terça-feira, maio 30, 2006

A fractura

Fui dos poucos que, em Setembro de 1999, não fizeram os cinco minutos de protesto silencioso contra a situação que se vivia em Timor. Não só o plano Guterres me parecia irresponsavelmente criminoso, pois a pressa em se efectuar o referendo nas circunstância que se sabe só podia redundar no banho de sangue que veio a acontecer, como nunca me comoveram manifestações de suposta solidariedade pelos povos oprimidos. No caso de Timor a atitude portuguesa, ignorando o mal que Abril fez àquele território, pecava por omissão hipócrita, tentando esconder de todos a forma ignominiosa como o território foi abandonado aos criminosos da Fretilin e, de golpe, às forças indonésias. Outro episódio da descolonização exemplar.
A independência de Timor-Leste não resolveu o problema pois uma sociedade fracturada, habituada a viver em conflito, não se transforma acto contínuo numa nação. O pós 2ª guerra tem-nos dado exemplos sem fim de países tornados independentes às três pancadas, ao sabor da guerra fria, das acções terroristas e dos desenhos de gabinete a régua e esquadro, com todo o seu cortejo de horrores. O hipotético retorno a uma situação colonial nunca resolveria o problema pois o vírus da desunião, da guerra ideológica, do ódio ao ocidental já fizeram todo o mal que podiam - e é irremediável.
Como em tudo, há sempre quem ganhe: algumas multinacionais, traficantes de armas, bandos de terroristas, ideólogos encartados e uma nomenclatura com contas bancárias adiposas - todos com as mãos sujas de sangue.

7 comentários:

JSM disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
JSM disse...

Caro FSantos
Não posso estar mais de acordo com o que escreve, excepto no que a uma solução concerne.
Tem que haver uma solução para além da desgraça presente! E não apenas para Timor, mas para todas aquelas independências inviáveis de "países" desenhados a régua e esquadro nos gabinetes metropolitanos. E que foram atrás dos 'ventos da história'!
Mas nós estivemos lá muitos anos, mais anos que os outros, temos por conseguinte mais ligação e experiência. Temos também outros deveres, porque inscrevemos e prometemos a esses povos, um destino comum.
Mas Você tocou na ferida: Nada se constrói de duradouro sobre a infâmia e a mentira. Mas é por isso que só acredito numa solução com outro regime aqui, em Portugal. Restabelecendo laços de confiança, primeiro, e em segundo lugar propondo uma solução política associativa.
Para além disto é o caos a cada dia que passa.
Um abraço e parabéns pelo texto lapidar.

Ps. Fui eu que removi o comentário anterior porque estava com muitos erros de gramática. Espero bem que sejam só de gramática.

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro FSantos:
eu fiz os protestos da ordem, subscrevendo muito embora as reservas que referes. É que havia um Povo Cristão sob o jugo de um país dominantemente muçulmano. E isso conta.
Abraço.

F. Santos disse...

Ah, se por acaso Timor ficar (?) sob o jugo da Austrália, como este é um país cristão a coisa
é menos grave?!...

Suevo disse...

O FSantos descanse que não foi o unico.



Milhões e milhões de euros gastos com Timor, mas o petroleo esse foi atribuido a outros...

Aumentem os impostos para podermos ajudar os nossos "irmãos" timorenses, e certamente os vassalos daqui do norte bateriam palmas à decisão. Os otarios são assim.

Apetece-me adoptar um lema utilizado pelos que estão agora no poleiro em 1974:

"nem mais um soldado para as colonias"

Paulo Cunha Porto disse...

Julgo ter sido, Caro FSantos, o primeiro entre os Blogues Amigos, a chamar a atenção para esse perigo, quando ainda se não perspectivava a dimensão de que hoje todos estão cientes. Só o JSM e o TSantos, na altura, me ligaram, creio.
Posto isto estou à vontade para dizer: claro que seria menos grave, o que não quer dizer que não deva ser contrariado. Os tiranos não são todos iguais, há uns mais simpáticos do que outros...
Abraço.

Anónimo disse...

Excelente texto, FSantos... Creio contudo que só faltou mencionar a «guerra de aventais» que grassa em Timor e em volta dos seus recursos petrolíferos. Com efeito, até Ramos-Horta é «mano» dos aventais. Uma guerra de maçonarias internacionais a instigar uma guerra de populações?