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sexta-feira, janeiro 04, 2008

Notas sobre as eleições americanas

Analisando os perfis dos candidatos democratas e republicanos à Casa Branca, há um posicionamento que cada um terá mas que não nos é revelado. E no entanto não é uma questão de somenos: num país em que o lobby judaico e sionista é extremamente forte, em que o Congresso é maioritariamente favorável às pretensões desse lobby, que têm a dizer sobre ele e a sua agenda política os candidatos?

É capaz de ser muita ingenuidade acreditar-se numa verdadeira mudança no grande país mas as primárias de ontem no Iowa constituíram a meu ver uma deliciosa derrota para os favoritos das sondagens (e quem é que as faz e com que objectivos?) Clinton e Giuliani. Sem menosprezar alguns dos outros candidatos, creio que este duo é o mais hipócrita e despudorado em liça, especialmente a ex-primeira dama, outrora (?) esquerdista de ponta, depois favorável à guerra do Iraque e descarada apoiante das teses mais belicistas do referido lobby. Ambos têm no currículo escândalos financeiros.

Os dois vencedores da noite, Obama e Huckabee, têm um discurso com alguns pontos em comum, nomeadamente no que se refere às preocupações com as classes média e baixa e com o seu repúdio das vantagens fiscais atribuídas por Bush aos mais ricos. O primeiro tem uma mensagem de reconciliação, a que ajudará o facto de não ser descendente de escravos e portanto não ter esse "peso" no subsconsciente. O segundo afirma-se resolutamente contra o aborto e o casamento homossexual mas já parece mais brando no que se refere a questões de imigração.

Céline, racista assumido, afirmava que nas misturas raciais entre brancos e negros era o negro que predominava. Esta concepção parece ser adoptada, sem problemas, pela intelligentsia que afirma que Obama pode ser o primeiro negro a chegar à presidência dos EUA. Na verdade, Barack Obama é filho de um queniano e de uma americana branca.

Ron Paul, independente que é, não tem hipóteses, como in illo tempore não as teve Ross Perot. Mas a sua campanha ficará na história pela simpatia que tem adregado em muitos quadrantes e pelo uso que tem feito da internet, tirando as teses libertárias (ponderadas com o conservadorismo em questões de sociedade) do desconhecimento geral.

Terça-feira há mais.