quinta-feira, julho 13, 2006

As Portas da Madrugada

O primeiro álbum dos Pink Floyd, "The Piper at the Gates of Dawn" (1967), é o único da banda a contar com a colaboração de Syd Barrett. É talvez o melhor álbum de sempre da chamada música moderna. Se a qualidade e criatividade dos três acompanhantes de Barrett (Waters, Wright e Mason, aos quais se juntaria Gilmour após o abandono de Barrett) é já evidente, é o génio de Syd que marca o opus 1 dos Floyd.
Mesclando explorações sonoras inovadoras, ambientes surreais, sugestões de viagens interplanetárias, com melodias relativamente simples e evocações do imaginário infantil, "Piper" tem, paralelamente à revolução sonora que corporiza, uma candura e ternura que o rock raramente voltaria a ter, mergulhado no mundo cínico da indústria discográfica ou, quando dele mais ou menos afastado, imerso no espírito decadente e deprimente da era moderna.
Assim, Barrett canta sobre gnomos, espantalhos, gatos, contos de reis ou a sua bela bicicleta nova... A influência dos alucinogéneos, evidente em largas partes da obra, mostra-nos bem as contradições dos anos 60, onde "tudo" parecia possível e tudo era permitido. As marcas dessa pseudo-libertação na vida (arruinada) de Syd simbolizam na perfeição as ilusões das utopias e a tragédia da liberdade sem limites propugnada na nossa era.
Resta-nos a arte do genial criador, nos sons e no imaginário:
There was a king who ruled the land
His majesty was in command
With silver eyes the scarlet eagle
Showered silver on the people
Oh Mother tell me more
Why'd you have to leave me there
Hanging in my infant air, waiting
You only have to read the lines of
Scribbly black and everything shines

5 comentários:

Anónimo disse...

Inteiramente de acordo. Os Pink Floyd, já sem Sid Barrett, ainda fizeram 1 ou 2 albuns decentes e, para mim, acabaram em 75 com o Dark Side of the Moon.Tudo o que veio a seguir é para esquecer.
Dentro deste género de música recordo os King Crimson, dos quais há muito que nada sei.
Talvez tu me possas informar.
Um abraço.
JLL

Anónimo disse...

Errata: "acabaram em 75 com I wish you where here"
JLL

F. Santos disse...

Meu caro JLL, os King Crimson ainda mexem! Continuam a editar álbuns em bom ritmo, a maior parte dos quais gravações antigas de concertos até aqui inéditas (quanto a mim um exagero, pois neste momento têm mais álbuns ao vivo que em estúdio). Os álbuns de originais mais recentes (desde 2000, com "The Construkction of Light") representam uma inflexão no som da banda, pois são bastante mais pesados, a roçar em algumas músicas o heavy metal.
A discografia completa está aqui:
http://www.allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&sql=11:8x63mpn39f1o~T2
Um abraço.

Anónimo disse...

Gracias, caro amigo.
Já fui ver a discografia dos KC e o disco que me enchia as medidas era, precisamente, o primeiro e único que tive (em vinil) desta banda: "In the court of the(..)" Vou tentar arranjá-lo em dvd.
Quanto aos Pink Floyd, o que mais vezes ouvi, e ainda oiço de vez em quando, é o Atom's Heart Mother.
JLL

F. Santos disse...

Esse é mesmo o melhor dos KC mas "Lark's Tongues in Aspic" (1973) também é fantástico. Com a "line up" mais recente é indispensável a trilogia "Discipline / Beat / Three of a Perfect Pair".
Dos Floyd gosto de quase tudo. O lado B de "Meddle" (o tema "Echoes") é uma obra-prima pouco conhecida, vá-se lá saber porquê.