quarta-feira, abril 25, 2007

Notas dispersas sobre a funesta data

Venci em Aljubarrota
Perdi Alcácer Quibir
Mas sofri maior derrota
Por não enfrentar a tropa
Que desembarcou Abril
***
António Manuel Couto Viana, "Restos de Quase Nada e Outros Poemas", Averno, 2006.
***
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1.
Era este um lugar
de raiz duradoura. Mas soou a hora
de deitar país
fora...
... e tal foi
o vendaval
alevantado,
que jamais no areal
se viu tanto herói
irado!
2.
Pátria sem porte,
quando já chegou a ser
pátria sem par!...
(Está hoje às portas da morte.
Fechou as portas ao mar...
Se ao menos tivesse a sorte
d'ir morrendo devagar...)
***
Rodrigo Emílio, Reunião de Ruínas, Edições A Rua.
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Se um Costa matou El-Rei,
Outro Costa matou o Presidente (*)
Ainda cá ficaram mais Costas
Para f... toda a gente!
(*) Sidónio Pais
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Vox populi, a propósito de Costa Gomes. Citado por Mattos Gomes, "A Década Bastarda, Abril de 1974 a Abril de 1984".
***
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«De manhã [em 25 de Abril de 1975], defronte da gare do Rossio, extraordinário monumento em estilo "manuelino-ferroviário" que ornamenta o centro de Lisboa, mulheres já de certa idade instalam, com a maior das descontracções, o seu escaparate político-pornográfico. O lado porno ganha nas calmas, podendo encontrar-se lado a lado "Emmanuelle", Lenine, Mao, "Kama Sutra", "11 de Março, Autópsia de um Golpe"; e depois, roçando-se - impossível inventar melhor - "Por onde vai Portugal?" e "Pontapés no Traseiro". (...)
A um canto de uma rua, dois barbudos oferecem aos clientes um anúncio insólito. No meio do mesmo, o galo de Barcelos (...) Vendo o desenho mais de perto apercebemo-nos que a crista está um pouco fanada, que as asas pendem, desanimadas, o porte da cabeça é bastante menos orgulhoso que o original. A legenda, em letras enormes: "Ruim por ruim, vota em mim!".»
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Jean Marc Dufour, "Prague sur Tage", Editions de la Nouvelle Aurore, 1975.

2 comentários:

Opintas/Bernardo disse...

Boa noite e um abraço.

PintoRibeiro disse...

Sem tempo, a correr, passei para deixar um abraço,