quinta-feira, janeiro 25, 2007

Mensagem para o outro lado do Atlântico

Estou farto. Farto. Farto do vosso belicismo, inerente à vossa maneira de ser, à vossa forma de estar no mundo, de resto nas raízes da vossa expansão territorial no vosso próprio continente, expulsando os nativos, tratados como sub-homens, confinados a reservas.
Farto do vosso moralismo democrático, do vosso messianismo pseudo-humanista, difundindo os vossos valores outrora na ponta das espingardas, hoje por meios mais sofisticados (limpos, diriam vocês) de ceifar vidas humanas - vidas de outros humanos, se calhar tão untermenschen como os índios.
Farto de vos ver a reboque da agenda política de Telavive, incapazes de um mínimo de equidade na abordagem da questão palestiniana. Farto também de vos ver fazer crescer o fundamentalismo islâmico, como reacção à vossa prepotência e humilhação do mundo árabe.
Farto deste mundo por vós criado, desta saga consumista, deste fervor gastador e hedonista, desta ausência de preocupações outras que não a fruição imediata de bens produzidos em larga escala.
Farto do politicamente correcto, outra das vossa criações, fruto das lutas universitárias dos anos 60, das construções ideológicas abstractas, desligadas da realidade e ó quão próximas do controlo de pensamento típico dos totalitarismos do século XX.
Farto do vosso imperialismo pseudo-cultural, dos vossos filmes violentos, da sua perversa influência sobre as mentes das crianças; farto da naturalidade com que mostram as mais abjectas facetas do homem. Farto da vossa pornografia, da vossa degradação do humano, da vossa humilhação daquela que dá à luz, daquela que é Vida: a mulher.
Farto das organizações que vocês criaram, que dominam e que tentam escravizar a humanidade, na sombra.
Dir-me-ão os vossos defensores que a alternativa ao vosso domínio seriam os chineses, os russos, os fundamentalistas islâmicos ou os amiguinhos guevaristas dos Chavez e outros folclóricos e sinistros utopistas. Se calhar têm razão, mas estes antagonismos também por vós foram alimentados no sentido de reforçar o vosso próprio poder e dominação.
Vivemos num planeta-prisão e em grande medida isso é obra vossa. Por isso estou farto.

13 comentários:

O Restaurador disse...

Eu não diria melhor meu caro, este é um dos melhores textos que li nos últimos meses!!! Só faltou também espelhar a burrice do povo americano por reeleito o minorca orelhudo!...

Abraço!

JSarto disse...

Um gigantesco manicómio! - assim definia Ezra Pound os EUA. Agora só falta aparecer por aí o nosso amigo "AB".

ab disse...

Concordo com o FSantos.
Antes de 1776 o mundo era um 'Paraíso'.
Senão vejamos:
- não havia violência
- não havia guerras injustas
(na realidade, até 1776, a noção de guerra era quase desconhecida, pois até essa data era só 'pombinhas a voar' e amor a rodos)
- não havia injustiças (nem pensar!)
- não havia massacres (era só o que faltava!)
- não havia miséria
- não se invadiam países (que ideia!!!) só pela mais pura cobiça, ganância,filha-da-putice, sanha de poder, de saque, de roubo e da mais obscena violência, não senhor)
- não havia trafulhices
- não havia guerras por motivações religiosas (fenómeno que, como sabemos, só começou em 1948)
- não havia vigaristas
- o Benfica era sempre campeão :)
- não havia tiranos
- imperava o amor universal e a mais pura benemerência
- o passarinhos chilreavam e os bois saltitavam, alegre e graciosamente, de galho em galho...


Oh!....bem-aventurados esses tempos do Éden perdido....desse País de Cocanha já longínquo....
:)

ab disse...

"...e resto nas raízes da vossa expansão territorial no vosso próprio continente, expulsando os nativos, tratados como sub-homens,..."


Não é justo apontar 'o dedo' aos anglo-saxões (e germânicos, e franceses, e suecos, etc, etc...) que colonizaram os territórios do que é hoje a América do Norte.

Isto pode-se aplicar a todos os colonizadores europeus e respectivos processos de expansão colonial.
(pois é, pois é....)

F. Santos disse...

Não te queria chamar advogado do Diabo mas comportas-te como tal (o Cheney já mandou o cheque? ;-))
A tua lógica é sempre a mesma: se o mundo é um inferno o melhor a fazer é comportarmo-nos em conformidade. O que for maior fdp domina o mundo - e está muito bem assim. Darwinista - ou nazi?...

ab disse...

1 - o mundo não é um 'inferno' (nem é nem NUNCA FOI um 'paraíso) mas, com certeza, não é mais 'infernal' que eras passadas.


2 - vejo que insinuas que os EUA dominam o mundo.
Essa é boa.
(na realidade nunca o chegaram a fazer e, num futuro próximo, vão ter que partilhar o 'poleiro' com uma panóplia de 'galos' emergentes)

Rafael Castela Santos disse...

?Esta seguro mi amigo FSantos de que los americanos, por reaccion, han amplificado el fundamentalismo islamico?
Mas bien parece que ellos mismos lo han azuzado y mimado. ?Por que, si no, apoyan a indonesios contra timorenses, a islamistas sudaneses contra sudaneses cristianos, a turcos versus griegos o a marroquies contra espanholes? ?Por que apoyan a Arabia Saudita? ?Por que a chechenos contra rusos?
La unica linea coherente de la politica exterior norteamericana tras Lincoln ha sido su permanente anticristianismo. El resto son variantes sobre el mismo tema.

Ricardo Zenner disse...

Parabéns, caro FSantos! Texto brilhante!

Anónimo disse...

O AB é o Buíça, sionista relapso e contumaz!

Thoth disse...

Quem não está farto?

Cumprimentos

Rui Rocha disse...

Subscrevo tudo excepto o seguinte excerto: "da vossa humilhação daquela que dá à luz, daquela que é Vida: a mulher". Não entendo a que vem este argumento.
Cumprimentos

Anónimo disse...

"Farto da vossa pornografia"!!!

Farto!?? - Ó FSantos, sinceramente! Ainda é a melhor coisinha que vão tendo!
Ah! e já aperfeiçoaram muito a M16.

Legionário

JSM disse...

Gostei! Mas acho que podemos centrar a objectiva: o que vemos? A mentalidade protestante e fundamentalista do Mayflower, os Lafayetes da jacobinice nefasta, tudo isto bem temperado, sem distinguir o César de Deus, à boa maneira farisaica.
Este é o caldo de 'cultura e poder' que temos que gramar hoje, neste pós guerra sem fim! Compreendo por isso que esteja farto.
A idade média era pior?! As cavernas também?!
Mas o que interessa isso agora!
O trajecto do homem pressupõe mais civilização, e não menos. Que é o que acontece neste momento.
Um abraço.