Mostrar mensagens com a etiqueta regime democrático. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta regime democrático. Mostrar todas as mensagens

domingo, fevereiro 03, 2008

Ignomínia em dose cavalar

Não faço grande distinção entre deputados que acham que um voto de pesar pelo assassinato de D. Carlos seria caucionar uma versão oficial da história (sic), ou que seria contrário à república (que assim mostra bem a sua face) e a dezena de energúmenos que foram ao Terreiro do Paço com uma faixa que boçalmente proclamava: "O rei morreu, viva o Buiça". Mais gravata, menos gravata, mais solene ou mais grotesco, todos se equivaleram no seu ódio a Portugal (encarado como um país com uma história que não inclui apenas os aspectos que nos agradam) e na sua relativização de valores (um comunista que passou pela tortura do sono merece-lhes compaixão, um chefe de Estado que é morto à queima roupa não).
Uma nota ainda para o verso do pano mostrado pelos anarcas, com alusões ao Bloco do historiador oficial (pois é...) do regime, o deputado Rosas. As workshops de desobediência civil têm sido profícuas para a canalha. Há cem anos incluiriam treino de tiro.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

O democrata de São Bento

Todos sabemos que, hoje em dia, a melhor forma para desqualificar alguém aos olhos da opinião pública é aparentá-lo ou aproximá-lo das posições da extrema-direita. Esta táctica foi hoje usado pelo primeiro-ministro e presidente da comissão liquidatária de Portugal: «No Parlamento Europeu, estamos [PS] com as grandes famílias democráticas e europeístas e recusamos firmemente convergir, nem que seja tacitamente, com a extrema-direita.» Bingo! A acusação é tão grotesca, destinando-se ao BE, que nem vale a pena perder muito tempo a analisá-la. Por esta ordem de razões, se a dita "extrema-direita" se pronunciasse a favor do aborto o engenheiro-diplomado-ao-domingo tornar-se-ia de golpe num acérrimo defensor da vida?!
Igualmente desonesta é a sua afirmação de que «tudo separa a posição da esquerda democrática portuguesa da posição da esquerda conservadora», não só porque há muitos assuntos em que convergem (da imigração à perseguição aos que a criticam, passando pelas tretas da paridade, da não discriminação, etc.), como pela utilização do termo "conservadora", ou seja: "extrema" só a direita.
Mais honesto (sem se aperceber) esteve quando assumiu que obedeceu a ordens: «foi com base no mandato assim recebido que a presidência portuguesa concluiu a elaboração e a assinatura do Tratado de Lisboa». Mais claro que isto...
De resto, todo o discurso da criatura é uma tentativa descabelada de se fazer passar por muito democrática (e esse é o lado para o qual dormimos melhor) e de fazer crer que não há contradição entre a sua promessa de referendo e a sua não concretização. Tudo culmina num mimo democrático: «o sentido de responsabilidade leva o Governo a propor a ratificação parlamentar, [até porque] mais de 90 por cento dos deputados presentes nesta câmara são favoráveis ao Tratado de Lisboa», ou seja: o sentido de estado em democracia é jogar pelo seguro e não deixar a populaça expressar-se.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Promessas e acções do Pinóquio

Sem ofensa ao simpático personagem de Carlo Collodi! O artista que nos desgoverna, engenheiro diplomado a um domingo e grande especialista na língua de Cheikspear (e que até sabe que Bush está em visita a um país do Middle West), prometeu, entre outras coisas:
- que iria criar 150.000 postos de trabalho; pois bem, já só faltam 169.274! Confira aqui;
- que não aumentaria os impostos, não demorando um ai para passar a taxa normal de IVA para 21%, 6% acima da que vigora no país vizinho (que agradeceu: se calhar o homem não especificou em que país se criariam tantos empregos);
- que levaria a referendo o tratado constitucional europeu. Como por vezes há o risco de o povoléu se enganar, o melhor é não arriscar; afinal, a ideia de sujeitar o "monstro" a referendo é já de si anti-europeia, algo quase tão grave hoje em dia como ser racista ou anti-semita.
Em resumo: em democracia as promessas só comprometem quem nelas acredita.
Quanto ao resto da sua acção, o balanço é igualmente reluzente: criou condições (legais e materiais) para se fazerem abortos e encerrou maternidades, condenando os nascituros a um parto à la Jack Kerouac (on the road) ou à Manolo; fechou urgências, mostrando o maior desprezo pelas populações; promoveu a acção bruxelosa por excelência da ASAE, contribuindo para o encerramento de milhares de estabelecimentos e para a plastificação da nossa sociedade e o abandono de mais algumas tradições do povo que tanto odeia; retirou crucifixos das escolas e agora pretende "laicizar" os seus nomes; prepara-se para, com o apoio do PSD, liquidar os pequenos partidos, que eram os únicos a ainda dizer umas verdades sobre esta bandalheira; politizou as secretas e anuiu com a multiplicação das escutas telefónicas.
Nada mau: se já estávamos à beira do abismo, com este atleta demos um passo em frente.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

A lei dos 5000

«A república governa mal - mas defende-se bem», dizia Maurras. A lei dos partidos, que inviabiliza a existência de movimentos políticos que tenham menos de 5000 militantes, é disso um excelente exemplo. Cozinhada pelo Bloco Central, aceite pelos três aspirantes à gamela (como dizia Garcia Pereira ontem à noite no debate da SIC Notícias), esta lei protege ainda mais os partidos com representação par(a)lamentar, livres que estarão dos "maçadores" que, do MRPP ao PNR, ainda vão criticando o regime. Sim, porque a oposição parlamentar anda apenas à caça das prebendas e cargos que o apetecido poder traz, não pondo na verdade em causa o regime, apesar de algumas aparências de indignação:
- o CDS/PP, apesar de algumas posições pontuais mais ideológicas (como no caso do aborto), é daquela direita que, desde que os negócios corram bem, anda satisfeita com a democracia;
- o PCP, ao contrário do que se pensa normalmente, foi salvo pelo 25 de Novembro (obrigado, Melo Antunes) e, ao arrebanhar dezenas de câmaras municipais, sobretudo no Alentejo, teve a devida recompensa por se acomodar ao regime;
- já aos representantes da esquerda-caviar, que fogem dos proletas como o Diabo da Cruz (ai, este povinho ignorante!), satisfaz a adopção pelo governo de algumas questões ditas fracturantes (aborto, casas de chuto, casamentos homossexuais), bem como o financiamento de projectos kulturais igualmente "radicais".
Apesar dos seus deméritos programáticos, partidos como o MRPP e POUS fazem parte do folclore deste triste regime e, por vezes, até dizem umas verdades que a nomenclatura no poder tem que engolir. Já o PNR tem uma intervenção mais dinâmica e provocatória, embora não se tenha (e se calhar não o quis fazer) livrado da fama de reduto de extremistas; mas desde as autárquicas intercalares em Lisboa que estava a ter um destaque inusitado na imprensa e até na televisão, o que não deve ter agradado a muita gente, pois a mensagem nacionalista que Pinto Coelho andava a passar tem grandes condições de ser bem acolhida pelo povo desideologizado mas com um fundo patriótico.
Se querem que vos diga, acho que o regime mal parido em Abril fica mais coerente com o sectarismo (neste caso de extremo-centro) que nunca abandonou - e que de resto está bem espelhado no preâmbulo da Constituição.
Enfim, já não falta muito para a RTP Memória se poder dedicar à retransmissão dos épicos tempos de antena do MRPP, que se iniciam por uma Internacional há muito coberta de teias de aranha na estante onde dormem os discos de vinil dos quadros do PCP!