quinta-feira, julho 20, 2006

As atrocidades "boas" e más

O blogue que melhor tem analisado o que se vai passando no Líbano é sem dúvida "O Pasquim da Reacção". Com uma serenidade que tem faltado aos outros (inclusive a este), que têm sido levados pelas emoções (o que não exclui necessariamente a razão, mas radicaliza as posições), o Corcunda tem tido um equilíbrio notável nas suas crónicas.
E o que estas têm de notável é reduzirem toda a complexidade presente ao essencial: os fins justificam os meios empregues? Que critérios presidem à escolha dos meios? Fácil lhe é concluir que a tão propagada desproporcionalidade da reacção israelita é-o de facto.
E, acrescentamos nós, demonstra bem a forma como aquele país, que se gaba de ser "democrático", tem em muito baixa conta os outros povos, na linha de muita doutrina emanada do "povo eleito".
Já escrevo na blogosfera vai para dois anos e quem me conhece sabe bem que condeno tudo aquilo que são atrocidades contra os povos: sejam os arménios à mão dos turcos, os judeus às mãos dos nazis, os tutsis às mãos dos hutus, os cristãos do Sudão às mãos dos muçulmanos, os portugueses (brancos e negros) às mãos dos terroristas angolanos, os ucranianos vitimados pela colectivização estalinista, etc., etc. (Um exemplo desta postura está aqui bem espelhado.) Por isso, sinto-me à vontade para criticar com particular acuidade as acções bárbaras de um país que, em quase 60 anos, demonstrou todo o desprezo pelos seus vizinhos. Um país que é generosamente apoiado financeiramente pela superpotência americana; que se permite ignorar as resoluções de um organismo, a ONU, que, pese todas as críticas legítimas que se lhe possam assacar, foi quem lhe deu origem, na famosa votação de 1948. E um país que, por via da influência dos muitos simpatizantes que conta por todo o mundo, mantém uma chantagem moral, intelectual e mesmo mental inaceitável sobre o mundo ocidental, agitando as suas vítimas de há 60 anos para "minorar" a imagem de todo o mal que vai infligindo na região.

3 comentários:

O Velho da Montanha disse...

Meu caro,
Devo começar por lhe confessar que não gosto particularmente de Israel nem da sua política, mas dados os desenvolvimentos actuais, nos quais o Hezbollah cumpre uma agenda nítidamente Siria, comandada pelo Irão, eu se fosse Israelita faria provávelmente o mesmo que eles.
Infelizmente, como escrevi no meu blogue, acho que as análises ao conflito têm sido muito mais influenciadas pelas ideologias da simpatia dos seus autores, do que verdadeiras análises objectivas.
Como bem observava Pacheco Pereira, basta olhar para o mapa para verificar que naquela região, Israel arrisca-se a ser riscado do mapa se não praticar uma política agressiva.
Se estou de acordo? Claro que não! Mas acha que eles se deviam deixar extreminar por qualquer Scud ou outro missil de fabrico Iraniano? Não me parece que haja Povos dispostos a serem imolados por questões morais ou de principio.
Um abraço.

sionistas transmontanos disse...

"... em quase 60 anos, demonstrou todo o desprezo pelos seus vizinhos."
(afirmar o oposto não fará também sentido?)

E então que dizer dos outros?
O desprezo, o sectarismo e o radicalismo do lado dos 'vizinhos' não lhe diz nada?
O ódio que os levou a NUNCA aceitar a existência de DOIS Estados?
O Estado Palestiniano poderia existir (de forma pacífica e até 'bucólica') desde 1948, não fosse a obstinação árabe.
Israel sempre reconheceu aos palestinianos o direito a esse Estado....desde que exista reciprocidade, como é óbvio.

Os gajos NUNCA reconheceram sequer Israel e, por várias vezes, moveram guerras contra Israel.
Perderam sempre.

E se o Império Otomano não tivesse caído daquela forma?
E se os turcos ainda lá estivessem? (como estiveram durante séculos)
E os ingleses??....podiam ter ficado e, como colonizadores e/ou administradores do território tinham o 'direito' de o dividir, da mesma forma que a Europa fez com parte do mundo na Conferência da Régua e do Esquadro que reuniu em Berlim.

"tem em muito baixa conta os outros povos"

Não é verdade.
É preciso também não esquecer que 20% dos cidadãos de Israel não são judeus.
É preciso não esquecer que muitas jovens muçulmanas já procuraram Israel para estar ao abrigo dos beneméritos e civilizados 'crimes de honra', por exemplo.
A 'entidade sionista' não lhes deu com a porta na cara, nem a elas nem a outros...e pode-lo-ia ter feito.

Repare que variadas fontes referem que, nas zonas cristãs de Beirute, até agora, a vida decorre com quase total normalidade e não foram bombardeados.
Portanto só estão a ser bombardeados os....
Não estou a discutir a 'bondade' dos bombardeamentos (pois NÃO HÁ bombardeamentos 'bons'), estou só a afirmar que o IDF está a aplicar um critério.
O critério de despejar os completamente 'cegos' Katiusha ou de um suicida se fazer detonar num autocarro, num centro comercial ou numa esplanada também não me parece dos melhores.

Critica-se muito o não cumprimento de resoluções da ONU (esta crítica vinda dos 'anti-ONU' é desconcertante) por parte de Israel e, neste caso, foi o Líbano e o 'Partido de Deus' (nice name) que não cumpriram a Resolução 1559 e tiveram 6 longos anos para o fazer desde a retirada israelita.
O Líbano nem sequer se deu ao trabalho de 'recuperar' o controlo das suas fronteiras sul, deixando-as nas mãos dos grupos de 'humanistas' que sabemos e que, com assinalável regularidade, lá disparavam os seus mísseis, estando-se completamente nas tintas para se atingiam um campo de cenouras, uma escola, um quartel ou um hospital.

Pode-lhe parecer estranho, mas acho que estamos mais próximo do fim do conflito na região e da instauração do Estado Palestiniano do que à primeira vista se possa pensar.

Anónimo disse...

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