prodi = Bush, mas que também não se pode dizer que primasse pela coerência, sendo os seus promotores partidos com membros no governo. Esta última foi um fracasso assumido pelos organizadores: pouco mais manifestantes que polícias...
A primeira estava destinada a ser mais eficaz. Tive o azar supremo de, inadvertidamente, ter aterrado em plena Piazza della Repubblica quando a manif se preparava para arrancar. Não imaginam a tropa: sobretudo malta nova, alguns estilo BE, outros comunistas assumidos, com bandeiras de Cuba e da URSS, t-shirts de Estaline e da Albânia; os carros debitavam, em altos berros, rap e hip-hop. Nenhum sinal distintivo da Itália, a não ser uma t-shirt com os dizeres "Partigiani, sempre". Os jornais do dia seguinte falavam em muita gente embriagada e drogada. Quando finalmente atravessei a turbamulta vi avançar um grosso contingente de forças especiais, com o coração da política italiana: Pallazzo Chigi (residência do primeiro-ministro), Pallazzo Madama (Senado) e Quirinale (residência oficial do presidente, actualmente outro comunista reciclado: Giorgio Napolitano).
Nessa área havia barreiras diversas, encontrando-se encerrado o trânsito de veículos e peões. O metro também estava fechado. Um verdadeiro ambiente de estado de sítio. Só soube à noite que a manif não terminou de forma pacífica: cerca de 300 anarcas (segundo a imprensa, pertencentes ao grupo Disobidienti, do nordeste) confrontaram-se com a polícia, partiram vidros da Banca di Roma e da Banca Intesa e semearam o caos entre o Corso Vitor Emmanuelle II e a mui turística Piazza Navona, onde ficaram cercados pelas forças da ordem. Turistas em pânico tentavam fugir para lugar seguro. As instruções eram, no entanto de contenção, tendo sido mais os feridos do lado dos defensores da ordem que dos rufias. Prisões, apenas sete, em que se incluíam dois estrangeiros. Passei pela zona meia hora depois do caos, desconhecendo completamente o que se passara... Nos jornais de domingo fiquei a saber que a escumalha até profanara (na noite anterior) uma placa de homenagem a Aldo Moro e aos seus cinco guardas que foram liquidados na altura do rapto, nela escrevendo "Bush igual a Moro". A boçalidade a conviver com a indignidade. Soube também que a polícia retirara um cartaz dos manifestantes que, singelamente, dizia Noi e le talibani ("Estamos com os talibã). Palavras para quê?
Quanto à visita propriamente dita, decorreu dentro da maior cordialidade entre representantes de países da Nato, declarando Bush que "Prodi é um amigo". Mas como "old loves die hard", o presidente ianque, após o protocolo oficial, arranjou quase uma hora para estar com o seu velho amigo Silvio Berlusconi... Pelo meio, algumas gaffes, em particular na recepção no Vaticano (de manhã), quando tratou Bento XVI por "Sir" em vez de "Your Holiness" (a conversa decorreu em Inglês). Mais cómico foi o facto de a limusina de Bush não ter podido penetrar na área da embaixada por ser demasiado comprida!

terça-feira, junho 05, 2007

O triunfo dos hebreus

Só na aparência é que os dois textos que se seguem são antagónicos. Um, uma entrevista a Yuri Slezkine, o autor de "The Jewish Century", é aparentemente apologético da gesta hebraica e defende que todos nos tornámos (simbolicamente) judeus, ou seja, que adoptámos o seu estilo de vida e os seus valores: primado da razão, mobilidade, intelectualidade, agitação, desenraízamento, abolição das fronteiras.
O outro tem mais de cem anos e é uma reflexão de Dostoievsky sobre os hebreus, na qual o grande escritor desmonta alguns dos mitos de que o "povo eleito" gosta de se rodear. A certo passo afirma: «E o resultado de tudo isso é que o seu [dos hebreus] reino se aproxima, o seu reino completo! Inicia-se o triunfo daquelas ideias ante as quais deverão inclinar-se os sentimentos de amor à humanidade, de ânsia de verdade, os sentimentos cristãos e os nacionais e até o orgulho étnico dos povos europeus. Triunfa o materialismo, a cega, voraz, cobiça do bem-estar material para a própria pessoa e o empenho de entesourar dinheiro com o mesmo fim - tudo isso reconhecido como finalidade suprema, como razoável, como liberdade, em lugar da ideia cristã de salvação, apenas pela união rigidamente ética e fraterna dos homens.» O autor frisa que «eu não me refiro a homens bons e maus. E não há também entre os Hebreus homens bons? Teria sido um mau homem o falecido James Rothschild! Eu falo aqui em geral do judaísmo e da ideia judaica, que invade o mundo todo em lugar do "fracassado" cristianismo».
Por isso seria bom que houvesse uma reflexão sobre este texto, longo mas fundamental, e que os leitores, atendo-se aos factos e despindo-se de preconceitos, o comentassem.
***
«É natural que seja muito difícil penetrar na chave da velha história de quarenta séculos de um povo como os Hebreus; não sei. Mas sei, sim, e muito bem, uma coisa: que no Mundo todo não há outro povo que tanto se lamente do seu destino, que tão constantemente, a cada passo e a cada palavra, se esteja queixando da sua degradação, das suas dores, do seu martírio, como o povo hebreu. Qualquer pessoa acreditaria que não são eles que dominam a Europa. Ainda que apenas o façam da Bolsa, é um facto que governam a política, os assuntos internos, a moral dos Estados. Poderá ter morrido Goldstein pela ideia eslava; mas há muito tempo que a questão estaria resolvida já a favor dos Eslavos se a ideia judaica não tivesse tanta força no mundo. Disposto estou a acreditar que é possível que lorde Beaconsfield haja esquecido a sua ascendência judaica-espanhola (com certeza que a não terá esquecido); mas que nos últimos anos conduziu a política "conservadora" britânica do ponto de vista judaico, isso está fora de questão. Mas suponhamos que tudo quanto eu disse até aqui sobre os Hebreus é uma objecção sem importância...; eu próprio o concedo. Apesar de tudo, não posso crer sem repugnância nesse clamor dos Hebreus; não posso acreditar que os tenham humilhado e atormentado e açoitado tanto quanto dizem. Na minha opinião, o mujique russo e em geral o povo baixo russo têm de carregar aos ombros fardos mais pesados do que os Hebreus. Numa segunda carta, escreve-me o autor da primeira que transcrevi: "Antes de mais é absolutamente necessário que nos concedam a nós (os Hebreus) todos os direitos civis (pense que até hoje se nos nega o principal direito: a livre eleição do lugar de residência, de onde resulta um nunca acabar de consequências terríveis para a grande massa dos hebreus), direitos civis iguais aos de que gozam todos os alienígenas na Rússia e depois disso já poderá pedir-se-nos que cumpramos com todos os deveres tanto com o Estado como para com o povo russo..." Mas eu peço-lhe a si também, meu caro senhor, que tenha em conta que na segunda página dessa carta é o senhor mesmo quem escreve que lhe "inspira mais carinho e compaixão do que o Hebreu esse povo russo que tanto trabalha" (o que não é pouco na boca de um hebreu), não se esqueça o senhor de que na época em que o Hebreu não tinha direito a eleger livremente a sua residência, vinte e três milhões desse "povo russo que tanto trabalha" vivia e sofria em escravidão, o que, na minha opinião, era um pouco pior. E ter-se-iam apiedado alguma vez os Hebreus? Creio que não; no Oeste e Sul da Rússia poder-lhe-ão responder com toda a espécie de pormenores. Também por aquele tempo clamavam os Hebreus por direitos que o povo russo não tinha; punham o seu clamor no céu e chamavam-se mártires e diziam também que, quando lhe tivessem concedido plenitude de direitos, então poderiam pedir-lhes "o cumprimento de todos os deveres para com o Estado e o povo Russo". Mas veio o libertador e emancipou os camponeses russos e quem foi o primeiro a precipitar-se sobre eles como sobre uma vítima? Quem soube aproveitar-se tão bem das suas fraquezas e defeitos em proveito próprio?... Quem se deu pressa em envolvê-los nas suas eternas redes de oiro?... Quem se precipitou enquanto pôde, a suplantar os seus antigos senhores, com a diferença de que os proprietários fundiários de outrora, se era certo que exploravam e bastante o mujique, tinham, contudo, o cuidado de não arruinarem por completo os seus servos, como faz o Hebreu, ainda que fosse por interesse próprio, para não esgotar a sua capacidade de trabalho? Mas o Hebreu que se lhe importa de esgotar a força russa? Desde que obtenha o que pretende, o resto é o menos. Já sei que quando lerem isto os hebreus se porão a protestar, dizendo que não é verdade, que os calunio, que minto, que dou crédito a todas estas calúnias, porque não conheço os seus "quarenta séculos de história", a história desses anjos puros, que são incomparavelmente mais morais que todos os outros povos juntos da Terra, para nada dizermos do russo deificado por mim. Extraio isto da carta que cito mais acima. Pois muito bem; poderão ser mais morais que todos os outros povos juntos da Terra, para nada dizermos do Russo; mas eu acabo de ler no número de Março do Mensageiro Europeu que na América do Norte (nos Estados do Sul) os hebreus se lançaram sobre os recém-emancipados negros e agora os dominam de uma maneira muito diferente da dos antigos donos das plantações. Naturalmente que o fazem valendo-se da sua eterna "rede de oiro"... com uma arte excelente para se aproveitarem da ignorância e dos vícios do povo que tratam de espoliar. Ao ler isto pensei que há cinco anos atrás esta notícia me teria colhido de surpresa: "Agora já estão emancipados os negros dos donos dos engenhos; mas, como irão eles quedar-se imunes no futuro, se, em seguida, cairão sobre o tenro cordeirinho pascal os hebreus que no mundo tanto abundam?" Assim pensava eu há cinco anos, e garanto-lhe que de há cinco anos para cá me perguntei a mim próprio com frequência: "Porque será que na América do Norte não se fala dos judeus, que os jornais não dizem nada dos negros? E no entanto esses escravos são um verdadeiro tesouro para os hebreus. Como é que eles os irão respeitar?" Pois muito bem, eles aí estão. E vai para dez dias lia eu no Novo Tempo uma informação de Kovno, que é também muito característica: "Os hebreus -dizia esse diário - arruinaram quase toda a população lituana com a aguardente, e, só graças aos padres católicos, com as suas admoestações e as penas do inferno e a formação de associações de temperança se conseguiu salvar essa pobre gente de desgraças maiores". O culto correspondente envergonha-se de que o seu povo continue a acreditar nos padres e nas penas do inferno e sem mais aquelas acrescenta que, além dos curas, se uniram também os capitalistas para fundarem bancos agrícolas "a fim de libertar o povo das garras do usurário hebreu", bem como mercados, onde "o pobre camponês que tanto trabalha" possa comprar as coisas necessárias por um preço módico e não pelo que o Hebreu lhes impõe. Limito-me a reproduzir o que li; mas de antemão sei o que me vão responder: "Tudo isso não demonstra nada e é apenas o resultado de os Hebreus serem pobres e estarem muito oprimidos; tudo isso mais não é que "luta pela existência" - coisa que só um leitor de curtas vistas deixará de ver -, e se os israelitas, em vez de serem tão pobres, fossem ricos, mostrar-se-iam tão humanos que todo o mundo se espantaria." Mas, em primeiro lugar, tanto esses negros como esses lituanos são ainda mais pobres do que os hebreus que os espremem até mais não poderem, e no entanto - leia-se a informação citada - abominam esse género de comércio a que é tão dado o Hebreu.
Aliás, não é nada difícil portar-se uma pessoa moral e humanamente quando está farta e quente; mas, quando intervier um poucochinho de "luta pela existência", não se aproximem do Hebreu!(...) Mas os hebreus queixam-se sempre de ódio e perseguições. Ainda que eu não conheça a maneira de viver dos hebreus sei, em compensação, uma coisa, e disso quero dar testemunho diante de toda a gente: que o nosso camponês ingénuo não está animado de um ódio apriorístico, surdo, religioso, baseado nisso de que "Judas vendeu Cristo". Quando muito, poderão ouvir-se algumas vezes essas palavras na boca de crianças ou de bêbados; mas o nosso povo, repito-o, olha para o Hebreu sem ódio preconcebido. Eu vivi com o povo num mesmo pavilhão e dormi nos seus próprios catres. Havia ali alguns hebreus e ninguém os desprezava, nem os repelia, nem os perseguia. Quando rezavam - e os Hebreus rezam com grande espavento e vestem-se para isso de forma especial - ninguém se admirava ou se sentia incomodado ou se ria, o que, afinal, podia acontecer, nada mais natural, penso eu, da parte dum povo tão "inculto" como o russo. Pelo contrário, ao verem rezar os Hebreus, diziam: "Rezam desta maneira porque assim o manda o seu credo", e com toda a calma, quase com assentimento, passavam de largo. Em compensação esses mesmos hebreus comportavam-se como estranhos para com esses mesmos russos, não queriam comer com eles e olhavam-nos quase de cima do ombro. E isto onde? Pois num presídio siberiano. Sobretudo mostravam sempre asco e repugnância pelo povo russo "indígena". O mesmo acontece nos quartéis e em toda a parte, por toda a Rússia. Averigue-se se o hebreu nos quartéis, enquanto hebreu, a propósito da sua fé ou dos seus costumes, é objecto de algum vexame. Posso garantir que nos quartéis, como em todas as outras partes, o russo da classe baixa compreende de sobra que o Hebreu não quer comer com ele, que tem desprezo por ele e o evita quanto pode (os próprios Hebreus o reconhecem). E que sucede? Que em vez de se dar por ofendido de um tal comportamento, o russo do povo diz consigo, tranquila e discretamente: "procede assim, porque assim o manda a sua religião", quer dizer, não porque seja mau. E assim que se capacita dessa razão profunda logo o absolve de todo o seu coração. Pois bem: mais do que uma vez me tenho perguntado a mim próprio o que aconteceria se na Rússia houvesse três milhões de russos e oitenta milhões de hebreus, ao contrário do que actualmente acontece. Que fariam os últimos aos primeiros, como os tratariam? Conceder-lhes-iam sequer, aproximadamente, os mesmos direitos? Não os reconduziriam pura e simplesmente à escravidão? O que ainda seria pior: não lhes arrancariam a pele? Não os exterminariam por completo, nãos os destruiriam pela raiz, como, segundo a sua velha história, o fizeram com outros povos? Não, garanto-lhe que o povo russo não tem nenhum ódio preconcebido contra os Hebreus. (...) Oh! Evidentemente que em todos os tempos fez o homem um ídolo do materialismo e sempre tendeu a ver e a cifrar a liberdade na sua segurança própria mediante o "ouro com todas as suas forças invocado e por todos os meios defendido". Mas nunca se viram esses sentimentos elevados tão franca e dogmaticamente à categoria de princípio supremo como no nosso século XIX. "Cada um para si e só para si, e toda a comunidade dos homens só em meu proveito"; eis aqui o princípio moral da maioria dos homens de hoje em dia e não já os piores, mas dos homens que trabalham e não matam nem roubam. E a falta de piedade para com as massas inferiores, a ruína da fraternidade, a exploração do pobre pelo rico -oh!, isto, naturalmente já existiu antes e sempre! -, mas não se tinha convertido numa verdade e numa filosofia, pelo contrário, o cristianismo deu-lhe constantemente batalha. Enquanto agora, pelo contrário, está erigido em virtude. Por isso pode supor-se que não deixou de influir neste estado de coisas o facto de os Hebreus dominarem ali (na Europa) as Bolsas e manejarem os capitais a seu talento, e concederem créditos, e, repito-o, serem os amos de toda a política internacional. E o resultado de tudo isso é que o seu reino se aproxima, o seu reino completo! Inicia-se o triunfo daquelas ideias ante as quais deverão inclinar-se os sentimentos de amor à humanidade, de ânsia de verdade, os sentimentos cristãos e os nacionais e até o orgulho étnico dos povos europeus. Triunfa o materialismo, a cega, voraz, cobiça do bem-estar material para a própria pessoa e o empenho de entesourar dinheiro com o mesmo fim - tudo isso reconhecido como finalidade suprema, como razoável, como liberdade, em lugar da ideia cristã de salvação, apenas pela união rigidamente ética e fraterna dos homens. Talvez me respondam a isto com um sorriso, que isso se não deve de maneira nenhuma aos Hebreus. Claro que não apenas aos Hebreus; mas, tendo em conta que os Hebreus da Europa, a partir precisamente do dia em que esses novos princípios obtiveram ali a vitória, preponderam, inclusivamente, na massa e que as suas normas foram erigidas em princípio moral, pode muito bem afirmar-se que o judaísmo teve em tudo isso uma grande influência. Os meus contraditores vêm sempre com a mesma cantiga de que os hebreus são pobres e isso em toda a parte, ainda que de forma especial na Rússia; que só a rama dessa árvore popular é rica, os banqueiros e os Reis da Bolsa, enquanto quase as nove décimas partes dos outros são literalmente uns mendigos, que se guerreiam por um pedaço de pão e por um copeque lutam até mais não poder. Sim, tudo isso está certo; mas que quer dizer no fim de contas? Não quererá dizer precisamente que até no trabalho dos hebreus, até na sua exploradora actuação, há seja o que for de injusto, de anormal e antinatural que em si mesmo traz o seu castigo? O Hebreu procura o seu lucro em negócios de agiotagem... e comercia com o trabalho alheio. Mas nada disto altera um ápice o que fica dito; em compensação, os hebreus ricos dominam cada vez mais a humanidade e esforçam-se com zelo crescente por imprimir ao mundo uma face hebraica e comunicar-lhe a sua essência. Quando se traz à colação esta qualidade dos Hebreus, sempre acabam por dizer que também entre eles há pessoas boas. Santo Deus! Mas trata-se aqui disso? Eu não me refiro a homens bons e maus. E não há também entre os Hebreus homens bons? Teria sido um mau homem o falecido James Rothschild! Eu falo aqui em geral do judaísmo e da ideia judaica, que invade o mundo todo em lugar do "fracassado" cristianismo.»
Dostoievski, "Diário de um escritor".

domingo, junho 03, 2007

Donas e raínhas

A exemplo do Hospital de Santa Maria, também em Lisboa, em cuja entrada consta uma placa com a data de inauguração (em pleno Estado Novo) mas em que foi suprimido o nome de quem presidiu à inauguração, também o Hospital dito de D. Estefânia parece conviver mal com o regime que o viu nascer. O próprio site oficial menciona que o «povo encarregar-se-ia de prestar a própria homenagem à Rainha que tanto amara, denominando-o definitivamente Hospital de Dona Estefânia». Quem não souber um pouco de história ainda pode pensar que a tal D. Estefânia seria alguma emérita empregada de limpeza do estabelecimento e não a esposa de D. Pedro V, um dos reis mais amados da nossa história.
E, no entanto, algumas indicações mais antigas do hospital ainda têm as iniciais HRE ("R" de raínha, claro), já para não falar da coroa que encima a fachada principal. Em referências mais recentes, para além do nome actual, apenas consta HDE. Isto no país e no regime que se pela por fazer inaugurações e de lhes apôr placas mencionando a "S. Excelência" que a elas presidiu.

Novas da multiculturalidade

Os maiores de 30 anos lembram-se certamente da amável série televisiva "Uma Casa na Pradaria", de resto recentemente redifundida pela RTP Memória. Os tempos, hoje, são outros - e o canal canadiano CBC assim o demonstrou, tendo transmitido a série "A Mesquita na Pradaria" (Little Mosque in the Prairie)... Como devem calcular, a mensagem é no sentido da tolerância e da aceitação do outro, tendo o programa, muito naturalmente, recebido os maiores encómios da crítica.
***
Longe do Canadá, outro exemplo dos novos tempos: Ernâni Pereira, Leandro Gomes, Marcus Ferreira e André Ladaga são jogadores de futebol brasileiro que certamente nada vos dizem. Pois fiquem sabendo que o quarteto actua na selecção do... Azerbeijão! Desgraçadamente, os dois primeiros encontram-se lesionados e os dois últimos estão em baixo de forma, não tendo podido evitar a derrota caseira por 1-3 frente à Polónia.

terça-feira, maio 29, 2007

«O objectivo das provas de aferição não é avaliar os alunos, mas fazer um diagnóstico do sistema de ensino»

Está klaro, pah, cu obxétivo da escóla naum é abaliar us alunus machim ver a cólidade dos setôres e dus pugramas e manuáis. Ké kintressa tar a penalisar os' tudantes co us errus ke cumetem, u kintressa é pesseber o testo. Cô us SMS a Gerassão K livertou-se das amárras do fachismo pedagójico e póde agóra dáre livre kurso au pós-mudernismo edukativo.
Pesseberam, pah? Naum? Atão chepreitem aki.

segunda-feira, maio 28, 2007

E se a censura da suástica vai avante?

No sábado vi um belo documentário no recomendável programa Geo 360º do canal Arte: "Le Parlement des enfants du Rajasthan", ou seja, "O Parlamento das Crianças do Rajastão".
Neste estado do noroeste indiano a escassez de água é um problema premente. O programa aborda a forma como se sensibiliza a população, e em particular as crianças, para a questão. O ritmo do programa é bem indiano, sente-se o pulsar da vida no hinterland do subcontinente, a música aqui e ali bastante evocativa. Mais um pouco e sentir-nos-íamos mergulhados numa película do genial realizador Satyajit Ray!
Pormenor curioso, numa das casas, na parede, aparecem três suásticas, "símbolo da roda da vida, do nascimento e da morte, do aparecimento e do desaparecimento", como diz o narrador. Com as abstrusas propostas que por aí andam de censurar a suástica, até este programa de claro espírito de incentivo da cidadania, como hoje se diz em novilíngua, teria que levar com o lápis azul.
Paradoxos da democracia...

O espírito carbonário na actualidade política portuguesa

D. António Marcelino, bispo emérito da diocese de Aveiro, diz em voz alta o que muitos notam mas poucos mencionam: a crescente influência da agenda maçónica na política seguida pelo governo. E não tem pejo em afirmar que "a Maçonaria portuguesa está a aparecer, de novo, com algum espírito de 'carbonária', eivada de um acirrado laicismo, tendo no horizonte os 'valores republicanos', lidos unilateralmente, e empenhando-se por introduzi-los como inspiradores das leis que devem reger o povo".
Acrescento que o espírito maçónico está presente em todos os partidos com assento parlamentar, embora historicamente seja o Grande Oriente Lusitano o mais determinado e influente, sendo a sua influência no PS bem conhecida.

Evocações

A propósito do aniversário de mais um 28 de Maio, relembraram a data o blogue Mneme, o nosso amigo Nonas e o HNO, ao passo que o Dragão não deixa passar em claro a passagem dos 113 anos de nascimento de Louis-Ferdinand Céline, secundado mais uma vez pelo memorialista da Direita Nacional, o Nonas.
(Adenda de fim de tarde: Os Idos de Maio.)

Faltou pouco... Obrigado, rapazes.


(Imagens pilhadas ao blog Cruz de Cristo.)

terça-feira, maio 22, 2007

Georges Rémi, 22 de Maio de 1907 - 22 de Maio de 2007

Georges Rémi é o nome verdadeiro de Hergé, genial criador de Tintin, e que nasceu faz hoje 100 anos.
Desde miúdo que adoro as aventuras do jovem repórter. Comecei a saboreá-las na mítica revista Tintim, cujo único demérito foi marginalizar entre nós a BD clássica americana, praticamente já só apresentada entre nós no Mundo de Aventuras. A ligação à revista-mãe Tintin e os contratos associados assim o provocaram.
Todos os sábados de manhã era com excitação que esperava a revista Tintim. Tintin, Lucky Luke, Astérix, Bernard Prince, Clorofila, Coronel Clifton, o magnífico Corentin e tantos outros heróis desfilavam perante o meu olhar maravilhado.
As aventuras de Tintin atraem pessoas de todas as idades pela beleza e simplicidade do desenho; pelo grafismo elegante; pelos enredos bem urdidos e que prendem o leitor até à última página; pelo humor, que alterna com o drama; pela facilidade com que simpatizamos com os personagens; pela variedade de locais em que decorrem as histórias (nenhum continente ficou ausente das aventuras de Tintin). Também o cuidado posto por Hergé na elaboração das histórias poucos paralelos tem, talvez o encontremos num Jacques Martin (Alix) ou num Roger Leloup (Yoko Tsuno), isto circunscrevendo-nos à BD franco-belga.
Não têm faltado os mesquinhos que evocam o passado supostamente reaccionário ou mesmo fascista do grande autor. Os mesmos que nunca falam no perfil estalinista de Jorge Amado ou das purgas feitas por Saramago no Diário de Notícias. Fosse um simpatizante comunista, já sobre Hergé não recairiam senão encómios que chegariam onde chegou Tintin: à lua.
Rémi, como afirmou inúmeras vezes, sofreu a influência católica tradicional típica da sua época, com a consequente antipatia pelo comunismo, que tão bem plasmou em "Tintim no País dos Sovietes", um álbum divertidíssimo e de modo algum menor na obra de Hergé. Não me parece que tivesse simpatias fascistas, amizades sim, como a de Léon Degrelle. Se Tintin é ou não inspirado na figura deste último, não sabemos, pese a argumentação do interessado nesse sentido. O que é certo é que Tintin é movido por uma grande nobreza de carácter, por uma dedicação infinda e desinteressada aos amigos, por uma grande capacidade de ajuda aos desafortunados. "Tintim no Congo" não é um álbum racista, é até de um humanismo comovente face aos negros, que Rémi achava que viveriam melhor sob a tutela do homem branco. Nos anos 30 quantos o contradiziam? "O Ceptro de Ottokar" é uma aventura nada simpática para com as ditaduras, tendo o mau da história o nome Mustler (junção de Mussolini e de Hitler). "Tintim na América" é das obras mais ferozmente críticas dos EUA, desde a expoliação de terras aos índios, passando pelo crime organizado e pela sociedade de consumo temos um retrato nada simpático do "novo país". "As Jóias da Castafiore", para mim a única obra pouco interessante de Hergé, já tardia, traz-nos um humanismo de pacotilha, com tiradas claramente forçadas sobre os ciganos, numa aparente tentativa de Hergé de ficar bem visto pela intelligentsia.
É difícil escolher alguns álbuns de entre os 24 da série. "Tintin na América", "O Lótus Azul", "A Ilha Negra" são obras-primas absolutas, mas não são as únicas. Hoje e sempre, leia-se e releia-se Hergé.

segunda-feira, maio 21, 2007

Portugal mais plural - e menos Portugal

Nada acontece por acaso. Ontem, o primeiro ministro «presidiu à entrega de um certificado de nacionalidade, uma bandeira e a Constituição da República Portuguesa a 324 novos cidadãos portugueses, beneficiários da nova Lei da Nacionalidade», tudo em nome do "melhor que Portugal tem para dar ao mundo" (sic) e da palavra mágica "inclusão". Para a malta que nos governa, para se ser português basta ter os pais a residir em Portugal há cinco anos; é o plano quinquenal da aquisição de nacionalidade. Note-se que, desde que a nova lei da Nacionalidade entrou em vigor, a 15 de Dezembro de 2006, foi concedida a nacionalidade portuguesa a pessoas com origem em Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola, Brasil, Rússia, Roménia, Moldávia, China, Índia, São Tomé e Príncipe, Ucrânia, Paquistão, Bangladesh, Holanda e Marrocos. Portugal rima com plural mas isto é uma completa Babilónia. Vence a ideologia maçónico-jacobina do "cidadão", a única nacionalidade que verdadeiramente interessa a quem nos governa.
Como uma desgraça nunca vem só, hoje o senhor Rui Marques, o Alto Comissário para as Migrações e Minorias Étnicas português (notável a precisão da nacionalidade do komissar por parte do "Sol"), vem defender o direito de voto para os imigrantes pois estes «devem participar na vida democrática e ser co-responsáveis pelo futuro», tendo em vista - adivinham? - a inclusão. Este Rui Marques é o mesmo que, em brochuras editadas pelo nosso governo - portanto pagas por todos nós, os tansos fiscais -, defende que a identidade portuguesa é melhor defendida promovendo-se a miscigenação.
Devagarinho, devagarinho, aumenta a facilidade com que se adquire a nacionalidade e outros direitos, numa paridade tendencialmente total entre portugueses (seja lá o que isso queira dizer hoje em dia) e imigrantes e seus descendentes. Qualquer dia os filhos de imigrantes adquirem a nacionalidade portuguesa logo que nasçam, os imigrantes podem votar em todas as eleições, se calhar até passam a ter mais direitos que os nativos, em nome da inclusão e da discriminação positiva. E quiçá iconoclastas como este que se assina são banidos da sã convivência democrática e inter-cultural - em nome da inclusão, claro.

domingo, maio 20, 2007

Novas aquisições

Ontem estourei mais uns euros naquilo a que hoje se chama pomposa e grotescamente "bens culturais". No caso parecem-me todos dignos da vossa melhor atenção:
- De Vasco Pulido Valente: "A Revolução Liberal (1834-1836) - Os Devoristas", Aletheia Editores (2ª edição).
- De Henri Dutilleux, Sinfonias nº 1 e 2, pela Orquestra de Paris, direcção de Daniel Barenboim, Elatus.

quarta-feira, maio 16, 2007

Ódio e mistificação

«O ódio como elemento de luta; ódio infindo pelo inimigo, que leva um ser humano para além das suas limitações naturais, transformando-o numa máquina homicida efectiva, violenta, selectiva e de sangue frio.»
«Sinto as minhas narinas a dilatar ao saborear o cheiro acre da pólvora e do sangue do inimigo.»
Estas simpáticas palavras, imbuídas - como se constata - do mais acrisolado amor à espécie humana, são de um dos ícones desta estúpida era em que vivemos: Che Guevara. Figurão que continua a ser homenageado e a ser alvo de manifestações "culturais", como esta.
Para um retrato implacável do assassino espreitem esta página.

segunda-feira, maio 14, 2007

Memes

O Restaurador foi o primeiro a desafiar-me; seguiu-se-lhe o temível Dragão; não quis ficar atrás o meu amigo Réprobo. Todos me instam a aderir à corrente dos memes, um neologismo horroroso que é suposto designar «algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes». Na prática os "acorrentados" estão a recorrer a citações e eu não vou fugir à regra.
Há muitas citações que posso referir como emblemáticas da minha evolução cultural e política mas, por uma questão de princípio, "a" citação teria que ser de origem nacional, mais concretamente de El Rei D. Pedro V:
«O espírito utilitário do nosso século abaixa o nível das ideias do homem, e produz a infeudação do espírito à matéria.»
Seguindo o exemplo do supra citado Réprobo, deixo-vos outras citações, com dedicatória a estimular o desafio, ao qual naturalmente poderão voltar as costas pois estas correntes são, como diria o Jacinto de "A Cidade e as Serras", «uma seca».
Para o leitor Legionário: «Nas crises políticas o mais difícil para um homem honesto não é cumprir o seu dever mas conhecê-lo.» (Louis de Bonald)
Para o Corcunda: «Quando os povos deixam de estimar, deixam de obedecer. Regra geral: as nações que os reis consultam começam com votos e acabam em vontades.» (Antoine de Rivarol)
Para o Pedro Guedes: «Nunca votei e nunca votarei para nada nem para ninguém. Não acredito nos homens.» (Louis-Ferdinand Céline)
Para o Euro-Ultramarino: «Só haverá eleições verdadeiramente livres quando a esquerda não tiver hipóteses de as ganhar.» (Presidente Bordaberry, do Uruguai)
Para o Nonas: «O século da cavalaria acabou. O dos sofistas, dos economistas e das calculadoras sucedeu-lhe; e a glória da Europa apagou-se para sempre.» (Edmund Burke)

Comércio justo

Ontem de manhã fui cirandar com a família para o Jardim da Estrela, em Lisboa. É um espaço aprazível e para mim com significado especial por ter frequentado uma escola que ficava defronte do mesmo. Andava nessa escola quando, num soalheiro 11 de Março de 1975, o meu Pai me foi buscar mais cedo que o habitual dada a agitação que se vivia na revolucionária cidade...
Espaço verde luxuriante, o jardim conserva o encanto de outros tempos. O jardim infantil é à antiga, ainda com equipamentos em ferro, algo que pensava já interdito pela incansável zeladora do nosso bem estar, a UE...
Bedéfilo militante, fui surpreendido logo à entrada por uma tenda de venda de álbuns a preços muito convidativos. Lá levei mais cinco para a colecção. Do outro lado do jardim, três ou quatro tenditas de Comércio Justo, como se designa essa iniciativa de apoio aos "povos do Sul". Se os caros leitores pensam que lá se podia adquirir mel do Alentejo ou aguardente de medronho algarvia, desenganem-se: este "Sul" designa o hemisfério, área a que parece circunscrever-se a preocupação de justiça dos organizadores. Mel, só do México; chocolates e brinquedos, do Brasil; e por aí fora. Não faltam produtos comercializados pelo Movimento dos Sem Terra. Uma das tendas era consagrada a um "Fórum", onde certamente se peroraria sobre as injustiças do capitalismo internacional.
Para os esquerdistas (chamemos as coisas pelo nome) que estão por trás desta organização, a injustiça afecta o chamado Terceiro Mundo, não se preocupando minimamente com a situação dos agricultores e artesãos do chamado Primeiro Mundo, por muito precária (e injusta) que possa ser a sua existência. Quase sempre conotados pelos progressistas como gente reaccionária e católica, não parecem merecer a sua compreensão humanitária. Já os povos do "seu" Sul, certamente com muito maior potencial revolucionário, são alvo das suas embevecidas e comoventes iniciativas. A justiça não é, afinal, o que os preocupa; é, isso sim, o referido potencial revolucionário; a manipulação da opinião pública ocidental; a possibilidade de enquadramento ideológico das massas terceiro-mundistas - e consequente tradução em actos políticos. E nós bem conhecemos a "justiça" e as condições de vida das massas que vivem nos regimes idealizados pelos organizadores da iniciativa.

Um terrorista a caminho do Panteão

Na nossa época já é difícil surpreendermo-nos com actos públicos ignominiosos, de tal forma eles abundam. A possibilidade de Aquilino Ribeiro, escritor e terrorista, poder dar entrada no Panteão Nacional, contra o que já existe uma petição online, é mais um exemplo. Se querem que lhes diga, a confirmar-se essa consagração póstuma, está a república a caracterizar-se exemplarmente: nascida com um regicídio, implementada com um golpe de estado, mantida pelo terror e arbitrariedades sem conta ao longo de 98 anos, nada como ser consagrada com a homenagem a um dos envolvidos na morte de El Rei D. Carlos e do príncipe Luís Filipe. É a prova de que muitos republicanos, mormente os mais empedernidos e ideologizados, ainda se sabem ver ao espelho.

sexta-feira, maio 11, 2007

Lança Chamas

Passei hoje pelo correio da minha terra para levantar o volume ao lado reproduzido, da autoria da melhor pena da blogosfera lusa: o Dragão.
Colectânea de textos que foram sendo vertidos no seu tasco, "À Queima Roupa" é um volume que não deixará indiferente quem o abrir. Uns, indignar-se-ão com a verve, que não poupa ninguém e em particular todos os exemplares da fauna que nos governa, que tenta orientar o nosso pensamento e que é em geral de uma indigência a que as chispas expelidas pelo nosso amigo chamam um figo. Outros, deliciar-se-ão com as incursões da labarédica criatura pelo estupidário coevo, verdadeiro manancial de temas para a sua acutilante pena.
Se querem saber porque é que devemos invadir Espanha; porque é que há um povo que se distingue pelo bombardeio; porque é que o autor não persegue a criada à desfilada no carrinho-bar; porque é que um casal homossexual não pode adoptar crianças; porque é que a direita é a esquerda empanturrada; entre muitas outras coisas - então não percam tempo, mandem um e-mail para dragolabaredas@hotmail.com (o mail do nosso amigo só podia ser "hot") e encomendem já, a preço de saque, o belo volume, de capa dura e tudo, por 27,5 € (inclui portes de correio).

Em antecipação das horas de puro deleite que o volume me vai proporcionar e também pela dedicatória amável (e personalizada, como hoje se diz) que o Dragão houve por bem conceder-me, estou mais que grato ao autor. Que, no meio de tanto talento e ironia, não consegue esconder o amor que tem a este martirizado país. Algo mais que nos une.
Já sabem: este Alberich não guarda o tesouro para ele, partilha-o com mentes livres.

quarta-feira, maio 09, 2007

Sempre mais Europa e sempre menos Europa

Estas duas notícias são muito interessantes, não pela sua adequação à realidade mas sim pela mistificação que dela fazem.
A primeira, ao melhor estilo sebastiânico-europeísta, tenta convencer-nos que o nosso país só ganhou com a adesão à CEE e posterior participação na UE: desenvolvimento, estradas, condições de vida, intercâmbio universitário... Como sempre, nem que fosse por uma questão de equilíbrio simulado, não se apontam desvantagens da referida adesão.
A segunda quer-nos fazer crer que a Europa não pode viver sem receber mais imigrantes, senão o mercado de trabalho terá em 2050 um défice de nada mais nada menos que 55 milhões de trabalhadores! Leram bem: em 2050, daqui a 43 anos, duas gerações. Nunca se evoca a possibilidade de uma inversão do declínio populacional, por meio de incentivos à natalidade. Não: a panaceia para os males europeus é a entrada ad infinitum de imigrantes no seu espaço. Não ficam dúvidas sobre o que desejam os senhores que divulgam estes "estudos": uma população europeia cada vez menos... europeia.

terça-feira, maio 08, 2007

Crescei e... misturai-vos

A partir de Setembro, as escolas do Reino Unido que praticamente só têm alunos brancos serão obrigadas a organizar visitas a escolas com minorias étnicas e religiosas. O objectivo oficial é a «promoção das relações comunitárias». As escolas terão assim que dispor de pessoal para levar a cabo "visitas de estudo" a escolas multi-étnicas.
Ofsted, o "observatório escolar", dispõe de poderes para obrigar aquelas escolas a cumprir a lei.
Nos anos 60, nos EUA, surgiu a política do "busing" (referência à palavra "bus" - autocarro), por meio da qual se obrigava os alunos de um bairro com determinado perfil étnico a inscreverem-se em escolas de outro bairro com uma estrutura étnica diferente, de modo a juntar crianças de várias raças na mesma escola. Este novo normativo blairiano vai no mesmo sentido.

segunda-feira, maio 07, 2007

A vitória de Sarkozy

«[A política de imigração de Sarkozy] é uma boa política, que nos faz ter em conta a necessidade de amar os nossos países e de trabalhar em prol da sua evolução, pois é melhor viver no seu próprio país que no estrangeiro». Estas as declarações de um economista próximo do presidente do Congo-Brazzaville, Denis Sassou Nguesso, que apela ainda a juventude africana a trabalhar pela reconstrução do continente.
Não sei se Sarkozy pretende implementar uma política de imigração restritiva, embora tenha sido com essa expectativa que muitos franceses nele votaram. Uma coisa são as intenções, outra a realidade prática. Para já, a noite de ontem mostrou o terrorismo urbano em acção, com actos que fazem a kale borroka basca parecer uma brincadeira de adolescentes acnosos. A pressão sobre eventuais medidas impopulares do novo presidente fazer-se-á sentir. Os sindicatos já disseram que estão alerta. Alguns imigrantes e agitadores esquerdistas já o mostraram. A oposição fará o seu jogo. Num país em que todos são muito ciosos dos seus acquis, ninguém quer perder privilégios e regalias, por muito abstrusos e abusivos que sejam. Aqui residirá a dificuldade da governação Sarkozy, se este realmente pretender mudar alguma coisa no decadente país.
A nível de política externa é de prever o estreitar dos laços com os EUA, embora seja curioso imaginar como é que essa relação decorrerá caso daqui a ano e meio seja eleito um presidente democrata. Talvez Sarkozy se sinta mais à vontade nesse cenário, que aliviaria um pouco a pressão da esquerda. Quanto às relações com Israel, o novo presidente terá que se esforçar muito por mostrar alguma equidade na abordagem do conflito palestiniano; com uma "rua" cada vez mais árabe, nenhum presidente francês se pode dar ao luxo de um apoio incondicional a Israel.

quinta-feira, maio 03, 2007

Nacionalistas por Ségolène???

Não deixa de ser caricato assistir-se ao apoio de muitos nacionalistas franceses (e não só) a Ségolène Royal face ao que consideram a ameaça da vitória de Nicolas Sarkozy nas presidenciais francesas. Motivos são vários: Sarkozy, a exemplo de Angela Merkel, seria o homem de confiança de Washington na Europa; Sarkozy, de sangue judeu, será um acérrimo defensor do estado de Israel e do lobby judaico na Europa; e, apesar de ser contra a adesão da Turquia à UE, seria um factor de constrangimento da afirmação desta última entidade na cena mundial.
Tudo isto pode (e tem) um fundo de verdade. Mas é no mínimo grotesco ver-se tanta gente a apoiar a candidata do PS, partido que, desde 1981 com a vitória de Mitterrand nas presidenciais, se notabilizou por:
- promover uma vaga imigratória sem precedentes na história francesa, descaracterizando irremediavelmente o país;
- criar no ordenamento jurídico francês o delito de opinião, amordaçando na prática todos os que se pronunciam contra a descaracterização do país e perda das suas raízes, ou que questionam a versão oficial de certos acontecimentos históricos;
- se ter coligado mais que uma vez com o PC"F", permitindo a este partido influenciar as políticas governamentais;
- contribuir, de resto como o RPR e a UDF, para a dissolução da independência e soberania francesas, defendendo à outrance o federalismo;
- inverter as mais sãs normas de convivência social, defendendo os meliantes, ignorando as vítimas (sobretudo se francesas de souche), promovendo a agenda homossexual e implementando nas escolas alguns dos mais sórdidos "princípios" de Maio de 68;
- ter tornado a corrupção numa forma de vida "normal" (de resto em colusão com os outros partidos com assento parlamentar), multiplicando-se os escândalos financeiros, financiamentos ilícitos, desvio de fundos públicos, etc.
Ségolène pode parecer uma líder "arejada" mas tem por trás a velha máquina radical-socialista que tem contribuído nas últimas décadas para tornar a França numa triste caricatura daquilo que foi no passado. Sarkozy se calhar não será melhor (e de resto até adoptou a retórica da promoção da mestiçagem) mas "esquecer" o cadastro socialista é no mínimo imperdoável.