quarta-feira, outubro 03, 2007

As ajudas dos EUA a Israel

As ajudas dos EUA a Israel não cessaram de aumentar desde a Guerra dos Seis Dias, passando de 24 milhões de USD em 1967 a 634 milhões em 1971, subindo em flecha para 2,6 biliões três anos depois. Neste contexto, George Bush (jr.) prossegue a acção dos seus antecessores, mas com uma diferença notável: tornado mestre na retórica religiosa, Bush jr. crê-se portador de uma "missão divina", declarando-se garante de uma Nova Ordem Mundial em luta contra as "forças do mal", juntando na sua cruzada os líderes das diferentes igrejas americanas que fazem essa apologia incessantemente, lançando o anátema sobre quem faça objecções...
Sejam os evangelistas - Pat Robertson apelou ao assassinato de Saddam Hussein, Cal Thomas sugeriu que a guerra no Iraque fosse conduzida como o foi a Segunda Guerra Mundial -, do metodista Chuck Colson, ex-conspirador no caso Watergate, hoje Ministro das Prisões (autêntico!), do mediático Sean Hannity (católico) que afirma que é dever da América de se bater por todas as nações oprimidas; do baptista Jerry Falwell que argumenta que "a invasão do Iraque é justa porque... Deus é pró-guerra"!, ou do guru e profeta fanático John Hagee, reverendo do Friends of Israel Gospel Ministry que garante que "os EUA devem atacar o Irão - e quanto mais cedo melhor por ser ainda pior que Hitler"; tem-se bem a noção da amplitude do movimento neo-conservador... (...)
Contrariamente aos outros países [ajudados pelos EUA], em que os subsídios são pagos trimestralmente, a ajuda a Israel é, desde 1982, paga na sua totalidade no início de cada ano fiscal. (...)
Além disso:
- Israel está dispensado de detalhar a forma como gasta esse dinheiro, como é normalmente a regra neste tipo de ajudas;
- o montante recebido representa aproximadamente um terço do orçamento total destinado aos créditos externos, o que parece desproporcionado tendo em conta que a entidade sionista está na 16ª posição entre os países mais ricos, com um rendimento per capita superior ao da Irlanda, Espanha e Arábia Saudita (cf. Zunes Stephen, "The Strategic Function of US Aid to Israel", Washington Report, Dezembro de 2002).
(In Rivarol de 14 de Setembro de 2007.)

segunda-feira, outubro 01, 2007

Israel e os terroristas

Aqui fica, para reflexão de algumas pessoas de memória curta, esta declaração do Ministro dos Negócios Estrangeiros de Salazar, Franco Nogueira, em conferência de imprensa realizada em 8 de Junho de 1967:
«Apesar de esse facto quase ter passado despercebido, Israel foi para Portugal um inimigo tenaz. Nas Nações Unidas a sua delegação interveio e votou contra nós, associando-se de resto a todas as iniciativas que nos são hostis. O embaixador de Israel no Congo está em contacto com os terroristas, concede-lhes ajuda e, no próprio território israelita, são acolhidos e treinados terroristas contra Angola.»

sexta-feira, setembro 28, 2007

Agenda cultural comum europeia

E, como o sistema não dorme, eis que surge uma nova pérola germinada nas mentes profícuas que nos governam: a agenda cultural comum europeia. Leram bem: agenda cultural comum europeia. Numa Europa em que o mais comum é a sujeição dos povos e pátrias ao espírito apátrida e à "normalização" dos comportamentos, leis, princípios e normas, seria estranho que a cultura ficasse de fora dos desígnios uniformizadores.
Muita conversa oca e bacoca de eurocrata para, no fim, ficar claro um dos intuitos da medida: «a necessidade de criar instrumentos eficazes para promover o diálogo intercultural». Todos sabemos o que é que isso quer dizer; na novilíngua politicamente correcta há termos aparentemente anódinos carregados de consequências tremendas.

Os desmiolados

Os chamados extremistas de direita que se envolvem em acções violentas, profanações de cemitérios, agressões a pessoas de outras raças ou nacionalidades e tráfico de droga se não têm a intenção de servir o sistema, fazem-no na perfeição, reforçando a força deste e causando a maior repulsa entre o cidadão comum, mesmo que patriota, face à imagem deformada que lhes chega daquilo que será o nacionalismo. Talvez devessem receber umas comendazitas por "serviços prestados à democracia". E, quiçá, também todos os que nada dizem sobre estes actos lamentáveis.

quinta-feira, setembro 27, 2007

O estado da educação

Este blogue, com o qual discordo amiúde, publicou este soberbo postal, que denuncia mais uma das aberrações da "educação nacional" (aspas para ambas as palavras), com frontalidade e indignação. Denunciemos mais este atentado às nossas crianças, aos valores sãos, ao que resta de civilização.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Mais um iberista

A Câmara Municipal de Lisboa patrocinou o filme "Fado", do espanhol Carlos Saura. Aparentemente não há no nosso país um Perdigão Queiroga que retome o tema da película em que contracenava a então jovem Amália Rodrigues.
O referido Saura, em entrevista ao Diário de Notícias (15 de Setembro, pág. 40 e 41), afirma, convicto que «as barreiras históricas que existem entre os nossos dois países se poderiam derrubar (sic) com facilidade (re-sic). É preciso atrevimento». Lá nisso estamos de acordo.
O diário que publicou a entrevista da erva daninha da nossa literatura em que esta fazia profissão de fé no iberismo não resisitiu (?) a perguntar ao veterano realizador o que pensava dessa ideia. Resposta: «estou totalmente de acordo! Mas acredito que a capital de Ibéria (sic) tinha de ser, a uma dada altura, Lisboa. Depois Madrid. E depois Barcelona. Ia mudando...»
O que não muda, o que é uma constante da mentalidade - quase diria da psique - de muitos espanhóis, é o sonho iberista. E também não mudou o facto de, do lado de cá da (cada vez mais ténue) fronteira, haver tantos traidores prontos a franquear as portas.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Jean Sibelius, 1865-1957

Cumprem-se precisamente hoje cinquenta anos sobre a morte do grande compositor finlandês Jean Sibelius. Conhecido sobretudo pelo poema sinfónico patriótico Finlandia, pelo Concerto para Violino e por algumas sinfonias, a sua obra é riquíssima.
Incorporando alguns temas folclóricos, a sua música tem uma forte componente telúrica, a que não será alheia a sua mudança para o campo em 1904. Por exemplo, no poema sinfónico Tapiola "sente-se" o sopro do vento nas florestas nórdicas...
O compositor não ficou preso à forma clássica sinfónica, explorando novos rumos, chegando em algumas obras (como a Sétima Sinfonia, composta após grave doença) a explorar os limites melódicos.
Para iniciação sinfónica recomenda-se a Segunda Sinfonia, obra verdadeiramente empolgante, de que o crescendo, com subtis variações melódicas, do último andamento é paradigma.
A Antena 2 teve a feliz ideia de consagrar quase toda a sua programação de hoje a Sibelius. Se não puderem escutar ao longo da tarde, não percam pelo menos, a partir das 21h00, a transmissão em sequência das sinfonias 5, 6 e 7.
Ao menos por um dia esqueçamos a barbárie que nos rodeia, o ruído do mundo, e entreguemo-nos de corpo e alma à arte de Sibelius.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Tempos sinistros

Tive conhecimento, via Dragão, desta aberração promovida pelo governo alemão. Será de estranhar que haja cada vez mais alemães a converter-se ao Islão, como foi noticiado na semana passada? Quando a nossa sociedade dá mostras ilimitadas de rumar para a selvajaria mais aberrante, de querer destruir o pouco de bom que ainda tem, de desprezar a lei natural e os valores mínimos que um simulacro de civilização ainda deveria ter o cuidado de manter, qual o espanto de constatarmos que muitas pessoas, desesperadas, se agarram a uma crença que aparentemente resiste com solidez ao vómito contemporâneo?

Pela Pátria - não lutar

Não tenho por hábito ler blogues de esquerda, não por não estar aberto a ler opiniões alheias mas porque já sei o que é que se encontra em boa parte daqueles, nomeadamente nos "de referência", repositório de lugares comuns politicamente correctos e de defesa de causas que não são de todo as minhas.
Mas andava com a pulga atrás da orelha relativamente à forma como essa rapaziada encararia a extraordinária convicção com que o Lobos, a nossa selecção de rugby, cantam o Hino Nacional. Por pudor não deixo aqui o link para um desses blogues, que evoca esse momento inolvidável de amor pátrio; evocação à qual se segue, na caixa de comentários, um chorrilho de barbaridades, na verdade um vómito de imprecações contra a Pátria do mais boçal que imaginar se possa.
Realmente é impressionante a herança anti-patriótica que o 25 do 4 deixou nas mentalidades, sobretudo nos meios urbanos. Certa clique de pseudo-intelectuais de esquerda nutre um ódio a tudo o que seja louvor às coisas nacionais só com paralelo na forma provinciana e bacoca com que abraça ideias, modas e tiques que venham de fora. São a reserva da anti-nação.

terça-feira, setembro 18, 2007

Rumo ao "homem novo" chavista

Mais um passo na afirmação da revolução em curso na Venezuela: «O presidente venezuelano, Hugo Chavez, ameaçou encerrar ou nacionalizar qualquer escola privada que se recuse a "assumir o modelo de educação bolivariana" do seu governo socialista até 19 de Abril de 2010». Ficamos a saber que as «novas matérias estão a ser desenvolvidas para ajudar a educar o "novo cidadão", disse o irmão de Chavez e ministro da Educação, Adan Chavez».
Décadas de implementação de "novos cidadãos" pelos socialistas em acção originaram dezenas de milhões de mortos por todo o mundo, miséria, condicionamento total da vida das pessoas, guerras - e uma nomenklatura privilegiada, com prerrogativas obscenas sobre o destino das populações sob a sua bota.
A coisa está para durar, o que parece causar gáudio entre comunistas ressabiados com a queda do muro de Berlim, neo-esquerdistas insatisfeitos por só conseguirem influenciar limitadamente a sociedade (aborto, promoção da homossexualidade, demolição de tudo o que seja tradição) sem conseguir dinamitar o capitalismo - e pseudo-nacionalistas que descobriram (?!) que louvar Salazar e Fidel Castro não é incompatível.

segunda-feira, setembro 17, 2007

O nosso homem em Paris...

... é como se devem referir ao presidente francês Nicolas Sarkozy as chancelarias americana e israelita. Lançando gasolina no fogo, tanto o primeiro-ministro como o ministro dos estrangeiros franceses vêm evocar uma situação de "tensão extrema" com o Irão, alertando para o "pior", que seria a guerra. Postura obviamente concordante com a política externa de Sarkozy, claramente alinhada com Washington e Tel-Aviv.
Se Chirac não apoiou a invasão do Iraque foi sobretudo por temer uma revolta em larga escala nos subúrbios das principais cidades francesas levada a cabo por árabes furiosos. Sendo o Irão persa é mais fácil a Paris fazer o jogo das chancelarias citadas, correndo menos riscos na frente interna.
Entretanto, sob o pretexto de uma ameaça nuclear vinda de Damasco, Israel fez um raid sobre a Síria. Ameaça real, paranóia ou estratégia de escalada da tensão na região - cada um que escolha a hipótese que lhe pareça mais plausível.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Experiências livrescas traumáticas

Do que o Pedro se havia de lembrar: pedir-me para listar «as dez piores experiências livrescas» por que passei.
Sou um leitor que normalmente faz uma triagem rigorosa daquilo que pretende ler, por falta de tempo para perder com obras que me não agradem - e por aversão a masoquismos. De aí que não tenha sido fácil lembrar-me de dez experiências de leitura desagradável ou irritante. Assim sendo, aqui ficam oito livros que, como diria Rebatet, quase me caíram das mãos:
- "O Nome das Coisas" de Sophia de Mello Breyner Andresen e "40 anos de servidão" de Jorge de Sena. Dois excelentes exemplos da arte prostituída pela ideologia - e ideologia particularmente nociva! A poesia de megafone em punho, a boa consciência da esquerda, o ódio ao outro campo, particularmente espumoso no caso de Sena.
- "O Capital" de Karl Marx e "Manifesto do Partido Comunista" do anterior em colaboração com o seu amigo, protector, financiador e capitalista Engels. O primeiro tive que estudá-lo no segundo ano de Economia; o grau de simplificações do seu modelo económico, com paralelo apenas na complexidade com que expõe a teoria, é por demais limitador da análise, e de resto pouco mais faz que formalizar o que David Ricardo já identificara, acrescentando-lhe apenas a mais-valia, teoria capaz de atrair um espírito como José Antonio Primo de Rivera (ninguém é perfeito). A necessidade do autor de mostrar o seu saber supostamente enciclopédico, a proliferação de fracções e fracçõezinhas entre os exemplos numéricos completam o grau de penar que este vosso amigo teve que acartar. Foi a minha Sibéria mental!
Quanto ao "Manifesto", expõe com particular perfídia o "ideário" comunista, sendo demonstrador da perversidade intrínseca da ideologia; que, como na altura Proudhon teve a lucidez de ver, conduziria inevitavelmente a uma ditadura de uma ferocidade inconcebível.
- "Vagão J" de Vergílio Ferreira. Esta obra dos inícios da actividade escrevinhadora do ex-seminarista é de uma indigência particularmente notável. O pior dos piores exemplos de um neo-realismo já não assente na ternura para com o povo, que torna interessante ler Alves Redol ou Soeira Pereira Gomes, mas no desprezo do intelectual para com o povo que diz defender. Muito marxisticamente, o autor acha que em condições miseráveis o povo não pode ter dignidade; e vai de pintar exemplos "humanos" desse calibre.
- "O Jovem Törless" de Robert Musil. Este retrato de um colégio nos confins orientais da Alemanha e do percurso iniciático do personagem principal teve o condão de me irritar da primeira à última página. Há algum valor literário na obra mas o estilo hermético do autor, os exemplos abstractos (e frequentemente matemáticos) a que recorre e as situações de humilhação, descritas metodicamente, puseram-me fora do sério. Ainda hoje não sei como consegui acabar o livro.
- "O Jardim dos Suplícios" de Octave Mirbeau. Obra de uma crueldade sem nome, mostra dos cumes de barbárie que o niilismo do século que aí vinha alcançaria. Indigesto e repugnante.

sexta-feira, setembro 07, 2007

O Gualter e os seus mentores

Só o podre ambiente em que vivemos, de completa complacência para com as maiores barbaridades esquerdistas, é que leva a que um artigo como este não desencadeie a indignação que merece.
O autor, deputado no Parlamento Europeu, proclama, a abrir, que a invasão da propriedade em Silves onde se cultiva milho transgénico foi «o primeiro acto de desobediência civil ecológica realizada (sic) em Portugal». O termo "desobediência civil" não é inocente vindo de um destacado membro de um partido que precisamente organiza sessões de preparação de acções de desobediência civil. Claro que Portas mostra desde logo a sua "simpatia" para com o acto. A argumentação, como vamos ver, oscila entre o delirante e o fora-da-lei.
Afirma o douto representante do povo em Estraburgo que «até hoje o debate sobre os transgénicos em Portugal não tinha passado do parlamento e de opiniões escritas nos jornais. A partir de hoje pode começar a ser diferente.» A mim, que acho que o debate sobre o papel nocivo do BE na política e na sociedade portuguesas ainda nem sequer chegou ao parlamento e à opinião escrita nos jornais, é-me legítimo lançar esse debate por meio da ocupação da casa de MP ou organizando uma acção espectacular de bloqueio do seu acesso ao Parlamento Europeu? Será que a partir daí tudo «pode começar a ser diferente»?
Mais adiante pode ler-se, não sem estupefacção, que «dissociar-me-ia deste tipo de protesto caso o Movimento Eufémia Verde fosse uma espécie de “braço militar” que se pusesse a queimar propriedades com milho transgénico onde quer que elas se encontrassem. Não por qualquer motivo de ordem moralista. Mas porque atrasaria a formação de uma corrente de opinião maioritária quanto ao princípio que referi.» Se leram bem, perceberam que a destruição da propriedade alheia não é condenável por «qualquer motivo de ordem moralista» mas por motivos de estratégia político-ideológica, pois não contribuiria para o fim visado. Para este senhor, defender a propriedade é uma atitude "moralista". Percebe-se bem que os vinte anos que passou no PCP o formataram nos "bons princípios".
Quando o autor evoca que se deve actuar "nos limites da lei" percebe-se que o que ele defende é que se transgrida a lei, dado que a sociedade e a política estão cada vez mais indulgentes para com as práticas que supostamente passaram à história em 25 de Novembro de 1975.
E remata, ufano, que «a nossa sociedade tem que aprender a conviver com novas formas de conflitualidade não-violenta». Nesta frase se sintetiza toda a postura da esquerda: a sociedade, reaccionária e "atrasada" por natureza, tem que seguir a vanguarda (da revolução), tem que ir atrás de alguns iluminados que a querem transformar de alto a baixo.
Já não nas barricadas, na guerra civil; mas por dentro do sistema. E a pouco e pouco vão avançando. Parvos é que eles não são.

Gente do Norte

Já faz parte do meu ritual de férias (que terminaram no já longínquo dia 17 de Agosto) encontrar amigos e camaradas de convicções do Norte. É bom reencontrar rostos de pessoas que unem laços de amizade, de crenças num Portugal diferente, de afinidades partilhadas. Pessoas mais abertas, mais francas (em média) que as de "cá de baixo", às quais falta tantas vezes a sinceridade dos nortenhos. Para o bem e para o mal: gente de menos artifícios, directa. E em geral bem disposta.
O Porto conserva um ambiente provinciano que a mim, que lá não vivo, me agrada. Não é uma cidade fechada, estagnada. Mas também não é uma urbe descabeladamente aberta a tudo o que é novidade ou fashion. O seu orgulho, que tantas vezes é interpretado pelos lisboetas como bacoco provincianismo, tem razões de ser, algumas boas: o ter sabido, na enxurrada de décadas de revoluções e progresso tecnológico, manter uma identidade que em Lisboa já é difícil encontrar. Aqui, em vez de se lutar por encontrar e reforçar essa identidade, pretende-se promover a ideia de que Lisboa se reencontra no reencontro com o outro: com os de fora, com a cultura importada, com as gentes que por aqui desaguam; sem ocultar os intercâmbios, tantas vezes profícuos, de séculos de que a cidade é testemunho, procura-se incorporá-la de golpe, de uma forma ideologicamente pensada e implementada, na era globalizadora. Descaracterizá-la fazendo-nos crer que se reforça a sua identidade.
Nessa falácia (ainda) o Porto não caíu.

Carga de trabalhos

Ter férias, nos dias de hoje, é quase um drama. Nas semanas que as antecedem esfalfamo-nos para deixar o trabalho em dia e poder ir uns diazitos descansar a cabeça, passar mais tempo com os pequenos, ler os livros que a falta de tempo nos obrigou a ver apenas nas estantes, implorando por saltarem para as nossas mãos.
Depois, o regresso: trabalho atrasado, assuntos pendentes em progressão quase geométrica e um súbito cansaço.
O recarregar de baterias teve curto efeito.

sábado, setembro 01, 2007

In Memorian Henri Amouroux

Já faleceu no passado dia 5 de Agosto mas não podia deixar passar em claro a morte de Henri Amouroux. Jornalista antes de historiador, Amouroux vem a prestar um serviço inestimável a Clio com a sua monumental (10 volumes) "Grande Histoire des Français sous l'Occupation".
Recusando os lugares comuns sobre o regime de Vichy, Amouroux mostra as contradições do regime, expõe o seu jogo duplo, o equilíbrio instável entre resistir às instruções brutais do ocupante alemão e a impossibilidade de uma governação livre. Mostra também como a existência de um corpo de governo intermédio (Vichy) entre os alemães e o povo francês poupou a este último as agruras que uma Polónia ou uma Holanda sofreram. Laval e Pétain aparecem não como traidores mas como governantes que sacrificam a sua auto-estima tentando proteger na medida do possível os franceses. A título de exemplo, e algo que é frequentemente ocultado pela versão oficial da história, foi mínimo o número de judeus franceses que foram deportados; já os judeus estrangeiros a residir em França não tiveram essa sorte; foi a negociação permanente, pouco agradável mas, como neste exemplo, preferível a não haver qualquer mediação entre um ocupante impiedoso e a população, a marca de Vichy. Daí as críticas, também permanentes, de que foi alvo por parte dos (verdadeiros) colaboradores, políticos, jornalistas e intelectuais. O que não impediu alguns deles de virem a exercer cargos oficiais no regime; exemplo: Marcel Déat.
Amouroux vem a ter um relevo mediático devido à sua defesa de Maurice Papon, o prefeito da Gironda naquele período; Papon, que terá sido responsável pela deportação de algumas centenas de judeus, obedeceu a ordens; ainda há quem não queira perceber que essas ordens, pouco agradáveis, seriam bem mais impiedosas se vindas e executadas por alemães.
O mesmo se passava quando a resistência cometia um atentado; como retaliação, os alemães exigiam o fuzilamento de x prisioneiros; lá vinha Laval tentar diminuir o número dos sacrificados; num caso conseguiu passar de 100 (pedidos pelos alemães) para 5; logo a Rádio Londres veio clamar que o governo de Vichy tinha fuzilado 5 patriotas... Realmente era cómodo estar sentado ao microfone, na Albion, a zurzir quem arriscava a reputação e a vida para proteger os franceses de uma ocupação que foi consequência de uma clamorosa derrota militar de que a democratíssima III República foi única e exclusiva responsável.
O legado de Henri Amouroux foi o seu esforço em retratar tão conturbado período como ele foi e não como a ideologia vencedora o tem pintado, com as cores da mentira e do maniqueísmo.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Dia Guy Môquet

Como todo o bom democrata com alguns impulsos reformistas, Nicolas Sarkozy dá uma no cravo e outra na ferradura. Afrontando alguns nefastos princípios do Maio de 68 com as suas propostas aqui evocadas (e elogiadas), o "anão magiar" (na simpática expressão de Jacques Chirac) acaba de instituir o "Dia Guy Môquet" nas escolas francesas.
Guy Môquet foi um jovem comunista fuzilado pelo ocupante alemão em 1941. Uma carta que enviou aos pais pouco antes da sua morte será lida nos liceus de França. O que é curioso é que alguns professores protestaram não pela indulgência para com um pobre rapaz que lutou por lamentáveis ideais (e como esquecer que até à invasão da URSS pela Wehrmacht, em 22 de Maio de 1941, o PC francês era do mais simpático com o ocupante alemão que se possa imaginar?) mas porque não são "professores de patriotismo"... De resto, o ministro Xavier Darcos assegurou que a ideia é «falar da juventude insurgida contra a tirania em geral». O comunismo deve estar excluído da definição de tirania do ministro "de direita"... Que reforça: «é o momento para expressar a ideia de que uma escola se deve basear em um conjunto de valores». Como aqueles por que lutava o infeliz Môquet?

Leão homossexual

Meus amigos, não vos venho falar de mais uma descoberta científica que alegadamente prove que no mundo do rei dos animais também há raínhas, mais exactamente drag queens. Desta vez trata-se do famoso Festival de Cinema de Veneza, que teve a ideia luminosa de instituir o "Queer Lion", ou Leão Homossexual, em paralelo com os outros Leões que premeiam os melhores filmes nas diversas categorias. O objectivo, claro, é premiar o «melhor filme que se debruce sobre temáticas ligadas à homossexualidade ou, condição mínima, que tenha personagens gay».
Permitam-me duvidar: entre dois filmes que abordem tal temática, se um for uma obra-prima que critique o meio e o outro uma xaropada mas condescendente com o dito meio, qual é que pensam que vai levar a leoa?

domingo, agosto 26, 2007

Gruselkabinett

O Gruselkabinett situa-se na Schöneberger Strasse em Berlim e constitui o único bunker daquela cidade alemã que se pode visitar como um museu. Tem três "atracções": uma câmara de horrores no piso de cima, cenas médicas de outros tempos no piso de entrada e, na cave, o bunker propriamente dito.
Tive a oportunidade de visitar este último e é uma experência como poucas. Antes de mais, de referir que não há lições de moral para os visitantes; há, isso sim, a preocupação de enquadrar a especificidade do bunker no contexto histórico da protecção dos berlinenses face aos bombadeamentos aliados, em massa a partir de 1943. Neste bunker chegaram a acantonar-se 12.000 pessoas, que tinham à disposição pouco mais de 1 metro quadrado, muitas vezes um cantinho num degrau de uma escada.
O ambiente no seu interior é, naturalmente, húmido e o espaço, em geral, conserva-se como há sessenta anos, sem grandes renovações; pode-se ver os planos da sua construção, ver objectos que lá foram encontrados (livros, documentos pessoais, utensílios), jornais da época, receitas de cozinha em tempos de escassez... Numa sala há um "espectáculo" de quatro minutos que procura reproduzir como se viveria um bombardeamento do interior do bunker: som das bombas a cair, luzes de alerta, gritos de pessoas; tudo muito sóbrio - e dramático.
Há também muita documentação sobre o bunker pessoal de Hitler, situado por baixo da Chancelaria e que, por receio de se tornar um centro de peregrinação neo-nazi, continua vedado ao público. Pode-se ver o mapa do seu interior, onde era o quarto de Hitler, o de Eva Braun, o quarto dos cães do Führer... Reproduz-se, também, o documento (cujo original está em Washington) que formaliza o casamento daqueles dois; as testemunhas foram Goebbels e Bohrmann.
O bunker é um testemunho eloquente do drama dos alemães sob os impiedosos bombardeamentos aliados.

terça-feira, agosto 21, 2007

Medidas de força para com os pedófilos

No dia em que um irmão da ministra da Justiça francesa, Rachida Dati, foi condenado a um ano de prisão por tráfico de droga, multiplicam-se as intervenções em torno da ideia do presidente Sarkozy de endurecer as medidas legislativas para com os pedófilos, mormente a recusa de concessão da liberdade mesmo após o fim da pena e a criação de um hospital fechado para esses doentes.
Como era de esperar, a esquerda mostra-se chocada, revelando uma e outra vez que se preocupa mais com os criminosos que com as vítimas. É possível que as medidas pensadas por Sarkozy sejam inconstitucionais, dado que décadas de demagogia de direitos de homem contribuíram, também a nível jurídico, para expor mais as vítimas e aligeirar a vida dos que violam a lei. Mas são medidas bem positivas porque rompem com o delicodoce politicamente correcto dos direitos do homem que tanto tem contribuído para a perversão das nossas sociedades, no sentido estrito e no sentido da contradição com a lei natural.
Até à data Sarkozy parece mesmo empenhado em romper com a herança funesta do Maio de 68. O que se saúda.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Admirável mundo novo

Um "cientista" italiano afirma que a humanidade será bissexual, já que «o homem está a perder as suas características e tende a transformar-se numa figura sexualmente ambígua, enquanto a mulher está a tornar-se mais masculina. Desta forma a sociedade evolui para um modelo único».
Confundindo ciência com o mais despudorado wishful thinking («as alterações hormonais em homens e mulheres são «o preço que se paga pela evolução natural da espécie, que é positivo porque nasce da busca pela igualdade entre os sexos»), o sr. Umberto Veronesi, médico e ex-ministro da Saúde (!), serve uma agenda político-societal que há muito deixou de ser discreta.
Se o futuro da humanidade não for bissexual, no curto e médio prazo não se safa de ser de uma cretinice atroz.

domingo, agosto 19, 2007

Quatro anos é muito tempo

Este foi um dos primeiros postais que li do Pedro. Descobrir o Último Reduto em Abril de 2004 foi um acontecimento: nesse mês, o Pedro e o Bruno, taco-a-taco, premiaram-nos com postais sem conta sobre o nefasto 25 do 4, sendo que a ironia inteligente dos mesmos constituíu um bálsamo para a poluição das inteligências levada a cabo pela imbecillentsia reinante. Neste postal está muito do autor: culto, mordaz, subtil, conciso. A sua constância de princípios contrasta fortemente com os aggiornamenti dos cobardes e oportunistas que por aí andam (que os há em todas as épocas e regimes), sempre prontos a todas as abdicações.
Passando por diversas adversidades, pessoais e não só, o Pedro cumpre quatro anos a dar uma lição não só aos mais novos como a muitos "velhos" que já "estão noutra", não por uma eventual mudança de perspectivas ocasionada por madura reflexão, mas por falta de carácter e capacidade de enfrentar a enxurrada das maiorias.
Se não é o último reduto, anda lá perto. Está de parabéns.

sábado, agosto 04, 2007

Deambulações...

Aqui fica um registo fotográfico das minhas deambulações de férias. Um doce a quem adivinhar onde se localiza a rua com tão interessante nome... (Clique na imagem para ver a fotografia ampliada.)

Viva "O Sexo dos Anjos"!

Tenho andado arredio da internet por motivo de férias e descanso destas lides. Mas nunca por nunca poderia deixar de saudar o Manuel Azinhal pela passagem dos quatro anos de vida do seu O Sexo dos Anjos, blogue inspirador por excelência de todos os que não desistiram de lutar pelo Portugal Maior, como diria Paiva Couceiro.
Da torreira estremenha para a torreira alentejana um abraço forte para o Manuel.

sábado, julho 28, 2007

"Velha" Frente

Há dois anos escrevia no meu antigo blogue: «O Nova Frente constituiu-se desde logo como um caso muito sério de qualidade e inconformismo, num panorama bem cinzento de politicamente correcto galopante. O estilo muito próprio do Bruno, com uma escrita cativante, viva, criativa e não fazendo economia do vasto e rico vocabulário da nossa tão mal tratada língua, a par de uma cultura literária invejável, conferiram um carácter muito peculiar ao blogue. Por estes motivos não se pode falar de um blogue político, apesar de as opções ideológicas do autor estarem bem patentes. Pelo Nova Frente pairam os "fantasmas" de Céline, Marcel Aymé, Rodrigo Emílio, Eça, Camilo - geniais criadores literários e observadores acutilantes e mordazes da realidade do seu tempo. Mais de uma vez alimentei polémicas com o Bruno, sempre dentro dos limites da cordialidade e sã convivência entre pessoas que se respeitam e prezam uma boa discussão.»
Dois anos depois ele ainda cá está, nesta blogosfera de combate e determinação que ele tanto preza. Tal como o Bruno, também nós estamos de parabéns por poder usufruir do seu talento e inconformismo autêntico.
Para os distraídos, lembremos que o autor já lançou um livro com textos escolhidos de entre os publicados no blogue.

Salazar, sempre presente

Passaram ontem 37 anos sobre a morte de Oliveira Salazar. O estadista que levantou Portugal da decadência ignominiosa em que os partidos da desonra e do estrangeiro o mergulharam dizia o seguinte, na comemoração (em 14 de Agosto de 1935) dos 550 anos da Batalha de Aljubarrota:
«Hoje como então se exige espírito novo para fazer a revolução nacional. O espírito novo é mais fácil encontrá-lo em novos que em velhos, ainda que haja velhos com mocidade de espírito e moços gastos por interesses e preocupações que não costumam ser da sua idade. É, porém, essencial que o espírito da mocidade seja por nós formado no sentido da vocação histórica de Portugal com os exemplos de que é fecunda a História, exemplos de sacrifício, patriotismo, desinteresse, abnegação, valentia, sentimento da dignidade própria, respeito absoluto pela alheia.»
Uma lição permanente.

sexta-feira, julho 27, 2007

Ron Paul, uma esperança para os EUA?

Outsider, iconoclasta, um segunda-linha: alguns dos epítetos dirigidos a Ron Paul, significando que o republicano não tem a mínima hipótese de ser nomeado candidato à presidência pelo partido do elefante. E se calhar não tem mesmo.
Mas este membro da Câmara dos Representantes que votou contra a entrada dos EUA na guerra contra o Iraque é a esperança de muitos americanos que apenas anseiam por que o seu país abrace os seus princípios fundadores, e em particular que o partido republicano renegue o seu caminho recente de irresponsabilidade orçamental, belicismo e atentado às liberdades individuais.
É de salientar que, como congressista, Paul tem sido incansável na defesa dos habitantes do 14º distrito do Texas, pelo qual é eleito. Chega a passar mais de metade de uma semana de trabalho no local, apercebendo-se dos problemas e necessidades da população.
Defende princípios tipicamente (ou que até há anos faziam por merecer o advérbio de modo) conservadores: mercado livre, defesa da vida, abolição do imposto sobre os rendimentos (chegou a redigir uma proposta de lei nesse sentido), anti-intervencionismo e até a saída dos EUA da NATO e das Nações Unidas.
Se servir de indício, o seu nome é há meses um dos mais teclados nas pesquisas dos internautas americanos.

quarta-feira, julho 25, 2007

António Sardinha (1887-1925) - Um Intelectual no Século

Sob o título supra saíu à estampa um volume da autoria de Ana Isabel Sardinha Desvignes dedicado à vida e obra da grande figura do Integralismo Lusitano. Comprei-o no passado fim de semana e à primeira vista parece uma obra bem documentada, com recurso à vasta correspondência trocada entre Sardinha e a sua mulher. Sei que António José de Brito já teceu críticas contundentes à obra e a caução de António Costa Pinto à mesma não é dos melhores augúrios...
Mas pela variedade de fontes documentais e fotografias incluídas no volume vale a pena adquiri-lo. O mais curioso é que há minutos, na Antena 2, foi feita uma breve recensão da obra por... António Manuel Couto Viana! Ainda há boas surpresas nos tempos que correm.

terça-feira, julho 24, 2007

Declarações à Novopress

O espaço de informação nacional Novopress convidou-me a opinar sobre diferentes temas, da blogosfera ao campo mais genérico do combate nacional. O resultado está aqui, sendo bem vindos os vossos comentários.

domingo, julho 22, 2007

O verdadeiro chefe

Para o Réprobo, a propósito de um seu postal, com amizade.
«O que eu sonho, aquilo que muitos de vós sonham comigo, é que no meio de tantas desordens que abalam o mundo ao ponto de nos interrogarmos quando e como é que ele retomará o seu equilíbrio, que se construa em Marrocos um edifício sólido, ordenado e harmonioso; que mostre o espectáculo de um agrupamento de humanidade, em que homens de tão diversas origens, hábitos, profissões e raças, busquem, sem nada abdicar das suas convicções individuais, o alcançar de um ideal comum, de uma razão comum de existência. (...)
Quem mais não é que militar não passa de um mau militar; quem mais não é que professor não passa de um mau professor, quem mais não é que industrial não passa de um mau industrial. O homem completo, aquele que pretende cumprir o seu pleno destino e ser digno de conduzir homens, numa palavra ser um chefe, esse deve ter as suas lanternas abertas para tudo o que faz a felicidade da humanidade.»
(Discursos e textos do Marechal Lyautey incorporados por Robert Brasillach no seu romance "La Conquérante". Tradução: FSantos.)

Cartazes políticos

A imagem que ilustra o postal anterior foi retirada deste site, que contém 68 (!) páginas de reproduções de cartazes políticos do pós-25 de Abril. Lá se encontram preciosidades como as aqui mostradas (carregue na imagem para a aumentar), uma do PS (reparem nos nomes dos participantes no "colóquio sobre auto-gestão"), outra da Nova Monarquia.
O link foi uma amabilidade do Corcunda.


Lei Barreto

Quando era miúdo (8-9 anos) era impossível passar por uma rua de Lisboa sem que se visse escrito "Abaixo a Lei Barreto". A dita foi aprovada há precisamente 30 anos e foi um primeiro golpe mortal para a Reforma Agrária. E mostrou também ao país que a força do PCP era já uma sombra da de dois anos antes.

Contra o aborto

«Cícero (106-43 a.C.) já ensinava: se a vontade dos povos, os decretos dos chefes, as sentenças dos juízes, constituíssem o direito, então para criar o direito ao latrocínio, ao adultério, à falsificação dos testamentos, seria bastante que tais modos de agir tivessem o beneplácito da sociedade (...) por que motivo a lei, podendo transformar uma injúria num direito, não poderia converter o mal num bem?»
Numa altura em que o Brasil se prepara para referendar a legalização do aborto sugere-se a leitura deste artigo, de onde extraí a sábia reflexão ciceriana. Oxalá o país irmão mostre mais sensatez que aquela que o nosso mostrou.

Boletim Evoliano

Está já disponível o nº1 do Boletim Evoliano, subordinado ao tema "A Superação do Fascismo". Nas palavras dos autores, «Evola foi um tradicionalista, um intérprete da Tradição, e fascista apenas na medida em que o Fascismo assumiu aspectos tradicionais.»
Leitura obrigatória, claro.

terça-feira, julho 17, 2007

O triunfo dos porcos?

Antigamente aquilo que vêem na imagem era o que acontecia aos traidores à Pátria, como Miguel de Vasconcelos: a morte, por indecente e má figura. Hoje dá-se-lhes tempo de antena, as suas declarações de despudorado iberismo vêm para as primeiras páginas dos jornais, abrem-se debates sobre o tema, discutindo-se a viabilidade da Pátria como quem discute a evolução do preço do petróleo.
A Quinta Coluna iberista está mais activa que nunca, tem os seus agentes mais ou menos discretos, que vão fazendo a promoção do país vizinho contrapondo-a insidiosamente à crise nacional. Os internacionalistas de sempre, socialistas, ex(?)-comunistas e liberais em busca da eficiência e de "sinergias", estão sempre prontos a abraçar qualquer causa que contribua para a diminuição da soberania nacional. A sua máxima é: tudo o que é nacional é mau. Toca de evocar o iberismo, a União Europeia, a globalização, a abertura (maior ainda) à imigração; não passa um dia em que se não "instrua" as massas nesse sentido; ainda ontem, o DN, jornal de uma coerência impecável pois é a voz do regime seja ele qual for (e não temos tido poucos nos mais de 125 anos de vida que leva a folha), que deu tanto destaque à erva daninha nobelizada, tinha um editorial em que defendia que o futuro de Portugal só estava assegurado se... deixássemos entrar ainda mais catrefas de imigrantes. Nada surge ao acaso, as toupeiras anti-nacionais movimentam-se, os incautos caem na ratoeira e os inconformados são cada vez mais uma minoria, quais índios remetidos a uma reserva.

sexta-feira, julho 13, 2007

Momento eleitoral

Nunca, nos meus blogues, apelei ao voto em quem quer que seja. Antes de mais porque não tenho os meus leitores em tão má conta que tente, paternalisticamente, levá-los a tomar a minha escolha. Depois porque, para mim, eleições é do mais deprimente que há: em lugar de servirem para melhorar a vida da nação e dos seus habitantes, antes perpetuam a miséria moral e material em que são obrigados a viver há algumas décadas; não é o voto da maioria, manipulada pela propaganda, pela chantagem moral e pelos jogos de partidos, que vai permitir o resgate nacional.
Confesso o meu espanto pelo espaço e tempo de antena que a candidatura de José Pinto Coelho tem beneficiado na rádio e na televisão; embora ainda muito longe do espaço concedido aos representantes dos grandes partidos, é uma mudança sensível face ao que era habitual conceder-se ao PNR. JPC tem aproveitado, com mestria, para passar a sua mensagem: longe de ter uma postura agressiva e demagógica à outrance - cliché que normalmente se associa a um líder de um movimento dito de extrema direita -, Pinto Coelho fala pausadamente, apela aos valores que até há uns anos eram os de grande parte da população, denuncia a corrupção, o clientelismo e o completo assalto à máquina de estado por parte dos partidos do sistema. O seu discurso é claro, aqui e ali algo demagógico, talvez um pouco simplista nas soluções que pretenderia aplicar. A mensagem é facilmente apreendida pelo comum dos mortais, farto das fórmulas ocas que nada querem dizer.
As eleições intercalares em Lisboa vão permitir a muita gente exercer um voto de protesto em lugar de aderir à abstenção. Pinto Coelho e Garcia Pereira vão beneficiar desse estado de espírito de parte da população. Muito pouco vai mudar em Lisboa, como muito pouco muda após um escrutínio eleitoral, que é, por definição, um marco de sustentação do regime. Resta ao português fazer como a figura imortalizada por Bordalo Pinheiro - seja nas urnas, seja no sofá ou na praia.

quarta-feira, julho 11, 2007

Corrente literária

De quando em vez lá ressurgem as correntes na net. Desta vez instam-me o Mário e o Réprobo a dizer quais os últimos cinco livros que li ou estou a ler. Inicialmente disse ao Réprobo que já me tinha deixado de correntes, tendo-lhe respondido no seu blogue. Mas enfim, como já são dois os desafiantes aqui fica no Horizonte a relação dos livros que mais recentemente me passaram (ou ainda passam) pelas mãos:
- "Eurico o Presbítero", de Alexandre Herculano;
- "Giulio Cesare", de Martin Jehne;
- "José Antonio, entre odio y amor", de Arnaud Imatz;
- "Jeunesse Immortelle", de Julien Green;
- e a BD "O Refúgio de Kolstov", de Ceppi.
O romance de Herculano há-de ser conhecido de muitos de vós. Estranhamente nunca o tinha lido. Narra a decadência do domínio visigótico na Península e a crescente ameaça islâmica que sobre ela pesa. Uma obra pouco actual, já se vê... O tom é doloroso e plangente, juntando o rigor histórico de um Walter Scott ao desespero romântico de um Goethe. Mas com a originalidade do grande português que foi Herculano.
O segundo é uma biografia de Júlio César que adquiri recentemente em Roma. O leitor fica literalmente preso à descrição das campanhas (eleitorais e militares) do genial estratega romano.
O terceiro é a excelente biografia do líder da Falange. O autor procura analisar a sua carreira sem os preconceitos habituais de esquerda ou direita. Reserva um capítulo de mais de 100 páginas ao estudo da doutrina joseantoniana, estranhamente inserido entre o capítulo que termina com a prisão de José Antonio e o capítulo que narra o envolvimento da Falange na Guerra Civil.
O livro de Julien Green é absolutamente maravilhoso, pela forma elegante e sensível (mas sem espavento) com que o autor lança um olhar sobre dois homens de letras (e não só) ingleses: John Donne e Samuel Taylor Coleridge. A obra é pura poesia em prosa, cada palavra tem um valor próprio e insubstituível, uma verdadeira obra-prima que me entusiasmou como há muito um livro o não fazia. O livro saíu no ano da morte de Green, 1998.
A BD referida é passada no tempo da ex-URSS e narra as peripécias de um anti-herói que tenta entregar uma encomenda política e militarmente sensível e que tem de se haver com toda a sorte de criaturas que circulam nas zonas mais inóspitas do Afeganistão e da Turquia...
Têm agora a incumbência de responder a este inquérito os confrades Lory Boy, JSarto, Flávio Gonçalves, Thoth e Francisco.

terça-feira, julho 10, 2007

Despida para matar...

A calmeirona aí à esquerda não é nenhuma candidata a Bond girl. Trata-se na verdade de um soldado de Tsahal, tal como apresentado por uma campanha de sensibilização do povo americano para o alegado facto de os israelitas serem um povo normal e, como se vê, sexy e pr'á frentex.
Se crêem que esta campanha de quase prostituição da mulher israelita é virgem (passe a expressão), desenganem-se: ainda antes da criação do estado sionista se usaram mulheres em tácticas pouco dignas, no sentido de esbulhar proprietários árabes das suas terras. E ainda hoje o Shin Beth tenta chantagear árabes com o mesmo procedimento.
(A ler, aqui.)

quinta-feira, julho 05, 2007

Nascido em...

O Padre António Vieira dizia que o português tinha um torrão para nascer e todo o mundo para morrer. Pelos tempos que correm, muitos portugueses têm, para nascer, Espanha - ou estradas. Se ao menos os que nos desgovernam fossem morrer para bem longe daqui.

segunda-feira, julho 02, 2007

O estado da blogosfera nacional

Mantendo há quase três anos um blogue, lendo blogues há mais de três, constato que nunca a blogosfera nacional esteve tão em baixo. Quando, em 2004, se discutia acaloradamente os princípios que deviam nortear o nacionalismo português, pese o ruído de quem não gosta tanto de discutir como de gritar as suas ideias e insultar os que se lhe enfrentam, o debate era rei. Caixas de comentários com menos de dez entradas eram raras, os blogueiros escreviam postais quase todos os dias (às vezes mais que uma vez por dia), a mesma frequência com que apareciam novos blogues.
Não sei se por cansaço, se por desistência de manter um diálogo que as mais das vezes tendia a ser de surdos, quase todos se recolheram sobre si, os seus princípios e os seus apoiantes, estabelecendo-se os tão típicos grupinhos dentro do meio: os racialistas, os identitários, os patriotas, os católicos, os neo-pagãos, os saudosos do Estado Novo, os socialistas nacionais. Cada qual com os seus blogues emblemáticos, as suas claques. Tudo muito bem compartimentadinho, dado que o diálogo com "os outros" é entendido como uma perda de tempo. Num meio tradicionalmente diminuto, tornou-se caricatural assistir-se a esta balcanização da blogosfera nacional, com mui poucas pontes lançadas para a outra margem.
Sinto que a blogosfera, como forma de debate de ideias, de divulgação de informações e de afirmação nacional, começa a estar esgotada. Alguns defendem que os fóruns são o melhor sistema para debater ideias na net, mas ao constatar-se a rapidez com que eles se tornam em plataformas de difusão de insultos e até de ódio, é legítima a dúvida.
Creio que espaços como a Alameda Digital devem ganhar terreno. Aí, independentemente das diversas sensibilidades nacionais-patrióticas dos articulistas, pode-se desenvolver um pensamento nacional, divulgar informações regra geral escondidas pelos mass media, promover iniciativas e difundir a cultura que é filtrada pelo politicamente correcto.
Na blogosfera ficarão os mais teimosos - o que em muitos casos é um mérito - mas a qualidade do seu trabalho, ou pelo menos a sua frequência, é uma triste sombra do que foi num passado recente.

quinta-feira, junho 28, 2007

Reflexões sobre Israel e o lobby sionista

Em complemento ao postal anterior poderia dizer, com Jimmy Carter, que «a força militar israelita pode, com o apoio dos EUA, destruir a economia de Gaza, do Líbano e de outros países e provocar grandes danos. Mas, após a destruição, os movimentos de guerrilha sobrevivem e estarão cada vez mais unidos e beneficiarão de um apoio maior». (Texto completo - e indispensável - aqui.)
Também a não perder este tête à tête entre James Petras e Norman Finkelstein sobre o poder do lobby sionista na definição (e acção) da política externa norte-americana.

Israel ao ataque

Desconheço se vamos ter, um ano depois, um verão ainda mais quente que o habitual no Médio Oriente. Agora que a Fatah e o seu todo poderoso chefe da "segurança", Dahlan, foram varridos de Gaza, Israel sente-se mais à vontade para recomeçar os ataques contra um território agora identificado como reduto do Hamas, portanto reduto de terroristas.
Todo o estado-maior israelita deve saber que estas incursões não resolvem o problema do terrorismo nem da segurança de Israel. O que levanta a questão de se saber qual o efectivo objectivo destes ataques, que muito provavelmente será de manter a tensão (pelo terror - este de Estado) e de minar o governo do Hamas.
O Ocidente, sempre pronto a promover a democracia no mundo, em especial no Médio Oriente, logo que o Hamas ganhou as legislativas, fez tudo para o isolar e tornar de facto quase impossível a sua governação. Houvesse ou não intenção de o movimento islâmico procurar alguma via para a paz, ela ficou cortada à partida com a adopção pelo "mundo livre" da agenda israelita. O que também não é nada de novo. Manda quem pode, pode quem manda.

Filipe Ferrer

A morte de Filipe Ferrer, aos 70 anos, constitui uma perda para o teatro nacional. Não acompanhei a sua carreira nos palcos, infelizmente. Dele retenho sobretudo duas participações extraordinárias, uma para televisão e outra para cinema.
Uma série de televisão em quatro episódios, "Pós de Bem-Querer", trouxe-nos um Ferrer na pele de um monárquico durante a I República, sempre ansiando por uma revolução que derrubasse o odioso regime. A caracterização do personagem era um pouco caricatural, politicamente correcto oblige, mas Ferrer deu-lhe corpo com mestria.
O filme "Camarate" de Luís Filipe Rocha denunciou com todo o mérito (argumentativo e cinematográfico) toda a trama que conduziu ao encobrimento daquilo que na verdade constituíu um crime. Filipe Ferrer representava um advogado que tenta levar a filha a conduzir a investigação para além do espírito corporativo e acomodado dos advogados de regime.
Descanse em paz, na sua Faro natal.

sexta-feira, junho 22, 2007

Rapazes de raça branca "abandonados" pelo sistema escolar britânico

Um relatório ontem divulgado mostra que os rapazes de raça branca são os que obtêm os piores resultados escolares na Grã-Bretanha. Após anos de discriminação positiva, com especial incidência na era Blair, o sistema educativo britânico gerou um grupo de jovens ressentidos, que desprezam a escola e que tendem a engrossar as fileiras do desemprego e do crime, como confirma o relatório, cujos resultados podem aqui ser analisados.

quinta-feira, junho 21, 2007

Visto em Roma (conclusão)

(Continuação e conclusão das partes 1 e 2.)
Uma visita a Roma não deve dispensar uma ida à Piazza della Torre Argentina onde, numas ruínas descobertas no início do século XX, se pode ver o local onde foi assassinado Júlio César. (Defronte há uma excelente loja Feltrinelli, a famosa livraria, a melhor das três que visitei.) Infelizmente o local é poiso de alguns marginais e vagabundos (sem-abrigo, como hoje se diz).
Seguindo pelo Corso Vittorio Emanuelle chegamos ao Tevere (Tibre). Do outro lado espera-nos o Vaticano e, um pouco à direita, o Castelo Sant'Angello, que nos inícios foi uma fortaleza mandada construir pelo imperador Adriano.
A bela Via della Conciliazione leva-nos até à Piazza San Pietro. O nome daquela evoca o Tratado de Latrão que, sob os auspícios de Benito Mussolini, efectivou o estatuto do Vaticano e a sua independência, em 1929. A Praça de São Pedro parece menos imponente ao vivo que na televisão, talvez por a ter visto despida de grandes multidões. A arquitectura é imponente e sóbria, em estilo barroco; tendo tido o contributo de variadíssimos artistas, a Basílica é no entanto conhecida pelo contributo primordial de Bernini e de Michelangelo (a cúpula de 160 metros de altura foi por si concebida). Do interior, riquíssimo, destacam-se a Pietà de Michelangelo e o impressionante Baldaquino, de Bernini (na foto), sob o qual se situa o altar, onde só o Papa pode proferir missa, e ele próprio situado sobre o local onde se pensa estar sepultado Pedro. Sugiro uma olhadela a esta página para conhecerem um pouco melhor a Basílica, a sua história e a sua arte.
Infelizmente o meu tempo livre não coincidiu com o horário de visita à capela Sistina e aos Museus do Vaticano, o que muito lastimei. Pude no entanto visitar a sala do Tesouro.
***
A vida em Roma, para o turista, não é necessariamente cara. Pode-se comer bem e não pagar muito e há hotéis para todas as bolsas. O comércio tem preços decentes, nomeadamente as livrarias, com uma pletórica oferta de títulos muito em conta.
Roma não parece estar invadida por imigrantes como, por exemplo, Paris ou Londres. Ao contrário do que acontece nestas cidades, taxistas e empregados de mesa são naturais do país, o que não descaracteriza a cidade aos olhos do turista (e certamente ainda menos aos olhos dos seus habitantes).
Turistas há muitos mas concentrados em três pontos: Vaticano; zona do Coliseu e Fórum; e Fontana di Trevi, claro.
A rede de metro é pouco extensa, há apenas duas linhas; é preferível escolher o autocarro ou andar a pé pois há sempre uma surpresa em cada rua. Foi totalmente sem o planear que dei com a magnífica Coluna de Trajano que, nos seus 40 metros de altura, mostra belos relevos caracterizando a vida do imperador; é hoje encimada não por uma estátua deste (desaparecida no século XVI) mas por uma de Pedro, que não quadra de todo com o monumento. Ao lado podemos ver os Mercados de Trajano e o Fórum de Augusto, mais abaixo, contornando o Capitólio, deparamos com o Teatro de Marcelo e, continuando, chegamos ao Circo Massimo. Daí às Termas de Caracala ou ao Coliseu, Fórum e Palatino é, como já vimos, um passo. Uma quantidade impressionante de monumentos históricos numa área relativamente restrita!
***
Uma menção a Mussolini. Ainda hoje parece haver um culto ao Duce, seja nas barracas que vendem chapéus e toalhas com reproduções de imagens suas, seja em livrarias especializadas ou em lojas de recordações. No entanto, a cidade oficial quase que ignora quem nela governou durante mais de um quinto do século passado. E a sua marca ainda hoje se lá sente: duas das ruas que vão dar ao Coliseu, a Via del Foro Romano e a Via Gregorio foram rasgadas no Ventennio; o bairro residencial EUR, também. Perto do Coliseu, no ponto onde começa a Via Gregorio, ainda se mantém de pé uma coluna mencionando o facto de a rua ter sido construído durante o reinado de Vittorio Emanuelle III, sendo chefe de governo Benito Mussolini. Um esquecimento dos democratas, esta coluna...
***
Por o que me apercebi, a vida cultural romana é intensa mas aparentemente menos que em outras grandes cidades europeias (a fazer fé na informação dos jornais). Abarcando várias épocas, os espectáculos não esquecem os clássicos, nomeadamente Homero e Virgílio, mesmo que em encenações modernas.
É uma cidade magnífica, com monumentalidade, com espaços mais recatados, com bairros pitorescos como Trastevere e - o que não é excepção no panorama europeu - com vastas áreas residenciais feias, sujas e degradadas. Mas essas não ficam na retina.

quarta-feira, junho 20, 2007

Leituras

Muitas e boas leituras nos sites alternativos:
- um retrato de Proudhon, esse anarquista ferozmente anti-marxista e conservador em várias questões sociais (recorde-se como a sua doutrina seduziu algumas franjas da Action Française, que criaram o Cercle Proudhon);
- um relato alucinante do linchamento de Donato Carreta, um infeliz que nem sequer era fascista e que sucumbiu à barbárie das massas fanatizadas pelos comunistas na Itália do pós-guerra;
- todos os textos sobre "Direita e Direitas" no último número da Alameda Digital;
- a destruição de bibliotecas e da vida cultural em Jerusalém (Al-Quds, em árabe) por parte do ocupante sionista.
Boas leituras.

terça-feira, junho 19, 2007

Anti-depressivos e suicídios em alta em Portugal

Grelhas de interpretação:
- PCP: o sistema capitalista conduz à alienação das massas e à degradação das suas condições de vida;
- BE: se ao menos fosse de marijuana...;
- PS: desinformação jornalística;
- PSD: a culpa é de Correia de Campos;
- liberais: se o mercado fosse livre o aumento do consumo seria ainda mais espectacular e a dinamização do segmento de anti-depressivos uma realidade.

domingo, junho 17, 2007

The 51st State of America

Todos sabemos que Tony Blair se comportou como o caniche de Bush aquando da decisão de invadir o Iraque de Saddam Hussein: sabia que não havia armas de destruição maciça naquele país martirizado por uma feroz ditadura e por mais de uma década de embargo económico; pior, foi conivente, senão mesmo parte actuante, na manipulação das informações que davam como certa a existência das ADM.
Agora, qual menino que foi atrás dos grandões da turma, lamenta que os EUA não tivessem convenientemente planeado o pós-invasão do Iraque, o que de resto nem o surpreendeu pois dessa falta de preparação já à época ele suspeitava!
Se a história lhe fizer justiça, Blair dela constará como um criminoso que foi colaborante de uma invasão sem fundamento, que mergulhou um país no caos e na barbárie, tudo para benefício dos dois mais fortes lobbys da política externa norte-americana: o petrolífero e o judaico. Servindo-se da capa democrática como legitimadora daquilo que era ilegítimo, Blair e Bush comportaram-se como dois facínoras da pior espécie. E o mundo ficou um lugar ainda mais inseguro.

Do politburo profundo

O nosso confrade António Balbino Caldeira, do blogue Do Portugal Profundo, está novamente sob a alçada da "justiça" deste podre regime fanaticamente apostado em calar as vozes dissidentes que aqui e ali ainda se fazem ouvir. Tendo já sofrido uma rusga da polícia por motivo do caso Casa Pia, Caldeira é agora incomodado devido ao papel fulcral que teve na revelação da licenciatura "micro-ondas" do primeiro ministro da república portuguesa, um dos membros da União das Repúblicas Soviéticas Europeias.
Daqui segue um abraço de solidariedade para o António, figura cuja perseverança e temeridade são um exemplo para todas as pessoas dignas este país.

Alameda Digital

Está já disponível em linha o 8º número da Alameda Digital, subordinado a um tema que tem pano para mangas: "Direita e Direitas". As rubricas habituais sobre cinema, música e letras, bem como o sempre penetrante editorial de Carlos Bobone, fazem igualmente parte do menú.
Disfrutem.


sexta-feira, junho 15, 2007

Visto em Roma (2)

Benditas as cidades, como Roma, que põem este terrível dilema aos visitantes: que ver? Ou, por outras palavras, que seleccionar de entre a plêiade de monumentos e locais que ela nos oferece? E creiam-me que não foi tarefa fácil proceder a essa selecção. Só levava comigo uma certeza: prioridade absoluta ao Fórum Romano; mais tempo não houvesse, uma visita a esse centro da vida política, jurídica e comercial da Roma antiga afigurava-se-me indispensável. Por aí comecei, portanto.
O Fórum encontra-se situado entre dois locais também emblemáticos: o Capitólio e o Coliseu. Má rês como sou, comecei o passeio umas duas centenas de metros mais a norte, para ver o Pallazzo Venezia, de onde o Duce fazia discursos às massas romanas. Segui para o Capitólio (Campidoglio, em italiano). Este, situado numa colina, representava a autoridade de Roma, caput mundi (cabeça do mundo); de resto, a palavra "capital" tem origem no nome Capitólio. Não vos vou massacrar com detalhes que encontram em qualquer bom guia da cidade, mas deve-se referir a magnífica praça desenhada por Michelangelo, os palácios nela situados e que albergam belos museus. Curiosas também as ruínas de uma insula, ou ilha, essas habitações com escassas condições de conforto, onde habitava a plebe. É interessante constatar como na cidade do Porto ainda hoje se designa por "ilhas" os bairros mais degradados, compostos por casas térreas que regra geral dão para um pátio comum.

Do alto do Capitólio tem-se uma vista soberba sobre o Fórum. Aqui o visitante fica embasbacado perante a imagem em ruínas do que terá sido a magnificência deste local, composto por arcos, templos, colunas, basílicas (que à época não tinham qualquer função religiosa), centros de transacções e recolha de tributos. É difícil seleccionar algo de entre este acervo soberbo, mas referirei: a Casa das Virgens Vestais, sacerdotisas que dedicavam trinta anos da sua vida a manter aceso o fogo sagrado, a vigiar o Paládio (a mítica estátua da deusa Atena), a ensinar as noviças no seu ofício e - claro - a permanecer virgens (sob pena de serem enterradas vivas); e o Arco de Tito, que comemora a vitória deste sobre os judeus, em 68 d.C., que culminou com a queda de Jerusalém e a diáspora judaica. No interior do arco dois belíssimos relevos, retratando o desfile da vitória, vendo-se alguns troféus de guerra, como um candelabro de sete braços.

O Coliseu, apesar do suplício que é circular pelo maralhal de turistas que por lá abunda, merece uma visita demorada. A sua construção foi ordenada por Vespasiano, em 72 d.C.. Como sabem, lá se faziam combates de gladiadores e lutas de animais selvagens. Podia albergar até 70.000 pessoas. O acesso era feito através dos seus magníficos 80 arcos, que circundam todo o edifício.

A sul do Fórum situa-se o Palatino, numa colina muito agradável, de onde brotam diversas fontes de água aparentemente puríssima (ainda não adoeci, portanto...) e que constituía um dos locais mais procurados pelos habitantes mais notáveis da cidade, como o orador Cícero, o poeta Catulo, o imperador Augusto (que viveu sempre em condições modestas) ou os seus espaventosos sucessores Tibério, Calígula e Domiciano. De entre os belíssimos monumentos que se pode visitar merecem menção as Cabanas de Rómulo, ruínas das primeiras construções de Roma, supostamente erigidas no tempo de Rómulo (século IX a.C.).

Mais a sul, as impressionantes Termas de Caracala. Mandadas construir por este imperador em 317 d.C., são uma construção ainda hoje imponente. Podiam receber até 1600 banhistas, havendo, além dos diversos banhos (de água quente, morna e fria) e da piscina, ginásios, galerias de arte, bibliotecas e jardins. É um dos monumentos de Roma que melhor conjuga a magnificência com a quietude (os turistas aparentemente ficam-se pelo Coliseu, perdendo de resto a oportunidade de ver o local onde começava a Via Appia).

O Circo Massimo, no Aventino (área a sudoeste do Palatino e que lhe é adjacente), era o maior estádio da Roma Antiga. As bancadas podiam receber até 300.000 pessoas, que acorriam a ver as corridas de quadrigas (lembram-se de Ben-Hur?), outras competições desportivas e lutas entre animais selvagens. O que terá sido a pista ainda hoje está visível, destacando-se pela sua terra batida em contraste com os relvados circundantes. Por lá andei, tentando imaginar o rumor da multidão, o trote dos cavalos, o choque dos carros...

(continua)

terça-feira, junho 12, 2007

Visto em Roma (1)

De regresso de Roma, proponho-me escrever uns quantos postais sobre aquilo que vi na mais bela cidade do mundo. Como este blogue também procura seguir a actualidade, começarei pelo ambiente político que por lá se vive, seguindo-se então outros postais mais centrados no impressionante património cultural da urbe.
***
A passada semana política foi escaldante em Itália. Primeiro, o escândalo da revelação da pressão exercida por um membro do governo, Visco, para substituir responsáveis da Guarda di Finanzia que investigam estranhos movimentos de fundos para alguns partidos da maioria, em particular o Pds, de D'Alema, antigo primeiro-ministro (e comunista reciclado em social-democrata), que parece deter fundos na América do Sul. A caricatura da edição de sexta-feira de Il Giornale (próximo de Berlusconi) mostrava D'Alema a responder às críticas: ma io sono il ministro dei fondi esteri ("eu sou o ministro dos fundos estrangeiros", trocadilho com ministro dos negócios estrangeiros, cargo que ocupa). O debate no senado foi quente mas a maioria, composta por diversos partidos, dos comunistas (assumidos) aos verdes, passando pelos radicais de Panella e, claro, pelo Pds, aguentou-se. A sua imagem, essa, ficou ainda mais manchada junto da opinião pública. Como escrevia o editorialista do Corriere della Sera: «certas exibições parlamentares dos últimos dias demonstram que certos políticos perderam todo o sentido da realidade e não compreendem os sentimentos que estes espectáculos estão suscitando na sociedade italiana». Qualquer semelhança com o que se passe em outro país latino é pura coincidência...
No sábado, a visita de George Bush. Aparato de segurança impressionante: 18.000, entre polícias e carabinieri. Estavam marcadas duas manifestações de protesto: uma, partindo da Piazza della Repubblica, agregava os chamados "no global", toda a trupe de alter-mundialistas; a outra, na Piazza del Popolo, juntava partidos da maioria, que se queriam demarcar da fórmula apontada na primeira: Prodi = Bush, mas que também não se pode dizer que primasse pela coerência, sendo os seus promotores partidos com membros no governo. Esta última foi um fracasso assumido pelos organizadores: pouco mais manifestantes que polícias...
A primeira estava destinada a ser mais eficaz. Tive o azar supremo de, inadvertidamente, ter aterrado em plena Piazza della Repubblica quando a manif se preparava para arrancar. Não imaginam a tropa: sobretudo malta nova, alguns estilo BE, outros comunistas assumidos, com bandeiras de Cuba e da URSS, t-shirts de Estaline e da Albânia; os carros debitavam, em altos berros, rap e hip-hop. Nenhum sinal distintivo da Itália, a não ser uma t-shirt com os dizeres "Partigiani, sempre". Os jornais do dia seguinte falavam em muita gente embriagada e drogada. Quando finalmente atravessei a turbamulta vi avançar um grosso contingente de forças especiais, com o coração da política italiana: Pallazzo Chigi (residência do primeiro-ministro), Pallazzo Madama (Senado) e Quirinale (residência oficial do presidente, actualmente outro comunista reciclado: Giorgio Napolitano).
Nessa área havia barreiras diversas, encontrando-se encerrado o trânsito de veículos e peões. O metro também estava fechado. Um verdadeiro ambiente de estado de sítio. Só soube à noite que a manif não terminou de forma pacífica: cerca de 300 anarcas (segundo a imprensa, pertencentes ao grupo Disobidienti, do nordeste) confrontaram-se com a polícia, partiram vidros da Banca di Roma e da Banca Intesa e semearam o caos entre o Corso Vitor Emmanuelle II e a mui turística Piazza Navona, onde ficaram cercados pelas forças da ordem. Turistas em pânico tentavam fugir para lugar seguro. As instruções eram, no entanto de contenção, tendo sido mais os feridos do lado dos defensores da ordem que dos rufias. Prisões, apenas sete, em que se incluíam dois estrangeiros. Passei pela zona meia hora depois do caos, desconhecendo completamente o que se passara... Nos jornais de domingo fiquei a saber que a escumalha até profanara (na noite anterior) uma placa de homenagem a Aldo Moro e aos seus cinco guardas que foram liquidados na altura do rapto, nela escrevendo "Bush igual a Moro". A boçalidade a conviver com a indignidade. Soube também que a polícia retirara um cartaz dos manifestantes que, singelamente, dizia Noi e le talibani ("Estamos com os talibã). Palavras para quê?
Quanto à visita propriamente dita, decorreu dentro da maior cordialidade entre representantes de países da Nato, declarando Bush que "Prodi é um amigo". Mas como "old loves die hard", o presidente ianque, após o protocolo oficial, arranjou quase uma hora para estar com o seu velho amigo Silvio Berlusconi... Pelo meio, algumas gaffes, em particular na recepção no Vaticano (de manhã), quando tratou Bento XVI por "Sir" em vez de "Your Holiness" (a conversa decorreu em Inglês). Mais cómico foi o facto de a limusina de Bush não ter podido penetrar na área da embaixada por ser demasiado comprida!

terça-feira, junho 05, 2007

O triunfo dos hebreus

Só na aparência é que os dois textos que se seguem são antagónicos. Um, uma entrevista a Yuri Slezkine, o autor de "The Jewish Century", é aparentemente apologético da gesta hebraica e defende que todos nos tornámos (simbolicamente) judeus, ou seja, que adoptámos o seu estilo de vida e os seus valores: primado da razão, mobilidade, intelectualidade, agitação, desenraízamento, abolição das fronteiras.
O outro tem mais de cem anos e é uma reflexão de Dostoievsky sobre os hebreus, na qual o grande escritor desmonta alguns dos mitos de que o "povo eleito" gosta de se rodear. A certo passo afirma: «E o resultado de tudo isso é que o seu [dos hebreus] reino se aproxima, o seu reino completo! Inicia-se o triunfo daquelas ideias ante as quais deverão inclinar-se os sentimentos de amor à humanidade, de ânsia de verdade, os sentimentos cristãos e os nacionais e até o orgulho étnico dos povos europeus. Triunfa o materialismo, a cega, voraz, cobiça do bem-estar material para a própria pessoa e o empenho de entesourar dinheiro com o mesmo fim - tudo isso reconhecido como finalidade suprema, como razoável, como liberdade, em lugar da ideia cristã de salvação, apenas pela união rigidamente ética e fraterna dos homens.» O autor frisa que «eu não me refiro a homens bons e maus. E não há também entre os Hebreus homens bons? Teria sido um mau homem o falecido James Rothschild! Eu falo aqui em geral do judaísmo e da ideia judaica, que invade o mundo todo em lugar do "fracassado" cristianismo».
Por isso seria bom que houvesse uma reflexão sobre este texto, longo mas fundamental, e que os leitores, atendo-se aos factos e despindo-se de preconceitos, o comentassem.
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«É natural que seja muito difícil penetrar na chave da velha história de quarenta séculos de um povo como os Hebreus; não sei. Mas sei, sim, e muito bem, uma coisa: que no Mundo todo não há outro povo que tanto se lamente do seu destino, que tão constantemente, a cada passo e a cada palavra, se esteja queixando da sua degradação, das suas dores, do seu martírio, como o povo hebreu. Qualquer pessoa acreditaria que não são eles que dominam a Europa. Ainda que apenas o façam da Bolsa, é um facto que governam a política, os assuntos internos, a moral dos Estados. Poderá ter morrido Goldstein pela ideia eslava; mas há muito tempo que a questão estaria resolvida já a favor dos Eslavos se a ideia judaica não tivesse tanta força no mundo. Disposto estou a acreditar que é possível que lorde Beaconsfield haja esquecido a sua ascendência judaica-espanhola (com certeza que a não terá esquecido); mas que nos últimos anos conduziu a política "conservadora" britânica do ponto de vista judaico, isso está fora de questão. Mas suponhamos que tudo quanto eu disse até aqui sobre os Hebreus é uma objecção sem importância...; eu próprio o concedo. Apesar de tudo, não posso crer sem repugnância nesse clamor dos Hebreus; não posso acreditar que os tenham humilhado e atormentado e açoitado tanto quanto dizem. Na minha opinião, o mujique russo e em geral o povo baixo russo têm de carregar aos ombros fardos mais pesados do que os Hebreus. Numa segunda carta, escreve-me o autor da primeira que transcrevi: "Antes de mais é absolutamente necessário que nos concedam a nós (os Hebreus) todos os direitos civis (pense que até hoje se nos nega o principal direito: a livre eleição do lugar de residência, de onde resulta um nunca acabar de consequências terríveis para a grande massa dos hebreus), direitos civis iguais aos de que gozam todos os alienígenas na Rússia e depois disso já poderá pedir-se-nos que cumpramos com todos os deveres tanto com o Estado como para com o povo russo..." Mas eu peço-lhe a si também, meu caro senhor, que tenha em conta que na segunda página dessa carta é o senhor mesmo quem escreve que lhe "inspira mais carinho e compaixão do que o Hebreu esse povo russo que tanto trabalha" (o que não é pouco na boca de um hebreu), não se esqueça o senhor de que na época em que o Hebreu não tinha direito a eleger livremente a sua residência, vinte e três milhões desse "povo russo que tanto trabalha" vivia e sofria em escravidão, o que, na minha opinião, era um pouco pior. E ter-se-iam apiedado alguma vez os Hebreus? Creio que não; no Oeste e Sul da Rússia poder-lhe-ão responder com toda a espécie de pormenores. Também por aquele tempo clamavam os Hebreus por direitos que o povo russo não tinha; punham o seu clamor no céu e chamavam-se mártires e diziam também que, quando lhe tivessem concedido plenitude de direitos, então poderiam pedir-lhes "o cumprimento de todos os deveres para com o Estado e o povo Russo". Mas veio o libertador e emancipou os camponeses russos e quem foi o primeiro a precipitar-se sobre eles como sobre uma vítima? Quem soube aproveitar-se tão bem das suas fraquezas e defeitos em proveito próprio?... Quem se deu pressa em envolvê-los nas suas eternas redes de oiro?... Quem se precipitou enquanto pôde, a suplantar os seus antigos senhores, com a diferença de que os proprietários fundiários de outrora, se era certo que exploravam e bastante o mujique, tinham, contudo, o cuidado de não arruinarem por completo os seus servos, como faz o Hebreu, ainda que fosse por interesse próprio, para não esgotar a sua capacidade de trabalho? Mas o Hebreu que se lhe importa de esgotar a força russa? Desde que obtenha o que pretende, o resto é o menos. Já sei que quando lerem isto os hebreus se porão a protestar, dizendo que não é verdade, que os calunio, que minto, que dou crédito a todas estas calúnias, porque não conheço os seus "quarenta séculos de história", a história desses anjos puros, que são incomparavelmente mais morais que todos os outros povos juntos da Terra, para nada dizermos do russo deificado por mim. Extraio isto da carta que cito mais acima. Pois muito bem; poderão ser mais morais que todos os outros povos juntos da Terra, para nada dizermos do Russo; mas eu acabo de ler no número de Março do Mensageiro Europeu que na América do Norte (nos Estados do Sul) os hebreus se lançaram sobre os recém-emancipados negros e agora os dominam de uma maneira muito diferente da dos antigos donos das plantações. Naturalmente que o fazem valendo-se da sua eterna "rede de oiro"... com uma arte excelente para se aproveitarem da ignorância e dos vícios do povo que tratam de espoliar. Ao ler isto pensei que há cinco anos atrás esta notícia me teria colhido de surpresa: "Agora já estão emancipados os negros dos donos dos engenhos; mas, como irão eles quedar-se imunes no futuro, se, em seguida, cairão sobre o tenro cordeirinho pascal os hebreus que no mundo tanto abundam?" Assim pensava eu há cinco anos, e garanto-lhe que de há cinco anos para cá me perguntei a mim próprio com frequência: "Porque será que na América do Norte não se fala dos judeus, que os jornais não dizem nada dos negros? E no entanto esses escravos são um verdadeiro tesouro para os hebreus. Como é que eles os irão respeitar?" Pois muito bem, eles aí estão. E vai para dez dias lia eu no Novo Tempo uma informação de Kovno, que é também muito característica: "Os hebreus -dizia esse diário - arruinaram quase toda a população lituana com a aguardente, e, só graças aos padres católicos, com as suas admoestações e as penas do inferno e a formação de associações de temperança se conseguiu salvar essa pobre gente de desgraças maiores". O culto correspondente envergonha-se de que o seu povo continue a acreditar nos padres e nas penas do inferno e sem mais aquelas acrescenta que, além dos curas, se uniram também os capitalistas para fundarem bancos agrícolas "a fim de libertar o povo das garras do usurário hebreu", bem como mercados, onde "o pobre camponês que tanto trabalha" possa comprar as coisas necessárias por um preço módico e não pelo que o Hebreu lhes impõe. Limito-me a reproduzir o que li; mas de antemão sei o que me vão responder: "Tudo isso não demonstra nada e é apenas o resultado de os Hebreus serem pobres e estarem muito oprimidos; tudo isso mais não é que "luta pela existência" - coisa que só um leitor de curtas vistas deixará de ver -, e se os israelitas, em vez de serem tão pobres, fossem ricos, mostrar-se-iam tão humanos que todo o mundo se espantaria." Mas, em primeiro lugar, tanto esses negros como esses lituanos são ainda mais pobres do que os hebreus que os espremem até mais não poderem, e no entanto - leia-se a informação citada - abominam esse género de comércio a que é tão dado o Hebreu.
Aliás, não é nada difícil portar-se uma pessoa moral e humanamente quando está farta e quente; mas, quando intervier um poucochinho de "luta pela existência", não se aproximem do Hebreu!(...) Mas os hebreus queixam-se sempre de ódio e perseguições. Ainda que eu não conheça a maneira de viver dos hebreus sei, em compensação, uma coisa, e disso quero dar testemunho diante de toda a gente: que o nosso camponês ingénuo não está animado de um ódio apriorístico, surdo, religioso, baseado nisso de que "Judas vendeu Cristo". Quando muito, poderão ouvir-se algumas vezes essas palavras na boca de crianças ou de bêbados; mas o nosso povo, repito-o, olha para o Hebreu sem ódio preconcebido. Eu vivi com o povo num mesmo pavilhão e dormi nos seus próprios catres. Havia ali alguns hebreus e ninguém os desprezava, nem os repelia, nem os perseguia. Quando rezavam - e os Hebreus rezam com grande espavento e vestem-se para isso de forma especial - ninguém se admirava ou se sentia incomodado ou se ria, o que, afinal, podia acontecer, nada mais natural, penso eu, da parte dum povo tão "inculto" como o russo. Pelo contrário, ao verem rezar os Hebreus, diziam: "Rezam desta maneira porque assim o manda o seu credo", e com toda a calma, quase com assentimento, passavam de largo. Em compensação esses mesmos hebreus comportavam-se como estranhos para com esses mesmos russos, não queriam comer com eles e olhavam-nos quase de cima do ombro. E isto onde? Pois num presídio siberiano. Sobretudo mostravam sempre asco e repugnância pelo povo russo "indígena". O mesmo acontece nos quartéis e em toda a parte, por toda a Rússia. Averigue-se se o hebreu nos quartéis, enquanto hebreu, a propósito da sua fé ou dos seus costumes, é objecto de algum vexame. Posso garantir que nos quartéis, como em todas as outras partes, o russo da classe baixa compreende de sobra que o Hebreu não quer comer com ele, que tem desprezo por ele e o evita quanto pode (os próprios Hebreus o reconhecem). E que sucede? Que em vez de se dar por ofendido de um tal comportamento, o russo do povo diz consigo, tranquila e discretamente: "procede assim, porque assim o manda a sua religião", quer dizer, não porque seja mau. E assim que se capacita dessa razão profunda logo o absolve de todo o seu coração. Pois bem: mais do que uma vez me tenho perguntado a mim próprio o que aconteceria se na Rússia houvesse três milhões de russos e oitenta milhões de hebreus, ao contrário do que actualmente acontece. Que fariam os últimos aos primeiros, como os tratariam? Conceder-lhes-iam sequer, aproximadamente, os mesmos direitos? Não os reconduziriam pura e simplesmente à escravidão? O que ainda seria pior: não lhes arrancariam a pele? Não os exterminariam por completo, nãos os destruiriam pela raiz, como, segundo a sua velha história, o fizeram com outros povos? Não, garanto-lhe que o povo russo não tem nenhum ódio preconcebido contra os Hebreus. (...) Oh! Evidentemente que em todos os tempos fez o homem um ídolo do materialismo e sempre tendeu a ver e a cifrar a liberdade na sua segurança própria mediante o "ouro com todas as suas forças invocado e por todos os meios defendido". Mas nunca se viram esses sentimentos elevados tão franca e dogmaticamente à categoria de princípio supremo como no nosso século XIX. "Cada um para si e só para si, e toda a comunidade dos homens só em meu proveito"; eis aqui o princípio moral da maioria dos homens de hoje em dia e não já os piores, mas dos homens que trabalham e não matam nem roubam. E a falta de piedade para com as massas inferiores, a ruína da fraternidade, a exploração do pobre pelo rico -oh!, isto, naturalmente já existiu antes e sempre! -, mas não se tinha convertido numa verdade e numa filosofia, pelo contrário, o cristianismo deu-lhe constantemente batalha. Enquanto agora, pelo contrário, está erigido em virtude. Por isso pode supor-se que não deixou de influir neste estado de coisas o facto de os Hebreus dominarem ali (na Europa) as Bolsas e manejarem os capitais a seu talento, e concederem créditos, e, repito-o, serem os amos de toda a política internacional. E o resultado de tudo isso é que o seu reino se aproxima, o seu reino completo! Inicia-se o triunfo daquelas ideias ante as quais deverão inclinar-se os sentimentos de amor à humanidade, de ânsia de verdade, os sentimentos cristãos e os nacionais e até o orgulho étnico dos povos europeus. Triunfa o materialismo, a cega, voraz, cobiça do bem-estar material para a própria pessoa e o empenho de entesourar dinheiro com o mesmo fim - tudo isso reconhecido como finalidade suprema, como razoável, como liberdade, em lugar da ideia cristã de salvação, apenas pela união rigidamente ética e fraterna dos homens. Talvez me respondam a isto com um sorriso, que isso se não deve de maneira nenhuma aos Hebreus. Claro que não apenas aos Hebreus; mas, tendo em conta que os Hebreus da Europa, a partir precisamente do dia em que esses novos princípios obtiveram ali a vitória, preponderam, inclusivamente, na massa e que as suas normas foram erigidas em princípio moral, pode muito bem afirmar-se que o judaísmo teve em tudo isso uma grande influência. Os meus contraditores vêm sempre com a mesma cantiga de que os hebreus são pobres e isso em toda a parte, ainda que de forma especial na Rússia; que só a rama dessa árvore popular é rica, os banqueiros e os Reis da Bolsa, enquanto quase as nove décimas partes dos outros são literalmente uns mendigos, que se guerreiam por um pedaço de pão e por um copeque lutam até mais não poder. Sim, tudo isso está certo; mas que quer dizer no fim de contas? Não quererá dizer precisamente que até no trabalho dos hebreus, até na sua exploradora actuação, há seja o que for de injusto, de anormal e antinatural que em si mesmo traz o seu castigo? O Hebreu procura o seu lucro em negócios de agiotagem... e comercia com o trabalho alheio. Mas nada disto altera um ápice o que fica dito; em compensação, os hebreus ricos dominam cada vez mais a humanidade e esforçam-se com zelo crescente por imprimir ao mundo uma face hebraica e comunicar-lhe a sua essência. Quando se traz à colação esta qualidade dos Hebreus, sempre acabam por dizer que também entre eles há pessoas boas. Santo Deus! Mas trata-se aqui disso? Eu não me refiro a homens bons e maus. E não há também entre os Hebreus homens bons? Teria sido um mau homem o falecido James Rothschild! Eu falo aqui em geral do judaísmo e da ideia judaica, que invade o mundo todo em lugar do "fracassado" cristianismo.»
Dostoievski, "Diário de um escritor".

domingo, junho 03, 2007

Donas e raínhas

A exemplo do Hospital de Santa Maria, também em Lisboa, em cuja entrada consta uma placa com a data de inauguração (em pleno Estado Novo) mas em que foi suprimido o nome de quem presidiu à inauguração, também o Hospital dito de D. Estefânia parece conviver mal com o regime que o viu nascer. O próprio site oficial menciona que o «povo encarregar-se-ia de prestar a própria homenagem à Rainha que tanto amara, denominando-o definitivamente Hospital de Dona Estefânia». Quem não souber um pouco de história ainda pode pensar que a tal D. Estefânia seria alguma emérita empregada de limpeza do estabelecimento e não a esposa de D. Pedro V, um dos reis mais amados da nossa história.
E, no entanto, algumas indicações mais antigas do hospital ainda têm as iniciais HRE ("R" de raínha, claro), já para não falar da coroa que encima a fachada principal. Em referências mais recentes, para além do nome actual, apenas consta HDE. Isto no país e no regime que se pela por fazer inaugurações e de lhes apôr placas mencionando a "S. Excelência" que a elas presidiu.

Novas da multiculturalidade

Os maiores de 30 anos lembram-se certamente da amável série televisiva "Uma Casa na Pradaria", de resto recentemente redifundida pela RTP Memória. Os tempos, hoje, são outros - e o canal canadiano CBC assim o demonstrou, tendo transmitido a série "A Mesquita na Pradaria" (Little Mosque in the Prairie)... Como devem calcular, a mensagem é no sentido da tolerância e da aceitação do outro, tendo o programa, muito naturalmente, recebido os maiores encómios da crítica.
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Longe do Canadá, outro exemplo dos novos tempos: Ernâni Pereira, Leandro Gomes, Marcus Ferreira e André Ladaga são jogadores de futebol brasileiro que certamente nada vos dizem. Pois fiquem sabendo que o quarteto actua na selecção do... Azerbeijão! Desgraçadamente, os dois primeiros encontram-se lesionados e os dois últimos estão em baixo de forma, não tendo podido evitar a derrota caseira por 1-3 frente à Polónia.