terça-feira, novembro 21, 2006

Ocupação, usurpação, sionismo em acção

Admiro os grupos israelitas que advogam a paz com o povo palestino. Não me interessa saber se são de esquerda ou não, sei que defendem uma das causas mais justas dos nossos tempos: a criação de um estado palestiniano num ambiente regional de paz. Admiro-os quando se põem defronte de bulldozers que se preparam para arrasar casas ou campos de cultivo. Sinto que a sua luta deve ser inglória e que devem enfrentar muita incompreensão e mesmo hostilidade do lado israelita. Tal como admiro o judeu Daniel Baremboïm, o grande pianista e maestro que criou uma orquestra de jovens palestinos e judeus, que tocam juntos as grandes obras do repertório clássico. E já nem falo dos familiares de vítimas de atentados terroristas que conseguem conversar com terroristas arrependidos.
Um daqueles grupos pacifistas teve acesso a documentos governamentais que mostram que 39% das terras ocupadas por colonatos judaicos na Cisjordânia são legalmente posse de palestinos, assim desprovidos do que é seu. Nada que nos surpreenda face ao que se conhece de quase sessenta anos de ocupação progressiva da Palestina por parte dos judeus.
Claro que a impotência que sentem os donos legais das terras é grande, perante algo que nada mais é que uma limpeza étnica, pois a substituição de populações é uma realidade.
Uma das áreas ilegalmente tomadas por colonos judeus é hoje a povoação de Migron. Um responsável do município, Avi Teksler, põe tudo às claras: "Migron teve sempre o apoio de todos os governos israelitas. O governo foi sempre um parceiro (sic) em todas as nossa acções." E termina, inequivocamente: "Foi assim que foi criado o estado de Israel".
É preciso acrescentar alguma coisa?

5 comentários:

Anónimo disse...

E depois ainda dizem que o Hitler é que era mau, que maltratou as vítimazinhas inocentes de tampa no cocuruto!...
Afinal, o homem até que tinha razão (e devia-os ter mandado todos para Madagáscar [verídico!], como era sua intenção)...

alex disse...

"...a criação de um estado palestiniano num ambiente regional de paz."

Concordo plenamente.
Os palestinianos têm todo o direito a esse Estado.
A criação de DOIS Estados independentes sempre esteve prevista.

"Foi assim que foi criado o estado de Israel".

Como argumento não é lá muito bom.
Porquê?!
Porque grande parte dos Estados modernos nasceram de forma muito 'similar'.
É ou não e verdade que a maioria do território português foi conquistado aos muçulmanos que cá estava há séculos?
Essa gente foi derrotada militarmente e na sua quase totalidade expulsa da Península Ibérica.
E a queda de Granada (e demais reconquista do muçulmano Al-Andaluz) foi o quê, já agora?

E mais exemplos de 'limpeza étnica' na origem da fundação dos Estados não faltam.
A única coisa que varia neste caso é o tempo. Sim, O TEMPO!
Israel está alegadamente a fazer agora (embora se tratando de uma restauração, não de uma instauração) o que quase todos os outros fizeram há muitos anos.
O que acontece é que pelo ideário dos tempos de hoje é (pelo menos) muito difícil fundar um Estado-Nação baseado em critérios mínimamente 'identitários'.

Imagina a quantidade de ONG's, grupos pacifistas (e por certo 'pianistas','trompetistas','bateristas', etc, etc...enfim, uma orquestra inteira) que D.Afonso Henriques (e os outros primeiros Reis portugueses da Reconquista) e os Reis Católicos não teriam 'à perna' hoje em dia.
Ahahahahahahah

Repito:
a única diferença é que Israel está a ter que fazer agora (se é que o está a fazer, o que não é líquido*) o que muitos outros Povos fizeram há vários séculos e durante séculos.
É uma questão do tempo.
Como se vê, a ideologia vigente não é muito favorável ao 'empreedimento'.

*39%?!?!??!
E a malta a pensar que seriam, pelo menos, uns...vá lá....23240349%

:o)

F. Santos disse...

A questão que o Nelson ilude sempre é que quase não havia judeus (10.000 apenas no início do séc. XX) na Palestina, ao passo que nos outros exemplos que dá os invasores é que foram expulsos. Aqui são os invadidos que são expulsos.

Anónimo disse...

Amigo FSantos, acrescenta isto que ele afirmou : - "Porque grande parte dos Estados modernos nasceram de forma muito 'similar'"

Estados modernos - mais uma vez o conceito, a "pseudo-força-justiça", da modernidade que precisamente não devia permitir estas mediavalices (de Idade Média!)ao povo eleito.
A justificação do erro pela maioria - mais uma democratice!

Legionário

Sikandar disse...

obrigado a ti para tu visita.

Io esto com http://terceravia.wordpress.com/

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