quarta-feira, novembro 14, 2007

Perdas e perdas

Os alemães actuais condenaram-se a uma auto-mortificação masoquista e doentia, como se devessem sofrer até ao fim dos tempos pelo que sucedeu na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Atrocidades em guerra são praticadas por mais contendores que aqueles que se assumem, e em especial os que vencem os conflitos saem como que imaculados das matanças que protagonizaram.
Consequência lógica: as vítimas desses actos são esquecidas, como se (o condicional aqui é ingenuidade minha) houvesse vítimas de primeira e vítimas de segunda. Muitas das que foram relegadas a esta segunda categoria são, no caso do conflito referido, de origem alemã. E é o próprio povo alemão que hoje parece ignorar o drama vivido por tantos dos seus antepassados. Segundo Tomislav Sunic, morreram entre sete e oito milhões de alemães durante e após a II Guerra, um pouco mais de metade dos quais efectivamente após a rendição alemã de 8 de Maio de 1945.
James Bacque contribuiu há cerca de quinze anos para revelar o destino dos prisioneiros de guerra alemães, condenados a uma morte atroz - em campos de concentração aliados, isto é, dos "bons". Sunic, em artigo da VoxNR, fala-nos do destino dos alemães, militares e civis, na Jugoslávia titista, enquadrando-o na problemática mais geral dos alemães do Danúbio (Schwabendeutsche) que, do país citado à Polónia, passando pela Checoslováquia, morreram em larga escala, sem piedade: fuzilados, obrigados a marchas forçadas (que fazem lembrar a mesma "táctica" empregue pelos turcos para com os arménios, em 1915), de fome - foi um sem fim de dramas atrozes, cujo silenciar pelos media democráticos só acresce à sua ignomínia.
(Leitura complementar: "Outras Perdas").

7 comentários:

Flávio Gonçalves disse...

"Outras Perdas", um livro há muito esgotado que ainda não consegui encontrar no alfarrábio =(

Ricardo Zenner disse...

Caro F. Santos: O «Outras Perdas» foi retirado da circulação por ter sido incluído no «Index» dos «democráticos». Livrarias houve que viram o SIS entrar e apreender todos os exemplares. Consegui o meu ainda a tempo, da própria editora, a Asa.

Quanto ao Holocausto Alemão, há que referir o sinistro Plano Morganthau, do homónimo conselheiro de Roosevelt e Truman, que previa (desde 1941) a eliminação de 38 milhões de militares e civis alemães, checos, húngaros e até franceses, as cidades arrasadas, para que a Europa Central nunca se voltasse a erguer e fosse transformada em campos de cultivo
para a expansão da indústria alimentar da «Nova Ordem Mundial».

O plano foi executado de 1945 a 1947, tal como James Bacque documenta, custando a vida a milhões de alemães. Devido aos problemas que estava a levantar (as valas comuns para tantos mortos eram difíceis de esconder, e os crematórios levariam décadas para incinerar tantos corpos), foi cancelado e adoptado o plano diametralmente oposto: o Plano Marshall. Isto depois de terem morto («acidentalmente») o general George Patton, que descobriu o que se estava a passar e lutou como pôde para travar o processo.

Cumprimentos

Anónimo disse...

È importante não esquecer. Por isso fez muito bem o amigo FSantos relembrar.

"Livrarias houve que viram o SIS entrar e apreender todos os exemplares"

Caro Zenner, se quisermos que "nos" levem a sério convem não escrever disparates desses - do sis fazer apreensões.Se as houve, e acredito que sim, não foi o sis.

Saudações
Legionário

Ricardo Zenner disse...

Caro Legionário: A informação foi-me prestada directamente por três livreiros, dois de Lisboa e um do Porto. Aceitei-a como verídica.

Contudo, o SIS (e isso sei-o de fonte interna) anda a praticar desmandos que não chegam sequer aos ouvidos da magistrada que o deveria dirigir. Seguir pessoas, magistrados até, intimidar, arrombar casas e remexer tudo (esta foi verídica, e o acto ilícito foi praticado na casa de uma magistrada judicial, que veio a apurar ter sido o SIS), esta organização tem feito de tudo um pouco. Sei também que andam a delegar operações a empresas particulares (não sei sob que alçada legal) que, quando apanhadas com a boca na botija, dizem que são do SIS. Talvez a confusão advenha daí.

Seja o SIS, seja o SIEDM (não é), seja quem for, «eles» andam aí, mais furiosos do que nunca.

Saudações.

Ricardo Zenner disse...

Caro Legionário, mais uma coisa: se sabe quem é a entidade que anda na verdade a fazer as apreensões, por favor indique-a (se puder, sem lhe trazer problemas). Porque os meus conhecimentos nos meios judiciários apontam quase sempre numa direcção, e não queria estar a errar.

Saudações

F. Santos disse...

O que é certo é que a ASA auto-censurou-se: o livro existe e... não existe!
http://www.asa.pt/autores/autor.php?id=832

Anónimo disse...

Caro Ricardo,
Uma das formas de ingressar no sis, é precisamente concorrer a “uma qualquer” empresa privada por eles “inventada”…
Um de muitos treinos porque passam os aprendizes de mafarricos é precisamente fazer-se passar porque quem não são, para alem de muitos disfarces civis (os mais usuais) eles também se fazem passar por polícias. Há alturas que, como você diz e bem, são “apanhados” e se isto fosse a sério, como acontece noutros países em que a segurança nacional depende verdadeiramente de autênticos serviços de informação (ex. Israel), os mafarricos ao serem apanhados pelas policias locais eram bem apertados (com bastante porrada) antes de serem entregues à correspondência, o que não é o caso cá na parvónia, que quando se vêem acossados soltam logo a língua nos dentes.
Portanto se isso se passou como diz, eles nunca, mas nunca, se poderiam ter identificado como força policial, a única devidamente credenciada para proceder a uma operação desse tipo. Se o fizeram cometeram uma ilegalidade (o que bem sabemos é normal) e os lesados deveriam participar o sucedido como um roubo. Porque, não brinquemos, os livreiros se ficaram sem os livros, teve que haver um qualquer processo JUDICIAL, nem que fosse para mera justificação do acto ilícito democraticamente praticado.
E viva o Estadinho de direito.

Saudações
Legionário