sexta-feira, abril 28, 2006

Herança Comum

«Na sua extrema complexidade, Salazar foi acima de tudo uma vontade inquebrantável, com domínio constante e absoluto sobre todo o seu ser. Da sua energia íntima retirava toda a sua força. Sensível, nervoso, emotivo, permanecia contudo sempre sereno, frio, sem cóleras, desapaixonado, sem pressas, sem excitação, em particular quando em torno de si todos se mostravam incertos e perplexos. Nunca o abandonava a sua lucidez, que usava como método de penetração e conhecimento da realidade, nem jamais se obscurecia ou enfraquecia a sua capacidade de análise demorada, lenta, minuciosa, de que extraía conclusões a sínteses, arquivava-as de forma sistemática, e dava depois a sensação de haver reflectido durante séculos sobre cada assunto ou situação. Aderia e entregava-se a tudo quanto o cercasse em cada instante; cuidava de cada problema com uma absorção exclusiva e intensa, como se nenhum outro existisse e como se, para encontrar a melhor solução, tivesse à sua frente a eternidade. Criador da lei, era o seu primeiro escravo, e submetia-se-lhe como seu mais humilde servo. Defensor do Estado, não subordinava essa defesa a quaisquer outros critérios ou considerações; era glacial no tratamento e condução dos negócios públicos; e por acto de vontade calcava gostos pessoais, vencia emoções, suprimia ressentimentos, desconhecia ofensas. Escutava sem interromper, com atenção concentrada, e retinha com fidelidade quanto se lhe dizia; não se sentia afrontado com objecções ou ideias opostas; não era impressionável, nem influenciável; mas factos e argumentos alteravam a sua posição. Era intransigente nos princípios, mesmo que pudesse correr risco de destruição; mas era flexível na táctica e subtil na mudança de rumo; e dava à nova linha que prosseguisse uma nova construção lógica, de modo a não se contradizer nem desmentir. Considerava-se emanação genuína do povo, de cujos interesses se sentia universitário, e cujos sentimentos misteriosamente compreendia e avaliava. Era céptico e indiferente perante as élites. Delegava autoridade, e aguardava que cada um cumprisse o seu dever; mas não tinha no íntimo a segurança de que o fizessem. Não pedia favores, e não aceitava obséquios que lhe criassem dependências ou familiaridades. Interessava-se por tudo, e informava-se nos mínimos pormenores; e sabia em cada momento qual a posição política e pessoal de cada homem que contasse no País. Tinha acima de tudo um ângulo de visão só nacional.»

Franco Nogueira in "Política", n.º 14/15, 15/30.07.1971, pág. 13.

4 comentários:

Anónimo disse...

Nasceu nesta data um Grande Homem - Salazar

Nesta mesma data (28-04-1945)faz hoje anos que um bando de democratas libertadores e humanistas assassinaram barbaramente IL DUCE...

Não esquecemos nem perdoamos

IL DUCE
PRESENTE!

Legionário

alex disse...

"um bando de democratas libertadores e humanistas"

Que eu saiba foram comunistas, logo, não eram nem democratas, nem libertadores nem humanistas.

Chamar Democrata a um comuna é dar um tremendo pontapé na Ciência Política.
O Marxismo é a doutrina mais antagónica à Democracia que existe.
Na verdade o Marxismo antagoniza ainda mais a Democracia que o Fascismo.

Mas estas coisas já não interessam, o que interessa é que uma nova e imparável Revolução está a ocorrer no mundo.
Só ainda não a viu quem anda distraídp com os 'fait divers'.

Desta vez, é uma boa Revolução.
;)

Anónimo disse...

Boa Buiça, esse tal de legionário é só fait diversos!
Sobre a boa Revolução fez o Dragão uma "reposição" lá na caverna dele.
Passe por lá e cuidado com o fogo.

Euro-Ultramarino disse...

Grande evocação da pena de uma grande inteligência e absoluto portuguesismo. Bem haja!