quarta-feira, junho 28, 2006

Pensões de muito alimento

A atribuição de pensões a "anti-fascistas" tem sido abordada por vários confrades. Questiono-me sobre os motivos para tal generosidade por parte do governo e chego às seguintes hipóteses (que podem e devem ser vistas cumulativamente):
- agradar a amigos de longa data, vulgo "compagnons de routes";
- necessidade de manter bem vivo o mito da "longa resistência do povo português ao fascismo" (dixit prêambulo da constituição). Quanto mais um regime se desmorona, quanto maior a sua falência financeira e moral, maior a necessidade para os seus mentores de falar em como as coisas "antes" eram bem piores; para isso, nada como condecorar quem lutou contra o "antigamente";
- a terceira hipótese é mais especulativa mas se calhar tão ou mais real que as anteriores. Em 25 de Novembro de 1975, um sinistróide de nome Melo Antunes (que na mesmíssima ocasião entregou de mão beijada Cabinda aos facínoras do MPLA) proclamou que o PCP teria um "papel insubstituível na construção da democracia poprtuguesa". De golpe, um movimento que lutou incansavelmente para a entrada de Portugal na órbita soviética, e que naquele dia poderia muito legitimamente ter sido ilegalizado, é declarado membro de pleno direito de um regime democrático. Para uns, o homem do Grupo dos Nove mais não fez que consolidar a democracia, incorporando no seu seio um partido que assim melhor seria controlado, evitando o regresso à clandestinidade, com toda a aura "heróica" que isso acarretaria aos olhos de muito eleitores.
O que é certo é que o PCP se adaptou muito bem ao novo regime. Podendo continuar a dizer as maiores atoardas sobre a URSS e o "socialismo", arrebanhou dezenas de autarquias (sobretudo no Alentejo), controlou empresas públicas anos a fio, colocou os seus homens de mão em sectores estratégicos da economia, do jornalismo, da política. O regime acomodava assim a institucionalização de um adversário incómodo mas manipulável, que se consolava com as benesses referidas, acumuladas com as gordas contribuições de Moscovo (alguém ainda se lembra como o jornal "O Diário" sucumbiu pouco depois do colapso da URSS?).
Adversário manipulável mas incómodo. Mantendo uma grande capacidade de "luta", sobretudo via greves, o PCP nunca pôde ser demasiado hostilizado. Essa bonomia dos outros partidos na forma de lidar com os comunistas permitiu de certa forma o ressurgir do mesmo após a natural queda eleitoral subsequente ao fim da URSS. E, quinze anos após a feliz ocorrência, o PCP tem um peso eleitoral comparável ao que detinha à época. Mesmo com a morte de velhos eleitores, o partido lá vai conseguindo manter muitos bastiões eleitorais e uma boa representação parlamentar (o adiar da reforma eleitoral, com a manutenção do sistema proporcional, para tal tem contribuído).
Chegamos, assim, à minha terceira hipótese: quando se atribui ao director do "Avante!" uma pensão, será que este se tornará mais benigno nas suas críticas ao governo? Será que vai recentrar a sua ira sobre a "direita"? Amolecer-se-á? O tempo o dirá, mas se há algo que os trinta anos de abrilada mostram é como o regime não só vive bem com o PCP como precisa dele, sendo a recíproca igualmente verdadeira.
(Nota: sugiro aos leitores que deitem uma vista de olhos pelas opiniões dos leitores do "Correio da Manhã" à notícia de que deixei link no início deste texto; elas mostram bem a distância entre a classe política e o "povo".)

8 comentários:

sionistas transmontanos disse...

"... poderia muito legitimamente ter sido ilegalizado..."

Poder, podia....mas tinha sido bem pior.
Um PCP clandestino no pós-25 de Novembro seria um cenário que, na altura, poderia acarretar grandes dissabores ao país.
Legalizá-lo foi acertado, apesar da opinião que se possa ter do PC.

De qualquer forma, a alínea do Artº 46º da CRP deveria ser pura e simplesmente retirada, de forma a que TODO o tipo de agremiações políticas sejam legais.

Como disse uma vez Jean-Marie Le Pen:

"Le plus grand danger est ce qu'on ne voit pas"

"...o adiar da reforma eleitoral, com a manutenção do sistema proporcional, para tal tem contribuído..."

Espero que não esteja a sugerir o abandono do sistema proporcional e a adopção do sistema maioritário.
O sistema maioritário gera distorções inaceitáveis e veda quase comletamente qualquer chance de pequenos partidos chegarem à Assembleia sendo por isso uma falsificação absoluta, pois deixa de ser até verdadeiramente representativo.

Diminuição drástica (para 120 ou 130, p.ex.) do número de deputados: SIM!

Instituição de uma Câmara Alta não eleita ou eleita indirectamente: We can talk about that

Abandono do método proporcional: NÃO.

obs: naturalmente, tudo isto de representatividade é apenas 'semi-Democracia'.
A única forma puramente Democrática que existe é o Referendo pois é aí que, na realidade, o Povo exerce directamente o poder....partindo do princípio que os governentes respeitam os resultados dos referendos e que a validade destes não seja deliberadamente 'encurtada', como às vezes parece que alguns querem em Portugal.

Thoth disse...

Amigo Fsantos,
que castigo daremos a esta gente?

Anónimo disse...

Teste rápido para descobrir se você é racista ou não.
Responda rápido:

Num galinheiro existiam 30 galinhas.

Um preto levou 10 galinhas.

Quantas galinhas estão agora no galinheiro?

RESULTADO, EM BAIXO :































?

Se respondentes 20 galinhas - ÉS RACISTA

Se respondeste 40 galinhas - PARABÉNS

Se tinha 30 e o preto levou mais 10, ficaram 40 galinhas.

Eu não disse que o preto tinha roubado... !!!!

alex disse...

ahahahahhahahahaha



"...que castigo daremos a esta gente?"

Proponho que sejam sodomizados com um pepino ou com uma beringela, sem lubrificante e em praça pública.
:)

Anónimo disse...

Pobre pepino...

JSM disse...

Caro FSantos
Este é um postal em que hesitei comentar...porque: parece-me que não conseguimos libertar-nos do jogo do empurra em que nos querem ver metidos. Explico. Fui incomodado (sequestrado, digamos) antes do 25 de Abril, provávelmente por engano, porque sempre fui monárquico, porque metiam toda a oposição no mesmo saco, seja lá porquê. Fui incomodado também depois do 25 de Abril, porque era monárquico, porque não era progressista, seja lá porquê.
Cumpri quase quatro anos de serviço militar, entre 1967 e 1971, atirador de infantaria era o a minha arma, arranjei pelo menos uma hérnia de esforço e sofri um acidente de viação que me lembra ainda hoje a mudança de tempo, etc. Nunca falei neste assunto a ninguém. Logo, este requerimento não é para o Caro FSantos deferir, mas apenas para me responder se tenho ou não o direito a dar uma opinião abalizada, sem baliza, sobre este assunto!
Penso que sim.
Ora bem, eu creio que este subsídio, mais um, vem antecipar algum outro que o Sócrates pretenda dar, no eterno jogo eleitoral republicano, aos antigos combatentes da chamada guerra colonial (patriótica, chamo-lhe eu).
Esta é que me parece a questão que deveria ser desmistificada, acabando de vez com este benfica-Sporting para entreter papalvos.
Não há subsídios para 'letreiros', mas pode haver para pessoas individualmente consideradas, caso a caso. Esta é a minha posição de fundo...monárquico.
Quanto ao teste...deu racista! Baseei-me no sentido tradicional do termo 'levar'! Mas parece que fui 'levado'.
Um abraço.

Anónimo disse...

Tenho um tio que esteve na Guerra do Ultramar, quando se deu o 25 do A. para grande alegria dos Pais e familiares, o querido filho vinha de regresso a casa...
O discurso do meu tio em relação ao ultramar era igual ao de outros que eu escutava na altura – Que embora a guerra e as dificuldades inerentes, não deu por mal empregue o tempo que passou em Moçambique, muito pelo contrário, e que era uma pena termos abandonado aquilo...
Concluindo - Felizmente que esse meu tio se encontra financeiramente, digamos, bem instalada mas quando se pôs a hipótese de os antigos combatentes virem a receber um subsidiosito e se calhar também porque a idade começa a pesar (mais por isso), o discurso já era diferente – Eram as mazelas que se tinham apanhado lá, era o combater por uma terra que não era nossa, enfim o blá, blá do costume.
Subsidio dependentes!? – está-nos no sangue, qui-ça!!??

Legionário

Anónimo disse...

O que podem pedir os que foram presos após o 25 de Abril sem direito a advogado, na solitária várias semanas, dias, com mandatos de captura em branco e muitos menores... Não terão direito a que esse tempo seja contado para a reforma já que lutaram por um sistema que não marxista e estes vivem numa sociedade pela qual não lutaram e outros «miúdos» sim miudos foram dentro porque pretendiam que Portugal não ficasse sob uma ditadura, pela livre iniciativa. O que me podem dizer?