quarta-feira, abril 04, 2007

Língua (?) do futuro?

Se a língua é dos poucos domínios em que ainda nos podemos sentir portugueses, apesar de décadas de telenovelas brasileiras, de jornalistas encartados e eméritos pontapeadores da gramática, de coevos escritores com um leque confrangedoramente diminuto de vocábulos, de neologismos afro, de acordos ortográficos e outros atentados de lusa-língua, que dizer de notícias como esta?
Mais do que a busca de uma plataforma de entendimento entre quem fala português e quem fala castelhano, parece-me que o portunhol (nome horroroso para uma realidade horrorosa):
- é uma forma de predominância do castelhano (basta ler este sinistro blogue) sobre o português, pois é bem sabido que quem fala português não tem problemas de maior em entender o castelhano, o mesmo se não podendo dizer dos que têm a língua de Cervantes como língua materna em relação ao português;
- é um sintoma de uma época que nutre um desprezo profundo pelas realidades culturais específicas dos povos, tendendo ao facilitismo: "desde que nos entendamos está tudo bem";
- não por acaso é defendido pelo ministro da cultura (com c pequeno) do Brasil, Gilberto Gil, cujo ódio à cultura ocidental é bem patente;
- é uma consequência lógica da tentativa de apagar as raízes dos povos e de os remeter para um contexto linguístico controlado, ou seja, de lhes impor a Novilíngua orwelliana;
- é um passo mais na mundialização em curso.
Se Fernando Pessoa dizia que "a minha Pátria é a língua portuguesa", nos tempos que correm o poeta sentir-se-ia totalmente desenraízado e apátrida - como os senhores do mundo querem que nos sintamos também.

5 comentários:

Ricardo Zenner disse...

Uma «língua» inferior e aberrante para gente inferior e aberrante também... Se os untermenschen não conseguem falar português, não deveremos ter pena - pois é sinal da superioridade da nossa língua e da inferioridade mental, cultural e rácica dos mentecaptos em causa.

Quanto aos «ministros» de aquém e além-mar, estes sempre caíram na classificação acima.

Lembram-me fortemente o personagem Salvatore do «Nome da Rosa» que, corcunda e atrasado mental, apenas falava um arrazoado de farrapos de várias línguas, quase sem nexo, e com um efeito confrangedor.

É evidente o que querem fazer os globalistas. Contudo, se a atitude daqueles que se sentem Portugueses for de desprezo completo para com os Salvatores da novilíngua, o feitiço voltar-se-à contra o feiticeiro, e a nova «casta» será tida como aberração.

Temos contudo de estar muito atentos ao fenómeno negativíssimo das telenovelas, que têm sido utilizadas para lavagem ao cérebro das populações, principalmente das camadas mais jovens. Poderão começar a produzi-las na trapalhada do Salvatore, para inculcar subliminarmente nas massas a sub-língua e, inerentemente, o sub-pensamento.

Cumprimentos

Ricardo Zenner disse...

Desculpem-me a violência dos vocábulos que empreguei no meu comentário acima, mas a revolta que tais «notícias» e «determinações» globalistas me provocam fazem-me usar dos termos que mais horror causam aos energúmenos do «politicamente correcto»...

Saudações nacionalistas

Zé Neves disse...

Que é feito do Buiça?

Anónimo disse...

O Buíça? Foi para Israel, de tampa na cabeça...

PintoRibeiro disse...

Lapidar, lapidar.
Boa noite.