domingo, agosto 27, 2006

Premonição de poeta

(...) E no entanto o país, meu Senhor,
É uma beleza! uma beleza! encantador!
Trinta portos ideais, um céu azul marinho,
A melhor fruta, a melhor caça, o melhor vinho,
Balsâmicos vergéis, serranias frondosas,
Clima primaveril de mandriões e rosas,
Uma beleza! Que lhe falta? Unicamente
Oiro, vida, alegria, outro povo, outra gente.
Raça estúpida e má, que por fortuna agora
torna habitável este encanto... indo-se embora!
Deixe morrer, deixe emigrar, deixe estoirar:
Dois bogueirões de esgoto, — o cemitério e o mar.
Que precisamos nós? Libras! libras, dinheiro!
Libras d'oiro a luzir! Onde as há? No estrangeiro?
Muito bem; o remédio é claríssimo, é visto:
Obrigar o estrangeiro a tomar conta disto.
lmpérios d'além-mar, alquilam‑se, ou então
Sorteados — em rifa ou à praça — em leilão.
E o continente é dá‑lo a um banqueiro judeu,
Para um casino monstro e um bordel europeu.
Fazer desta cloaca, onde a miséria habita,
Um paraíso por acções, — cosmopolita,
Dar jogo ao mundo, ao globo! uma banca tremenda!
Calculo eu daí uns mil milhões de renda.

Guerra Junqueiro

3 comentários:

Thoth disse...

Até me admira não terem, amigo Fsantos, condenado ao ostracismo o Guerra Junqueiro!

Um abraço

Eurico de Barros disse...

Há boas razões por eu sempre ter gostado do Guerra Junqueiro...

Anónimo disse...

deixo aqui o meu blog... d«eem uma vista de olhos
www.rotativas.blogger.com.br