sexta-feira, março 23, 2007

Reflexões de um engenheiro

Muitos de vós conhecem o famoso discurso de Oliveira Salazar em que o estadista aborda as suas origens:
«Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso à roda da fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia não tenho de enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente. Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem. » (Texto completo aqui.)
O Horizonte divulga agora em primeira mão excertos do Diário do actual primeiro ministro de Portugal. Não deixa de ser perturbadora a influência que o engenheiro procurou no exemplo do Grande Português:
«Devo à Independente a graça de ser engenheiro: sem qualificações que me valham, por muito pouco estou preso ao canudo. Sempre me fizeram falta lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para abichar, na imodéstia a que me habituei a viver, as prebendas de cada dia tenho de enredar-me na trama dos negócios e em comprometedoras solidariedades. Sou um homem da Independente. Sempre tive os olhos postos em clientelas políticas e o partido sempre me apoiou e em paga definiu-me a orientação e os limites da minha acção governativa. Sempre lisonjeei os homens e arrecadei massas, perante os e as quais me curvo, em subserviências que sei serem uma hipocrisia e uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos que não são OTÁrios, é pelo mérito próprio e imposição da minha arrogância de governante, graças a ligações partidárias de peso e apesar dos compromissos eleitorais.»