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segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Surpresa?

Os media querem fazer-nos crer que a eventual eleição de Barack Obama à presidência dos EUA seria algo de revolucionário, dado que o candidato é "afro-americano" (na verdade é mestiço) e tem ideias de esquerda. Mas, após décadas de predominância da agenda esquerdista nos media e na educação, após décadas de relativização de valores e promoção de ideias "fracturantes", de lavagem ao cérebro e de crimideia orwelliana, qual a surpresa de um candidato que representa um pouco de tudo isto chegar a presidente?
Surpresa seria que um candidato como Ron Paul, com uma agenda conservadora, crítico do belicismo e do intervencionismo, tivesse algumas chances. Mas o sistema de há muito que se precaveu contra estas veleidades do verdadeiro espírito americano, que ainda subsiste aqui e ali apesar de, na primeira metade do século XX, dois Roosevelts terem feito mais do que ninguém para o aniquilar. Os seus sucessores foram apenas continuadores.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Contra tudo e quase todos

«O nosso objectivo é inverter mais de um século de super-governo, de estado-providência e de guerra, da manipulação do dólar por parte do banco central, de um complexo militar-industrial gordo e feliz da vida, de subversão da nossa Constituição. Portanto, todos os media e outros "traficantes de ideias em segunda mão" (como lhes chamava F. A. Hayek), que têm interesse na manutenção do status quo, tudo farão para me denegrir. Tudo farão e tudo dirão para anular o nosso movimento. Até a fraude eleitoral estará no horizonte dessa gente.»
Ron Paul, dirigindo-se aos americanos de boa vontade. Quanto à fraude, sinais de que já começou.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Notas sobre as eleições americanas

Analisando os perfis dos candidatos democratas e republicanos à Casa Branca, há um posicionamento que cada um terá mas que não nos é revelado. E no entanto não é uma questão de somenos: num país em que o lobby judaico e sionista é extremamente forte, em que o Congresso é maioritariamente favorável às pretensões desse lobby, que têm a dizer sobre ele e a sua agenda política os candidatos?

É capaz de ser muita ingenuidade acreditar-se numa verdadeira mudança no grande país mas as primárias de ontem no Iowa constituíram a meu ver uma deliciosa derrota para os favoritos das sondagens (e quem é que as faz e com que objectivos?) Clinton e Giuliani. Sem menosprezar alguns dos outros candidatos, creio que este duo é o mais hipócrita e despudorado em liça, especialmente a ex-primeira dama, outrora (?) esquerdista de ponta, depois favorável à guerra do Iraque e descarada apoiante das teses mais belicistas do referido lobby. Ambos têm no currículo escândalos financeiros.

Os dois vencedores da noite, Obama e Huckabee, têm um discurso com alguns pontos em comum, nomeadamente no que se refere às preocupações com as classes média e baixa e com o seu repúdio das vantagens fiscais atribuídas por Bush aos mais ricos. O primeiro tem uma mensagem de reconciliação, a que ajudará o facto de não ser descendente de escravos e portanto não ter esse "peso" no subsconsciente. O segundo afirma-se resolutamente contra o aborto e o casamento homossexual mas já parece mais brando no que se refere a questões de imigração.

Céline, racista assumido, afirmava que nas misturas raciais entre brancos e negros era o negro que predominava. Esta concepção parece ser adoptada, sem problemas, pela intelligentsia que afirma que Obama pode ser o primeiro negro a chegar à presidência dos EUA. Na verdade, Barack Obama é filho de um queniano e de uma americana branca.

Ron Paul, independente que é, não tem hipóteses, como in illo tempore não as teve Ross Perot. Mas a sua campanha ficará na história pela simpatia que tem adregado em muitos quadrantes e pelo uso que tem feito da internet, tirando as teses libertárias (ponderadas com o conservadorismo em questões de sociedade) do desconhecimento geral.

Terça-feira há mais.